Criação do SHAZAM e a maior disputa judicial dos quadrinhos | Papel Jornal #07

Nesse vídeo, conheça a origem do Capitão Marvel, vulgo Shazam, seus poderes, as primeiras HQs lançadas nos EUA e no Brasil, e também o processo que levou sua editora à falência e a ser comprado pela DC.

Quando Superman foi criado em 1938, a revolução que ele causou foi inegável. Seu surgimento está entre os mais importantes acontecimentos da história das HQs – se não for “o” mais importante. Como todos estão carecas de saber, os mais diversos super-heróis vieram na rasteira do homem de aço, alguns tão diversos quanto o próprio Batman, mas indubitavelmente, todos valendo-se do caminho que ele pavimentou. Até ai tudo bem, os demais heróis que surgiram eram criativos à sua própria maneira, como o Tocha Humana da Timely, porém, em fevereiro de 1940, quando a editora Fawcett publicou a revista Whiz Comics #2, a National (antiga DC) sentiu pisarem em seu calo.

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O super-herói apresentado naquela edição tinha super-força e voava, os dois poderes mais emblemáticos do homem de aço. Os leitores (como eu) que têm aversão a essas babaquices de litígios irão imediatamente espernear: Mas Superman tem sua origem na ficção científica e o Capitão Marvel na magia; na identidade secreta um é Clark Kent e o outro um menino; os uniformes são completamente diferentes; o tom das aventuras do Super é sério, enquanto do Capitão Marvel é humorístico…

Sim, todos argumentos válidos que atestam que as diferenças superam as semelhanças, principalmente com o passar do tempo, em que as aventuras dos dois heróis começaram a ir em direções diametralmente opostas. Porém, a coisa começou a esquentar ainda mais quando na década de 40, a popularidade de Superman começou a decair, enquanto Capitão Marvel iniciava uma subida meteórica. Sua revista era dita a mais vendida de todos os tempos, e publicada quinzenalmente!!! A National não engoliu.

Derrotada nas bancas, a empresa entrou com um processo de plágio contra a Fawcett. Entre seus argumentos, estavam os dois já citados acima (poderes semelhantes), além de outros como “Clark Kent é um repórter de jornal e Billy Batson trabalhava na televisão; os dois têm cabelos curtos e escuros; os dois têm supervilões que são cientistas loucos e carecas – Lex Luthor e o Dr. Silvana; etc.”.

À exemplo do processo que envolveu os direitos do Homem-Aranha nos cinemas e que a maioria deve estar mais familiarizada por ter ocorrido recentemente, este também foi bastante complicado. As brechas nas leis eram acionadas e, de repente, todo mundo queria uma fatia do bolo. Por exemplo, o ator Fred MacMurray entrou com uma ação reivindicado direitos de imagem, pois dizia que o Capitão Marvel havia sido baseado em si – o que não era verdade. O sucesso da revista do herói chamou a atenção de muita gente, porém ainda assim, a Fawcett ganhou a primeira instância, que durou de 1941 a 1948. Seu argumento era forte: os poderes de ambos os heróis já datavam de antigas lendas, vindas desde os primórdios da civilização, afinal o Capitão Marvel se baseava em Hércules, Aquiles, Salomão, etc. Fato interessante, é que a Fawcett também usou como argumento que Superman não era o primeiro super-herói a deter aqueles poderes, já que invulnerabilidade e super-força eram atributos usados por Popeye antes do homem de aço.

O segundo round veio quando a DC apelou, descontente com a decisão – e parecia disposta até mesmo a levar o assunto à suprema corte norte-americana. Entretanto, os tempos haviam mudado – entrava a década de 50 e com ela, o declínio dos super-heróis, que não conseguiam competir com as novas tendências. Assim, em 1953, a Fawcett fechava as portas, mas não antes que as duas editoras decidissem por um fim ao processo. A Fawcett pagou, portanto, a quantia de US$ 400.000,00 à National referente aos custos do processo e tirou seu herói das bancas.

Vinte anos depois, em 1972, o mundo dava mais uma volta e a DC comprou os direitos sobre os personagens que pertenciam à Fawcett e passou a publicar as histórias do Capitão Marvel. Um ponto interessante, é que para sobreviver ao declínio que os heróis sofreram na década de 50, a National teve uma estratégia de gênio ao antecipar a crise que viria. Em 1944, a editora criou o Superboy – e o fez de tal forma que sua conectividade com o público jovem fosse fortíssima. Resultado, quando todos os heróis declinavam na década de 50, por causa de sua contraparte jovem, Superman retornou ao topo, voltando a ser a revista de heróis mais vendida da época.

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