4 livros essenciais para fãs de VAMPIROS | Vlog do PN #237

Um tema favorito de grande parte dos fãs do terror é VAMPIROS, contudo, estranhamente, não é incomum encontrar pessoas que, apesar de adorarem o gênero, nunca leram os principais clássicos literários, responsáveis por firmarem a mitologia desses sanguessugas. Sendo assim, este vlog celebra quatro dos maiores livros já produzidos sobre as criaturas, cada qual de um período diferente, escolhidos pela revolução que cada qual, à sua maneira, representou para o gênero.

Conheça um pouco mais sobre esses, que estão entre os principais monstros que habitam o inconsciente coletivo da humanidade desde os tempos antigos.

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Deixe-Me Entrar – Crítica

Deixe-Me Entrar
(Let Me In – EUA – 2010)
Direção: Matt Reeves
Roteiro: Matt Reeves, baseado no roteiro original de John Ajvide Lindqvis.
Elenco: Kodi Smit-McPhee, Chloe Moretz, Richard Jenkins, Cara Buono, Elias Koteas.

Via de regra, remakes de filmes de língua estrangeira produzidos pouco tempo após o lançamento do original acabam por pecar em qualidade e conteúdo em relação ao produto genuíno. Há casos em que tentam (e fracassam) inovar na história – o ótimo argentino Nove Rainhas gerou o horrível 171 – e outros em que procura-se manter exatamente a mesma estrutura, o que o torna a experiência vazia e repetitiva – [REC] e Quarentena. Sendo assim, era de se esperar que o remake de Deixe Ela Entrar, longa sueco de 2008 que conta a história de amor entre um pré-adolescente e uma vampira mirim, caísse num desses erros clássicos das adaptações sem legenda. Porém o mais estranho é que por mais que isso aconteça, acaba sendo o seu maior trunfo.

Mantendo a mesma estrutura do anterior – apenas realocando geograficamente -, temos aqui a gélida paisagem de Los Alamos, Novo México, aonde o jovem Owen (Kodi Smit-McPhee), um garoto deslocado e solitário, é constantemente agredido pelos colegas de classe. É então que ele conhece Abby (Chloe Moretz, um talento nato e estrela em ascensão), sua nova e estranha vizinha. À medida que o tempo passa, a amizade dos dois vai ficando mais forte, sem que Owen desconfie que Abby é na verdade uma vampira, que alimenta-se do sangue das vítimas que seu guardião (Richard Jenkins) consegue para ela. Ao mesmo tempo, um policial (Elias Koteas) passa a investigar as estranhas mortes que estão ocorrendo no local.

Sem se preocupar em atrair um público maior para a nova incursão (atitude corajosa e digna de respeito), o diretor e roteirista Matt Reeves (Coverfield) mantém a abordagem intimista do longa sueco (focando-se na relação dos personagens, ao invés da ação), o que torna o seu filme menos atraente ao padrões hollywoodianos. As poucas vezes em que decide inovar é onde Reeves comete seus maiores erros, como ao mostrar a garota se transformando fisicamente quando bebe sangue; ou ao fazer uso de desnecessários efeitos visuais durante os ataques da mesma, ignorando aquilo que foi uma das maiores qualidades do original: a sutileza. E se, ao mostrar uma foto da vampira com o seu mentor ainda jovem, o diretor quisesse criar uma tridimensionalidade na relação do casal – o que poderia indicar um futuro nada glamuroso para os dois -, isso logo é abandonado para que o roteiro se mantenha fiel ao material adaptado.

E é nessa fidelidade que Reeves sente-se a vontade para mostrar o seu talento. O cineasta amplia aqui a solidão de Owen, investindo em takes do menino sozinho em quadro e mostrando sua mãe sempre fora de foco, uma sombra sem rosto, enquanto o pai só aparece – por telefone – para piorar ainda mais a situação do garoto, justamente quando o mesmo procurava conselhos e conforto. Ao mesmo tempo, Matt investe em outra relação paternal que não havia sido tão bem explorada no anterior: a de Abby e seu guardião. Se, a principio, vemos Jenkins como uma pessoa cansada e amargurado pela culpa, aos poucos, o ator consegue demonstrar, de maneira sutil, sua preocupação com a “filha” – dando conselhos, mostrando-se preocupado; pequenos atos que culminam na tocante despedida dos dois.

Ainda que peque pela já mencionada falta de originalidade (e não pela falta de criatividade), Deixe-me Entrar merece destaque pelo talento dos envolvidos e a qualidade do produto que, ao contrário dos demais, não é só mais um caça-níquel de verão, mas uma história de amor impossível, contada de maneira sensível, bela e emocionante. E isso funciona em qualquer língua.

Trailer: