Batman: Fim de Jogo | Análise

Por Sidarta Pacheco, direto do site Crise nas Infinitas Comics.

Batman Fim de Jogo, a saga que pega entre os números #35 e #40 da mensal do Batman Novos 52 , é a segunda história de Snyder com Capullo a tratar do conflito do Coringa com o Batman. Confira a análise da recém finalizada saga, mas a análise contém spoilers sobre a trama, leia por sua conta e risco.

Scott Snyder e Greg Capullo são um dos nomes mais falados da DC desde o início dos Novos 52; e não é para pouco. Snyder trouxe diversas ótimas histórias ao decorrer do reboot: a Corte das Corujas, Morte na Família e o Ano Zero. Todos desenhados de forma caricata e única por Greg Capullo; o Batman nunca esteve assim tão bem. Cada uma das histórias teve seus acertos e erros, é claro, mas foi fácil ver como Snyder e Greg cresceram juntos; e Endgame é o auge deles.

Fim de Jogo começa em Batman #35, mas qualquer um que conheça um mínimo sobre o Morcego pode pegar e começar a ler a partir daqui. Com direito à uma bela síndrome de Frank Miller – isto é, o Cavaleiro das Trevas dando um cacete em qualquer um que apareça na sua frente, inclusive na liga – a história começa  de uma forma cômica, exagerada e inteligente. O Batman está, hoje em dia, mais preparado do que nunca para batalhar contra qualquer um que surja à sua frente; e a primeira parte (#35) e a segunda (#36) vêm para nos mostrar isso.

O problema é quando o inimigo não está na frente dele. Ao final da segunda parte, no momento em que é revelado o vilão da história – o Coringa – o meu nariz torceu. O Coringa de novo?! Bem, sim. Enquanto em Morte na Família (a primeira história de Snyder/Capullo com o antagonismo desse vilão) o maldito palhaço agia de uma forma previsível e repetida – afinal, não era a primeira vez que o Coringa tentava matar um Robin – em Fim de Jogo a proposta é completamente outra: reescrever o vilão.

Mas como se reescreve um personagem que está há 75 anos enraizado na mitologia de Batman? Para responder isso, precisamos observar que quando Endgame entra na sua terceira (#37) e quarta (#38) edições, não se trata mais somente do Batman, mas de toda a história de Gotham. Snyder consegue, com maestria, criar um roteiro que adapta uma personagem tão conhecido como o Coringa em algo completamente novo, porém natural, como se a personagem estivesse quebrando a quarta barreira o tempo todo; enganando a todos nós, leitores, por tanto tempo: se nem o Batman conhece o Coringa, quem somos nós, leitores, para conhecer?

Não é exagero dizer que Snyder conseguiu, junto com Capullo, definir o que e quem é o Coringa de verdade. Endgame termina por definir um estilo “gótico” shakesperiano para o maior antagonista do cavaleiro das trevas, dando um ar teatral para todos os momentos em que o Coringa está “em cena”. A grande reviravolta, porém, não está na mudança da origem do Coringa – que é, na verdade, um homem com centenas de anos de vida, que utiliza do Dionésio, um elemento químico, para se manter vivo.

A reviravolta, de verdade, está no ato final. Depois de sequências e substanciais mudanças em toda a mitologia de Gotham; é perceptível que a definição de “quem e o que é” o Coringa coloca em cheque  o fato de que nós, leitores, conhecemos o velho Bruce, independentemente do reboot. O mesmo não pode ser dito do Coringa. A quinta (#39) e sexta (#40) parte nos mostram um final que comprova isso.

Tanto nas artes de capa quanto nas consequências das ações dos personagens: o inesperado e ousado é o que acontece. Este “novo” coringa e o “velho” Batman se confrontam: o leitor não era o único que conhecia o Coringa, o próprio Bruce também não. E isso resulta em um final gore, cru e intenso de batalha entre os dois. Com um excesso de sangue e cenas teatralmente sincronizadas; o choque entre o velho e o novo acaba tendo um resultado simples: o fim do jogo.

Não é a primeira vez que o Batman morre – muito menos a primeira vez que o Coringa morre. Porém, não digo com exageros que esta é a primeira vez que o Batman como conhecemos morre. Quando Bruce Wayne voltar, ele será outra pessoa, graças a intensidade de seu confronto com o coringa. Parece que o maior detetive do mundo caiu numa piada. O fim de jogo é, na realidade, o início de algo novo. Um novo Coringa, talvez? Um novo Bruce também? Ambos irão voltar, é óbvio, cedo ou tarde; mas não é o fato deles terem morrido, é porque o grande Batman errou e caiu na pegadinha, em um “mindgame”, e mesmo no ápice de seu momento, a sua ingenuidade o matou. “Ele já enfrentou de tudo: aliens, magia, monstros… E mesmo assim vai despreparado. É como se ele desafiasse a morte” diz Julia Pennyworth, no final do capítulo. Essa é a realidade: Bruce desafiou a morte, mas, dessa vez, a morte foi mais inteligente do que ele. Bruce e a morte ficam de mãos atadas para dar risada neste trágico fim de jogo – que inaugura um novo Status Quo para o Batman.

Snyder e Capullo dão um passo a frente em Endgame, mudando a mitologia e o status quo de Gotham e do Batman, sem ter medo de expor que, no final, todos nós fomos enganados pelo Coringa. É o fim para dois amigos, que morrem um ao lado do outro. O velho Batman e o novo Coringa.

Nota: 9.75

Essa saga começa no número 35 da mensal do Batman.

Essa saga começa no número 35 da mensal do Batman.

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  1. Opa pessoal do ChuNam, de boa? 🙂 Espero que sim!
    Aqui é o Alex Jacket, eu sou o autor da resenha dessa saga de Batman, publicada lá no Crise Comics. O Sidarta é um dos donos do site, mas a resenha fui eu quem fiz.

    Fico MUITO feliz pela postagem! Obrigado por isso!