Jimmy Corrigan: O menino mais esperto do mundo – Se não leu, leia!

Colaborador: André Rocha


Jimmy Corrigan – O menino mais esperto do mundo do Chris Ware já foi citado aqui no Top 10 quadrinhos da década e no Videocast 81 – Pais e Filhos. Contudo, só tive a oportunidade de lê-lo recentemente. Não siga meu exemplo, leia o quanto antes! Creio que esta obra prima está entre os melhores quadrinhos da história e, seguramente, um dos melhores que já li em toda minha vida.

Chris Ware realizou o feito de misturar confissões e ficção de uma maneira brilhante que pode parecer difícil à primeira vista, mas que se mostra genial quando o leitor deixa a preguiça de lado e mergulha na obra.

Jimmy é um homem de meia idade com conflitos internos mal resolvidos, solitário, com uma mãe super protetora, um trabalho entediante e um amor não correspondido. A trama principal tem início quando recebe uma carta do seu pai que ele nunca conheceu o convidando para encontrá-lo.

Há outras tramas em paralelo com fantasias e lembranças de Jimmy. E também as lembranças de seu avô relatando a morte da avó, a ausência da mãe e a opressão do pai (bisavô de Jimmy). Ware ousou na narrativa transformando tamanha dor em uma obra poética. Triste, muito triste, mas poética. Porque há beleza na tristeza também.

Em Jimmy Corrigan forma e conteúdo dialogam entre si de forma coerente e nos mostram a complexidade da história escolhida pelo autor. Os desenhos refletem o apreço que Chris Ware tem pelo design gráfico estadunidense do início do século 20, deslocando através de formatos de quadrinhos tradicionais, painéis de propagandas e influências estilísticas que incluem gráficos de publicidade da mesma época.

Segundo ele, sua maneira de trabalhar tenta buscar uma forma de aproximar visualmente aquilo que ele sente, mas ao mesmo tempo busca usar as regras de tipografia para guiar a maneira de desenhar para manter uma distância razoável da história.

O traço preciso, os layouts geométricos podem parecer para alguns que foram feitos por computador, mas Ware trabalha quase exclusivamente com ferramentas de desenho manual, apenas colorindo no computador. Esse traço, de certo modo, frio e “impessoal” traduz para o desenho os conflitos e sentimentos de Jimmy e a dificuldade de comunicação e aproximação afetiva entre Jimmy e seu pai.

Jimmy Corrigan  é muito mais que uma história apelativa sobre o reencontro entre pai e filho. É uma reflexão inteligente e refinada sobre o conceito de família e, sobretudo, sobre o desamparo, a angústia, a busca por identidade, a busca por se entender no mundo e o desespero que isso causa no homem urbano moderno.

Jimmy Corrigan – O menino mais esperto do mundo
Autor:
Chris Ware
Tradução: Daniel Galera
N. de Páginas: 388
Editora: Quadrinhos na Cia (Cia das letras)
Ano: 2009

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André Rocha

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  1. Ótimos comentários acerca da obra. Foi um dos melhores gibis que li nos últimos três anos. O pior é, mesmo diante de tanta competência de C. Ware, ainda ficarmos ouvindo comentários imbecis como o de Grant Morrison acerca desse gibi e dos outros trabalhos (em geral, publicados na New Yorker; no Brasil, a revista “_piauí” vem publicando alguns trabalhos curtos).