Minha Estante 62 – Sandro Santos

Para você que estava com saudade da coluna Minha Estante, pronto, não precisa mais ficar triste.

Ela está de volta, e dessa vez com o nosso amigo e colecionador Sandro Santos.

Sandro, que assim como a maiorias de nós, é apaixonado por quadrinhos e conta pra gente um pouco dessa sua vida de colecionador.

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Sandro, muito obrigado por participar desta entrevista.

Eu que agradeço, Alexandre! Acompanho a coluna desde o início e sempre tive vontade de participar. Agora, apareceu a chance.

Onde você mora e o que faz da vida?

Moro em Avaré, interior de SP. Sou administrador de empresas com ênfase em Sistemas de Informação. Atualmente, trabalho na área fiscal no ramo sucroenergético.

Como que os quadrinhos entraram na sua vida?

Essa é fácil. Quando eu tinha uns 4 ou 5 anos, iniciei minhas “leituras” de imagens com os gibis da Turma da Mônica, como a maioria de nós. A leitura, propriamente dita, começou com Bloquinho 2. Tinha histórias de personagens italianos (Tarzaneto, o Coelho Porfírio etc). A edição perdeu-se nos caminhos da vida, mas, graças ao colecionador e vendedor André Luiz Garcia Aurnheimer, consegui reaver essa edição. Nem preciso dizer que ela está em destaque na estante.

Quantas HQs você tem?

Perto de 6.000. Mas ainda tem coisa para catalogar. As mensais que compro, cadastro aos poucos. Encadernados e edições antigas ou especiais, cadastro na hora. Tenho esse hábito.

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Quais são os principais itens de sua coleção?

Embora eu tenha muitas edições luxuosas, capas duras e raridades da Ebal, Bloch e outras, as que eu guardo com todo carinho são os formatinhos da Abril. Comecei a ler pra valer quando a Abril passou a publicar a Marvel. A primeira revista de heróis que li foi o Heróis da TV 11, com a história em que o Capitão Marvel adquire a consciência cósmica. Havia também as histórias do Shang Shi, Punho de Ferro. Vi aquilo e disse: Cacete (não exatamente com essa palavra, claro). A partir dali, mudei o foco para heróis e não parei mais. Aí veio: Capitão América, SAM, Conan… Bons tempos.

Qual o item mais raro que você tem?

Creio que, em termos de dificuldade de se conseguir, seja a edição Almanaquinho de Invictus – 1968, da Ebal. Paguei R$ 10,00 por ela. Por esse preço, praticamente impossível de encontrar… (risos). Foi um achado.

Outras que merecem destaque são: a coleção Edição Maravilhosa primeira edição, até o número 100; Brucutu, da RGE; Betty Boop, da GEA e outras.

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Você mora em Avaré (cerca de 270 km de SP capital). Gostaria de saber como é a distribuição aí na sua cidade. As revistas tendem a chegar no mesmo mês de seus lançamentos?

Rapaz, eu tenho alguma dificuldade, sim. Acompanho algumas mensais e elas costumam atrasar. Mas chegam. Já encadernados como Hellblazer, Monstro do Pântano, Inescrito, Fábulas e outros especiais, chegam com muitos meses de atraso. Às vezes, pula edição e aí tenho de recorrer à internet para encontrar os números faltantes. Mas isso é problema da distribuidora local, segundo o funcionário da banca onde compro. Essa distribuidora fica em Bauru, cidade a 140 km de Avaré e o problema de logística é grande. Aqui vale uma observação: compro nessa banca há quase trinta anos, com o mesmo funcionário. Faço duas visitas semanais e os papos sobre quadrinhos foram, ainda são, muitos. Um verdadeiro ponto de encontro entre leitores. Hoje em dia, isso está cada vez mais difícil de ocorrer. Mantenho esse hábito.

Uma curiosidade sobre minha cidade: Aqui foram realizados alguns Congressos Internacionais de Histórias em Quadrinhos, na década de 70, com a presença de diversos quadrinistas, inclusive o Mauricio de Sousa. Uma pesquisa rápida na internet pode fornecer maiores informações sobre esses eventos. Um amigo meu tem um cartaz dessa época que estou doido para comprar, mas ele não vende. Deixa emoldurado na casa dele só para fazer inveja. Quem sabe um dia?

Além da banca, tem mais algum lugar que você costuma comprar?

Além da banca citada, compro muito na Amazon, Fnac, Saraiva, sebos virtuais e no Mercado Livre. Nesse último, sabendo procurar, dá para achar muita coisa com preço legal. O pessoal mete o pau, mas nem tudo é tão caro assim. O segredo é focar nos leilões a partir de R$ 1,00 que finalizam no meio da semana. Já comprei edições bacanas, como o WE3 capa dura, da Panini, por R$ 7,00. Acredita?

Também visito muitos sebos das cidades vizinhas. Gosto de me enfiar entre as estantes e fico lá até a esposa terminar as compras nas lojas e me chamar.

(Dica: levem as namoradas/esposas e as deixem nas lojas próximas, enquanto você se suja nos sebos. Todo mundo fica feliz.)

Viajo no tempo quando estou caçando gibis antigos. Não à toa, meu programa favorito é o Caçadores de Relíquias, do History Channel.

E, nessas visitas, aproveito para pegar gibis que repasso aos amigos colecionadores. Você, inclusive, já pegou algumas comigo.

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A sua coleção tem de tudo. Mas qual é o estilo de HQ que você mais gosta?

Embora a maioria de minha coleção seja composta do gênero super-heróis, é difícil definir um estilo.

Já tive fases em que preferia espada e fantasia (Conan), Humor (Groo), Terror (Kripta), erótico (Druuna, Valentina). Mas, com o tempo, percebi que prefiro mesmo todos.

Como você guarda seus quadrinhos? Você tem alguma técnica para conservar as suas revistas?

Tenho um quarto exclusivo para as HQs. E, como a maioria dos colecionadores tem algumas regrinhas básicas quanto à conservação.

Primeiro aquela cheirada básica. Seja novo ou antigo, é de lei. Comigo, formato digital não funciona. Tenho de pegar o papel nas mãos, sentir a textura das folhas. Mas em se tratando de papel, tem de ter alguns cuidados. Papel amarela, resseca, não tem jeito. Mas dá para retardar esse processo natural.

Formatinhos, mensais e encadernados brochura, coloco em sacos plásticos. Compro em lojas de embalagens mesmo.

Capas duras, deixo sem. Salvo algumas exceções, guardo todos em pé. Tenho algumas edições da editora Nemo que, devido ao tamanho, tenho de deixá-las deitadas.

Uma observação: Capa dura, NUNCA, NUNCA deixe empilhada uma em cima da outra. As páginas vão colar. Falo com propriedade, pois já passei por isso com algumas edições de Sandman, da Conrad. Quando a tinha é nova, não seca direito, aí já viu. Mas notei que esse problema costuma ocorrer com maior freqüência em edições da Conrad e Pixel. Nas da Panini, não notei isso. Mas não dou sopa para o azar. Ficam em pé, sem deixar muito apertadas umas às outras.

Para evitar insetos, coloco grãos de pimenta do reino e cravo nos nichos da estante. Afasta qualquer traça que você possa imaginar. Se observar bem, os pontos pretos que aparecem em algumas fotos são esses pequenos truques.

Além disso, montei a estante longe de paredes externas e janelas. Com esses cuidados e uma limpeza de vez em quando, os tesouros estão preservados.

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Talvez o maior problema para nós, colecionadores, seja o espaço. Lembro de quando você comprou a sua estante para guardar a sua coleção. Pelo jeito você vai ter que comprar outra não é mesmo?

Na verdade, comprei o material e eu mesmo a montei. Desenhei como queria e pedi para a loja de materiais já cortar nas medidas definidas. Aí, foi só usar a parafusadeira, parafusos, pregos e pronto. Em um final de semana, estava montada a estante. Nas mesmas medidas, a marcenaria queria me cobrar R$ 3.000,00. Meu custo ficou em menos de R$ 600,00. Sobrou grana para os gibis.

Mas, sim. Já estou pensando em montar outra, porque essa vai encher logo.

Sei que você estava atrás da Heróis da TV 1. Você já conseguiu essa edição?

Ainda não consegui. Até apareceram algumas, mas estavam pedindo de R$ 300,00 para cima. Aí não dá. Tenho paciência. Um dia aparece uma com valor mais baixo. Eu até poderia pegar um fac-símile para tapar buraco, mas não seria a mesma coisa. Gosto mesmo é de original, com toda a história que carrega de seus antigos colecionadores. Às vezes, achamos coisas dentro dessas edições antigas. Eu mesmo já encontrei cartões postais, cartas, figurinhas antigas. É sempre uma surpresa.

Qual foi sua última leitura e qual está sendo a atual?

Toda noite, tem leitura. A última que li (ou reli), foi justamente a do Bloquinho, que mencionei acima. Passei bons momentos relembrando a infância. A atual está sendo Maus, que comprei há pouco tempo. Fazia tempo que estava atrás e, finalmente, apareceu a um bom preço na Amazon. Espetacular!

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Se tivesse que escolher um gibi pra eternidade, qual seria?

Fácil. Heróis da TV 11. Foi esse que me fisgou para o mundo da Marvel e dos heróis.

Obrigado pela entrevista, Sandro. Para finalizar, deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Agradeço a oportunidade, Alexandre! O recado que deixo é que não desistam de suas coleções, apesar das traças, poeira e preços exorbitantes.

Cultura é essencial e preservar a memória das histórias em quadrinhos faz parte de nossa missão.

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Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros fãs e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

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  1. Muito linda a coleção! Gostei principalmente das clássicas edições do curso do Jaime Cortez e Dos especiais do Zero com bonecos do Gal Dureza e da D. Tetê. Ah, tenho um carrinho de bombeiro idêntico ao do Sandro, com os 3 botões. Espero poder organizar a minha coleção e fotografá-la, faz um ano que prometi pro Daniel que participaria dessa seção!

  2. Achei muito completa a coleção. Adorei o fato dele ter coisas realmente bem difíceis de se encontrar hoje em dia, principalmente no que diz respeito aos mangás. Sou novo e minha coleção ainda é modesta, formada em sua grande parte por mangás, mas espero um dia poder chegar ao patamar dos colecionadores que vejo nessa coluna.

  3. Não conhecia esse quadro do site, e que surpresa agradável, parabéns pela coleção ela é linda

  4. Bonita coleção, acho admirável a capacidade de todos vcs colecionadores em manterem preservados objetos tão antigos. Eu não tenho essa capacidade, minhas hqs e livros mais antigos não contam 10 anos. Nanquim, volte com esse quadro algum dia. Abraços *Essa “Ás Inimigo: Um Poema de Guerra” do George Pratt, bem que alguma editora poderia fazer uma bela reedição em capa dura, essa Hq é uma verdadeira obra de arte! Outra que sinto uma falta enorme é “Demolidor – Amor e Guerra” não me conformo de não terem feito até hoje um encadernado dela em capa dura; tem roteiro do Frank Miller e arte do incrível Bill Sienkiewicz! Vai entender…

    • Obrigado! Essa edição do As Inimigo, eu tenho a versao original americana em capa dura também. Realmente, merece uma republicação. Amor e Guerra, com certeza, será uma das apostas da Editora PN. Fica de olho!
      Abraço!
      Obrigado