Minha Estante #33 – Érico Assis

Olá a todos!

É com muito prazer que apresentamos mais uma edição da coluna Minha Estante. Dessa vez trazendo a magnífica coleção de Érico Assis, nome conhecido por muitos de vocês que gostam de bons quadrinhos.

Érico é o colunista de quadrinhos do Omelete, tradutor de muitos títulos da Cia. das Letras, Leya/Barba Negra e Panini, e acima de tudo um grande apaixonado por HQs, dono de uma das mais lindas estantes que já vi.

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Olá, Érico! Obrigado por topar essa entrevista. É uma grande honra contar com sua participação aqui.

Eu que agradeço o convite! E peço desculpas pela demora, de novo…

Para começar gostaria que você se apresentasse aos nossos leitores e nos contasse como foi sua entrada no mundo das traduções de quadrinhos?

Escrever sobre quadrinhos para o Omelete lhe abriu muitas portas?

Juntei as duas perguntas por que a resposta é quase a mesma. Sempre quis ser tradutor, mas não só de quadrinhos. Cheguei a fazer tradução de artigos científicos, legendas de seriado e etc. Mas a tradução de quadrinhos tem a ver diretamente com o Omelete.

Quando o André Conti estava montando o selo Quadrinhos na Cia. na Companhia das Letras, entrou em contato comigo para trocar idéias. Mencionei que estava a fim de traduzir e ele me passou um teste. Passei, e a primeira tradução acabou sendo Retalhos, do Craig Thompson.

A partir daí, vieram convite da Panini – depois de anos que passei enchendo o saco do Fabiano* pedindo um teste -, da Saraiva, da Barba Negra, da Globo. Por enquanto tem sido muito legal.

(N.E: F. Denardin é o atual editor da linha  Panini/Vertigo)

Essas são algumas das HQs que eu traduzi.

Minhas traduções em detalhes.

Quando foi que se transformou de leitor ocasional de quadrinhos para um colecionador inveterado?

Não tenho idéia. Virou meu “normal” quando ainda era criança, comprando religiosamente tudo que saía de Marvel e DC. Fora um e outro ensaio, só parei de comprar mesmo quando saí da casa dos pais e tive que economizar grana. Não parei com tudo, mas deixei de comprar as revistas mensais, por exemplo. Depois, de uns cinco anos pra cá, comecei a seguir tudo que é graphic novel e coleção interessante que sai nos EUA, de vez em quando umas coisas da Europa. Minha coleção agora pende mais para isso.

Eu mantenho um registro da coleção aqui.

Qual foi seu primeiro personagem favorito? Ele ainda ocupa esse posto ou alguns detratores conseguiram, depois de escreverem tantas histórias ruins, rebaixá-lo?

Sempre gostei muito do Homem-Aranha, talvez pela enchente de histórias que saía com ele quando eu era criança. Mas personagem favorito não quer dizer que sigo religiosamente ou que goste de qualquer história. E também não fico preocupado com detratores, ou seja lá o que for – as histórias que eu gosto ainda estão lá e posso voltar a elas quando quiser.

Quantas HQs você tem?

Não tenho ideia. Apesar de ter parado de compras as séries mensais há anos, ainda tenho a coleção que fica na casa dos meus pais. Devem ser umas 3 ou 4 mil revistas. Na minha casa tenho aí por 2,5 mil, mais no formato “livro”.

Essa é a estante que está "arrumada". É a coleção de coisas já lidas, organizadas por ordem alfabética de sobrenome de autor. A foto está meio estranha porque é uma junção de duas.

Vergonhosamente, esta é a parte de COISAS A LER da coleção.

Quais são os principais itens da sua coleção, aquelas séries ou volumes que são as meninas dos olhos de sua estante?

Olhando pelo lado do fetiche com os livros enquanto objetos – e admito que eu tenho esse fetiche -, aqueles livrões gigantes da Sunday Press Books, do tamanho dos jornais antigos em que saíram as tiras de Gasoline Alley ou do Little Nemo, talvez sejam os mais orgásmicos.

Mas tem outras coisas também. Antes de anunciarem que finalmente iam reeditar, consegui a Flex Mentallo do Grant Morrison e do Frank Quitely num leilão no eBay (é uma HQ “proibida”, que a DC não publicou mais devido a um processo – e o Morrison considera seu melhor trabalho).

Os monstrinhos SUNDAYS WITH WALT & SKEEZIX e LITTLE NEMO: SO MANY SPLENDID SUNDAYS.

Você tem muitas HQs autografadas?

Não. Gosto de autógrafos, mas gosto mais ainda de deixar os autores que eu gosto em paz. Tenho algumas coisas autografadas, mas não tenho costume de levar uma HQ para autografar quando vou encontrar um autor, por exemplo.

Dito isso, agradeço muito aos amigos que me conseguiram autógrafos do Neil Gaiman, do Lewis Trondheim, uma Marvels usada que, por surpresa, veio com autógrafo do Busiek e do Ross…

Como você guarda suas revistas e quais técnicas usa para conservá-las?

Gosto de organizar as HQs, mas não sou nada cuidadoso quanto à conservação. Gosto de deixar todas elas à mostra no meu escritório, e remexo com frequência. Não gosto de HQ em saco plástico nem nada desse tipo.

Quanto à organização, por enquanto uso em ordem alfabética por sobrenome do autor. Por pura mania de ver obras de um mesmo autor todas juntas.

Você tem alguma outra “mania de colecionador”?

Fora pesquisar preço até conseguir o mais barato, acho que não. Gosto muito de emprestar, principalmente para quem não lê muito gibi.

Pedacinhos da coleção. Esposa (designer) foi fotografando o que achou mais bonito.

Quais foram os últimos quadrinhos que comprou? E qual o último que leu?

Quase tudo que eu compro é em pré-venda, via Amazon. Tem até coisas que vão sair só em novembro. De interessante, na minha última compra:

Kick-Ass 2, Mark Millar e John Romita Jr.

Parker: The Score, Darwyn Cooke

Naoki Urasawa’s 20th Century Boys, Vol. 21 e 22

The Art of Daniel Clowes: Modern Cartoonist

New York Drawings, de Adrian Tomine

The Shadow: Blood and Judgment, de Howard Chaykin

The Best American Comics 2012

Blue, de Pat Grant

The Hive, de Charles Burns

Mas os últimos que eu recebi em li foram foram duas coleções italianas (só porque não existem em inglês) do David Mazzucchelli, chamadas Discovering America e Big Man. Ontem, por coincidência, acabei de ler várias coisas: Uma Patada Com Carinho, da Chiquinha, Curtas E Escabrosas, do André Total, Suddenly Something Happened, do Jimmy Beaulieu, e Paul Moves Out, do Michael Rabagliati.

Você tem adquirido mais volumes importados do que nacionais?

Yes, oui e si.

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Que dica daria para o leitor interessado em comprar obras importadas?

A loja The Book Depository – frete internacional grátis e preço mais baixos em 80% das vezes.

Quais quadrinhos você acha que as editoras estão vacilando muito em não publicar por aqui?

Um monte de autores nacionais que só publicam na web e que deviam ganhar bem mais – grana e reconhecimento – pelo que fazem.

Quanto a importados, se estão vacilando, eu não sei, pois o público do mercado editorial brasileiro é uma coisa que eu não ouso entender. Acho que a gente está mais do que bem servido com a quantidade de quadrinhos que vem saindo aqui e, fora uma e outra edição mal feita, também estamos bem servidos de qualidade nas versões nacionais.

Você já foi a alguma NY ou San Diego Comic Con?

Ainda não. Pretendo ir a Angoulême, assim que eu tiver 100% no francês e que o cataclisma europeu desvalorize o euro.

Quais são seus 10 quadrinhos favoritos dos últimos 10 anos?

Essa pergunta é muito complicada. Vou tentar chegar nos dez, sem ordem: WE3 de Grant Morrison / Frank Quitely, All-Star Superman #10 da mesma dupla, Acme Novelty Library #20 do Chris Ware, aquela versão da Branca de Neve pelo Rafael Coutinho no Irmãos Grimm Em Quadrinhos, Três Sombras do Cyril Pedrosa, Pinocchio do Winshluss, Scott Pilgrim do Bryan Lee O’Malley (apesar de ter sido tradutor, sempre fui fã)… estou tentando ficar em coisas que me balançaram mesmo.

Você acompanha alguma saga atual envolvendo super-heróis?

Todas, pois escrevo sobre elas para o Omelete. Não quero dizer que é por obrigação, pois ainda sai muita coisa bem feita nestas sagas.

Tem algum item que quer muito ter, mas está impossível de encontrar?

Kramer’s Ergot #7. Se alguém achar, me avise.

Érico, muito obrigado pela entrevista! Foi um prazer conversar com você. Deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Eu que agradeço, Daniel. E a mensagem é: leia mais, colecione menos.

Ambiente de trabalho.

Espaço acima do computador onde guardo os "livrões": Absolute e coisas que não cabem nas estantes normais.

 

Último presente que ganhei da esposa. Eu chamo de Cow-El.

"Sala de leitura". Uma amiga me fez e deu de presente a almofada do Jimmy Corrigan.

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Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros aficcionados e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!