Oito filmes de terror para assistir no Halloween!

Ainda em clima de Dia das Bruxas, preparei uma pequena lista de filmes de terror que valem a pena ser conferidos. Não se trata de uma lista de melhores do gênero nem nada semelhante, são apenas indicações de títulos que assisti recentemente e que acabei gostando, organizada sem qualquer ordem de preferência. Optei por um artigo assim ao invés de ficar falando dos mesmos clássicos de sempre, como O Iluminado, O Exorcista, O Bebê de Rosemary, Coração SatânicoA Noite dos Mortos-Vivos, A Hora do Pesadelo, O Massacre da Serra Elétrica e outros que todos já sabem que precisam ser assistidos, dessa forma talvez você se depare com algumas dicas novas capazes de agradar. Também não mencionei aqueles que já estão em outra lista que publiquei no site, de filmes extremamente tensos (aproveite e leia também) ou que já receberam críticas aqui, como Stake Land, Sob o Domínio do Medo e Contos do Dia das Bruxas. Obras recentes extremamente conhecidas também ficaram de fora, como Bruxa de Blair, Rec, Atividade Paranormal e Jogos Mortais. Dito isso, vamos à lista.

O Segredo da Cabana (The Cabin in the Woods, 2011)

Filme divertidíssimo, que mistura muito bem cenas de horror trash com humor negro. Dirigido por Drew Goddard e escrito por ele em parceria com Joss Whedon (isso mesmo, o responsável por Os Vingadores), a trama traz Chris Hemsworth (o Thor em pessoa) no papel principal, um jovem estudante que reúne sua namorada e mais três amigos para ir passar o feriado em uma cabana no meio de uma floresta, afastada de tudo e de todos. Não só parece clichê, como é de fato um grande clichê, e é justamente esse o grande trunfo da película! O roteiro se apropria de praticamente TODOS os filmes de terror já feitos, principalmente aqueles ambientados em cabanas, e os coloca no mesmo caldeirão, como se todos fossem parte de um único universo, conectados a uma mesma rede de acontecimentos. Só assistindo mesmo pra entender isso que você acabou de ler, é sensacional. O final é Lovecraft puro!

O Último Trem (The Midnight Meat Train, 2008)

Excelente adaptação do livro Midnight Meat Train, de Clive Barker, um dos principais autores de terror da história. Tenha em mente que Barker se utiliza muito do sobrenatural em suas obras, recheadas de criaturas do inferno, então esse filme não foge a regra, mesmo parecendo ser apenas uma trama de serial killer. Na trama, um fotógrafo profissional inicia um provocativo estudo para sua próxima exposição, sobre o lado negro dos seres humanos e dos habitantes da noite de sua cidade, até se deparar com uma série de assassinatos que ocorrem sempre na mesma linha de um metrô, com um estranho açougueiro como suspeito. Obcecado em pegar o assassino, o protagonista inicia uma investigação que vai colocá-lo, junto com sua namorada, em situações totalmente aterrorizantes. Um excelente filme, fundamental para apreciadores de terror no cinema e na literatura.

Halloween – O Início (Halloween, 2007)

O diretor Rob Zombie trata com muito respeito a criação de John Carpenter, um mestre do terror, e conduz um excelente remake, 29 anos após a estreia do original. Halloween é uma franquia de bastante sucesso que rendeu oito filmes antes de O Início, entre 1978 e 2002, a maioria deles bem ruinzinhos, principalmente os dois últimos. Mas aqui Zombie manda bem demais, seu Michael Myers é implacável e aterrorizante, promovendo diversos assassinatos, um mais sanguinário que o outro. Além da parte sangrenta, o longa tem um ótimo ritmo, logrando sucesso em criar uma aura de suspense entre cada uma das mortes. Mas, se esse filme é ótimo, sua continuação, no entanto, é o completo oposto, uma grande bomba da qual você deve fugir, Rob Zombie pisou feio na bola. Uma curiosidade interessante é que o Halloween original inspirou a criação, dois anos depois, de outra franquia consagrada do subgênero slasher, o Sexta-Feira 13, e esse remake, por sua vez, inspirou o lançamento do remake do filme de Jason, também dois anos depois, pelo cineasta Marcus Nispel (e que é bem legalzinho).

Eles (Ils, 2006)

Filme francês dirigido e escrito pela dupla David Moreau e Xavier Palud. Antes de tudo uma coisa precisa ser reforçada: os franceses sabem fazer filme de terror, estão aí Mártires, Alta Tensão, A Invasora e outros para comprovar. Esse longa não chega a bater os três citados, mas é um excelente terror/suspense! Todo o clima de tensão que se instala entre os espectadores advém apenas da competente direção, da interpretação do casal protagonista e da ambientação adequada, sem uso de efeitos especiais e litros de sangue, por conta do baixíssimo orçamento com o qual tiveram que trabalhar. É o cinema a moda antiga resistindo em alguns poucos títulos. Pra deixar o filme mais atraente, ele é baseado em fatos reais, de assassinatos ocorridos na Romênia em 2002, que deixou a imprensa e toda a comunidade em choque quando a real identidade dos assassinos veio à tona com a investigação da polícia. Trata-se da história de um casal que vivia em um casarão afastado da cidade, que em uma noite se veem sendo atormentados e perseguidos por um misterioso grupo de psicopatas. Angustiante, tenso, eficiente e surpreendente; muito legal!

Espíritos – A Morte está ao seu Lado (Shutter, 2004)

Puta filme assustador do caramba! Esse é, facilmente, um dos filmes que mais me deu medo na vida. É dirigido por dois cineastas da Tailândia, ou seja, trata-se de um filme oriental, e todos sabem que os orientais são os melhores com o cinema de terror (melhor até que os franceses). Ambientação, trilha sonora, atuação, jogo de luz e sombras; TUDO nesse excelente filme colabora para que o expectador seja completamente absorvido por essa trama de arrepiar, que vai ficando cada vez mais aterrorizante. Só a premissa básica do enredo já contribui para o clima de tensão: sombras de fantasmas vistos nas fotografias do protagonista, que é fotógrafo profissional. Todo mundo em algum momento já se deparou com um caso de manchas em fotos que lembram espíritos, existem dezenas de lendas urbanas assim. E os diretores souberam bem como explorar esse tema. Garanto que, em pelo menos umas três cenas, você vai se arrepiar todinho (ui!).

O Nevoeiro (The Mist, 2007)

Um dos meus filmes preferidos. Escrito e dirigido por Frank Darabont, trata-se, em minha opinião, da segunda melhor adaptação de um livro de terror do Stephen King, só perdendo para O Iluminado (sim, acho melhor que Cemitério Maldito e It – Uma Obra prima do Medo). Não chega a ser um longa propriamente assustador, mas se desenrola em um cenário de horror e explora a fundo o psicológico de cada um dos envolvidos, justamente o ponto forte do filme. A história é sobre um denso nevoeiro que, certo dia após uma grande tempestade, recai sobre uma pequena cidade. Se fosse só o nevoeiro estaria tudo bem, o problema é que logo as pessoas descobrem que existem criaturas terríveis escondidas dentro dele. Testemunhamos então um grupo de moradores presos em um supermercado, obrigados a conviver em meio a esse caos. Filme brilhante, com um dos finais mais ousados do cinema norte-americano.

Não tenha medo do Escuro (Don`t Be Afraid of the Dark, 2010)

Dirigido pelo novato Troy Nixey, o filme foi escrito por Guilherme Del Toro e traz todos os elementos típicos de outros filmes dirigidos ou produzidos por ele, como A Espinha do Diabo, O Labirinto do Fauno e O Orfanato: fadas, mansão horripilante, crianças em apuros e muita escuridão! Conta a história de uma garotinha que foi viver junto com o pai e a madrasta em um casarão que está sendo reformado pelo casal, que antigamente pertenceu a um pintor, tragicamente desaparecido. Logo na primeira cena do filme testemunhamos o destino que recebeu esse pintor nas mãos de minúsculas e malévolas criaturas, então sabemos que logo a coisa vai se repetir com a nova família habitante do local. Não se trata de um filme grandioso ou inovador (os três citados lá em cima são até melhores que esse), mas é um terror bacana para se assistir com a família.

The Zombie Diaries (2006)

Esse é para aqueles que são fãs de zumbis, como eu, e precisam ficar caçando filmes diferentes depois de ficar cansado de assistir os eternos consagrados, como os do George A. Romero e Lucio Fulci, e os mais conhecidos recentes, como Extermínio, Madrugada dos Mortos, Rec, Dead Snow, Legião do Mal, Zombieland e outros. Fuçando na internet e nas locadoras dá pra encontrar um monte de exemplares do cinema zumbi, mas infelizmente a grande maioria não passa de lixo e somente vez ou outra que eu me deparo com algum que valha a pena; The Zombie Diaries é um desses. Filmado no Reino Unido pelos diretores Michael Barlett e Kevin Gates, a película é mais uma daquelas no estilo “câmera na mão”, mostrando por meio de câmeras de alguns sobreviventes uma epidemia zumbi se espalhando por todo o país (George A. Romero fez a mesma coisa no ano seguinte, lançando um filme de nome parecidíssimo, Diary of the Dead). O enredo se divide em três grupos de sobreviventes, sendo um deles uma equipe produzindo um documentário sobre a epidemia, e consegue causar alguns sustos (a cena da fazenda é ótima). The Zombie Diaries chega a incomodar em alguns momentos por conta da tremedeira excessiva das câmeras, mas não deixa der ser um filme legal de zumbis, com um final chocante. Obs: recusei-me a colocá-lo na lista com o nome nacional extremamente ridículo: Zumbis – Mensageiros do Apocalipse.

Aproveitem e leiam também dois posts sensacionais de Alexandre Callari: Os 100 melhores filmes de vampiro da história e Os 10 melhores filmes de lobisomem da história. E ouçam nosso podcast de filmes tensos e assustadores.

Três (bons) Filmes Bizarros que Você tem que Ver!!!

THE WIZARD OF GORE (2007)

Este filme tem sido exibido nos canais de TV a cabo no Brasil com o título O Mágico Sanguinário e é o típico longa-metragem que se você pega um pouquinho começado, corre o risco de não entender absolutamente nada. Na verdade, mesmo assistindo desde o começo, você corre esse risco. E por que estou destacando esta pequena gema e recomendando-a para que vocês assistam, se é um filme maluco, confuso e paranoico? Por que ao mesmo tempo ele é brilhante.

Refilmagem de um clássico de 1970, esta nova versão foi dirigida por Jeremy Kasten que tem no currículo muuuitas coisas esquisitas, e poucas dignas de nota. Mas este filme se destaca por sua singularidade, pelo roteiro maluco, atuações inspiradíssimas e até mesmo, direção inusitada.

Não dá para falar muito sobre o roteiro sem entregar o ouro, mas basicamente, um jornalista e sua namorada vão assistir a um espetáculo de Montag – O Magnífico (o tal Wizard do título) – um festival de mau gosto, cheio de bizarrices e que culmina com a “morte” no palco de uma garota escolhida aleatoriamente na plateia. Quando o público está prestes a se desesperar, o mágico revela que tudo não passava de um truque e é aplaudido de pé ao entregar para as pessoas aquela experiência tão terrível, quanto transcendental.

O jornalista se torna obcecado pelo espetáculo e começa a frequentá-lo todas as noites, a fim de descobrir os truques do ilusionista. Porém as coisas começam a se complicar quando as moças “mortas” no palco, aparecem mortas de verdade.

Há muito mais por trás desse belo roteiro – se o espectador entrar na onda do filme.

Os constantes choques de realidade, os flashes que vislumbramos na tela, as cores gritantes, uma suposta falta de linearidade, tudo confunde o espectador ao ponto deste não chegar a saber o que é realidade e o que é delírio. Quando você acha que sacou o que está acontecendo, novas reviravoltas reconduzem a trama em outra direção – tudo isso regado a muito “gore”, conforme prenuncia o título.

O verdadeiro destaque vai para a atuação caricata, porém envolvente de Crispin Glover no papel de Montag. Se você é uma pessoa que já teve sérias desilusões com o comportamento da raça humana, que sofreu decepções em sua vida, que tem dificuldades em se encaixar em convenções sociais, que rejeita sistemas e ideologias e tem um pouco de anarquismo na alma, absolutamente TODAS as falas de Montag irão ressoar fundo em sua cabeça. A inteligência de seus monólogos só rivaliza com a bizarrice.

Glover nunca teve um papel que realmente o destacasse como ele merece, porém é minha esperança que ele ainda seja reconhecido pelo talento único que representa. O resto do elenco também é bastante competente, Kip Pardue no papel do jornalista Edmund Bigelow empresta profundidade e estranheza ao seu personagem, um ar de soberba e orgulho que faz com que o espectador tenha vontade de socá-lo, mas ao mesmo tempo, um magnetismo que não nos deixa desgrudar dele. Sua namorada Maggie, interpretada pela gracinha Bijou Phillips também convence e de quebra, temos uma ponta do sempre competente Brad Dourif, que ficou conhecido do público mais jovem por seu papel como Grima, em O Senhor dos Anéis.

MAY (2002)

Uma verdadeira viagem à mente de um psicopata, mostrando todo o processo de deterioração de seu pensamento, convívio social, envolvimento dos traumas e neuroses, até finalmente ceder aos instintos e fazer aquilo que um psicopata nasceu para fazer: destruir!

Vou dizer uma coisa, May não é um bom filme. É simplesmente espetacular!!!

E ele se ancora inteiro nas costas de Angela Bettis – uma das atrizes mais legais da atualidade, que ainda não foi reconhecida por Hollywood e pelas grandes produções, mas que estrelou filmes tão diversos (e bons) como a refilmagem de The Toolbox Murders (de Tob Hooper), Scar – A Marca do Mal, Pefume e Garota Interrompida. Ela também já fez pontas em várias séries de TV famosas como House e Dexter, e estrelou um dos episódios da série Masters of Terror, Sick Girl.

Angela é magrinha, feinha, com olhos mais esbugalhados do que Cristina Ricci – porém basta dez minutos dela na tela que você já fica apaixonado. Ela é muito boa atriz, tremendamente cativante, dona de um grande carisma e aqui se supera.

Na história, vemos as tentativas desesperadas dessa mulher estranha e solitária de estabelecer um vínculo com as pessoas que a cercam – no trabalho, com um suposto namorado – e a cada tentativa, falhar enormemente. Cada passo que ela dá a coloca mais distante de sua conexão com as pessoas comuns; pouco a pouco, os traumas de infância vão sendo revelados ao público e o espectador acaba dividido, sem saber o que vai acontecer (e sem saber o que gostaria que acontecesse: May deve se enquadrar ou liberar sua natureza?).

O filme foi dirigido por Lucky McKee (não se preocupe se você nunca ouviu falar dele e, acredite em mim, jamais, JAMAIS, alugue um filme chamado A Floresta), mas qualquer outro poderia ter ocupado a cadeira de diretor. Quem manda do começo ao fim na película é Angela, que assessorada por um elenco jovem (e inexpressivo), só faz seu talento brilhar ainda mais.

Se você está esperando um filme cheio de sangue, esqueça. May não é esse tipo de filme. É um horror psicológico, que se desenvolve lentamente e mexe muito mais com seus nervos e apreensão, do que procura lhe dar sustos baratos e saídas fáceis; por outro lado, é o tipo de filme que fica grudado na sua cabeça por conta do realismo com que trata a condição da garota May. Isso o faz pensar que qualquer pessoa que está ao seu lado pode ser assolada pelos mesmos pesadelos que ela e, a qualquer momento, incendiar um ônibus, entrar atirando em uma escola ou fazer qualquer outra coisa que as pessoas fazem durante um surto psicótico.

Altamente recomendado!

PINK FLOYD – THE WALL (1982)

Se este é um filme estranho mesmo para os padrões dos filmes estranhos, saiba que ao mesmo tempo ele é brilhante em absolutamente todos os sentidos. Mesmo que você não seja fã da música do grupo, este é um longa carregado de significados que não faz concessões e dá um soco no estômago do militarismo, política, sistema educacional, capitalismo e até mesmo o atual conformismo das massas, mesmerizadas por forças poderosíssimas como o entretenimento em massa.

Mas acima de tudo, The Wall é uma jornada ao fundo do poço da alma humana, que mostra (ainda que de forma simplista), como nascem os grandes ditadores, como Hitler e Mussolini, e como eles conseguem voz ativa sobre o povo que os segue cegamente.

Dirigido por Alan Parker (que já nos entregou obras primas como Coração Satânico e Mississipi em Chamas, mas não produz nada desde a Vida de David Gale, de 2003), o filme é obviamente um musical, que capta a essência do álbum original do conjunto Pink Floyd, porém o leva além – ordenando as músicas numa sequencia lógica (muitas vezes diferente das do disco), para contar a história de Pink, interpretado por Bob Geldoff, um astro do rock que começa a sua descida rumo à loucura, assolado por uma infância perturbada e traumas que roubaram sua inocência. Uma fusão perfeita de música com imagens – talvez essa possa ser uma boa definição para este filme.

As letras-denúncia de Roger Waters, líder do Pink Floyd, já não deixavam pedra sobre pedra e não consideram instituição alguma sagrada (sobra até para as mães) – e Alan Parker não deixa por menos. Não é possível assistir ao filme sem sentir um pouco de asco da raça humana.

Entre as poderosas imagens que o filme criou, estão as conhecidas sequencias das crianças sendo jogadas dentro de um moedor de carne na escola e a surpreendente animação das flores, que entra na segunda metade do filme.

Na medida em que Pink inicia sua jornada na construção de seu muro, vamos sendo apresentados a um universo sombrio, que nos leva a questionar o quanto nós próprios construímos dos nossos muros, seja para manter as coisas fora, seja para mantê-las dentro. E, na busca de nos proteger, colocamos cada vez mais tijolos e argamassa, sem perceber que ao tentarmos nos livrar da dor e do medo dessa forma, só o que fazemos é dar força a eles.

Um musical excepcional que mercê fazer parte da coleção, em Blu-Ray!