Tecnologia Blu-ray – O cinema finalmente ao nosso alcance

Nós cinéfilos somos exigentes na hora de conferir um bom filme. Eu, por exemplo, sou frequentador assíduo de cinema, vou pelo menos três ou quatro vezes por mês, praticamente todo final de semana, sempre acompanhado de alguém, comumente de minha namorada, mas não raras vezes com um grupo de amigos. Entretanto, devo confessar que as melhores experiências que já vivi em uma sala de cinema foram em exibições para imprensa. Todas as cadeiras ali estão ocupadas por pessoas que anseiam exatamente pelo mesmo deleite: absorção máxima do filme, sem margens para conversas e outras distrações, um ambiente de imersão absoluta do qual você só desperta quando chegam os créditos finais. Essas sessões, infelizmente, não ocorrem com a frequência que eu gostaria (e não estão ao alcance de todos), mas felizmente hoje em dia você e eu podemos reproduzir momentos como esse no seio de nosso lar, graças à modernidade.

Recordo-me de que anos atrás muitos batiam o pé contra o Blu-ray Disc, vencedor da disputa de mercado na substituição dos tão disseminados DVDs. Dentre as várias difamações lavradas diziam que se tratava de uma tecnologia que nasceu morta, fadada a ser trocada em poucos anos, que ninguém notaria as diferenças, exigia um alto investimento, etc. Na época, eu não estava nem aí pra isso, tinha meu aparelho de DVD em casa e tais problemas pareciam longe de me afetar. Pois é, o tempo passou e provou que essas pessoas estavam erradas em seus prognósticos. O Blu-ray continua firme, mídias e aparelhos cada dia ficam mais baratos e as vantagens são bem aparentes para qualquer cinéfilo.

Pois então, recentemente tive o prazer de me engajar em uma atividade de prazer ímpar: uma maratona de filmes que teve início após o almoço e foi se encerrar apenas de madrugada. Momentos de graça como esse estão cada vez mais em extinção, dada à quantidade de trabalho e inquietações que nos assolam diariamente, mas é exatamente isso que os tornam mais excitantes quando se concretizam. Sem preocupações urgentes na cabeça, obrigações todas cumpridas, namorada viajando, decidi aproveitar o pequeno cinema que montei em minha casa: aparelho Blu-ray com acesso a internet, Home Theater, televisão de 42 polegadas e uma modesta videoteca. Valeu cada centavo investido e todo tempo de espera entre um item e outro, hoje posso curtir uma de minhas atividades preferidas com cem por cento de aproveitamento.

Provido do balde de Rufles e Cebolitos misturados (recomendo muito) e um copão de guaraná (com mais na geladeira), separei os três títulos do dia, inseri o primeiro no Blu-ray player, me aleitei confortavelmente no sofá e pude, pela primeira vez, analisar cautelosamente e ficar encantado com toda a classe de um filme em High Definition. O primeiro deles? A Origem! Gente, sério, a diferença de imagem e áudio é absurda, dá pra se sentir realmente em um cinema, com a diferença de estar muito mais a vontade. Cada frame é como um quadro minuciosamente pintado, com todos os detalhes à disposição de seus “olhos de diretor”. Assistir Paris dobrar-se sobre si em uma cena e em outra Leonardo DiCaprio e Marion Cotillard concebendo sua própria cidade onírica, ali, naquela tela Full HD a poucos metros de meu rosto, foi uma sensação acachapante.

Os dois próximos foram reprises que separei justamente para poder conferir com todos esses minudencies permitidos pelo formato Blu-ray: Blade Runner e O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei. Não há outra palavra para descrever a experiência de ambos que não sensacional! Delirante! Rever essas obras-primas com alta definição foi como se fosse inédito. Pude me emocionar novamente com o discurso de Rutger Hauer no final envolvente da trama do caçador de androides e vibrar com as batalhas épicas da Terra Média. Senti-me completamente tragado pelos filmes, algo que não acontecia faz tempo. A cena clímax em que Aragorn chega com o exército de fantasmas, nossa, pode soar piegas, mas foi de arrepiar. Por sorte, esse dia nem mesmo o telefone ou a campainha tocaram para me roubar de tal imersão.

Depois dessa maratona, sem qualquer sombra de dúvidas posso dizer: sim, ter um Blu-ray vale à pena, ele dispõe de uma qualidade até seis vezes maior que o DVD, por armazenar informações em um espaço de 25 a 50 GB. Ainda bem que atualmente eles não estão demasiados caros, na verdade alcançaram o mesmo preço que chegamos a pagar por aparelhos DVD um tempo atrás. Claro, esses hoje em dia estão ainda mais baratos, mas já não compensa adquiri-los e a tendência é que aos poucos deixem de ser fabricados.

O novo formato veio pra ficar. Hoje em dia as locadoras disponibilizam vários filmes em Blu-ray pelo mesmo valor dos DVDs, as lojas já oferecem promoções que permitem ao fã de cinema comprar os mesmos e não precisamos nos desfazer da dvdteca, já que qualquer player do disco azul reproduz as duas mídias (e o melhor, com um upscaling na primeira, aprimoramento artificial da imagem para simular alta definição). Podemos inclusive importar os filmes Blu-ray, pois os aparelhos brasileiros pertencem à mesma região de todo o continente americano e também da Ásia central. Aliás, vale mencionar que a maioria dos títulos lançados nos EUA contém legendas em português.

O aparelho que tenho em casa é um Sony BDP-S380, que recomendo bastante, considero um dos melhores do mercado, inclusive com versão irmã em 3D (de preço um pouco mais salgado). Esse já vem com conexão na internet, entrada USB que permite ver filmes em DivX, som de qualidade 7.1 e cabo HDMI incluído. Uma beleza. Fuçando na internet pra encontrar seu link, Fuçando na internet pra encontrar seu link, até achei uma promoção muito interessante, nesse link você encontra algumas informações, mas já adiantando que você ganha 4 filmes Blu-ray da Sony Pictures.

Aliás, cabem aqui umas dicas de como montar esse cinema particular para sua alegria. Não basta ter apenas o Blu-ray player (ou Playstation 3), você também precisa de uma televisão Full HD, ou seja, que reproduza imagens em 720p ou 1080p. Trata-se da resolução, a primeira é menor, com uma tela de 1280×720 pixels em progressive scan (linhas atualizadas simultaneamente, cuidado pra não comprar 720i ou 1080i, que significa interlaced scan, linhas pares e ímpares se intercalando na atualização, o que oferece menor qualidade de imagem). A segunda é de fato a Full HD, o melhor formato, com 1920×1080 pixels em progressive scan, que é a resolução do modelo que indiquei (a diferença de preço entre uma medida e outra é bem pequena, vale guardar um pouco mais e adquirir logo a 1080p).

Se instalar seu Blu-ray em uma televisão antiga, com resolução de 480p, você corre o risco de nem ver a imagem, ou no mínimo assistir na qualidade forçada pela TV. O mesmo acontece ao contrário, caso possua apenas o televisor Full HD e um DVD player invés do Blu-ray, você não vai desfrutar de todo potencial de sua televisão, estará restrito a menor qualidade da mídia (filmes em DVD não têm alta definição).

Além do mais, você precisa ligar seu aparelho à televisão com um cabo HDMI, e não componente, para a transmissão de maior resolução ser possível. Ainda existem modelos à venda que não vêm acompanhados desse cabo, está certo que é uma minoria, mas cuidado, sai mais caro comprar separadamente. Certifique-se de que o player escolhido tenha o cabo HDMI, como é o caso do Sony supracitado. Veja abaixo como são cada um dos tipos.

Por fim, para ter o melhor áudio de todos, será necessário caixas de som de um Home Theater. Geralmente as televisões Full HD contam com uma boa reprodução sonora, mas compensa fazer esse último investimento depois que você já adquiriu seu novo player de alta definição. Obviamente, não se trata de um item obrigatório se você não for tão fanático por cinema.

O tempo já agiu e continua agindo a nosso favor, com a queda dos preços abusivos filmes em Blu-ray entraram para nossa realidade, e certamente um dia chegarão a custar tanto quanto um DVD. A diferença de qualidade em imagem e som é realmente notória e compensadora, se você é cinéfilo, vai aproveitar o investimento.