Minha Estante #50 – Heitor Pitombo

Olá, amigos do PN!

É com muita alegria que publicamos essa Minha Estante. Após dois anos de trabalho, chegamos ao número 50! Isso mesmo, são 50 belíssimas coleções de quadrinhos apresentadas com detalhes fotográficos e relatos de seus proprietários, que toparam abrir suas casas, tirar o pó da estante e mostrar os itens mais legais que possuem no acervo.

Em dois anos, esse espaço se tornou um dos poucos do Brasil, quiça do mundo, de troca de informações e debate sobre as variadas facetas do ato de colecionar gibis.

E para coroar esse período com chave de ouro, fizemos uma entrevista com um dos maiores especialistas da área, Heitor Pitombo. Colecionador inveterado desde a infância, tornou a paixão seu trabalho e tem seu nome definitivamente talhado no mundo dos quadrinhos.

Esperamos que curtam muito o papo, comentem e divulguem por aí, pois quanto mais gente souber deste espaço, mais chance de conhecermos outros colecionadores.

Yeah!

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Olá, Heitor! Obrigado por topar essa entrevista! É uma honra contar com sua presença nessa coluna.

O prazer é todo meu de fazer parte dessa seleta lista de colecionadores!

Para começar gostaria que você se apresentasse aos nossos leitores e nos contasse como passou a trabalhar com quadrinhos. 

1991 - 022 - catalogo Bienal 1Oi, gente, meu nome é Heitor Pitombo, vivo no Rio de Janeiro e leio gibis desde que me entendo por gente. A primeira vez na vida em que escrevi sobre quadrinhos profissionalmente foi há exatos 25 anos. Era o meu primeiro emprego para valer. Eu labutava na revista carioca Roll que, na época, concorria nas bancas com a Bizz. No meio daquele monte de matérias sobre rock’n’roll que eu tinha a obrigação de escrever quase que diariamente, rolou a oportunidade de encaixar umas notinhas numa seção de variedades que havia na revista. Na época eu escrevi alguma coisa sobre aquela graphic novel do Demolidor, criada pela dupla Frank Miller e Bill Sienkiewicz, que estava saindo pela Abril.

Mas eu considero que o meu primeiro trabalho mais constante e consistente com quadrinhos rolou em 1990, quando eu passei a escrever para o Tribuna Bis, caderno de cultura do jornal diário Tribuna da Imprensa. Quem escrevia para lá tinha espaço e era muito incentivado a escrever sobre o que bem entendesse. Por conta dessa liberdade, eu me danava a escrever sobre quadrinhos toda semana. Tanto que a editora do caderno, ao ver o meu entusiasmo e do amigo Zé José com o tema, resolveu nos dar uma página fixa semanal no periódico pra falarmos só de HQs.

Depois disso, eu conheci o pessoal que estava organizando a primeira Bienal Internacional de Quadrinhos e o resto é história… (risos). 

Você também atua como tradutor, não é?

Comecei a atuar como tradutor depois de trabalhar na produção de uma penca de eventos de quadrinhos (como a citada Bienal, o Comic Mania e o FIQ de BH), de escrever para diversas revistas especializadas e de, efetivamente, trabalhar na produção de HQs. Durante um bom tempo, ralei na redação de quadrinhos da Record, comandada pelo Otacílio D’Assunção (Ota), e meu trabalho de editor de texto apareceu com mais frequência nas páginas da Mad e de alguns títulos do Bonelli como A História do Oeste e Zagor. Um dos meus trampos favoritos desse período foi justamente o primeiro: editar um álbum para colorir dos X-Men, com 100 páginas. Escudado pelo desenhista Arnaldo Amaral, que trabalhou anos na Ebal, e pelo arte-finalista Jair de Souza, eu resolvi compilar imagens dos mutantes e as dispus em ordem cronológica, de modo que o moleque pudesse ter, naquela única revista, uma ideia de tudo o que se passou com o supergrupo, desde a sua origem até a saga Inferno, que a Abril publicava na época

Mas minha carreira de tradutor começou efetivamente em 1996, quando peguei uma biografia dos Beatles (Dito e Não Dito) para verter pro português, trabalho encomendado pela Melhoramentos. De lá para cá, acho que já traduzi por volta de uns 50 livros, mais ou menos, para mais de 10 editoras. Em 2001, traduzi minha primeira HQ para a Opera Graphica, a minissérie Gerações, do John Byrne. Como tradutor de gibis, também trampei pra Panini, pra Pixel e, mais recentemente, para a Kalaco. Continuo colaborando para a Panini nos dias de hoje, pois frequentemente traduzo a Mad.

Uma curiosidade, em 1997 a editora Sampa lançou uma revista chamada HQ CD (edição única), na qual veio encartado o CD-ROM O Universo dos Super-Heróis, que foi o primeiro CD-ROM de quadrinhos lançado no Brasil. Um dicionário com mais de 600 verbetes de heróis, supergrupos, revistas, autores e etc. Escrevi tudo e coordenei uma equipe técnica que se encarregou da programação do projeto. Ganhei um HQ Mix por isso.

Atualmente sou um dos colaboradores da revista Mundo dos Super-heróis.

1992 - 031 - X-Men para colorir1997 - 09 - HQ CD

Quando foi que se transformou de leitor ocasional de quadrinhos em um colecionador inveterado?

Tenho fotos para provar que sou leitor de gibis desde a mais tenra infância. A Ebal fez a minha cabeça, com seus super-heróis Marvel e DC, ainda nos anos 60. Mas me julgava apenas um mero apreciador do gênero. Fui virar colecionador mesmo com uns 10 anos, mais ou menos na época em que a revista do Homem-Aranha da Ebal estava com seus dias contados – cheguei a comprar o nº 70 nas bancas. Nessa mesma época, um primo mais velho resolveu se desfazer de todas as suas coleções completas de Capitão Z, Super X, Álbum Gigante, Estreia, Demolidor e Homem-Aranha e acabou deixando essas preciosidades da Marvel aqui em casa. Tenho uma leve lembrança de que ele também colecionava as revistas da GEP que saíam na mesma época, como X-Men, Capitão Marvel e Surfista Prateado, mas na época não me interessei pelas revistas desses personagens que eu não conhecia da TV…

Esse foi o marco zero da minha coleção de HQs. Ajudou muito o fato da minha mãe se encantar com a minha inclinação para a leitura e, por isso, resolver me levar para conhecer a Ebal e fazer compras naquela seção de vendas do prédio histórico da rua General Almério de Moura, aqui no Rio, no bairro que hoje se chama Vasco da Gama. De tanto ir lá, acabei sendo apresentado ao próprio Adolfo Aizen, que falou bastante sobre a função educacional dos quadrinhos e me deu a coleção inteira da Bíblia em Quadrinhos, cinco volumes da série Grandes Personagens da Nossa História (ele, na verdade, deu esses para o meu irmão, mas eu não tardei a confiscá-los para o meu acervo) e me perguntou qual a coleção completa que eu queria de presente. Não fui modesto: pedi logo a série completa do Superman em cores e acabei voltando para casa com as 62 edições a tiracolo…

Heitor 1967Heitor e a colecaoHeitor e Avengers

Uau! Que baita história legal.

Bom, qual foi seu primeiro personagem favorito? Ele ainda ocupa esse posto ou alguns detratores conseguiram, depois de escreverem tantas histórias ruins, rebaixá-lo?

Depois que virei colecionador, o primeiro personagem favorito foi, sem dúvida, o Homem-Aranha. Era muito fácil, aos 10, 12 anos de idade, se identificar com aquele loser do Peter Parker, que acabou faturando a gata mais bonita do pedaço, que era a Gwen Stacy. Mas até realizar essa façanha, ele deu muito mole com a mulherada. Quando eu tinha essa idade, minha atitude para com as moças era basicamente a mesma. Só comecei a namorar de verdade quando parei de ler quadrinhos de vez, dos 13 para os 14 anos, e comecei a tocar violão.

Retornei aos gibis no começo dos anos 1980, mais ou menos quando a Abril estava lançando as revistas do Homem-Aranha e do Hulk, e começava a estabelecer a sua própria cronologia Marvel. Perceber o quanto os quadrinhos haviam se modernizado foi um choque total para mim, que começava a minha vida universitária na ocasião, curiosamente ao mesmo tempo em que o Peter dava início à dele.

Nunca parei de acompanhar o Homem-Aranha, mesmo ele tendo passado por péssimas fases ao longo desse período, mas hoje já não o reverencio como um personagem predileto porque esse culto perdeu um pouco o sentido com o passar do tempo. Hoje, meus heróis dos quadrinhos não são mais os personagens e sim os autores das histórias.

Quantas HQs você tem?

Essa é uma pergunta muito difícil de ser respondida. A última vez que contei meus gibis, por volta dos anos 1990, eu tinha algo entre oito e nove mil exemplares. Mas pela disposição do meu acervo, que ocupa armários em todos os cômodos do meu apartamento, eu já devo ter passado da casa dos 20 mil há bastante tempo.

Também fica difícil precisar quantas HQs eu tenho porque, vez por outra, vendo alguns itens da minha coleção. As minhas coleções da Ebal, da Bloch e da RGE da Marvel, por exemplo, viraram scans baixados na internet. Mas mesmo com esse entra e sai de revistas daqui de casa, tenho a mais absoluta certeza que o volume de coisas adquiridas é infinitamente maior do que o de revistas dispensadas.

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Quais são os principais itens da sua coleção, aquelas séries ou volumes que são as meninas dos olhos de sua estante?

Outra pergunta difícil. Eu penso que o item mais importante da minha coleção é aquele que eu consegui resgatar do fundo da estante e que vai me ajudar em uma pesquisa que estou fazendo ou que vai trazer um dado extremamente curioso e implausível em uma matéria que estou escrevendo. Mas, para ser mais objetivo nessa resposta, posso dizer que os objetos de maior destaque do meu acervo são justamente os livros e gibis autografados por muita gente que não vai estar mais aqui para repetir o gesto.

Você possui muitas HQs autografadas?

Um monte delas. Vendi em 1978 uma das que hoje estaria entre as mais preciosas: um Viva Mad autografado pelo Sergio Aragonés, que foi o primeiro astro internacional dos quadrinhos que eu vi de perto. Com o intenso contato que passei a travar com artistas nacionais e estrangeiros a partir de 1991, quando rolou a primeira Bienal de Quadrinhos carioca na qual trabalhei, a minha coleção de obras autografadas não demorou a se tornar bem respeitável. Dos estrangeiros, me orgulho dos gibis que tenho autografados por astros como Moebius, Will Eisner, Joe Kubert, Neil Gaiman (que chegou a fazer um desenho no meu Mr. Punch), David Mazzucchelli, Greg Capullo, Adam Hughes, Jim Lee… É muita gente…

Moebius autografo

Moebius

Walmir Amaral

Walmir Amaral

Adam Hughes

Adam Hughes

Adao

Adão Iturrusgarai

Batman por Eduardo Barreto 1997

Eduardo Barreto (1997)

Bill Sienkiewicz 1993

Bill Sienkiewicz (1993)

Bryan Talbot

Bryan Talbot

David Mazzucchelli

David Mazzucchelli

David Silverman - Simpsons producer

David Silverman – Produtor e diretor de Os Simpsons.

Eisner

Will Eisner

Francois Schuitten

François Schuitten

Jano

Jano

Jerry Robinson

Jerry Robinson

Jim Lee

Jim Lee

Joe Sacco

Joe Sacco

Lito Fernandez

Lito Fernandez

Mark Badger

Mark Badger

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Neil Gaiman

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Paolo Eleuteri Serpieri

Sergio Toppi

Sérgio Toppi

Sienkiewicz 2011

Bill Sienkiewicz (2011)

Vuillemin

Vuillemin

Legal saber que nesses anos como fã de quadrinhos e jornalista especializado você conheceu muitos ídolos…

Mais do que conhecer os ídolos que citei, o grande barato nesses tantos anos de carreira foi ter conhecido alguns grandes nomes cujo legado é cada vez mais reconhecido com o passar do tempo. Gente como o mestre argentino Alberto Breccia, que esteve na Bienal de 1991, e grandes figuras brasileiras como Flávio Colin, Júlio Shimamoto, Gutemberg Monteiro, Edmundo Rodrigues, os Aizen (Adolfo, Naumim, Paulo Adolfo) etc. Se eu for relacionar todo mundo a gente não acaba mais a entrevista.

Por conta da minha atividade profissional, vivi situações bem bacanas com caras que tenho como ídolos. Por exemplo, já enchi a cara junto com sujeitos como o Joe Sacco e toquei uma canção romântica ao piano para o Serpieri cantar. David Mazzucchelli, uma vez, foi em uma festinha lá em casa e a gente ficou tocando Beatles no violão até amanhecer.

José Mojica Marins

José Mojica Marins

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Will Eisner (1997)

Heitor e Serpieri

Fazendo música com Serpieri

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Turma da Mosh, ganhadora do HQ Mix em 2005. Da esquerda pra direita: Sandro Lobo, Fábio Lyra, Renato Lima, Vinicius Mitchell

Gonçalo Junior, eu, Franco de Rosa.

Gonçalo Junior, eu, Franco de Rosa e Walmir Amaral

Fotografando a palestra de Greg Capullo na Comic Mania (1999).

Fotografando a palestra de Greg Capullo na Comic Mania (1999)

Qual o item mais raro da sua coleção?

Ah, não tem um item mais raro… A minha tendência é acumular mais conteúdo do que papel velho, portanto itens raros geralmente acabam se tornando grandes candidatos a revistas que poderão (ou não) ser vendidas para quem saiba valorizá-las. Mas vamos lá, vou citar uma edição que eu tenho e que acho rara: o Oscarito e Grande Otelo nº 1, da La Selva (1957), que me foi dada de presente pelo meu grande amigo Paulo Loffler, neto do próprio Oscarito, o que me dá a certeza de que este exemplar que eu guardo aqui fez parte do acervo pessoal do humorista.

Você também coleciona obras teóricas sobre quadrinhos, quais são os destaques dessa coleção?

Sem dúvida, tenho duas prateleiras na minha estante de quadrinhos só com livros teóricos, além de um setor em um dos meus armários só com revistas especializadas. Tenho algum orgulho da minha coleção (quase?) completa da Comics Scene, que era uma das mais completas publicações do gênero no período que antecedeu ao lançamento da Wizard nos EUA. Mas entre os livros, tenho especial apreço pelas obras escritas pelo meu amigo Gonçalo Jr. e pelo livro comemorativo sobre os 100 anos do Tico-Tico, lançado pela Opera Graphica, e para o qual tive o prazer de colaborar. Acho que chama a atenção na minha estante um dos Manuais de Desenho do Jayme Cortez que eu ganhei do Franco de Rosa há umas décadas atrás.

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Como você guarda suas revistas e quais técnicas usa para conservá-las?

Procuro mantê-las em armários fechados, onde a temperatura seja amena e haja pouca ventilação. As revistas que ficam mais expostas acabam indo parar dentro de sacos plásticos. Houve duas infestações de cupim aqui em casa que chegaram a destruir uns 20 a 30 exemplares da coleção, mas esse problema foi resolvido da maneira mais simples: fazendo uma obra no apê.

É simples: os cupins precisam da madeira para que possam circular pela casa e havia um foco grande de umidade na parede que ficava atrás do banheiro, que era onde eles se reuniam para planejar seus ataques (risos). Quando fiz obras aqui no apartamento e troquei todos os tacos do piso e os rodapés de madeira por porcelanato, acabou a vida desses insetos miseráveis no meu pedaço. Desde então, nunca mais tive esse tipo de problema. Mesmo assim, eu jogo, de vez em quando, umas pedras de naftalina dentro dos armários mais antigos e que eu menos acesso, pra dar uma garantida.

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Quais são seus 10 quadrinhos favoritos de todos os tempos?

Nunca entro numas de fazer listas como essa porque sempre me estrepo e esqueço alguma coisa. Mais vamos listar os dez que me vêm à cabeça no momento. Certamente quando esta conversa for publicada eu vou lamentar a ausência de algo…

1) Como marco inicial da minha paixão pelos quadrinhos, eu colocaria toda a fase de Stan Lee, Steve Ditko, John Romita e tantos outros artistas com o Homem-Aranha, estendendo-se mais ou menos até o momento em que morre a Gwen Stacy, quando pela primeira vez, vários leitores em todo o mundo tiveram que se confrontar com o desencanto nas HQs. Nossa, isso foi um baque nos anos 1970 para mim. Li essa sequência pela primeira vez em preto-e-branco, nas revistas da Ebal.

2) Representando os super-heróis dos anos 1980 para cá, eu colocaria Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons, pela capacidade que essa história tem de ganhar novos contornos com o passar do tempo.

3) Buda, do Osamu Tezuka

4) Hate, do Peter Bagge

5) Lobo Solitário, de Kazuo Koike e Goseki Kojima

6) Não dá para não citar El Eternauta, de Hector Oesterheld e Solano Lopez, uma das maiores sagas de ficção científica da história dos quadrinhos.

7) Também não tenho como não colocar um Will Eisner na lista… Portanto, hoje, eu incluiria Do Coração da Tempestade, muito por conta da densidade da trama e da qualidade da arte, que resumem bem toda a obra do mestre.

8) Maus, do Art Spiegelman, por toda a sua importância, não pode ficar de fora.

9) Calvin & Hobbes, de Bill Watterson

10) E, representando os quadrinhos atuais, vamos tacar um Walking Dead na lista. Robert Kirkman, Charlie Adlard e Tony Moore, incontestavelmente, mudaram a história dos quadrinhos contemporâneos e imagino que a importância do trabalho desses três vai ser muito reconhecida no futuro.

Você tem alguma “mania de colecionador”, seja para guardar, emprestar ou mesmo na hora de comprar?

Já emprestei, mas hoje não empresto mais gibis. Com CDs e DVDs ficou mais fácil negar empréstimos, pois sempre solto a máxima: “Depois eu gravo uma cópia pra você” (risos)…

Quanto a manias, digamos que eu tenho algumas. Os meus gibis que ficam em áreas expostas só vão para o saco plástico depois que os leio. Também gosto de manter uma lista de gibis desejados que sempre levo para todos os eventos que visito. Hoje ela tem umas doze páginas, e está impressa na fonte Arial Narrow, corpo 12.

Quais foram os últimos quadrinhos que comprou? E qual o último que leu?

O último quadrinho que eu comprei foi Popeye nº 4, da Pixel. Já o último que li foi a excelente coletânea Zumbis e Outras Criaturas das Trevas, da Kalaco, que tem um time de colaboradores de respeito. Gente como Mozart Couto, Deodato, Daniel Esteves, Jayme Cortez, Rodolfo Zalla, Shimamoto, Seabra, Toni Rodrigues, Walmir Amaral, Gian Danton… só fera. Sem contar que a edição traz uma poesia ilustrada do Lucchetti, além de textos do Fernando Moretti, do Franco, do Antero Leivas, do Julio Schneider e até deste que vos fala…

Você costuma comprar HQ importadas?

Nos anos 1990 eu comprava HQs importadas semanalmente, quase que com a mesma frequência que comprava gibis nacionais. Hoje, principalmente por conta da evolução gráfica e da variedade e disponibilidade cada vez maior da produção nacional, é cada vez mais raro eu comprar publicações estrangeiras. Mas tenho adquirido uma coisa ou outra de vez em quando. Geralmente encadernados de sagas que não saem no Brasil e títulos de editoras menores que geralmente vejo à venda em eventos.

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Tem algum item que quer muito ter, mas está impossível de encontrar?

Não é nenhuma grande fissura que me tire o sono, mas gostaria de completar a minha coleção do Fradim do Henfil e a do Ken Parker da Tapejara.

Além de um belíssimo acervo de quadrinhos você coleciona discos. Quantos vinis você possui?

Já tive muito mais vinis, mas hoje devo ter, no máximo, uns 500. Mas acho que são uns 350, sei lá… Vendi muita coisa. Os CDs são, efetivamente mais práticos, né? Vinil é um fetiche lindo, mas eles possuem dois inconvenientes: chiam com o tempo e acabam arranhando, mesmo que você seja um daqueles colecionadores extremamente cuidadosos.

Quais são os mais raros e sensacionais?

Vendi muita coisa rara, mas guardo algumas pérolas das quais dificilmente irei me desfazer. Os álbuns duplos vermelho e azul dos Beatles (1962-1966 e 1967-1970) são marcos na minha vida desde que os ganhei de presente em 1976. Desse momento em diante, minha atitude em relação à música mudou. A mesma coisa se deu quando ouvi pela primeira vez, ainda bem jovem (devia ter uns 15 para 16 anos), o Academia de Danças, do Egberto Gismonti, que descortinou meu ouvido musical para a existência de outras concepções artísticas que eu nem sequer sonhava que pudessem existir. Um dos meus discos que considero mais raros é justamente o Sonhos de Castro Alves, um LP do Egberto que nunca foi lançado oficialmente e que traz a trilha sonora do musical homônimo. Também tenho como raridades discos autografados por sujeitos como Eric Clapton, Tim Maia, Gonzaguinha e muitos outros…

Além disso, possuo uma boa coleção de compactos, coisa que muita gente que navega por este site não deve nem saber o que é. Um dos que mais prezo é o single de “Ando Meio Desligado”, dos Mutantes, que traz uma versão da música diferente da que está no LP.

Antes de acabar nos conte um pouco sobre sua carreira como músico.

A música é a área da minha vida onde mais quis fazer sucesso e não fiz, (risos)… Mas venho dedicando a ela algum espaço desde que fiz o meu primeiro show com uma banda, em 1978. Cheguei a participar de alguns discos de amigos, toquei em peças de teatro, montei um grupo de relativo sucesso local nos anos 1980 (O Nome do Grupo) e, há mais de 10 anos, mantenho o Bulldog, uma banda cover que toca clássicos sessentistas e setentistas do rock.

A diferença do meu trabalho na música e nos quadrinhos é bem simples de explicar. Se jamais escrevi ou desenhei uma única HQ, posso dizer que já compus mais de 300 canções. Uma hora, quando menos se esperar, esse material vira à tona. Tenho dito!

Heitor, muito obrigado pela entrevista! Foi um prazer conversar com você.
Deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

O mercado de quadrinhos está em franca expansão nos últimos dez anos, muito mais à nível artístico do que à nível comercial (com generosas exceções à regra). Se viver exclusivamente de quadrinhos ainda é uma coisa fora do alcance para mais de 95% dos bons artistas que temos no Brasil, faça a sua parte. Incentive pelo menos um dos seus amigos a apreciar a nossa nobre nona arte. Ele não irá se arrepender de adentrar um mundo novo e cheio de possibilidades, e o mercado vai agradecer, com certeza!

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jimmy-hendrix-reading-mad-and-getting-his-hair-done-1311062404-9088Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros fãs e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!