Minha Estante #55 – Pedro Oliveira

Senhoras e senhores, está na hora de conhecer mais uma belíssima coleção de quadrinhos!

Pedro Oliveira abriu as portas de seus armários e lá de dentro tirou as mais inacreditáveis raridades, basta uma rápida olhada nas fotos para comprovar que não estamos mentindo. Mas, não fique só vendo as fotos, leia também a entrevista, pois tenho certeza de que aprenderá muito sobre esse hobby que tanto apreciamos.

E não se esqueça, se você também tem uma baita coleção de HQs, escreva pra gente e vamos combinar de mostrar ela neste espaço.

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Olá, Pedro! Muito obrigado por topar participar desta entrevista.
Para começar nos conte um pouco sobre você, onde nasceu, mora, o que faz na vida profissional?

Olá, Daniel e leitores do Pipoca e Nanquim! Muito obrigado pela oportunidade de poder participar desta coluna que é um sucesso. Meu nome é Pedro José Rosa de Oliveira. Nasci em Anápolis, moro em Belo Horizonte e trabalho atualmente no Rio de Janeiro. Sou engenheiro de telecomunicações e consultor de sistemas celulares. Sou casado e pai de um casal de filhos.

Quando você começou a se interessar por quadrinhos?

Tive dois momentos. A primeira fase foi quando criança, antes mesmo de começar a ler, por volta dos cinco anos, vendo um primo ler quadrinhos. Lembro de folhear os gibis repetidas vezes, fascinado pelos desenhos. Depois que comecei a ler, aumentou ainda mais interesse pelos quadrinhos. Na infância não acumulei grandes quantidades de gibis, mas tive duas coleções que eram minhas favoritas: Heróis de TV (Marvel) e Disney Especial. Esta paixão foi até a adolescência, onde por volta dos 15 anos perdi o interesse nos quadrinhos (pode?). Em 1997 veio minha segunda fase quando li uma reportagem no jornal Estado de Minas sobre o lançamento da minissérie DC x Marvel. Isto me despertou uma curiosidade, pois, quando criança lia os gibis da Marvel e DC e queria que os heróis destas duas editoras se encontrassem. O único crossover que já tinha visto era o encontro do Homem Aranha e Superman, publicado pela editora Abril. Comprei e li esta minissérie, daí o gigante adormecido se despertou. Então saí à procura das coleções preferidas de minha infância, em especial a da Marvel. Fui comprando e completando coleções como Grandes Heróis Marvel, Heróis da TV, Capitão América, Homem Aranha, etc.

Você se lembra da primeira vez que se viu fascinado por uma HQ? Qual foi a história ou revista?

Sim, lembro bem. Tinha uns cinco anos e o que vi pela primeira vez foi Thor 16, da Bloch. Fiquei muito admirado e fascinado com a grandeza de Asgard e com aquelas vestimentas diferentes e marcantes desenhadas pelo grande Jack Kirby. Lembro também de ficar impressionado de ver o Adam Warlock dentro de um casulo nas histórias “Ele” e “Um deus em fúria” desta revista. Já se passaram 36 anos e ainda me lembro dos detalhes dos desenhos.

Quando aconteceu a mudança de leitor ocasional para colecionador inveterado?

Quando criança não era tão apegado e aficionado por quadrinhos. Lembro que lia duas ou três vezes um mesmo gibi e depois trocava por outro com colegas, e assim por diante. Quando voltei a ler quadrinhos em 1997, fui adquirindo aos poucos, mas tornei-me um colecionador inveterado há uns 13 anos.

Quantas HQs você têm?

Tenho aproximadamente 8200 HQs.

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Já se desfez de algum exemplar e hoje se arrepende muito?

Sim, já me desfiz dos Tio Patinhas #1 e #2 e me arrependo muito. Os exemplares estavam em ótimo estado de conservação e vejo que, a cada dia, estes gibis se valorizam mais e mais, ficando difícil de adquiri-los novamente.

Quais são os principais itens de sua coleção, séries e minisséries completas, encadernados de luxo, edições raras e tal?

Como disse, voltei a colecionar quadrinhos com a intenção de ter o que li quando criança, em especial Heróis da TV e Capitão América. Com isso acabei completando tudo da Marvel editado pela Abril. Em seguida, consegui obter gibis da Marvel publicados por outras editoras. Hoje tenho todos os quadrinhos de super-heróis da Marvel produzidos no Brasil, iniciando pelos números zeros da Ebal, em 1967, passando por raridades de editoras menores como GEP, Roval, Gorrion, Paladino, M&C, GEA e Trieste. Além destes, tenho todos os gibis Marvel da Bloch, RGE, Abril, Globo e Panini. A exceção é a partir de 2007, quando parei de comprar quadrinhos da Panini, devido à falta de espaço e queda de qualidade das histórias. Hoje compro edições especiais e alguns números avulsos que julgo interessantes.

Coleciono também revistas com material da Marvel que não são super-heróis como terror, histórias de amor e humor, infantis (Star Comics) e outras que foram publicadas por diversas editoras como Roval, Gorrion, Trieste, Abril, RGE, Bloch, Globo, entre outras.

Da DC tenho várias minisséries e números 1 da Abril e Ebal, incluindo muitos almanaques.

Minha coleção da Disney é composta por Disney Especial (1 a 100 e depois números salteados), números baixos de Tio Patinhas e de alguns Mickey, Almanaque Disney, a coleção de Edições Extra e edições especiais. De mais recente tenho a excelente coleção de Carl Barks, Mestres Disney e outros.

Também tenho todos os títulos e quase todos os números editados pela Bloch, GEP e M&C.

Da linha infantil, possuo material da Hanna Barbera (como a coleção Heróis da TV e Almanaques Heróis da TV, da Cruzeiro), Diversões Juvenis completa (incluindo todas as edições especiais), primeiros números de Mônica e Cebolinha, e personagens infantis publicados pela Vecchi.

Coleciono material nacional publicado pelas editoras La Selva, Taika, Continental, Outubro, Edrel, GEP e Livreiro.

Entre as raridades, possuo vários números de Gibi tri-semanal, Gibi Mensal, Gibi especiais de Natal, Guri, O Globo Juvenil, Álbuns do Globo Juvenil, Shazam!, Biriba, Correio Universal, Álbuns da Gazetinha, Lobinho, Suplementos Juvenis da década de 30,  Júnior (com as primeiras histórias de Tex), Bidu e Capitão 7, da Continental.

De mais atual e que considero raridade, destaco a coleção completa do Ken Parker da Tapejara.

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Qual o item mais raro de todos?

É difícil escolher o mais raro de todos. Foi citar alguns que considero grandes raridades: Os dois álbuns do Fantasma Voador, do Correio Universal, Almanaque do Lobinho de 1942, Gibi Mensal #168 de 1940 (com primeira aparição do Tocha Humana no Brasil), Guri #63 (com primeira aparição do Capitão América no Brasil), Álbum da Gazetinha #1 (com primeira história completa do Superman), Suplemento Juvenil de 1938 com Aventuras do Elefante Bolinha e Proezas do Pato Donald, dois álbuns do Globo Juvenil com Superman, Flash Gordon, de 1936, Gibi tri-semanal #4 de 1939, seis números de Detective com histórias do Capitão América de 1944, Batman #1 de 1953, Festival Disney de 1954, Almanaque dos Heróis de 1948, Coleção Pernalonga #1, da Ebal, de 1951 com a capa em formato de envelope (onde nunca o vi catalogado em nenhum lugar). Para finalizar as raridades, tenho uma edição interessante que, segundo alguns colecionadores e o próprio editor, existem menos que 10 exemplares no mundo. Trata-se de Histórias do Faroeste #22 (com 1ª aventura de Tex), editada em setembro de 1981 pela Vecchi. Esta edição não foi à bancas devido receio da Vecchi em ter problemas com Sérgio Bonelli em publicar histórias de Tex que não fossem em revista própria.

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E qual foi a maior raridade que já comprou pelo menor preço?

Em 2000, comprei um grande lote de edições da Ebal com super-heróis da Marvel (Super-X, Capitão Z, Homem Aranha, Álbum Gigante, Demolidor, Quarteto Fantástico, A Maior) e da Bloch (todos Marvel), aproximadamente uns 500 gibis, por R$ 0,25 cada. Era de um colecionador que estava se desfazendo de sua coleção.

Você compra HQ importadas?

Hoje não, mas já comprei alguns da Marvel, principalmente daqueles que não saíram no Brasil. Sou fã do Capitão Marvel (Marvell) e saíram poucas histórias dele aqui no Brasil (primeiros números de Heróis da TV). Então consegui comprar, aos poucos, toda a publicação deste herói lançada nos USA. Tenho também alguns Essentials de terror. Outros quadrinhos importados que tenho são de países que já visitei, com destaque para os quadrinhos indianos com histórias de alguns deuses hindus.  Tenho umas 300 HQs importadas.

Onde costuma comprá-las?

Comprei todas as americanas pelo eBay.

Como você guarda sua coleção de HQs? E qual técnica usa para conservá-los?

Guardo todas em um grande armário que foi feito especialmente para armazená-las, como podem ver pelas fotos. Todos meus gibis ficam em sacos plásticos, sem exceção. Costumo agrupar os formatinhos em 10 edições para cada saco plástico. Já as mais valiosas, além de ficar uma só em um saco plástico, ficam com papelão para proteção. Infelizmente por falta de espaço, coloco uma sobre as outras. De tempo em tempo mexo nas pilhas de gibis para verificar como estão e evitar surpresas desagradáveis.

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Todo colecionador tem manias, seja na um ritual para leitura, uma bela cheirada na revista nova ou nunca se desfazer de nada, qual é a sua?

O cheiro do papel e tinta é marcante para qualquer apreciador de quadrinhos. Ainda gosto de sentir o cheiro de um quadrinho quando compro, mas lembro-me que o cheiro das revistas da editora Abril do início da década de 80 eram os melhores, principalmente dos quadrinhos Disney Especial, que tinham muitas páginas.

Hoje me desfaço somente do que tenho repetido, aliás, devo ter uns 300 quadrinhos repetidos. Isto devido ao que acho ser uma mania: sempre querer substituir os exemplares que tenho em médio ou mal estado de conservação por exemplares em excelente estado.

Além de quadrinhos você também coleciona outros itens?

Sim, coleciono outros itens, mas todos relacionados a quadrinhos. Coleciono brindes que vinham nos quadrinhos como pôsteres, moedas, adesivos, etc.

Tenho todas as moedas da Disney que foram lançadas pela editora Abril. Tenho também duas moedas dos Trapalhões e a do Fantasma. Falta-me conseguir o medalhão do Tor que veio em Heróis da TV 17 (HB).

Já os pôsteres que eram brindes de certos gibis, tenho quase todos. Tenho todos que vieram nos Almanaques da Ebal de 1969, todos dos super-heróis da Bloch, todos que vieram em Kripta, os dois pôsteres do Tex e alguns dos primeiros números de personagens infantis da Vecchi. Dos pôsteres mais procurados e difíceis, lançados pela editora Abril na década de 70, faltam-me um de Diversões Juvenis, um da Turma da Mônica e dois de Edições Extra da Disney.

Tenho também quase completa a coleção de miniaturas da Disney da promoção da Coca-cola do início da década de 80.

Outra pequena coleção que tenho é de álbum de figurinhas. Tenho os álbuns completos de personagens da Marvel lançados no Brasil (falta-me somente o do Hulk de 1980). Entre estes, se destacam o primeiro álbum de heróis da Marvel, que foi lançado pela editora Dimensão em 1978, o álbum de figurinhas de heróis da Marvel e DC de Ping Pong de 1979, os 3 álbuns de figurinhas da Marvel que saíram nas revistas da editora Abril na década de 80, que além de tê-los completos, tenho também os gibis com as figurinhas encartadas.

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Tem algum item que quer muito ter, mas está praticamente impossível de encontrar?

Um grande defeito dos colecionadores é sempre querer mais. Como tenho tudo da Marvel que foi editado no Brasil, passei a procurar por raridades. Entre estas, o que procuro e considero difícil de encontrar (e também muito caro) são: Almanaque do Lobinho 1949, Gibi Mensal 1, Gibi Mensal de 1940 número 142 (com primeira aparição de Namor), Lobinho 7, os números de Bidu que me faltam e os primeiros números de Mickey e Pato Donald.

Com relação a minhas coleções que não são quadrinhos, o que penso que seja difícil de conseguir são todas as tampas Delícia (com heróis da DC) e Doriana (com heróis da Marvel). Outra coleção que não tenho e procuro é a de chaveiros que foram brindes de revistas da editora Abril em 1985.

Qual foi sua última leitura e qual está sendo a atual?

Infelizmente o que me falta  é tempo para ler meus gibis. Minha última leitura foi a coleção Star Wars, da editora On Line. O que estou lendo atualmente não é HQ, mas um livro sobre quadrinhos: Shazam!, do Álvaro de Moya. Minha próxima leitura será Stan Lee: O Reinventor dos Super-Heróis, do amigo Roberto Guedes.

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Se tivesse que escolher 10 itens de qualquer uma das suas coleções para levar para a Fortaleza da Solidão, quais seriam?

Que pergunta difícil! Vou tentar responder:

1) Heróis da TV 1 a 16 (não dá para escolher somente uma);
2) Coleção Heróis da TV (Hanna Barbera) (também não da para escolher somente uma);
3) Coleção Edições GEP (todos os 23 números);
4) Gibi Mensal 168, de 1940;
5) Guri 63;
6) O Fantasma Voador, do Correio Universal;
7) Almanaque do Lobinho, de 1942;
8) Batman 1, de 1953;
9) Suplemento Juvenil com: Aventuras do Elefante Bolinha e Proezas do Pato Donald;
10) Álbum da Gazetinha 1;

Ufa!!!

Obrigado pelo papo, Pedro! Para finalizar, deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

A leitura, de qualquer forma que seja, é muito importante a qualquer pessoa, principalmente para crianças em fase de alfabetização. Minha filha tem sete anos e desde os cinco (quando começou a ler) já devora os quadrinhos, principalmente da Turma da Mônica.

E por fim, caros colecionadores, não é fácil ser um colecionador, pois como diz um amigo meu: “para ser um grande colecionador você precisa de 3 coisas: tempo (para procurar o que lhe falta), dinheiro e espaço físico”. Mas com paciência e perseverança, vocês encontrarão o que procura na hora certa.

Pipoca e Nanquim, mais uma vez obrigado pelo bate-papo e o espaço cedido para expor um pouco de minha coleção.

Um abraço a todos.

flash_gordon naciona_parte3 nacional_parte1 nacional_parte2 IFpernalonga_ebal raridades_conan raridades_parte15 IF

martha-holmes-actress-buff-cobb-reading-comic-books-at-homeMinha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros fãs e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

Minha Estante #53 – Toni e Laíse Rodrigues

Olá, colecionadores!

Bem-vindo a mais uma edição da sua coluna favorita!

Hoje apresentaremos mais uma coleção espetacular (óbvio!) com um diferencial muito bacana, ela pertence a um casal simpaticíssimo, verdadeiros apaixonados pela nona arte e colecionismo em geral.

Toda a entrevista foi respondida pelo Toni e Laíse Rodrigues, resultando num ótimo bate-papo, que você confere agora…

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Para começar nos conte um pouco sobre vocês, onde nasceram, moram, o que fazem na vida profissional?

Laíse: Nasci em São Paulo, no bairro da Bela Vista, em um apartamento perto da praça 14 Bis. Sempre gostei de desenhar e contava com o incentivo dos meus pais. Meu pai já havia ilustrado e feito quadrinhos para a revista Sesinho antes de eu nascer. Me formei em artes plásticas na USP onde nos conhecei Toni, que fazia o mesmo curso. Meu sonho era fazer animação, mas acabei, com incentivo e orientação do Toni, fazendo a carreira como ilustradora.* 

Toni: Eu nasci em São Paulo também, não sei o bairro. Sou publicitário, Diretor de Arte por formação, mas sempre gostei de quadrinhos e comecei minha carreira escrevendo terror e ilustrando layouts em propaganda.

*(Conheça o estúdio de ilustração da Laíse  aqui – N. do E.)

Quando vocês começaram a se interessar por quadrinhos?

L: Com pais leitores e sendo a terceira de quatro irmãos, os quadrinhos caiam em minhas mãos mesmo antes de eu aprender a andar. Como minha mãe sempre teve o habito de não jogar nada fora, as pilhas de quadrinhos cresciam naturalmente. Lia-se de tudo indiscriminadamente: Disney, Mônica, Ebal, Globo… Parte era comprada por meus irmãos mais velhos, parte por uma tia, o que ocasionava às vezes tanto a compra de edições duplicadas quando a perda de alguns números.

T: Comecei a me interessar na barbearia em que meu pai me levava para cortar o cabelo, antes mesmo de aprender a ler. O barbeiro, o “Zé Barbeiro” como era conhecido, era um grande leitor de quadrinhos, não de colecionar propriamente, mas ele tinha um armário na barbearia com uma bela pilha que vivia sendo renovada e eu adorava aquilo. Depois que aprendi a ler comecei a frequentar a barbearia mesmo quando não ia cortar o cabelo, só pra ler. Ele deixava. Era um cara muito bacana e apesar de magrão, tinha sido lutador de luta livre profissional, conhecia o Tigre Paraguaio, o Aquiles e outros lutadores da época.

Ambos: Também gostamos de artes marciais. Principalmente o Aikido, que praticamos há mais de vinte anos.

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Vocês se lembram da primeira vez que se viram fascinados por uma HQ? Qual foi a história ou revista?

L: A fascinação maior começou com a revista Gibi Semanal, com a qual conheci os grandes “monstros” dos quadrinhos como: Hal Foster, Alex Raymond, Will Eisner, etc…

T: Tarzan 49, 3ª série (Coleção Lança de Prata – Volume 20), da Ebal. A segunda parte de uma adaptação de Tarzan no Centro da Terra, com capa de Moe Gollub e desenhos de Doug Wildey. Foi meu primeiro gibi favorito. Só fui ler a primeira parte muito tempo depois, pois a revista chegou às minhas mãos bem depois de ter sido editada.

Quando aconteceu a mudança de leitores ocasionais para colecionadores inveterados?

L: Quando começamos a namorar. O Toni me apresentou a outros mestres dos quadrinhos que eu não conhecia e passamos a frequentar juntos sebos, bancas e livrarias.

T: Quando meu pai passou por acaso num sebo na Praça do Correio e querendo me agradar comprou de uma vez só umas 20 revistas e me trouxe de presente. Coitado, mal sabia o que tinha acabado de fazer…

Quantas HQs vocês possuem?

Ambos: Cerca de 15.000.

Como vocês guardam sua coleção de HQs? E quais técnicas usam para conservá-las?

Ambos: Nossa coleção hoje é guardada numa grande sala, em estantes de madeira, que é também nossa biblioteca e estúdio, onde trabalhamos e passamos a maior parte do tempo. Foi construída para esse fim. Os quadrinhos são acondicionados em sacos plásticos com a abertura para cima, dobrados e fechados com um pequeno pedaço de fita mágica. O local é bem ventilado, mas o lado onde ficam as estantes com os quadrinhos não tem janelas, portanto não recebem luz do sol diretamente.

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Quais são os principais itens de sua coleção, séries e minisséries completas, encadernados de luxo, edições raras, etc.?

Ambos: Bom, temos uma coleção de coleções. Uma coleção grande de quadrinhos; uma pequena, mas bem formada de originais de quadrinhos e ilustração, da qual nos orgulhamos muito; uma coleção de bonecos de borracha que apitam (que é mais da Laíse); uma de action figures; uma de brinquedos diversos; uma de arminhas de espoleta antigas; uma de pinguins (também da Laíse, e esta inclui todo tipo de pinguins, desde os de geladeira a brinquedos de corda); uma de máscaras orientais (balinesas, japonesas, chinesas); e uma bela biblioteca também. De quadrinhos, temos praticamente tudo o que foi publicado pela Ebal, todos os quadrinhos de super-heróis da Bloch, Abril e Globo e muita coisa avulsa também de editoras como Outubro, GEP, Taika, LaSelva.

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Bob Lubbers

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Don Sherwood / Ruben Van Buren

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Qual o item mais raro de todos?

Ambos: Difícil dizer isso. Nos gibis, exemplares do Suplemento Juvenil e primeiros números de várias revistas. Nos originais, temos dois J. Carlos. A Laíse tem pinguins bem raros e bonecos de borracha que estão em livros americanos catalogados como “raros”.

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E qual foi a maior raridade que já compraram pelo menor preço?

Ambos: Compramos com bom senso, raramente pagamos muito por qualquer coisa. Mas uma vez a Laíse comprou um pinguim de prata do século 19 por um dólar. E compramos um original de Terry e os Piratas por 60 dólares também.

Vocês compram HQs importadas?

Ambos: Sim, principalmente Showcases, Essentials e Archives, material mais antigo que nunca foi bem publicado ou que simplesmente nunca foi publicado por aqui. E também quadrinhos europeus e mangas.

Onde costumam comprá-las?

Ambos: Amazon e Ebay. De vez em quando na Comix e na Livraria Cultura.

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Todo colecionador tem manias, seja um ritual para leitura, uma bela cheirada na revista nova ou nunca se desfazer de nada, qual é a sua?

Ambos: A cheirada na revista nova é indispensável. Desfazer de alguma coisa só no caso da troca da mesma edição em melhor estado.

Tem algum item que quer muito ter, mas está praticamente impossível de encontrar?

Ambos: Cerca de 10 revistas da Ebal, que são muito, muito raras, mesmo não tendo nenhuma explicação do por que. Um Superman dos anos 50 e um Zorro dos anos 70 estão entre elas.

Qual foi sua última leitura e qual está sendo a atual?

Ambos: O que compramos em banca atualmente se resume a Mágico Vento e Julia, mais um ou outro especial. Mas estamos lendo muitos encadernados. No momento nossos favoritos são: a série Fábulas e os encadernados de Lost in Space, da Dark Horse. A última história que lemos e gostamos muito foi Astronauta: Magnetar, do Danilo Beyruth.

Quais são seus 10 quadrinhos favoritos de todos os tempos e por quê?

Ambos: Ken Parker, Príncipe Valente, Tarzan (de várias fases diferentes), Watchmen, Homem-Aranha (até os anos 70), Batman (entre o final dos anos 60 até os anos 2000), Mágico Vento, Lobo Solitário, Samurai Executor e Calvin e Haroldo. Não sabemos justificar isso, caramba, e tinha mais coisas para entrar nesta lista…

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Quais são seus personagens favoritos, aqueles que vocês procuram adquirir tudo que é lançado?

Ambos: Tarzan, Batman, bons europeus de diversas origens, tanto espanhóis quanto franco-belgas e italianos. Osamu Tezuka e outros mangás mais antigos (quanto mais para trás de Akira, melhor).

Para finalizar, deixem um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Colecionar é bacana, mas não pode virar loucura. Não se pode pagar o que certos vendedores acham (sem a menor base) que valem seus itens, sejam lá o que for. Um gibi do Pato Donald não pode custar 10 mil dólares nem que tenha o autógrafo do Disney.

Use o bom senso na hora de comprar e compre com critério o que quer que você resolva colecionar. Temos quantidade, mas qualidade importa bem mais.

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Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

 

Minha Estante #52 – João Marcos

Olá, amigos do PN e colecionadores do Brasil!

Preparados para mais uma edição da sua coluna favorita do seu site predileto?
Então conheça agora a coleção do João Marcos.

Estamos esperando os comentários.

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Olá, João! Muito obrigado por topar participar dessa entrevista.
Para começar nos conte um pouco sobre você, onde nasceu, mora, o que faz na vida profissional?

Um salve a todos que acessam o Pipoca e Nanquim!
Me chamo João Marcos, tenho 25 anos e primeiramente gostaria de agradecer pela oportunidade de poder participar e compartilhar com todos o que eu tenho até o momento.
Atualmente divido meu hobby de colecionador entre HQs, vídeo games e jogos antigos, que é uma paixão sem fronteiras! Tem gente que me chama de “guarda tralhas”, devido as coleções que tenho.
Atualmente, moro em Bragança Paulista, minha terra natal, a capital da linguiça (fama estranha, até certo ponto, enfim…).
Sou formado como tecnólogo em gastronomia, porém, atualmente estudo Relações Internacionais e, estou começando uma pós em Direito Internacional e faço alguns trabalhos como fotógrafo. Fotografia é mais hobby do que trabalho, é uma tremenda bagunça. (risos).

Quando você começou a se interessar por quadrinhos? 

Acho que foi quando eu tinha uns 5 anos de idade, na época, meus pais assinavam os gibis da Turma da Mônica. Passava horas lendo as historinhas, e também fui influenciado pela Disney, que tinha seus desenhos na tevê.  Levando em consideração a influência do meu pai e meu avô que colecionavam filmes na época.

Você se lembra da primeira vez que se viu fascinado por uma HQ? Qual foi a história ou revista? 

Teve duas coisas que marcaram, que até hoje não esqueço, uma delas foi uma edição do Manual do Escoteiro Mirim, não me recordo o nome correto, mas foi uma que continha várias informações que não eram do meu conhecimento.

A segunda foram os gibis do Mortal Kombat e Street Fighter, que vieram para o Brasil seguindo a fama dos jogos. Até me lembro do Capitão Ninja, nosso “Deadpool”, que vinha em histórias curtas na revista Gamers.

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Quando aconteceu a mudança de leitor ocasional para colecionador inveterado? 

Foi devido ao canal de tevê Locomotion, e da saudosa revista Herói, que marcou tanto a minha infância como a de muitos brasileiros, era o ápice dos animes na época, ao lado da Rede Manchete e Cavaleiros Do Zodíaco. Mais ou menos no final da década de 90, a Editora Conrad resolveu publicar os mangás de CdZ e do Dragon Ball, algo até então inédito em nosso idioma. Ali foi o início de tudo… Mesmo morando a apenas 80km de São Paulo capital, aqui não chegava nas bancas tudo o que era lançado.

Quantas HQs você tem? 

2760, todas catalogadas e divididas da seguinte maneira:

DC =  1109 , sendo 434 sódo Batman;
Marvel = 658 , sendo 186 dos X-Men;
Outras HQs = 286;
Mangás = 707;

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Quais são os principais itens da sua coleção. Séries e minisséries completas, encadernados de luxo, edições raras, etc… 

É algo tão complicado de se escolher… encadernados de luxo tenho poucos, não sou muito fã, prefiro ir atrás das edições antigas, a não ser que venha ser uma novidade, algo inédito, enfim… Tem o Batman Dia das Bruxas, Batman Preto e Branco e tal…

Falando no geral, todas intituladas “Um Conto De Batman”, que são várias histórias, Pokémon em HQ , Street Fighter, Tomb Raider, Darkness e Wichtblade (só os da Globo), Asterix, Cavaleiros do Zodíaco, Dark Angel, Ronin, Reino do Amanhã, W.i.l.d.Cats e X-Men, Morte do Superman e muitas outras…

Qual o item mais raro de todos

Hoje, as edições que eu tenho de Mega Man, algo impossível de se encontrar!

Megaman (1 of 1)Witchlade2 (1 of 1) Asterix (1 of 1) batmanformatinhos (1 of 1) capitaoamerica2 (1 of 1) darkangel (1 of 1) Darkness (1 of 1) DC (1 of 1) gen13 (1 of 1) ronin (1 of 1) Tombraider (1 of 1)

E qual foi a maior raridade que já comprou pelo menor preço?

Não sei, creio que foi quando comprei uns 10 ou 15 números, não me recordo ao certo, de Um Conto De Batman, em uma feira. Cada uma custava, em média, 60 a 80 reais, paguei em todos, 200 reais.

Você compra HQs importadas?     

Sim, não são muitas, procuro mais por Gen 13, Grifter (Bandoleiro) e as da DC que acho perdidas por aí…

Onde costuma comprá-las?

No Ebay e, principalmente, no Bazar do Salomão, aqui em Bragança, onde sempre encontro as da DC em inglês.

Como você guarda sua coleção de HQs? E qual técnica usa para conservá-las?

Separo por coleções, cada uma tem seu lugar, fica mais fácil de localizar e guardo-as embaladas, cada HQ em um saco individual, depois  junto entre 4 e 5 e embalo juntas, para facilitar o manuseio, afinal, sofro de falta de espaço como todos colecionadores.

Normalmente, limpo os locais onde as guardo, 1 vez por mês ou quando me sobra tempo, quinzenalmente.

Tentei abri o máximo possível para as fotos aqui, mas … é tão bem embalado que até complica …

Todo colecionador tem manias, seja um ritual para leitura, uma bela cheirada na revista nova ou nunca se desfazer de nada, qual é a sua? 

As antigas, normalmente eu dou uma bela cheirada, e quase morro, as vezes vem com um cheiro infernal de mofo , já que nem todos tem os cuidados necessários com elas.
Outra mania, é de as vezes ler novamente a mesma página de 2 as 3 vezes para pegar cada detalhe do quadro, do desenho, colocar embaixo do abajur e ficar revirando até sugar o máximo da HQ.

Tem algum item que quer muito ter, mas está praticamente impossível de encontrar?

Gibis do Mega Man , que saíram na década de 90! Tinha a coleção completa, porem em uma das inúmeras mudanças de casa, minha mãe vendeu elas entre outras sem me avisar. Atualmente tenho umas 3, que achei depois de garimpar muito. Se alguém tiver, quiser negociar, me mande um email [email protected] , faça esse mero colecionador feliz!

Qual foi sua última leitura e qual está sendo a atual?

Sem levar em consideração as do Batman, que se possível, leio uma por dia, não tenho algo certo para ler, já que são tantas, então faço uma mescla para conseguir ler todas, porque no meio tem meus mangás , mas normalmente, HQs do Lanterna Verde, que é meu preferido depois do Batman , e mangás que estão a anos no mercado !

Já que é um fã inveterado do Batman, quais são as 10 melhores HQs do personagem?

Algumas são minisséries e, com muita dificuldade, levando em consideração não só a história, mas o desenho , enredo, etc, vou escolher 10:

1 – Um Conto De Batman:  De Volta A Sanidade;
2 – Um Conto De Batman: Gothic;
3 – Um Conto De Batman: Shaman;
4 – Vitória Sombria;
5 – Túnel do Tempo;
6 – Terminus Hotel;
7 – Filho Do Demônio;
8 – Messias;
9 – Noites De Gotham;
10 – Colheita Maldita

PS: Cavaleiro Das Trevas não conta ! Haha

PS 2 : Noite Das Corujas no Os Novos 52 , está bem interessante! Nas bancas!

batmanvoltasanidade (1 of 1) batmancolheitamaldita (1 of 1) batmaneu (1 of 1) batmanfillhodemonio (1 of 1) batmanmessias (1 of 1)batmanterminushotel (1 of 1)batmannoitesgotham (1 of 1) batmanhaman (1 of 1)batmangothic (1 of 1)batmanvitoriasombria (1 of 1) batmantuneltempo (1 of 1)

Além de quadrinhos, você também possui outras coleções? 

 Fora as HQs , coleciono mangás, LP’s , CD’s , Dvd’s , álbuns de figurinha, videogames e seus respectivos jogos, que é uma paixão sem limites…

Obrigado pelo papo, João! Para finalizar, deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Gostaria de agradecer a oportunidade novamente, e aos amigos colecionadores e futuros colecionadores, procure bem antes de comprar o primeiro que encontrar, a não ser que seja algo raro, use muito o Guia dos Quadrinhos, afinal, sem ele, a coleção seria uma grande balburdia. E mais, aceito doações, com o maior prazer do mundo. (risos)

E colecione o que tu tens vontade, indiferente da opinião alheia!!

Lembrando que, não é porque 90% das pessoas acham uma HQ, uma minissérie excelente, que ela é rara. As mais raras são as que você mais gosta! E nunca julgue uma HQ pela capa!

deadpool (1 of 1)gaviao-reinoamanha (1 of 1) xmenfabulosos (1 of 1)xmengrahpicnovel (1 of 1)pokemon (1 of 1) superman (1 of 1) Xmen2099 (1 of 1) xmenawildcats (1 of 1)

martha-holmes-actress-buff-cobb-reading-comic-books-at-homeMinha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros fãs e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

 

 

Minha Estante #51 – Ricardo Quartim

Olá, amigos!

Quem aí gostou da última edição da coluna Minha Estante? Ah, todo mundo! Que bom…

Tenho certeza que vão curtir demais esta aqui também. Ricardo Quartim é um grande colecionador e conhecedor do assunto, tanto é que se tornou um dos integrantes da equipe da revista Mundo dos Super-heróis. Sua coleção tem mais de… É claro que não vou estragar a surpresa, leia a entrevista e veja as fotos para descobrir o quão espetacular é essa estante.

Bom, é isso aí. Quem gostar comenta, curte e compartilha.

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Olá, Ricardo! Muito obrigado por topar participar dessa entrevista.
Para começar nos conte um pouco sobre você, onde nasceu, mora, o que faz na vida profissional?

Em primeiro lugar eu é que gostaria de agradecer a oportunidade e dizer que me sinto muito honrado com o convite do Pipoca e Nanquim, o qual sempre acompanho e tenho como um dos meus preferidos!

Nasci em 8/8/1964 na cidade de São Paulo.  Aos sete anos mudei-me para Santos onde morei um ano e depois me mudei para Ribeirão Preto aonde vivo até hoje.  Sou advogado, fui modelo e também monitor técnico de musculação esportiva pela Federação Brasileira de Culturismo. Trabalhei cinco anos com suplementação esportiva, fiz teatro e escola de arte. Sou casado e defensor de um estilo de vida saudável aliado à busca pela cultura.  Aspirante a escritor com uma obra ainda não publicada, “Os Senhores de Ur”, um romance de ficção científica e aventura entremeado com fatos históricos. Também sou colaborador da revista Mundo dos Super-Heróis, que é a única no Brasil especializada em cultura pop. Ganhadora por dois anos consecutivos do Troféu HQ MIX (a maior premiação do gênero no país) como maior publicação sobre quadrinhos e em 2012 ganhou pela terceira vez, agora como a maior mídia sobre quadrinhos. Com uma equipe de jornalistas premiada e reconhecida internacionalmente é publicada tanto no Brasil quanto em países Europeus.

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Quando e como começou a colaborar com a revista Mundos dos Super-heróis?

Minha primeira matéria para a Mundo foi na edição 10, a entrevista com o brasileiro Rodolfo Damaggio, que é meu amigo de infância. Na época, o Orkut estava na moda e eu sou dono da comunidade da Mundo dos Super-Heróis lá. Já tinha amizade com toda a equipe da revista que também fazia parte do grupo. Então sugeri ao Manoel (editor) uma entrevista com o Damaggio. Aí ele me disse “Ótimo! Porque você mesmo não faz essa matéria e daí passa a ser nosso colaborador também!”.  E assim foi… (risos)

Já escrevi matérias sobre o Tarzan, Tintim, Conan, Universo Bonelli, dentre outras. Inclusive as duas últimas foram feitas em parceria com o Alexandre Callari, colega que admiro muito. A da Bonelli foi elogiada até em um blog em Portugal , considerado o maior blog da Bonelli em língua portuguesa.

Também sou responsável pela coluna “Garimpo na Net” onde através das minhas entrevistas conheci muita gente bacana e talentosa do meio quadrinístico . Inclusive o hoje badalado Vitor Caffagi! Apresentei-o ao Manoel e fiz uma das primeiras entrevistas com ele. A partir daí ele fez mais parcerias com a revista e nossa amizade cresceu. Sua carreira deslanchou tendo mais de uma participação nos novos projetos da Mauricio de Sousa Produções. Quando foi receber o Troféu HQ Mix agradeceu a Mundo dos Super-Heróis. Fico muito contente com isso.

Além do mais, toda a equipe da revista é muito unida! Somos todos grandes amigos e não apenas colegas. Amigos de verdade, daqueles que dão conselhos e apoio um ao outro em momentos de dificuldades. E o Manoel é o grande pai de todos nós, se preocupa com cada um de nós como se fosse um filho. Sou muito grato a ele, que além de amigo, é meu mestre, pois vive me ensinando a linguagem jornalística que é diferente da qual utilizo para escrever contos e romances.  Ainda falta muito para aprender e ser um Jota Silvestre, um Maurício Muniz, um Eduardo Marchiori, um Gustavo Vícola, um Heitor Pitombo… todos grandes feras e colegas da Mundo!

Quando você começou a se interessar por quadrinhos?

Desde que me conheço por gente meus pais já compravam e liam gibis para mim.
Acompanhei o surgimento da Marvel no Brasil e todas as editoras pelas quais passaram os personagens Marvel e DC por aqui.

Você se lembra da primeira vez que se viu fascinado por uma HQ? Qual foi a história ou revista?

Não me lembro, pois como disse, praticamente nasci com um gibi debaixo dos braços…  (risos)

Quando aconteceu a mudança de leitor ocasional para colecionador inveterado?

Isso eu me lembro. Eu devia ter uns nove anos. Todas as férias eu passava com meus pais em São Paulo. Em uma das vezes, ao chegar ao apartamento lá, tinham vários gibis da Mônica e da Disney, acho que uns trinta. Fiquei impressionado com a enorme quantidade! (risos!) Já me achei um grande colecionador e a partir desse momento, não parei mais.

Quantas HQs você tem?

Tenho em torno de 15 mil gibis, fora os livros que também adoro e possuo as maiores obras da literatura universal.

1 2 3 4 5 Aqui nessa são livros, enciclopédias, livros de arte, música, romances etc... Entrada da Biblioteca Lateral da outra estante customizada (nessa estante só tem gibis do Batman).

Quais são os principais itens de sua coleção, séries e minisséries completas, encadernados de luxo, edições raras, etc.

Vixe! Essa é difícil! São tantos. Vou citar só alguns:

Os álbuns gigantes da Ebal;
Capitão América e Homem Aranha em cores, da Ebal;
Os primeiros números da revista Mad;
Os álbuns de luxo do Flash Gordon com as pranchetas dominicais de Alex Raymond;
A coleção do Gibi Semanal da década de 70 (completa e encadernada);
Os álbuns de luxo do Fantasma, com a primeira história do personagem;
Asterix, Tintim (completas) e Lucky Luke (incompleta);
Livros com tiras do Garfield;
Toda Mafalda;
A Espada Selvagem de Conan
(Abril), Conan o Bárbaro, da Mythos  e todos os livros do Cimério lançados no Brasil;
Álbuns e especiais da Disney em formato de livro e com capa dura;
Do Tarzan: Tiras de Russ Maning, principalmente o número 6 que é uma edição limitada produzida pelo fã José Lirio de Lima, que me deu de presente; 2 álbuns de Russ Maning; Tarzan de Burn Hogart; 2 álbuns de Joe Kubert; minissérie em 3 edições  por Roy Thomas e John Buscema; e a PRIMEIRA HQ de Tarzan, por Hal Foster;
As primeiras revistas da Mônica e Cebolinha;
Dois álbuns do Drácula, do Luchetti e Nico Rosso, autografados pelo próprio Luchetti;
Druuna X  e Giovanna Cassoto;
Álbum de luxo do Mandrake em cores;
Os 300 de Esparta,  de Frank Miller;
Obras completas de Carl Barks (nem tão completas assim, já que só tenho até o volume 19… haha);

Esses são só alguns. Para ver todas as raridades basta ir ao meu álbum no Facebook. E espero que nessa matéria seja possível postar mais do que apenas as que citei aqui… (risos)

8 9 10 12 13 22 24 25 40 74 75Mad (as primeiras), Pancada, Crazy,Klink,Plop, Livros de Bolso do Mad, Fráuzio etc...44 4692476360 61 Asterix, completa

Qual o item mais raro de todos?

Talvez as edições do início dos anos 1950 da Epopéia e o número 0 do Capitão América, da Ebal (primeira revista Marvel lançada no Brasil que era distribuída nos postos de gasolina).

E com menor importância por serem menos raros: O Planeta dos Macacos (Bloch), Príncipe Valente (Saber) formato livro, Monstro do Pântano #01 (Ebal), com sua origem pré-Alan Moore, e Flash Gordon em formatinho (RGE).

7121planeta59Raridade - 1 do Monstro do Pantano pela Ebal com sua origem pre Alan Moore42

E qual foi a maior raridade que já comprou pelo menor preço?

É difícil responder essa, pois não saía dos sebos em São Paulo e durante décadas comprei muita coisa rara e algumas com um preço bem em conta. Mas, um das mais recentes que me lembro, aconteceu uns sete anos atrás. Cheguei a um Sebo aqui em Ribeirão e tinha aquela edição gigante de Superman vs Muhammad Ali lançada pela Ebal nos anos de 1970. Eu já tinha, mas a minha estava com a capa rasgada e sempre quis ter outra. Veja só… paguei somente R$25,00! O dono do sebo não tinha a mínima noção do que tinha em mãos. Depois que comprei, falei para ele. Lá tinham outras edições gigantes pelo mesmo preço e ele colocou cada uma à R$200,00 (risos)!

Albuns Gigantes da Ebal. Para se ter uma idéia do formato tablóide é maior que Superman Paz na Terra!

Você compra HQ importadas?

Não, mas gostaria de poder comprar os álbuns da Editora ASA e da Meribérica Líber, ambas de Portugal, que editam material europeu como Lucky Luke, dentre outros. Quando a grana sobrar, com certeza, o farei. Mas tenho ganhado de um amigo, vários destes. Ele me deu trinta e dois Lucky Luke e mais alguns outros álbuns.

Como você guarda sua coleção de HQs? E qual técnica usa para conservá-los?

Guardo todos gibis e livros nas prateleiras a maioria em pé. Alguns, por falta de espaço, eu acabo empilhando, mas não fica bonito. Procuro manter sempre as estantes limpas. Porém, não tenho nenhuma técnica especial para conserva-los. Não coloco em saquinhos, pois daria muito trabalho, sem falar que fica muito feio. O segredo é não colocar muito apertado um contra o outro e ter cuidado no manuseio. Quando as páginas começam a descolar eu conserto e quando estão muito empoeirados, passo um pano levemente úmido.

Todo colecionador tem manias, seja na um ritual para leitura, uma bela cheirada na revista nova ou nunca se desfazer de nada, qual é a sua?

Hahaha… Não tenho nenhum ritual, não! Cheirar eu curto, afinal sou um nerd, e nerds gostam do cheiro de livros e revistas. Quanto a não me desfazer de nada, isso não é mania, mas sim amor à coleção. Em 1995, quando me mudei novamente para São Paulo, perdi uma caixa inteira de gibis! O caminhão levou duas mudanças e a caixa foi para a outra casa… Só notei quando retornei à Ribeirão, pois durante um ano e meio os gibis ficaram encaixotados. Lá, havia a reimpressão do número 1 do Fantasma no Brasil.

27 bloch 49 50 51 52 53 55 56 57 58 293221_221647457886077_5155415_n Especiais da Ebal - EM CORES e Formato Graphic Novel

Tem algum item que quer muito ter, mas está praticamente impossível de encontrar?

Huuummm deixa eu ver…

Os álbuns dos Smurfs no mesmo formato do Asterix e os em formatinhos, ambos lançados pela Editora Vecchi, na época, chamados de Strunfs. E as edições especiais do Superpato que saíram pela Abril, em 1996.  Não me lembro de mais nada que eu não tenha e está difícil de encontrar. Se alguém tiver e quiser se desfazer dessas das quais falei, aceito doações… (risos).

Qual foi sua última leitura e qual está sendo a atual?

Acabei de ler o livro Conan – O Bárbaro traduzido pelo Alexandre Callari, que reúne o romance “A Hora do Dragão” e vários contos de Robert E. Howard. Excelente trabalho de tradução por sinal, o Alexandre preservou o rico vocabulário de Howard, ainda mais se compararmos com outras traduções medíocres que vi por aí na internet. Também li recentemente Astronauta – Magnetar, achei espetacular! Algumas HQs da Julia Kendal e da Kripta, que adquiri em um sebo, Zé Carioca: 70 anos – volume I. Também reli as primeiras edições da Mad lançadas no Brasil, que são as melhores.

Estou lendo atualmente Urupês, do Monteiro Lobato, As novas aventuras do Superpato –  A Origem,  excelente material, mais adulto e com arte deslumbrante. Estou acompanhando o ótimo Face Oculta, minissérie da Bonelli publicada pela Panini.  E está na minha prateleira aguardando para ser lido A Princesa de Marte, do Edgard Rice Burroughs e um álbum do Lucky Luke.

Quando puder, quero comprar a premiada Habibi, de  Craig Thompson.

Comecei a acompanhar Os Novos 52, mas não gostei e parei.

Almanaque Marvel só falta um número para completar 54 7266 9326  bloch17 20

Hora da listinha básica, conta ai pra gente quais suas 10 HQs favoritas de todos os tempos?

Bom, não tem “A HQ preferida”, mas posso dizer a fase ou série preferida.

Sem ordem de preferência:

1 – Todas as adaptações dos contos de Robert E Howard feitas por Roy Thomas com arte de Barry Windsor Smith e John Buscema;

2 – O encadernado do Superman com as primeiras histórias de John Byrne;

3 – Batman Ano I, Batman Veneno, O Messias, Morte em Família, Batman: Silêncio (sim, eu gostei!) e as minisséries do Batman feitas pelo Jeph Loeb e Tim Sale;

4 – Toda a fase do Capitão América ilustrada pelo John Romita Sr. (o pai) que segundo meu amigo Robbie Prado, especialista em Capitão América, é uma das fases mais geniais e criativas com o personagem até hoje;

5 – Homem-Aranha, fase Steve Ditko e John Romita Sr.;

6 – Asterix e Tintim (coleção toda);

7 – Os Álbuns Gigantes da Ebal e Superman versus Homem Aranha #2 (edição da RGE em formatinho);

8 – Os álbuns de luxo do Flash Gordon;

9 –  O especial do Tarzan, de Burn Hogart , a minissérie do Tarzan em 3 edições,  por Roy Thomas e John Buscema, e todos Tarzan, de Joe Kubert;

10 – As primeiras histórias do Fantasma e Mandrake, quando Lee Falk ainda sabia escrever bons roteiros.

11 – Tio Patinhas, do Carl Barks  (Ops! Listei uma a mais… hahaha)

Obrigado pelo papo, Ricardo! Para finalizar, deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Leiam livros, revistas, quadrinhos e torne-se uma pessoa mais informada, com senso crítico, mais inteligente e mais feliz. Exercite seu cérebro!
Ação, drama, terror, história, sexo, crime, humor, adulto, infantil, roteiros simples, roteiros complexos? Há gibis e livros de TODOS os gêneros para todos os tipos de pessoas. Um povo que lê, é um povo esclarecido e não manipulável.

Ademais, a leitura é um dos maiores prazeres que se pode ter. Com ela viajamos para diversas épocas e lugares. Da época antiga até os confins do universo e sentir a sensação de realmente ter estado lá. A leitura estimula a imaginação.

E como dizia o célebre pensador Ricardo León: “Os livros me ensinaram a pensar; e o pensamento me fez livre.”

Isso é o que eu desejo para todos vocês!

11 15 16 18 19 23 28 29 30 32 33 34 35 36 37 38 39 41 43 48 62 64 68 69 70 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 89 90 91 94 97 98 Álbun de luxo do Amigo da Onça e O Cruzeiro Infantil Álbuns Europeus diversos, os dois últimos do Maurício de Souza e um deles com autografo do próprio Maurício! coleção Sandman Moonshadow Quadrinhos italianos

 

Sid-Vicious-reading-MADMinha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros fãs e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

Minha Estante #50 – Heitor Pitombo

Olá, amigos do PN!

É com muita alegria que publicamos essa Minha Estante. Após dois anos de trabalho, chegamos ao número 50! Isso mesmo, são 50 belíssimas coleções de quadrinhos apresentadas com detalhes fotográficos e relatos de seus proprietários, que toparam abrir suas casas, tirar o pó da estante e mostrar os itens mais legais que possuem no acervo.

Em dois anos, esse espaço se tornou um dos poucos do Brasil, quiça do mundo, de troca de informações e debate sobre as variadas facetas do ato de colecionar gibis.

E para coroar esse período com chave de ouro, fizemos uma entrevista com um dos maiores especialistas da área, Heitor Pitombo. Colecionador inveterado desde a infância, tornou a paixão seu trabalho e tem seu nome definitivamente talhado no mundo dos quadrinhos.

Esperamos que curtam muito o papo, comentem e divulguem por aí, pois quanto mais gente souber deste espaço, mais chance de conhecermos outros colecionadores.

Yeah!

Foto Passaporte 1 jpg cópia

Olá, Heitor! Obrigado por topar essa entrevista! É uma honra contar com sua presença nessa coluna.

O prazer é todo meu de fazer parte dessa seleta lista de colecionadores!

Para começar gostaria que você se apresentasse aos nossos leitores e nos contasse como passou a trabalhar com quadrinhos. 

1991 - 022 - catalogo Bienal 1Oi, gente, meu nome é Heitor Pitombo, vivo no Rio de Janeiro e leio gibis desde que me entendo por gente. A primeira vez na vida em que escrevi sobre quadrinhos profissionalmente foi há exatos 25 anos. Era o meu primeiro emprego para valer. Eu labutava na revista carioca Roll que, na época, concorria nas bancas com a Bizz. No meio daquele monte de matérias sobre rock’n’roll que eu tinha a obrigação de escrever quase que diariamente, rolou a oportunidade de encaixar umas notinhas numa seção de variedades que havia na revista. Na época eu escrevi alguma coisa sobre aquela graphic novel do Demolidor, criada pela dupla Frank Miller e Bill Sienkiewicz, que estava saindo pela Abril.

Mas eu considero que o meu primeiro trabalho mais constante e consistente com quadrinhos rolou em 1990, quando eu passei a escrever para o Tribuna Bis, caderno de cultura do jornal diário Tribuna da Imprensa. Quem escrevia para lá tinha espaço e era muito incentivado a escrever sobre o que bem entendesse. Por conta dessa liberdade, eu me danava a escrever sobre quadrinhos toda semana. Tanto que a editora do caderno, ao ver o meu entusiasmo e do amigo Zé José com o tema, resolveu nos dar uma página fixa semanal no periódico pra falarmos só de HQs.

Depois disso, eu conheci o pessoal que estava organizando a primeira Bienal Internacional de Quadrinhos e o resto é história… (risos). 

Você também atua como tradutor, não é?

Comecei a atuar como tradutor depois de trabalhar na produção de uma penca de eventos de quadrinhos (como a citada Bienal, o Comic Mania e o FIQ de BH), de escrever para diversas revistas especializadas e de, efetivamente, trabalhar na produção de HQs. Durante um bom tempo, ralei na redação de quadrinhos da Record, comandada pelo Otacílio D’Assunção (Ota), e meu trabalho de editor de texto apareceu com mais frequência nas páginas da Mad e de alguns títulos do Bonelli como A História do Oeste e Zagor. Um dos meus trampos favoritos desse período foi justamente o primeiro: editar um álbum para colorir dos X-Men, com 100 páginas. Escudado pelo desenhista Arnaldo Amaral, que trabalhou anos na Ebal, e pelo arte-finalista Jair de Souza, eu resolvi compilar imagens dos mutantes e as dispus em ordem cronológica, de modo que o moleque pudesse ter, naquela única revista, uma ideia de tudo o que se passou com o supergrupo, desde a sua origem até a saga Inferno, que a Abril publicava na época

Mas minha carreira de tradutor começou efetivamente em 1996, quando peguei uma biografia dos Beatles (Dito e Não Dito) para verter pro português, trabalho encomendado pela Melhoramentos. De lá para cá, acho que já traduzi por volta de uns 50 livros, mais ou menos, para mais de 10 editoras. Em 2001, traduzi minha primeira HQ para a Opera Graphica, a minissérie Gerações, do John Byrne. Como tradutor de gibis, também trampei pra Panini, pra Pixel e, mais recentemente, para a Kalaco. Continuo colaborando para a Panini nos dias de hoje, pois frequentemente traduzo a Mad.

Uma curiosidade, em 1997 a editora Sampa lançou uma revista chamada HQ CD (edição única), na qual veio encartado o CD-ROM O Universo dos Super-Heróis, que foi o primeiro CD-ROM de quadrinhos lançado no Brasil. Um dicionário com mais de 600 verbetes de heróis, supergrupos, revistas, autores e etc. Escrevi tudo e coordenei uma equipe técnica que se encarregou da programação do projeto. Ganhei um HQ Mix por isso.

Atualmente sou um dos colaboradores da revista Mundo dos Super-heróis.

1992 - 031 - X-Men para colorir1997 - 09 - HQ CD

Quando foi que se transformou de leitor ocasional de quadrinhos em um colecionador inveterado?

Tenho fotos para provar que sou leitor de gibis desde a mais tenra infância. A Ebal fez a minha cabeça, com seus super-heróis Marvel e DC, ainda nos anos 60. Mas me julgava apenas um mero apreciador do gênero. Fui virar colecionador mesmo com uns 10 anos, mais ou menos na época em que a revista do Homem-Aranha da Ebal estava com seus dias contados – cheguei a comprar o nº 70 nas bancas. Nessa mesma época, um primo mais velho resolveu se desfazer de todas as suas coleções completas de Capitão Z, Super X, Álbum Gigante, Estreia, Demolidor e Homem-Aranha e acabou deixando essas preciosidades da Marvel aqui em casa. Tenho uma leve lembrança de que ele também colecionava as revistas da GEP que saíam na mesma época, como X-Men, Capitão Marvel e Surfista Prateado, mas na época não me interessei pelas revistas desses personagens que eu não conhecia da TV…

Esse foi o marco zero da minha coleção de HQs. Ajudou muito o fato da minha mãe se encantar com a minha inclinação para a leitura e, por isso, resolver me levar para conhecer a Ebal e fazer compras naquela seção de vendas do prédio histórico da rua General Almério de Moura, aqui no Rio, no bairro que hoje se chama Vasco da Gama. De tanto ir lá, acabei sendo apresentado ao próprio Adolfo Aizen, que falou bastante sobre a função educacional dos quadrinhos e me deu a coleção inteira da Bíblia em Quadrinhos, cinco volumes da série Grandes Personagens da Nossa História (ele, na verdade, deu esses para o meu irmão, mas eu não tardei a confiscá-los para o meu acervo) e me perguntou qual a coleção completa que eu queria de presente. Não fui modesto: pedi logo a série completa do Superman em cores e acabei voltando para casa com as 62 edições a tiracolo…

Heitor 1967Heitor e a colecaoHeitor e Avengers

Uau! Que baita história legal.

Bom, qual foi seu primeiro personagem favorito? Ele ainda ocupa esse posto ou alguns detratores conseguiram, depois de escreverem tantas histórias ruins, rebaixá-lo?

Depois que virei colecionador, o primeiro personagem favorito foi, sem dúvida, o Homem-Aranha. Era muito fácil, aos 10, 12 anos de idade, se identificar com aquele loser do Peter Parker, que acabou faturando a gata mais bonita do pedaço, que era a Gwen Stacy. Mas até realizar essa façanha, ele deu muito mole com a mulherada. Quando eu tinha essa idade, minha atitude para com as moças era basicamente a mesma. Só comecei a namorar de verdade quando parei de ler quadrinhos de vez, dos 13 para os 14 anos, e comecei a tocar violão.

Retornei aos gibis no começo dos anos 1980, mais ou menos quando a Abril estava lançando as revistas do Homem-Aranha e do Hulk, e começava a estabelecer a sua própria cronologia Marvel. Perceber o quanto os quadrinhos haviam se modernizado foi um choque total para mim, que começava a minha vida universitária na ocasião, curiosamente ao mesmo tempo em que o Peter dava início à dele.

Nunca parei de acompanhar o Homem-Aranha, mesmo ele tendo passado por péssimas fases ao longo desse período, mas hoje já não o reverencio como um personagem predileto porque esse culto perdeu um pouco o sentido com o passar do tempo. Hoje, meus heróis dos quadrinhos não são mais os personagens e sim os autores das histórias.

Quantas HQs você tem?

Essa é uma pergunta muito difícil de ser respondida. A última vez que contei meus gibis, por volta dos anos 1990, eu tinha algo entre oito e nove mil exemplares. Mas pela disposição do meu acervo, que ocupa armários em todos os cômodos do meu apartamento, eu já devo ter passado da casa dos 20 mil há bastante tempo.

Também fica difícil precisar quantas HQs eu tenho porque, vez por outra, vendo alguns itens da minha coleção. As minhas coleções da Ebal, da Bloch e da RGE da Marvel, por exemplo, viraram scans baixados na internet. Mas mesmo com esse entra e sai de revistas daqui de casa, tenho a mais absoluta certeza que o volume de coisas adquiridas é infinitamente maior do que o de revistas dispensadas.

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Quais são os principais itens da sua coleção, aquelas séries ou volumes que são as meninas dos olhos de sua estante?

Outra pergunta difícil. Eu penso que o item mais importante da minha coleção é aquele que eu consegui resgatar do fundo da estante e que vai me ajudar em uma pesquisa que estou fazendo ou que vai trazer um dado extremamente curioso e implausível em uma matéria que estou escrevendo. Mas, para ser mais objetivo nessa resposta, posso dizer que os objetos de maior destaque do meu acervo são justamente os livros e gibis autografados por muita gente que não vai estar mais aqui para repetir o gesto.

Você possui muitas HQs autografadas?

Um monte delas. Vendi em 1978 uma das que hoje estaria entre as mais preciosas: um Viva Mad autografado pelo Sergio Aragonés, que foi o primeiro astro internacional dos quadrinhos que eu vi de perto. Com o intenso contato que passei a travar com artistas nacionais e estrangeiros a partir de 1991, quando rolou a primeira Bienal de Quadrinhos carioca na qual trabalhei, a minha coleção de obras autografadas não demorou a se tornar bem respeitável. Dos estrangeiros, me orgulho dos gibis que tenho autografados por astros como Moebius, Will Eisner, Joe Kubert, Neil Gaiman (que chegou a fazer um desenho no meu Mr. Punch), David Mazzucchelli, Greg Capullo, Adam Hughes, Jim Lee… É muita gente…

Moebius autografo

Moebius

Walmir Amaral

Walmir Amaral

Adam Hughes

Adam Hughes

Adao

Adão Iturrusgarai

Batman por Eduardo Barreto 1997

Eduardo Barreto (1997)

Bill Sienkiewicz 1993

Bill Sienkiewicz (1993)

Bryan Talbot

Bryan Talbot

David Mazzucchelli

David Mazzucchelli

David Silverman - Simpsons producer

David Silverman – Produtor e diretor de Os Simpsons.

Eisner

Will Eisner

Francois Schuitten

François Schuitten

Jano

Jano

Jerry Robinson

Jerry Robinson

Jim Lee

Jim Lee

Joe Sacco

Joe Sacco

Lito Fernandez

Lito Fernandez

Mark Badger

Mark Badger

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Neil Gaiman

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Paolo Eleuteri Serpieri

Sergio Toppi

Sérgio Toppi

Sienkiewicz 2011

Bill Sienkiewicz (2011)

Vuillemin

Vuillemin

Legal saber que nesses anos como fã de quadrinhos e jornalista especializado você conheceu muitos ídolos…

Mais do que conhecer os ídolos que citei, o grande barato nesses tantos anos de carreira foi ter conhecido alguns grandes nomes cujo legado é cada vez mais reconhecido com o passar do tempo. Gente como o mestre argentino Alberto Breccia, que esteve na Bienal de 1991, e grandes figuras brasileiras como Flávio Colin, Júlio Shimamoto, Gutemberg Monteiro, Edmundo Rodrigues, os Aizen (Adolfo, Naumim, Paulo Adolfo) etc. Se eu for relacionar todo mundo a gente não acaba mais a entrevista.

Por conta da minha atividade profissional, vivi situações bem bacanas com caras que tenho como ídolos. Por exemplo, já enchi a cara junto com sujeitos como o Joe Sacco e toquei uma canção romântica ao piano para o Serpieri cantar. David Mazzucchelli, uma vez, foi em uma festinha lá em casa e a gente ficou tocando Beatles no violão até amanhecer.

José Mojica Marins

José Mojica Marins

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Will Eisner (1997)

Heitor e Serpieri

Fazendo música com Serpieri

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Turma da Mosh, ganhadora do HQ Mix em 2005. Da esquerda pra direita: Sandro Lobo, Fábio Lyra, Renato Lima, Vinicius Mitchell

Gonçalo Junior, eu, Franco de Rosa.

Gonçalo Junior, eu, Franco de Rosa e Walmir Amaral

Fotografando a palestra de Greg Capullo na Comic Mania (1999).

Fotografando a palestra de Greg Capullo na Comic Mania (1999)

Qual o item mais raro da sua coleção?

Ah, não tem um item mais raro… A minha tendência é acumular mais conteúdo do que papel velho, portanto itens raros geralmente acabam se tornando grandes candidatos a revistas que poderão (ou não) ser vendidas para quem saiba valorizá-las. Mas vamos lá, vou citar uma edição que eu tenho e que acho rara: o Oscarito e Grande Otelo nº 1, da La Selva (1957), que me foi dada de presente pelo meu grande amigo Paulo Loffler, neto do próprio Oscarito, o que me dá a certeza de que este exemplar que eu guardo aqui fez parte do acervo pessoal do humorista.

Você também coleciona obras teóricas sobre quadrinhos, quais são os destaques dessa coleção?

Sem dúvida, tenho duas prateleiras na minha estante de quadrinhos só com livros teóricos, além de um setor em um dos meus armários só com revistas especializadas. Tenho algum orgulho da minha coleção (quase?) completa da Comics Scene, que era uma das mais completas publicações do gênero no período que antecedeu ao lançamento da Wizard nos EUA. Mas entre os livros, tenho especial apreço pelas obras escritas pelo meu amigo Gonçalo Jr. e pelo livro comemorativo sobre os 100 anos do Tico-Tico, lançado pela Opera Graphica, e para o qual tive o prazer de colaborar. Acho que chama a atenção na minha estante um dos Manuais de Desenho do Jayme Cortez que eu ganhei do Franco de Rosa há umas décadas atrás.

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Como você guarda suas revistas e quais técnicas usa para conservá-las?

Procuro mantê-las em armários fechados, onde a temperatura seja amena e haja pouca ventilação. As revistas que ficam mais expostas acabam indo parar dentro de sacos plásticos. Houve duas infestações de cupim aqui em casa que chegaram a destruir uns 20 a 30 exemplares da coleção, mas esse problema foi resolvido da maneira mais simples: fazendo uma obra no apê.

É simples: os cupins precisam da madeira para que possam circular pela casa e havia um foco grande de umidade na parede que ficava atrás do banheiro, que era onde eles se reuniam para planejar seus ataques (risos). Quando fiz obras aqui no apartamento e troquei todos os tacos do piso e os rodapés de madeira por porcelanato, acabou a vida desses insetos miseráveis no meu pedaço. Desde então, nunca mais tive esse tipo de problema. Mesmo assim, eu jogo, de vez em quando, umas pedras de naftalina dentro dos armários mais antigos e que eu menos acesso, pra dar uma garantida.

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Quais são seus 10 quadrinhos favoritos de todos os tempos?

Nunca entro numas de fazer listas como essa porque sempre me estrepo e esqueço alguma coisa. Mais vamos listar os dez que me vêm à cabeça no momento. Certamente quando esta conversa for publicada eu vou lamentar a ausência de algo…

1) Como marco inicial da minha paixão pelos quadrinhos, eu colocaria toda a fase de Stan Lee, Steve Ditko, John Romita e tantos outros artistas com o Homem-Aranha, estendendo-se mais ou menos até o momento em que morre a Gwen Stacy, quando pela primeira vez, vários leitores em todo o mundo tiveram que se confrontar com o desencanto nas HQs. Nossa, isso foi um baque nos anos 1970 para mim. Li essa sequência pela primeira vez em preto-e-branco, nas revistas da Ebal.

2) Representando os super-heróis dos anos 1980 para cá, eu colocaria Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons, pela capacidade que essa história tem de ganhar novos contornos com o passar do tempo.

3) Buda, do Osamu Tezuka

4) Hate, do Peter Bagge

5) Lobo Solitário, de Kazuo Koike e Goseki Kojima

6) Não dá para não citar El Eternauta, de Hector Oesterheld e Solano Lopez, uma das maiores sagas de ficção científica da história dos quadrinhos.

7) Também não tenho como não colocar um Will Eisner na lista… Portanto, hoje, eu incluiria Do Coração da Tempestade, muito por conta da densidade da trama e da qualidade da arte, que resumem bem toda a obra do mestre.

8) Maus, do Art Spiegelman, por toda a sua importância, não pode ficar de fora.

9) Calvin & Hobbes, de Bill Watterson

10) E, representando os quadrinhos atuais, vamos tacar um Walking Dead na lista. Robert Kirkman, Charlie Adlard e Tony Moore, incontestavelmente, mudaram a história dos quadrinhos contemporâneos e imagino que a importância do trabalho desses três vai ser muito reconhecida no futuro.

Você tem alguma “mania de colecionador”, seja para guardar, emprestar ou mesmo na hora de comprar?

Já emprestei, mas hoje não empresto mais gibis. Com CDs e DVDs ficou mais fácil negar empréstimos, pois sempre solto a máxima: “Depois eu gravo uma cópia pra você” (risos)…

Quanto a manias, digamos que eu tenho algumas. Os meus gibis que ficam em áreas expostas só vão para o saco plástico depois que os leio. Também gosto de manter uma lista de gibis desejados que sempre levo para todos os eventos que visito. Hoje ela tem umas doze páginas, e está impressa na fonte Arial Narrow, corpo 12.

Quais foram os últimos quadrinhos que comprou? E qual o último que leu?

O último quadrinho que eu comprei foi Popeye nº 4, da Pixel. Já o último que li foi a excelente coletânea Zumbis e Outras Criaturas das Trevas, da Kalaco, que tem um time de colaboradores de respeito. Gente como Mozart Couto, Deodato, Daniel Esteves, Jayme Cortez, Rodolfo Zalla, Shimamoto, Seabra, Toni Rodrigues, Walmir Amaral, Gian Danton… só fera. Sem contar que a edição traz uma poesia ilustrada do Lucchetti, além de textos do Fernando Moretti, do Franco, do Antero Leivas, do Julio Schneider e até deste que vos fala…

Você costuma comprar HQ importadas?

Nos anos 1990 eu comprava HQs importadas semanalmente, quase que com a mesma frequência que comprava gibis nacionais. Hoje, principalmente por conta da evolução gráfica e da variedade e disponibilidade cada vez maior da produção nacional, é cada vez mais raro eu comprar publicações estrangeiras. Mas tenho adquirido uma coisa ou outra de vez em quando. Geralmente encadernados de sagas que não saem no Brasil e títulos de editoras menores que geralmente vejo à venda em eventos.

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Tem algum item que quer muito ter, mas está impossível de encontrar?

Não é nenhuma grande fissura que me tire o sono, mas gostaria de completar a minha coleção do Fradim do Henfil e a do Ken Parker da Tapejara.

Além de um belíssimo acervo de quadrinhos você coleciona discos. Quantos vinis você possui?

Já tive muito mais vinis, mas hoje devo ter, no máximo, uns 500. Mas acho que são uns 350, sei lá… Vendi muita coisa. Os CDs são, efetivamente mais práticos, né? Vinil é um fetiche lindo, mas eles possuem dois inconvenientes: chiam com o tempo e acabam arranhando, mesmo que você seja um daqueles colecionadores extremamente cuidadosos.

Quais são os mais raros e sensacionais?

Vendi muita coisa rara, mas guardo algumas pérolas das quais dificilmente irei me desfazer. Os álbuns duplos vermelho e azul dos Beatles (1962-1966 e 1967-1970) são marcos na minha vida desde que os ganhei de presente em 1976. Desse momento em diante, minha atitude em relação à música mudou. A mesma coisa se deu quando ouvi pela primeira vez, ainda bem jovem (devia ter uns 15 para 16 anos), o Academia de Danças, do Egberto Gismonti, que descortinou meu ouvido musical para a existência de outras concepções artísticas que eu nem sequer sonhava que pudessem existir. Um dos meus discos que considero mais raros é justamente o Sonhos de Castro Alves, um LP do Egberto que nunca foi lançado oficialmente e que traz a trilha sonora do musical homônimo. Também tenho como raridades discos autografados por sujeitos como Eric Clapton, Tim Maia, Gonzaguinha e muitos outros…

Além disso, possuo uma boa coleção de compactos, coisa que muita gente que navega por este site não deve nem saber o que é. Um dos que mais prezo é o single de “Ando Meio Desligado”, dos Mutantes, que traz uma versão da música diferente da que está no LP.

Antes de acabar nos conte um pouco sobre sua carreira como músico.

A música é a área da minha vida onde mais quis fazer sucesso e não fiz, (risos)… Mas venho dedicando a ela algum espaço desde que fiz o meu primeiro show com uma banda, em 1978. Cheguei a participar de alguns discos de amigos, toquei em peças de teatro, montei um grupo de relativo sucesso local nos anos 1980 (O Nome do Grupo) e, há mais de 10 anos, mantenho o Bulldog, uma banda cover que toca clássicos sessentistas e setentistas do rock.

A diferença do meu trabalho na música e nos quadrinhos é bem simples de explicar. Se jamais escrevi ou desenhei uma única HQ, posso dizer que já compus mais de 300 canções. Uma hora, quando menos se esperar, esse material vira à tona. Tenho dito!

Heitor, muito obrigado pela entrevista! Foi um prazer conversar com você.
Deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

O mercado de quadrinhos está em franca expansão nos últimos dez anos, muito mais à nível artístico do que à nível comercial (com generosas exceções à regra). Se viver exclusivamente de quadrinhos ainda é uma coisa fora do alcance para mais de 95% dos bons artistas que temos no Brasil, faça a sua parte. Incentive pelo menos um dos seus amigos a apreciar a nossa nobre nona arte. Ele não irá se arrepender de adentrar um mundo novo e cheio de possibilidades, e o mercado vai agradecer, com certeza!

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jimmy-hendrix-reading-mad-and-getting-his-hair-done-1311062404-9088Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros fãs e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!