Reorganizando tudo para fazer (quase) nada – Café com Quadrinhos #13

É um dos luxos a que estou me dando até o batente começar, dentro de um mês.

Explico: passada a OAB, me mudei. Nova casa para chamar de lar, onde novas perspectivas se descortinam ao alcance dos olhos. Período de mudanças, refazimento de antigas metas, elaboração de novos planos.

Claro que a trabalheira de empacotar, rotular, separar e organizar tudo em caixas, sacolas e o que mais servir de transporte é uma missão tensa. Aja coluna e muque. Em certos momentos, uma dose de paciência ajuda.

Falando em dose, naturalmente, a primeira coisa a ser instalada na residência nova foi a cafeteira. Sem isso, enlouqueço e morro. Um brinde aos homens de boa vontade…

Um pouco depois, com praticamente tudo em mãos, começo a estudar o ambiente e como farei a melhor organização de tudo. Agora tenho um quarto exclusivo (suíte, rapaz!) e uma saleta anexa no formato de L, ótima para um pequeno escritório.

Como disse certa vez um lunático, muito potencial para uma expansão agressiva. Para tanto, precisava comprar algumas coisas pra limpar o local e consertar algumas falhas.

Peguei o expresso sola-de-sandália e fui até o mercado mais próximo. Antes, aquela passada habitual na banca para comprar Lex Luthor – Homem de Aço. Encadernado bem feito, preço em conta, história e arte bacana e, na humilde e impune opinião deste escriba, com o contexto da rivalidade melhor trabalhado do que fora feito em Coringa.

Pra quê lançar esse último em capa dura? Não justifica o luxo dispensado.

Falando em aço, adentrei a seção de ferramentas e comprei um kit da Tramontina básico para iniciantes na arte dos consertos. Extremamente recomendável e barato demais, indispensável para trocar as janelas e ajeitar a mesa de onde martelo essas linhas, entre outros serviços domésticos.

Comecei pelo quarto.

Armários sujos, empoeirados? Limpeza geral. Depois foi só enfileirar os livros, DVDs e alguns quadrinhos de capa dura em uma parte perfeita para tal. Nesses momentos, os clássicos são revistos.

O Rapto do Menino Dourado, de 1986. Pura nostalgia. Eddie Murphy no auge cinematográfico. Quem não se recorda da cena pela busca do punhal, numa gruta pra lá de tenebrosa e aparentemente sem fundo? E sem deixar cair uma gota d’água do copo de vidro? Ainda hoje gargalho no momento em que ele joga uma moeda pra “provar” que o local tem fundo. Deve tá esperando o metal cair até hoje…

Melhor do que isso, só a cena quando o vilão Sardo Numspa revela sua verdadeira face. “Eu volto mais tarde” e pé na tábua. Pela dublagem da época, sempre pensei que fosse o irmão “Nãntis” e não Numspa.

Aproveitei e revi, claro.

À Espera de um Milagre, livro de Stephen King. O filme é sensacional e fidelíssimo à obra, mas o romance é um dos melhores que já li do escritor – e nem entra na alçada do horror pesado. É um daqueles livros que faz você mergulhar de cabeça na época dos acontecimentos, naquele período ainda assombrado pela crise econômica ocorrida poucos anos antes.

Tudo isso como cenário de uma história assombrosa, com personagens extremamente bem construídos. Algumas cenas focadas em Paul Edgecomb podem ser melhores apreciadas com alguma música instrumental nervosa de fundo, aprofundando os conflitos emocionais do personagem e sua difícil escolha ao final de tudo.

Mais um clássico revisitado. Aproveitei e já reli.

E de HQ? Ora, nada melhor do que sentar e apreciar, uma vez mais, o encadernado Loki, lançado pela Panini em 2007. Mostra bem o que acontece quando o vilão homônimo, depois de tanto tempo e esforço, consegue tornar-se soberano de Asgard. Alguém que lutou pelo trono e conquistou o alto posto, mas não sabe – e nem possui a paciência – para mantê-lo.

Depois da conquista, o que fazer? Uma perfeita alusão aos relapsos ideais de grandeza, à falta de cuidados quando o objetivo se torna material. Escopos tais que agora enfrento nesta nova caminhada, mas sempre com esmeros, bom frisar.

Para tanto, boas acomodações se fazem necessárias.

Finalmente disponho de uma cadeira executiva, deveras confortável e de fácil montagem. Tudo ao alcance da mão em 360º graus, sem nem precisar levantar (na maioria dos casos). Em cima do velho birô de madeira, tudo que preciso em termos de materiais para escritório: uma baita mural de aviso anexo à parede, porta objetos espaçoso, pastas de documentos nos cantos, duas gavetas recheadas com vários materiais de apoio, uma caixa de correspondência para entrada/saída de papeis e, pra dar sorte, uma singela estatueta da Justiça.

No monitor do notebook, um super wallpaper do Jonah Hex (no traço de José Garcia Lopes). Por sinal, que diabos foi aquela adaptação com o Josh Brolin e Megan Fox? Fizessem algo ao estilo Os Indomáveis, baita filme com o verdadeiro faroeste.

Pelo menos nos quadrinhos, só notícia boa. Comprei recentemente aqueles dois álbuns lançados pela Opera Graphica, em 2006, só com histórias antigas do pistoleiro desfigurado e em preto e branco. Já li o primeiro, coisa fina. Fora o maravilhoso estojo para a versão nacional.

Dessa forma, o jeito é aproveitar essa folga temporária da melhor maneira possível e ler a pilha restante. Muita coisa boa esperando para ser apreciada, sempre na companhia daquela caneca fumegante.

Dureza, hein?