A vida e trágica morte do criador do Conan, ROBERT E. HOWARD | PN Extra #116

Uma das publicações de maior sucesso da editora Pipoca & Nanquim é a série de livros Conan, o Bárbaro, obra que inaugurou o subgênero Espada e Feitiçaria.

O bárbaro cimério é a criação máxima de um escritor texano, cuja carreira foi tão curta, quanto meteórica, tão criativa, quanto misteriosa, assim como o próprio escriba. Seu nome é Robert Ervin Howard, e ele também criou toda a Era Hiboriana, Solomon Kane, Rei Kull, Red Sonja, El Borak, entre outros.

Mas quem foi ele? Quem é o homem por trás da lenda? É para responder essas perguntas que preparamos o vídeo TUDO SOBRE ROBERT E. HOWARD, o criador de maravilhas.

Saiba os principais detalhes da vida e carreira do escritor, suas dificuldades com a família, o romance platônico com Novalyne Price, escritora que poderia ter sido sua salvação, e o único filme que traça sua biografia, Um Amor do Tamanho do Mundo (The Whole Wide World), de 1996, baseado no livro One Who Walked Alone e estrelado por ninguém menos que o Rei do Crime da série do Demolidor, Vincent D’Onofrio.

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The Adventures of Conan: A Sword and Sorcery Spectacular

O sucesso do primeiro filme com Arnold Schwarzenegger alavancou na década de 1980 o que ficou conhecido posteriormente como ConanMania. A febre em torno do cimério se espalhou por países da Europa, América do Sul, Ásia (principalmente Japão, e claro, Estados Unidos.

Foram milhares de produtos relacionados ao bárbaro e a Universal Studios achou que poderia fazer um bom dinheiro com um show temático em seu parque. Assim, com o orçamento portentoso de cinco milhões de dólares, muito efeitos especiais e um alarde enorme, eles lançaram The Adventures of Conan, com o subtítulo A Sword and Sorcery Spectacular. A peça foi uma das iniciativas para celebrar os 20 anos de Tour nos Estúdios da Universal.

A peça tinha vinte minutos de duração e foi livremente baseada na história do filme. O palco foi preparado para se parecer com a Montanha da Perdição de Thulsa Doom. O par romântico de Conan foi substituído e Valéria cedeu lugar a Red Sonja, que na época estava fazendo relativo sucesso com suas HQs.

A história é simplesmente medonha, e envolve um mago e a tentativa de roubar seus tesouros. Uma confusão libera na terra um antigo demônio que parece invencível e só poderá ser detido por um homem: Conan, o Bárbaro. Incrivelmente, Conan não está presente na história desde o começo. O templo é invadido por Red Sonja e um jovem magrelo e só no meio da peça, após a libertação do demônio, é que esse jovem apanha uma espada mágica e ela o transforma no maior guerreiro de todos os tempos! O defeito especial é particularmente tosco, quando o rapaz é envolto por uma nuvem de gelo seco e desaparece, dando lugar a um ator forte e musculoso.

A peça estreou no Castle Theatre (local que já apresentou diversas montagens, incluindo Castle Dracula e Spiderman Rocks) em junho de 1983 e foi um grande sucesso, sendo encenada por mais de dez anos, até maio de 1994, quando foi substituída por Cinemystique: Illusions of the Night (que não durou muito) e depois por Beetlejuice Graveyard Revue.

A peça foi produzida pela empresa Landmark Entertainment, que preparou um espetáculo com lasers e personagens animatrônicos gigantescos, controlados por computador. Apesar do esmero visual, é uma pena que a história não ajudasse. O elenco era composto por oito pessoas. Como o cast era rotativo, não há nomes divulgados sobre quem foram os atores que interpretaram os personagens. O ponto mais sensacional de tudo é que o músico Basil Poledouris, responsável pela trilha sonora dos dois longas-metragens originais do cimério, também criou a trilha para esta peça – que é sensacional. O raríssimo CD com a trilha está disponível hoje somente através do selo Super Tracks e contém duas músicas:

  1. The Adventure Of Conan (8:03)
  2. Sword And Sorcery Spectacular (16:32)

Conan: o Bárbaro – Crítica

Pois é, apesar da nossa torcida, principalmente tendo o Alexandre Callari como responsável pela tradução do espetacular romance de Robert Howard, Conan – o Bárbaro, temos que admitir que não foi desta vez que Conan ganhou o filme que merece. Nosso conselho? Compre o livro, pois o filme deixa a desejar.

Defendemos a escolha do diretor Marcus Nispel, por conta do trabalho que ele fez com os remakes de O Massacre da Serra Elétrica e Sexta Feira 13. Aprovamos também a escolha do ator, julgando sábia a opção de se distanciar da imagem consagrada (e insuperável) por Arnold Schwarzenegger, que iria gerar comparações imediatas. E ficamos aliviados quando saíram as primeiras fotos do set de filmagens, mostrando violência e nudez, além de cartazes oficiais que remetiam às pinturas originais de Frazetta.

Os problemas começaram com o trailer. Cenas forçadas, câmera lenta ultrapassada no estilo Matrix, pose e cara de mau, trilha sonora metal chupinhada de 300… Porém mesmo assim tinhamos fé na proposta, talvez pelo inabalável desejo de ver o cimério de volta as telas após um hiato de mais de vinte anos. Até, é claro, assistir o filme.

A película começa com uma narração igual à do longa original, desta vez na voz de Ron Perlman (canastrão ao extremo). Mas se o início é igual, logo o texto introduz a história de um artefato místico, uma máscara poderosa que garantiu a soberania do reino Acheron durante anos em um passado longínquo, espalhando uma era de terror e violência no continente Hiboriano. Por fim, os demais povos se uniram no melhor estilo O Senhor dos Anéis e derrubaram o reinado de Acheron.  Está achando clichê e batido até aqui? Fica pior! A máscara foi partida em sete pedaços e seus fragmentos escondidos pelo continente. Obviamente quem reunir a máscara irá ter o poder de controlar o continente e blá-blá-blá. Pois é, você já viu esse filme antes.

Corta para os cimérios. A mãe de Conan, no campo de batalha, parindo seu filho em uma cena constrangedora. Dá vontade de dar risada quando Perlman enfia sua faca suja e infectada nela para tirar o rebento de dentro e escutamos aquele barulinho de “gosma”. O moleque cresce com o estigma que todos conhecem, até sua vila ser atacada quando ele ainda era criança, em uma pobre recriação do massacre que ocorre no longa original. Mas se no Conan: O Bárbaro de 1982 o ataque a aldeia é parte fundamental do roteiro, já que leva à escravidão do cimério, a introspecção de sua personalidade, e ao seu desejo de vingança, aqui ele fica perdido, deslocado.

As lutas deixam a desejar, os atacantes praticam Le Parkour (é moda em todo filme agora), o jovem Conan é artista de circo e as maquiagens são babacas. Bom, o motivo do ataque é óbvio. Um feiticeiro fodão quer reunir os pedaços da tal máscara; um dos fragmentos é guardado pelo povo de Conan. O que os cimérios, povo bárbaro que detesta magia, estava fazendo com ele, não se sabe, mas o fato é que todo mundo morre e Conan cresce com o sonho de um dia se vingar. Porém algo parece deslocado, artifical, ao contrário da relação orgânica e viceral que o filme original estabelecia. Conan e Thulsa Doom tinham um elo jamais explícito em palavras, mas em atos e olhares, diferente do que ocorre nesta versão.

Bom, chega de contar uma história que se apoia em um fiapo de roteiro. Por que o filme é ruim? Vamos lá. Prá começo de conversa, vamos defender o protagonista, Jason Momoa. Muita gente se tranquilizou após ter visto a performance dele em Game of Thrones, achando que ele entregaria um Conan sensacional. Já aviso, ele está melhor na série de TV do que aqui, porém não é ele que compromete o filme. Seu trabalho não é magnífico e em vários momentos o ator até cria um herói antipático e chato, porém, se o filme fosse bom, passava batido. A atuação, infelizmente, não é o suficiente para salvar a película. Ele se esforça e está aparente que o homem imaginava que esse seria o mesmo passaporte para o sucesso que foi para Arnold.

O principal problema é mesmo o roteiro, cheio de furos e clichê, parece uma colagem incessante de cenas cujo único objetivo é mostrar que Conan é “o cara”. Logo as referências aos quadrinhos cessam e os roteiristas acreditam que o simples fato de mencionar A Torre do Elefante é suficiente para agradar os fãs. Não é! Primeiro por que essa é uma referência óbvia, segundo por que referências são curiosidades e não tábua de salvação para um trama preguiçosa. Os personagens são fracos; Tamara (Rachel Nichols), o interesse amoroso do cimério, não chega aos pés do carisma da guerreira Valéria do filme anterior e Stephen Lang até tenta, mas nem arranha James Earl Jones. O vilão Khalar Zym não passa de um psicopata com poderes, diferente da complexidade e profundidade que Jones trazia ao seu Thulsa Doom. Rose McGowan passa ridículo como a feiticeira Marique, tanto “atuando”, quanto visualmente; o certo mesmo deveria ter sido seguir em frente com o filme Red Sonja, ao invés de cancelá-lo para participar deste festival de mau gosto (não que a culpa tenha sido dela, claro).

Há cenas que são vergonha alheia, como uma cabeça cortada que cai no chão e abre os olhos, muito sangue em CGI e diálogos que só não são piores do que a trilha sonora – sem dúvida a mais horrorosa dos últimos anos. Marcus Nispel prova o que todos já sabem: lidar com 3D não é assim tão fácil. Na verdade, trabalhar com efeitos especiais não é fácil, pois se o diretor e a equipe técnica não souberem o que estão fazendo, o resultado fica como o visto aqui. Há momentos que não são melhores do que telefilmes. A iluminação é escura em diversas cenas, confundindo o expectador.

Conan: O Bárbaro foi um dos mega-fracassos do ano, o primeiro filme em 3D a naufragar, o que mostra que o público não está mais topando gato por lebre. De certo modo, isso é positivo. A franquia precisa ser repensada e reiniciada do zero, tal qual aconteceu com Batman. Se o filme fizesse dinheiro, correríamos o risco de ver uma continuação (como Lanterna Verde).  É uma pena que, em épocas de Game of Thrones, o maior bárbaro da história ganhe uma adaptação tão vergonhosa.

É fácil pagar mico em filme de herói!

Vivemos o auge das adaptações de HQs para o cinema. Os estúdios bancam filmes exorbitantes sem piscar, sabendo que mesmo que eles sejam ruins (Quarteto Fantástico, Motoqueiro Fantasma, Demolidor, O Incrível Hulk…) darão um bom retorno de bilheteria. Na verdade, nem sempre foi assim. Na década de 90, filmes de heróis sofriam com orçamento que se comparados com os de hoje, são risíveis. Por exemplo, o Justiceiro com Dolph Lundgreen custou 10 milhões de dólares e o próprio Batman de Tim Burton, 48 milhões. Passa longe de quantias como O Cavaleiro das Trevas e Watchmen, não é verdade?

Mas este post não é para discutir orçamento, e sim para mostrar que desde a década de 30, a galera sempre pagou mico fazendo filme de super-herói – o que prova que eles não são assim tão simples de serem feitos. Então vamos lá, aos micos:

Sylvester Stallone – O Juiz

A intenção era boa. Após um período de baixa em sua carreira no final da década de 1980, Stallone voltou com tudo em 1994 e engatou bons filmes que fizeram bastante sucesso, como Risco Mortal e O Demolidor. Aí alguém deve ter falado para ele que existia um policial inglês, sucesso entre o público underground, que vivia num mundo maluco onde policiais são juízes, júris e executores. Bela premissa, não? Assim, em 1995, Sly lançou esta bomba – e de quebra conseguiu arrastar alguns atores de respeito, como Armand Assante, Max Von Sydow e Diane Lane. E, claro, um ator do quilate de Stallone jamais poderia ficar sem mostrar o rosto, então lá está ele sem máscara durante metade do filme – o que nunca aconteceu nas HQs.

Billy Zane – O Fantasma

Ok, você vai dizer que a carreira inteira de Billy Zane é um mico completo – e eu vou ter que concordar. Mas também vamos dar um desconto para o cara, pô. Sem ele, Titanic não teria sido a metade da diversão que foi e ele conseguiu contracenar com Tom Berenger em O Atirador nos bons tempos do homem! Isso quase apaga as outras 100 porcarias que ele estrelou (eu disse quase), mas neste O Fantasma ele realmente conseguiu se superar. Nada, sem brincadeira, nada se salva nesta incrível porcaria, dirigida por Simon Wincer, em 1996. E ele levou consigo para o buraco Treat Williams, Kristy Swamson e uma Catherine Zeta-Jones ainda em começo de carreira.

Christopher Reeve – Superman IV: Em Busca da Paz

Sabe aquela famosa história sobre relacionamentos? Os primeiros anos são maravilhosos, de repente tudo começa a dar uma estremecida, até entrar naquela fase terminal em que a coisa simplesmente explode? Pois é! Foi o que aconteceu aqui. Esta porcaria sem igual produzida pela Golan-Globus (na boa, essa dupla de judeus picaretas ainda vai ganhar um post só seu aqui) faz com que Superman III pareça uma obra de arte. E olha que naquele tinha até Richard Pryor como alívio cômico… Bom, esta bomba de 1987 não fez Reeve pagar mico sozinho, o elenco principal dos outros filmes veio junto, inclusive Gene Hackman e Margot Kidder. E o fracasso foi tão grande que foi a partir dela que os estúdios começaram a ficar reticentes em apostar em produções baseadas nos filmes de heróis.

Talisa Soto – Vampirella

Quando anunciaram o filme da Vampirella, eu fui o primeiro a dar pulos de alegria. Pena que as notícias seguintes não foram nem um pouco animadoras. No papel principal, Talisa Soto. Ok, ela tem um rosto bonito, porém estamos falando de Vampirella, caramba, e todos sabem que 90% dos quadrinhos dela se baseiam em, bem, em certos atributos que Talisa não tem. Mas tudo bem, vamos dar crédito. Aí anunciam o vilão, Roger Daltrey, do conjunto The Who. Cacete, fala sério. Então sai a primeira foto de Talisa e vemos que qualquer cosplay vagabundo é melhor desenhado que o uniforme da alienígena vampira. O diretor é Jym Winorski que conseguiu a façanha de dirigir mais de 80 títulos na carreira – todos pérolas. Enfim, nada se salva neste lixo incomensurável de 1996, com uma história ridícula, que se leva a sério e nem sequer tem os momentos divertidos dos filmes trash.

Josh Brolin – Jonah Rex

Caraca, o que poderia dar errado? Brolin interpretando um pistoleiro durão e desfigurado. A gostosa do momento Megan Fox para encher os olhos do público masculino. John Malkovich de vilão. Um dos mais amados personagens secundários da DC Comics? Bem, por mais que a fábula pareça bonita, tudo deu errado neste equívoco de 2010. Roteiro? Bad! Atuações? Bad! Figuro? Bad! Direção? Bad! Fotografia? Bad! Trilha Sonora? Bad! Cara, na boa, poupe a si próprio duas horas de nervosismo e jamais assista este lixo!

Jennifer Garner – Elektra

Quando o filme do Demolidor estreou, mesmo as pessoas que falaram mal (e olha que foram muitas) concordaram em uma coisa: se tinha algo que se salvava era a escolha de Jennifer para o papel de Elektra. Quando a Marvel deu sinal verde para o filme solo da ninja, eu imagino que ela deve ter dado pulos de felicidade. O diretor era Rob Bowman que vinha do sucesso Reino de Fogo (um bom filme de dragões) e estava querendo dar o pulo para fora da televisão, pois ele sempre foi um desses diretores anônimos de séries de TV. Ledo engano – o filme Elektra sepultou as chances dele e o arremessou diretamente de volta para a telinha. O mais incrível é que o cara se diz fã da personagem, e conseguiu transformar a maior ninja assassina da história dos quadrinhos em uma menina chata e chorona. E até Jennifer (normalmente competente), por mais perfeita que estivesse fisicamente, está canastrona ao extremo neste filme de 2005. Quem mais foi arrastado para esta vergonha alheia? Nada mais, nada menos que Terence Stamp – um daqueles atores soberbos e sérios que chega numa determinada altura da carreira e não sabe mais o que fazer!

Shaquille O’Neal – Aço

Tudo bem, ele pode ter sido um dos grandes gigantes do basquete de todos os tempos. E pode até ser que nas quadras, Shaquille nunca pagasse mico. Mas aqui… Bom, dá para sentir que é uma ideia de girico desde o começo, um filme de um personagem de quinta categoria, dirigido por um diretor de quinta categoria (Keneth Johnson, que praticamente só fez séries de TV na vida), com um ator que não é ator. É, meus caros, o resultado: um orçamento de 16 milhões de dólares e uma renda de… 1 milhão e setecentos. Pois é, mais um chute no saco que a Warner deu em si própria.

Lou Ferrigno – Hércules

Todo mundo se recorda de Lou no papel do Hulk, na série de TV, mas na verdade ele fez muitos filmes de ação. Foi Simbad no cinema, chegou a fazer uma ponta na série do Conan e tem um filme verdadeiramente ótimo, Cage, no qual contracena com Reb Brown (o Capitão América da década de 70). Mas ele teve a infelicidade de se envolver com o “diretor” italiano Luigi Cozzi que, em 1983, queria dar a sua versão do mito do mais famoso herói grego. E sabe do que mais? Hércules é ruim de doer, mas até que dá para se divertir. Mas o pior ainda estava por vir… Dois anos depois, aparentemente Lou e Luigi acharam que o filme anterior não foi ruim o suficiente e resolveram filmar uma sequencia: As Aventuras de Hércules.

(Pausa para um silêncio constrangedor)

Meu amigo, vou te contar uma história… Esse filme é horrível. Terrível. Pavoroso. Lamentável. Os críticos no mundo inteiro ficaram tão abalados que o longa é comumente citado entre os primeiros lugares em listas de piores filmes da história!!!  A coisa foi tão feia que Luigi foi literalmente arremessado para a televisão depois dessa porcaria – e lá permaneceu por um bom tempo; ele ficou tão marcado que seus filmes seguintes não foram creditados e depois ele passou a usar um pseudônimo.

Buster Crabbe – Buck Rogers

Novamente uma ideia que parecia boa. Em meio ao grande boom que houve a partir do final da década de 30, no qual quase todos os heróis da época foram levados ao cinema, tivemos pelo menos uma obra prima: Flash Gordon, com Buster Crabbe, de 1936. Tudo funcionou naquela série – atuações, roteiro, diálogos, efeitos – então nada mais lógica que repetir a fórmula usando o mesmo galã três anos depois, num personagem parecido. Mais uma vez me pergunto se produtores tem, de fato, cérebro. Afinal o que os faz pensar que tudo o que funcionou anteriormente daria certo novamente em uma cópia deslavada, com o orçamento pela metade? Crabbe (que inclusive já tinha vivido outro ícone, Tarzan), pagou um mico violento nesta série ridícula.

David Hasselhoff – Nick Fury: Agente da Shield

Um cara como David com certeza nunca se preocupou muito com canastrice, afinal ele era o astro de Baywatch! Mas neste filme feito para a televisão em 1998, ele realmente se supera. O interessante é que está na cara do astro que ele achava que realmente estava fazendo algo bom – e o tanto que leva a sério seu papel torna-se um atrativo a parte no filme. Se você estiver disposto a dar umas boas risadas, só as caras e bocas dele já valem a sessão, que precisa ser regada a pipoca e guaraná. Se você for um daqueles fãs xiitas do personagem, passe longe, pois só irá se irritar.

Brigitte Nielsen – Guerreiros de Fogo

Tive a chance de rever este filme recentemente e cheguei a uma conclusão: apesar de guardar imagens de minha adolescência de que havia algumas coisas de divertido nele, nada mais era que uma projeção (sei lá do que). Não tem nada de bom neste filme. Nada. Necas. Pitica de nada. O filme é uma merda do começo ao fim. Não vale nem para ver Sandhal Bergman usando roupas de guerreira (para ver isso eu assisto Conan, o Bárbaro, oras). Este filme desvirtua completamente a caracterização da Red Sonja, personagem de Howard dada por Roy Thomas e foi uma “bela” estreia para Brigitte Nielsen, que depois fez um monte de filmes “bons”, como Stallone Cobra e Assassinato na Lua. Minha nossa, o filme tem também Schwarzenegger em um de seus piores momentos, no papel de Kalidor (um bárbaro genérico). Uma bomba de 1985 dirigida por Richard Fleischer que, em sua carreira, teve momentos brilhantes, como Viagem fantástica, O Homem que Odiava as Mulheres, Tora! Tora! Tora!, e Barrabás.

Dolph Lundgreen – Mestres do Universo

Ele chamou a atenção como o russo indestrutível que dá uma surra em Stallone em Rocky IV, então a Golan-Globus (de novo eles) acharam que este gigante seria a escolha certa para viver nas telas o personagem He-Man – então no auge de seu sucesso. Não me levem a mal, Lundgreen teve seus bons momentos e alguns filmes de respeito, como Homem de Guerra.  Na verdade, por um momento, eu até cheguei a pensar que ele daria um passo acima na carreira e conseguiria deixar de ser só um brucutu, pois o cara parecia estar se esforçando mesmo para atuar. Seu Justiceiro, apesar de ruim prá diabo, foi o primeiro passo, mas depois ele criou um psicopata interessante em Soldado Universal, e principalmente, em Johnny Mnemonic, ele surpreendeu como o Profeta. Mas depois tudo deslanchou. E quer saber, não dá para esquecer a imagem dele com aquele cabelinho cheio de água oxigenada e correndo num figurino ridículo. Mestres do Universo (que incrivelmente eu adoro – afinal todos temos os trashs que amamos) é ruim de doer, e muita gente boa colapsou neste embaraço de 1987: Courteney Cox (antes de seu sucesso com Friends), Chelsea Field (que daí para frente só conseguiu participar de produções C), Meg Foster e incrivelmente Frank Langella – um dos grandes atores de sua geração, excepcional em Frost/Nixon, que até que convence no papel de esqueleto.

Gerard Christopher – Superboy

Se muita gente acha ruim Smalville hoje em dia, tenho que dizer uma coisa: esta série faz com que o atual seriado do homem de aço (e até mesmo As Aventuras de Lois & Clark) seja uma obra prima. Sério. E incrivelmente esta tranqueira durou quatro anos, de 1989 a 1992. Bom, desnecessário dizer que a filmografia do ator, daí para frente, foi ladeira abaixo. Na verdade a série começou um ano antes, com John Newton no papel principal, porém após 26 episódios o cara foi despedido alegadamente por motivos contratuais e Gerard assumiu. Graaaande mérito. No papel de Lana Lang, a igualmente bela e desprovida de talento, Stacy Haiduk, que até hoje tenta se destacar na TV.

Sean Connery – A Liga Extraordinária

Pode um filme ser tão ruim, mas tão ruim, mas tão ruim a ponto de jogar um dos maiores atores da história do cinema para a aposentadoria e o deixar tão traumatizado que ele se recusou de sair dela até para estrelar o novo Indiana Jones (não que ele estivesse de todo errado)? Pois é, este filme conta com um bom elenco incluindo Stuart Townsend e uma de minhas favoritas Peta Wilson (reconheço que tenho o DVD só por causa dela), porém a verdade é que ele parece uma piada de mau gosto. Produzido em 2003 e “baseado” nos quadrinhos sensacionais de Alan Moore, o filme literalmente sepultou a carreira de Connery e também do aspirante a diretor Stephen Norrington, que havia acertado a mão no primeiro Blade (em 1998), mas de lá para cá não conseguiu dirigir mais nada. O mais triste foi escutar uma declaração de Connery antes do lançamento do filme dizendo que ele havia recusado papéis em Matrix e O Senhor dos Anéis, então desta vez não ia deixar passar um mega-sucesso! Coitado, fala sério se isso é forma de terminar uma carreira tão incrível quanto a dele?

Frank Miller – Spirit

Putz, não podia deixar de citar esse, não é? Vamos ser sinceros, quanto tempo faz que Miller não cria algo que preste. Todos são coniventes e pacientes com ele por causa de tudo que ele fez no passado – que é espetacular – mas acho que a última coisa boa que ele fez de verdade foi Sin City (a HQ). Aí ele se mete a diretor (só por que Robert Rodriguez, dando uma de fã babão, lhe deu a cadeira de co-diretor no filme Sin City) e pior, resolve adaptar um dos melhores quadrinhos da história: The Spirit. O resultado? Pavoroso. Ele consegue de uma só vez criar (mais) um momento constrangedor para Samuel L. Jackson, queimar as divas Scarlett Johansson, Eva Mendes e Jaime King, implodir a carreira do ator principal Gabriel Macht e ainda vetar todas as suas chances de continuar atuando como diretor em Hollywood. E não é para menos, esta porcaria de 2009 faz com que o longa-metragem feito para a televisão em 1987 com Sam Jones seja uma obra prima. Tiveram poucos filmes que eu desliguei na metade (odeio fazer isso por questão de princípios, não se deve criticar algo que você não viu), e este foi um deles. Na boa, eu já tinha visto o suficiente.

MENÇÃO HONROSA:

Halle Berry – Mulher-Gato

A síndrome do Oscar… Acontece sempre. Atores e atrizes ganham o cobiçado prêmio e de repente começam a fazer as piores escolhas possíveis na carreira (e entregar também as piores atuações). Mas não vou me alongar muito falando sobre Mulher-Gato aqui, afinal todos vocês conhecem essa bomba. De quebra Sharon Stone pagou um micaço nesse longa e também Benjamin Bratt (e eu que o respeitava por causa de Lei e Ordem…). Bom, mas o que esperar de um diretor chamado Pitof? Sabe o que mais, esse maluco conseguiu dirigir mais um filme para a televisão em 2008, quatro anos após ter assassinado a inimiga mais legal do Batman (algum louco deu a ele outra chance) – e ele fez uma porcaria tão grande quanto. Fire and Ice – The Dragon Chronicles faz com que os filmes de Uwe Boll tenham algum sentido.

E O PRÊMIO VAI PARA… JOEL SCHUMACHER

Batman Eternamente/Batman & Robin

Pois é, imagina que você junta para o elenco de um filme Val Kilmer (em seu auge), Jim Carrey, Tommy Lee Jones, Nicole Kidman, Michael Gough, Drew Barrymore e, ok, comete uma gafe e chama Chris O’Donnell.

E aí para o filme seguinte consegue George Clooney, Arnold Schwarzenegger, Uma Thurman, parte do elenco anterior, e ainda a linda Elle Macpherson e Alicia Silverstone para agradar os adolescentes da época (ei, ela fez até clipe do Aerosmith).

Fenômeno similar ocorreu com Supergil, de 1984, que juntou no mesmo lixo Peter O’Toole, Mia Farrow, Faye Dunaway e Brenda Vaccaro (todos iludidos pelo sucesso de Superman), mas os feitos de Schumacher tornam este longa uma verdadeira obra de arte.

 Pois é, ele conseguiu fuzilar todos aqueles nomes ao mesmo tempo e de quebra consegue sepultar no cinema por uma década um dos maiores personagens de todos os tempos, o homem morcego e como se não bastasse, cria nos estúdios um medo maior de investir em filmes de heróis do que aquele causado por Superman IV. E o mais abismal é que essas duas porcarias deram lucro! Isso mesmo, os filmes foram bem de bilheteria. Schumacher pode ter muitos acertos na carreira, como Os Garotos Perdidos, Por um Fio, Tigerland, 8mm, Tempo de Matar e Um Dia de Fúria, mas mesmo que ele filmasse um novo Cidadão Kane, nada conseguiria apagar o constrangimento que esses dois filmes causaram.

Não concorda com algo? Esqueci de alguém? Pô, comenta abaixo sua opinião.