CANNON, de Wallace Wood

A Guerra Fria se aquece numa explosão de sexo e violência! John Cannon, programado para ser o soldado perfeito, é um herói norte-americano que faz James Bond e Jason Bourne parecerem dois molengas! Em suas diversas missões, Cannon se depara com torturas sexuais, tiroteios, explosões, brigas por ciúmes, cirurgias plásticas de improviso, Hitler, sexo casual, bombas nucleares, mulheres peladas, ataques aéreos e mais mulheres peladas!

A criação máxima do celebrado quadrinista norte-americano Wallace Wood chega ao Brasil pela primeira vez na íntegra, em um luxuoso álbum em formato widescreen, que compila as aventuras do agente secreto mais casca-grossa que já existiu. Dá para sentir o cheiro de pólvora e testosterona em cada página enquanto o espião destrói
os inimigos dos Estados Unidos e luta pela democracia no mundo!

Cannon representa um resgate histórico precioso  ̶  é uma das pouquíssimas revistas que foram produzidas fora das rígidas regulamentações do Comics Code Authority, o famigerado código de censura de quadrinhos dos EUA, em vigor desde meados da década de 1950. É uma HQ audaciosa, que rompeu barreiras e estabeleceu tendências, e que mostra um gênio no auge de seu ofício. As tiras (que contam uma história contínua) foram produzidas entre os anos de 1970 e 1973, e publicadas originalmente no jornal Overseas Weekly, distribuído exclusivamente aos soldados norte-americanos durante a Guerra do Vietnã.

Com desenhos deslumbrantes, situações tão imaginativas que se tornam absurdas, as melhores femme fatales já criadas para os quadrinhos e muita coragem, esta obra traz o sentimento revolucionário do Cinema Exploitation, os exageros deliciosos dos heróis de ação dos anos 1970 e 1980 e a mesma violência estilizada que é característica de cineastas como Sam Peckinpah e Quentin Tarantino.

SOBRE O AUTOR

Wallace Wood é considerado um dos artistas estadunidenses mais importantes de todos os tempos. Dono de um estilo tão marcante e devastador quanto sua personalidade, trabalhou para todas as grandes editoras de HQs de seu país, tendo feito contribuições vitais para o mercado. Foi o criador do clássico uniforme vermelho do Demolidor e trabalhou em vários outros personagens da Marvel, incluindo os Vingadores. Para a DC Comics, produziu histórias do Superboy, da Turma Titã e da Poderosa, cujo visual definitivo também criou. Wood teve uma fase marcante na EC Comics e na Warren Publishing, para as quais produziu memoráveis histórias de terror e ficção científica. Ao lado de sua série erótica Sally Forth, Cannon é considerado uma de suas obras-primas.

“O lendário artista [Wallace] Wood brilhou em todos os gêneros de quadrinhos: humor (ele foi um dos primeiros artistas da MAD), terror, super-heróis, guerra… e sua influência pode ser percebida no trabalho da maioria dos artistas de hoje em dia.”
– Gordon Flagg, Booklist

 

“Pow! Zam! Os quadrinhos não são mais para crianças por causa de Cannon! Cannon é como uma porrada na cara com um salame feito de cimento. Achou essa descrição feia? Espere até ver a cara feia de Cannon! E as garotas? Puro estilo Wood, claro! Do que mais você precisa?”
– Gilbert Hernandez

 

“Não nego para ninguém minha predileção por Cannon.”
– Daniel Clowes

 

“É igual Moscou Contra 007, só que com mais sexo e helicópteros explodindo.”
– Comics Alternative

 

“Um título visualmente arrebatador!”
– Forbidden Planet

 

“Aqui, Wood cimenta seu lugar como um criador de quadrinhos realmente icônico.”
– Big Comic Page

 

 

FICHA TÉCNICA

Cannon, de Wallace Wood
Editora: Pipoca & Nanquim
Especificações: 276 páginas em preto e branco, capa dura, formato 19 x 28 x 2,4 cm, miolo em papel offset 120g/m2.
Tradução: Marília Toledo
Preço sugerido: R$ 99,90

COMPRE AQUI: http://amzn.to/2sYIBf3

War: Histórias de Guerra de Rodolfo Zalla – Se Não Leu, Leia!

No dia 02 de Novembro de 2010 desci boa parte da Av. Brigadeiro Luiz Antonio no centro de São Paulo para chegar ao apartamento de um grande ídolo, havia conseguido através da ajuda do jornalista Gonçalo Junior uma entrevista com o mestre Rodolfo Zalla.

Após tomar um café, entrei em seu estúdio, que já fora o escritório da editora D-Arte, forrado de livros e documentos de referências, volumes encadernados de suas principais obras e alguns quadrinhos de gente do quilate de Al Capp, Hal Foster, Milton Caniff e Moebius (especialmente os volumes do faroeste Blueberry). Zalla me pediu desculpa, mas teria que conversar enquanto trabalhava. Pedir desculpa por isso?! Para mim foi uma grande honra estar ali assistindo a confecção artesanal de uma de suas páginas em quadrinhos, tudo feito minuciosamente com lápis, nanquim, crayon, pincel e dedos borrados, assim como sempre fez desde 1948, quando começou a desenhar e desde então nunca parou.

Conversamos sobre seu início de carreira lá em 1953 quando ainda morava na Argentina e passou a colaborar para o estúdio de Carlos Clémen e posteriormente como conseguiu ser publicado nas revistas Frontera e Hora Cero que pertenciam ao genial roteirista Héctor Germán Oesterheld, também contou sobre a crise econômica Argentina em 1963, que arrasou o mercado editorial e o fez vir para o Brasil. Com um talento indubitável logo passou a colaborar com as editoras GEP, Outubro, Jotaesse e agências de publicidade até que em 1967 fundou ao lado do amigo Eugênio Colonesse o Estúdio D-Arte, pois se ajudando conseguiriam cumprir o prazo maluco das editoras com as quais conseguiam contratos, lembrou que naquela época faziam duzentas, até trezentas páginas por mês, era o auge dos quadrinhos de guerra e terror, mas o estúdio só funcionou até 1969. Zalla decidiu se dedicar à ilustração livros didáticos e trabalhou por muitos anos no IBEP.

Durante a década de 70 e início da 80 cuidou das histórias do Zorro publicados pelas Editora Abril, seu traço deu vida ao heróis mascarado por cerca de sete anos.

Em 1981 decidiu retomar o D-Arte, mas iria além, inaugurou a  Editora D-Arte,que se sagrou uma das melhores editoras a publicar histórias de terror aqui no Brasil, graças ao seu invejável time de artistas, Jayme Cortez, Rodval Matias, Flavio Colin, Julio Shimamoto, Mozart Couto, Colonesse, só para citar alguns! A editora entrou no mercado lançando o faroeste Johnny Pecos e a antologia de terror Calafrio, a primeira teve vida curta, apenas quatro edições, a segunda e Mestres do Terror duraram, apesar das intempéries do cenário econômico brasileiro, até o 1992. Hoje em dia são consideradas verdadeiras obras-primas do terror. Zalla para conseguir manter o funcionamento da editora se desdobrava como podia, disse que se conseguisse produzir 50% de cada revista era possível mantê-las em circulação, para isso fazia parte das artes, roteiros, capas e letras para baratear o processo. Mas infelizmente a editora fechou suas portas em 1993.

De lá para cá sua arte estampou ocasionalmente alguns trabalhos em publicidade e livros didáticos.  A Editora Opera Graphica lançou os álbuns Calafrio – 20 Anos Depois (que contém um fantástico histórico dessa editora escrito por Gonçalo Junior) republicando algumas das melhores histórias que saíram na clássica revista e O Desenho Magnífico de Rodolfo Zalla, onde o mestre conta e mostra suas técnicas de desenho.

Em 2010 a Ediouro lançou Chico Xavier em Quadrinhos, ilustrada por Zalla e com roteiros de Franco de Rosa e a editora Sarandi lançou em ampla tiragem Lula – Luiz Inácio Brasileiro da Silva.

Depois de uma tarde ouvindo essas histórias ele autografou meu exemplar de Johnny Pecos #1 e me presenteou com um A Arte De Rodolfo Zalla, tiramos uma foto e sai de lá ainda mais fã, pois além de talentoso, Zalla é de uma humildade e gentileza rara.

Isso tudo nos traz ao principal motivo desse texto, o recente lançamento do álbum War – Histórias de Guerra pela Editora Kalaco, do qual eu não poderia deixar de comentar.

O volume apresenta 16 histórias com traçado de Zalla, em roteiros próprios e de alguns parceiros, inclusive Oesterheld. Algumas são HQs inacessíveis há mais de 40 anos, como obras que foram originalmente feitas para a versão brasileira da revista Blazing Combat e as histórias do Pelotão Suicida criado pelo artista em 1966.

Como são histórias principalmente da década de 60, leitores mais novos acostumados a quadrinhos modernos de super-heróis repletos de onomatopéias, splash-pages, ritmo alucinante talvez estranhem de começo, ainda mais por conta das expressões e gírias daquele período. Mas não se engane, essas marcas do tempo dão um charme a mais a obra e a torna ainda mais realista. Também não espere histórias fechadas com final felizes, pois essa é uma HQ sobre guerra!

Além disso tudo o desenho magistral de Zalla não tem idade, seu nanquim em preto e branco é de fazer inveja na maioria dos desenhistas surgidos nos últimos trinta anos.

Com uma bela entrevista de Zalla como introdução essa obra é altamente recomendada para aqueles que há muito tempo acompanha a sua carreira e também para aqueles que ainda não foram devidamente apresentados a esse grande mestre dos quadrinhos.

Em tempo: Cabe dizer que o editor da Kalaco é Franco de Rosa, um dos responsáveis pela extinta Opera Graphica, por isso a semelhança de conteúdo e editorial entre as duas, Flash Gordon, Fantasma, agora a série War, que inclusive publicou um volume com o exato nome War – Histórias de Guerra mas com arte de Eugenio Colonnese e roteiros de Luiz Merí.

War – Histórias de Guerra
Autor: Rodolfo Zalla
Editora: Kalaco
192 páginas P/B
R$ 39,90
Distribuição exclusiva da Comix Book Shop

Entrevista com Celso Menezes, autor de Jambocks!

Olá, leitores!

Hoje vocês irão conferir mais uma excelente entrevista aqui no Pipoca, dessa vez batemos um papo com Celso Menezes, roteirista de Jambocks! a excelente HQ que aborda a participação da FAB (Força Aérea Brasileira) na Segunda Guerra Mundial. Imperdível para quem gosta de uma boa história sobre guerra! 

A prazerosa conversa passou por temas diversos como, parceria com o artista Felipe Massafera, pesquisas e referências históricas para o projeto, condições dos veteranos após o conflito,  ProAc (Programa de Ação Cultura, que aliás irá continuar incentivando os quadrinhos em 2011!),  MSP Novos 50 e até um TOP5 Quadrinhos de Guerra. 

O Celso Menezes é um cara tão gente fina que além da conversa franca, disponibilizou com exclusividade ao Pipoca e Nanquim, seu projeto do Jambocks vencedor do ProAc 2010, para vocês analisarem e usá-lo com base para elaboração de um. 

Espero que gostem.
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Olá, Celso! Obrigado por topar a entrevista. 

Conta pra gente um pouco da sua história e quando começou a gostar de quadrinhos. 

Eu comecei a gostar de HQs desde criança. Pra minha sorte meu pai gostava de quadrinhos e isso foi essencial para eu tomar gosto pela coisa bem cedo. Pra minha sorte e azar dele já que eu acabei destruindo algumas HQs de sua coleção. Mas eu cresci lendo coisas de ótima qualidade como Will Eisner, Moebius, coisas da Metal Hurlant (A Heavy Metal francesa.. que eu só via as imagens já que até hoje as únicas palavras que sei em francês são croissant e abajour). Como quase todos os nerds, eu separava uma parte (se não toda) do dinheiro pra comer na escola pra comprar HQs. Por muito tempo colecionei Turma da Mônica, Disney e Os Trapalhões. Mais tarde vieram os heróis e nunca mais parei, sempre procurando coisas novas, velhas, diferentes e iguais. 

Minha história não é interessante. Resumindo sou um nerd formado em publicidade que agora, aos 32 anos teve seu primeiro livro publicado. Mas minha biografia – que tem na orelha do Jambocks – é mais precisa, para quem possa se interessar… 

Como surgiu a idéia de ambientar seu primeiro roteiro de quadrinhos na participação dos brasileiros na Segunda Guerra? 

Eu me mudei pra Mogi Mirim por causa da minha namorada e vi uma matéria sobre o Felipe no jornal da cidade. Na mesma semana saiu uma Mundo dos Super-Heróis com capa dele. Pensei “hmmm.. acho que achei um cara pra conversar sobre quadrinhos aqui em Mogi..”. Eu já tinha até sido apresentado pra ele por um amigo em comum, mas quando esse amigo disse que ele era um “grande desenhista” eu achei que era exagero, nem dei bola. Eu adicionei ele no MSN (que saiu na Mundo) e em cinco minutos já estávamos bolando alguns projetos. Logo em seguida fui visitar meu pai e achei uma National Geographic falando sobre o Brasil na 2ª. Guerra e pensei “poxa, tai um assunto legal e que não é explorado”. Aí comentei isso com o Felipe e ele ficou louco. Falou “vamos fazer uma HQ sobre a participação da FAB (Força Aérea Brasileira) na 2ª. Guerra!!”. Nem acreditei que ele tinha se interessado. Fiquei muito feliz com a empolgação dele. Depois que eu descobri que o irmão dele é da Aeronáutica. E isso acabou direcionando o projeto para falar só sobre a FAB (mas vai ter algumas citações sobre a FEB, a Força Expedicionária Brasileira). 

 

O Felipe Massafera caiu como uma luva para a arte do álbum, seus desenhos são arrasadores! 

Eu tive a idéia de fazer algo sobre a participação do Brasil na guerra, mas nem imaginei que ele fosse se interessar já que os projetos dos nossos sonhos eram todos baseados em cultura pop norte-americana. Fiquei realmente surpreso com a reação dele. E imagina a minha felicidade de ver essa empolgação. A nossa idéia, originalmente, era gastar uns cinco anos fazendo o Jambocks e depois apresentar para alguma editora, mas logo que tivemos a idéia surgiu o Proac, a gente ganhou e tivemos que mudar totalmente o cronograma. Eu penso, hoje, que se o Proac não tivesse surgido é capaz que o Jambocks nunca existisse. Em primeiro lugar porque o Felipe está cada dia mais ocupado (atualmente ele está fazendo uma mini-série do Abin Sur pra DC Comics, além de algumas capas do Lanterna Verde) e em segundo lugar porque os poucos veteranos vivos já estariam mortos dentro de uns 5 anos. Então eu acredito que tudo deu certo na hora certa para que o projeto existisse e fosse feito pelo Massafera. 

E pra mostrar como funciona o nosso esquema, na prática, no Jambocks, eu criei este post aqui

 

E as pesquisas históricas, deram muito trabalho? 

Deram, sim. E só foram possíveis graças ao prêmio do Proac. Algumas pessoas questionam que a gente ganhou dois Proacs, que o Proac deveria abrir espaço para pessoas que nunca publicaram e tal. Eu concordo plenamente. Inclusive eu ganhei o primeiro Proac sem nunca ter publicado nada na vida. Mas acontece que um projeto deste porte, pra ser bem feito, precisa de dinheiro. E eu e o Felipe somos muito perfeccionistas, vocês não imaginam o quanto. Tudo que aparece no Jambocks! aconteceu de verdade. E sai caro você fazer uma boa pesquisa. Os poucos veteranos que estão vivos moram predominantemente no Rio de Janeiro e nós somos do interior de São Paulo. Os (poucos) livros sobre a FAB não contam algumas coisas que você só fica sabendo ao falar pessoalmente com alguém que esteve lá. Ou até contam coisas que não são reais. Tem uma passagem que eu já vi três versões diferentes sendo que duas delas foram contadas pela mesma pessoa. Então, mesmo lendo livros e pesquisando você pode cometer erros. O Jambocks, antes da pesquisa, ia ser uma edição só. Quando eu fui pro Rio fazer a pesquisa de campo percebi que seria injusto não contar algumas coisas e no final decidimos contar em quatro partes. E a pesquisa nunca acaba. Semana passada comprei um livro raro escrito por um dos pilotos que traz algumas coisas que eu desconhecia. Aliás, o Proac ajuda e viabiliza o projeto, mas eu, por exemplo, gastei muito dinheiro do bolso com viagens e material de pesquisa e o Felipe não cobrou nada pela arte (ele ganha uma pequena porcentagem pelas vendas, como eu). Nós fazemos por amor aos quadrinhos e pela importância que acreditamos que o tema tem. 

Lembro que há alguns anos, assisti o excelente documentário Senta a Pua! dirigido por Erik Castro e baseado no livro do brigadeiro Rui Moreira Lima e era claro nos relatos dos veteranos a tristeza do esquecimento e o descaso de todos pela história deles. Você chegou a conversar com alguns desses veteranos né?! O que eles acharam do projeto? 

Então. Quando eu resolvi ir pro Rio tive a imensa sorte de topar com dois caras que me ajudaram pra caramba. Um é o historiador Fernando Mauro e o outro é o Luis Gabriel, dono do site “sentandoapua.com.br” e filho de veterano. Eles me apresentaram para os veteranos (como o Rui Moreira Lima, que você citou) e me contaram várias histórias que não estão nos livros. Mas o que você disse é verdade, há um descaso generalizado pelos combatentes brasileiros. E não é só por nós, civis. Eu enviei diversos e-mails para setores da FAB e não tive respaldo algum para fazer minhas pesquisas. Não estou nem falando de dinheiro. Estou falando de ajuda para solucionar dúvidas, por exemplo. E o documentário do Erik de Castro pelo menos deu um pouco de dignidade para esse pessoal, que estava morrendo sem ter seu valor reconhecido. Inclusive o Jambocks é um pouco mais didático do que eu gostaria que fosse, mas como vou contar uma história se o pano de fundo é desconhecido da maioria das pessoas? Espero que o Jambocks ajude a mudar isso. Torço muito para que um dia ele seja colocado nas escolas para que as crianças desde cedo saibam mais sobre essa passagem da nossa História e através do nosso livro tenham interesse em pesquisar mais a fundo. 

Brigadeiro Rui Moreira Lima muito satisfeito em receber a HQ Jambocks de Celso Menezes

Presenteando o veterano Miranda Correa, grande aviador que conseguiu afundar um submarino alemão!

O piloto veterano Meira também aprovou o projeto da HQ, com isso os três pilotos da missão ainda vivos no Brasil receberam a devida homenagem.

Agora em 2011 foi confirmado novamente o PROAC para HQs, como foi entrar nesse projeto e que dicas poderia dar para quem está pensando em mandar seus roteiros para conseguir o patrocínio? 

Antes de tudo, queria dizer como funciona o Proac. O Proac é um incentivo do Governo do Estado de São Paulo e dá R$25 mil para 10 projetos de quadrinhos já. Fazendo as contas você descobre que até o final deste ano vai haver um investimento de R$ 1 milhão. Em quatro anos. É uma quantia respeitável e um reconhecimento do poder público sobre a importância deste tipo de arte. Depois que abre o edital, as pessoas enviam seus projetos e um júri composto por cinco pessoas – e que é mudado TODO ANO para não haver vício ou favorecimentos – debate e decide quais são os 10 projetos que merecem o prêmio. 

O Jambocks ganhou duas vezes o Proac e o que eu fiz foi estudar muito o edital e tentar preencher os requisitos exigidos da melhor forma possível. Como em qualquer espécie de licitação, em primeiro lugar você precisa ter a documentação em dia. O primeiro Proac foi bem complicado nesse quesito. Hoje está bem mais fácil (e isso é ótimo porque nós, que trabalhamos com arte, não costumamos ser bons em burocracia). 

Passada esta etapa, vem a do projeto em si. Tentem deixá-lo do jeito mais interessante possível. E mostre que você é capaz de fazer algo realmente bacana. Peça para o artista caprichar nas artes conceituais e você, escritor, escreva de maneira simples e direta. 

Observe quem ganhou os trintas Proacs de HQs até agora. O que eles têm em comum? O que eles têm de diferentes? Porque será que eles foram escolhidos? 

Pra ajudar um pouco, estou disponibilizando para os leitores do Pipoca e Nanquim o meu projeto do Jambocks que ganhou o Proac 2010. Fiquem à vontade para usá-los de base para o Proac 2011. 

  • N.E: Para baixar o projeto do Jambocks clique aqui e  para ver os esboços de Felipe Massafera clique aqui. Sensacional!!

Jambocks foi planejado para sair em quatro volumes, tem alguma novidade sobre o próximo lançamento?? (Estamos loucos pra continuar lendo essa história!!) 

A idéia é lançar um por ano. O segundo deve sair no começo do 2º semestre. Assim que tiver alguma novidade concreta eu aviso os amigos do Pipoca. O que eu posso adiantar é que vai falar sobre o treinamento do pessoal da FAB no Panamá. Aí encerramos a base que prepara tudo para a parte 3, que é a atuação do Grupo de Caça na 2ª. Guerra. 

Você e o Felipe estarão no albúm MSP Novos 50, muita alegria em receber esse convite?! Pode dar uma pista de quem será o protagonista da história ou falar um pouquinho do roteiro dela? 

Foi muito legal receber a notícia. E o Sidão (Sidney Gusman, o editor do MSP) consegue fazer o momento ainda mais especial. Eu tinha topado com ele na Bienal do Livro do ano passado, em São Paulo e me apresentei. Ele disse que o meu nome e o do Felipe estavam numa pré-lista para o próximo MSP. Nem acreditei, achava que ele nem conhecia o Jambocks. Semanas depois encontrei ele na Fest Comix e no meio de uma conversa com outras pessoas ele disse “Tem gente que fica esperando chegar um e-mail meu convidando para o MSP. Isso nunca vai acontecer. Eu só convido por telefone.”. Passaram-se algumas semanas e ele me manda um e-mail: “Oi, Celso. Você poderia me passar seu telefone?”. Meu coração disparou. Enviei o número e segundos depois o telefone toca. Eu atendo, nervoso, e do outro lado o Sidão: “E aí, Celso.. tudo bem? Então… o que você acha de participar do próximo MSP?”. 

Eu fiquei imensamente feliz porque além do reconhecimento o MSP é um projeto que eu sonho desde garoto. Sempre pensei “e se artistas autorais fizessem a Turma da Mônica”? E o Sidão é o cara que tornou esse sonho (de muitos, imagino) realidade. 

Quanto ao(s?) personagem ou história, se eu falar alguma coisa provavelmente meu corpo será encontrado numa valeta no dia seguinte. O Sidão me disse que tem todos os filmes do 007 e que ele usa as técnicas do agente secreto para manter sigilo sobre seus projetos. Além disso ele tem todos os filmes da Xuxa para torturar quem torna público algum detalhe dos projetos. Sinto pelos leitores do Pipoca, mas ainda prefiro ter minha sanidade mental e minha integridade física. 

Mas posso dizer que a história que eu e o Felipe criamos vai tirar proveito do estilo dele. Pronto. Estou ouvindo os passos do Sidão em minha direção… 

Celso Menezes ao lado de Sidney Gusman

Além de Jambocks! e o MSP, você tem outros projetos no âmbito das HQs? 

Idéias não me faltam, mas no momento estou concentrado nos Jambocks, que já me tomam tempo demais. Mas é capaz que surja um projeto muito legal em breve. E inédito no Brasil, até onde eu sei. Aviso se tiver novidades. 

Aproveitando seu conhecimento, faz pra gente um Top 5 Quadrinhos de Guerra, aqueles espetaculares, que deveriam ser lidos por todo mundo. 

Vou tentar fugir um pouco do óbvio. Em primeiro lugar, tudo o que eu li do Joe Sacco e Sargento Rock (pelo Joe Kubert) é uniformemente bom, então acho que quem topar com qualquer coisa deles vai ter uma boa leitura. 

Além deles.. 

  • Ás Inimigo, Um poema de guerra do George Pratt. Lindo e poderoso;
  • El Alamein e outras histórias de Yukinobu Hoshino. Um pouco irregular, mas tem passagens ótimas;
  • Arrowsmith de Kurt Busiek e Carlos Pacheco. Divertido e muito bem realizado;
  • O Espírito da Guerra e War – Histórias de Guerra do Gian Danton, Luiz Merí e Eugênio Colonnese. Pela sua narrativa, pra mim o Colonnese é o Joe Kubert brasileiro;
  • Ás Inimigo – Inferno No Céu do Garth Ennis – Ennis mostra que entende do assunto numa história bem construída e que acrescenta nuances ao personagem;
  • Último dia no Vietnã do Will Eisner – Recortes rápidos de personagens às voltas com a guerra do Vietnã. Não é uma obra-prima, mas um eficiente (porém curto) retrato dessa guerra.

Ok, pelas minhas contas foram mais de 5… tem problema? rs.. 

Além disso tem um livro americano chamado “War Stories – A graphic History” do Mike Conroy que cita centenas de obras de guerra em quadrinhos. É muito bacana pra pesquisar e depois correr atrás de algumas coisas. 

Celso, muito obrigado pela participação! Para finalizar, deixe um recado para os fãs de quadrinhos e leitores do Pipoca e Nanquim. 

Em primeiro lugar queria agradecer o convite e dizer que acho muito legal os bate-papos de vocês e que por mim podiam ser mais longos.. rs. 

E o recado que eu tenho para os fãs de HQs e para quem quer fazer quadrinhos é que leiam muito. Não só quadrinhos. Leiam livros, revistas, sites, vejam filmes, ouçam músicas. Isso vai fazer sua experiência com os quadrinhos mais completa já que normalmente quem escreve HQs tem referências de todas outras mídias e coloca essas referências nos seus trabalhos. Leiam, se informem. Corram atrás das dicas do pessoal do Pipoca e Nanquim e dos outros sites. E passem adiante o conhecimento que vocês adquirirem. Gostou de uma HQ? Faz um blog e posta sua opinião. Ou indica para um amigo. Quanto mais as pessoas ficarem exigentes, melhor vai ser a qualidade das HQs. E, no fim, não é isso que queremos? Boas histórias? 

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Para conhecer todo o processo de criação de Jambocks e as novidades de Celso Menezes visite o seu blog. 

JAMBOCKS – PARTE 1 – PRELÚDIO PARA A GUERRA 

Editora: Zarabatana 

Autores: Celso Menezes (roteiro) e Felipe Massafera (arte). 

Preço: R$ 29,90 

Número de páginas: 48 

Data de lançamento: Março de 2010