Prometheus – Crítica

Prometheus foi sem dúvida um dos lançamentos mais aguardados deste ano, e ao ver o resultado final fica difícil não se decepcionar. Não que o filme seja ruim, na verdade ele até funciona como mero entretenimento vestido de ficção científica. No entanto, em muitos momentos, sua trama opta por soluções não tão inspiradas, o que acaba minando seus pontos positivos.

O longa dirigido por Ridley Scott apresenta uma personalidade bipolar temporal, por assim dizer. Primeiramente, seu roteiro não parece feito para os dias de hoje. Fica a impressão de que o texto funcionaria melhor no início da exploração cientifica no cinema, quando inconsistências eram relevadas mais facilmente – atualmente, tudo respira veracidade, até mesmo filmes de heróis conseguem tornar suas histórias em algo realista. Apesar do mote central ser muito interessante – montando um prólogo para o clássico Alien – O Oitavo Passageiro, aquele sensação de algo palpável (como obra) simplesmente não existe. Temos de aceitar os fatos expostos quase que por obrigação: como a cientista crente em deus que busca uma consequente desmistificação do mesmo, ou as diversas provas cabais (e forçadas, para se dizer o mínimo) de que “engenheiros” deixaram um mapa estrelar para diversas civilizações antigas, sendo este praticamente um convite para uma visita hospitaleira.

Em contra partida, em relação a bipolaridade, vemos produção e direção contundentes, e deveras atuais. O visual alcançado por Scott é algo motivador. Sua fotografia congelante faz bem aos olhos, toda a parte técnica de efeitos digitais, design de cenários, uniformes e trajes espaciais, são elementos muito bem talhados, certamente o melhor que a fita tem a oferecer (mesmo com o correto afastamento do estilo de H.R. Giger, já que a ideia não era se vincular demais ao O Oitavo Passageiro).

Devido a estes fatores positivos, a experiência não acaba sendo tão frustrante mediante as opções erradas de um roteiro que por vezes atropela a lógica das situações, optando por soluções rasteiras, que no final incomodam e pesam no resultado, como: um briefing inacreditavelmente de última hora (3 anos de atraso), a infantilidade desnecessária alavancada por uma frustração indigna, um especialista em ambientes rochosos (e munido de aparatos de mapeamento extremamente úteis) perder a saída pela qual entrou em uma caverna, a situação crucial em que uma corrida pela vida é decidida facilmente com um rolamento para esquerda, ou mesmo sacrifícios guiados por motivações instantâneas (citando apenas algumas dessas “soluções”). O roteiro de Jon Spaiths (do péssimo A Hora da Escuridão) e Damon Lindelof (Comboys & Aliens) com certeza leva a culpa.

Mas um ponto de destaque é a construção do androide David, interpretado pelo sempre eficiente Michael Fassbender (Hunger). Fazendo uma referência clássica fortíssima ao também artificial Ash, de O Oitavo Passageiro, temos em David o grande link de aproximação com o público, algo que deveria ser feito pela personagem feminina principal Elizabeth Shaw, interpretada por Noomi Rapace – atriz que ganhou fama pela versão europeia de Os Homens Que Não Amavam As Mulheres. Mesmo Rapace sendo uma boa atriz, sua cientista não consegue alcançar o carisma de uma Ripley (missão difícil, mas que deveria ser obviamente almejada por Scott), ficando renegada a ser vítima ao invés de heroína.

O resto da tripulação não é bem explorada, sendo Meredith Vickers, vivida por Charlize Theron, a personagem mais sem propósito da fita, seguida de perto por Charlie Holloway (Logan Marshall-Green), parceiro cientista e amante de Elizabeth – que deveria ter importância (alguns podem até dizer que tem), mas sua participação se mostra tão sem sentido que, o longa sem ele, provavelmente continuaria o mesmo. Guy Pearce e Idris Elba oferecem alguma diversidade para o grupo com seus Peter Weyland e Janek (respectivamente), mas no geral, nenhum desses humanos desperta interesse ou tenta se aproximar da audiência. O que existe é uma distância fria e asséptica dos mesmos, sendo que em momento algum torcemos por eles.

No final, Prometheus é uma experiência de entretenimento raso. Seu cunho filosófico, que explora a criação humana através de um prisma em que a imagem de um “engenheiro criador” é próxima do homem comum (Eram os Deuses Astronautas?), perde muito de sua força quando a construção da história, personagens e mesmo cenas estão comprometidas. A obra é sim visualmente bela, traz um excelente personagem do qual podemos nos aproximar, cria boas referências do clássico Lawrence da Arábia, oferece cenas de tensão e desespero (uma na verdade, envolvendo uma operação) e monta de maneira digna o surgimento de um ser ícone do cinema de ficção, o Space Jockey. Só que mesmo assim, os erros são mais visíveis, o que fatidicamente revela como tudo poderia ser melhor estruturado. Não respondendo perguntas fundamentais da história, o desfecho fica aberto, e agora só nos resta esperar que uma sequência seja mais bem talhada – se bem que a versão em blu-ray promete, com os extras, oferecer algumas respostas. Uma jogada não muito honesta de Scott.

PS: acho que o especulado “At The Mountains of Madness” – filme baseado na obra de H.P. Lovecraft, que seria dirigido por Guillermo Del Toro e que não rolou por causa do “Prometheus” – possivelmente seria mais negócio.

Mais publicações como essa você encontra em Crítica Daquele Filme.

Prometheus: EUA, Reino Unido/ 2012/ 214 min/ Direção: Ridley Scott/ Elenco: Noomi Rapace, Michael Fassbender, Charlize Theron, Idris Elba, Guy Pearce, Logan Marshall-Green, Sean Harris, Rafe Spall 

Videocast 122 – Aliens (e Super Power Con)

Olá, amigos do PN!

Sejam bem-vindos a mais um videocast do Pipoca e Nanquim, seu programa preferido de culinária e afins.

O assunto hoje nos leva aos confins inexplorados do espaço sideral: aliens!!! Aproveitando o lançamento de Prometheus, que traz de volta o diretor Ridley Scott à franquia por ele iniciada há mais de três décadas, decidimos falar sobre um dos dois monstros/alienígenas mais legais do cinema (o outro você sabe quem é, não?).

E alien vai além dos filmes. Temos também HQs sensacionais, crossovers na sétima e nona arte e um monte de outras coisas fodásticas que nem sequer mencionamos aqui (quem não quer um action figure da Rainha decorando sua estante?).

E no terceiro bloco mostramos um pouco de como foi o Super Power Con, evento de quadrinhos que ocorreu em São Paulo no início de junho desse ano. Estava bem legal!

E é isso aí, galera. Aguardem nossa crítica do filme novo e público seus comentários aqui mesmo. Até a próxima.

COMENTADO NESSE VIDEOCAST

Videocast 22 – Ridley Scott
Podcast 09 – David Fincher
– Prometheus – Crítica (breve) 

QUADRINHOS COMENTADOS 

Aliens – 3 edições (Abril)
Batman versus Aliens – 2 edições (Mythos)
Batman versus Aliens 2 – 3 edições (Panini)
Batman/Aliens (Mythos)
Juiz Dredd versus Aliens – 2 edições (Mythos)
Lanterna Verde versus Aliens (Abril)
Superman versus Aliens – 3 edições (Abril)
Superman/Aliens 2 – 2 edições (Abril)
Aliens – Salvação (Opera Graphica) 

FILMES COMENTADOS 

Alien, o Oitavo Passageiro (Alien, 1979)
Aliens, o Resgate (Aliens, 1986)
Alien 3 (Alien 3, 1992)
Alien – A Ressurreição (Alien: Ressuction, 1997)
Prometheus (Prometheus, 2012)
Alien versus Predador (Alien vs. Predator, 2004)


122 – Aliens e Super Power Con (Pipoca e Nanquim) por pipocaenanquim no Videolog.tv.