Lista organizada das melhores séries da Panini – Atualizado

Eu como um colecionador de quadrinhos, posso dizer que atualmente, pra mim, o melhor formato de publicação da editora Panini são os encadernados brochura com capa cartonada, que trazem algumas das melhores séries da Vertigo, Wildstorm e outras. Primeiro por causa do preço e segundo pelas histórias. Por um valor que varia de R$14,90 a R$24,90, posso ler excelentes séries que não precisam dividir espaço dentro de um mix com quadrinhos tranqueiras que sequer merecem atenção.

Vejam a comparação. Uma revista mensal da Panini custa R$6,50 e tem 76 páginas, ocupadas por um mix que muitas vezes traz histórias que não quero ler. Duas revistas mensais, portanto, saem R$13,00 e somam 152 páginas, das quais apenas metade chega a valer a compra. Por R$1,90 a mais, posso adquirir, por exemplo, o excelente encadernado do Jonah Hex, com 148 páginas (apenas quatro a menos que dois mensais) de uma série continuada totalmente de meu interesse. Minha coleção agradece. A série Y – O Último Homem, como outro exemplo, traz volumes entre R$16,90 e R$24,90 (salgou um pouco na quinta edição), de 132 a 196 páginas de uma das melhores publicações dos últimos tempos. No final, o que vou ter é uma série fechada, bonitinha, em capa cartonada. O custo/beneficio é bem melhor.

E tem tanta série boa sendo publicada neste formato, que somos obrigados a escolher uma e outra ou torrar o salário inteiro para ler tudo. Resolvi então fazer um guia de todas as revistas para ajudar o fã de quadrinhos a se organizar, já que muitas delas começaram em outras editoras e depois passaram para a Panini.

EX MACHINA (WILDSTORM)

Uma das melhores dos últimos tempos. Escrita por Brian K. Vaughan e com a belíssima arte de Tony Harris, mostra a história de Mitchell Hundred, um super-herói que foi eleito prefeito de Nova York. Comecei a ler recentemente e posso te garantir: vale muito à pena, não é a toa que já ganhou o prêmio Eisner. Essa série começou com a Panini, que lançou o primeiro encadernado, mas depois passou para editora Pixel, que continuou o segundo arco lançando como uma minissérie em três partes e depois em uma edição de capa cartonada. Quando a Pixel deixou de editar quadrinhos, a Panini retomou a publicação e já lançou mais quatro volumes. Fujam da minissérie e comprem na sequência abaixo, que abrange 29 números, dos 50 que fecham a série.

Volume 1 – Estado de Emergência (Panini / R$19,90 / 148 pág.)
Volume 2 – Símbolo (Pixel / R$17,90 / 148 pág.)
Volume 3 – Fato VS. Ficção (Panini / R$19,90 / 148 pág.)
Volume 4 – Marcha à Guerra (Panini / R$19,90 / 148 pág.)
Volume 5 – Fumaça e Fogo (Panini / R$16,90 / 128 pág.)
Volume 6 – Blecaute (Panini / R$13,90 / 100 pág.)

100 BALAS (VERTIGO)

A brilhante série de Brian Azzerello com arte do argentino Eduardo Risso, uma das mais aclamadas dos últimos tempos. Tão brilhante que seu sucesso incentivou o início de uma nova linha de publicações de HQs adultas dentro da Vertigo, a Vertigo Crimes. A princípio o argumento é o seguinte: o misterioso Agente Graves surge na vida de algumas pessoas, vítimas de violência ou conspiração, e lhes entrega uma maleta com provas incontestáveis contra aqueles que arruinaram suas vidas, junto de uma arma com 100 balas, todas marcadas, o que concede ao usuário a possibilidade de usar como quiser para fazer justiça, sem chance de serem descobertos e presos. Daí pra frente Brian Azzarello nos entrega muito mais do que uma história sobre vingança.

No Brasil, 100 Balas começou a ser publicada em 2001 pela editora Opera Graphica, como uma série mensal que durou até o nº36. Depois a mesma passou a lançar encadernados em capa dura, que começou tudo de novo, mas avançou um pouco mais e trouxe algumas histórias inéditas. Hoje em dia não vale a pena comprar esses caríssimos exemplares. Depois a série passou para a Pixel, que começou a lançar em edições aperiódicas que traziam 2 ou 3 números originais. Durou até a sexta edição, que abrangeu até o 15º exemplar americano. Fuja totalmente disso, sua coleção deve começar daqui pra frente. Antes da Pixel cessar sua linha de HQs, lançou dois encadernados de capa cartonada de 100 Balas, depois disso a Panini deu continuidade e lançou mais cinco volumes, aí voltou e republicou o primeiro e o segundo. Nessa sequência já temos mais de 50 edições das 100 totais que compõem a série.

Volume 1 – Atire Primeiro, Pergunte Depois (Panini / R$19,90 / 164 pág.)
Volume 2 – Segundas Chances (Panini / R$16,90 / 164 pág.)
Volume 3 – Laços de Sangue (Panini / R$16,90 / 128 pág.)
Volume 4 – Inevitável Amanhã (Panini / R$19,90 / 128 pág.)
Volume 5 – Contrabandoleiro (Panini / R$16,90 / 132 pág.)
Volume 6 – O Detetive Enquadrado (Panini / R$18,90 / 148 pág.)
Volume 7 – A Sete Palmos (Panini / R$18,90 / 148 pág.)
Volume 8 – Samurai (Panini / R$20,90 / 172 pág.)

OS PERDEDORES (VERTIGO):

Divertida série de Andy Diggle e Jock. Sério mesmo, você pode achar que por causa do terrível filme que foi feito, Os Perdedores deve ser muito chato e que não vale a leitura. Engana-se meu amigo, pode adquirir sem medo, ação e aventura desenvolvida de modo muito competente. Nada de roteiro raso, aqui é tudo muito bem elaborado, cheio de reviravoltas e surpresas que exigem uma leitura bem atenta se não quiser perder nenhum detalhe.

No Brasil, primeiro a editora Opera Graphica lançou apenas um encadernado em capa dura. Compre se quiser um exemplar solitário na coleção. Em 2010 a editora Panini começou a lançar tudo de novo, e com o perdão do trocadilho, parece que Os Perdedores saíram perdendo na editora, que lançou o primeiro volume há mais de um ano e até agora sequer anunciou a continuação. Com o fracasso do filme, isso se refletiu nas vendas e pelo que parece, não veremos o final da HQ tão cedo por aqui. A série terminou lá fora com 32 edições, aqui pudemos ler apenas as 6 primeiras.

Volume 1 – Hora do Troco (Panini / R$22,90 / 160 pág.)

LOVELESS – TERRA SEM LEI (VERTIGO)

Novamente Brian Azzarello, dessa vez acompanhado dos excelentes desenhistas Mario Frusin, Daniel Zezelj e Werther Dell’Edera, fazendo um western de primeira. Mostra o conturbado regresso de um caubói à sua cidade natal, após o fim da Guerra Civil que dividiu os EUA. História extremamente adulta que exige toda a atenção do leitor. Muito, mas muito bom, entre minhas preferidas dessa lista. Infelizmente, ao contrário de 100 Balas, lá fora Loveless não deu muito certo e durou apenas 24 edições, das 50 que estavam previstas. Talvez isso se deva a sua complexidade estilo Deadwood (ótima série faroeste da HBO). O lado bom disso daí é que não demorou muito pra série se encerrar no Brasil e fecharmos a coleção, foi a primeira da Vertigo que a Panini terminou.

Volume 1 – De Volta pra Casa (Panini / R$16,90 / 132 pág.)
Volume 2 – Mais Denso que Sangue (Panini / R$23,90 / 172 pág.)
Volume 3 – O Caminho da Vingança (Panini / R$16,90 / 148 pág.)
Volume 4 – A Queda de Blackwater (Panini / R$16,90 / 148 pág.)

Y – O ÚLTIMO HOMEM (VERTIGO)

Sem sombra de dúvidas, a melhor de todas da Panini, leitura obrigatória para qualquer fã de quadrinhos. Roteiros de Brian K. Vaughan, o mesmo de Ex Machina, e com arte limpa e delicada de Pia Guerra. Acredito ser uma das séries responsáveis pela volta da qualidade da Vertigo nos anos 2000. O argumento é extremamente original: todos os homens do mundo morrem misteriosamente, deixando as mulheres sozinhas e divididas quanto a que rumo tomar dali pra frente. O impacto que isso causa para todas as sociedades é gigantesco, visto que várias atividades cruciais e muitos cargos importantes eram exercidos por membros do sexo masculino. Acompanhamos então a jornada de Yorick Brown, único homem sobrevivente, e seu macaquinho de estimação. Repleta de referências à cultura pop, a história é extremamente gostosa de ler e te deixa com vontade de continuar a cada fim de edição. Muito bom, se você ainda não conhece, vá comprar agora.

Em 2006 a editora Opera Graphica começou a lançar no Brasil na forma de luxuosos encadernados em capa dura. Se tudo fosse lançado assim, seria uma coleção belíssima, semelhante ao Sandman da Conrad. Mas após dois volumes a Opera Graphica cessou a publicação, que em 2009 se reiniciou pela Panini, com 7 volumes lançados até meados de 2011, mais de 40 dos 60 números totais. Essa é a coleção que você deve fazer:

Volume 1 – Extinção (Panini / R$16,90 / 132 pág.)
Volume 2 – Ciclos (Panini / R$16,90 / 132 pág.)
Volume 3 – Um Pequeno Passo (Panini / R$19,50 / 172 pág.)
Volume 4 – A Senha (Panini / R$17,90 / 148 pág.)
Volume 5 – Anel da Verdade (Panini / R$24,90 / 196 pág.)
Volume 6 – Menina com Menina (Panini / R$16,90 / 132 pág.)
Volume 7 – Bonecas de Papel (Panini / R$17,90 / 144 pág.)

JONAH HEX (DC COMICS)
As novas aventuras do pistoleiro caçador de recompensas rendeu diversos elogios quando saiu nos EUA, em 2006, e também teve ótima aceitação do público brasileiro em 2010, tanto que a Panini lançou quatro encadernados em 11 meses. Nas duas primeiras publicações tivemos 12 one-shots sem ligação entre si, todos deliciosos de serem lidos e com qualidade crescente a cada história, sempre com Hex tendo que resolver algum problema em um lugar diferente do velho-oeste. Os roteiros são de Jimmy Palmiotti e Justin Gray, em parceria com diversos desenhistas, dentre os quais se destaca o brasileiro Luke Ross, perfeito em seu traço, que ganha mais vida com o belíssimo colorido de Jason Keith e Rob Schwage. É curioso notar que Ross se inspirou em alguns atores brasileiros para desenhar seus personagens, no primeiro volume reconheci Matheus Nachtergaele e Lima Duarte, achei demais isso. No volume 3 tivemos histórias divididas em partes, algumas delas revelando detalhes do passado do caubói anti-herói, e no 4 e 5 voltamos aos bons one-shots. Passem longe do terrível filme que saiu recentemente, mas não percam a chance de ler essas maravilhosas HQs. Pelo menos nesse caso, o filme não atrapalhou as vendas dos quadrinhos, como ocorreu com Os Perdedores.

Volume 1 – Marcado Pela Violência (Panini / R$14,90 / 144 pág.)
Volume 2 – As Armas da Vingança (Panini / R$14,90 / 148 pág.)
Volume 3 – Origens (Panini / R$14,90 / 148 pág.)
Volume 4 – Apenas os Bons Morrem Jovens (Panini / R$14,90 / 148 pág.)
Volume 5 – Falta de Sorte (Panini / R$14,90 / 148 pág.)

HELLBLAZER (VERTIGO)

O caso do mago britânico é um pouco diferente das demais séries, mas vale ser mencionado mesmo assim. Suas aventuras estão saindo atualmente na revista mensal Vertigo, dentro do melhor mix da Panini. A primeira história publicada foi a de Hellblazer nº175, o que não bateu com a continuidade da editora Pixel, que publicava John Constantine anteriormente e havia parado no nº160. A Panini então resolveu lançar as 15 edições que faltaram no formato encadernado de capa cartonada, finalizado recentemente no terceiro volume. Essa fase abrange o fim da passagem de Brian Azzarello no título, como primeiro roteirista não-europeu a escrever histórias de Constantine. Confesso que ainda não li essas histórias, mas ouvi comentários de que são medianas, longe da qualidade das antigas HQs do personagem. Além desses, saiu também um álbum que não faz parte dessa cronologia, com desenhos de Jock e roteiro de Jamie Delano, que nos entregou uma aventura “mais-ou-menos”, desapontando a alta expectativa que todos nutriam por se tratar de um dos melhores escritores que já passou pelo título do personagem. O último foi uma edição especial em preto e branco e tamanho menor, do selo Vertigo Crimes.

Porque a Panini não lança Hellblazer sempre em encadernados assim? Simples, porque John Constantine é a essência da Vertigo, o que faz dele uma presença fundamental no mix da revista mensal do selo. Independente disso, eles tomaram uma excelente decisão editorial, dessas de aplaudir em pé: lançar as aventuras originais do mago em álbuns de preço acessível, dentro de uma coleção intitulada John Constantine Hellblazer: Origens!! Sensacional, estava mais do que na hora!

Volume 1 – Congelado (Panini / R$24,90 / 172 pág.)
Volume 2 – Highwater: Pecados do Passado (Panini / R$19,90 / 148 pág.)
Volume 3 – Cinzas e Pó na Cidade dos Anjos (Panini / R$17,90 / 132 pág.)
Volume Especial – Pandemônio (Panini / R$19,90 / 132 pág.)
Origens: Volume 1 – Pecados Originais (Panini / R$19,90 / 180 pág.)
Origens: Volume 2 – Triângulos Infernais (Panini / R$19,90 / 180 pág.)
Volume Especial – Passagens Sombrias (Panini / R$17,90 / 220 pág.)

Enfim…

Reparem que todas essas excelentes séries são da DC Comics. Quanto a Marvel, no formato encadernado que estou abordando aqui, a Panini só tem uma publicação deles no mercado, lançada recentemente: Marvel Terror. O dois volumes publicados até agora têm 148 páginas e custam R$17,90, traz histórias que tentam resgatar a antiga linha de terror da Marvel, mas que fracassam vergonhosamente. Eu comprei o primeiro e li, cheguei a dar risadas em algumas cenas de Dead of Night – Werewolf by Night, com o lobisomem que estraçalha suas vítimas e quando volta ao normal não fica com nenhuma sujeira de sangue no corpo.

Eu estava até empolgado com esse título, acho que fui um dos primeiros a comprar e quando cheguei em casa fui seco pra ler. Os primeiros capítulos até que começaram bem, com uma idéia bacana de o personagem, enquanto na forma de lobisomem, deixar mensagens de sangue para sua contraparte humana, mas até isso os roteiristas conseguiram estragar. Tirando uma capa magnífica do Rafael Grampá, nada mais vale a pena, muito fraco. A segunda edição teve aventuras do Motoqueiro Fantasma, ligadas com as publicadas em Universo Marvel nº3 e 4, portanto só compensa se você também possuir essas.

Outras duas séries poderiam ter sido colocadas aqui nessa lista, mas não o fiz por serem um pouco mais caras que as demais mencionadas. Da Marvel, tem os Novos X-men, de Grant Morrison, muito boa por sinal, com quatro volumes lançados. Da Vertigo, ficou faltando a SENSACIONAL Fábulas, que tem as primeiras quatro edições com um preço bem mais salgado, principalmente os três primeiros que você terá que comprar da editora Devir (são três da Devir e até agora cinco da Panini). Essa sem dúvida é campeã, junto com Y, e você pode ler mais sobre ela clicando aqui.

Espero ter ajudado com essa organização geral que fiz, listando as melhores séries da Panini que vem sendo publicadas a um preço bem mais em conta que os luxuosos álbuns em capa dura. Estou gostando muito do trabalho que a editora vem realizando com o selo Vertigo e Wildstorm até o momento, resta torcer para que todas essas séries sejam lançadas na íntegra, já que a Panini é mestre em abandonar títulos pela metade ou no primeiro volume.

E você, o que acha? Qual sua série preferida? Também gosta do formato encadernado de capa cartonada? O que acha da editora Panini? Deixe sua opinião nos comentários.