Podcast 74 – Batman: The Dark Knight Rises

Olá a todos,

Sim, nós sabemos que o podcast havia se tornado quinzenal e não queríamos pegar ninguém de calças curtas, mas dá quem conseguiria resistir gravar um programa especial sobre o filme do Batman??? Certamente nós não! Ficamos tão maravilhados com a conclusão da trilogia de Chris Nolan, que convidamos nosso amigo de longa data, o Filipe Siqueira do MobGround, para nos acompanhar nesse bate-papo.

Galera, sem brincadeira, desta vez foi difícil respeitar horários e parar de falar. E, quem sabe o mais difícil, é saber que a festa acabou e que daqui pra frente o Morcego provavelmente não receberá mais tratamento de Rei. Mas, tudo bem, não é hora de pensar nisso. Por hora, saibam o que a gente achou desse filmaço e, desde já alertamos: SPOILERS DO COMEÇO AO FIM!!!

Um abraço e atentem para o nosso grande recado: dia 18 de agosto estaremos autografando nosso livro Quadrinhos no Cinema Vol. 2, no lançamento durante a Bienal do Livro de SP, no estande da Saraiva! Isso mesmo, estaremos lá com o livro em primeira mão, a partir das 19h, e queremos TODOS VOCÊS por lá!

 

COMENTADO NESSE PODCAST

 Podcast 54 – Christopher Nolan
Videocast 127 – Batman
Lançamento do livro Quadrinhos no Cinema Vol. 2 durante a Bienal do Livro de São Paulo
– Assista O Hobbit na Moviecom! Veja os horários das salas 3D!
Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge – Crítica
Dossiê Mulher-Gato
Bane, Coringa e Bronson
– Conheça o trabalho de Filipe Siqueira na internet: MobGround, Herói e Game World

 

Músicas

Bloco 01
Radio ControlMick Jagger
I Feel FreeCream

Bloco 02
The Terminator ThemeBrad Fiedel
Battle Without Honor Or HumanityTomoyasu Hotei

Bloco 03
Wake UpRage Against the Machine
The GameDisturbed

Bloco 04
In The Dark PlacesPJ Harvey
The Sky Is FallinQueens of the Stone Age

 

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Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge – Crítica

(The Dark Knight Rises – Aventura – EUA – 164min.)
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Jonathan Nolan
Elenco: Christian Bale, Gary Oldman, Tom Hardy, Joseph Gordon-Levitt, Anne Hathaway, Marion Cotillard, Morgan Freeman, Michael Caine, Matthew Modine.

Grandiosidade! Essa é a palavra que melhor define Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. O capítulo final da trilogia do homem-morcego é, em todos os sentidos da palavra, grandioso. Se antes o vilão roubava um banco, agora ele sequestra um avião em pleno ar; se uma bomba ameaçava explodir um barco cheio de passageiros, aqui é a cidade inteira que corre perigo. E se o algoz do herói era alguém que no máximo se igualava a ele em força e velocidade, dessa vez ele é uma montanha de músculos cuja habilidade e a técnica são infinitamente superiores às do morcego. E é num grandioso e melancólico clima de despedida que o protetor de Gotham enfrenta sua derradeira aventura.

Na trama, passada oito anos após os eventos de O Cavaleiro das Trevas, Gotham City agora é uma cidade segura. Graças aos feitos do “herói” Harvey Dent, a lei finalmente se impõe na outrora perigosa metrópole. São tempos de paz, onde não há necessidade para soldados como o comissário Gordon e o mascarado Batman. Nessa nova realidade, Bruce Wayne (Christian Bale, ótimo como sempre) vive isolado em sua (restaurada) mansão, de onde não percebe a decadência da sua empresa – fruto de investimentos arriscados. Porém, quando o misterioso Bane chega à cidade, Bruce se vê obrigado a sair da sua aposentadoria para impedir os planos megalomaníacos do vilão. É nessa nova jornada que seu caminho se cruza com a igualmente misteriosa Selina Kyle (Anne Hathaway), uma experiente ladra de joias envolvida com as pessoas erradas.

A grandiosidade mencionada no início se reflete também na quantidade de personagens e subtramas. Temos o jovem policial investigando o passado do Batman; a dualidade da personalidade de Selina; o complô para tomar conta da Wayne Enterprises; o possível interesse amoroso de Bruce; as verdades vindas à tona; e muito mais. Com tanta coisa acontecendo, torna-se impossível desenvolver tudo de maneira apropriada. Sendo assim, enquanto alguns coadjuvantes crescem no decorrer da narrativa (Blake e Miranda), outros recebem apenas abordagens rasas (como a Mulher-Gato, cujo momento de maior destaque é quando anda debruçada na moto usando uma calça de couro); e outros, ainda, são simplesmente descartados quando não tem mais utilidade (Jen, a ajudante de Selina). Não só isso, mas quando chega a hora de finalizar as histórias, as soluções encontradas pelo roteiro soam precipitadas, estragando um pouco do que era esperado para o clímax (não vou entrar em detalhes para não entregar nenhum spoiler).

Apesar dos equívocos, o filme acerta em um quesito importantíssimo: a ameaça, que nesse caso, é muito maior. Não tememos apenas pela vida dos civis, mas, principalmente, pela vida do Batman. E isso se deve à excelente construção do papel do vilão. Se o Coringa de Heath Ledger era o Caos em pessoa, o físico e voz imponentes e os acessos de violência fazem do Bane de Tom Hardy a verdadeira personificação do terror. “Quando Gothan virar cinzas, aí sim você terá a minha permissão para morrer”, profere ele em certo momento da projeção, ilustrando não só o seu poder, mas também a crueldade de seus atos.

Ajudando a criar o clima sombrio que impera durante todo o longa, o design de produção de Nathan Crowley e Kevin Kavanaugh chama a atenção ao retratar, através dos cenários e objetos de cena, a personalidade de Bruce Wayne. Se por um lado sua mansão foi reconstruída após o incêndio do primeiro filme, a foto queimada guardada cuidadosamente em uma moldura serve como lembrança de que nem tudo é recuperável. Além disso, os extensos e escuros cômodos com quase nenhuma mobília apontam a solidão do personagem. Vale lembrar também da ótima (e funcional) ideia de utilizar os óculos de assalto da Mulher-Gato como as suas famosas “orelhinhas”.

Porém, é impossível falar de Batman sem falar também de Christopher Nolan. O gênio criativo por trás das aventuras do homem-morcego demonstra mais uma vez o seu domínio da linguagem cinematográfica, alternando bem entre cenas de ação e momentos dramáticos (seu uso de flashbacks foi algo que sempre admirei), sem medo, inclusive, de tomar decisões narrativas controversas – como, em certo momento, afastar o personagem principal do centro da trama. E se o resultado não é tão excepcional quando o dos filmes anteriores, ele também está longe de ser insatisfatório. Nolan entrega aqui um ótimo capítulo em uma excelente trilogia. Um final digno e, como não podia deixar de ser, grandioso.

Em breve publicaremos também a crítica dos apresentadores do Pipoca e Nanquim. Aguarde!

Dossiê: Mulher Gato

Colaborador: André Ornelas (Marshall)

Ano que vem estréia Batman – The Dark Knight Rises, a aguardada conclusão da trilogia capitaneada por Christopher Nolan. O filme contará com aparições dos personagens Bane e Mulher Gato, que será interpretada pela bela atriz Anne Hathaway. Sem sombra de dúvida, a mera notícia da presença da Mulher Gato muito contribuiu para aumentar a ansiedade do público pelo filme. Enquanto a película não chega aos cinemas, voltemos algumas décadas no tempo a procura das origens da felina mais sensual dos quadrinhos. Afinal, Quem é a Mulher Gato e como veio a ser?

Anne Hathaway como Selina Kyle, a Mulher-Gato.

A Era de Ouro: Nasce uma ladra felina.

A Mulher Gato foi criada por Bob Kane e Bill Finger, a mesma dupla responsável pelo surgimento do Batman (embora Finger nem sempre seja lembrado), e é uma das personagens mais antigas e importantes do universo do Homem Morcego. As atrizes e divas do cinema dos anos 30 Jean Harlow e Hedy Lamarr teriam inspirado seus criadores e segundo algumas especulações, também a segunda esposa de Kane, Ruth Steel. Sua primeira aparição aconteceu na revista Batman nº 1 (1940), sob o pseudônimo genérico “The Cat”, sem máscara e sem uniforme especial. Entrementes, alguns traços clássicos da personagem já se insinuavam: sua caracterização como femme fatale e ladra de joias, atraindo e antagonizando Batman ao mesmo tempo.

Vale ressaltar que o Coringa fez sua estréia nas páginas da mesma revista, o que a torna um dos itens mais cobiçados do colecionismo de quadrinhos. Especula-se que existam atualmente cerca de 300 exemplares íntegros no mundo e recentemente um Batman nº 1 foi levado a leilão alcançando o preço de US$ 40.000.

As Atrizes Jean Harlow e Hedy Lamarr

Primeira aparição de Selina Kyle, então “The Cat” (Batman nº 1 1940).

Kane e Finger queriam acrescentar um pouco de “sex appeal” às histórias do Batman, sem ser de forma óbvia e rasa. Buscavam um interesse romântico para o Homem Morcego, mas não uma dama frágil e indefesa a ser salva na última página da história. Assim surgiu a ideia de uma personagem forte, de caráter ambíguo, que representasse um desafio e deixasse no ar um clima de mistério e sedução…como uma felina! O objetivo era conquistar leitores de ambos os sexos e não só pela bela aparência, mas principalmente pelas suas atitudes. Neste ponto vale frisar que o caráter volúvel e traiçoeiro da Mulher Gato constitui uma marca registrada indelével e é sem dúvida um mérito incontestável dos seus geniais criadores.

Criminosa, ladra, aventureira, sedutora, libertária, dominadora, eterna inimiga/amante do Batman – estas são apenas algumas das muitas facetas de sua personalidade. Criada para ser uma vilã, a Mulher Gato desafia o próprio sentido da palavra, que para ela adquiriu nova e extraordinária conotação. Uma vilã dentro de seus próprios termos, dedicada a satisfazer seus desejos e vaidades usando de ardil e malícia, Selina Kyle é uma mulher que se deleita no mundo dos homens, impondo sua vontade e conseguindo o que quer. Os limites de sua índole criminosa excluem o assassínio (exceto em poucas histórias posteriores e retiradas da cronologia), violência atroz e destruição em larga escala, contrastando com seu companheiro estreante, o Coringa, que já em sua primeira aparição mostrou-se um maníaco homicida.

Não demorou muito para que a Mulher Gato assumisse seu primeiro uniforme de inspiração felina, nada mais que uma exteriorização de sua marcante personalidade. O nome Seline Kyle, o pseudônimo Catwoman e o uniforme felino roxo com saia foram usados pela primeira vez em Batman nº 2 (1940), mas a personagem não apareceria na capa até Batman nº 42 (1947).

Capa de Batman nº 42 mostrando a Mulher Gato da Era de Ouro, com seu tradicional uniforme roxo.

A respeito do uniforme, a versão “roxo com saia”, embora não goze da preferência dos fãs, é considerada clássica, tendo sido usada até meados da década de 60 e retomado na década de 80 até o evento conhecido como Crise nas Infinitas Terras.

Prova do apelo clássico do uniforme é a sua utilização na excelente série de animação Batman – The Brave And The Bold, série esta inspirada nas histórias do Batman dos anos 50.

A Mulher Gato da série de animação “Batman – The Brave and The Bold”.

No rastro da gata: Primeiras histórias.

Em sua primeira aventura, a criminosa então chamada “The Cat” rouba um colar de diamantes atraindo atenção de outros criminosos e também da Dupla Dinâmica. Batman encontra a ladra e tenta convencê-la a desistir de seu estilo de vida, porém fascinado por sua beleza, acaba permitindo seu escape.

Na sua segunda aparição, já utilizando a fantasia felina e usando do codinome Mulher Gato, envolve-se novamente num roubo de jóias, safando-se revelando a Batman o paradeiro de um adversário muito mais mortal, o Coringa, para então desaparecer no Rio Gotham.

Um acontecimento inusitado: após quase uma década crimes, um tijolo atinge sua cabeça e desperta anos de memórias reprimidas. Selina alega ter sofrido de amnésia parcial nos últimos dez anos, e atribui seu estilo de vida criminoso a um efeito colateral da amnésia.

A história da amnésia, ou – uma primeira versão para a origem da Mulher Gato – foi contada em Batman nº 62 (1950), recentemente publicada no Brasil pela Panini, inclusa na Coleção DC 70 Anos: vol. 6 de outubro de 2008, com o título “A vida secreta da Mulher-Gato”. Na história, após a pancada na cabeça Selina passa a se recordar da sua vida antes de se tornar uma ladra. Ela seria uma aeromoça que após sofrer um acidente de avião se esqueceu do passado e se tornou uma criminosa.

Capa de Batman nº 62 – A Vida Secreta da Mulher Gato

Durante um certo tempo a história da amnésia foi aceita, não sem levantar suspeitas. A Mulher Gato viveu seus dias de “boa moça”, embora suas más ações passadas sempre lançassem uma sombra de dúvida na mente do Batman e dos leitores. Aperfeiçoava-se então o drama que tornaria a Mulher Gato tão fascinante.

Batman nº 65 (1951)

A capa acima explicitava a dúvida geral que pairava sobre o caráter da personagem. Nota-se que a Dupla Dinâmica examina fotos idênticas da Mulher Gato, cada qual advinda de um arquivo diferente. Uma extraída da “galeria dos malandros” e outra do fichário de “policiais disfarçados”.

O que falta em sutileza nesta capa sobra-lhe em classe. Icônica, apresenta a personagem em destaque, sobreposta aos heróis. A capa é tão clássica que foi reproduzida com outras 99 numa de cartões postais lançada em 2010 como parte das comemorações dos 75 anos da DC Comics.

Como diz o ditado “pau que nasce torto nunca se endireita” e assim a anunciada reforma de Selina Kyle não se mostrou duradoura. No nº 203 de Detective Comics (1954) ela retorna para sua vida de crimes, pegando pesando com a Batman e Robin.

Detective Comics nº 203

Mas a carreira criminosa de Selina Kile conheceria outra interrupção logo em seguida, esta bem mais duradoura, em decorrência de um dos acontecimentos mais tristes na história dos quadrinhos. O ano era 1954, a Mulher Gato exibia suas cores de “bad girl”, sedutora, de chicote na mão, ameaçando não só as virtudes do Cruzado de Capa e seu Fiel Escudeiro, mas de toda a juventude americana. Ou assim achava o Dr. Fredric Wertham, autor do fatídico livro A Sedução dos Inocentes, publicado naquele mesmo ano. O livro forneceu a base para uma investigação do Congresso Americano que levou personagens, revistas e editoras inteiras, sem falar de seus autores e editores, ao limbo. Alguns nunca retornariam. A investigação culminaria na edição do Comics Code Authority, de nefasta lembrança (apenas neste ano de 2011 a DC Comics abandonaria o selo classificatório do Comic Code Authority).

A mulher gato era uma criminosa atraente (sob vários aspectos) e freqüentemente escapava ao final da história, afrontando disposições do Código:

Normas Gerais Parte A:

1. Crimes nunca devem ser apresentados de forma a criar simpatia para com o criminoso, promover a desconfiança das forças da lei e da justiça ou para inspirar os outros com o desejo de imitar os criminosos.
4. O crime dever ser descrito como uma atividade sórdida e desagradável.
5. Os criminosos não devem ser apresentados de com glamour ou ocupando posição que crie o desejo de emulação.
6. Em cada caso, bem triunfará sobre o mal eo criminoso punido por seus atos.”

Não há informações precisas sobre o banimento da Mulher Gato, apenas especulações.

Assim, de forma melancólica, encerrava-se a carreira da Mulher Gato na Era de Ouro dos comics, subjugada pela “caça as bruxas” que varreu a cultura americana em meados da década de 50. Eis a capa de sua última aparição naquele período:

Detective Comics nº 211 (1954)

Detective Comics nº 211 (1954)

Entretanto, uma personagem forte como a Mulher Gato não seria esquecida com facilidade. Ela ressurgiria – com um certo atraso é verdade – numa época em que muitos heróis e vilões foram reformulados, outros tantos foram criados e novos universos surgiram. Sob o cabresto da censura, uma nova Era nascia e havia necessidade de adaptar-se aos novos tempos. Foi uma época da imaginação levada aos seus extremos limites, para o bem e para o mal.

A Era de Prata: Renascimento.

Não há um consenso absoluto sobre o início da Era de Prata. Alguns dizem que o marco inicial se deu em 1955, com a primeira aparição do Caçador de Marte em Detective Comics nº 255, mas a maioria dos pesquisadores prefere o surgimento do novo Flash (Barry Allen) nas páginas da Showcase nº 4 em 1956.

Foram tempos estranhos para Batman e seus coadjuvantes. As histórias daquela época traziam o herói sofrendo todo o tipo de transformação bizarra. Multicolorido, bebê, alienígena e até o Batman zebra. Para contornar as acusações de homossexualismo envolvendo o Homem-Morcego e o Menino Prodígio foi criada uma “Família Morcego” com os acréscimos da Bat Mulher, Bat Moça, Ace, o Batcão e até o estranhíssimo Bat-Mirim.

As famílias de heróis eram muito comuns da Era de Prata, assim como super animais e estranhas mudanças temporárias que colocavam os personagens-título em situações absurdas.

Mas o que tudo isso tem a ver com a Mulher Gato afinal? Nada, absolutamente nada!

A mulher Gato não teve parte na “Bat Família” tão harmoniosamente formada. Ela simplesmente não se encaixava nas histórias inocentes dos primeiros anos da Era de Prata. Não havia espaço para a femme fatale felina e todo seu arsenal de artimanhas e seduções (sem falar no seu inseparável chicote e pose de dominatrix).

O período entre 1954 e 1964 é considerado uma década negra para o Batman. O interesse dos leitores arrefeceu e as vendas caíram dramaticamente, era necessário mudar os rumos ou naufragar.

A solução foi encontrada por um dos gigantes dos comics de todos os tempos. Julius Schwartz. O grande autor e editor começou lentamente a remover das histórias os elementos bizarros, desfez a Bat Família e trouxe de volta vilões clássicos, buscando roteiros mais próximos das originais histórias de detetive.

O palco estava sendo armado para retorno triunfante da Mulher Gato.

Como prelúdio, a revista Batman nº 176 (1965) trouxe reimpressões de histórias antigas, incluindo “Princess of Plunder”, publicada originalmente em Batman nº 10 (1942).

Batman nº 10 (1942)

Quis o destino (ou o editor) que a reestreia da Mulher Gato se desse numa história em duas partes publicada na revista Superman’s Girlfriend, Lois Lane nº 70 (novembro de 1966) e Lois Lane… nº 71 (janeiro de 1967).

Eis a capa histórica que marca o renascimento da Mulher Gato na Era de Prata:

Nota-se que a Mulher gato está usando calças. A primeira vista pode parecer que se trata de uma versão mais bem comportada do uniforme antigo, escondendo as belas pernas da vilã. Embora tal interpretação não possa ser totalmente desprezada, há uma outra possível ou provável: O uso de calças é um ato de desafio e sinal de modernidade, posto que naquele tempo a saia era a vestimenta adequadas as mulheres da sociedade. Nota-se o contraste com o visual “boa moça” de Lois Laine. O retorno da Mulher Gato nas páginas de Lois Lane nº 70 é quase uma declaração de guerra: “Estou de volta para afrontar as boas moças e transformar os homens (Super Homens no caso) em meus bichos de estimação”!

Logo após, a Ladra Felina retornou ao seio das “bat revistas”, em Detective Comics nº 369 (novembro de 1967) e Batman nº 197 (dezembro de 1967). Nesta última entraria em cena com um uniforme verde inspirado na série de TV estrelada por Adam West e Burt Ward:

Batman nº 197

A Mulher Gato da Terra-2 (Terra Paralela).

Obs.: A história da Mulher Gato da Terra Paralela começa na era de Prata e estende-se Era de Bronze adentro.

A Terra-2 (Terra Paralela no Brasil) teve sua primeira aparição na revista The Flash nº 123 (1961) e foi criada para explicar como os personagens da Era de Prata – Lanterna Verde (Hal Jordan) e Flash (Barry Allen) por exemplo, apareciam em histórias com os seus homónimos da Era de Ouro, Alan Scot e Jay Jarrick. A continuidade da Terra-2 incluía todos os heróis clássicos da Era de Ouro como a Sociedade da Justiça da América, cujas carreiras começaram pouco antes do início da II Guerra Mundial.

Entrementes, enquanto alguns heróis da Terra-2 possuiam identidades diversas de suas contrapartes da Terra-1 (Flash, Lanterna Verde), outros eram praticamente idênticos, compatilhando os mesmos nomes civis, como Bruce Wayne e Selina Kile.

Enquanto a Mulher Gato da Terra-1, após um breve período de reforma, retornou a sua vida de crimes (a história da amnésia, como visto acima) a Mulher Gato da Terra-2 seguiu caminho totalmente diverso.

Após o episódio da amnésia Selina renunciou definitivamente à sua vida de criminosa e revelou sua identidade secreta ao Batman e passou a trabalhar ao lado da lei e da ordem. Ela ajudou Batman e Robin em alguns casos, inclusive prendendo um homem que tentou trazê-la de volta para o crime. Mas seu período heróico foi breve e Selina pendurou a capa e capuz, entregado seu arsenal para o Comissário de Polícia James Gordon.

Selina Kyle tornou-se proprietária de uma loja de animais em Gotham City, buscando uma vida normal, no entanto, teria ainda uma breve recaída criminosa, antes de endireitar definitivamente e abandonar a identidade de Mulher Gato de uma vez por todas….ou quase.

Por volta de 1955, Selina Kyle e Bruce Wayne retomam seu relacionamento e no verão daquele ano os dois se casam. Selina estava aposentada da vida de aventureira fantasiada mas Bruce Wayne continuava a atuar como Batman. O casal teve uma filha, Helena Wayne, que acabaria por seguir os passos de seus pais e cresceria para se tornar a Caçadora da Terra-2.

Em 1976, o passado criminal de Selina a alcançou novamente. Um de seus ex-subordinados, chamado “Silk” Cernak chantageou-a para que retomasse sua identidade de Mulher Gato, usando uma fotografia falsificada que a implicava no assassinato de um policial de Gotham City. Cernak forçou a Mulher Gato a roubar o Gotham City Civic Center. O Comissário Gordon intervém com o auxílio de Batman, já bastante envelhecido. Durante a luta com os capangas de Cernak, Batman chuta uma arma da mão de um deles. A arma dispara e atinge a Mulher Gato no peito, derrubando-a de um mezanino. Ela morre nos braços do Batman, afirmando:  “Perdoe-me querido, eu só fiz isso por você”.

Logo após a morte de sua mãe, Helena Wayne vestiu o traje da Caçadora e trouxe “Silky” Cernak à justiça. Silky confessou a adulteração da fotografia e ficou claro que Selina Kyle nunca tinha assassinado alguém em sua vida.

(Algumas histórias dos anos 60 e início dos 70 mostraram a Mulher Gato cometendo assassinatos. Hoje essas histórias são atribuídas a outras realidades, não pertencendo nem a Terra-1 nem a Terra-2).

Em 1979 o Batman da Terra-2 segue sua amada e morre lutando contra um fugitivo chamado Bill Jensen, (Adventure Comics nº 462). Um mago chamado Fredric Vaux havia concedido poderes místico a Jensen como parte de um plano para destruir todos os super-heróis. Esta história foi publicada com destaque no Brasil na série Os Grandes Álbuns em Quadrinhos da ed. Ebal e causou grande comoção.

O Robin e a Caçadora da Terra 2 também viriam a morrer durante a Crise nas Infinitas Terras, em 1985, fechando um ciclo e eliminando os últimos vestígios daquela que poderia ser chamada de “a verdadeira Bat Família”.

A Terra-2 foi retroativamente eliminada da cronologia pelos acontecimentos de Crise nas Infinitas Terras, mas foi recentemente reintegrada a continuidade do Universo DC, que já está prestes a sofrer nova reformulação. Até onde se sabe, Mulher Gato, Batman, Robin e Caçadora da Era de Ouro continuam falecidos. De certa forma é triste pensar que nos seus túmulos repousam as versões originais dos heróis que encantaram a primeira geração de leitores de quadrinhos.

E este foi um breve resumo das aventuras da Mulher Gato de duas eras e duas terras. Apenas um arranhão na rica bibliografia de uma das personagens mais marcantes dos quadrinhos, cujo fascínio parece desconhecer a passagem das décadas.

Espero que tenham gostado. 

André Ornelas (Marshall) é um amante das Histórias em Quadrinhos. Colecionador, leitor ávido, nostálgico e ranzinza, tem apreço especial pelos clássicos. Se sente a vontade em sebos e cultiva grande interesse pela história das Histórias em Quadrinhos. Dono de um senso de humor corrosivo, suas opiniões costumam ser firmes e contundentes. É redator do site www.area171.com.br e seu personagem preferido é o Capitão Marvel.

É fácil pagar mico em filme de herói!

Vivemos o auge das adaptações de HQs para o cinema. Os estúdios bancam filmes exorbitantes sem piscar, sabendo que mesmo que eles sejam ruins (Quarteto Fantástico, Motoqueiro Fantasma, Demolidor, O Incrível Hulk…) darão um bom retorno de bilheteria. Na verdade, nem sempre foi assim. Na década de 90, filmes de heróis sofriam com orçamento que se comparados com os de hoje, são risíveis. Por exemplo, o Justiceiro com Dolph Lundgreen custou 10 milhões de dólares e o próprio Batman de Tim Burton, 48 milhões. Passa longe de quantias como O Cavaleiro das Trevas e Watchmen, não é verdade?

Mas este post não é para discutir orçamento, e sim para mostrar que desde a década de 30, a galera sempre pagou mico fazendo filme de super-herói – o que prova que eles não são assim tão simples de serem feitos. Então vamos lá, aos micos:

Sylvester Stallone – O Juiz

A intenção era boa. Após um período de baixa em sua carreira no final da década de 1980, Stallone voltou com tudo em 1994 e engatou bons filmes que fizeram bastante sucesso, como Risco Mortal e O Demolidor. Aí alguém deve ter falado para ele que existia um policial inglês, sucesso entre o público underground, que vivia num mundo maluco onde policiais são juízes, júris e executores. Bela premissa, não? Assim, em 1995, Sly lançou esta bomba – e de quebra conseguiu arrastar alguns atores de respeito, como Armand Assante, Max Von Sydow e Diane Lane. E, claro, um ator do quilate de Stallone jamais poderia ficar sem mostrar o rosto, então lá está ele sem máscara durante metade do filme – o que nunca aconteceu nas HQs.

Billy Zane – O Fantasma

Ok, você vai dizer que a carreira inteira de Billy Zane é um mico completo – e eu vou ter que concordar. Mas também vamos dar um desconto para o cara, pô. Sem ele, Titanic não teria sido a metade da diversão que foi e ele conseguiu contracenar com Tom Berenger em O Atirador nos bons tempos do homem! Isso quase apaga as outras 100 porcarias que ele estrelou (eu disse quase), mas neste O Fantasma ele realmente conseguiu se superar. Nada, sem brincadeira, nada se salva nesta incrível porcaria, dirigida por Simon Wincer, em 1996. E ele levou consigo para o buraco Treat Williams, Kristy Swamson e uma Catherine Zeta-Jones ainda em começo de carreira.

Christopher Reeve – Superman IV: Em Busca da Paz

Sabe aquela famosa história sobre relacionamentos? Os primeiros anos são maravilhosos, de repente tudo começa a dar uma estremecida, até entrar naquela fase terminal em que a coisa simplesmente explode? Pois é! Foi o que aconteceu aqui. Esta porcaria sem igual produzida pela Golan-Globus (na boa, essa dupla de judeus picaretas ainda vai ganhar um post só seu aqui) faz com que Superman III pareça uma obra de arte. E olha que naquele tinha até Richard Pryor como alívio cômico… Bom, esta bomba de 1987 não fez Reeve pagar mico sozinho, o elenco principal dos outros filmes veio junto, inclusive Gene Hackman e Margot Kidder. E o fracasso foi tão grande que foi a partir dela que os estúdios começaram a ficar reticentes em apostar em produções baseadas nos filmes de heróis.

Talisa Soto – Vampirella

Quando anunciaram o filme da Vampirella, eu fui o primeiro a dar pulos de alegria. Pena que as notícias seguintes não foram nem um pouco animadoras. No papel principal, Talisa Soto. Ok, ela tem um rosto bonito, porém estamos falando de Vampirella, caramba, e todos sabem que 90% dos quadrinhos dela se baseiam em, bem, em certos atributos que Talisa não tem. Mas tudo bem, vamos dar crédito. Aí anunciam o vilão, Roger Daltrey, do conjunto The Who. Cacete, fala sério. Então sai a primeira foto de Talisa e vemos que qualquer cosplay vagabundo é melhor desenhado que o uniforme da alienígena vampira. O diretor é Jym Winorski que conseguiu a façanha de dirigir mais de 80 títulos na carreira – todos pérolas. Enfim, nada se salva neste lixo incomensurável de 1996, com uma história ridícula, que se leva a sério e nem sequer tem os momentos divertidos dos filmes trash.

Josh Brolin – Jonah Rex

Caraca, o que poderia dar errado? Brolin interpretando um pistoleiro durão e desfigurado. A gostosa do momento Megan Fox para encher os olhos do público masculino. John Malkovich de vilão. Um dos mais amados personagens secundários da DC Comics? Bem, por mais que a fábula pareça bonita, tudo deu errado neste equívoco de 2010. Roteiro? Bad! Atuações? Bad! Figuro? Bad! Direção? Bad! Fotografia? Bad! Trilha Sonora? Bad! Cara, na boa, poupe a si próprio duas horas de nervosismo e jamais assista este lixo!

Jennifer Garner – Elektra

Quando o filme do Demolidor estreou, mesmo as pessoas que falaram mal (e olha que foram muitas) concordaram em uma coisa: se tinha algo que se salvava era a escolha de Jennifer para o papel de Elektra. Quando a Marvel deu sinal verde para o filme solo da ninja, eu imagino que ela deve ter dado pulos de felicidade. O diretor era Rob Bowman que vinha do sucesso Reino de Fogo (um bom filme de dragões) e estava querendo dar o pulo para fora da televisão, pois ele sempre foi um desses diretores anônimos de séries de TV. Ledo engano – o filme Elektra sepultou as chances dele e o arremessou diretamente de volta para a telinha. O mais incrível é que o cara se diz fã da personagem, e conseguiu transformar a maior ninja assassina da história dos quadrinhos em uma menina chata e chorona. E até Jennifer (normalmente competente), por mais perfeita que estivesse fisicamente, está canastrona ao extremo neste filme de 2005. Quem mais foi arrastado para esta vergonha alheia? Nada mais, nada menos que Terence Stamp – um daqueles atores soberbos e sérios que chega numa determinada altura da carreira e não sabe mais o que fazer!

Shaquille O’Neal – Aço

Tudo bem, ele pode ter sido um dos grandes gigantes do basquete de todos os tempos. E pode até ser que nas quadras, Shaquille nunca pagasse mico. Mas aqui… Bom, dá para sentir que é uma ideia de girico desde o começo, um filme de um personagem de quinta categoria, dirigido por um diretor de quinta categoria (Keneth Johnson, que praticamente só fez séries de TV na vida), com um ator que não é ator. É, meus caros, o resultado: um orçamento de 16 milhões de dólares e uma renda de… 1 milhão e setecentos. Pois é, mais um chute no saco que a Warner deu em si própria.

Lou Ferrigno – Hércules

Todo mundo se recorda de Lou no papel do Hulk, na série de TV, mas na verdade ele fez muitos filmes de ação. Foi Simbad no cinema, chegou a fazer uma ponta na série do Conan e tem um filme verdadeiramente ótimo, Cage, no qual contracena com Reb Brown (o Capitão América da década de 70). Mas ele teve a infelicidade de se envolver com o “diretor” italiano Luigi Cozzi que, em 1983, queria dar a sua versão do mito do mais famoso herói grego. E sabe do que mais? Hércules é ruim de doer, mas até que dá para se divertir. Mas o pior ainda estava por vir… Dois anos depois, aparentemente Lou e Luigi acharam que o filme anterior não foi ruim o suficiente e resolveram filmar uma sequencia: As Aventuras de Hércules.

(Pausa para um silêncio constrangedor)

Meu amigo, vou te contar uma história… Esse filme é horrível. Terrível. Pavoroso. Lamentável. Os críticos no mundo inteiro ficaram tão abalados que o longa é comumente citado entre os primeiros lugares em listas de piores filmes da história!!!  A coisa foi tão feia que Luigi foi literalmente arremessado para a televisão depois dessa porcaria – e lá permaneceu por um bom tempo; ele ficou tão marcado que seus filmes seguintes não foram creditados e depois ele passou a usar um pseudônimo.

Buster Crabbe – Buck Rogers

Novamente uma ideia que parecia boa. Em meio ao grande boom que houve a partir do final da década de 30, no qual quase todos os heróis da época foram levados ao cinema, tivemos pelo menos uma obra prima: Flash Gordon, com Buster Crabbe, de 1936. Tudo funcionou naquela série – atuações, roteiro, diálogos, efeitos – então nada mais lógica que repetir a fórmula usando o mesmo galã três anos depois, num personagem parecido. Mais uma vez me pergunto se produtores tem, de fato, cérebro. Afinal o que os faz pensar que tudo o que funcionou anteriormente daria certo novamente em uma cópia deslavada, com o orçamento pela metade? Crabbe (que inclusive já tinha vivido outro ícone, Tarzan), pagou um mico violento nesta série ridícula.

David Hasselhoff – Nick Fury: Agente da Shield

Um cara como David com certeza nunca se preocupou muito com canastrice, afinal ele era o astro de Baywatch! Mas neste filme feito para a televisão em 1998, ele realmente se supera. O interessante é que está na cara do astro que ele achava que realmente estava fazendo algo bom – e o tanto que leva a sério seu papel torna-se um atrativo a parte no filme. Se você estiver disposto a dar umas boas risadas, só as caras e bocas dele já valem a sessão, que precisa ser regada a pipoca e guaraná. Se você for um daqueles fãs xiitas do personagem, passe longe, pois só irá se irritar.

Brigitte Nielsen – Guerreiros de Fogo

Tive a chance de rever este filme recentemente e cheguei a uma conclusão: apesar de guardar imagens de minha adolescência de que havia algumas coisas de divertido nele, nada mais era que uma projeção (sei lá do que). Não tem nada de bom neste filme. Nada. Necas. Pitica de nada. O filme é uma merda do começo ao fim. Não vale nem para ver Sandhal Bergman usando roupas de guerreira (para ver isso eu assisto Conan, o Bárbaro, oras). Este filme desvirtua completamente a caracterização da Red Sonja, personagem de Howard dada por Roy Thomas e foi uma “bela” estreia para Brigitte Nielsen, que depois fez um monte de filmes “bons”, como Stallone Cobra e Assassinato na Lua. Minha nossa, o filme tem também Schwarzenegger em um de seus piores momentos, no papel de Kalidor (um bárbaro genérico). Uma bomba de 1985 dirigida por Richard Fleischer que, em sua carreira, teve momentos brilhantes, como Viagem fantástica, O Homem que Odiava as Mulheres, Tora! Tora! Tora!, e Barrabás.

Dolph Lundgreen – Mestres do Universo

Ele chamou a atenção como o russo indestrutível que dá uma surra em Stallone em Rocky IV, então a Golan-Globus (de novo eles) acharam que este gigante seria a escolha certa para viver nas telas o personagem He-Man – então no auge de seu sucesso. Não me levem a mal, Lundgreen teve seus bons momentos e alguns filmes de respeito, como Homem de Guerra.  Na verdade, por um momento, eu até cheguei a pensar que ele daria um passo acima na carreira e conseguiria deixar de ser só um brucutu, pois o cara parecia estar se esforçando mesmo para atuar. Seu Justiceiro, apesar de ruim prá diabo, foi o primeiro passo, mas depois ele criou um psicopata interessante em Soldado Universal, e principalmente, em Johnny Mnemonic, ele surpreendeu como o Profeta. Mas depois tudo deslanchou. E quer saber, não dá para esquecer a imagem dele com aquele cabelinho cheio de água oxigenada e correndo num figurino ridículo. Mestres do Universo (que incrivelmente eu adoro – afinal todos temos os trashs que amamos) é ruim de doer, e muita gente boa colapsou neste embaraço de 1987: Courteney Cox (antes de seu sucesso com Friends), Chelsea Field (que daí para frente só conseguiu participar de produções C), Meg Foster e incrivelmente Frank Langella – um dos grandes atores de sua geração, excepcional em Frost/Nixon, que até que convence no papel de esqueleto.

Gerard Christopher – Superboy

Se muita gente acha ruim Smalville hoje em dia, tenho que dizer uma coisa: esta série faz com que o atual seriado do homem de aço (e até mesmo As Aventuras de Lois & Clark) seja uma obra prima. Sério. E incrivelmente esta tranqueira durou quatro anos, de 1989 a 1992. Bom, desnecessário dizer que a filmografia do ator, daí para frente, foi ladeira abaixo. Na verdade a série começou um ano antes, com John Newton no papel principal, porém após 26 episódios o cara foi despedido alegadamente por motivos contratuais e Gerard assumiu. Graaaande mérito. No papel de Lana Lang, a igualmente bela e desprovida de talento, Stacy Haiduk, que até hoje tenta se destacar na TV.

Sean Connery – A Liga Extraordinária

Pode um filme ser tão ruim, mas tão ruim, mas tão ruim a ponto de jogar um dos maiores atores da história do cinema para a aposentadoria e o deixar tão traumatizado que ele se recusou de sair dela até para estrelar o novo Indiana Jones (não que ele estivesse de todo errado)? Pois é, este filme conta com um bom elenco incluindo Stuart Townsend e uma de minhas favoritas Peta Wilson (reconheço que tenho o DVD só por causa dela), porém a verdade é que ele parece uma piada de mau gosto. Produzido em 2003 e “baseado” nos quadrinhos sensacionais de Alan Moore, o filme literalmente sepultou a carreira de Connery e também do aspirante a diretor Stephen Norrington, que havia acertado a mão no primeiro Blade (em 1998), mas de lá para cá não conseguiu dirigir mais nada. O mais triste foi escutar uma declaração de Connery antes do lançamento do filme dizendo que ele havia recusado papéis em Matrix e O Senhor dos Anéis, então desta vez não ia deixar passar um mega-sucesso! Coitado, fala sério se isso é forma de terminar uma carreira tão incrível quanto a dele?

Frank Miller – Spirit

Putz, não podia deixar de citar esse, não é? Vamos ser sinceros, quanto tempo faz que Miller não cria algo que preste. Todos são coniventes e pacientes com ele por causa de tudo que ele fez no passado – que é espetacular – mas acho que a última coisa boa que ele fez de verdade foi Sin City (a HQ). Aí ele se mete a diretor (só por que Robert Rodriguez, dando uma de fã babão, lhe deu a cadeira de co-diretor no filme Sin City) e pior, resolve adaptar um dos melhores quadrinhos da história: The Spirit. O resultado? Pavoroso. Ele consegue de uma só vez criar (mais) um momento constrangedor para Samuel L. Jackson, queimar as divas Scarlett Johansson, Eva Mendes e Jaime King, implodir a carreira do ator principal Gabriel Macht e ainda vetar todas as suas chances de continuar atuando como diretor em Hollywood. E não é para menos, esta porcaria de 2009 faz com que o longa-metragem feito para a televisão em 1987 com Sam Jones seja uma obra prima. Tiveram poucos filmes que eu desliguei na metade (odeio fazer isso por questão de princípios, não se deve criticar algo que você não viu), e este foi um deles. Na boa, eu já tinha visto o suficiente.

MENÇÃO HONROSA:

Halle Berry – Mulher-Gato

A síndrome do Oscar… Acontece sempre. Atores e atrizes ganham o cobiçado prêmio e de repente começam a fazer as piores escolhas possíveis na carreira (e entregar também as piores atuações). Mas não vou me alongar muito falando sobre Mulher-Gato aqui, afinal todos vocês conhecem essa bomba. De quebra Sharon Stone pagou um micaço nesse longa e também Benjamin Bratt (e eu que o respeitava por causa de Lei e Ordem…). Bom, mas o que esperar de um diretor chamado Pitof? Sabe o que mais, esse maluco conseguiu dirigir mais um filme para a televisão em 2008, quatro anos após ter assassinado a inimiga mais legal do Batman (algum louco deu a ele outra chance) – e ele fez uma porcaria tão grande quanto. Fire and Ice – The Dragon Chronicles faz com que os filmes de Uwe Boll tenham algum sentido.

E O PRÊMIO VAI PARA… JOEL SCHUMACHER

Batman Eternamente/Batman & Robin

Pois é, imagina que você junta para o elenco de um filme Val Kilmer (em seu auge), Jim Carrey, Tommy Lee Jones, Nicole Kidman, Michael Gough, Drew Barrymore e, ok, comete uma gafe e chama Chris O’Donnell.

E aí para o filme seguinte consegue George Clooney, Arnold Schwarzenegger, Uma Thurman, parte do elenco anterior, e ainda a linda Elle Macpherson e Alicia Silverstone para agradar os adolescentes da época (ei, ela fez até clipe do Aerosmith).

Fenômeno similar ocorreu com Supergil, de 1984, que juntou no mesmo lixo Peter O’Toole, Mia Farrow, Faye Dunaway e Brenda Vaccaro (todos iludidos pelo sucesso de Superman), mas os feitos de Schumacher tornam este longa uma verdadeira obra de arte.

 Pois é, ele conseguiu fuzilar todos aqueles nomes ao mesmo tempo e de quebra consegue sepultar no cinema por uma década um dos maiores personagens de todos os tempos, o homem morcego e como se não bastasse, cria nos estúdios um medo maior de investir em filmes de heróis do que aquele causado por Superman IV. E o mais abismal é que essas duas porcarias deram lucro! Isso mesmo, os filmes foram bem de bilheteria. Schumacher pode ter muitos acertos na carreira, como Os Garotos Perdidos, Por um Fio, Tigerland, 8mm, Tempo de Matar e Um Dia de Fúria, mas mesmo que ele filmasse um novo Cidadão Kane, nada conseguiria apagar o constrangimento que esses dois filmes causaram.

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