Minha Estante 62 – Sandro Santos

Para você que estava com saudade da coluna Minha Estante, pronto, não precisa mais ficar triste.

Ela está de volta, e dessa vez com o nosso amigo e colecionador Sandro Santos.

Sandro, que assim como a maiorias de nós, é apaixonado por quadrinhos e conta pra gente um pouco dessa sua vida de colecionador.

1 (131)

Sandro, muito obrigado por participar desta entrevista.

Eu que agradeço, Alexandre! Acompanho a coluna desde o início e sempre tive vontade de participar. Agora, apareceu a chance.

Onde você mora e o que faz da vida?

Moro em Avaré, interior de SP. Sou administrador de empresas com ênfase em Sistemas de Informação. Atualmente, trabalho na área fiscal no ramo sucroenergético.

Como que os quadrinhos entraram na sua vida?

Essa é fácil. Quando eu tinha uns 4 ou 5 anos, iniciei minhas “leituras” de imagens com os gibis da Turma da Mônica, como a maioria de nós. A leitura, propriamente dita, começou com Bloquinho 2. Tinha histórias de personagens italianos (Tarzaneto, o Coelho Porfírio etc). A edição perdeu-se nos caminhos da vida, mas, graças ao colecionador e vendedor André Luiz Garcia Aurnheimer, consegui reaver essa edição. Nem preciso dizer que ela está em destaque na estante.

Quantas HQs você tem?

Perto de 6.000. Mas ainda tem coisa para catalogar. As mensais que compro, cadastro aos poucos. Encadernados e edições antigas ou especiais, cadastro na hora. Tenho esse hábito.

1 (3) 1 (4) 1 (8) 1 (22)  1 (33) 1 (34) 1 (124)  1 (130) 1 (134)

Quais são os principais itens de sua coleção?

Embora eu tenha muitas edições luxuosas, capas duras e raridades da Ebal, Bloch e outras, as que eu guardo com todo carinho são os formatinhos da Abril. Comecei a ler pra valer quando a Abril passou a publicar a Marvel. A primeira revista de heróis que li foi o Heróis da TV 11, com a história em que o Capitão Marvel adquire a consciência cósmica. Havia também as histórias do Shang Shi, Punho de Ferro. Vi aquilo e disse: Cacete (não exatamente com essa palavra, claro). A partir dali, mudei o foco para heróis e não parei mais. Aí veio: Capitão América, SAM, Conan… Bons tempos.

Qual o item mais raro que você tem?

Creio que, em termos de dificuldade de se conseguir, seja a edição Almanaquinho de Invictus – 1968, da Ebal. Paguei R$ 10,00 por ela. Por esse preço, praticamente impossível de encontrar… (risos). Foi um achado.

Outras que merecem destaque são: a coleção Edição Maravilhosa primeira edição, até o número 100; Brucutu, da RGE; Betty Boop, da GEA e outras.

1 (41)

1 (25)1 (79)1 (109)1 (132)1 (10)1 (11)1 (39)1 (57)1 (12)1 (18)1 (69)1 (70)1 (82)1 (86)1 (90)1 (133)1 (93)1 (108)1 (61)1 (106)

Você mora em Avaré (cerca de 270 km de SP capital). Gostaria de saber como é a distribuição aí na sua cidade. As revistas tendem a chegar no mesmo mês de seus lançamentos?

Rapaz, eu tenho alguma dificuldade, sim. Acompanho algumas mensais e elas costumam atrasar. Mas chegam. Já encadernados como Hellblazer, Monstro do Pântano, Inescrito, Fábulas e outros especiais, chegam com muitos meses de atraso. Às vezes, pula edição e aí tenho de recorrer à internet para encontrar os números faltantes. Mas isso é problema da distribuidora local, segundo o funcionário da banca onde compro. Essa distribuidora fica em Bauru, cidade a 140 km de Avaré e o problema de logística é grande. Aqui vale uma observação: compro nessa banca há quase trinta anos, com o mesmo funcionário. Faço duas visitas semanais e os papos sobre quadrinhos foram, ainda são, muitos. Um verdadeiro ponto de encontro entre leitores. Hoje em dia, isso está cada vez mais difícil de ocorrer. Mantenho esse hábito.

Uma curiosidade sobre minha cidade: Aqui foram realizados alguns Congressos Internacionais de Histórias em Quadrinhos, na década de 70, com a presença de diversos quadrinistas, inclusive o Mauricio de Sousa. Uma pesquisa rápida na internet pode fornecer maiores informações sobre esses eventos. Um amigo meu tem um cartaz dessa época que estou doido para comprar, mas ele não vende. Deixa emoldurado na casa dele só para fazer inveja. Quem sabe um dia?

Além da banca, tem mais algum lugar que você costuma comprar?

Além da banca citada, compro muito na Amazon, Fnac, Saraiva, sebos virtuais e no Mercado Livre. Nesse último, sabendo procurar, dá para achar muita coisa com preço legal. O pessoal mete o pau, mas nem tudo é tão caro assim. O segredo é focar nos leilões a partir de R$ 1,00 que finalizam no meio da semana. Já comprei edições bacanas, como o WE3 capa dura, da Panini, por R$ 7,00. Acredita?

Também visito muitos sebos das cidades vizinhas. Gosto de me enfiar entre as estantes e fico lá até a esposa terminar as compras nas lojas e me chamar.

(Dica: levem as namoradas/esposas e as deixem nas lojas próximas, enquanto você se suja nos sebos. Todo mundo fica feliz.)

Viajo no tempo quando estou caçando gibis antigos. Não à toa, meu programa favorito é o Caçadores de Relíquias, do History Channel.

E, nessas visitas, aproveito para pegar gibis que repasso aos amigos colecionadores. Você, inclusive, já pegou algumas comigo.

1 (1) 1 (2) 1 (14) 1 (21) 1 (26) 1 (35) 1 (36) 1 (37) 1 (38) 1 (43) 1 (45) 1 (46) 1 (47) 1 (48) 1 (51) 1 (52) 1 (54) 1 (55) 1 (56) 1 (72) 1 (73) 1 (76) 1 (77) 1 (78) 1 (81) 1 (88) 1 (95) 1 (97) 1 (104) 1 (107)1 (49)1 (50)1 (60)1 (62)1 (68)1 (98)1 (105)1 (135)

A sua coleção tem de tudo. Mas qual é o estilo de HQ que você mais gosta?

Embora a maioria de minha coleção seja composta do gênero super-heróis, é difícil definir um estilo.

Já tive fases em que preferia espada e fantasia (Conan), Humor (Groo), Terror (Kripta), erótico (Druuna, Valentina). Mas, com o tempo, percebi que prefiro mesmo todos.

Como você guarda seus quadrinhos? Você tem alguma técnica para conservar as suas revistas?

Tenho um quarto exclusivo para as HQs. E, como a maioria dos colecionadores tem algumas regrinhas básicas quanto à conservação.

Primeiro aquela cheirada básica. Seja novo ou antigo, é de lei. Comigo, formato digital não funciona. Tenho de pegar o papel nas mãos, sentir a textura das folhas. Mas em se tratando de papel, tem de ter alguns cuidados. Papel amarela, resseca, não tem jeito. Mas dá para retardar esse processo natural.

Formatinhos, mensais e encadernados brochura, coloco em sacos plásticos. Compro em lojas de embalagens mesmo.

Capas duras, deixo sem. Salvo algumas exceções, guardo todos em pé. Tenho algumas edições da editora Nemo que, devido ao tamanho, tenho de deixá-las deitadas.

Uma observação: Capa dura, NUNCA, NUNCA deixe empilhada uma em cima da outra. As páginas vão colar. Falo com propriedade, pois já passei por isso com algumas edições de Sandman, da Conrad. Quando a tinha é nova, não seca direito, aí já viu. Mas notei que esse problema costuma ocorrer com maior freqüência em edições da Conrad e Pixel. Nas da Panini, não notei isso. Mas não dou sopa para o azar. Ficam em pé, sem deixar muito apertadas umas às outras.

Para evitar insetos, coloco grãos de pimenta do reino e cravo nos nichos da estante. Afasta qualquer traça que você possa imaginar. Se observar bem, os pontos pretos que aparecem em algumas fotos são esses pequenos truques.

Além disso, montei a estante longe de paredes externas e janelas. Com esses cuidados e uma limpeza de vez em quando, os tesouros estão preservados.

1 (7) 1 (9) 1 (29) 1 (30) 1 (42) 1 (119) 1 (118) 1 (44)1 (111) 1 (110) 1 (102) 1 (120) 1 (121) 1 (122) 1 (123) 1 (125)1 (126)1 (127)1 (71)

Talvez o maior problema para nós, colecionadores, seja o espaço. Lembro de quando você comprou a sua estante para guardar a sua coleção. Pelo jeito você vai ter que comprar outra não é mesmo?

Na verdade, comprei o material e eu mesmo a montei. Desenhei como queria e pedi para a loja de materiais já cortar nas medidas definidas. Aí, foi só usar a parafusadeira, parafusos, pregos e pronto. Em um final de semana, estava montada a estante. Nas mesmas medidas, a marcenaria queria me cobrar R$ 3.000,00. Meu custo ficou em menos de R$ 600,00. Sobrou grana para os gibis.

Mas, sim. Já estou pensando em montar outra, porque essa vai encher logo.

Sei que você estava atrás da Heróis da TV 1. Você já conseguiu essa edição?

Ainda não consegui. Até apareceram algumas, mas estavam pedindo de R$ 300,00 para cima. Aí não dá. Tenho paciência. Um dia aparece uma com valor mais baixo. Eu até poderia pegar um fac-símile para tapar buraco, mas não seria a mesma coisa. Gosto mesmo é de original, com toda a história que carrega de seus antigos colecionadores. Às vezes, achamos coisas dentro dessas edições antigas. Eu mesmo já encontrei cartões postais, cartas, figurinhas antigas. É sempre uma surpresa.

Qual foi sua última leitura e qual está sendo a atual?

Toda noite, tem leitura. A última que li (ou reli), foi justamente a do Bloquinho, que mencionei acima. Passei bons momentos relembrando a infância. A atual está sendo Maus, que comprei há pouco tempo. Fazia tempo que estava atrás e, finalmente, apareceu a um bom preço na Amazon. Espetacular!

1 (99)

Se tivesse que escolher um gibi pra eternidade, qual seria?

Fácil. Heróis da TV 11. Foi esse que me fisgou para o mundo da Marvel e dos heróis.

Obrigado pela entrevista, Sandro. Para finalizar, deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Agradeço a oportunidade, Alexandre! O recado que deixo é que não desistam de suas coleções, apesar das traças, poeira e preços exorbitantes.

Cultura é essencial e preservar a memória das histórias em quadrinhos faz parte de nossa missão.

1 (16) 1 (17) 1 (23) 1 (31) 1 (74) 1 (75)  1 (136) 1 (137) 1 (138)1 (5)1 (6)1 (28)1 (112)1 (113)1 (114)1 (116)1 (117)

Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros fãs e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

Minha Estante #61 – Marcos Massolini

Olá, amigos do Pipoca e Nanquim.

A coluna Minha Estante está de volta com mais uma grande coleção.

A entrevista de hoje é com o amigo de São Paulo Marcos Massolini.

Marcos que é formado em jornalismo e colecionador de longa data nos mostra um pouco do seu acervo, com títulos bem diversificados. E conta também sobre o dia em que conheceu o mestre Will Eisner!

01

Marcos, obrigado por participar desta entrevista.

Eu que agradeço. Obrigado pelo convite! Estou num momento de transição, com minhas revistas e itens em local improvisado, pois a intenção é mudar em breve toda a coleção para um lugar mais apropriado. Mas eu não podia deixar passar essa oportunidade e espero não decepcioná-los.

Para começar, nos conte um pouco sobre você. Onde nasceu, mora e o que faz profissionalmente?

Eu nasci em 1967, em Santo André, mas morei toda vida em São Caetano do Sul, cidade vizinha. Me formei em Comunicação pela Universidade Metodista em 1990 e sigo como jornalista desde então.

02Conte como foi que você começou a gostar de quadrinhos?

Eu gosto dos quadrinhos desde que me conheço por gente. Inclusive me alfabetizei antes de ir para a escola, aos cinco anos, e as HQs foram fundamentais para esse processo. A primeira lembrança que tenho é a da minha mãe comprando gibi comigo na banca – Cebolinha, Mickey e Almanaque Disney são os que me lembro. Mas na minha memória afetiva, os quadrinhos sempre estiveram presentes, pois meu pai, além de guardar revistas em quadrinhos desde a sua mocidade – O Pato Donald, Fantasma, Mandrake, Edição Maravilhosa, entre outros – comprava jornal diariamente e dezenas de fascículos que saíam principalmente pela Abril Cultural, e nessas de passar na banca, ele sempre trazia pra mim alguma novidade em quadrinhos. Lembro nitidamente que ele trazia junto do jornal dobrado, maravilhas como o número 1 do Gibi Semanal (de setembro de 1974, data em que eu fiz sete anos) e os lançamentos da Ideia Editorial, com acabamento e papel de primeira: Mister Magoo, Tico e Teca, Capitão Big Bom. Nesse período eu posso citar de cabeça dois momentos de pura fascinação: a leitura da história “Os Abobrinhas”, publicada em Cebolinha nº 22, de outubro de 1974, com Cascão e o personagem título formando uma dupla maquiada no estilo dos Secos & Molhados, uma febre na época (e que depois eu soube ser um roteiro de Márcio de Sousa); e quando eu bati o olho pela primeira vez numa página cinematográfica de The Spirit no Gibi Semanal (em sua estreia, no nº4). Aquilo mexeu com minha cabeça!

Quantas HQs você tem?

Bem menos que você, Alexandre Morgado, com certeza… (risos).  As edições nacionais estão bem catalogadas, mas as estrangeiras não. Somando as duas partes, eu acredito que a coleção está entre 4500 e 5000 exemplares. Na verdade, por ser um contumaz frequentador de bancas, nunca fiz assinatura de nenhum título, e ultimamente estou escolhendo as edições de banca a dedo: J.Kendall, temáticos da Disney, Clássicos do Cinema da MSP e as Graphics Marvel da Salvat. Fico de olho também nas edições históricas da Panini , nas Graphics MSP e nas especiais da Pixel e da Marvel/Disney. Mesmo somando essas edições pontuais com os lançamentos em livrarias e os achados em sebo, a minha coleção vem crescendo a passos de tartaruga.

pipocananquim56 pipocananquim57 pipocananquim58 PIPOCANANQUIM60 PIPOCANANQUIM61 pipocananquim62 pipocananquim64 pipocanaquim59 pipocanaquim55

 A sua coleção é bem eclética, tem de tudo um pouco não?

Sim. Primeiro porque gosto de quase todos os gêneros de HQs. E segundo, porque o colecionismo tem um lado de preservação histórica que me fascina. Eu trabalhei vários anos no setor de arquivo e documentação da Editora Abril e essa atividade acabou aflorando o meu lado de “arqueólogo”… (risos). Vou te dar um exemplo recente: fuçando algumas prateleiras bem altas em um sebo da minha cidade, encontrei duas revistas tamanho pocket, escondidas entre os livros, com novelas em quadrinhos editadas pela Editora Vecchi no final dos anos 50. Um colecionador “normal” passaria batido, mas eu comprei-as imediatamente, por três motivos: por ser um item histórico de uma editora que deixou sua marca nos quadrinhos; por ser uma ótima fonte para uma eventual matéria, já que essas edições voltadas para as moças da época – e foram muitas – quase não são mencionadas nos estudos sobre HQs; e porque, deixando de lado qualquer preconceito e o excesso de açúcar dos enredos, os desenhos italianos publicados são bem apresentáveis. É por essas e outras que minha coleção tem clássicos indiscutíveis, mas também tem itens bem estranhos e fora do esquadro.

IMG_20151127_153514657IMG_20151127_155531333 (1)pipocananquim12pipocananquim13

IMG_20151127_145217469 IMG_20151202_090254085

Quais são os principais itens de sua coleção? O que você tem de raridade?

Eu tenho um grande apreço pela minha coleção de Homem-Aranha, meu super-herói predileto, da EBAL até a Abril, praticamente completa. Também adoro meus itens de terror dos anos 50, principalmente pelas capas maravilhosas de Miguel Penteado e Jayme Cortez, obras de arte que deveriam ficar expostas em galerias. Outro xodó meu é a coleção de Ferdinando, em suas duas fases: formato americano nos anos 60 e formatinho na metade dos anos 70.

Não tenho tantas coleções completas, mas alguns itens se destacam pela raridade: números baixos de Mickey, entre 1952 e 1955; as edições de O Pato Donald herdados do meu pai, a partir de 1952; Mônica nº1 da Abril, em estado de banca; Misterix nº 1 da Abril, de 1953, com capa de Jayme Cortez; revistas raras da La Selva e da Novo Mundo – Coelho Valente, Oscarito & Grande Otelo, Terror Negro, Noites de Terror –; alguns almanaques de O Globo Juvenil, Vida Juvenil, Vida Infantil e O Tico-Tico; Popeye nº 1 da EBAL; as primeiras edições da linha de produção do Marcatti; Chico de Ogum e Modesty Blaise da M&C; números avulsos de Gazeta Juvenil,  Suplemento Juvenil , Mirim e Globo Juvenil; números baixos de O Anjo, da Rio Gráfica, com desenhos de Flavio Colin; as oito edições de Dick Tracy que saíram pela Rio Gráfica nos anos 60; e por aí vai…

fipipocaenanquim20 fyyIMG_20151127_155132881 IMG_20151202_091224218 IMG_20151202_091352291_HDRxfhpipocaenanquim21IMG_20151214_074513367

 Sei que você é “rato de sebo”. Você ainda costuma frequentar alguns sebos por ai?

Sim, sou um ser em extinção… (risos). Tenho plena consciência que as coleções e os itens raros estão cada vez mais nas mãos de colecionadores e vendedores em sites como o Mercado Livre, e sei também que os sebos não disponibilizam todo o seu acervo nas lojas físicas, mas não tem jeito: eu não posso ver um sebo que corro pra fuçar. Ainda frequento sebos no centro de São Paulo e na região do ABC e se vou a uma cidade que não conheço, a primeira coisa que eu quero saber é o endereço do sebo mais próximo. Essa minha insistência, apesar da maré contrária, ainda me rende muitas surpresas.

pipocananquim16pipocananquim24

pipocananquim29pipocananquim25

 A sua coleção tem bastantes itens raros e antigos. Qual a sua opinião em relação aos quadrinhos de hoje em dia que possuem um acabamento mais luxuoso?   

Acho que essa tendência mais luxuosa veio pra ficar e é um nicho importante dentro do mercado. Pra mim, pessoalmente, é uma tortura, pois algumas dessas caprichadas edições, principalmente as antologias, são grandes tentações que geralmente acabam ficando fora de alcance por conta do dinheiro contado. Mas ao mesmo tempo em que entendo essa vertente luxuosa, sinto muita falta daquelas revistas underground e alternativas que pipocavam nas bancas dos anos 80/90: Porrada, Abutre, Monga (que saiu em edição única e virou lenda), Bundha, Nocaute, entre outras.

pipocaenanquim76

 Tem uma história em que você conheceu o Will Eisner. Pode contar pra gente como foi?  

Foi em 1999. Eu prestava serviços para a assessoria do Jô Soares no SBT, e quando soube que o mestre Will Eisner seria entrevistado pelo programa, liguei imediatamente para o assessor e reservei dois lugares na fileira do gargarejo. No dia, fiquei em êxtase durante toda a entrevista ao vivo e quando ia saindo pelos bastidores com minha esposa, eis que o criador de Spirit surgiu de repente em nossa direção! Foi o tempo de esticar o álbum No Coração da Tempestade e a caneta que eu tinha em mãos e balbuciar alguma bobagem em inglês do tipo “I love Spirit!”, enquanto via a mão do mestre finalizar a rápida dedicatória, antes de acenar e sair das dependências da emissora.  Um momento-relâmpago que pra mim ficará na eternidade.

WILLend

 Sensacional. Você possui mais alguns outros itens autografados na sua coleção?

Tenho poucos, mas prezo cada um que tenho. Além da já citada dedicatória de Will Eisner, consegui reunir em um álbum dos Los Tres Amigos, autógrafos e desenhos hilários e exclusivos de Laerte, Angeli, Glauco e Adão Iturrusgarai, todos de uma vez só, em uma noite de lançamento memorável. Possuo um pôster de numeração limitada com a assinatura original do Fabio Civitelli. Tenho também autógrafos de grandes mestres e personalidades dos quadrinhos nacionais como Rodolfo Zalla, Carlos Edgard Herrero, Marcatti, Laudo, Toninho Mendes, Primaggio, Guazelli, Rod Reis, Gilmar, Bira, Fernandes, Mastrotti, Gonçalo Jr., Roberto Elísio, Spacca, entre outros. E graças ao onipresente Marcelo Alencar, consegui por esses dias a minha mais recente assinatura: a do grande Miguelanxo Prado!

pipocananquim63pipocaenaquim23

Você é o tipo de colecionador “PRECISO TER” ou é mais tranquilo em relação a isso?

Sempre fui tranquilo quanto a isso. A procura por itens faltantes ou sonhos de consumo nunca foi uma sangria desatada pra mim. A demora às vezes é até emocionante… (risos).

O que você tem lido atualmente que você mais gostou?

Como muita gente nessa correria diária, tenho uma pilha de edições para ler ao lado da cama, e aos poucos vou tentando diminuí-la. Reli a pouco o Monstro do Pântano, desde o seu início… realmente uma saga e tanto! Gostei muito também de ler As Diabruras de Quick e Flupke, do Hergé, em dois álbuns que saíram pela Globo Livros Graphics. Eu não conhecia esses personagens, que foram criados um ano depois do Tintim, e sua leitura me remeteu aos bons e movimentados momentos do clássico Sobrinhos do Capitão. Acabei de ler também A Arte de Quadrinizar, de Ivan Brunetti, que foca a importância de colocar a narrativa antes dos detalhes, em lições bem minuciosas e espirituosas. Neste mês, li e adorei o segundo volume de Bear da Bianca Pinheiro – sutil e emocionante na dose certa! E pra fechar, comecei a ler por esses dias, Tungstênio, do Marcello Quintanilha. Ele, pra mim, é um dos melhores autores de HQs do mercado atual, com suas crônicas sociais cheias de lirismo e movimento.

Quais são seus 10 quadrinhos preferidos de todos os tempos?

The Spirit – Will Eisner
Homem-Aranha – Stan Lee e John Romita
Li’l Abner – Al Capp
Dick Tracy – Chester Gould
Asterix – Uderzo e Goscinny
Tintim – Hergé
Pato Donald – Carl Barks
Pererê – Ziraldo
Freak Brothers – Gilbert Shelton
Spirou – André Franquin

zcbpipocaenanquim75

 E os artistas? Quais são os seus preferidos?

Winsor McCay, Frank King, Hal Foster, Milton Caniff,  Alex Raymond, Carl Barks,  Will Eisner, Jack Kirby, John Romita, John Buscema, Nico Rosso, Jayme Cortez, Flavio Colin,  Moebius.

Sobre quadrinhos nacionais. Quais são os que você mais gosta?

Nossa… muita coisa! Raffles, do Carlos Thiré; Pituca, do Joselito; Anjo, adaptado por Flavio Colin; Pererê, do Ziraldo; Nico Demo, Turma da Mata e Os Sousa, do Maurício de Sousa; O Gaúcho, de Julio Shimamoto ; Vizunga, de Flavio Colin; Sacarrolha, do Primaggio; Graúna, do Henfil; Chopnics, do Jaguar; Chico de Ogum, de Carlos Cunha e Nico Rosso; Zé Carioca, de Ivan Saidenberg e Renato Canini;  Mirza, de Eugênio Colonnese; Capitão Bandeira, de Paulo Caruso e Rafic Jorge Farah; Wood & Stock, de Angeli; Geraldão, do Glauco; Ed Mort, de L.F. Veríssimo e Miguel Paiva; Diomedes, de Lourenço Mutarelli; e entre os mais recentes, Valente, do Vitor Cafaggi; Aú, o Capoeirista, do Flavio Luiz; Os Passarinhos, de Estevão Ribeiro; Edibar, do Lucio Oliveira.

hsh pipocanaquim50

Obrigado por participar, Marcão. Para finalizar, deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Agradeço muito a oportunidade! O Pipoca & Nanquim é uma fonte de referência para os amantes das HQs e me sinto muito lisonjeado em participar dessa seção em que já apareceram grandes colecionadores do Brasil todo. Para os leitores, o que eu posso acrescentar é: por mais que intempéries e pragas apareçam – enchentes, cupins, umidade, traças, etc – ou uma crise econômica venha com tudo, não abandonem ou vendam de impulso suas coleções ou seus itens valiosos. Depois da tormenta com certeza virá o arrependimento… (risos).

pipocanaquim46IMG_20151127_154020397

pipocananquim18pipocanaquim19

PIPOCANANQUIM65pipocananquim66

pipocananquim67pipocananquim68

Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros fãs e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

 

Minha Estante #60 – Luiz Gonçalves

Olá, amigos do PN!
Depois de um longo hiato, voltamos com nossa coluna favorita, a Minha Estante.
E, claro, retomamos mantendo o nível das outras coleções mostradas aqui. Cabe dizer que quem cuidará dessa coluna a partir de agora será o Alexandre Morgado, grande colecionador e conhecedor de quadrinhos.

Hoje o papo é com o grande colecionador Luiz Gonçalves, que mora em Minas Gerais.
Luiz que é formado em Desing, mestre em comunicação, professor universitário e empresário. Fundador e diretor há 25 anos da agência de propaganda e marketing Aliás Comunicação e Branding.
Nessa entrevista, ele vai nos mostrar a sua grande coleção, com foco em seu belíssimo acervo europeu, além do seu “kit de sobrevivência” que serve para reparar, higienizar e restaurar suas HQs.

Minha estante_Luiz Gonçalves_01

Olá, Luiz! Muito obrigado por participar desta entrevista.

Eu é que agradeço. É muito bom poder compartilhar com apreciadores e amantes de bons quadrinhos esta coleção, motivo de muita alegria e bons momentos na minha vida.

Como começou a sua fascinação por quadrinhos?

Cedo, cedíssimo, aliás, fui alfabetizado com quadrinhos, aos cinco anos estava soletrando Pato Donald… Bem, a coisa evoluiu para uma primeira estante lotada de tudo da Disney e olha só, já contava com os meus queridos europeus: Asterix, do Uderzo e Goscinny, Smurfs, do Peyo e Mortadelo e Salaminho, do Francisco Ibañez. Infelizmente a coleção (salvo alguns itens) não resistiu ao tempo. Após a adolescência e quando saí da casa dos meus pais no interior para estudar em Belo Horizonte, foi tudo doado. Mas é bacana saber que deve ter sido muito bom para a criançada que dividiu o bolo!

Na universidade, recuperei a coisa com outro olhar. Em uma época meio mágica dos anos 80, levei a porrada da Revista Animal, que realmente me aplicou na temática que gosto até hoje, esta coisa meio transgressora e irreverente, com este filtro bacana de quadrinho de autor.

Após me formar, em uma viagem a Espanha, que na época estava bombando na cena de HQ underground, comecei a pesar a barra, aí voltei de lá com mala cheia de Tebeos (como os comics são chamados na Espanha) e um gosto legal de ler em outras línguas e ir apurando nas temáticas e nos grandes artistas das BDs (Banda Desenhada), no estilo franco-belga e linha clara, capitaneado por Hergé, criador do Tintim, que caracteriza grande parte dos autores que gosto.

A fascinação continua até hoje! Ganho a vida com imagem (Design) e narrativa (Marketing e Propaganda). De certa forma, as HQs me retribuem muito, pois ampliam minha visão e sensibilidade.

Quantos quadrinhos você tem?

Minha biblioteca tem cerca de 4.500 volumes, dos quais uns 3.000 são álbuns e revistas em quadrinhos e no iPad deve ter mais uns 1.000 digitalizados…

Minha estante_Luiz Gonçalves_02 Minha estante_Luiz Gonçalves_03

Qual é o foco da sua coleção?

Meu recorte é Quadrinho Europeu, principalmente das décadas de 80 e 90. Também tenho uns americanos que considero fora da curva, como Will Eisner, Richard Corben, Charles Burns… e alguns brasileiros bacanas e com temática mais adulta e/ou de humor. Mas o foco é BD Europeia, continental, já que tirando Watchmen, do Alan Moore, não tenho praticamente nada da Inglaterra.

Minha estante_Luiz Gonçalves_28 Minha estante_Luiz Gonçalves_29

A sua coleção é bem organizada. Qual é a sua técnica de organização?

Olha só, classifico principalmente por autor, pois geralmente eles têm um estilo e temática que favorece este tipo de ordem. Como a maioria dos meus quadrinhos não são seriados e sim álbuns com histórias fechadas, a melhor forma é agrupar desta forma.

Você tem muitas HQs, que nunca foram publicados no Brasil. Em sua opinião, por que alguns desses materiais nunca foram lançador por aqui?

Acho que é uma questão de viabilidade econômica mesmo, tem que ter público! Afinal, editar quadrinhos, pagar royalties, imprimir e distribuir, é um processo que fica caro, não tem jeito. Se não tiver uma fatia disposta a comprar, a conta não fecha.
Tem também a questão da concorrência de gêneros, principalmente nas novas gerações. Franquias Marvel, DC Comics, Mangás… Páreo duro para os Europeus, que na década de 80 e 90, tiveram muita coisa sensacional publicada
aqui por editoras como L&PM, Martins Fontes e VHD Diffusion. Aí em 2000 teve um hiato muito grande, mas esse nicho começou a ser recuperado recentemente pela Editora Nemo, que vem fazendo um trabalho fantástico.

Minha estante_Luiz Gonçalves_31Minha estante_Luiz Gonçalves_32Minha estante_Luiz Gonçalves_11Minha estante_Luiz Gonçalves_12Minha estante_Luiz Gonçalves_13Minha estante_Luiz Gonçalves_19Minha estante_Luiz Gonçalves_20Minha estante_Luiz Gonçalves_21

Qual HQ você gostaria que fosse publicada por aqui?

Pois é… tem tanta coisa, né? Mas seria muito bom ter sagas completas como as do Ken Parker, do Milazzo, Jeremiah, do Hermann e XIII, do Vance…

Onde você costuma comprar esses materiais europeus?

Garimpar em sebos é muito bom e faço isso há muitos anos. Aqui em BH temos uns bem legais no centro da cidade, mas o meu grande canal mesmo é uma rede de amigos e vendedores de confiança em Portugal, Espanha, França e Argentina.
Faço minhas compras com calma e com boas negociações no Ebay da França e da Itália e em sites tipo leilão na Espanha e Portugal, pago por meio do Paypal. O custo de frete para enviar um livro para o Brasil facilmente chega ao dobro do valor da edição, assim, diluo a despesa concentrando as encomendas em um único endereço, casa de algum destes amigos que mora do país de origem da compra. Quando, literalmente, o saco enche (saco multi-postal com 5 quilos e frete econômico em modalidade aérea ou marítima) eles enviam para mim e eu reembolso.
(Esta é a melhor forma, pois o serviço postal é muito caro para o Brasil. Assim consigo viabilizar e tenho regular e literalmente a visita de um Papai Noel carregando o saco de quadrinhos na figura do carteiro)

Minha estante_Luiz Gonçalves_14 Minha estante_Luiz Gonçalves_15 Minha estante_Luiz Gonçalves_16 Minha estante_Luiz Gonçalves_17 Minha estante_Luiz Gonçalves_18Minha estante_Luiz Gonçalves_22Minha estante_Luiz Gonçalves_23Minha estante_Luiz Gonçalves_24Minha estante_Luiz Gonçalves_25Minha estante_Luiz Gonçalves_26

Quais são os quadrinhos e os artistas que você mais gosta?

Bem, por gênero: Adulto/Erótico, Fantástico, Sci-fi, Underground, Noir/Policial, Bélico e Histórico.

Por Autores: Hugo Pratt, Tanino Liberatore, Bourgeon, Milo Manara, Crepax, Enki Bilal, Moebius, Max Cabannes, Yves Chaland, Floch, Alain Grand, Giraud, Boucq, Vuillemin, Edgard P. Jacobs, Jacques Martin, Seravis, Hermann, Segrelles, Gibtrat, Vance, Schuiten e Peeters, Serpieri, Magnus, Schultheiss, Hergé, Miguelanxo Prado, Daniel Torres, Cañalez e Garrido, Will Eisner, Richard Corben, Dino Bataglia, Sergio Toppi, Guido Crepax e Jordi Bernet.

Minha estante_Luiz Gonçalves_05Minha estante_Luiz Gonçalves_06Minha estante_Luiz Gonçalves_07Minha estante_Luiz Gonçalves_08Minha estante_Luiz Gonçalves_09Minha estante_Luiz Gonçalves_10

 

Percebi que você não tem quadrinhos de super-heróis. Você não gosta desse tipo de histórias?

Na minha opinião, o problema do superpoder é que ele mascara ou anula a fraqueza humana que é fonte de todo drama… Viajo na leitura de HQ como fosse um filme, a imagem mental com as cores mais reais, admitindo a fragilidade, mesmo quando é sci-fi ou fantástico, me agrada muito mais. Nada contra os homens de capa e as mulheres de chicote, mas prefiro mesmo carne crua.

Minha estante_Luiz Gonçalves_27 Minha estante_Luiz Gonçalves_30 Minha estante_Luiz Gonçalves_33 Minha estante_Luiz Gonçalves_34Minha estante_Luiz Gonçalves_35Minha estante_Luiz Gonçalves_36

Você acha que o estilo de quadrinhos publicados no Brasil é parecido com os publicados na Europa?

A produção de quadrinhos no Brasil conta com autores bacanas. Obviamente, seguir um determinado estilo é escolha do autor. Pela fase em que se encontra ou por sua formação e repertório, diria que atualmente tem gente produzindo muita coisa boa em um caminho mais genuíno e com DNA próprio do Brasil, sem necessariamente seguir escola europeia, americana ou japonesa, o que é muito bom!

Falando sobre quadrinhos nacionais, tem algum que você goste?

Sim! Vários, para citar alguns: Flávio Colin, Eugênio Colonesse, André Toral, Marcatti, Lourenço Mutarelli, Eduardo Schloesser, Cynthia e Ofeliano, Danilo Beyruth, Marcelo Quintanilha, André Toral, Fábio Moon, Gabriel Bá, entre outros!

Minha estante_Luiz Gonçalves_41_BRMinha estante_Luiz Gonçalves_38_BRMinha estante_Luiz Gonçalves_39_BR

Qual o item mais raro da sua coleção?

Minha coleção é de um período relativamente recente, coisa de 35 anos, sendo assim, antiguidade não vale, o que conta são edições com tiragem mais limitadas ou esgotadas. Tenho muita coisa com cotação acima de 100 Euros por edição, como volumes das Obras Completas do Corben e várias edições do Tanino Liberatore.
Do Brasil, tem um Manara, a Arte da Palmada, que é “inconseguível” assim como a antiga edição de Olhos do Gato, de Moebius, publicada pela Martins Fontes nos anos 80, única em português até surgir o lançamento este ano pela Editora Nemo. Essa Olhos de Gato cheguei a vender lá fora por 200 Euros, pois tinha duas!

Tem algum item que ainda lhe falta, que você quer muito ter, mas está praticamente impossível de encontrar?

Então, é inesgotável a vontade de ter tudo, né? Mas não dá. Até que meu ciclo de europeus está bem completo. Dos nacionais, gostaria de duas obras antigas do Lourenço Mutarelli: A Confluência da Forquilha e Eu te amo Lucimar. Fica o aviso aos navegantes!

Minha estante_Luiz Gonçalves_37_BR

O que tem lido ultimamente que mais gostou?

Achei muito bom os dois últimos livros do Marcelo Quintanilha: Talco de Vidro e Tungstênio. Também li recentemente um álbum muito esclarecedor abordando o problema de depressão e bipolaridade: Parafusos, de Ellen Forney.

Minha estante_Luiz Gonçalves_40_BR

Você possui um “kit de sobrevivência” para HQs. Nos conte mais detalhes sobre ele?

Possuo muitas HQs de segunda mão, compradas em sebos ou web, assim, na hora de colocar um álbum na estante junto com seus irmãozinhos, é muito importante fazer um trabalho de verificação, eventuais reparos e higienização, afinal é com mãos e olhos que a gente absorve a leitura, né? Então, o primeiro passo após desembalar a obra é abrir a caixa do kit abaixo e por mãos à obra.

Minha estante_Luiz Gonçalves_32

Geralmente faço assim:

1) Limpeza: pano seco (flanela limpa) e borracha branca para remover poeira e sujidade.

2) Banho solar: Duas horas. Coloco com a contracapa para cima em luz direta, na varanda. Isto ajuda a matar eventuais bactérias e fungos, além de eliminar umidade que dá aquele cheiro de papel velho. A propósito, se realmente estiver cheirando mal, deve-se colocar em uma caixa bem fechada (tipo caixa de camisa) com umas duas colheres de Bicarbonato de Sódio (aquele saquinho branco) por dois dias, isto sequestra a umidade e elimina qualquer cheiro.

3) Recuperação: limpeza das laterais (áreas de corte das folhas) para eliminar sujidade, poeira ou ferrugem. Dobro uma lixa d’água fina (tá lá na caixa, encontrada em lojas de materiais de construção) e, pacientemente, com movimentos suaves vou lixando as laterais sujas, segurando o corpo da folhas sem a capa e contracapa. Para isto aconselho a colocar uma máscara tipo cirúrgica baratinha para não aspirar partículas nocivas, ok?

4) Verificação: Checar rasgos e folhas soltas no caso de encadernados, para isso lá na caixa: Fita Mágica 3M (reforço ou remendo), cola Pritt (cantos), cola branca (Lombada interna), tesoura e estilete (eliminação de rebarbas).

5) Higienização: Pasta Branca Pérola, que contém citronela (Antiácaro e traças). Esta pasta é utilizada para conservação de couro natural e sintético, não mancha, tem cheiro agradável e consistência muito firme. Passo pouquinho e espalhando com espuma macia na capa, lombada e contracapa.

6) Odorização: nada melhor que uma HQ com cheiro bom! Borrifo nas laterais (geralmente faço uma pilha com os álbuns) uma mistura aromatizadora que eu mesmo faço. Para 100 ml do produto uso: 90% de álcool de cereais ou álcool absoluto 99% (Veículo), 10% de Propilenoglicol (produto estabilizante que preserva a essência por meses) e 15 gotas de Óleo Essencial de Cedro, misturo tudo em um vidro com borrifador, agito por 5 minutos para ter o melhor perfume que o dinheiro não pode comprar. O Cedro é um antibactericida natural, mata traça e cupim, afasta inseto e tem um cheiro amadeirado que impregna no papel. Show de bola. Os itens você compra nesses links: Império das Essências e Natue. 

7) Acondicionamento: se for uma edição cartonada ou grampeada em papel poroso, coloca em sacos de Polipropileno Cristal já adesivados do tipo abre e fecha, superprático e dá um ótimo acabamento. Os meus compro na web, tem diversos tamanhos: 20×30, 23×35, 35×50… Vai um link para comprar baratinho: Rapidão Embalagens.

Minha estante_Luiz Gonçalves_04

Além de quadrinhos você coleciona outras coisas?

Sim, reitero a linha de colecionadores de HQs que curtem miniaturas, mas no meu caso, como não sou chegado a super-heróis, não tenho Action e Toys Figures. Tenho uma coleção muito abrangente (100 miniaturas) de cadeiras clássicas do Design.

Além disto, coleciono outras coisas, como miniaturas de instrumentos musicais, selos, cactus e suculentas, DVDs, CDs e outras tralhas legais… Não vou mostrar aqui por que não tem a ver com quadrinhos, desvirtua. Mas quem quiser pode conferir no meu Pinterest. 

O que vale mais: Uma HQ bonita de capa dura ou uma boa história?

Óbvio que é a boa história! Este é o benefício do produto, o papel é apenas um dos veículos, assim como um e-reader ou tela de computador.

Mas tem o seguinte: na minha opinião, ler uma boa HQ, com uma história envolvente que geralmente levou meses de dedicação de um artista, deve contemplar uma experiência mais ampla, de preferência de natureza estética. Assim, o acabamento de um livro, o bom cheiro, a textura do papel e a capa valorizam as horas envolvidas com aquele mundo em suas mãos.

No meu caso, o paraíso na terra é estar à tarde na varanda, luz do dia, jazz baixinho (de preferência um instrumental do Chet Baker) abafando o burburinho da família presente na casa (mulher, filho, sogra, papagaio e cachorro), tomando um soberbo Gin Tônica e lendo uma boa e bem cuidada HQ!

É isso aí! Muito obrigado por participar, Luiz!

Minha estante_Luiz Gonçalves_42_BR

 

Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros fãs e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

Minha Estante #59 – Nuno Amado

Salve, salve, amigos dos Pipoca e Nanquim!

É com muita honra que apresentamos a vocês mais uma edição da coluna Minha Estante.
Essa é uma entrevista muito especial, pois marca um passo além na nossa iniciativa… atravessar o oceano! Isso mesmo, depois de mostrar as estantes de colecionadores de todo o Brasil, chegou a hora de conhecer o acervo de Nuno Amado, que mora em Portugal.

Espero que curtam muito e deixem seus comentários.

Nuno Amado Leituras de BD

Olá, Nuno! Muito obrigado por topar participar dessa entrevista. Para começar nos conte um pouco sobre você, onde nasceu, mora, o que faz na vida profissional?

Olá, Daniel.
Nasci no Ribatejo, província central de Portugal, e acabei vindo morar em Oeiras (perto de Lisboa) aos oito anos. Foi aqui que passei toda a minha juventude, só saindo quando me alistei na Força Aérea Portuguesa. Neste momento a minha profissão é Técnico de Manutenção Aeronáutica – Motores de Avião na TAP Portugal.
(E continuo a morar em Oeiras…)

Quando você começou a se interessar por quadrinhos?

Foi aos oito anos. O meu pai ofereceu-me a revista Tintim nº 12 do 4º ano, nunca mais me esqueci, embora já não tenha essa revista há décadas…
Naquele mesmo ano, descobri no sótão da minha avó duas revistas Marvel (penso que da Ebal), uma com o Quarteto Fantástico e outra com Namor e Hulk. A partir daí nunca mais parei até ter entrado na Força Aérea…

Você se lembra da primeira vez que se viu fascinado por uma HQ? Qual foi a história ou revista?

Num curto período de tempo, que aconteceu na passagem à adolescência, tive na minha mão os três títulos que mais me marcaram nas HQ:
Incal;
– Passageiros do Vento;
– Bela mas Perigosa.

Quando aconteceu a mudança de leitor ocasional para colecionador inveterado?

Nunca fui um leitor ocasional. Depois da minha primeira revista Tintim colecionei todos os números que o meu pai comprou pra mim. Entretanto a revista Tintim ficou cara e comecei a colecionar os formatinhos da editora Abril, a Mundo de Aventuras, Asterix em álbuns, entre outras séries que saiam nos anos 1980.
Infelizmente quando casei e mudei de casa, durante essa mesma mudança desapareceu metade da minha colecção. Quando mudei de casa novamente, passados cinco anos, desapareceu o resto. Cheguei à conclusão de que os trabalhadores de mudanças gostam muito de HQs… a partir daí não comprei mais quadrinhos até por volta dos anos 2000. Aí comecei novamente a comprar, visto que a Devir estava em força e com alguns bons títulos. Em 2004 aconteceu a desgraça… o vício bateu forte depois de tantos anos adormecido e decidi que queria recuperar todos os livros desaparecidos da minha juventude, e até hoje não parei!

Quantas HQs você tem?

No formato livros tenho cerca de 2500, em revistas e formatinhos serão mais 500/600.

IMG_4269

1071438_10203455790254434_1039988193_o 1926249_10203455791614468_398909923_o

Quais são os principais itens de sua coleção, séries e minisséries completas, encadernados de luxo, edições raras, etc?

Tenho alguns livros de valor. Mas as minhas pérolas são mesmo os 26 livros em formato Absolute (capa dura e com caixa) e o John Romita’s Spider-Man – Artist Edition, da IDW (formato extra gigante – A3 com scans de alta qualidade feitas a partir das páginas originais).

Qual o item mais raro de todos?

Bom, eles estão sempre a variar de preço no mercado paralelo. Mas posso destacar os dois Absolute Authority, o Absolute Planetary vol.1 (1ª edição), Umbrella Academy Deluxe Edition Vol.1, John Romita’s Spider-Man – Artist Edition, enfim, todos os encadernados de luxo atingem bom valor…

IMG_4319 IMG_4321IMG_4322

E qual foi a maior raridade que já comprou pelo menor preço?

Em relação a preço versus raridade vem-me logo à cabeça o Clic 3 em capa dura da editora Meribérica, que me custou 5€ novo há uns meses… andei anos à procura desta edição que nem tem preço porque simplesmente não aparece à venda em lado nenhum. A única vez que vi um à venda foi num alfarrabista (sebo) muito maltratado e tinha um preço de 100€.

Você compra HQs importadas?

Sim, grande parte da minha coleção é em inglês, aliás, já é a maior parte da minha coleção. As publicações portuguesas são poucas e curtas, por isso me virei para livros em inglês.

Onde costuma comprá-las?

Amazon e Book Depository essencialmente.

IMG_4276 IMG_4277 IMG_4278 IMG_4284 IMG_4285 IMG_4292 IMG_4296

Possui algum item autografado?

Tenho muitos livros autografados em festivais de HQ. Podia ter mais, mas não tenho “pachorra” para estar de pé durante horas à espera de um autógrafo. Prefiro estar com amigos, a visitar o festival, ir às zonas comerciais procurar algum livro que me interesse. Se de repente houver uma abertura numa fila, aí eu avanço!

Como você guarda sua coleção de HQs? E qual técnica usa para conservá-las?

Guardo em móveis com os livros, todos na vertical. Não ponho os livros uns por cima dos outros… (só alguns formatinhos). Tenho um desumificador por causa da umidade no inverno, e tenho uma cortina para entrar o menos Sol possível na sala onde estão os livros: a minha Bedeteca!

Todo colecionador tem manias, seja um ritual para leitura, uma bela cheirada na revista nova ou nunca se desfazer de nada, qual é a sua?

Eu lavo as mãos, retiro a dust cover (se o livro tiver), acendo a luz de leitura por cima do sofá e sento-me confortavelmente…

IMG_4271 IMG_4272 IMG_4273 IMG_4274 IMG_4275 IMG_4281 IMG_4282 IMG_4283 IMG_4289 IMG_4290 IMG_4294 IMG_4316

Tem algum item que quer muito ter, mas está praticamente impossível de encontrar?

Tenho muitos!!! Ahahahhaha
Neste momento ando à procura de um Hawkman Vol.1 DC Archive por preços decentes, e de um Mouse Guard que também está esgotado e com preços muito “salgados”. Esses são os dois livros de que eu ando mesmo à procura neste momento.

Qual foi sua última leitura e qual está sendo a atual?

A minha última leitura foi o Óh, Miúdas do autor Lepage, e neste momento estou a ler o Omnibus Hack/Slash Vol.4 do Tim Seeley.

Quais são seus 10 quadrinhos brasileiros favoritos?

Bem, o meu conhecimento dos quadrinhos brasileiros não é muito grande, mas adorei o Daytripper, Piratas do Tietê, 10 pãezinhos, Encantarias – A Lenda da Noite, Astronauta – Magnetar, enfim… deve haver outros tantos na minha coleção de que eu não me estou a lembrar neste momento!

IMG_4270 IMG_4279

Além de quadrinhos, você também possui outras coleções?

Claro… todo o bom colecionador de Banda Desenhada TEM de colecionar figurinhas!
Possuo 100 figuras de chumbo DC e 50 da Marvel, tudo em chumbo da marca Eaglemoss; possuo muitos Smurfs, vários Dragões McFarlane em PVC e tenho muitos Elfos e Guerreiros a cavalo também em PVC.

IMG_4297 IMG_4299 IMG_4300 IMG_4301 IMG_4305 IMG_4310 IMG_4313

Obrigado pelo papo, Nuno! Para finalizar, deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Leiam, leiam muito!
Não sejam preconceituosos em relação aos vários tipos de quadrinhos. Sei que no Brasil a maioria dos leitores ou são “Marvettes” ou “DCnautas”… isso é muito curto!
Leiam HQ Europeia, e leiam HQ Japonesa! Não se prendam com preconceito, quem gosta MESMO de HQ tanto lhe faz de onde vem, se é a cores ou a preto e branco, capa dura ou mole, se se lê da direita para a esquerda ou ao contrário! Desde que tenha qualidade e prazer na leitura todos os gêneros são válidos. Eu sempre evitei Mangá. Até que li o primeiro. A partir daí acabaram os preconceitos! Existem muitos Mangás de alta qualidade!

E tentem a BD Europeia… é de grande qualidade! Não se fiquem por super-heróis… aliás, nos EUA tem muita HQ sem ser de super-heróis e de grande qualidade!

Alarguem as vossas prateleiras a coisas novas!
E claro… apoiem a HQ brasileira de qualidade, porque ela existe e precisa de ser acarinhada.

Um abraço a todos!

IMG_4325 IMG_4291IMG_4302IMG_4286IMG_4295 IMG_4296 a IMG_4318

 

Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros fãs e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

 

Minha Estante #58 – Leonardo Dantas

Olá, colecionadores do Brasil!

Depois de um grande hiato, é com muita honra que apresentamos mais uma entrevista da coluna favorita de todos vocês! Dessa vez batemos um papo muito legal com Leonardo Dantas, um grande fã da nona arte, com uma predileção por quadrinhos do selo Vertigo. Provavelmente uma das maiores coleções desse tipo que já mostramos por aqui.

Quer ver mais edições de Minha Estante? Então no ajude a espalhar a notícia sobre esse espaço. Quem tiver uma coleção de gibis bem bacanuda pode nos mandar um e-mail ([email protected]) para combinarmos a participação. É isso!

2

Olá, Leonardo! Muito obrigado por topar participar dessa entrevista.
Para começar nos conte um pouco sobre você, onde nasceu, mora, o que faz na vida profissional?

Nasci em Salvador, vim para São Paulo com quatro anos e fiquei por aqui mesmo, moro num bairro chamado Vila Diva na Zona Leste (Lost), entre o Anália Franco e Tatuapé. Trabalho na Oi Wifi como analista de sistemas.

Quando você começou a se interessar por quadrinhos? 

Comecei a ler mesmo com 13 anos, há 16 anos atrás, e o meu começo nos quadrinhos foi inverso de qualquer pessoa normal, aos 13 anos tudo que eu conhecia e lia um pouco era Turma da Mônica em geral, não me interessava por HQs de heróis, achava que tudo era muito americanizado e clichê, estava entrando na era punk e como toda criança juvenil me achava muito adulto para esse tipo de coisa.
Quando, um dia andando pela rua, vi na banca a revista Almanaque Vertigo, com a capa do Preacher, aquele que só saiu a primeira edição, dei uma folheada e vi uma violência maravilhosa e como qualquer criança, li e adorei! Então você imagina ler Preacher, Homem-Animal e Shade na época de ouro da Vertigo, com 13 anos de idade.
Realmente foi um marco, e comecei minha carreira lendo apenas revistas supostamente para leitores maduros e depois fui abrindo a mente para comics e mangás, acho que 90% do que a DC e a Marvel lançam, são lixos comerciais mas dentro desses 10% temos muitas revistas e sagas excelentes, é só saber procurar e não ficar com preconceito sem antes conhecer.

Você se lembra da primeira vez que se viu fascinado por uma HQ? Qual foi a história ou revista?

A primeira revista que eu tive contato foi Preacher, depois, outro grande clássico: Sandman. 

1624

Quando aconteceu a mudança de leitor ocasional para colecionador inveterado?

Bom, com 13 anos já era um colecionador inveterado, pois comprava tudo que o dinheiro que uma pessoa dessa idade consegue ganhar. Como gostava de ler e tinha poucas revistas, vendia muita coisa para conseguir outras e ter sempre revistas novas para ler e tive um ótimo mentor nessa área: o Ricardo da LucaHq; ele me mostrava tudo que saiu ou já tinha saído, e sempre me incentivava a ler qualquer tipo de HQs indiscriminadamente.

Quantas HQs você tem? 

Algo entre 2000 há 2500, nunca cheguei a contar.
A maioria Vertigo e séries fora do eixo da DC e da Marvel.

4 6 8 9 10 11 7 5

Quais são os principais itens de sua coleção, séries e minisséries completas, encadernados de luxo, edições raras, etc?

Tenho alguns encadernados de luxo como, Watchmen, Preacher, Transmetropolitan, Os Supremos, X-men: Messiah Complex, Eu sou Legião, Tom Strong, Promethea…
Tenho coleção importada completa do Invisibles, Chosen (do Mark Millar), umas 200 HQs em grampo do Hellblazer e, infelizmente, vendi há algum tempo a coleção completa do The Books of Magic, a série mensal.

De raridade pode-se dizer que tenha a edição 10 do Spawn original americano e o primeiro TP de Doom Patrol. E Hérois em Ação 4 e 5 com a origem do Homem-Animal.

Qual o item mais raro de todos?

Não saberia dizer qual é o item mais raro entre todos, como não coleciono Ebal ou Abril, não tenho nada muito raro.

20 22 43 6215 17 19 31 422136

E qual foi a maior raridade que já comprou pelo menor preço?

Akira 31 por 1 real, Sandman: Préludios e Noturnos (editora Globo) do 1 ao 9 por 20 reais.

Você compra HQs importadas?        

Antigamente pegava bastante, pois a situação aqui era caótica, principalmente para quem gosta de quadrinhos subversivos e, consequentemente, tem bem menos leitores.
Hoje em dia, a Panini e a Mythos estão fazendo um ótimo trabalho com encadernados e muitos lançamentos bons.

30 32 33 57 70 7139

Onde costuma comprá-las?

Encomendava com o Celso, da Comic Hunter, e alguns na Super. Às vezes encontro algo no Mercado Livre, mas faz uns bons anos que não pego nada importado.    

Possui algum item autografado? 

Tenho alguns do Nanquim Descartável, com dedicatória do Daniel Esteves, que sempre que pode, pede para eu parar de ler Vertigo e ler coisa boa nacional. (risos)       

5960

Como você guarda sua coleção de HQs? E qual técnica usa para conservá-las?

Todas ficam dentro do armário, em pé, para fácil retirada (quem guarda em pilha sabe o trabalho que dá buscar algo em especial), lacradas com plástico normal para conservar de qualquer tipo de problemas como, mofo, traça e pó. Tem quem diga que isso causa amarelamento, mas depende muito do papel, e ele ficará assim com ou sem plástico. Tira um pouco da vivacidade e nas fotos não ficam tão legal, mas prefiro não arriscar possíveis acidentes.

12 13 14

Todo colecionador tem manias, seja um ritual para leitura, uma bela cheirada na revista nova ou nunca se desfazer de nada… qual é a sua?

Minha mania deve ser emprestar revistas, ao contrario da maioria dos colecionadores que não gostam de emprestar nada, eu gosto de emprestar para pessoas de confiança conhecerem e não precisarem gastar para apreciar uma boa leitura, claro que isso já me causou bastante aborrecimentos, porque só um colecionador sabe como é importante cada revista e sabe cuidar.
Também gosto de ler e guardar na hora, sou bastante organizado nos títulos, dividindo eles em categoria e nada de deixar jogado pela casa.
Como gosto de tatuagem, fiz uma em homenagem ao Spider Jerusalém (protagonista de Transmetropolitan), cheguei a mandar para o Ellis e o Robertson e recebi uma resposta do desenhista agradecendo o apoio ao trabalho dele, já o bastardo do Ellis nunca me respondeu, também não esperava menos dele. (risos)

3

Tem algum item que quer muito ter, mas está praticamente impossível de encontrar?

O Fábulas 4 da Panini tá quase impossível, eu tenho o importado, mas agora vou completar a nacional mesmo. The Filfh do 5 ao 13. E também o Doom Patrol: The Painting That Ate Paris.

Qual foi sua última leitura e qual está sendo a atual?

Juiz Dredd – Origens e estou lendo Fábulas. 

29 56

Quais são seus 10 quadrinhos Vertigo favoritos?

Os Invísiveis;
Sandman;
Preacher;
Transmetropolitan;
Monstro do Pântano;
Homem-Animal;
Hellblazer;
100 Balas;
Os Livros da Magia;
V de Vingança.

Hey!!! Mas quem disse que eu só gosto de Vertigo?

Da DC:

Grandes Astros: Superman;
O Cavaleiro das Trevas.

Da Marvel:

Os Supremos;
Os Novos X-men, por Grant Morrison;
Poder Supremo.

Nacional:

Todos do Mutarelli;
Material do pessoal do Petisco.

Mangá:

Vagabond;
Blade – A Lâmina do Imortal;
Homunculus.

34 46 53 58 61 63

Além de quadrinhos, você também possui outras coleções? 

Coleciono livros e tenho alguns bonecos como mostrado nas fotos.

81 82 83

Obrigado pelo papo, Leonardo! Para finalizar, deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Primeiramente, espero que para quem tem a mente fechada para a leitura, como eu quando comecei a ler,  veja por meio dessa história, que temos uma gama mas diversificada e consiga sair um pouco do eixo Marvel, DC ou mangá.
Temos muitas histórias boas para ficarmos limitado, e não ligue para críticas que outras pessoas fazem para certas histórias ou editoras e selos, leia e faça sua própria crítica.
E que sempre continuemos com essa que é e sempre será o melhor tipo de coleção.
Um ótimo natal e ano-novo!!! Abraços para os amigos da Bacia!

David,Ricardo,Leo,Daniel Leo&Jad2325 2627 2837 4552 66693567 65 64 62 55 54 51 50 48 47 41 40

 

 

read-comicsMinha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros fãs e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!