Minha Estante #17 – Renilton Marques

Por Crom!

Dessa vez conversamos com Renilton Marques um grande fã de Conan. Para se ter uma idéia ele tem mais de 1.200 revistas protagonizadas pelo cimério casca dura!

Mas sua paixão por quadrinhos não se restringe a esse personagem, ele também coleciona Marvel e DC, somando assim, milhares de revistas sensacionais.

Conheça essa belíssima coleção, que é um verdadeiro tesouro da Aquilônia, até agora, escondido no interior do Espírito Santo.

Olá, Renilton. Obrigado pela participação! Para começar, gostaria que você se apresentasse aos nossos leitores e contasse um pouco sobre você.

Olá a todos, eu me chamo Renilton Marques tenho 35 anos, casado e tenho uma filhinha de 4 anos que já começa a conhecer vários personagens, moro na cidade de Montanha, interior do Espírito Santo onde sou o único leitor e colecionador de histórias em quadrinhos, comecei a ler quadrinhos com 12 anos e não parei mais e nem pretendo. (risos)

Você se lembra da primeira vez que se viu fascinado por uma HQ? Qual foi a história ou revista? Você ainda tem esse exemplar na coleção?

Sim, me lembro perfeitamente, foi algo do destino, estava eu passando em frente da única banca de jornal da cidade e por curiosidade parei e comecei ficar olhando aquelas capas coloridas e uma revista especifica me chamou atenção que foi A Espada Selvagem de Conan # 49, e logo em seguida me veio um pensamento, “cara o Conan em quadrinhos”, isso porque já tinha visto o filme na televisão e não pude resistir, comprei e corri logo para casa, deitei na cama e comecei ler,  logo após terminar a leitura fiquei ali  vendo aquela arte maravilhosa de John Buscema,  guardo esse exemplar na minha coleção com todo carinho.

Quando você percebeu que não tinha mais volta, era um colecionador inveterado?

Acredito que foi dois anos depois, em 1990, quando comecei a comprar todos os meses as revistas do Conan, dois anos mais tarde quando comecei a trabalhar e ganhar um  dinheirinho, passei a me dedicar a comprar tudo que saía da Marvel e DC.

Quantas HQs você tem?

Hoje elas já somam até o momento que estou digitando 8.164 edições e do Conan são 1.276.

Uow! Belíssimo número!

Quais são os principais itens da sua coleção, aquelas séries ou volumes que são as meninas dos olhos de sua estante?

Tenho vários itens que gosto da Marvel e DC, mas vou citar alguns importados do Conan, o livro comemorando o centenário do nascimento do criador do Conan lançado em 2006, os encadernado da Savage Sword of Conan com mais de 500 páginas lançados pela Dark Horse, Conan, the Ultimate por Roy Thomas e Conan, the Phenomenon por Paul M. Sammon.

Caramba, acredito que você seja o maior colecionador de Conan do Brasil!

É isso mesmo, também acredito que sou o maior colecionador do Conan no Brasil, e se eu não gastasse tanto dinheiro todos os meses com a Marvel e DC já teria comprado tudo do Conan que a Marvel lançou, vale lembrar que também estou adquirindo todo material mensal do cimério publicado pela Dark Horse desde o inicio.

Você também coleciona os livros?

Sim, claro! Tenho todos eles como podem conferir nas fotos.

Lindos action figures do Conan, e o livro importado comemorando o centenario do seu criador.

Quais são as cinco histórias favoritas do cimério?

Eu amo todas as historias escritas por Robert Ervin Howard, mas vou citar as cinco preferidas:

A fênix na espada, A cidadela escarlate, A hora do dragão, Pregos vermelhos que aqui ficou conhecida como A cidadela dos condenados, e claro A rainha da costa negra porque sou apaixonado pro Bêlit.

E a pior de todas? Aquela que nem dá orgulho de ter na coleção…

A pior de todas foi a história Conan, o Usurpador publicado pela Mythos na Conan, o bárbaro #68, aquilo sim foi uma afronta ao personagm, dá impressão que Conan está enfrentando o exército romano, uma vergonha.

E qual foi a maior raridade que já comprou pelo menor preço?

Sem sombra de dúvida foram as edições raras da editora Minami & Cunha e Roval, as seis revistas me custaram uma mixaria, R$ 180,00 e hoje não vendo por menos de R$ 6.000,00, peraí elas não estão a venda! (risos).

Você tem o Conan pirata da editora Graúna, Hartan, O Selvagem?!

Não, essa sim é uma verdadeira raridade, mas um dia consigo.

Como você organiza suas revistas e quais técnicas usavam para conservá-las?

Gosto de separá-las por títulos e ficam todas envoltas com plástico especial.

Tem alguma história triste na sua vida de colecionador?

Uma que me lembro foi logo no início, quando comecei a comprar Conan nas bancas, quando cheguei lá, tinha a edição em cores número 3 e era mais cara, quando contei as moedas faltou um pouco e pedi para a dona da banca fazer um desconto, mas não teve jeito, voltei pra casa quase chorando e como não tinha trabalho passei a semana juntando os trocados que ganhava para merendar na escola, quando finalmente completei o valor a revista, já tinha sido vendida. Somente vários anos depois consegui a tão sonhada revista.

E uma muito feliz?!

Como sou um fã do cimério, claro que foi quando arrematei as minhas primeiras edições importadas, um lote com mais de 200 revistas e a partir daí me senti na responsabilidade de adquirir tudo que foi lançado do Conan pela Marvel.

Eu sei que, como colecionador, você tem algumas manias, quais são?

Gosto de senti o cheiro das revistas assim que chegam e sempre quando tem um feriado prolongado gosto de tirar todas as revistas das prateleiras e arrumá-las novamente coisa que dura uns dois dias.

Tem algum item que quer muito, mas está praticamente impossível de encontrar?

Conan, the barbarian # 01 e Savage Sword of Conan # 01

Recentemente a editora Generale lançou o livro Conan, O Barbáro, traduzido por Alexandre Callari, comparsa aqui do PN e que traz pela primeira vez ao Brasil o único romance de Howard, A Hora do Dragão, você já pode conferi-lo?!

Claro que tenho, fiz uma encomenda em pré venda.

E o novo filme, já pode conferir?! O que achou?

Ainda não, como na minha cidade não tem cinema terei que viajar 220 Km.

Qual foi sua última leitura e qual está sendo a atual?

A última foi X-Men Noir e estou lendo no momento o livro Conan, O Bárbaro da editora Generale.

Renilton, muito obrigado pela entrevista! Deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Nunca abandonem os quadrinhos, principalmente os personagens que mais lhe agradam, levem esse carinho que tiveram na juventude para seus filhos e ensinem a eles esse mundo maravilhoso de fantasia e heroísmo. Essa entrevista eu dedico a minha filha Jennifer Marques, te amo filha. E obrigado a todos do Pipoca e Nanquim pela oportunidade de apresentar a minha coleção, abraços.

Coleção completa de cards do Conan

Minha Estante #06 – Alexandre Callari

Olá, pessoal!

Até que enfim!! Essa semana vocês irão conhecer com mais detalhes a sensacional estante de quadrinhos do nosso apresentador e editor Alexandre Callari! Finalmente ele abriu as portas de sua casa para todos conhecerem seus 11 mil gibis e muitas raridades!

Além de trabalhar com o Pipoca e Nanquim, ele também é escritor, tradutor, ex-músico de heavy metal, organizador de exposições de Quadrinhos e  muito gente fina (mas meio ranzinza as vezes, o Bruno que o diga).

Saiba quais são as suas principais edições, os itens mais raros, como os conserva, por quanto venderia toda a coleção e muito mais, agora!

P&N: Olá, Alexandre! Conta pra gente como começou a se interessar por quadrinhos?

Alexandre: Meu tio colecionava revistas e sempre que eu ia na casa dele, lia tudo que podia. Comecei a comprar por influência dele. Ele as guardava em um armário e num baú e eu comecei guardando em uma caixa de sapatos – lembro claramente da sensação que tive quando elas começaram a formar um montinho. Logo descobri que gostava tanto de colecionar, quanto de ler. Isso significa que tenho prazer em ler a história, mas também adoro pegar aquela revista, colocar em um saquinho plástico, catalogá-la em meu database e direcioná-la para a pilha que ela ficará. Adoro fazer isso, completar coleções, procurar o que não tenho, deixar tudo arrumadinho e em ordem – tenho ódio de gente que deixa as revistas jogadas e de qualquer jeito. Encaro as revistas como documentos históricos – elas contam parte da história da humanidade, da nossa História – e precisam ser cuidadas e respeitadas.

Bem, minha caixa de sapatos virou uma prateleira no armário, depois um armário inteiro, aí dois armários… Já deu para entender onde isso tudo vai chegar, né?


Qual foi seu primeiro personagem favorito?

Difícil responder, mas tenho até hoje uma queda especial por alguns. Batman, Conan, Wolverine e Capitão América estão entre meus favoritos. Mas essa é uma pergunta capciosa, por que, por exemplo, o Monstro do Pântano de Alan Moore está entre meus personagens favoritos, assim como o Constantine de Delano e Ennis, o Thor de Simonson, o Quarteto de Byrne, o Demolidor de Miller e Bendis… Na verdade acho que gosto de boas histórias no final das contas. Não existe personagem que seja ruim, todos eles têm seus pontos fortes e potenciais a serem desenvolvidos – basta um escritor foda para fazer isso acontecer.

Lembra-se quando passou de apreciador ocasional de HQ para um colecionador viciado que torra a maior parte da sua grana com isso?

Não. Um belo dia contei minhas revistas e tinha por volta de 800. No dia seguinte, meu tio casou e me deu a coleção dele. Passei a 2.000 de um dia para outro. Naquela época já me julgava um super-colecionador (eu tinha os formatinhos da Abril e me achava importante, he-he-he). Mas não sei dizer quando exatamente me olhei no espelho e falei: “Cara, você é um colecionador!”.

A pergunta que a galera mais gosta nessa coluna, quantas HQs você tem?

Tá chegando em 11.000.

Quais são os principais itens da sua coleção, aquelas séries ou volumes que você tem muito orgulho de ter?

Uns 11.000. Brincadeira. Sim, claro que me orgulho de tudo, mas tem coisas que sei que são raríssimas e difíceis de serem encontradas.

Tenho por exemplo as edições da Minami & Cunha na década de 70 que trouxeram Conan ao Brasil pela primeira vez. Tenho a revista solo do Luke Cage (Gorrion), Ka-Zar e Sargento Fury (ambas da Paladino), X-Men (GEP), Koll – O Conquistador (Roval), Vampirella (Noblet) e também a fase Marvel da GEA. Tem muita coisa da Ebal, inclusive Edição Maravilhosa quase completa e Superman #2. Muitos almanaques desde a década de 40, edições do Suplemento Juvenil da década de 30 e a revista SOS #2, da editora Orbis, que publicou a Mulher-Maravilha no Brasil pela primeira vez. Nas importadas tenho uma Barbarella original da década de 60, os primeiros números de Kazar, o Namor do John Buscema, Mulher-Hulk do John Byrne, Dreadstar do Starlin quase fechada, Defensores do Sal Buscema…

Cara, sou meio compulsivo, se não tenho e estou com grana, eu compro!

Já fez alguma loucura para conseguir algum exemplar?

Já dispus de altas quantias monetárias por um exemplar. Mas nunca me arrependi.

E qual foi o máximo que chegou gastar por apenas um exemplar?

Segredo. Vai que aqueles mercenários do Mercado Livre estão lendo isso.

Hahahaha, Malditos Mercenários Livres!

Onde você costuma comprar?

Qualquer lugar que acho algo que não tenho. Hoje em dia, a coisa está muito mais fácil para quem sabe onde procurar. Quando era jovem, eu era limitado pela geografia. Tinha uma meia dúzia de sebos que frequentava em SP, mas era só. Com a internet, hoje tenho acesso ao Brasil inteiro – o que aumenta as chances de encontrar “aquela” revista. Infelizmente, a especulação tá dando uma detonada no mercado. Já vi vendedores que tentam empurrar coleções a valores como 10.000 ou até 20.000 reais. Não sei onde os caras pretendem chegar com isso (vender uma coleção ao preço de um carro), mas espero que as pessoas não comecem a pagar quantias assim por uma revista – mesmo que tenham dinheiro sobrando.

Como você as guarda? E quais técnicas usa para conservá-los?

Tudo em saquinho plástico. É a melhor solução. Sim, eu sei que isso acelera o amarelamento do papel, mas dos males o menor. Protege contra umidade, poeira e, principalmente, traças. Se você guarda suas revistas em um armário, por exemplo, e uma tracinha entra lá (uma única tracinha), em uma semana ela faz um estrago fenomenal. Imagina a traça resolver comer minha edição de 1936 do Suplemento Juvenil? Ou então o Gibi #5? Ou Shazam #3? São coisas que você não acha nunca mais!!!

Então o lance é esse, traça, formiga ou cupim… Todos irão fugir de plástico – o que é bom para o papel! Se você as mantiver protegidas por um saquinho plástico, até naftalina pode colocar dentro do armário, que o papel não pega cheiro. Fora isso, é uma terapia legal colocá-las nos saquinhos; é um momento intimista só seu e da coleção (e de mais ninguém). Coloque uma música para rolar, pegue um rolo de durex e passe duas ou três horas desligado do mundo. O problema é que quando eu começo a fazer isso, levo o dobro do tempo, pois acabo lendo tudo de novo…

Se você já tem a história que adora publicada em formatinho e ela é lançada em álbum de luxo, você a compra novamente? Depois vende a primeira ou fica com as duas?

Fico com as duas. Como disse, sou colecionador. Não me desfaço de minhas revistas, pois dou valor ao original. Porém quero ter também uma edição caprichada e em capa dura. O que ocorre é que de uma forma geral, acabo dando prioridade a coisas que ainda não tenho, ou seja, material inédito que ainda não li. Mas tem muita coisa que não dá para resistir, como os álbuns que a Panini vem lançando.

Quais são suas “manias de colecionador”, seja para guardar, emprestar ou mesmo na hora de comprar?

Não leio deitado, só sentado. Não empresto minhas revistas. Meu avô dizia: Só empreste algo se você não liga de não tê-lo de volta. Eu empresto CDs e livros na boa, mas não meus gibis!

Quais são seus roteiristas favoritos?

Alan Moore. O resto vem depois. Tenho um enorme respeito por Gaiman, Berardi, Kazuo Koike, Miller, Ellis, Morrison…

Quais são seus desenhistas favoritos?

Nossa, é difícil. Gosto muito de alguns caras das antigas. Joe Kubert é subestimado no Brasil (não entendo) e ele é um dos que mais gosto. Neal Adams com certeza está entre os top five, acho que John Buscema também. Adoro arte pintada na linha John Bolton e Joe Jusko, e Eisner me enche os olhos até hoje; putz, é muita gente. Mais fácil falar o que não gosto – aquelas tentativas de americanos de imitar mangá na década de 90 e o estilo Image.

Você também compra HQ importada?

Ultimamente tenho comprado coisas que não saíram aqui.

Qual o item mais raro da sua coleção?

Como mencionei lá em cima, tenho algumas das primeiras edições de Gibi e Shazam, material de editoras pequenas que faziam tiragens mirradas como Orbis, Paladino, GEA, GEP, Minami & Cunha, Gorrion e Roval. Me orgulho mais desse material que muitas das coisas da Ebal e RGE.

Que são as cinco HQs que levaria para o céu e reler durante toda a serena eternidade?

Watchmen, Cavaleiro das Trevas, Sandman, Lobo Solitário e X-Men (fase Byrne-Claremont). Mas pode apostar que eu passava na revista com Ken Parker debaixo do braço também!

Que são as cinco HQs pecaminosas, sujas e podres que levaria para o inferno?

Heróis Renascem, Justiceiro angelical, as besteiras da DC (Crise Infinita, 52, Crise Final, etc.), grande parte de Spawn e Homem-Aranha e pacto babaca com Mefisto.

Tem algum item que é seu maior objeto de desejo, seu “cálice sagrado”?

Vários. Gostaria de obter a edição do Correio Universal de 1937 (com o Fantasma). Fechar a coleção Biblioteca Mirim (década de 40). Adquirir a edição pirata de Conan da Graúna, chamada Hartan. Tem muita coisa que ainda preciso correr atrás…

Você venderia sua coleção de quadrinhos por 1 milhões de dólares e 2 coelhinhas da playboy?

Sim. Por um milhão eu comprava o quíntuplo de quadrinhos que tenho e ainda mandava ver nas duas coelhinhas!

Ao contrário da maioria dos colecionadores, você conseguiu “fazer” dinheiro com sua coleção e não foi vendendo, mas sim as expondo, conta um pouco disso pra gente.

A coisa começou via SESC São Paulo. Fiz três exposições e descobri que mais gente se interessa por HQs do que eu pensava. Expus na Comic Fair, em secretárias da cultura e eventos particulares. Tenho dificuldade em chegar nas pessoas que organizam os eventos pois não sou do meio (não sou jornalista ou trabalho para alguma editora), por isso sempre que posso falo a respeito, pois não cobro caro, levo muito gibi e otimizo ao gosto do cliente. É algo que valoriza qualquer tipo de evento.

Alexandre, muito obrigado pela entrevista! Não precisa deixar recado para os leitores do Pipoca, por que todo mundo já te conhece, rs rs, to brincando, pode falar…

Beijunda a todos.

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Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar para todo mundo sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros aficcionados e sentir aquela inveja boa.

Então convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um email para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.