Leitura Rápida #01 – Coringa / Batman / Wolverine

Nessa nova coluna do Pipoca e Nanquim, vamos fazer rápidos reviews para boas HQs curtas, daquelas que se lê entre uma tarefa e outra do dia a dia, as vezes até em uma única viagem ao banheiro, sem todo o compromisso que despendemos na leitura de um grande encadernado e de histórias mais densas e complexas. Serão sempre três indicações e os pipoqueiros vão se revezar nas resenhas. Aproveite para deixar nos comentários as suas dicas de histórias mais curtas que valem a pena (não necessariamente fechadas em uma única edição, podem ser um pouco maior), ou envie sugestões para nosso e-mail: [email protected].

 

CAINDO NA REAL

Uma excelente história curta do Coringa. Mais do que isso: uma das HQs que melhor resume a essência do principal vilão do Morcego. O roteirista Peter Miriani coloca o leitor, literalmente, dentro da cabeça do psicopata, durante um tratamento psiquiátrico que avalia sua condição mental para fins de julgamento. O renomado Dr. Jonathan Ryan precisa, em 21 dias, desvendar as motivações do Palhaço do Crime e provar em definitivo que ele não é um homem louco, mas sim alguém que comete assassinatos e outras atrocidades deliberadamente. “Caindo na real” amplia um conceito já explorado em obras como A Piada Mortal, Asilo Arkham e no filme O Cavaleiro das Trevas, o de que o Coringa é alguém acima de qualquer compreensão, um homem cujas ações não seguem nenhum parâmetro lógico e que enxerga o mundo por trás do véu da sanidade, de um modo como nós, seres com padrões de comportamentos admissíveis pela sociedade enraizados irreversivelmente no cérebro, jamais poderemos perceber. O ponto é o seguinte: o Coringa não é louco, ele precisa ser louco, do contrário não terá seu lugar entre as pessoas normais, entende? Diferente das obras supracitadas, essa não se desenrola pela ótica de Batman ou outro personagem, ela é narrada pelo próprio Coringa e utiliza-se de modo brilhante do recurso de metalinguagem, e a bela arte de Szymon Kudranski com as cores de John Kalisz cuida de conceber o clima sombrio ideal para a leitura. Apenas um pequeno detalhe não permitiu que seu desfecho fosse ainda mais sensacional: logo ao conhecer o psiquiatra, o vilão conta uma piada sem sentido e diz que em breve ela seria compreendida; isso deixa o leitor aguardando sua conclusão e impediu que o final fosse surpreendentemente arrebatador. Mesmo assim, é imperdível. Publicada em Batman #113 (Panini, 2012).

BATMAN MANDA VER!

Essa revista já vale a pena só pelo nome do autor: Mike Allred! Esse cara é sensacional, nós do Pipoca e Nanquim somos fãs de seus trabalhos, como Madman e Red Rocket 7. Dono de um traço muito característico, limpo, bem definido e dinâmico, que evoca um estilo de arte retro, Mike também gosta de escrever as histórias que desenha, e aqui está em companhia de seu irmão, Lee Allred (co-roteiro), e de sua esposa, Laura Alred (cores), na execução de uma homenagem ao Batman do seriado dos anos 1960, com Adam West e Burt Ward. Mas, não pense que irá ler uma história bobinha e ingênua, simplesmente imitando o humor da dita série, não senhor, os três aqui vão muito além, aproveitando ao máximo a liberdade criativa que receberam da DC. Os personagens são do elenco da série televisiva, os mesmos Batman e Robin, Alfred e Gordon, Charada e Coringa (que tem até bigodinho por trás da maquiagem), e o enredo coloca Batman se questionando: seu estilo espalhafatoso de combate ao crime seria o ideal para proteger Gotham City? É sensato continuar nos holofotes como o querido herói do povo, atraindo vilões e outros malucos que anseiam pela mesma atenção, ou, para ser realmente eficiente, ele deveria descer ao mesmo nível e evocar os próprios métodos dos bandidos contra eles, incitando o medo ao invés da inspiração? É uma comparação entre dois tipos de Batman já bem conhecidos dos fãs, o Cavaleiro das Trevas dos dias de hoje contra o espalhafatoso Morcego da Era de Prata. Em vários diálogos vemos citações a filósofos e outras referências que servem perfeitamente à história, como a clássica passagem de Nietzsche: “Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha de volta para você”. É claro que nós leitores torcemos para ver a transição do Bruce Wayne “Adam West” para o estilo “dark”, mas Alfred mata a pau quando diz: “O que o mundo precisa é mais luz, não mais trevas”. Muito, mas muito legal a abordagem dos Allred. Um deleite à parte é reparar nos pequenos detalhes que nos colocam no “climão” Era de Prata, como a conhecida capa da revista Life, os uniformes coloridos e alternativos (como aquele hilário da Zebra), as onomatopeias durante a pancadaria, o telefone vermelho embaixo da redoma de vidro, a batcorda enlatada, etc. Tenho apenas uma reclamação sobre a HQ, ela é curta demais, portanto tem um desfecho meio apressado (e um pouco confuso). Seria excelente ver Mike Allred com mais espaço para realizar essa sua, digamos, “brincadeira”. Publicada em DC+Aventura #05 (Panini, 2011).

SEXO E VIOLÊNCIA

Essa história é pura diversão. Não espere um roteiro muito apurado, a trama de Craig Kyle e Chris Yost foi feita simplesmente para vermos Wolverine descendo o sarrafo nos inimigos, mais violento do que nunca (sério, a violência é extrema). Não que isso signifique que a história seja ruim, pelo contrário, quando bem-feitas as HQs desse tipo são ótimas para descansar a cabeça e entreter por uma hora. Aqui vemos Dominó (muito, mas muito gata) metida em uma confusão com duas das principais seitas de matadores do Universo Marvel, a Liga dos Assassinos e os ninjas do Tentáculo, e claro que Wolverine acaba envolvido na situação. Excelente para nós, que podemos ver sangue, membros e tripas voando sempre que o baixinho “saca” suas garras para fazer o que faz de melhor. Caramba, e como é legal vê-lo atuar sem censura! Entre um combate e outro, sobra tempo para o carcaju dar uns amassos em sua companheira da X-Force, daí o título “Sexo e Violência”. Ou seja, a diversão é mesmo garantida! O grandioso destaque fica para a arte de Gabriele Dell’otto, ela é o principal motivo de ter selecionado essa história para essa pequena lista de indicações. Sua arte pintada é de encher os olhos, maravilhosa em todos os quadros! Seu estilo de desenho é bem realista e suas cores são sóbrias, permanecendo nos tons de vermelho e azul para causar contraste entre quente e frio. É realmente um trabalho sensacional! Se o roteiro se propusesse a ser mais do que um mero entretenimento, teríamos em mãos uma pequena obra-prima. Publicada em Grandes Heróis Marvel #04-05 (Panini, 2011).