Minha Estante #43 – Matheus HQ Man

E a coluna Minha Estante não para de receber colecionadores bacanas! Hoje temos o prazer de apresentar a vocês a coleção de quadrinhos de um cara que também contribui para o meio com videocasts: Matheus “HQ Man” Vale!

Pra quem ainda não ouviu falar, ele é autor e editor do blog, e também canal do YouTube, Quadrinhossauro, que publica reviews de HQs em vídeos e alguns posts sobre o assunto. Nós gostamos muito do trabalho do Matheus, que tem um excelente gosto pra leitura e faz resenhas e comentários excelentes em seus vídeos. Está esperando o que pra ir lá assistir?

Fiquem com a entrevista e as fotos da bela coleção do cara!

Olá, Matheus! Muito obrigado por topar participar dessa entrevista. 

Para começar, nos conte um pouco sobre você, onde nasceu, onde mora, o que faz na vida profissional?

Obrigado vocês pela consideração. Bem, meu nome é Matheus Gil Alves Vale, eu tenho 33 anos de idade e sou natural de Belém do Pará, mas moro em São Paulo há 10 anos. Sou amante de Rock ‘n Roll e minha banda favorita para todo o sempre é Pink Floyd.

Sou formado em Educação Artística – Artes Plásticas pela UFPa, o que oficialmente me torna um professor de artes, mas exerci muito pouco essa função, pois logo depois de me formar, em 2001, vim para Sampa estudar desenho na Quanta Academia de Artes, onde fiquei por 3 anos. Além de gostar do caos da cidade, também conheci aqui minha Outra Metade, minha namorada há nove anos (não estou enrolando para casar, é sério). Profissionalmente, já trabalhei como Assistente de Restauração do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em Belém, já estagiei em agência de comunicação, já trabalhei em balcão de comic shop, fiquei quatro anos numa empresa que testava protótipos de celulares para uma multinacional. Atualmente, sou Procurador (estou desesperadamente procurando emprego….). Uha-hahaha. 

           

Você se lembra de quando foi que nasceu seu interesse por quadrinhos?

Meu interesse por quadrinhos começou cedo, quando eu tinha seis anos de idade e estava no primeiro semestre da alfabetização no colégio. Um belo dia, enquanto brincava no recreio com os coleguinhas, um garoto de outra série, bem mais velho e muito maior, passou correndo e me deu uma trombada superviolenta a qual me quebrou a perna direita. Precisava ficar no gesso, imóvel em casa por umas semanas. Minha mãe, ela própria uma amante da leitura com uma coleção de livros invejável em casa, decidiu não deixar o cérebro do seu filhinho à mercê da máquina de emburrecer chamada televisão e comprou todo tipo de material de leitura possível para instigar meu interesse e garantir minha prática com o alfabeto em casa. Entre esse material, muitos quadrinhos: Disney, Turma da Mônica, Marvel e DC.

 

Em que época de sua vida aconteceu a mudança de leitor ocasional para colecionador inveterado?

Dos seis aos nove anos de idade eu já lia muitas HQs com maior frequência que a maioria dos meus amigos, possivelmente porque eu sempre tive uma natureza quieta e gostar mais de ficar em casa, desenhando, lendo e criando meu próprio mundo com action figures. Também não tinha muito interesse por futebol (e não tenho até hoje). Mas, eu não era um maluco total que guardava todos os volumes até o dia no qual eu comprei minha primeira revista do Batman, aos 10 anos de idade (número #00 da 3ª série, Ed. Abril, dezembro de 1989). Depois daí, meu interesse voltou-se quase exclusivamente para revistas de super-heróis, principalmente para o Homem-Morcego, até hoje meu personagem favorito, e passei a guardar todas as revistas que comprava. Desde aquela edição até hoje, não se passou um único mês no qual eu não tenha comprado pelo menos uma edição de algum quadrinho.

Quantas HQs você tem no total? Costuma catalogar tudo?

Minha coleção está dividida. Uma boa parte dela ficou na casa da minha mãe, em Belém do Pará, e eu dei muita sorte de ser o filho dela, pois já ouvi muitas histórias de horror de amigos cujas mães resolveram, do nada e sem consultá-los, jogar tudo fora ou doar para caridade no momento no qual eles botam o pé fora de casa. Mas ela é uma grande guardiã da minha “coleção de lá” e sabe o quanto são importantes para mim.

Não comecei a catalogar formalmente minha coleção até criar outra aqui em Sampa. Faço contagens anuais e da última vez que fiz isso, uns seis meses atrás, eu tinha 3.047 unidades. Em Belém eu devo ter metade disso, então tenho cerca de 4.500 unidades.

 

Quais são os principais itens da sua coleção, séries e minisséries completas, encadernados de luxo, edições raras, etc?

Como eu disse, minha coleção mais antiga, onde ficam as verdadeiras raridades, está longe e, embora eu tenha pedido para minha mãe mandar algumas fotos, pedir para ela “caçar” edições individuais seria abusar do favor. Raridade também é uma coisa relativa. Edições facilmente encontradas em São Paulo são muito mais complicadas (e caras) de se conseguir em Belém. Mas eu tenho orgulho de algumas que são raras tanto aqui quanto lá na minha cidade-natal, como Belém Imaginária e Encantarias – A Lenda da Noite, duas excelentes HQs nacionais feitas no Pará e quase impossíveis de se achar. Também me orgulho muito das séries Sandman da Conrad e Lobo Solitário da Panini, e de ter comprado tudo que saiu do Universo Ultimate no Brasil. Também tenho em Belém todas as Heavy Metal brasileiras e mais algumas importadas.

Qual o item mais raro de sua coleção?

Deve ser uma edição de Tarzan da Ebal, que ganhei de um amigo. Mas, pode ser que não. Tem a Parábola, história do Moebius para o Surfista Prateado também.

Você mantém um site e um canal no YouTube, o Quadrinhossauro, em que publica vídeos de resenhas de HQs que leu (aliás, muito legal o programa, assistimos todos, sério). Como foi que surgiu a ideia de gravar e postar esses vídeos?

Eu gosto de falar sobre quadrinhos. Poderia ficar horas batendo papo sobre isso. E hoje em dia, pelo bem ou pelo mal, as pessoas conversam mais por redes sociais e chats do que ao vivo. Basicamente o que faço, principalmente nos vídeos do “HQ Sem Roteiro” é dizer para todo mundo interessado em assistir: “Ei, você lê quadrinhos? Veja só o que eu li, você já leu? Se não leu ainda, leia também, vamos trocar uma ideias!”.

Eu também gostaria de contribuir para o mercado fazendo as pessoas lerem mais, numa linguagem simplificada, principalmente para o pessoal novato, os quais ainda não se meteram com as complicadíssimas cronologias das duas maiores editoras de HQs. São universos muito grandes e complexos, assustadores para quem quer começar a ler sobre seu herói favorito, mas intimidados por décadas de retcons, flashbacks e reboots. Por outro lado, também quero fazer as pessoas conhecerem títulos totalmente além do gênero super-herói e mostrar como tem uma produção rica e variada fora do mainstream.

 

Você faz tudo no canal ou tem uma equipe que te ajuda? Conta para o pessoal como funciona os bastidores do programa, como faz para filmar e editar tudo.

Eu faço tudo 100% sozinho, e confesso: na maior parte do tempo, acho que estou fazendo tudo errado. Não sou webdesigner, nem editor de vídeos e também não sei programar. Levei meses para aprender a mexer no WordPress, e meses para editar o primeiro “Review Raivoso”. Além de tudo isso, sou tímido e tenho medo da câmera. Graças ao milagre da edição, ninguém vê o quanto eu sofro para acertar o texto. E eu não quero lançar para as pessoas um conteúdo que eu próprio não gostaria de ver, por isso só publico quando acho que está ótimo.

Voltando para a coleção de quadrinhos, todos aqui sabemos que esse é um hobby que suga muito de nossos bolsos (fazer o que né…), e nós do PN gastamos bastante todos os meses. Pode nos dizer em média quanto você investe em quadrinhos por mês?

Não direi valores exatos, mas posso dizer para vocês que provavelmente eu poderia pagar uma televisão de LED de 50 polegadas ultramoderna com o que eu gasto anualmente com HQs. Vai ver, é por isso que ainda possuo uma TV de tubo 14 polegadas e empaquei no Playstation 2.

 

Haha, sabemos muito bem como é isso, com a gente cada visita a uma comic shop como a Comix é uma dor no bolso… Mas gastando com o que se gosta, está valendo!

E o que você mais gosta de comprar para ler? Qual seu gênero favorito? Dentro desse gênero, qual seu personagem favorito?

Eu ainda leio muito super-herói e às vezes nem sei por que. É puro vicio. Mas acho que me tornei eclético ao longo dos anos, então eu leio praticamente tudo: Terror, Eróticos, Autobiográficos, Biográficos, Mangá Seinen, Shonen, Shoujo, Fantasia… Meu personagem favorito é o Batman, mas também sou fã do Itto Ogami, da Barbara Thorson (personagem de I Kill Giants) e de Calvin & Hobbes. Na adolescência, eu adorava os X-Men porque eu me sentia um mutante deslocado, hoje em dia nem tanto.

Eis uma questão importante: como você guarda sua coleção de HQs? Utiliza-se de alguma técnica para conservá-los, como colocar tudo em saquinhos, ou não se importa muito com isso?

Edições mensais eu sempre guardo em caixa de papelão, organizados por editora e título. Encadernados vão para as estantes ou vão para caixas, depende de quanto espaço consigo nas estantes. Eu uso saquinhos plásticos para separar minisséries, sem me importar muito em usá-los para ensacar individualmente cada edição, pois isso custa muito dinheiro e francamente, acho um saco. (uha-haha)

Eu fiz um post detalhado sobre isso no Quadrinhossauro, logo quando criei o site, que vocês podem ler clicando aqui (jabá-á-á-á-á)

Você empresta seus quadrinhos numa boa, ou prefere mantê-los sempre próximos para ninguém dar regaço? 

Nunca! É que nem namorada: Emprestou, ou não volta ou volta estragado. Já cheguei a comprar uma segunda cópia de determinada HQ para dar de presente a um amigo que vivia me pedindo emprestado.

 

Todo colecionador tem manias, seja um ritual para leitura, uma bela cheirada na revista nova, um dia específico para comprar ou mesmo nunca se desfazer de nada, qual é a sua (ou quais são as suas)? 

Eu sempre compro minhas HQs nas sextas ou sábados, e prefiro ir comprar ao vivo sempre que possível. Comprar pela internet, só em último caso. E eu sempre levo comigo duas listas de compras, a “Lista Longa”, de HQs para comprar quando tiver oportunidade (feiras, promoções, etc…) e a “Lista Curta” de HQs Buy On Sight, ou seja, comprar na semana de lançamento. A Lista Curta está quase sempre vazia, mas a Lista Longa não para de crescer. Puro desespero.

Ah, e seu sempre lavo as mãos antes de ler minhas HQs.

Imagine que o Superman em pessoa veio até você e disse: “Matheus, meu caro Matheus, eu e a Liga da Justiça precisamos confiscar todos os seus quadrinhos, exceto dez deles! Escolha dez para ficar com você e diga adeus aos demais!”. Se isso acontecesse, quais seriam os seus dez quadrinhos?

Você tá brincando? Se isso acontecesse, o mundo ganharia outro Lex Luthor. E eu não descansaria até recuperar minhas HQs, esmagar a Liga da Justiça e provar para todos que eles são uma força do mal!

Mas eu escolheria

  • Watchmen
  • I Kill Giants
  • Piada Mortal
  • The Filth
  • Incal
  • Asteryos Polip
  • Maus
  • Cavaleiro das Trevas
  • Retalhos
  • Qualquer volume de Calvin & Hobbes

Isto é, até matar a Liga e recuperar as outras.

 

Vimos no seu canal do YouTube um vídeo chamado “Review Raivoso”, em que você faz a resenha de uma HQ extremamente detestável! Conte para o pessoal como surgiu a ideia de manter a caixa dos quadrinhos tranqueiras e, caso puder, diga alguns dos títulos que já estão lá dentro.

A ideia de manter uma caixa só de quadrinhos tranqueiras não surgiu, ela simplesmente aconteceu de forma natural. Quando se compra muitas HQs, combinado com a vontade de conhecer coisas novas, acho isso inevitável. Todo colecionador deve ter sua cota de quadrinhos hediondos.

Mas a minha maior inspiração para os vídeos foi o canal do Angry Videogame Nerd. Eu sempre assisto e pensei que poderia transpor esse tipo de crítica com humor nervoso para falar de HQs. Mal sabia eu o trabalhão que dá fazer esses vídeos.

Eu até poderia dizer quais outras HQs, além de Homem-Aranha – Potestade, tem dentro de minha caixa exclusiva de tranqueiras, mas isso seria queimar pauta, já que pretendo fazer mais vídeos da série. Mas garanto que não são poucas.

Você mantém mais alguma coleção, como livros ou DVDs? Se sim, descreva brevemente essa(s) outra(s) coleção(ões), os principais itens, quantidade, etc.

Compro Action Figures quando posso, uma coleção com relação bem próxima à coleção de quadrinhos. Ultimamente, tenho adquirido bem menos, pois o valor do Dólar só faz subir. A minha favorita aqui em casa é o Superman Comunista da minissérie Entre a Foice e o Martelo.

Obrigado pelo papo, Matheus! Para finalizar, deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil e use o espaço como um jabá do seu site e canal do YouTube.

Leitores e colecionadores, cuidem bem das suas HQs, pois nunca se sabe quando elas se tornarão raras. Nunca as subvalorize, HQs tem tanto valor literário quanto livros comuns e são, cada uma delas, pequenas obras de arte ao alcance de todos. Passem para seus filhos e netos. Valorizem os autores e artistas adquirindo as edições que vocês gostarem.

E venham conhecer o http://quadrinhossauro.com e o canal http://www.youtube.com/user/Quadrinhossauro, deixem seus comentários e sugestões e vamos falar mais sobre HQs!

Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros aficcionados e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!