Videocast 112 – Ringues

Olá a todos,

Sejam bem-vindos a mais um programa Pipoca e Nanquim! E, como vocês já devem ter notado, nosso site está de cara nova. Sim, trata-se de mais um avanço em nossa árdua carreira para conseguir levar a informação a você, da forma mais adequada possível. E, falando em árdua, optamos por um tema divertidíssimo esta semana. Há alguns meses, o Daniel fez um post falando sobre os 10 melhores filmes de boxe, que deu o que falar aqui no site. Então, resolvemos retomar o assunto! Alerta: este não é um programa sobre artes marciais (pra isso já gravamos esse), mas sobre Ringues!!! Boxe, Luta Livre, MMA e afins.

Vale mencionar que está em 47 do segundo tempo para você adquirir uma pequena obra prima relacionada ao assunto: Superman Vs. Muhammad Ali, relançada pela Panini recentemente. Saiba que essa HQ está e-s-g-o-t-a-d-a na editora!!! Portanto, assim que acabar nas lojas, JÁ ERA! E, como é Neal Adams em seu auge, vale muito, muito a pena.

De resto, ficamos por aqui, e a gente espera que vocês curtam as dicas da semana. Tchau!

COMENTADO NESSE VIDEOCAST

Top 10 filmes de Boxe
Podcast 27 – Sylvester Stallone
Sites parceiros: Mob Ground, Filmes com Legenda, Soc Tum Pow,
Área 171.
Participe da promoção John Carter – Entre Dois Mundos e concorra a um livro da Fantasy Casa da Palavra e um par de ingressos do filme

QUADRINHOS INDICADOS

Superman Vs. Muhammad Ali (Panini)
Demolidor Amarelo #01-03 (Panini)
Demolidor – Sem Medo (Panini)
Homem-Aranha – Com Grandes Poderes… (Panini)
Angry #01-06 (Conrad)

FILMES INDICADOS

Luzes da Cidade (City Lights, 1931)
Guerreiro (Warrior, 2011)
O Lutador (The Wrestler, 2008)
Rocky #01-06 (Rocky 1976, 1979, 1982, 1985, 1990, 2006)
A Cozinha do Inferno (Paradise Alley, 1978)
Marcado pela Sarjeta (Somebody Up There Likes Me, 1956)
A Grande Virada (The Set-Up, 1949)
Lutador de Rua (Hard Times, 1975)
Touro Indomável (Raging Bull, 1980)
O Campeão (The Champ, 1931 e 1979)
Hurricane: O Furacão (The Hurricane, 1999)
O Vencedor (The Fighter, 2010)
A Luta Pela Esperança (Cinderella Man, 2005)
Menina de Ouro (Million Dollar Baby, 2004)

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Namor: As Profundezas – De Príncipe Submarino a Monstro dos Mares – Coleção Marvel Knights

Colaborador: Cleverson Braga (@cleverson)

Em Namor – As Profundezas o leitor é confrontado com algumas situações não muito usuais em quadrinhos lançados por aqui mas, com certeza, o que mais vai lhe chamar a atenção e – de certa forma chocar – é o desenho e a pintura.

Desenho e cores parecem disputar o espaço na revista, fazendo com que a arte sequencial fique entre o perfeccionismo em detalhes dos objetos e a semelhança com pintura em guache e telas. Em outros momentos os quadros parecem saídos de uma película cinematográfica da década de 70, com cores saturadas e granulação. É perturbadoramente bom.

A história começa de forma confusa. O autor usa muito a narrativa em primeira pessoa, firmado no tempo do protagonista (que não é o Namor), começa antecipando alguns fatos que serão reapresentados posteriormente e de súbito traz a história para seu tempo presente. Leva algumas páginas até o leitor se situar, principalmente porque as duas tramas apresentadas no início podem confundir.

A revista gira em torno de uma expedição submarina desaparecida e a busca pela mítica cidade de Atlântida. Peter Milligan, o autor, faz uso de diversas referências verídicas para dar volume ao roteiro e usa o medo do desconhecido para tornar os personagens mais reais.

São 125 páginas de imersão, oceano adentro, sem ação nenhuma. Tudo que o autor entrega são diálogos e discussões sobre misticismo e ciência.

O mérito maior da HQ é, sem duvida, o próprio Namor, porém seu uso na obra é de uma forma caracteristica de vilões e monstros  – não que Namor seja um desses dois, necessariamente – de filmes dos anos 70 e 80. Ele é o vilão oculto.

A trama é desenvolvida para deixar o leitor cada vez mais tenso, esperando que algo seja visto, descoberto, que algo aconteça e… nada! Tememos por algo que simplesmente não vemos e isso é excelente. Namor – como “entidade” oculta – é tão presente nas páginas e na trama de cada personagem como se estivesse, de fato, em todos os quadros.

Namor – As Profundezas é um título para fãs de um bom roteiro de suspense – independente da ação. Altamente indicado para quem nunca ouviu falar de Namor OU acredita que o único defensor dos mares fosse o Aquaman.

Em ultima instância, indicado principalmente para aqueles que ainda possam ter algum preconceito com quadrinhos. Prepare-se para receber um chacoalhão da arte sequencial.

Leia também resenhas de outros títulos da Coleção Marvel Knights:
Homem-Aranha: Com Grandes Poderes…

Editora: Panini Comics

Autores: Peter Milligan (roteiro) e Esad Ribic (arte)

Preço: R$ 22,90

Número de páginas: 120

Lançamento: Junho de 2010

Compre aqui!

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Cleverson Braga é designer gráfico por formação, publicitário por ocupação e colecionador por obsessão. Fã de carteirinha da Marvel e de zumbis, além de cinéfilo relapso. Sobrevive em Joinville/SC e é editor de conteúdo do blog Baú Pirata, bem como de seus podcasts.

(Des)necessário requinte gráfico – Café com Quadrinhos #02

A coluna mais saborosa do site está de volta!

Com periodicidade quinzenal e muitas ideias frescas para debater assuntos informais sobre a nona arte, sirva-se do melhor café que lhe apraz, sente-se conosco à mesa e mãos à obra.

Após nosso primeiro post de estreia da coluna apresentando conteúdo mais pessoal, resolvi hoje debater sobre um tema que, sinceramente, muito me incomoda. E acredito que não só a mim, senão que também gera certa controvérsia entre tantos outros leitores.

Se há algo que todos os fãs concordam, independentemente do gênero preferido de quadrinhos, só pode ser uma coisa: HQs no Brasil estão caras.

Muito, muito caras.

Foi-se o tempo dos formatinhos baratos, dos preços que cabiam no bolso, da variedade de títulos que o leitor conseguia levar para sua casa. Hoje, isso é tarefa hercúlea; missão para bem poucos.

Motivos não faltam para tentar justificar esse novo padrão dos “gibis”.

Já adianto que não sou especialista no assunto, sequer sou jornalista na área – e de nenhum tipo. Sou apenas, como muitos, mais um fã de quadrinhos cujas observações a seguir podem muito bem ser contra argumentadas.

Debater o tema de forma despretensiosa é a nossa principal função aqui. Com um bolinho de aveia e um latte quente ao lado, melhor ainda!

Mas estou divagando devido ao excesso de cafeína no juízo. Perdoem-me. Voltando ao assunto em tela…

É fato que a grande quantidade de títulos, atualmente disponíveis nas bancas e livrarias, não reflete o mesmo número no gráfico de vendas. Parafraseando o editor chefe do site Universo HQ, Sidney Gusman, em um de seus artigos para a extinta Wizard Brasil, nós temos um panorama de publicações voltadas para certos nichos de consumidores com tiragens (e não vendas) limitadas.

Com base nisso, as edições ostentam maior capricho, com capas luxuosas, sobrecapas, miolo em papel especial, extras sobre bastidores de produção daquela história, sketches, trechos do roteiro, páginas inéditas, comentário dos autores, etc. Praticamente um DVD duplo impresso.

Ou já seria um Blu-ray no papel? Sinal da eufórica era digital…

O preço final desse portentoso conjunto, naturalmente, não é nada indicado para hipertensos. Mas o retorno é praticamente garantido para a editora – boa parte destas empresas sabe, ou têm uma boa noção, acerca do lucro almejado com este tipo de mercado “seccionado”.

Dentre tantos, um exemplo que considero perfeito para ilustrar essa situação fora o lançamento da coleção completa Sandman, pela Conrad. Belíssimos álbuns que apresentaram um cuidado gráfico e editorial à altura do inquestionável mérito da obra, apesar do preço consideravelmente alto. Sucesso de vendas.

Então, a editora Panini promete empenhar-se em relançar tal série conforme os moldes da versão Absolute da DC Comics, apresentando uma nova prancheta de cores, com novos extras anexos e luxo maior ainda.

A primeira edição já saiu e esgotou, ou está bem perto disso. A segunda já foi anunciada e muita gente já se encontra na fila, resultando num claro sinal de que existe demanda para este tipo de material.

A editora italiana sabe que grande parte dos leitores que adquiriram aquelas edições da Conrad são os mesmos que comprarão seu produto mais sofisticado; uma verdadeira edição de colecionador, como a alcunha de definitiva ostenta na capa.

Eis um cristalino indício de que o próprio mercado está se reciclando. Nós, como fãs e leitores (e aqui vale dizer tanto os nacionais quanto os estrangeiros), estamos consumindo o mesmo produto em embalagens cada vez mais rebuscadas.

Então, resta-me indagar: com esteio na visível elitização que o nosso mercado vem apresentando, é realmente necessário esse luxo ostensivo?

É uma bela adição ao produto, sem nenhuma dúvida. Ótimo para enfeitar uma estante e apreciar os contornos requintados que a obra por vezes merece. Além de ser uma fonte lucrativa imensa para a editora, diga-se de passagem.

Mas o fundamental: para o consumo e leitura, poucos serão os felizardos. A não ser que apelem para as coleções anteriores, já consideradas por muitos como obsoletas.

Outro exemplo: o que dizer do álbum Conan – Nascido no campo de batalha, publicado pela editora Mythos já há algum tempo? Apesar da excelente história e arte primorosa, havia necessidade de toda aquela opulência?

Conforme dito alhures, muitos (não todos) leitores/colecionadores querem desse jeito, e o mercado atende esse anseio ao apresentar uma oferta adequada para tal demanda, direcionando seu produto para um público certo, com lucro “garantido”. Mas será que não se lucraria mais atenuando, um pouco que seja, essa “vaidade gráfica”?

Uma feliz exceção nessa sanha editorial pôde ser encontrada na série Marvel Collection, em cinco edições pelo selo Marvel Knights, publicada pela Panini em 2010. Apresentando somente histórias fechadas e qualidade gráfica espetacular (com direito a capa dura e acabamento em costura), o preço médio de vinte reais serviu como um bálsamo ao bolso do leitor.

Fruto da impressão no exterior? Pode ser. Popularidade dos personagens? Alguns são, outros estão em segundo plano. Equipe de artistas envolvidos? Novamente, alguns nomes de peso e outros irregulares. Independentemente do motivo, o fato é que tal coleção agradou a maioria – e fora realizada com um esmero editorial que pouco ou nada deve às outras publicações afins.

Tanto em qualidade do material – a exemplo de Namor: As profundezas, comumente citado por veículos midiáticos especializados como uma das melhores HQs do ano passado – como no seu bem-vindo fator econômico, esta coleção não trouxe um exemplo factível de que é possível publicar um material associando luxo com valor em conta, requinte gráfico e preço de capa satisfatório?

Para leitores e editoras, é sempre importante lembrar que a qualidade gráfica é um fator positivo ao produto. Como não poderia deixar de ser, naturalmente.

Já sua jactância, para ambos os lados, nem sempre.