Pequenos Tomos, Grandes Obras: Considerações sobre o Livro de Bolso – Café com Quadrinhos #12

Na presente edição da aromática coluna, gostaria de abrir espaço para falar sobre um assunto ligeiramente diferente do que costumamos abordar nestas linhas; mas, queiram acreditar, tão bom quanto uma boa história em quadrinhos ou um Mocha Frappuccino de gelar o cérebro.

O tema de hoje: livros de bolso!

Aquele companheiro ideal nos longos minutos de espera, num momento de lazer qualquer, perfeito para presentear, ótimo para guardar, supimpa para ter – é bom, barato e com uma variedade colossal de títulos, gêneros e autores à disposição em qualquer banca de esquina, por um punhado de réis que seja.

Literatura de qualidade na palma da mão.

Discorro algumas considerações sobre o tema porque, de uns tempos para cá, venho adquirindo compulsivamente vários deles. Cada semana é um novo livrinho, e o mês termina com cinco ou seis novos títulos para uma coleção que cresce descontroladamente. Um vício pra lá de saudável.

Logicamente, concentro-me nas duas maiores coleções disponíveis no mercado brasileiro, aos cuidados das editoras Martin Claret e L&PM. Os sebos se encarregam de abastecer-me com antigas coleções de faroeste, ficção-científica ou romances policiais.

Atualmente, estou lendo – e plenamente fascinado – a coleção ENCYCLOPAEDIA, que a editora L&PM vem disponibilizando no mercado. Cada volume é uma edição especial sobre variados temas, da pré-história à Primeira Guerra Mundial, de Cleópatra à história de Paris.

Os textos afastam aquele pedantismo exagerado que alguns autores gostam de transparecer, os capítulos atraem tanto leitores de primeira viagem quanto os escolados no assunto abordado, com uma redação agradável e de fácil entendimento.

Esses livretos vêm sendo uma ótima fonte de pesquisa para trabalhos acadêmicos. E a um preço bastante justo, variando de oito a quinze reais. A última aquisição dessa série foi sobre os Dinossauros (uma das paixões da infância, ao lado de carros e heróis) e Guerra de Secessão, a famosa Guerra Civil Americana da segunda metade do século XIX.

Depois que você enfileira-os na estante, é uma beleza só contemplar as lombadas com múltiplos temas de fácil acesso. Tudo ao alcance de um braço esticado.

Não faz parte da coleção ENCYCLOPAEDIA, mas vale o registro pela analogia histórica: o livro Enterrem meu coração na curva do rio, do pesquisador norte-americano Dee Brown, que já virou filme e tudo (e é uma das influências do título Escalpo, da Vertigo).

Compreendendo um período de três décadas (1860-1890), narra os acontecimentos, relatos e versões da verdadeira aniquilação dos ameríndios quando da conquista do Oeste. Um prato cheio para quem gosta do bom e velho estilo western, nu e cru, como também é o caso de outro livro do mesmo autor: O Faroeste (esse nem existe no formato livro de bolso, mas rezo por isso).

Voltando aos temíveis répteis jurássicos, um dos melhores romances que li nos últimos cinco anos em formato pocket (numa parceia L&PM e Rocco) fora justamente o incrível PARQUE DOS DINOSSAUROS, de Michael Crichton. Depois de muito tempo, pude conferir a fonte original do famoso filme de Spielberg e, cá pra nós, é infinitamente superior.

Suspense, tensão e violência na medida certa. A cena do aviário; o primeiro encontro com os Raptors; e o ataque do T-Rex aos carros motorizados são, simplesmente, SENSACIONAIS.

Além do mais – e posso até ser condenado por isso, mas direi assim mesmo – o papel utilizado, próximo ao jornal, é muito melhor pra ler do que o A4 convencional das outras publicações. Resta saber se irão publicar a continuação, O MUNDO PERDIDO, neste mesmo formato. Tomara.

A Tumba, de H.P.Lovecraft, é outra leitura obrigatória. Nunca tinha lido nada do autor, e minha estreia se deu com dois pés direitos com esse livro de contos.

Putz, “A Fera na Caverna” diz tudo: baita suspense, toda aquela narração descritiva e rica em adjetivar as emoções do protagonista preso num labirinto cavernoso, totalmente entregue ao breu do local, silêncio ensurdecedor… Mas não sozinho. Foi um conto que o escritor fez em tenra idade! Esse cara deve ser bom mesmo, preciso me inteirar sobre suas outras obras. Estou aberto a sugestões!

Sobre heróis, não poderia deixar de mencionar algumas linhas sobre os parcos lançamentos que tivemos em solo nacional de alguns famosos vigilantes: a coleção CONTOS DE BATMAN (década de 1990, editora Abril); dois títulos do Super-Homem (um de contos, outro o romance “Morte e Ressurreição”, escrito por Lousie Simonson); e a coleção Marvel Pocket Books, da editora Panini.

Batman estrelou algumas historietas em prosa na coleção supracitada. Todas elas foram publicadas originalmente na série The Further Adventures of Batman como parte da celebração dos 50 anos de aniversário do Morcego, a partir de 1989. Na versão nacional, a editora Abril fez um trabalho pra lá de esquisito no projeto gráfico e excluindo vários contos, mas ainda assim vale uma busca pelos quatro volumes publicados, sendo dois deles com a Mulher-Gato em destaque.

Pouco mais de uma década se passou e foi a vez dos heróis Marvel darem às caras na literatura. Já aos cuidados da editora Panini, o primeiro livro lançado (Homem-Aranha –Ruas de Fogo) abriu espaço para mais três romances lançados: X-Men – Espelho Negro, Wolverine – Arma X e Quarteto Fantástico – Zona de Guerra. Cada qual em torno de 300 páginas.

Destaco a fiel adaptação da clássica HQ de Barry Windsor-Smith. Há alguns anos escrevi um artigo para o Universo HQ sobre esse livro, e repito aqui o mesmo entendimento: o romance vai muito além do gibi, melhorando sobremaneira a narrativa ilustrada.

Acrescenta profundidade a cada um dos principais personagens, além de gerar uma história paralela no passado de Logan em alguma missão suicida. Essa liberdade em trabalhar sobre algo já feito, gerando expansão, foi mais do que bem-vinda. Sinceramente, imagino como seria uma versão em prosa de A Piada Mortal ou O Cavaleiro das Trevas nesse estilo…

Pra terminar esse novo rápido debate, cito uma coletânea de Arthur Conan Doyle, famoso médico britânico criador de Sherlock Holmes: Dr. Negro e outras histórias de terror é recomendadíssimo aos fãs de suspense e mistério, bem ao estilo “doyliano”, com pistas aqui e acolá, mas o segredo só sendo revelando nas últimas laudas.

Leiam “O Caçador de Besouros” e tirem suas próprias conclusões. Duvido seus dedos largarem a brochura até saber as bizarras circunstâncias desse conto.

É isso aí, amigos, vamos terminando por aqui. Claro que deixei de citar várias obras, autores e gêneros, mas a coluna é sempre isso, reflexões rápidas sobre o assunto – que muito bem podem se estendidos nos comentários. Por exemplo, o autor mais prolífico do mundo beirando aos 1.100 livros, Ryoki Inoue (espero ter escrito certo, estou sem internet aqui pra conferir. Semana de mudança, tudo em caixa ainda, enfim…).

E tem livro de bolso do Stephem King nas bancas, hein? O Iluminado tá de graça, corram!

Como o editorial da Marin Claret sempre diz, “leia mais para ser mais!”.