Minha Estante #59 – Nuno Amado

Salve, salve, amigos dos Pipoca e Nanquim!

É com muita honra que apresentamos a vocês mais uma edição da coluna Minha Estante.
Essa é uma entrevista muito especial, pois marca um passo além na nossa iniciativa… atravessar o oceano! Isso mesmo, depois de mostrar as estantes de colecionadores de todo o Brasil, chegou a hora de conhecer o acervo de Nuno Amado, que mora em Portugal.

Espero que curtam muito e deixem seus comentários.

Nuno Amado Leituras de BD

Olá, Nuno! Muito obrigado por topar participar dessa entrevista. Para começar nos conte um pouco sobre você, onde nasceu, mora, o que faz na vida profissional?

Olá, Daniel.
Nasci no Ribatejo, província central de Portugal, e acabei vindo morar em Oeiras (perto de Lisboa) aos oito anos. Foi aqui que passei toda a minha juventude, só saindo quando me alistei na Força Aérea Portuguesa. Neste momento a minha profissão é Técnico de Manutenção Aeronáutica – Motores de Avião na TAP Portugal.
(E continuo a morar em Oeiras…)

Quando você começou a se interessar por quadrinhos?

Foi aos oito anos. O meu pai ofereceu-me a revista Tintim nº 12 do 4º ano, nunca mais me esqueci, embora já não tenha essa revista há décadas…
Naquele mesmo ano, descobri no sótão da minha avó duas revistas Marvel (penso que da Ebal), uma com o Quarteto Fantástico e outra com Namor e Hulk. A partir daí nunca mais parei até ter entrado na Força Aérea…

Você se lembra da primeira vez que se viu fascinado por uma HQ? Qual foi a história ou revista?

Num curto período de tempo, que aconteceu na passagem à adolescência, tive na minha mão os três títulos que mais me marcaram nas HQ:
Incal;
– Passageiros do Vento;
– Bela mas Perigosa.

Quando aconteceu a mudança de leitor ocasional para colecionador inveterado?

Nunca fui um leitor ocasional. Depois da minha primeira revista Tintim colecionei todos os números que o meu pai comprou pra mim. Entretanto a revista Tintim ficou cara e comecei a colecionar os formatinhos da editora Abril, a Mundo de Aventuras, Asterix em álbuns, entre outras séries que saiam nos anos 1980.
Infelizmente quando casei e mudei de casa, durante essa mesma mudança desapareceu metade da minha colecção. Quando mudei de casa novamente, passados cinco anos, desapareceu o resto. Cheguei à conclusão de que os trabalhadores de mudanças gostam muito de HQs… a partir daí não comprei mais quadrinhos até por volta dos anos 2000. Aí comecei novamente a comprar, visto que a Devir estava em força e com alguns bons títulos. Em 2004 aconteceu a desgraça… o vício bateu forte depois de tantos anos adormecido e decidi que queria recuperar todos os livros desaparecidos da minha juventude, e até hoje não parei!

Quantas HQs você tem?

No formato livros tenho cerca de 2500, em revistas e formatinhos serão mais 500/600.

IMG_4269

1071438_10203455790254434_1039988193_o 1926249_10203455791614468_398909923_o

Quais são os principais itens de sua coleção, séries e minisséries completas, encadernados de luxo, edições raras, etc?

Tenho alguns livros de valor. Mas as minhas pérolas são mesmo os 26 livros em formato Absolute (capa dura e com caixa) e o John Romita’s Spider-Man – Artist Edition, da IDW (formato extra gigante – A3 com scans de alta qualidade feitas a partir das páginas originais).

Qual o item mais raro de todos?

Bom, eles estão sempre a variar de preço no mercado paralelo. Mas posso destacar os dois Absolute Authority, o Absolute Planetary vol.1 (1ª edição), Umbrella Academy Deluxe Edition Vol.1, John Romita’s Spider-Man – Artist Edition, enfim, todos os encadernados de luxo atingem bom valor…

IMG_4319 IMG_4321IMG_4322

E qual foi a maior raridade que já comprou pelo menor preço?

Em relação a preço versus raridade vem-me logo à cabeça o Clic 3 em capa dura da editora Meribérica, que me custou 5€ novo há uns meses… andei anos à procura desta edição que nem tem preço porque simplesmente não aparece à venda em lado nenhum. A única vez que vi um à venda foi num alfarrabista (sebo) muito maltratado e tinha um preço de 100€.

Você compra HQs importadas?

Sim, grande parte da minha coleção é em inglês, aliás, já é a maior parte da minha coleção. As publicações portuguesas são poucas e curtas, por isso me virei para livros em inglês.

Onde costuma comprá-las?

Amazon e Book Depository essencialmente.

IMG_4276 IMG_4277 IMG_4278 IMG_4284 IMG_4285 IMG_4292 IMG_4296

Possui algum item autografado?

Tenho muitos livros autografados em festivais de HQ. Podia ter mais, mas não tenho “pachorra” para estar de pé durante horas à espera de um autógrafo. Prefiro estar com amigos, a visitar o festival, ir às zonas comerciais procurar algum livro que me interesse. Se de repente houver uma abertura numa fila, aí eu avanço!

Como você guarda sua coleção de HQs? E qual técnica usa para conservá-las?

Guardo em móveis com os livros, todos na vertical. Não ponho os livros uns por cima dos outros… (só alguns formatinhos). Tenho um desumificador por causa da umidade no inverno, e tenho uma cortina para entrar o menos Sol possível na sala onde estão os livros: a minha Bedeteca!

Todo colecionador tem manias, seja um ritual para leitura, uma bela cheirada na revista nova ou nunca se desfazer de nada, qual é a sua?

Eu lavo as mãos, retiro a dust cover (se o livro tiver), acendo a luz de leitura por cima do sofá e sento-me confortavelmente…

IMG_4271 IMG_4272 IMG_4273 IMG_4274 IMG_4275 IMG_4281 IMG_4282 IMG_4283 IMG_4289 IMG_4290 IMG_4294 IMG_4316

Tem algum item que quer muito ter, mas está praticamente impossível de encontrar?

Tenho muitos!!! Ahahahhaha
Neste momento ando à procura de um Hawkman Vol.1 DC Archive por preços decentes, e de um Mouse Guard que também está esgotado e com preços muito “salgados”. Esses são os dois livros de que eu ando mesmo à procura neste momento.

Qual foi sua última leitura e qual está sendo a atual?

A minha última leitura foi o Óh, Miúdas do autor Lepage, e neste momento estou a ler o Omnibus Hack/Slash Vol.4 do Tim Seeley.

Quais são seus 10 quadrinhos brasileiros favoritos?

Bem, o meu conhecimento dos quadrinhos brasileiros não é muito grande, mas adorei o Daytripper, Piratas do Tietê, 10 pãezinhos, Encantarias – A Lenda da Noite, Astronauta – Magnetar, enfim… deve haver outros tantos na minha coleção de que eu não me estou a lembrar neste momento!

IMG_4270 IMG_4279

Além de quadrinhos, você também possui outras coleções?

Claro… todo o bom colecionador de Banda Desenhada TEM de colecionar figurinhas!
Possuo 100 figuras de chumbo DC e 50 da Marvel, tudo em chumbo da marca Eaglemoss; possuo muitos Smurfs, vários Dragões McFarlane em PVC e tenho muitos Elfos e Guerreiros a cavalo também em PVC.

IMG_4297 IMG_4299 IMG_4300 IMG_4301 IMG_4305 IMG_4310 IMG_4313

Obrigado pelo papo, Nuno! Para finalizar, deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Leiam, leiam muito!
Não sejam preconceituosos em relação aos vários tipos de quadrinhos. Sei que no Brasil a maioria dos leitores ou são “Marvettes” ou “DCnautas”… isso é muito curto!
Leiam HQ Europeia, e leiam HQ Japonesa! Não se prendam com preconceito, quem gosta MESMO de HQ tanto lhe faz de onde vem, se é a cores ou a preto e branco, capa dura ou mole, se se lê da direita para a esquerda ou ao contrário! Desde que tenha qualidade e prazer na leitura todos os gêneros são válidos. Eu sempre evitei Mangá. Até que li o primeiro. A partir daí acabaram os preconceitos! Existem muitos Mangás de alta qualidade!

E tentem a BD Europeia… é de grande qualidade! Não se fiquem por super-heróis… aliás, nos EUA tem muita HQ sem ser de super-heróis e de grande qualidade!

Alarguem as vossas prateleiras a coisas novas!
E claro… apoiem a HQ brasileira de qualidade, porque ela existe e precisa de ser acarinhada.

Um abraço a todos!

IMG_4325 IMG_4291IMG_4302IMG_4286IMG_4295 IMG_4296 a IMG_4318

 

Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros fãs e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

 

Videocast 72 – Milo Manara

Olá, galera vida mansa!

Em nosso videocast #67 Eróticos havíamos prometido que em breve iria rolar um especial Milo Manara, como somos homens de palavra, ai está!

Esse gênio do traçado não poderia faltar em nosso videocast, com sua vasta carreira de mais de quarenta anos, com diversos clássicos da nona arte em seu currículo seria muito pouco apenas citá-lo, então dedicamos não um, nem dois, mas sim, TRÊS blocos do programa pra falar do mestre.

Se você nunca leu uma obra sequer com a assinatura do Manara, simplesmente não sabe o que está perdendo, ele domina como poucos narrativa gráfica, possui um estilo muito peculiar, já produziu em parceria com Hugo Pratt, Jodorowsky, Neil Gaiman e Fellini, além disso tudo, ele desenha as mulheres mais lindas e sensuais dos quadrinhos mandando ver na sacanagem!

Vai lá, dá o play logo e depois sai correndo pra comprar as HQs!

QUADRINHOS INDICADOS
Clic (Conrad)
Curta Metragem (L&PM)
Sonhar Talvez (Martins Fontes)
Gulivera (Pixel)
A Metamorfose de Lucius (Pixel)
Revolução (Conrad)
Ecnontro Fatal (Conrad)
Pêntiti! (Pixel)
El Gaucho (Conrad)
Verão Índio (Conrad)
Garotas em Fuga (Panini)
Sandman: Noites sem Fim (Conrad)
Viagem a Tulum (Globo)
Bórgia (Conrad)
Sapo Ivan (Nova Fronteira)
Garra Cinzenta (Conrad)
Palestina (Conrad)

FILMES INDICADOS
Le déclic (1985)
Os Bórgias – A Série (2011)

—————————————–­­­————————————–­-­-­—————————–­-­-­—————
Se você gostou do que assistiu, ajude o videocast a se espalhar e clique no botão GOSTEI, adicione o vídeo aos favoritos e COMPARTILHE com os amigos nas redes sociais, isso é fundamental para a sobrevivência do canal. Contamos com a sua ajuda;)

Bórgia – Se Não Leu, Leia!

No mês passado, a Conrad nos trouxe a conclusão da espetacular coleção Bórgia ao publicar o quarto volume e afinal, me vi na obrigação de fazer uma resenha sobre este trabalho seminal.

Bórgia começou a ser publicado no Brasil em 2005 e caso você não saiba quais são os volumes que compõe a série, primeiro vamos a eles

Vol. 1 – Sangue Para o Papa

Vol. 2 – O Poder e o Incesto

Vol. 3 – As Chamas da Fogueira

Vol. 4 – Tudo é Vaidade

Escrita pelo espanhol Alejandro Jodorowsky e magistralmente ilustrada pelo mestre dos quadrinhos eróticos, o italiano Milo Manara, Bórgia narra a saga da família que dá nome à série e que de fato existiu, tendo ficado famosa por conta das disputas de poder e intrigas em que seus patriarcas se envolveram.

Jodorowsky concentra seu roteiro no período do Renascimento, durante o papado de Rodrigo Bórgia, considerado o mais cruel, corrupto e depravado de todos os papas da idade média; e o escritor não faz concessões e desde o primeiro número, cria imagens perturbadoras de violência, sadismo, pedofilia e torturas, criando o cenário ideal para Milo Manara realizar o trabalho mais espetacular de toda sua carreira.

Manara é conhecido pelas mulheres que desenha – suas histórias oscilam entre o erotismo, mas não raro descambam para a pornografia desenfreada, com roteiros não melhores que um filme pornô, porém aqui, ele vai além. Sua recriação da Europa medieval é primorosa, desde vestimentas, caracterização dos personagens, geografia e urbanismo. A chance de ver um trabalho seu colorizado também é impar, já que a maior parte de suas obras (inclusive O Click que é a mais famosa) costuma ser em preto e branco.

Ainda que Bórgia não tivesse um única balão de fala, somente olhar para a arte afiada deste mestre em sua melhor forma já valeria o preço de capa.

Falando em capa, a coleção Bórgia foi lançada em capa-dura, com acabamento de primeira linha, superando em qualidade técnica a maior parte do que é lançado no Brasil mesmo entre as graphic novels – contudo a Conrad também disponibilizou volumes em capa cartonada e mais acessíveis, a venda no submarino.

Apesar do preço tentador, eu recomendo fortemente que você adquira as edições em capa dura – mesmo que leve mais tempo para comprar todas.

Jodorowsky toma muitas liberdades criativas em relação à História e exagera em alguns fatos que sequer têm comprovação, tudo para criar a atmosfera densa, insana e paranoica que deve ter sido o papado de Rodrigo Bórgia, que mudou o nome para Papa Alexandre VI após sua nomeação.

Por exemplo, sabe-se que Rodrigo usou sua fortuna para comprar os votos de seus pares durante o conclave que o elegeu, em 1492 – mas na história de Jodorowsky, o escritor cria uma situação que vai muito além do mero suborno, e deixa o leitor arrepiado, pensando no que está por vir. Aparentemente, a intenção do autor não é ser historicamente preciso ou biográfico, mas sim apoiar-se em uma biografia para contar um momento de decadência da história da humanidade de forma plástica, artística, quase mítica.

Resiste o exemplo de uma Era Imperialista, dominada por poucos, sendo contraposta a nossa Era Globalizada, na qual o imperialismo é disfarçado e as formas de domínio são outras – mais perniciosas e sutis. A desumanidade que Jodorowsky mostra não é descabida ou exagerada: tudo serve ao propósito de contar essa maravilhosa história.

Rodrigo Bórgia teve diversos filhos, bastardos e legítimos, sendo os mais importantes César e Lucrécia. A relação entre Lucrécia e seu pai na HQ é a mais incestuosa possível, ainda que a História trate esse assunto como rumores, espalhados pelo satírico Filofila – na época opositor aos Bórgias. A linda Lucrécia fornece alguns dos momentos mais bizarros de toda a série, criando um contraponto perfeito de toda aquela beleza angelical que nos faz desejá-la, com a náusea e repugnância que ela nos causa quando age em prol da família.

Aliás, família é o que se resume o mote da série. Tudo é feito em nome do poder da família; da possibilidade de gerar ganhos e riquezas tão magnânimos, que o nome perduraria até muito depois que todos se tornassem pó. Para isso, Rodrigo não mede esforços, porém, diferente do senso de honra e respeito que tem, digamos, um Dom Corleone, ele simplesmente atropela tudo o que está diante de seu caminho – inclusive a prole.

 

Há momentos de puro brilhantismo na história – como a participação de Nicolau Maquiavel (que em sua obra máxima, O Príncipe, eternizou a persona de César Bórgia), e de Leonardo da Vinci; duas presenças marcantes na história da humanidade, cujos nomes carregam uma enorme carga emocional e que, por conta das atitudes indistintas na série, despertam a curiosidade do leitor e o fazem pensar ‘Será?’.

Bórgia é uma HQ que merece ser lida e relida, e exposta com orgulho na estante de qualquer colecionador. Se você quiser saber mais sobre essa excêntrica família (sem ter muito trabalho), recomendo 3 produções cinematográficas: O Conclave (2006), Los Borgia (2006), The Borgias (2011) – esta última uma série de TV fascinante, com a presença do competente Jeremy Irons no papel de Rodrigo Bórgia.

Videocast 67 – Eróticos

Yeah! Tudo beleza, pessoal???

É com muito prazer, que trazemos a vocês mais um videocast Pipoca e Nanquim, essa semana com um tema sensacional e que vai aumentar a lista de bons quadrinhos para vocês comprarem em pelo menos dez itens.

Let´s talk about sex! Ow yes!

O tema dessa semana é ‘Eróticos‘, um gênero dos quadrinhos que rende verdadeiras obras-primas, ou você não concorda que o Manara e o Crepax são verdadeiros gênios da nona arte?!

Falamos de Carlos Zéfiro e seus catecismos, Penthouse Comix, Black Kiss, Druuna, Valentina, Giovanna Casotto, entre outras obras excelentes. Conseguimos falar de cinema também, sobre os diretores Jess Franco e Tinto Brass!

Além do mais, o programa nessa segunda temporada conta com cenário novo (esse foi desenhado por um grande artista chamado Luciano Salles, aka Pirica), um bloco a mais para leitura de emails e um breve checklist com o que realmente compensa comprar esse mês.

Abraço a todos! Ajudem a divulgar o videocast e cliquem nos botões de Twitter e Facebook lá embaixo.