Red Faction: Armaggedon – Destrua tudo e todos!

Quando me pediram para definir Red Faction: Guerrilla, eu dei exatamente essa explicação: “Bom, é praticamente GTA em Marte nos primórdios de um golpe de estado ‘comunista'”. O personagem principal andava pelos cenários desoladores de Marte destruindo, com uma marreta (muito apropriado), as estruturas da grande coorporação que escravizava a mão de obra. Isso resume bem o jogo pra quem nunca ouviu falar. Já em Red Faction: Armageddon, o mal vem em forma alienígena, que oprimiu a população humana de Marte para as cavernas do planeta vermelho.

O jogo novamente está baseado na destruição total do ambiente e, assim como seu antecessor, está muito bem trabalhado. Apesar de gerar menos conseqüências, continua muito divertido simplesmente esperar o inimigo entrar em um prédio e começar a destruir a estrutura com o coitado dentro. Assim como em Guerrilla, existem várias maneiras de destruição: martelando pilares, granadas, explosivos C4 ou até fatiando os prédios com um laser. Como caos e demolição são as regras do jogo, Armageddon consegue suprir com várias armas. Na medida em que você avança no game, você encontrará novas armas com novos poderes de destruição. Desde a tradicional marreta, que por si só consegue demolir um prédio inteiro até uma arma que cria um mini buraco negro sugando tudo que estiver na frente, Armageddon não desanima na criatividade. Os excelentes gráficos do jogo garantem o realismo das destruições.

Guerrilla não soube muito bem lidar com o enredo, colocando poucas surpresas na trama e não desenvolvendo muito a história dos rebeldes, o que deixou claro que o interesse da THQ foi garantir as vendas do game baseado no excelente multiplayer. Em Armageddon o enredo está muito bem trabalhado, o que pode causar efeitos colaterais: dependendo do modo de jogo que você gosta, você vai ficar muito chateado ou muito feliz em saber que Red Faction: Armaggedon é focado no single player. Por algum motivo, a THQ transformou a campanha single player do jogo na grande atração da vez.

De qualquer modo, com base no fator de destruição do jogo, a THQ colocou novos modos de multiplayer. Na verdade, foi uma substituição: um modo survival e um modo de destruição livre onde você coleta pontos por derrubar estruturas imensas em combo com um amigo online. Ambos modos são diversão garantia, mas não chegam perto do molde competitivo do multiplayer Guerrilla.

Para amenizar a decadência do multiplayer, Armageddon mandou muito bem nos veículos. Assim como a criatividade nas armas demolidoras, os veículos são extremamente bem elaborados e trabalhados. Em parceria com os veículos, seu poder de demolição triplica, dando uma sensação de domínio ao jogador, que muitos jogos best-sellers sonham em alcançar. Entre em uma armadura Mech e destrua o cenário inteiro. 100% gratificante!

A jogabilidade lembra bastante Dead Space 2, o que pode agradar muita gente, mas com certeza vai decepcionar os fãs de Guerrilla. Não que Armageddon ou Dead Space 2 sejam jogos ruins, longe disso. O que mais afeta é o fato de terem criado um jogo tão sensacional com Guerrilla e agora resolveram diminuir sua originalidade.

Se você é novo na franquia, vai simplesmente adorar o jogo. Suas inúmeras possibilidades de destruição, veículos sensacionais e física perfeita com certeza viciam novatos ao ponto de esquecer o enredo do jogo. Como um fã de seu antecessor, demorei um pouco para me acostumar com a nova direção que a franquia Red Faction resolveu tomar, mas, sem dúvida, é um jogo para se ter na prateleira.

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Leonardo Chacel é formado em Publicidade. Depois de cinco anos como livreiro, chutou o pau da barraca e virou tatuador e gamer porque jogar e desenhar é o que faz de melhor. Além de escrever sobre games para o PN escreve sobre música (só as boas) em seu blog Overdose Contínua.