Se não leu, leia: Southern Bastards

Por Guilherme Roussenq

Os estados abaixo da atual linha Mason-Dixon dos Estados Unidos são conhecidos, entre outras coisas, pelo futebol americano, costelas fritas, rock sulista e, em contrapartida, terem tons de racismo, violência e adorarem a bandeira dos Confederados. Dentro das séries autorais de quadrinhos, uma tem chamado atenção por misturar muito desses estereótipos e repensar sobre sua história: Southern Bastards, da  Image Comics.

Nascido em Jasper no estado do Alabama, o roteirista Jason Aaron (bem conhecido por séries como a excelente Escalpo, Wolverine, Justiceiro MAX e, ultimamente, pelos títulos mensais de Thor e Star Wars) sabe muito bem como é a vida de quem cresce naquela região. Como também o sabe seu parceiro na série, o desenhista Jason Latour (de Loose Ends, Soldado Invernal e Spider-Gwen) outro sulista porém criado em Charlotte, na Carolina do Norte. Juntos criaram um dos melhores quadrinhos em série da atualidade.

A história de Southern Bastards começa quando, após quarenta anos, Earl Tubb volta relutantemente para a pequena Craw County, sua cidade natal, onde seu pai foi o antigo xerife, um homem lendário que acabou com o crime organizado em sua época apenas com um bastão em mãos*. Porém, hoje, a criminalidade voltou a aflorar e o articulador de tudo parece ser o treinador do Runnin Rebs (time de futebol-americano local), que responde por Coach Boss.

Em EscalpoAaron já demostrava ser um escritor que dominava as técnicas de roteiro e diálogo, sendo influenciado pelas narrativas de séries de TV modernas, e entregava arcos de puro brilhantismo. O mesmo acontece em Southern Bastards. Aqui também temos flashbacks durante as histórias, que ajudam no entendimento do microuniverso no qual Tubb voltou a ser inserido, além de dosar cenas mais contemplativas com a tensão crescente que leva a momentos de pura violência, principalmente no surpreendente e corajoso final do primeiro arco denominado Here Was A Man. O segundo arco, Gridiron, foca em contar a trajetória de Coach Boss, desde sua determinação em se tornar jogador de futebol, bem como sua dificuldade em lidar com o pai, que leva, mais uma vez, a um final cheio de reviravoltas e momentos de suspense na trama. Acreditem, é uma aula de como escrever quadrinhos em série. O terceiro arco ainda está sendo finalizado e foca mais em histórias solo de alguns personagens secundários, mas que, assim como em Escalpo, sem dúvidas terão momentos importantes no desenvolvimento da série.

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Craw County é a Macondo do autor. Seu microcosmo de personagens é muito interessante e, apesar de alguns serem violentos, de forma alguma, até agora, é feita uma abordagem moralmente condenatória sobre eles. Tudo é deixado a cargo do leitor. Suas ações são decorrentes do meio em que vivem.

A série é classificada como um quadrinho de crime ou ainda southern noir, contudo, vai muito além. Como já é comum nas obras autorais de Aaron, suas histórias têm como foco demonstrar como atos passados ecoam no presente. Tal temática é muito ligada a tradição literária da região, que contou com grandes escritores que abordavam temas ligados ao passado sulista como foram os casos de William Faulkner, Flannery O’Connor e Joe Brown, além do, ainda vivo, Cormac McCarthy. Aliás a personalidade sulista é um dos pontos importantes na trama e nos personagens. Espere muitas histórias envolvendo futebol americano, comida típica (inclusive com receitas no final de alguns números), do temperamento redneck, com vestimentas e maneiras de dialogar e formular frases assim como na série televisiva Justified, ou como Trevor Phillips, do jogo Grand Theft Auto V.

Latour dá um componente importante na obra. Seus desenhos não são tão realistas, mas, sim, de um estilo bem próprio que se encaixa perfeitamente com a proposta da série. Ele não desenha personagens bonitos, com rostos atraentes, de fato, todos são o avesso disso, sisudos, rostos angulosos ou desalinhados. A escolha da paleta de cores é interessante, sendo basicamente composta por tons avermelhados, sangrenta, simbolizando a brutalidade inerente a trama, mostrando que estamos em um ambiente forte e perigoso.

Southern Bastards foi vencedora do Prêmio Eisner 2015 na categoria Melhor Nova Série e ainda não tem previsão de encerramento (atualmente está no número 13). Já no Brasil, ainda não há nenhuma editora que tenho anunciado o interesse em lançá-la.

Apesar de ainda ser recente, menos de dois anos, a FX já adquiriu os direitos para uma adaptação no formato de série de TV que tem muita chance de dar certo já que, como escrevi acima, o estilo narrativo de Aaron é muito influenciado por obras televisivas deste século. Tudo isso ajuda a entender mais a qualidade da obra e demonstra que Southern Bastards é um gibi que já está entre os melhores da atualidade dentro do mainstream norte-americano.

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NOTAS

(*) A história do pai de Earl ter “limpado” Crow County como xerife é baseada em fatos reais. Em 1967, o xerife Buffor Pusser, na época residindo em McNairy Country, Tennessee, teve sua esposa assassinada pela StateLine Mob. A partir daí ele intensificou sua luta contra os criminosos da região e é considerado como a pessoa que, sozinho, acabou com a criminalidade da linha estadual entre o Mississippi e o Tennessee. Por conta disso acabou virando uma lenda e filmes sobre o caso acabaram sendo produzidos, como, por exemplo, WalkingTall (1973) e suas sequências, bem como adaptações para TV.

Reboot de Cyber Force tem aspecto Steampunk

Escrito por Doctor Doctor do SOC! TUM! POW!

Se uma ideia não funcionou tão bem no passado, não quer dizer que não terá um melhor resultado hoje. Esse é o pensamento do quadrinhista Marc Silvestri, que reinicia uma de suas grandes criações: a Cyber Force.

Surgida em 1992 e lançada pela Image Comics, a série mostrava as aventuras de um grupo de mutantes perseguidos por uma empresa de bioengenharia que os sequestrou e usou como cobaias em experiências que lhes deram implantes biônicos e aumentaram seus poderes. Ao fugirem, uniram-se como a Cyber Force. Dentre seus membros estavam Morgan Stryker, o líder do grupo, Velocidade (Velocity), Balística (Ballistic), Ripclaw, Cyblade, Impacto e Termal.

“As ideias para a Cyber Force se adequam melhor ao mundo de hoje, muito mais fluido do que o de 20 anos atrás”, explicou Silvestri durante a San Diego Comic Con 2012. “A fusão literal de natureza e tecnologia é um futuro que agora todos nós conseguimos ver chegando.”

A nova série será um reboot e, como tal, começa a partir do zero e anula os acontecimentos anteriores. Neste projeto, Silvestri atuará como co-escritor e diretor de arte da série. Junto a ele estão o atual presidente da Top Cow – o estúdio fundado por Silvestri dentro da editora Image Comics – Matt Hawkins, com quem ele dividirá o roteiro, e Khoi Pham, o artista da série.

Segundo Silvestri, sua intenção com a nova série dos ciborgues mutantes é causar questionamentos no leitor ao mesmo tempo em que proporciona uma empolgante aventura de ação. “Pela primeira vez na história, a espécie humana e sua inteligência estão ultrapassando a evolução”, explicou. “São necessários centenas de anos para nos adaptarmos às mudanças, mas o que conquistamos tecnologicamente nos últimos 100 anos interrompeu completamente nossa habilidade de evoluir e, consequentemente, de sobreviver. Em outras palavras, estamos criando um mundo de maravilhas e conveniências ao qual não podemos sobreviver. Este dilema é o coração sobre o que é Cyber Force”. Além disso, o quadrinhista disse que irá explorar ideias que tinha no início da trajetória do grupo na década de 90 e que acabaram não sendo feitas.

Uma das grandes mudanças para o reboot será o visual da série, que lembrará bastante o gênero literário steampunk. “Sou um grande fã do steampunk industrial, do design lustroso e futurista de Syd Mead e da estética tecnoorgânica de H.R. Giger”, disse Silvestri. “Como tudo isso já foi feito, eu precisava ajustar um pouco as coisas. Além disso, eu não queria que a Cyber Force estivesse presa a um gênero visual. Então criei um híbrido desses três. Quando vi o que estava saindo, o melhor termo que pude encontrar foi ‘bio-cybernetic steampunk’ [algo como steampunk bio-cibernético]. O resultado é um visual que não parece tão robusto, tão astuto e nem tão piegas.”

De acordo com o autor, tanto os personagens quanto o mundo de Cyber Force é belo, mas ao mesmo tempo perturbador, calmo e ainda assim cheio de tensão. “Como um relógio preciso, todas as peças se pressionam e se movem umas contra as outras, mas se encaixam perfeitamente e fazem tudo seguir adiante”, explicou. “Algo como a própria natureza, mas nesse caso foi feito pelo homem e distorcido pela nossa necessidade de melhorar o que não precisa ser melhorado.”

Outra característica que merece destaque é que as edições serão produzidas com o dinheiro obtido pelo o site de financiamento coletivo Kickstarter. A ideia é distribuir as cinco primeiras edições da série gratuitamente, da mesma forma que acontece no Free Comic Book Day, o dia no qual as editoras dos EUA distribuem uma edição específica aos leitores. Nas comic shops, os leitores poderão pegá-las de graça, mas no site do Kickstarter haverá versões exclusivas de capas de cada edição e a versão em capa dura.

Adorei a ideia! Só não sei dizer se é porque fui adolescente quando Cyber Force foi lançada, se porque sou fã do Silvestri ou se porque adoro o gênero steampunk. Seja como for, a Cyber Force original trouxe muita diversão para mim e fiquei feliz ao saber que ela será retomada de uma maneira que achei ainda mais legal. Não sei se há chances desse material chegar ao Brasil, mas vou ficar atento ao lançamento nos EUA.

Confira abaixo os esboços e estudos de personagens da nova série:

 

 

Ir para o artigo original.

Podcast 45 – Jim Lee

Olá a todos. Eis aqui a dinâmica equipe do Pipoca e Nanquim para preparar mais uma panelada de milho para vocês! E desta vez, o assunto é polêmico. Sempre falamos apenas de coisas que adoramos (não gostamos de falar de tranqueiras), mas resolvemos abrir uma exceção. Não que esse cara seja uma tranqueira; na verdade tem trampos dele que a equipe do Pipoca adora. mas digamos que sua carreira é controversa (para dizer o mínimo).

Adorado por uns, execrado por outros, mandamos ver um especial sobre Jim Lee!!!

Qual foi seu melhor trabalho? X-Men? Batman? Superman? Image? Ou os anos de férias (he-he-he)? Deixamos, claro, para vocês decidirem, mas relembramos a carreira deste que é atualmente um dos ilustradores mais conhecidos do mundo dos quadrinhos, e um dos manda-chuvas da DC Comics. E, obviamente, caso você ache tudo isso um saco, pula direto para as músicas. Aliás, só filé. Dá uma olhada no que programamos para você esta semana, e um super-abraço!

Músicas

Bloco 01
Brand New Cadillac – The Clash
Can’t Afford No Shoes – Frank Zappa

Bloco 02
Avalanche Leonard Cohen
Bang BangNancy Sinatra

Bloco 03
Ants MarchingDave Matthews Band
Temptation Inside Your HeartThe Velvet Undergorund

Bloco 04
Dois Mil e UmMutantes
No One Like YouScorpions

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Ah, quem dera fosse publicado por aqui – Café com Quadrinhos #05

Nem somente do gênero mainstream e café sobrevive o vício de um fanboy.

Sempre que vejo sites estrangeiros sobre quadrinhos, tantos os jornalísticos quanto os das próprias editoras, ainda fico impressionado com a quantidade absurda de lançamentos lá fora que sequer cogitam aportar em terras brasileiras. Quando o lado “fã” tenta falar mais alto, normalmente relembro que muitas dessas séries, talvez, não encontrem um retorno mercadológico lucrativo por aqui.

Realmente, uma pena.

O jeito, então, é melhorar aquele bom e velho inglês dos tempos colegiais e correr atrás dos encadernados importados, na base do suor e da paciência.

Mas como sonhar ainda não custa nada, vez ou outra me pego imaginando algum futuro lançamento tão desejado. Para isso, trago alguns exemplos.

Na época do “pirulito que bate, voa”, seria heresia perder algum episódio vespertino dos super-heróis japoneses da saudosa TV Manchete. Dentre todos eles, o meu favorito sempre foi o Black Kamen Rider (1987-1988), ou Kamen Rider Black no original. Ainda hoje tenho cólera quando relembro que, chegando ao penúltimo episódio, no dia seguinte retornava desde o primeiro.

Quando aguardava o programa começar pra ver como terminaria a derradeira refrega entre o Shadow Moon (controlando a Battle Hopper) e o “Senhor Black”, aparecia a legenda com o nome “Episódio 01 – A Metamorfose”. Era foda mesmo (com direito ao meme do FU).

Então, muitos anos depois, após finalmente ter visto o lendário último episódio, soube que o seriado era derivado de um mangá publicado simultaneamente lá no Japão, na antologia Shõnen Sunday, de autoria de um dos mais famosos mangakás da terra do sol nascente: o falecido Shotaro Ishinomori (criador, dentre outros, da série Cyborg 009, que passou há poucos anos no Cartoon Network).

Pesquisando pela internet, e muitas vezes agradecendo o tradutor do Google, consegui achar alguns poucos artigos críticos sobre essa rara história em quadrinhos nipônica.

Segundo dizem, ela seria mais sombria, com um clima mais denso e pessimista do que já fora o seriado televisivo – lembrando que, apesar da temática infanto-juvenil da época, Black Kamen Rider era de longe um dos melhores roteiros dos Tokusatsus dos anos 1980: histórias cativantes, invejável galeria de monstros semanais, vilões que encarnavam a própria malevolência e com visuais incríveis, músicas sensacionais, além de coreografias e cenas de ação muito bem feitas, sem contar o forte apelo emotivo.

Além disso, o visual do Issamu Minami (Kotaro Minami lá fora, mas sejamos nostálgicos aqui) nessas páginas, quando transformado, era bem mais parecido com um gafanhoto humanoide, próximo ao bestial. Não chegou a ser como o aterrorizante visual do filme Kamen Rider Shin (1989), mas seria bem mais mutante do que sua versão live-action conhecida pelo público brasileiro.

Se essa obra pode ser atualmente considerada como pouco provável em se tornar realidade por aqui, a próxima tem melhores chances – e, creio eu, mais seguidores.

Já viram os maravilhosos álbuns encadernados da série The Chronicles of Conan, The Savage Sword of Conan e outras clássicas séries que a editora Dark Horse anda relançando no mercado americano? Olha, seria um presente e tanto aos leitores brasileiros, e uma oportunidade de ouro para reorganizar a antiga cronologia do bárbaro cimério.

Em relação à segunda série mencionada, tive a oportunidade de folhear um desses tomos importados e fiquei maravilhado com o trabalho realizado. Mesmo já tendo lido e relido incontáveis vezes muitas daquelas histórias da fase clássica com Roy Thomas no texto, a qualidade do material e o esmero despendido ali quase me fizeram crer que se tratava de algo inédito.

Mas, infelizmente, as HQs de Conan no Brasil andam em baixa de uns tempos pra cá: cancelamentos e lançamentos esporádicos (caros) têm sido uma constante. Quem sabe as publicações dessas famosas histórias da era Marvel não reacendessem o interesse em revisitar a Era Hiboriana?

Da mesma forma, seria ótimo poder ler no bom idioma lusófono a coleção The Lone Ranger, que terminou recentemente com 24 edições + 4 edições especiais lançadas pela editora Dynamite Entertainment. Um faroeste de altíssima qualidade, bom frisar.

Quem teve a oportunidade, pôde testemunhar que essa série atualiza o pistoleiro para as tendências dos tempos atuais, mas sem menosprezar os elementos básicos que o caracterizaram nas encarnações anteriores no rádio, na TV e nos quadrinhos.

Apesar de não matar, o “Zorro” sabe muito bem como aplicar justiça de forma implacável, mantendo seu caráter altruísta e justiceiro. Sem contar a melhor versão do índio Tonto jamais vista, em qualquer mídia. Leiam e comprovem.

Por fim, venho acumulando anseios em ver uma obra traduzida que não é exatamente uma história em quadrinhos, e sim um livro ilustrado. Belamente ilustrado.

Trata-se de Bernie Wrightson’s Frankenstein, um magistral trabalho de retratação artística do romance original de Mary Shelley com várias ilustrações primorosas, de páginas inteiras. Com certeza um dos melhores contos de terror de todos os tempos.

Imagine então, ao lado do texto original, algumas splash pages em preto e branco no traço de um dos maiores artistas do gênero nos comics? Sensacional é pouco. Um lançamento desses por aqui viria bem a calhar, ainda mais com lastro numa tradução e adaptação ao estilo do que a editora Martin Claret fez em solo nacional.

Apesar de ter trazido unicamente estes quatro exemplos, faço rápida menção especial a três outros bem mais recentes: a coleção The Complete Dracula, Sherlock Holmes: Trial of Sherlock Holmes e The Complete Alice in Wonderland, todos publicados pela mesma Dynamite Entertainment, com roteiros de John Reppion e Leah Moore (filha do famoso barbudo britânico).

Algumas destas tratam de adaptações integrais e fidelíssimas às obras literárias originais, com artes estupendas. No caso de Alice, os maravilhosos desenhos são de autoria da brasileira Erica Awano, responsável pela parte artística do título nacional de sucesso Holy Avenger.

Sobre o Drácula, há a presença de um capítulo especial originalmente escrito por Bram Stoker e publicado postumamente em 1914, intitulado O Convidado de Drácula.

Há outras obras que poderiam ocupar mais algumas linhas desta coluna (ouvi alguém mencionar a coleção de adaptações das famosas pinturas de Frank Frazetta, lançada pela Image Comics?), porém o assunto ficaria muito extensivo e nossa pretensão aqui não é o esgotamento do tema.

Por fim, com relação às HQs supracitadas, só resta-me dizer: ah, quem dera fossem publicadas por aqui…

E você, caro leitor, quais seriam as suas preferências?