Resenha do livro: Quadrinhos no Cinema e Concurso Cultural valendo um exemplar

Recebemos esse livro já faz um tempinho para análise e resenha, mas embora já tenhamos lido alguns arcos de quase todos os citados no livro, quisemos esperar para assistir a todas as novas adaptações dos personagens.

Mesmo que você não tenha curtido alguma ou nenhuma das quatro adaptações, o livro tem um valor inestimável para os fãs desses personagens nos quadrinhos. Isso porque o foco principal do livro não fica especificamente nas novas adaptações, mas sim faz um apanhado geral muito legal dos personagens em várias mídias, visando principalmente a parte dos quadrinhos, construindo uma linha do tempo sobre os 4 personagens, seus melhores e piores momentos. Nostalgia total para colecionadores, mas também é um terreno propício para descobertas para os novatos em quadrinhos.

Já na Apresentação do livro, como se fosse para atiçar ainda mais a vontade de tê-lo, temos o seguinte trecho, que nos prepara para os muitos quilos de informações não só úteis como muito legais sobre esses personagens e seus universos nos quadrinhos e em outras mídias. Nem temos como comentar sobre tudo que o livro traz de bom na resenha, para não sermos desmancha-prazeres. As imagens em alta você pode ver em nosso site, no post original, assim como mais detalhes do concurso cultural.

“Você sabia que antes do Thor da Marvel, houve um outro Thor, também baseado na mitologia nórdica? Ou que a recém-lançada série de desenhos do Lanterna Verde teve o visual dos personagens inspirados no desenho Os Incríveis? E que Robert E. Howard, criador do Conan, inventou seu primeiro personagem aos 10 anos de idade; e que ao se suicidar com um tiro, ainda sobreviveu oito horas em um hospital antes de morrer? Ou também que, em 1983, foi rodado na Turquia um filme com versões não-autorizadas do Capitão América (sem escudo ou asas na máscara!) e de um Homem-Aranha serial killer?”

Como nos adianta o jornalista Dario Chaves nessa introdução, Alexandre Callari, Bruno Zago e Daniel Lopes nos brindam com quase 200 curiosidades relacionadas aos personagens nesse livro! Só por isso pessoas como nós, que adoram curiosidades sobre os personagens e os bastidores de sua criação/de seus criadores já ficam tentados a comprar o livro, não é? Mas nem é só isso, falaremos mais a seguir.

Como o próprio pessoal do Pipoca e Nanquim não deixou de citar no final do livro, tivemos também esse ano o excelente X-Men: Primeira Classe (vejam nossa review dele aqui), e por que eles não falaram dele no livro? Segundo eles mesmos, seria muito difícil condensar as informações sobre um universo tão vasto de personagens quanto os X-Men. Daria um livro só deles. Eu espero que eles façam, não só sobre os X-Men, como sobre os outros personagens que irão às telas no ano que vem, pois esse tipo de livro é uma aquisição muito legal para amantes de quadrinhos.

Imaginem várias revistas com informações “em picadinho” e pensem em algo melhor ainda: esse livro, com papel couché, um acabamento lindo e, claro, fotos e informações mais do que legais. Até para quem não é fã de nenhum dos personagens, talvez o contato com esse livro possa ser tão contagiante que você vai querer sair correndo nem que seja para pedir emprestado para aquele seu amigo que ama HQs algumas para conhecê-las melhor. Porque a proposta do livro é tão legal que pode também levar fãs dos filmes a conhecerem e se interessarem pelos personagens originais. Você pode ir lendo e conhecendo a linha do tempo deles e ir comprando, tanto em sebos para as melhores edições, quanto os encadernados indicados nesse livro. É muito bom poder ler algo que indique as melhores histórias dos personagens, principalmente para quem nunca entrou em contato com eles, como é meu caso (e do Alonso) com o Conan.

Já que falamos em Conan, começaremos com ele. Duas histórias citadas no livro me chamaram a atenção, embora eu não curta tanto o estilo do personagem. Em uma delas, por exemplo, há piratas, um cemitério de navios, sereias e até demônios com tentáculos (número 66 A Espada Selvagem de Conan – 1990) e em outra história, “A Torre Elefante”, o Conan encontra um alienígena com corpo de homem e cabeça de elefante e que chegou na Terra no início dos tempos. Ele é o último de sua raça e o cegaram e o mutilaram para fazerem dele um escravo. O alienígena pede ajuda a Conan para que obtivesse sua liberdade. Há várias edições dessa história com traços diferentes, mas adorei a premissa, bem legal, não?

“O ator Ron Perlman que faz o papel de Corin (pai do Conan) é um dos mais queridos dos fãs. Ele encarnou com perfeição outro herói das HQs, Hellboy, e atuou em filmes como Blade II, O Nome da Rosa, e fez o papel da criatura na boa série de TV, A Bela e a Fera.”

Mencionei recentemente aqui no blog essa série! Vejam aqui

Há várias curiosidades interessantes como essa:

“A Espada Selvagem de Conan chegou a ser uma das revistas mais vendidas da história do Brasil, com tiragens acima dos 120 mil exemplares.”

O princípio desse livro é esse, mesmo que você não curta tanto o personagem, que você não esteja comprando isso para ter como item de colecionador, com certeza você vai achar alguma coisa que desperte sua atenção. O universo criado para cada um deles é muito rico. Roteiros bem elaborados e cenas bem épicas. É claro que certas vezes não podemos deixar de ter um maniqueísmo ali outro aqui, mas no geral, as histórias valem muito a pena serem lidas. Outra coisa bem legal do livro é que para cada um dos personagens há uma parte dedicada aos piores momentos deles. O encontro do Wolverine com o Conan, o Capitão América desproporcional e outras coisas bizarras super engraçadas, fugindo então do estilo fanboy que contaminava os artigos por aí (sim, cansei de encontrar textos que não admitiam guilty pleasures, momentos pelegos, etc.), os autores admitiram que seus amados personagens também têm seus defeitos e/ou situações lamentáveis, seja por culpa de desenhistas, roteiros ou editoras. Muito legal isso.

Achei muito bom que esse livro tenha sido produzido aqui no Brasil, uma iniciativa muito legal mesmo da editora Évora, com esse selo Generale ― sei que parece jabá, mas é a mais pura verdade! Embora muita gente possa ficar incomodada com a atenção dada ao “mundo nerd”, só porque ficou popularizado (deveria reclamar era da onda de remakes que não esperam o “cadáver esfriar”, isso sim), já o público nerd compra muitos… mas, muitos quadrinhos durante a vida, colecionadores fiéis aos seus selos e heróis preferidos por anos a fio. Na verdade esse estopim demorou muitos anos para acontecer da maneira que está ocorrendo hoje. São consumidores que valem muito para as editoras e produtoras e quem percebe isso não fica para trás, como é o caso dessa editora, porém, ao contrário de muitas outras, não estão lançando algo só para “constar” e “vender”. O material escolhido, o acabamento dado e o carinho dedicado a esse lançamento (e outros da editora) é algo muito bonito de se ver e acaba dando o valor que os fãs merecem.

Logo de cara nos é apresentado um panorama da relação entre os quadrinhos e a chamada “sétima arte”, ou seja, o cinema.

“Nos anos 1930 e 1940, as matinês dos cinemas em todo o mundo eram lotadas por um público ávido para ver homens voadores, alienígenas superpoderosos, gênios do crime que queriam dominar o mundo e belas donzelas em perigo.”

E isso tudo aconteceu durante a primeira Era de Ouro dos Quadrinhos. Não há como negar, seja você daquele tipo de fã que compra todos os meses as edições mensais das revistas (eu parei de fazer isso há um tempo e hoje em dia corro atrás das graphic novels e compilações de histórias de que mais curto. Mas também tive a minha época “de ouro”, em que acompanhava as revistas todo mês, especialmente a do Wolverine, e parei só depois do número 100… e, desde criança, lia X-Men, Demolidor, Elektra, entre outras, o que me tornou apaixonada pelos quadrinhos desde cedo. Eu costumava chamar minha caixa em que eu guardava os ― poucos, porque eu era criança, né? Hehe ― quadrinhos da época de “caixa dos sonhos”), ou se você for como eu, que busca as graphic novels e indicações das melhores histórias, Quadrinhos no Cinema é um guia imperdível, mesmo porque eles nos apresentam vários arcos e várias histórias que talvez não conheçamos, e, como mencionei antes… dá aquela vontade de correr atrás e 1. Pedir emprestado pra ver se é legal mesmo 2. Comprar. Claro, porque é muito legal ler e reler as melhores histórias de seus personagens de vez em quando.

E, com os diversos filmes da Marvel e da DC, podemos ver que parece que estamos vivendo uma nova Era dos Quadrinhos, seja ela de que metal for, risos, em que os filmes acabam muitas vezes sendo uma boa introdução, para pessoas que nem conheciam os personagens antes, de novos fãs para os quadrinhos, sejam eles os recém-lançados ou os antigos.

Um dos meus escritores prediletos, Neil Gaiman, como bem citado no livro, logo na introdução, e também o Frank Miller, transitam hoje em dia entre várias mídias.

“Grandes quadrinistas como Richard Coben, Dave Gibbons e Geoff Darrow já trabalharam fazendo storyboards para o cinema.”

Gostei de ver que os autores também acharam o filme do Thor bem legal (aliás, que trilha sonora linda era aquela?) e que a adaptação de Capitão América ficou bem fiel aos quadrinhos. Há também essa visão aqui do site Garotas Nerds.

“A história do filme e a indumentária de Thor são uma combinação de elementos do universo regular das aventuras da Marvel, conhecido como 616 (…) com o Universo Ultimate. (…) O filme agrada em cheio todos os públicos, pois, além de ser uma grande aventura, dosa muito bem momentos de bom humor, ação e tensão, aliado com excelentes atuações.”

“Ao longo dos anos, os escritores responsáveis pelas histórias de Thor construíram um “mundo” à parte, inteligente, crível, com regras próprias e contendo ampla galeria de personagens (alguns deles provenientes da mitologia nórdica). Um mundo que poderia ser comparado à criação da Era Hiboriana de Howard, ao universo do Necronomicon de Lovecraft ou à Terra Média de Tolkien, se não fosse pelo fato de que cada um desses autores trabalhou sozinho na concepção de seus universos, ao passo que Thor foi uma criação conjunta, gradual e instintiva dos roteiristas, que seguiam os passos uns dos outros, continuando de onde o anterior havia parado e, de forma geral, respeitando os conceitos preestabelecidos.”

Temos uma espécie de “ficha” dos personagens principais (e alguns dos secundários e vilões) de cada uma das quatro partes (heróis) do livro, além das curiosidades. Uau, é muita coisa, não é?

Voltando agora para o Capitão América, posso destacar algumas coisas bem legais que encontrei no livro, além da história do criador do personagem, do que acontecia no mundo na época, entre outras coisas, como me lembrar que eu preciso urgente ler o Namor, que eles haviam indicado nesse videocast com o tema Oceano ao ler um trecho aqui que nos lembra de como ele havia encontrado o corpo do Capitão América congelado.

“A idéia da formação e o nome da equipe Os Invasores foi dada pelo Primeiro-Ministro britânico Winston Churchill, quando os heróis o salvaram do vilão conhecido como Grande Mestre.”

“O hobby de Steve Rogers é desenhar.”

“A revista Captain América número 1 foi lançada nove meses antes do ataque a Perl Harbor.”

“O uniforme usado pelo Capitão América no filme chegou a aparecer em algumas histórias em quadrinhos do herói posteriores ao lançamento do filme.”

“Em 1976, Kirby (criador do personagem) adaptou para os quadrinhos o clássico de ficção científica, 2001: Uma Odisséia no Espaço” – Capitão América – Quadrinhos no Cinema

É muito legal ver esse tipo de “troca de conversa” entre as mídias, como o site Intersemiótica costuma discutir, o mundo globalizado está mais dinâmico, uma mídia sempre afetará as demais.

Nem as animações e nem os games ficaram de fora.
O Alonso ficou todo nostalgico aqui, pois tinha zerado esse jogo :-P

Já de Lanterna Verde, adoro o personagem. Tenho todas as edições desde que a Panini começou a publicar. Odiei a adaptação para o cinema, pois simplificou de um jeito muito ruim o personagem. Aliás, um dos meus medos ao pegar esse livro era de ele vir com fotos enormes das adaptações. Isso não aconteceu, ufa! :-D A parte que fala das novas adaptações é bem pequena no começo e as fotos também são pequenas, como disse antes, o foco do livro está nos quadrinhos, esses sim, com artes em página cheia e diversas imagens, além das várias mídias que eles acabaram influenciando, como as outras adaptações anteriores, os videogames, músicas, poesias, fatos históricos, etc.

Algumas curiosidades do Lanterna Verde e que estão no livro:

“Seu personagem Vingador Fantasma protagonizou uma segunda série de 1969 até 1976, e de lá pra cá participou de várias outras histórias, como a conceituada minissérie Os Livros da Magia, de Neil Gaiman, e na mega saga ‘A Noite Mais Densa’.” – Sobre John Broome, que revitalizou o personagem Lanterna Verde.

E sobre os Guardiões do Universo, uma curiosidades bem legais:

“Os Guardiões foram baseados na fisionomia de David Ben-Gurion, primeiro ministro de Israel, desenvolvido a partir de um conceito que Broome criou anos antes para uma ventura do Capitão Cometa, em Strange Adventures número 22.”

E é claro a ética que rege o comportamento deles, e que acaba gerando muitos conflitos com o desenvolver da história:

“É terminantemente proibido aos Guardiões desenvolver qualquer tipo de emoção, eles são extremamente racionais, lógicos e calculistas.”

Quando terminei de ler o livro ― pela primeira vez, porque volta e meio pego o livro de novo para ficar relendo umas partes, revendo as fotos, porque é um daqueles livros tão legais de ver de novo hehe ― a sensação foi de… quero que eles façam mais livros que nem esse! E não porque este ficou incompleto… justamente porque ficou muito legal e quero mais nesse estilo sobre outros personagens, viu?

Infelizmente, vou terminar essa resenha. E vou lá folhear o meu livro de novo…

Vão ficar de fora dessa oportunidade? :-D Além disso, o Quadrinhos no Cinema está sendo sorteado pelo Pipoca e Nanquim também nesse outro post aqui.

Boa sorte, pessoal :-)

Resenha: Ana Death Duarte
Colaboração e edição do texto, escolha de citações, fotos do livro: Alonso Lizzard