Lanterna Verde – Crítica

Não dá pra entender o raciocínio da Warner e DC. Se Batman: Cavaleiro das Trevas quebrou a marca de um bilhão de dólares em bilheteria, porque não tomar esse filme como referência aos demais heróis da editora, invés de seguir o mesmo caminho dos estúdios Marvel? Lanterna Verde podia ser sombrio, sério, embasado em um roteiro denso e inteligente, mas não, decidiram equilibrar ação e bom humor em uma trama mais fácil de acompanhar, como Homem de Ferro da concorrência. E o que acontece quando alguém tenta copiar uma fórmula e abandonar a originalidade? Sim, fracasso!

Será que além de Christopher Nolan não tem nenhum profissional competente na Warner capaz de conduzir um filme decente com um super-herói fantasiado? É a pergunta que paira pela cabeça do fã que assiste essa adaptação (pode entregar seu curriculum pra eles).

Lanterna Verde de Martin Campbell é fraco, muito fraco. Mas poderia ser pior, nem tudo ficou ruim. A baixa expectativa resultante das pedradas que a crítica norte-americana disparou contra a película me levou a crer que seria testemunha de outro Quarteto Fantástico ou Demolidor. No fim até que sai aliviado, pois não chegou a tanto. Vamos primeiro aos (poucos) pontos positivos.

Tirando a atuação de Ryan Reynolds, a história se desenrola bem até quase metade da projeção. As cenas que mostram o cotidiano de Hal Jordan antes de receber os poderes foram bem aproveitadas. Um pouco com a família, uma relação íntima com Carol Ferris sem recorrer a flashblacks, uma boa cena a bordo dos jatos de teste, as recordações da morte do pai, o triângulo com Hector Hammond, esses momentos não chegam a ser um problema.

Pelo modo como era exibido no trailer, eu guardava receios quanto ao já clássico momento em que Jordan recebe o anel do moribundo Abin Sur. Parecia-me que ele estava parado próximo ao local, avistava a queda da nave, se dirigia até os destroços e era surpreendido pelo ser alienígena. Ainda bem que não é assim no filme.  Gostei do seu primeiro contato com as responsabilidades vindouras e o dilema de arcar ou não com elas. Até o trecho dele falando sozinho frente à bateria, como tentativa de despertar seus poderes, ficou aceitável.

A apresentação do planeta dos Guardiões do Universo foi muito boa, a cidade é tão bela quanto Asgard de Thor. O Lanterna Tomar-Re atuando como anfitrião, dublado por Geoffrey Rush, ficou ótimo. Ele coloca o expectador a par de tudo sobre a Tropa sem soar como um recurso barato de contextualização.

Mark Strong é o melhor ator de todo o elenco, seus discursos são vibrantes, suas expressões entregam que Sinestro é um sujeito no limiar, podemos vislumbrar o grande inimigo que irá se tornar em breve. Quero muito que lancem uma continuação da história apenas para vê-lo como Lanterna Amarelo, ele tem potencial para nos entregar um vilão a altura do Coringa de Ledger, sem exagero.

Os efeitos visuais estão perfeitos! Deparei-me com pessoas na internet reclamando desse quesito, mas eu particularmente achei deslumbrante. Kilowog e todos os Lanternas gerados por computador ficaram hiper-realistas, eles parecem mesmo existir naquele universo. Alguns críticos alegaram que o uso do CGI funciona enquanto o filme se passa em Oa, mas que dá pra ver que é efeito especial quando está na Terra. Bem, os únicos efeitos utilizados em nosso querido planeta natal são os poderes de Hal Jordan, pois infelizmente (spoiler leve a frente), excetuando Abin Sur, nenhum membro da Tropa chega a vir pra cá, então raciocinem comigo: os poderes do Lanterna Verde são, nada mais, nada menos, que efeitos especiais de verdade! Pois é meu amigo, se eu portasse um anel daqueles, poderia conjurar raios brilhantes e uma indumentária de energia, ou seja, teria mesmo cara de um efeito de computador, a diferença é que seria real. Não ficaram mal feitos coisa nenhuma. Até Abin Sur, que no trailer parecia uma massinha, deu pra aceitar numa boa.

É no treinamento de Jordan que vemos os primeiros construtos de energia verde, e eles são muito legais! De fato, em minha opinião, os grandes problemas do filme começam apenas após o treinamento com Kilowog e Sinestro em Oa, quando a trama volta ao Planeta Terra. Aí a coisa toda desbanda ladeira abaixo. Tanto que as lutas do treino, pra você ter uma ideia, são as melhores do filme inteiro – e olha é que nem essas chegam a ser tão delirantes quanto deveriam.

Ryan Reynolds comprovou que foi uma péssima escolha para encarnar Hal Jordan. Ele é horrível! Falta carisma, personalidade, emoção, estilo, enfim, passou longe do personagem dos quadrinhos. Seja em um diálogo com Carol Ferris, com seu amigo Tom ou frente aos seres mais antigos do Universo, os Guardiões, flutuando com uma cabeça gigante em cima de uma imponente e majestosa torre, ele atua com a mesma inexpressividade. É de fechar os punhos e levar a boca pra morder, de tanta raiva que passei vendo esse fulaninho destruir um dos melhores personagens da DC na minha frente. Nem o juramento ele fez direito, parecia que estava com vergonha de proferir as tais palavras.

Depois de Reynolds, a escolha dos vilões foi a pior decisão que os roteiristas tomaram. Parallax é poderoso demais para um Lanterna recruta como Jordan, portanto é forçar a barra colocar os dois para se enfrentarem. O que deveria ser o clímax da história é um completo fiasco, careceu totalmente de carga dramática – sem falar que não tem qualquer sentido, como vocês vão ver. Li certa vez um depoimento de Martin Campbell dizendo que haveria uma batalha envolvendo milhares e milhares de Lanternas Verdes, esperei por esse momento durante toda a projeção, e nada! Chega uma hora em que Hal Jordan faz uns lances estratégicos com os construtos gerados por seu anel em que pensei “agora sim, agora vai!”. Pronto, foi só eu pensar isso e acabou. Quanto maior for sua sede, maior será sua queda, portanto não espere grandes emoções.

Sabe o Batman, que antes de dar porrada em super-vilão enfrenta uns desafios menores e se torna conhecido pela população? Pois é, tentaram fazer isso com o Lanterna Verde e falharam miseravelmente! Os adversários que Kilowog alerta que nunca jogam limpo não aparecem. Beleza, tem o Hector Hammond, mas ele não deve ser interpretado como um vilão menor. Esse personagem está perdidão na história, ele existe apenas para permitir aos roteiristas apelarem para soluções fáceis. Nada de trama inteligente, aqui tudo é preguiçoso, entregue de mãos beijadas por meio de recursos utilizados em HQs e desenhos animados de segunda categoria, e Hammond é esse recurso.

Misericórdia, da metade pro fim, que é a parte mais importante, o filme é tão fraco que se fosse uma graphic novel eu a venderia no sebo mais próximo por 25 centavos, com pena do coitado que compraria depois de mim. Sem querer dar spoilers, mas chegar ao sol em poucos segundos sem passar por Mercúrio e Vênus, disparar foguetes de um jato desligado usando um computador e não explodir o quarteirão inteiro, treinar por vinte minutinhos e se consagrar o melhor guerreiro de todos, é exigir paciência demais da plateia. E olha que esses são apenas alguns exemplos.

Lanterna Verde só não é um novo Quarteto Fantástico, por que metade do filme compensa. Sai triste do cinema? Sim, mas admito que depois dos comentários gringos esperava por algo bem pior. Sei que é uma contradição, mas após assistir eu respirei triste e aliviado ao mesmo tempo. Só que o principal sentimento que fica não é nenhum desses dois, é o ódio! Sim, ódio por imaginar que poderiam ter feito outro Cavaleiro das Trevas e não quiseram.

Lanterna Verde: Crônicas – Publicação que Precisa Continuar

Lanterna Verde não é o nome de um personagem especifico, mas sim de um cargo. Existe a Tropa dos Lanternas Verdes, uma força policial intergaláctica encarregada de patrulhar e proteger todo o universo, composta por seres inteligentes oriundos de diversos planetas. O principal Lanterna Verde, considerado o maior dentre todos, é Hal Jordan, da Terra, responsável pelo setor espacial 2814.

O personagem Hal Jordan foi criado pelo roteirista John Broome e pelo desenhista Gil Kane em 1959, sob requisição do editor da DC Comics Julius Schwartz. O objetivo era revitalizar um esquecido nicho de super-heróis criado em décadas anteriores, porém introduzindo elementos de ficção científica, que era uma grande tendência na época. Assim, super-heróis antigos publicados durante a década de 40, ganharam uma nova roupagem e foram relançados com nova origem, novo uniforme e outra identidade.

O primeiro personagem a passar por essas mudanças foi o Flash. O velocista com capacete de asinhas conhecido como Jay Garrick (criado em 1940) deu lugar a Barry Allen, de uniforme vermelho e dourado, também criado por John Broome (em parceria com Robert Kanigher). Hal Jordan é a reformulação do primeiro Lanterna Verde, Allan Scott, cuja publicação havia sido interrompida em 1948. Foi o início do que hoje é conhecido como Era de Prata dos quadrinhos.

A primeira aventura do novo Lanterna se deu na revista Showcase 22. Na história, Harold “Hal” Jordan, um piloto de provas da companhia Ferris Aeronáutica, é encontrado pelo anel do alienígena Abin Sur, membro da Tropa dos Lanternas Verdes e encarregado do setor 2814, cuja nave espacial caiu no planeta Terra. Transportado até o moribundo Abin Sur pela energia verde, Jordan é incumbido de substituí-lo na tropa e recebe o anel dos Lanternas Verdes, a arma mais poderosa do universo, e também uma bateria em forma de lanterna ferroviária, na qual a força do anel precisava ser recarregada a cada 24 horas.

Utilizando-se da luz esmeralda do espectro emocional, o que corresponde à força de vontade de seu portador, o anel fornece o poder de conjurar qualquer coisa que a imaginação de seu detentor puder conceber, na forma de uma sólida energia verde. Concede também a capacidade de voar, criar campos de força, sobreviver no vácuo e compreender dialetos de qualquer espécie. De posse deste artefato, Hal Jordan se torna um dos maiores super-heróis da Terra e do universo.

Essas aventuras foram lançadas no Brasil em edições encadernadas de luxo chamadas Lanterna Verde: Crônicas, pela editora Panini. Até o momento saíram apenas dois volumes, um em 2009 e outro em 2011, aproveitando a estreia do filme da Warner. O capricho editorial desses álbuns é primoroso, com papel de qualidade, capa dura, boa diagramação, ideal para colecionadores que gostam de manter uma bela estante. Faltou apenas um conteúdo extra com explicações históricas da obra, nesse quesito temos apenas uma página no final com biografias rasas dos envolvidos com as histórias na época do lançamento.

É delicioso passar uma tarde conferindo essas ingênuas histórias da Era de Prata. Mesmo sendo curtinhas, fechadas e subordinadas a um rígido código de censura, elas transbordam originalidade. Dá pra imaginar uma criança pegando pela primeira vez um quadrinho desses em mãos no ano de 1959, não teria como evitar ser completamente fisgado e sair apaixonado pela revista. Aqueles seres de outro planeta, as naves, as invencionices do anel do Lanterna, os combates. O que hoje pra nós é simples, anos atrás era o ápice da diversão de jovens e até mesmo adultos.

O jeito de ler esses álbuns é absorver tudo com a mentalidade do período em questão. Adquirir essa coleção achando que irá curtir roteiros com complexidade e conceitos de hoje em dia, certamente resultará em decepção. Abra sua mente e seja testemunha de algumas das histórias responsáveis por gerar grandes nomes e gênios da nona arte décadas depois, que por sua vez fizeram de você um leitor e colecionador de quadrinhos. Sim, pois muitas das HQs que nos divertem hoje em dia são pensadas por pessoas que se encantaram com essas páginas de Crônicas e outras.

O traço de Gil Kane é um show a parte, mesmo para os padrões atuais. Faço uso aqui de um trecho do livro Quadrinhos no Cinema, de autoria do trio Pipoca e Nanquim:

“Seu vasto conhecimento de anatomia, expressões faciais e perspectiva permitiam que explorasse ângulos inusitados e posições inimagináveis para outros desenhistas. A performance de seu Lanterna Verde durante os voos era graciosa e elegante, como os movimentos de um nadador, com os cabelos esvoaçantes na direção do vento. Sua diagramação das páginas fugia do comum de seis quadros retangulares iguais, ele mudou a forma e o tamanho dos painéis para oferecer uma experiência mais visceral e emocional. A cena ditava a arte em vez de ser forçada a uma estrutura rígida de layout.”

Quadrinhos no Cinema Vol.1, págs. 91-92

Veja a capa de Green Lantern #2 ao lado e comprove você mesmo a habilidade de Kane em passar para o papel posições e ângulos além dos convencionais em um voo de Hal Jordan.

Os principais conceitos que conhecemos hoje em dia do Lanterna Verde foram concebidos nessas revistas. A Tropa, os poderes do anel, os Guardiões do Universo, a Bateria Central, o Planeta Oa, a energia verde da força de vontade, o vilão Sinestro, etc, tudo isso é de autoria de Broome, que sempre foi genial em contar histórias de ficção cientifica. Hal ganha o anel de Abin Sur em sua história de estreia, e três números depois aparecem os Guardiões pela primeira vez, já na primeira edição solo do personagem.

Toda a mitologia extraterrestre do herói foi ainda mais explorada (e expandida) por outros escritores após a década de 70, pois, mesmo com toda a riqueza desses elementos, no início suas aventuras eram mais embasadas no planeta Terra, em sua luta contra os vilões e pela conquista do coração de Carol Ferris (outro personagem com autoria de Broome), filha do diretor da empresa Ferris Aeronáutica, onde Jordan era empregado como piloto de provas. Das 13 histórias de Crônicas #1, por exemplo, somente duas são espaciais.

É uma penas que essa série esteja sendo lançada a conta-gotas aqui no Brasil. Em três anos tivemos apenas duas publicações, e pelo andar da carruagem, corremos o risco de nunca vermos a terceira. Na Argentina, a editora Planeta DeAgostini já publicou doze exemplares, com o mesmo esmero que as da Panini. Parece que os Hermanos dão mais valor a clássicos como esses.

Se você é um colecionador, perceba o valor dessas e outras coleções como Biblioteca Histórica Marvel e as adquira sem receio, pois acima de aventuras bobinhas e ingênuas, são pedras preciosas fora do estado bruto, por terem sido lapidadas para esse formato luxuoso. Compre, essa é uma publicação que precisa continuar.

Confira nosso especial sobre Lanterna Verde, com videocast e podcast.

Lanterna Verde – Crônicas #1

Editora: Panini Comics

Autores: John Broome (roteiro) Gil Kane (arte)

Preço: R$ 44,00

Número de Páginas: 168

Lançamento: dezembro de 2009

Compre aqui!

_______________________________________________________________________________

Lanterna Verde – Crônicas #2

Editora: Panini Comics

Autores: John Broome (roteiro) Gil Kane (arte)

Preço: R$ 48,00

Número de Páginas: 168

Lançamento: junho de 2011

Compre aqui!

Podcast 39 – Lanterna Verde

Seguindo nosso especial do Lanterna Verde aproveitando a estreia do filme, conheça um pouco da cronologia do Gladiador Esmeralda, dentro e fora das HQs! Voltamos a 1940, quando Martin Nodell e Bill Finger criaram Alan Scott, o Lanterna Verde da Era de Ouro que serviu como base para concepção de Hall Jordan em 1959. Falamos também sobre cada terráqueo que usou o anel do poder de lá pra cá, Guy Gardner, John Stewart e Kyle Rayner. Ou seja, ignoramos o filme, já que tem muita gente por aí falando sobre ele, e nos concentramos no que há de melhor do personagem, os quadrinhos!

A propósito, sendo ruim ou não a aventura de Jordan nos cinemas, uma coisa ela trouxe de bom, vários encadernados com boas histórias do personagem e a chance de sair o livro Quadrinhos no Cinema, com tudo sobre o herói.

Aproveite os descontos da Comix e faça sua coleção com obras do Lanterna! Para saber o que adquirir, é só clicar no play lá embaixo e também assistir nosso videocast com indicações das melhores publicações. Abraço, até segunda-feira que vem.

Músicas

Bloco 1
Are You ReadyAC/DC
I Wanna Be WellRamones

Bloco 2
FreudianaAlan Parsons Project

Bloco 3
Hot N’ ColdThe Baseballs
A Heady TaleThe Fratellis

Bloco 4
Down BelowJohannes Stankowski
Mercy StreetPeter Gabriel

_______________________________________________________________________________

Se você gostar do que ouvir, ajude o podcast a se espalhar e clique no botão de RETWEET ou então no CURTIR do Facebook. Indique para os amigos, coloque no seu blog, segue a gente no Twitter, comente ou mande um email pra gente.

Reproduzir

Videocast 82 – Lanterna Verde

 

Pois é, se continuar saindo filme de super-herói desse jeito, vai ficar fácil montar pauta. Depois de Thor e Capitão América, chegou a vez da DC dar as caras no Brasil com Lanterna Verde. Infelizmente, pelas críticas que lemos dos gringos, ao contrário dos filmes da Marvel, este aqui é uma bomba!

Mas bom ou ruim, o filme não muda o fato que o Lanterna é um dos personagens mais inventivos das HQs e após anos no ostracismo, recentemente ele voltou a ocupar um lugar que lhe era de direito entre os grandões do panteão da editora. Na verdade, hoje ele é mais popular do que heróis supostamente “maiores” que ele, como o Capitão Marvel e até a Mulher-Maravilha. Sua revista está entre as mais vendidas da atualidade e ele tem protagonizado mega-saga atrás de mega-saga.

Nós do Pipoca adoramos relembrar os grandes momentos desse emblemático herói e torcemos para que a Warner dê mais uma chance a ele e produza uma sequência de qualidade, que corrija todos os problemas apontados no primeiro longa. Enquanto nada disso ocorre, vamos fazer o que fazemos melhor que é LER HQS!!!

E quase tudo que falamos aqui, lembre-se que você pode comprar lá na Comix (aproveita a promoção de agosto deles que tá genial).

Grande abraço a todos e até a próxima semana!

QUADRINHOS INDICADOS
Lanterna Verde: Crônicas (Panini)
Grandes Clássicos DC: Lanterna Verde e Arqueiro Verde (Panini)
DC Especial #2: Amanhecer Esmeralda (Abril)
Lanterna Verde: Origem Secreta (Panini)
A Morte do Superman (Panini)
Lanterna Verde: Crepúsculo Esmeralda/Novo Amanhecer (Panini)
Zero Hora (Abril)
Lanterna Verde: Renascimento (Panini)
Dimensão DC: Lanterna Verde #1-5 – A Guerra dos Anéis (Panini)
A Noite Mais Densa (Panini)
Grandes Clássicos DC – Alan Moore (Panini)
Lanterna Verde: Sem Medo (Panini)
Lanterna Verde: A Vingança dos Lanternas Verdes (Panini)
Coleção Moebius – Arzach (Nemo)
O Senhor das Histórias (Nemo)
Ciranda Coraci (Nemo)

 

—————————————–­­­————————————–­-­-­—————————–­-­-­—————
Se você gostou do que assistiu, ajude o videocast a se espalhar e clique no botão GOSTEI, adicione o vídeo aos favoritos e COMPARTILHE com os amigos nas redes sociais, isso é fundamental para a sobrevivência do canal. Contamos com a sua ajuda;)

Lanterna Verde – Crítica do Leitor

Olha só que legal! O leitor Felipe Braga que mora em Cambridge/Inglaterra (sensacional saber que temos leitores mundo afora!!) já assistiu o aqui ainda aguardado Lanterna Verde (pois lá o filme estreou dia 17 de Junho)  e dividiu com gente suas impressões (sério, ele não baixou a versão CAM). Confira!

E fique tranquilo, não tem spoiler!

Colaborador: Felipe A. Vieira Braga

Para deixar bem claro, nunca fui um leitor assíduo da DC. Apesar de ter lido algumas histórias do Lanterna Verde (como o clássico Crepúsculo Esmeralda e partes da recente Noite Mais Densa), meu maior contato com o Lanterna sempre foi nas animações (infelizmente onde moro não entregam o livro do Pipoca ‘Quadrinhos no Cinema’). Por isso, desculpem se na minha análise do filme não possa tecer tantas comparações com os quadrinhos. Dito isto, vamos ao que importa.

Considerando o número de filmes que temos tido sobre super heróis recentemente, comparações virão à tona (iremos a elas a seguir). E é bom deixar bem claro a todos: como 11 dentre 10 fãs previam, Ryan Reynolds não convence como Hal Jordan. O roteiro apresenta um Hal Jordan coerente (na materialização de seus poderes), tenta criar um alívio cômico em certas partes (para mim não funcionou também) e mostrar um “amadurecimento” no decorrer do filme, mas ainda assim não é possível ao público conectar-se ao personagem. Quando comparada às atuações de James McAvoy (Charles Xavier), Michael Fassbender (Magneto) e Kevin Bacon (Sebastian Shaw) no recente X-men: First Class, vemos a besteira que a Warner cometeu na escolha de Reynolds. Apesar da péssima escolha para interpretar Hal Jordan, as escolhas para Hector Hammond (Peter Sarsgaard), Sinestro (Mark Strong) e Senador Hammond (Tim Robbins) mostram-se mais acertadas. Não vemos nenhuma atuação fenomenal, mas eles cumprem seus papeis de modo adequado.

Saindo do quesito atuações, a meu ver qualquer tentativa de comparação entre Lanterna Verde com qualquer dos outros filmes de heróis do universo Marvel é cair no mesmo ponto de comparar Marvel e DC nos quadrinhos. Lanterna Verde é um filme clássico de super heróis, nada de política (como X-men: First Class e Homem de Ferro), intrigas, nem nada do tipo. É um filme da luta do bem contra o mal, dos mocinhos (tropa) contra o bandido (Parallax). Lanterna Verde saciou minha vontade de combates ‘cósmicos’, algo tão mal trabalhado no filme do Quarteto Fantástico, finalmente ver porrada rolando no meio do espaço (mesmo que cenas curtas) me deixou feliz, saciou a minha vontade por enquanto. Só para registrar, eu não estou esquecendo de Thor, mas este para mim é um ‘cósmico’ diferente.

Muitas cenas do filme são voltadas para explicar ou introduzir o expectador ao universo do filme, apesar de a sensação que tive na sala do cinema (assisti o filme com quatro amigos(as) que não conheciam o personagem) é que esse universo não conseguiu atraí-los. Fico triste por isso, porque para mim o ponto alto do filme é exatamente Oa e a tropa. Os milhões gastos a mais pela DC para últimos ajustes nos efeitos especiais a meu ver valeram à pena. Os guardiões estão muito bem feitos e convencem em seu papel. Apesar de minhas ressalvas para com os trajes ‘brilhantes’ da tropa, que ficam oscilando energia o tempo todo, a cena de Hal treinando com Tomar-Re, Kilowog e Sinestro valem o filme. Kilowog sempre foi meu Lanterna favorito e no filme o achei ainda mais impressionante que nos quadrinhos ou nas animações. Minha única crítica vai para o fato de praticamente todos os anéis emitirem sons, e não apenas o de Kilowog. As outras cenas onde aparecem diversos outros membros da tropa também me agradaram, não são perfeitas, mas não incomodam. Assisti o filme em 3D, mas acredito que não ganhei muito em termos de experiência cinematográfica, se possível assistirei em 2D para ver se noto alguma diferença.

Sei que as críticas ao filme do Lanterna não tem sido das melhores, mas particularmente, eu gostei. Atendeu às minhas expectativas. Admito que não ser um profundo conhecedor do personagem, mas conhecer o básico de seu universo ajudaram bastante para isso, permitiram-me conectar com o universo sem depender da atuação medíocre de Reynolds. Creio que o filme não agradará aos fãs mais hardcore do personagem nem à parte do grande público (como disse, é difícil criar uma conexão com o mesmo sem conhecimento prévio). Mas se você gosta de super heróis no geral, conhece o básico sobre este personagem e está afim de algo num nível de poder mais ‘cósmico’, vale à pena.

Lanterna Verde tem lançamento previsto aqui no Brasil em 19 de agosto.