Paul Renaud – Mestre nas Formas Femininas

 

O francês Paul Renaud atuou brevemente em seu país, porém sem nunca obter o destaque devido. De fato, seu estilo clean e dinâmico se enquadra muito mais nos quadrinhos norte-americanos do que no tipo de produção que é feita na terra de Moebius. Renaud conseguiu uma oportunidade junto à Basement Comics para trabalhar nas revistas da Cavewoman, deixando claro desde o início que sua especialidade era mesmo as formas femininas. Seu belo trabalho chamou a atenção da Dynamite, atualmente a editora que mais cresce nos EUA, e ele recebeu o convite para ilustrar o título Red Sonja. Daí para a frente, foi só alegria, com cada vez mais oportunidades surgindo. Paul especializou-se na criação de belas capas e, desde então, atuou também para os gigantes da indústria quadrinhística, Marvel e DC. Pela Dynamite, criou ilustrações para títulos como Athena, Green Hornet, Bionic Woman e Dejah Thoris, entre outros. Na Marvel, fez belos trabalhos em minisséries diversas e também para revistas de heróis como a Miss Marvel, X-Men e Black Panther; na DC, ilustrou entre outros, capas de Suicide Squad e Blue Beetle.

Paul ainda precisa conquistar seu lugar ao sol. Seu estilo é facilmente reconhecível por vários fãs, mas ele ainda não realizou “aquele” trabalho que irá catapultá-lo às alturas. Porém, atuando na indústria a menos de uma década, ele já conquistou muito. Sua arte pode ser apreciada em diversos livros como Paul Renaud – Red Sonja in Beeld, Heroines by Paul Renaud e Paul Renaud Sketchbook. O site oficial do artista também contém informações interessantes sobre sua carreira. Agora, sem mais delongas, vamos apreciar um pouco da belíssima arte deste bom ilustrador.

Luis Royo – Um Mestre da ficção Científica

Se a maior parte dos ilustradores que mostramos até hoje no Pipoca enveradam para o terreno da fantasia (espada e magia) e/ou atuam primordialmente como capistas de publicações de heróis, Luis Royo trabalhou uma carreira bastante diferente.

O artista nascido em 1954 dedicou-se durante os primeiros anos de sua carreira a pinturas de telas durante os anos de 1972 a 1977, quando resolve entrar na área de quadrinhos. No final da década, ele publicou trabalhos em vários fanzines (alguns de autoria própria), até ter a chance de ilustrar capas para a Hevay Metal, já em 1984. Daí em diante, sua carreira decolou.

É inegável que Royo, ao desenhar magia, parece apenas mais um ilustrador genérico (o que se reflete bem em seus primeiros trabalhos), mas assim que ele encontrou seu estilo, criando o mais bem sucedido híbrido entre magia e ficção científica, ele se torna um ilustrador sem igual, fazendo uso inclusive de uma plaheta de cores muito particular, e criando algumas das mais belas mulheres já feitas em sua área.

São particularmente famosas as séries de ilustrações que o artista fez usando como modelo a atriz Julie Strain.

Royo tem diversos livros lançados com suas ilustrações e permanece em atividade até hoje. Vamos, então, dar uma olhada na obra prima desse mestre. Reserve espaço em seu computador!!!

Bob Larkin – O Rei das Magazines Adultas da Marvel

Em meados da década de 1970, a Marvel Comics lançou uma grande quantidade de magazines voltadas para o público adulto, sendo o expoente mais conhecido o mega-sucesso A Espada Selvagem de Conan. Durante esse período, saíram muitas HQs de terror , versões com os heróis mais conhecidos, adaptações de séries de sucesso da editora, releituras dos personagens dos pulps e até westerns.

Tradicionalmente, as capas desses veículos eram feitas com arte pintada, e foram vários os desenhistas que se destacaram, porém um deles reinou supremo, ilustrando uma enorme quantidade de capas, produzindo durante um curto período de tempo, porém em ritmo alucinante (bem mais veloz que vários de seus colegas) Bob Larkin.

Nascido em 1949, Larkin entrou no ramo no final dos anos 70, mas já havia feito trabalhos publicitares anteriormente. Eclético, sue trabalho mantinha um pé nos comics tradicionais, trabalhando cores vivas e vibrantes, sem a preocupação de ser absolutamente realista. O resultado era muito bonito e diferente do que havia no mercado. Larkin produziu além de capas para a Marvel, edições de Vampirella e The Rook (ambos da Warren), uma coleção de pulps de Doc Savage para a Bantam Books, além de ilustrações para empresas menores, como a Peter Pan Records. Um de seus trabalhos mais conhecidos são os anuncios publicitários da WWE, com lutadores como The Rock.

O Traço Dinâmico de Skottie Young

Eu não sou desenhista (não mais), mas adoro fuçar no Deviantart ou outros sites e ficar colecionando ilustrações de talentos que até então desconhecia. Tenho um belo acervo em meu HD, que me servem de inspiração para vários trabalhos. O último com o qual me deparei foi Skottie Young, e achei seu trabalho tão interessante que resolvi trazer aqui pra vocês.

Em seu portfólio consta que ele desenha histórias em quadrinhos para a Marvel desde 2011, em títulos como New X-Men, Venom, Spider-Man, Human Torch, Wonderful Wizard of Oz e outros. Sinceramente, não me lembro de ter visto seu traço em nenhuma publicação nacional, sua fase frente aos Novos X-Men certamente não chegou aos encadernados da Panini até agora (leitura recomendada), mas torço pra poder conferir as histórias com sua participação.

Percebam como seu traço é leve, com linhas dinâmicas, como se sua mão fosse conduzida pelo lápis, e não o contrário. Reparem que em suas ilustrações são inseridos apenas elementos que contribuem para a cena retratada, sem firulas. Logo abaixo vemos o Hulk destruindo um tanque de guerra, somente com o personagem e os destroços do veículo na tela, com umas rachuras por cima que passam a devida selvageria à situação, sem poluir, e fundo totalmente branco, como se o cenário que poderia estar atrás dissesse “vá em frente camarada, a foto é toda sua não vou estragar seu momento, você não precisa de mim para fazer bonito”. E não precisa mesmo, outro desenho que comprova isso é o do garoto com roupa de Capitão América, apenas com o céu de nuvens atrás, bem sutil.

A rachura, aliás, é um recurso que se utilizado pelo artista errado consegue arruinar uma ilustração. Esse não é o caso de Skottie, ele sabe aplicá-la como poucos artistas de quadrinhos. Veja a capa de Weapon X mais abaixo, com os rabiscos simulando a neve que cai sobre Wolverine, e também a luz do lampião de Hagrid e Harry Potter. E o Coringa naquela moldura então, muito bom! Até seus trabalhos mais simplesinhos são adoráveis, como os gatinhos Marvel lá embaixo!

Havemos de concordar que o cara manda bem demais! Parece que atualmente ele tem arriscado escrever roteiros pra Marvel e também começou a trabalhar com livros infantis. Não sei quanto a seus dons de roteirista, mas como ilustrador posso dizer que já sou seu fã!

Os quadrinhos vintage de Francesco Francavilla

Francesco Francavilla se destaca em meio ao grande número de desenhistas talentosos do mercado de quadrinhos norte-americano devido a seu gosto por histórias noir e pulp, que influencia muito o seu traço. Confiram só o estilo vintage que esse cara emprega em suas ilustrações, é muito legal. Sempre gostei de arte com design retrô, adoro cartazes de filmes antigos, capas de livros, pinups, propagandas, enfim, sou um grande admirador desse estilo antigo que voltou à tona de uns tempos pra cá, portanto logo que descobri esse artista ele já ganhou lugar no hall dos meus preferidos da atualidade.

O desenhista foi revelado em 2007 pela editora Dynamite graças ao seu trabalho com os quadrinhos do Zorro. Ano passado ele foi contratado pela DC Comics para aplicar sua perícia em uma nova série do selo Wildstorm, chamada Garrison (inédita no Brasil), ao lado do escritor Jeff Mariotte, e depois passou a desenhar um segmento de histórias do Comissário Gordon dentro da revista Detective Comics. Além disso, todos puderam conferir seu traço nas ilustrações de divulgação da nova fase do Demolidor na Marvel, Shadowland, que lançou a pergunta “Quem será o novo homem sem medo?” e apresentou alguns possíveis candidatos.

Francavilla ainda é um pouco desconhecido no Brasil, mas lá fora já passou pelas principais editoras em vários quadrinhos, obtendo cada vez mais renome. Participou de uma excelente graphic novel chamada Crying For a Vision, desenhou Left On Mission para a Boom, colaborou com o excelente livro The Fantastic Worlds Of Frank Frazetta da Image (se puder importar, faça!), foi desenhista de alguns números de Scalped, da Vertigo, fez a (lindíssima) capa da edição limitada do livro de Stan Lee sobre produção de HQs, chamado Stan Lee’s How To Draw Comics, fez também várias capas da série do Besouro Verde para a Dynamite e escreveu e ilustrou um título próprio, o Black Beetle.

 

Tomara que ele seja chamado para trabalhos cada vez mais maiores e que um dia sua arte aporte com tudo em nossas bancas e livrarias. Vejam o que o artista já comentou sobre seu estilo:

Quando as pessoas se deparam com meu trabalho muitos nomes vêm à sua mente. Eu já ouvi compararem o meu traço com o de Al Williamson, Alex Raymond, Alex Toth, Joe Kubert, etc. É totalmente incabível me comparar com esses mestres, mas acho que os leitores vêem um pouco de sensibilidade da “antiga escola” em meus quadrinhos. É verdade que eu admiro muito todos esses artistas, eles definitivamente exerciam uma influência sobre mim quando eu era jovem. Mas, também fui influenciado pelo trabalho de vários artistas italianos, como Minara, Toppi, e outros.

Eu nem conseguiria citar todos os Fumetti italianos que já li nessa vida, eu fui fortemente influenciado por esta tradição em preto e branco. Eu também adoro outros quadrinhos europeus, me inspiro muito em artistas como Moebius, Bilal, Bernet e Pratt, e nas coisas de Breccia (que é da América do Sul). Eu sempre odeio fazer listas de influências e gostos, porque acabo deixando de fora 95% das coisas que eu leio e me inspiro (e ainda nem mencionei Miller e Mignola!). O que posso dizer, eu realmente sou apaixonado por quadrinhos!

Sem mais delongas, fiquem com sua galeria de ilustrações. Para mais conteúdo, acesse o website do artista e seus dois blogs, The Art of Francavilla e Pulp Sunday.