Apocalipse Zumbi, de Alexandre Callari – Resenha

De ímpeto faço minhas ressalvas – É a primeira vez que escrevo um comentário sobre um livro, e decidi por me embaralhar nesta empreitada pelo incentivo de divulgar esta obra impressionante, que é o primeiro romance zumbi escrito por um brasileiro. Insisto no impacto de sua impressão, pois por uma indelicadeza do acaso chegaram a minhas mãos, contemporaneamente, dois livros – o Apocalipse Zumbi (Editora Generale) e A Guerra dos Tronos (do escritor George R. R. Martin, que é o fenômeno do momento, da Editora Leya). Nas semanas anteriores eu havia acabado de assistir o seriado da HBO, homônimo ao livro americano e estava empolgadíssimo para lê-lo. Por acaso decidi por ler as primeiras páginas do livro de Callari para ver qual era o estilo de narrativa, só por curiosidade. Duas semanas após começa-lo, terminei-o – enquanto o corpulento A Guerra dos Tronos permanece intocado – e isso deve significar alguma coisa, pois quando todas as contingências desfavoreciam o Apocalipse Zumbi – já que além de tudo eu estou empenhadíssimo em escrever minha monografia – o discurso de Callari e sua paixão pelo tema foram incentivos mais que o suficiente para me laçar à narrativa. Apocalipse Zumbi inicia-se em um prólogo totalmente inusitado, que a cada página que o sucede, também o torna cada vez mais relevante à história como um todo. Fato o é, que durante as últimas páginas ainda me indignava com o efeito “dominó” engatilhado no prólogo, fazendo com que eu me sentisse arrematado pelos eventos narrados e desejasse que tudo tivesse sido diferente desde o início.

Essa é a grande jogada do livro – a todo o momento Callari consegue “sinestesiar” o que se passa no íntimo de seus personagens, através do hábil recurso de metáforas e analogias. Por um lado, este recurso poderia não passar de um discurso vulgar e prolixo sobre psicologia de bar, mas não em Apocalipse Zumbi. O autor consegue, com maestria, trabalhar as dinâmicas psíquicas de seus personagens em silêncio. Explico: uma maneira de aprofundar os temas psicológicos de personagens em narrativas se dá através da rasa leitura de algum teórico para embasar sua discussão. Um exemplo seria Woody Allen, que abusa da psicanálise freudiana para desenvolver seus neuróticos. O autor brasileiro não espreme seus personagens, deixa que eles se apresentem naturalmente dentro de um realismo fundamental para sustentar a ficção da obra. O valor da construção de personagens de Callari está exatamente no não aprofundamento teórico deles, ou seja, o que a princípio deveria se tratar de uma construção não embasada, pelo contrário, está totalmente sedimentada na intimidade do autor com seus personagens – e não há preço para isso. O autor não tem pressa, e nos revela seus personagens por toda extensão do livro – não dá para se saber quem realmente é Manes até que se tenha lido a última página do livro. O recurso de flashbacks encaixa-se perfeitamente para construir as personagens e a ambiguidade de sentimentos entre as eras A. A. e D. A. (José é o melhor exemplo), além de proporcionar espaço para pausas na narrativa, já que os eventos apocalípticos do livro nos negam-nas, no melhor estilo “dominó”, como já afirmado.

O enredo também conta com cenas marcantes, incrivelmente emocionantes como, por exemplo, a batalha entre batedores e infectados no telhado de um prédio. Mas o que realmente marca a essência do livro é o seu caráter splatter, que não deve em nada a Lucio Fulci. O massacre no vagão de trem e o estupro do Espartano são explicitamente incomodativos, misturando violência com obscenidade, remontando os clássicos que marcaram o início da década de 80 no cinema. Os estupros trazem para o enredo o niilismo necessário para que se coloque em dúvida nossas esperanças germinadas nos breves hesitos de alguma bondade na narrativa. O equilíbrio entre luz e trevas quase nos engana, mas o final está lá para nos lembrar de que temos em nossas mãos uma distopia, tão pessimista quanto os clássicos de Romero. Os personagens de Callari estão definhando, tanto quanto os zumbis que vagam fora do quartel. O social já apodreceu e com uma vagarosa paciência torturante, contamina os humanos um a um. O que fica claro é que Callari é muito talentoso e ama sua história. Os eventos do primeiro livro ainda tem muito sobre o que desenrolar e o futuro parece promissor para um segundo livro – o mesmo não pode ser dito para Manes e os outros, pois o pavio do apocalipse psico-social interno de cada personagem está aceso e o futuro “penumbrou”.

Assim, aconselho a compra e a leitura deste que está fadado a ser um clássico – se não por sua profundidade, por seu pioneirismo. Alexandre Callari talvez seja o único escritor brasileiro vivo com potencial de ainda ter fãs, fiéis à sua obra. O esmero do autor pode ser constatado em sua destreza de elaborar uma trilha sonora para expandir seu discurso em novas linguagens, o que funciona, também no trailer do livro – algo inédito, pelo menos para mim. Por fim espero que meu comentário sirva para o incentivo de qualquer leitor que se interesse por uma boa história, além de servir como difusão e incentivo para que Callari acredite em sua proposta e me impressione mais uma vez com uma continuação.

Obs: Vale lembrar que o Apocalipse Zumbi 2 já está no forno!!!! Quem não comprou o primeiro, corre, se vira e debulhe-se para ter o seu antes que comesse a ficar para trás na trilogia!!

Convocação geral: lançamento de Quadrinhos no Cinema 2 na Bienal do Livro de São Paulo!

E aí pessoal,

É com enorme orgulho que o Pipoca e Nanquim gostaria de convidá-los para o que é para nós o evento mais importante do ano: o lançamento do nosso novo livro, Quadrinhos no Cinema Vol. 2.

Bom, se você acompanha o site regularmente, já sabe do que se trata, mas sempre é bom dar uma recapitulada. Seguindo o sucesso que tivemos no ano passado com o primeiro volume da coleção (veja aqui), escrevemos uma obra ainda mais completa e abrangente para este ano de 2012, com capítulos dos seguintes heróis: Batman, Homem-Aranha, Vingadores e Juiz Dredd (além do Motoqueiro Fantasma, que não coube na versão impressa e estará disponível na internet).

São mais de 300 páginas de informações, curiosidades e ilustrações belíssimas – e o que é mais sensacional, conseguimos um lançamento na 22ª Bienal Internacional do Livro de SP (é mole ou quer mais?). Sim, estamos nos sentindo importantes e convencidos, mas a festa não terá o menor sentido se vocês não estiverem lá, afinal, não existe PN sem o apoio de vocês. Está sem grana? Não importa; não precisa comprar o livro. Vá nos prestigiar que já ficaremos bastante felizes.

O lançamento com sessão de autógrafos será no próximo dia 18 (sábado), às 19h, no estande da Saraiva da Bienal. Veja o release oficial aqui.

Endereço da Bienal de São Paulo (saiba como chegar):

Pavilhão de Exposições do Anhembi
Av. Olavo Fontoura, 1209 – Santana – São Paulo/SP
CEP: 02012-021

Mais informações sobre esse segundo volume você encontra nesse post. Esperamos todos por lá. Ou melhor, EXIGIMOS todos vocês por lá, ok? Até lá!

Eu poderia escrever diversos elogios a este livro… desde “essencial para qualquer fã de quadrinhos” até “um livro feito por quem entende do assunto”, mas prefiro dizer que aprendi tanto sobre meus heróis favoritos neste livro, que o tenho comprado para dar de presente a todo mundo que conheço.

Beto Duke Estrada — Cocriador do podcast Matando Robôs Gigantes

 

Alexandre Callari, Bruno Zago e Daniel Lopes são feras no que fazem e merecem toda a atenção que conseguirem despertar, seja em livros como este ou em trabalhos como o que realizam no site Pipoca e Nanquim. Quadrinhos no Cinema 1 e 2 formam uma ótima introdução para se conhecer melhor alguns dos personagens de quadrinhos e a literatura que tantos de nós amamos e que acabaram adaptados para a tela grande.

Levi Trindade — Editor sênior da DC Comics no Brasil

Abaixo um vídeo feito pela Editora Generale logo que o livro chegou da gráfica! Nem nós o vimos pessoalmente ainda e estamos secos pra que chegue logo o dia 18!

 

Preview de Quadrinhos no Cinema Vol.2 – O Livro Está na Reta Final!!!

Olá a todos,

Sejam bem-vindos a… Ops, na verdade não é isso! Galera, o lance é o seguinte, hoje, excepcionalmente, não teremos nosso tradicional videocast e o motivo é justificável: hoje é o dia de fechamento de nosso livro Quadrinhos no Cinema Vol. 2. É isso aí, o livro mais fodástico e lindo do universo está de volta, em uma edição como você jamais poderia imaginar.

Exagero?

Não, caros intrépidos leitores. Nós do PN tivemos a indecência de preparar um manual, um tomo, uma bíblia, um guia, com mais de 440 páginas!!! Sim, ridículo, não? Pois é, quando vimos o resultado final, quase caímos de costas também, mas é o que dá tentar contar toda a carreira dos personagens: BATMAN, HOMEM-ARANHA, VINGADORES, MOTOQUEIRO FANTASMA e JUIZ DREDD em um único livro.

Quem leu o primeiro volume, já sabe o que esperar: informações diversas sobre os heróis, criadores, história da publicação, melhores aventuras, piores momentos e aparições em outras mídias; porém, desta vez, potencializamos tudo. Há sessões novas para cada herói, boxes especiais que completam os capítulos, centenas de curiosidades (realmente relevantes) e muitas, mas muitas, mas muitas ilustrações, tudo feito com um apuro técnico ainda superior ao do primeiro volume, já que desta vez controlamos 100% da obra: escrevemos os textos, diagramamos página por página, acompanhamos a revisão de perto e criamos a capa (é isso aí, qualquer crítica que tiverem, a chibata virá diretamente em nosso lombo).

E olha só o que os dois caras abaixo disseram sobre Quadrinhos no Cinema Vol.2:

Eu poderia escrever diversos elogios a este livro… desde “essencial para qualquer fã de quadrinhos” até “um livro feito por quem entende do assunto”, mas prefiro dizer que aprendi tanto sobre meus heróis favoritos neste livro, que o tenho comprado para dar de presente a todo mundo que conheço.

Beto Duke Estrada — Cocriador do podcast Matando Robôs Gigantes

Alexandre Callari, Bruno Zago e Daniel Lopes são feras no que fazem e merecem toda a atenção que conseguirem despertar, seja em livros como este ou em trabalhos como o que realizam no site Pipoca e Nanquim. Quadrinhos no Cinema 1 e 2 formam uma ótima introdução para se conhecer melhor alguns dos personagens de quadrinhos e a literatura que tantos de nós amamos e que acabaram adaptados para a tela grande.

Levi Trindade — Editor sênior da DC Comics no Brasil

Deu pra sentir o peso né? E, como dia de fechamento não é mole, abrimos mão do nosso querido videocast (e parte da sanidade), mas não deixaremos essa sexta passar em branco. Então, toma lá um grande preview do que encontrarão no livro.

Claro que não podemos deixar de elogiar e agradecer o trabalho da editora Generale, que abraçou o Pipoca e Nanquim e mergulha de cabeça em todos os nossos projetos, incluindo a trilogia Apocalipse Zumbi, de Alexandre Callari, as suas traduções, como Conan e Branca de Neve e outras surpresas que virão. Pois é, terá mais!

Um grande abraço a todos e aguardem o tema do videocast da semana que vem. Você irá cair de costas e rachar (de tanto rir).

Videocast 117 – Exorcismos

Olá a todos,

Sejam bem-vindos a mais um videocast do Pipoca e Nanquim. Esta semana, decidimos exorcizar todos os nossos demônios, por que o tema deste programa é Exorcismo!!! Sim, meus caros, estamos com o capeta. Na verdade, há muitos filmes bons sobre o tema (e muitas porcarias), então procuramos lembrar do que realmente vale a pena. Nos quadrinhos, resgatamos a minissérie de Etrigan, publicada na saudosa Superamigos, da Abril e outras cositas más. Nós do PN somos fãs de terror e, embora, os tapados aqui tenham deixado passar a oportunidade de fazer um tema bem legal na última sexta-feira 13, este programa serve para nos redimir!

Grande abraço a todos e até a semana que vem!

COMENTADO NESSE VIDEOCAST

– Sites parceiros do videocast: Filmes com LegendaSoc! Tum! Pow!Área 171Mob Ground
– Sua loja de camisetas nerds: Gola Branca.
 Podcast 65 – Filmes Tensos e Assustadores

FILMES COMENTADOS (NEM TODOS SÃO INDICADOS)

O Exorcista (The Exorcist, 1973)
O Ritual (The Rite, 2011)
O Exorcismo de Emily Rose (The Exorcism of Emily Rose, 2005)
O Último Exorcismo (The Last Exorcism, 2010)
O Exorcista III (The Exorcist III, 1990)
Exorcista – O Início (Exorcist: The Beginning, 2004)
Filha do Mal (The Devil Inside, 2012)
O Despertar da Besta (1970)
Possuídos (Fallen, 1998)
Jesus de Nazaré (Jesus of Nazareth, 1977)
Sobrenatural (Insidious, 2010)
Constantine (John Constantine: Hellblazer, 2005)

QUADRINHOS INDICADOS

Deadman – Amor Após A Morte (Abril)
John Constantine Hellblazer (Panini)
Superamigos #29-32 – Etrigan (Abril)

LIVROS INDICADOS

Branca de Neve – Os Contos Clássicos (Generale)
O Trono do Sol – A Magia da Alvorada (Leya)
O Exorcista (Nova Fronteira)

117 – Exorcismos por pipocaenanquim no Videolog.tv.

Branca de Neve: Os Contos Clássicos – O Novo Livro de Alexandre Callari

Pouca gente sabe, mas a versão da fábula da Branca de Neve dos Irmãos Grimm não foi a primeira (nem a última) a ser transcrita das tradições orais. Antes dela, e em diversas partes do mundo, outros escritores fizeram transposições tão interessantes quanto. E é justamente esse o principal atrativo do novo livro de Alexandre Callari, conforme ele próprio explica:

“A primeira versão da fábula vem da Itália e data dos anos 1500. É interessantíssimo notar que, ao longo dos séculos, diversos países, em diversos momentos diferentes de nossa história, fizeram registros das tradições orais. Esses registros permaneciam inéditos no Brasil e na maior parte do mundo. O que procurei fazer foi compilar a maior quantidade de versões que consegui (Alemanha, Escócia, Itália, Rússia, Suíça, etc.), traduzi-las e comentá-las, para contextualizar o leitor. Foi um trabalho minucioso e árduo, porém revelador. E é algo que eu desconheço a existência em qualquer outro lugar do mundo”.

Mas por que este é um livro de Callari, e não um apenas mais material traduzido por ele?

“Eu queria fazer um volume completo, muito completo. Queria que a pessoa que lesse a obra, conseguisse dimensionar a importância que a fábula teve na cultura pop mundial. Construí, então, um caderno cultural que acompanha, na medida do possível, os últimos cem anos da Branca de Neve na história nossa cultural. Vemos as manifestações da personagem nos filmes, pastiches, teatro, HQs, animações, séries de TV… O livro compreende, portanto, um panorama histórico, mas não deixa de lado a veia pop. E, no final, escrevi um conto inédito chamado Mundo dos Espelhos, no qual descrevi a minha versão para a lenda. Quem conhece meus textos, sabe a acidez e a violência que vem por aí!”.

Branca de Neve é mais um lançamento da editora Generale, que vem publicando os livros da equipe do Pipoca e Nanquim. O livro tem 224 páginas, é ricamente ilustrado, com capa de Bruno Zago e custa R$ 29,90. Para adquiri-lo, basta clicar aqui.