Enfim, o adeus ao formatinho… E algo mais – Café com Quadrinhos #15

Nada mais tenho na casa primeira, senão as lembranças e saudades que logo virão me assombrar. Tudo foi arrumado, transladado, posto e reposto na nova residência. A partir de agora, é dispor os objetos e pertences pessoais da melhor forma possível.

Conforto e praticidade serão os ponteiros deste relógio peculiar, cuja tarefa será marcar os vindouros tempos.

Para isso, finalmente tomei coragem e fiz algo que muitos (mesmo) que irão ler esta coluna, certamente, terão ojeriza: o desfazimento de várias revistas em quadrinhos, mais precisamente os criticados, malfadados e baratos FORMATINHOS. Quase todos eles foram embora, em boa parte doada a outros apreciadores – quem sabe, futuros leitores.

Quase todos. E por vários motivos.

Logicamente, apesar de não ter muita simpatia por este formato em particular de gibi, alguns são preciosos ou nostálgicos demais para os cuidados alheios. Esses ficam.

Mantive pouco mais de 50 deles, entre a primeira série do Batman pela editora Abril (10 edições ao todo), alguns especiais da Disney (inclusive a primeira versão nacional da Saga do Tio Patinhas autografada pelo Don Rosa, durante o FIQ de Recife, em 2004), Rei Conan (8 edições), a saudosa coleção Jaspion e Heróis da TV (dos tokusatsus, não os da Marvel), algumas minisséries Marvel e DC, anuais, edições comemorativas, e outros que me fogem à memória agora.

Servirão como lembrança de uma boa época. Ao restante, bem, fez sua parte: deram-me alegria, e espero que agora faça ao menos metade disso para outros.

Não sei vocês, mas, mesmo na época em que iniciava esse nosso querido vício, já virava a cara para o formatinho. Alguma coisa neles não me atraia muito, e só lia por puro gosto pelas histórias – MUITAS delas excepcionais, onde provam que conteúdo bom pode vir até em embalagens fuleiras.

A arte reduzida e muitas vezes mal impressa dispensa comentários. Diálogos diminuídos dos originais, histórias mutiladas e personagens reinventados (Guerras Secretas feelings) simplesmente não agradavam e hoje bem menos.

Ficava maravilhado quando podia comprar algumas edições especiais e minisséries em formatos maiores, como o americano ou o magazine. Lembro até quando me espantava ver uma história em quadrinho naquele tamanho todo, logo quando os conheci: “Isso é um gibi mesmo? Que massa. Por que não publicam todos assim?”.

Coleções como Um Conto de Batman, O Conflito do Vietnã (a cores) e Conan Rei que o digam. Outro que poderiam ter feito melhor foi na republicação da saga do Tio Patinhas onde, mesmo em caprichadas edições em formato americano, o conteúdo presente na versão em formatinho ainda dá um belo banho.

Por isso que, apesar dos inúmeros problemas editoriais, fico feliz quando a Panini ou outras editoras relançam várias dessas HQs no formato original. E assim espero que continuem (todos nós que compramos a maioria dos Volumes 01, hein? Cadê o resto, meu bom pai do céu?).

Outra razão que me fez doar muitos desses formatinhos, claro, foi uma questão física: espaço. Se existe algo que já não me agradava mais ter, e ainda ocupando lugares que posso preencher com várias coisas boas entre várias outras coleções que tenho, ora… Vão embora.

A meninada do prédio ficou feliz, ao menos. Não sei quando começarem a ler a Saga do Clone (Heh!).

Claro que só 97% dos meus formatinhos se foram. Mas o restante da coleção… Meu amigo, lascado.  Falta espaço pra tudo!

Mas não, não irei doar esses também.

P.S: Por sinal, estou vendendo a primeira edição do Super-Homem (editora Abril, 1984), aquela com a foto da cidade de São Paulo ao fundo, e Heróis da TV #100, edição comemorativa com histórias dos X-Men, Homem de Ferro, Doutor Estranho e Vingadores. E mesmo não sendo formatinho, vendo a primeira edição da Teia do Aranha, em formato magazine.

Como adquiri a primeira delas num sebo, eu daria uma nota 7,5 ou 8,0 de 10. Já a da Heróis da TV e do Aranha, para ambos eu dou 8,5 e 9,0. Em todas elas não faltam páginas, as capas estão inteiras e miolo bem pouco amarelado, levando em conta o papel jornal da impressão.

Nada de preço extorsivo. Diga seu valor e negociamos o preço + frete. Vendo separado ou tudo junto, tanto faz.

Ganha o primeiro que, nos comentários, responder acertadamente a pergunta: qual um bom tema para nossa próxima coluna? Digite seu e-mail e entrarei em contato caso você seja o melhor. Boa sorte!

Encadernação Particular?

Colaborador: Kleiton Gonçalves

Não é muito comum a encadernação particular de quadrinhos entre os colecionadores. Ao menos, não vejo muito essa prática por aí. A grande maioria dos colecionadores alega que o custo é alto, o retorno (vantagens concretas) não é significante e as edições originais ficam descaracterizadas.

Na coluna Minha Estante do Pipoca e Nanquim, o colecionador Gustavo Vícola exibiu alguns exemplos de formatinhos encadernados. 

Gosto à parte, quero fazer uma defesa dessa maneira de colecionar quadrinhos, mostrando suas vantagens e alguns exemplos próprios.

Basicamente, há três maneiras de encadernar quadrinhos. Você pode refilar a extremidade da lombada de cada edição e reuni-las em uma única encadernação com cola na nova lombada. Essa maneira é a mais agressiva. Além de descaracterizar os gibis (pois há corte), vai apresentar dor de cabeça no futuro, com o ressecamento da cola e aquela conhecida “quebra” na lombada, soltando as folhas.


Outra opção é a montagem sobre onglet (observem a “extensão” entre os cadernos e a lombada, no exemplo abaixo), ou algo assemelhado ao uso de classificadores com grampos. Mas, assim, não dá aquele mesmo prazer de se ter todos os gibis escolhidos reunidos na forma tradicional de um livro. Esse método é bastante adequado à reuniam de gravuras, litografias e desenhos em geral.

Sem dúvidas, a melhor maneira de encadernar quadrinhos é a encadernação clássica, sem refilamento nem cola, apenas mediante a costura das lombadas de cada edição junto à base do que virá a ser nova lombada do conjunto. Assim, cada gibi é mantido integralmente, podendo até mesmo ser retirado, apenas com a descostura. As demais vantagens são evidentes. Os grampos são retirados e se evita a indesejada oxidação que deixa aquelas manchas no papel. Além disso, você poderá guardar seus gibis na posição vertical, pondo de lado todos os malefícios do empilhamento. E, por fim, os gibis terão uma capa resistente os protegendo contra vários agentes externos (aqueles conhecidos acidentes que podem ocorrer).

Abaixo, seguem alguns exemplos de meu acervo.

A leitura dos quadrinhos nessas encadernações é excelente, por mais volumosas que sejam. A abertura das páginas é total, sem qualquer risco de que as páginas se arrebentem. Mas, claro, você deve pedir essa costura reforçada ao encadernador. Um bom encadernador saberá fazer o que for preciso para atingir o fim a que se destina seu ofício: proteger de maneira elegante e eficiente o material que você deixa aos seus cuidados.

Os exemplos acima têm certos caprichos, como, por exemplo, o uso de couro de cabra e o interior forrado com marmorizados artesanais, além de outros fetiches.

Os contrários a esse tipo de preferência, em geral, alegam o elevado custo. Mas não é bem assim. Em qualquer oficina mediana de encadernação se pode encontrar, a um preço acessível, esse serviço, com um material mais barato: o nosso conhecido cartão coberto com película sintética, usado bastante na encadernação de trabalhos acadêmicos.

Enfim, recomendo mais esse capricho (loucuras) de colecionador. E, no final das contas, é tudo uma  questão de gosto. Como escreveu nosso Guimarães Rosa: “Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães”.

E, para finalizar realmente, recomendo a leitura do post, {Des}Necessário Requinte Gráfico, da coluna Café com Quadrinhos, aqui do Pipoca, que tem muito a ver com este tema.

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Kleiton Gonçalves é autor do blog Ordem do Eterno Grau de Neófito , sem nenhum seguidor.