O Sensacional Homem-Aranha: Feroz! – Crítica

O carisma é uma ferramenta que pode levar um indivíduo ao sucesso, ao estrelato. Não é exagero declarar isto, basta lembrar que esta ferramenta já tornou desconhecidos participantes de programas televisivos em milionários e pasmem, já chegou até até a eleger presidentes da república em nosso território.

Digo isso porque não consigo encontrar (pelo menos na Marvel) um herói tão carismático quanto o Homem-Aranha. Peter Parker, com sua postura de fácil identificação de garoto desajeitado e com vida  sofrida, atraiu milhões de fãs ao redor do planeta, mesmo os que não acompanham seus quadrinhos. Além de sua responsabilidade herdada de uma acidental picada de aranha, Peter tem o poder de atrair fãs com uma facilidade incrível, atingindo até garotos como meu sobrinho, que mesmo quando ainda não sabia ler e poucas palavras sabia falar, pedia para eu ler para ele aventuras do Cabeça de Teia sempre que eu podia.

Então, quando você tem em suas mãos o poder de escrever uma história de um herói tão popular e querido, o que pode dar errado? Acredite, muita coisa.

Neste recente relançamento da editora Panini Comics do arco O Sensacional Homem-Aranha: Feroz! Vemos que Peter além das pedradas que leva em sua tão conturbada vida pessoal e profissional, também sofre nas mãos de seus roteiristas e desenhistas.

Em uma história mediana e de péssimos desenhos, Peter tenta descobrir que mal é responsável pelo estranho comportamento de diversos animais, heróis e até vilões que têm seus poderes derivados de animais.

O roteiro em si não é de todo mal. Apesar de ser muito simples, a história dividida em 5 partes não é de um nível inferior ao que se pode encontrar nas demais mensais do herói aracnídeo (não que isso seja um elogio) mas falta algo aqui: Não temos as piadinhas costumeiras de Peter, não temos uma investigação a fundo para saber a causa do transtorno comportamental dos animais e quase não temos o Homem-Aranha usando seu uniforme original inclusive, mas isso é outro caso.

Mas se não temos estes itens, temos o horroroso traço de Angel Medina. Seu desenho deficiente, sujo, e desproporcional anatomicamente faz parecer que o leitor está, na verdade, acompanhando uma história do Spawn. É inacreditável como Medina simplesmente evoluiu em nada seu traço desde sua época como colaborador na revista do soldado do inferno, os corpos retratados pecam por traços tão curvos e o uso excessivo de hachuras. E como se não bastasse, na quarta parte da trama, o desenhista é outro! Medina é substituído por Clayton Crain sem a menor explicação para isso, ainda mais sendo Crain um desenhista de estilo completamente diferente, é como se estivesse lendo outra história! E acreditem, Medina volta a a desenhar a quinta e derradeira parte da trama, encerrando seu fraco trabalho na aventura.

Sei que este lançamento pegou carona na estreia da nova franquia d’O Homem-Aranha nos cinemas, ainda mais por ter Curt Connors como um dos personagens nesta trama, mas temos histórias muito melhores com Connors na biblioteca do nosso querido Aracnídeo, histórias que o mesmo participa de forma mais incisiva, inclusive.

Ao menos a Panini acertou na parte técnica da edição: Encadernado em papel couché e capa mole, barateando o custo e deixando a publicação em acessíveis R$12,90. Também uma excelente ideia ao fim da publicação em colocar respostas à perguntas aos leitores que não acompanham com frequência as aventuras do herói e podem ter dúvidas com alguns fatos apresentados no decorrer da trama. Só um detalhe esquecido: A capa da edição The Sensational Spider-man #23 não está na galeria de capas, uma pena.

Ao fim, apesar da boa edição e do preço bacana, esta história está longe de ser algo memorável, e é recomendável somente aos fãs do Aranha, que querem ter todas as aventuras do herói em sua coleção.

Nota: 4/10