Django Livre – Crítica

django_unchainedEis que o diretor Quentin Tarantino lança mais um petardo, Django Livre, em cartaz em todos os cinemas do país. Vamos cortar todos os preâmbulos sobre quem é Tarantino e o que ele fez, já que todos devem estar cansados disso (temos até um videocast bem antigo sobre ele), mas cabe dizer que desde o lançamento de Kill Bill, o diretor vem conseguindo imprimir a sua “marca” distintiva em filmes de gêneros absolutamente díspares – e Django Livre não é exceção.

Ame-o ou deixe-o, Tarantino é um dos poucos diretores da atualidade que consegue ser autoral e, ao mesmo tempo, encher os bolsos com um orçamento milionário. Ou seja, ele filma o que quer e como quer, usando o dinheiro dos estúdios, sem intervenções dos executivos. Além disso, ele é o único diretor que consegue colocar litros de sangue falso espirrando na tela e, ainda assim, conseguir que seu filme seja indicado ao Oscar. Ele faz pouco caso das acusações racistas (e imbecis) de Spike Lee, e sai com sua reputação incólume. Enfim, o cara é, de fato, diferente.

Django Livre não é o seu melhor trabalho. Mas é um ótimo filme; muito acima da média do que vemos por aí.

Vamos começar falando sobre o tema. Se todos os trabalhos de Tarantino são, de algum modo, pautados em cima da temática da “vingança”, Django não constitui exceção, mas aqui cabe uma novidade: trata-se do filme mais romântico de Tarantino até o momento. Todas as motivações do personagem giram em torno da busca pela sua amada de quem foi, há muito tempo, separado. Assim, a epopeia do escravo que é libertado para ajudar um caçador de recompensas a localizar três alvos, e acaba virando parceiro dele torna-se, no final das contas, uma história de amor, idealização, sonhos e bem… um pouquinho de vingança, claro.

Com Django Livre, Tarantino faz sua singela homenagem aos faroestes dos anos 1960 e 1970. Isso, claro, influencia sua forma de filmar. Pela primeira vez, o diretor faz grandes tomadas abertas mostrando cenários incríveis com campos e montanhas, lembrando em diversos momentos diretores como o grande Sergio Leone (responsável por ressuscitar o gênero ao lado de Clint Eastwood com seu filme de 1964, Por um Punhado de Dólares) Sergio Corbucci (autor do Django original) e Enzo Castellari. O bom humor de Don Siegel e a grandiosidade de John Ford, ambos americanos, também podem ser notados como influências claras. Ele também abusa da câmera lenta e dos closes impactantes.

Django Unchained movie still

Tarantino tem uma qualidade notável. Uma vez que sua influência é os faroestes, encontramos neste filme mais frases de efeito do que de costume em situações que beiram o piegas e são propositadamente, chavão, mas mesmo em se tratando de um filme de época, o diretor é capaz de inserir aqui e ali a sua marca mais característica: os diálogos brilhantes. O principal mérito vai para o personagem de Christoph Waltz, o Dr. King Schultz. O expectador não questiona nem por um segundo o absurdo da situação (um alemão contratado pelo governo dos EUA para ser caçador de recompensas), tamanho é o carisma de Waltz. Articulado, cínico, simpático, engraçado e letal, ele rouba todas as cenas em que participa. Tal qual ocorre em Pulp Fiction (em que o expectador ficava na dúvida se John Travolta era mesmo o protagonista, já que Samuel Jackson o eclipsava todas as vezes em que aparecia), desta vez é Jamie Foxx que desaparece cada vez que o germânico entra em cena. Não entendam mal, Foxx está ótimo como Django, mas Waltz simplesmente brilha como diamante.

Leonardo DiCaprio prova, mais uma vez, que também é um grande ator. Se alguém ainda guarda alguma birra com ele por causa de Titanic, já passou a hora de superar isso. Ele está excelente. Seu personagem é um janota almofadinha, porém em cada instante, DiCaprio mostra periculosidade no olhar; um tipo de ameaça escondida lá no fundo por uma única razão: ele gosta mais de dinheiro do que de machucar os outros. Participações como a de Don Johnson e uma ponta do lendário Franco Nero enriquecem ainda mais o filme, isso sem contar a divertida participação do próprio Tarantino, cujo destino em tela é, no mínimo, hilário.

Participação especial de Franco Nero.

Participação especial de Franco Nero.

O roteiro não é, de forma alguma, racista – como alegaram várias fontes menos esclarecidas. De fato, há cenas que chocam o espectador pela crueldade (nada gore, diga-se de passagem, mas cenas que deixam sua marca e fazem pensar), mas que ao mesmo tempo, levam à reflexão. Hollywood ainda não produziu sua obra-prima com o tema “escravidão” (o próprio Brasil tem exemplos excelentes como Quilombo e Xica da Silva), embora filmes excepcionais que abordem o problema do racismo já tenham sido feitos, como A Cor Púrpura e Mississipi em Chamas – mas Django Livre é, sem dúvida, um dos melhores do gênero. Ele não procura apelar ao sentimentalismo barato como, digamos, Amistad, ou é excessivamente dramático e didático, como a minissérie Raízes, mas prefere seguir outro caminho – um que não comprometa as características intrínsecas à forma de filmar do diretor. Um exemplo disso é a sensacional tiração de sarro que ele promove quando mostra a Ku Klux Klan, numa das melhores cenas do longa.

Com 165 minutos de duração, Django Livre poderia muito bem ter uns 20 minutos a menos. O filme não chega a ficar arrastado, mas certas gordurinhas não fariam falta em um ou outro momento. Como disse, nada que comprometa o ritmo.

Infelizmente, hoje em dia o cinema norte-americano tem poucos caras como Tarantino, rendendo-se a diretores compartimentados e formatados, que precisam se render às vontades de produtores. Do contrário, mais grandes obras como essa seriam disponibilizadas ao público.

Confira os horários de exibição no cinema Movie.com de sua cidade.

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Podcast 53 – Jonah Hex

Olá a todos! Sejam bem vindos ao já tradicional podcast do Pipoca e Nanquim. Esperamos que vocês tenham tido um bom início de semana e que segurem só mais um pouquinho a onda: o final do ano já está aí para um merecido descanso!

Desta vez, decidimos inovar e discutir um tema prá lá de inusitado: Jonah Hex, o pistoleiro mais implacável do Oeste!!!

O mote para nossa escolha é o lançamento do quinto volume da série pela Panini, possivelmente o melhor até aqui. No Brasil, westerns sempre fizeram sucesso desde a época da Ebal e não é de agora que os quadrinhos italianos (capitaneados pelo fenômeno de bancas Tex) provaram que o gênero ainda têm muito fôlego no país.

Hex é um personagem sensacional que, infelizmente, sofreu um grande desserviço por causa do abominável longa-metragem. Nós do Pipoca, como grandes fãs do anti-heroi, decidimos relembrar seus melhores momentos, discutor sua enigmática personalidade, e contar sua origem para os ouvintes que ainda não conhecem. Esperamos assim, que a série não pare por aqui e siga até o final, para vermos concluído no Brasil um dos trabalhos mais legais da DC dos últimos anos.

Um abraço a todos e até a semana que vem!

Jonah Hex Vol. 01 – Marcado Pela Violência
Jonah Hex Vol. 02 – As Armas da Vingança
Jonah Hex Vol. 03 – Origens
Jonah Hex Vol. 04 – Apenas os Bons Morrem Jovens
Jonah Hex Vol. 05 – Falta de Sorte

Musicas

Bloco 01
Ballad Of A Thin ManBob Dylan
Hazy Shade Of WinterSimon and Garfunkel

Bloco 02
Spinning WheelBlood Sweat and Tears
Another Brick In The Wall (Cover)Marilyn Manson

Bloco 03
Viva Las VegasZZ TOP
Owner Of A Lonely HeartYes

Bloco 04
1234Feist
Down AgainBlack Country Communion

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Resenha da Graphic Novel: Cowboys & Aliens

Eu já havia visto o prólogo dessa linda graphic novel de “Cowboys & Aliens” em um site internacional, onde colocaram as primeiras páginas como amostra, para deixar a gente com gostinho de “queiro mais. E estranhei, pelo que vi dos trailers do filme, a falta de um dos elementos mais cruciais: os índios!

Sim, como vocês podem ver pelas imagens do prólogo (veja aqui em inglês a amostra), os alienígenas, os invasores na história da HQ, são equiparados aos homens brancos que roubaram, durante a dominação americana da época do Velho Oeste, as terras dos índios.

“Acreditavam que tinham o direito ― até mesmo o dever… de dominar os “índios selvagens e impiedosos, cuja regra sabida é a guerra sem distinção de idade, sexo e condições.” – citação da Declaração de Independência dos Estados Unidos da América, do prólogo da história, logo na segunda página.

Fui me informar mais a respeito da adaptação para o cinema e fiquei sabendo que serão muitas as alterações feitas na história da graphic novel nessa adaptação para o cinema, e devo dizer que a ausência dos índios (pelo menos, o que o trailer nos mostra) me desanimou um pouco em relação ao filme, já que simplesmente me apaixonei pelo enredo.

A partir de premissas simples, a história é muito bem desenvolvida até chegar a um desfecho que, por vários motivos que não posso revelar, pois seria spoiler demais (saiba mais sobre essa criatura chamada Spoiler MOR), desmancha-prazeres total, fizeram com que eu me lembrasse de Star Trek, a série clássica. Em vários episódios, para falar a verdade.

Há, inclusive, em Star Trek, um episódio especificamente passado no Velho Oeste ― “Espectre of the Gun”, mas não é só esse o elemento em comum. Os fãs de Star Trek talvez consigam, como eu, captar as minhas analogias ao lerem.

Em meio à guerra e luta pela dominação, parece não haver limites para aquilo que usam como desculpa para devastar e matar: o progresso.

E quanto ao número incontável de pessoas cujas vidas e terras foram perdidas? Elas eram vítimas lastimáveis ― do progresso.

Nesta realidade alternativa, no ano de 1873, quase cem anos depois da independência dos Estados Unidos (em nossa realidade), em Silver City, invasores brancos, cowboys, índios (apaches) e alienígenas dividem a cena, e o maior vilão da história são os alienígenas. Eles são, nesse mundo em que os humanos brigavam por terras e por domínio, uma ameaça muito maior e, como é de se imaginar, inimigos têm de se unir para lutarem contra um inimigo maior.

Como o ditado… O inimigo do meu inimigo é meu amigo.
Nesse trecho do modo campanha do jogo, o mais interessante
é que o alien Zeratul da raça Protoss cita o “equilíbrio” entre as espécies.

Essa é uma premissa bastante comum não apenas em filmes com alienígenas e/ou de guerra, mas em muitas obras que lidam com temas de guerra, inclusive o jogo Starcraft, em sua versão II atualmente, ou até mesmo o clássico “Inimigo Meu” de 1985 que é mais focado para o drama. (veja o trailer aqui)

O trailer conta alguns spoilers do filme, mas vale muito a pena
pra realmente entender o motivo pelo qual esse filme é tão emocionante :-)

Quando um cowboy e os índios estão deflagrando seus conflitos, eis que cai do céu uma nave alienígena, que acaba dispersando a briga entre esses dois lados e que já chega trazendo destruição, não apenas com a queda em si, mas com a demonstração de poder imediata do Comandante Dar, cuja primeira fala na Terra é a seguinte:

<Protejam o perímetro e levem esses mamíferos para catalogação e dissecação>.

Um dos pontos interessantes é o armamento dos alienígenas, que acaba caindo nas mãos dos humanos. Posso adiantar que um dos usos delas é formar outras espécies de armas, como podemos ver nas armas (inclusive também verdes) formadas/criadas pelos anéis dos Lanternas Verdes.

… quando o firmamento se rasgou em pedaços! Lá de cima, foi entregue a mim… um maná dos céus!

A propósito, se as “armas” dos humanos são, no geral, inferiores, já que as armas dos alienígenas comandados por Dar são destruidoras de grande potência, é justamente o cérebro e a inventividade que se mostram as melhores armas nesta história.

A crítica maior da graphic novel parece ser justamente à necessidade dos seres (humanos ou não) de dominação, e a comparação dos alienígenas com os homens brancos é apenas o começo da história, ela própria se passando em uma realidade alternativa e, inclusive, o padre que aparece na história cita uma obra de Julio Verne (a qual ele carrega consigo), “Da Terra à Lua”, inclusive fazendo uma comparação do que este escritor escreveu com o que está acontecendo na história em quadrinhos. É, no mínimo, curioso que o padre seja a pessoa que está com essa obra de Julio Verne, não só nas mãos, como ainda lendo este livro.

Quando lhe perguntam que livro era aquele, o padre responde:

Apenas uma leitura para passar o tempo… As ideias fantasiosas de um francês sobre uma jornada aos céus em um transporte em forma de bala disparado por um canhão.

A história de “Da Terra à Lua” é a seguinte: Após a Guerra de Secessão, os Estados Unidos entram num longo período de paz, o que preocupa demais os membros do Clube do Canhão. Afinal, o que farão das suas vidas sem nenhuma guerrinha onde poderiam exercitar todas suas habilidades e conhecimentos bélicos, principalmente na criação de balas e canhões? Mas a monotonia não dura muito, pois o excelentíssimo Sr. Impey Barbicane, presidente do Clube do Canhão, já tem planos muito bem traçados para o futuro. Planos que literalmente vão da “Terra à Lua”.

Mais adiante, ainda o mesmo padre comenta sobre a invasão alienígena citando novamente a obra de Verne:

De acordo com o Monsieur Verne, muitos estudiosos teorizaram sobre criaturas com asas de morcego que vivem no céu e…

Temos também o clássico traidor, como vistos em diversas histórias clássicas e contemporâneas, de diversos gêneros, que trai os seus semelhantes (grupo ou espécie) em uma tentativa de sobreviver. Nesse caso, o personagem meio que acaba desprezado, mal visto por ambos os lados. Não vou contar aqui se ele morre ou não. Vários elementos da história nem devem ser mencionados para não estragar a graça para o leitor (inclusive sacadas e reviravoltas interessantes, principalmente do lado apache da história), mas espero que tenha conseguido deixar vocês com vontade de ler essa história muito legal em quadrinhos, com esses breves comentários que teci sobre a obra.

Os personagens são carismáticos ― o cowboy, uma alienígena capturada pelos invasores, diversos índios… e muito da sobrevivência humana se dá ao uso inteligente das “armas” trazidas com/pelos alienígenas ― o que mostra como podemos improvisar com as coisas que temos em mãos e conseguirmos sair de belas enrascadas simplesmente usando o cérebro.

Quando recebi a HQ para resenha, imaginei, já que havia visto o prólogo, que gostaria dela. Mas eu não gostei apenas… eu adorei! O traço do restante da graphic novel é diferente da parte inicial do prólogo, tiramos as fotos para mostrar como é. Já a história, apesar de curta, a sensação de completude ao terminar de lê-la é ótima. As possibilidades são muito bem amarradas e não faltam aqueles beijos românticos clássicos dos heróis com as heroínas nas páginas finais, claro! Como eu disse e repeti, é uma HQ que haverá de agradar a gregos e troianos ― ou deveria dizer índios e brancos? Alienígenas e humanos?

É uma HQ bem curtinha, são apenas 101 páginas e a ação é bem intensa e constante, o desfecho é bem rápido e, embora seja meio que esperado o final, há elementos comuns de diversas histórias como temáticas similares em uma abordagem simples e belamente executada para ser devorada rapidamente e relida diversas vezes. Essa foi a sensação que a história me passou. Terminei de lê-la e abri um sorriso, pois se eu esperava que a história fosse pelo menos “ok”, mas me surpreendi, a história é linda, mostra os pontos apontados acima com eficácia.

Para refletir: Lembrei-me novamente de Star Trek: “por que quando nos referimos a algo bom em um ser, sempre usamos a palavra “humano”, não é?”

Texto interessante que encontrei sobre Julio Verne aqui.

Exemplar da resenha fornecido pela Galera Record para o iCultGen. (não deixem de dar uma olhada em nossas outras resenhas :-P)

Resenha: Ana Death Duarte
Fotos do livro e edição das imagens: Alonso Lizzard

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Publicado originalmente no iCult Generation. Lá você encontrará dezenas de outros artigos e resenhas de livros (sem spoilers) que dissecam os diversos temas abordados pelas obras, além de apresentar referências nerds e curiosidades de séries de TV e de filmes.

Entrevista com Danilo Beyruth, autor de Bando de Dois

Mais uma entrevista do PN para vocês, dessa vez batemos um papo com Danilo Beyruth, roteirista e ilustrador que já se firmou como um dos maiores nomes dos quadrinhos do nosso país, seu personagem Necronauta, que começou em uma revista independente, veio a compor a antologia Popgun, da Image, que ganhou um prêmio Eisner e angariou uma enorme quantidade de críticas positivas, o que fez a HQM decidir lançar o primeiro volume das histórias desse cativante personagem aqui em nossa terrinha. No ano passado, Beyruth lançou o “faroeste- feijoada” Bando de Dois, que é outra obra sensacional e não a toa arrancou reviews favoráveis dos mais diversos jornalistas, além de figurar entre as melhores do ano em praticamente todas as listas que pintaram nos sites especializados no fim do ano.

Com vocês, o talentoso e simpático Danilo Beyruth.

P&N: Olá, Danilo! Como foi seu começo de carreira? Quando desenhar passou a ser fonte de renda?

Danilo: De certa forma, eu sempre desenhei como trabalho. Quando comecei a trabalhar, como estagiário em uma agência de propaganda, meu trabalho já tinha a ver com desenho. Foi por desenhar que consegui a oportunidade. Fiz muita ilustração e storyboard dentro da agência, mas com o tempo o trabalho foi migrando mais pra direção de arte em si. Quando larguei o trabalho em agência, me tornei ilustrador, de novo trabalhando com desenho.
A carreira de ilustrador é diferente de um emprego convencional. Quando aparece um trabalho tudo rola muito rápido e os prazos são curtos. Você tem que ser capaz de fazer muita coisa em pouco tempo e com pouca margem de erro. O contraponto disso, é que entre um trabalho e outro você fica livre, sem ter que mostrar serviço ou bater cartão, e é aproveitando esses momentos que eu comecei a fazer HQ. Mas HQ ainda não é a minha principal fonte de renda.

P&N:  Existe alguma chance de você resgatar o irmão mal do Elvis, o EvilKing, e publicar essa HQ?

Danilo: Sim, claro. Mas estou guardando isso pra mais pra frente. Ainda acho que meu trabalho não está maduro o suficiente pra desenvolver essa história do jeito que eu gostaria. Além disso, queria que fosse um gibi de banca, serializado.

P&N:  Conte um pouquinho sobre como foi o processo para obter os incentivos fiscais do Governo de São Paulo (ProAC) para publicar Bando de Dois.

Danilo: Eu e o Cláudio [Martini, editor da Zarabatana]  já tínhamos fechado de fazer o Bando de Dois havia alguns meses, e eu já tinha o roteiro fechado e já estava começando a fazer a arte. Quando soubemos que o ProAc tinha aberto inscrições, juntamos o material, montamos o projeto com toda a HQ já decupada e 10 páginas finalizadas e mandamos pra Secretaria de Cultura. Deu certo e o projeto foi produzido com o incentivo. O ProAc ajudou muito, mas teríamos feito da mesma forma.

P&N:  Com o sucesso de Bando de Dois, lançar mais quadrinhos no estilo “faroeste brasileiro” está nos seus planos? Se não, com qual outro tema pretende trabalhar?

Danilo: Gostaria de fazer uma continuação para o Bando de Dois mais pra frente, ainda sem data. Acho que existem outros cenários brasileiros que podem sofrer o mesmo tratamento. Mas no futuro próximo quero continuar o Necronauta e fazer HQs de horror e de ficção científica.

 P&N:  Cara, sobre Bando de Dois, a idéia de um mapa de tesouro atrás de um tapa-olho é muito boa, bem como a do vilarejo com a barragem contra areia, de onde vêm essas inspirações?

Danilo: É tudo parte de um acumulado de livros, filmes e histórias que li e assisti que serve como base pra criar novas combinações. Hoje em dia nada é novo, tudo é uma nova versão de um clichê mais velho. É o jeito que você recombina elementos que renovam a mistura, como você subverte o próprio clichê.

P&N:  Ainda em Bando de Dois, você explorou os personagens e cenários através de ângulos inusitados, algo incrível, bem cinematográfico, o que você usa como referência?

Danilo: De novo, esse acumulo de cinema, livros e HQs. O meu objetivo não é ser cinematográfico, mas usar a linguagem da HQ de forma a contar bem a história.

P&N:  Qual a sensação de ver Bando de Dois figurar em várias listas de melhores HQs de 2010, muitas vezes na primeira posição?

Danilo: É muito recompensador. É mais de um ano de trabalho sacrificando o tempo com a família, com os amigos e com lazer pra fazer um trabalho que eu acredito.

P&N:  Quais atores você escolheria para interpretar o Necronauta, Tinhoso e Caveira de Boi em suas respectivas adaptações para o cinema?

Danilo: Paul Bettany ou Mads Mikkelsen pro Necronauta, Fábio Lago pro Tinhoso e um jovem e magro Gerard Depardieu para o Cavêra.

P&N:  Já tem previsão para o lançamento do próximo volume do Necronauta?

Danilo: 2011, mas ainda sem data.

P&N:  É verdade que quem trabalha como quadrinista perde um pouco a vontade de ler outros quadrinhos? De qualquer forma, quais HQs você mais gostou de ler na vida?

Danilo: Não, pelo menos no meu caso. Você perde um pouco a diversão, porque é muito fácil de começar a analisar o trabalho ao invés de só ler. HQs preferidas são: os primeiros 100 números do Quarteto Fantástico, Bone, Cerebus, Lobo Solitário, Planetary, Appleseed, BPRD, MAD e Den pra falar só algumas.

P&N:  Deixe uma mensagem para os leitores do Pipoca e Nanquim.

Danilo: Muito obrigado a todos, espero que gostem do Bando de Dois e do Necronauta. E obrigado a todo pessoal do Pipoca e Nanquim!

 

Cena da história de Danilo para o álbum MSP+50

Cena da história de Danilo para o álbum MSP+50

Viste também o blog do Danilo Beyruth

Necronauta

Autor: Danilo Beyruth
Editora: HQM
Páginas: 88
Quanto: R$ 29,90

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Bando de Dois

Autor: Danilo Beyruth
Editora: Zarabatana
Páginas: 96
Quanto: R$ 36,00

Podcast 07 – Faroeste

Olá, pessoal!

Sem muita delonga, o assunto desse podcast será Faroeste! A única ressalva é que, embora esteja estreando hoje, dia 03 de janeiro, como em todas as segundas-feiras, ele foi gravado para ir ao ar dia 30 de dezembro na Rádio Uniara, como último podcast de 2010.

Para incrementar nosso bate papo dos bons filmes western, convidamos um especialista no assunto, o grande apreciador e colecionador de Bang Bang, Marcos Bomba, a conversa foi um barato e muitas dicas de excelentes filmes foram passadas, então, prepara ai o bloco de notas pois tenho certeza que esse será um baita guia para quem quiser começar a desbravar o oeste, e se você já gosta e domina esse gênero, embarque em nossa caravana compartilhe suas indicações e opiniões nos comentários.

Bloco 1.

Era Uma Vez no Oeste – Um dos maiores clássicos do Cinema;

• John Wayne (o maioral!) e John Ford: a maior dupla do Velho Oeste;

• Trilogia John Ford: Forte Apache, Rio Bravo e Legião invencível.

O céu mandou Alguém.

Músicas:
Gimme Back My BulletsLynyrd Skynyrd
Jesus Just Left ChicagoZZ Top

Bloco 2.

Filmes classe B: produções para TV, quebra de paradigmas, revelando bons atores;

• Grandes atores de Faroeste;

• Butch Cassidy e Sundance Kid, a dupla de vilões mais amada do Velho Oeste;

• General Custer, inspiração para diversos filmes.

Músicas:
Sunrise Uriah Heep
The Invincible Therion.

Bloco 3.

• Índios em destaque:

Pequeno Grande Homem;

Um Homem Chamado Cavalo;

Dança com Lobos;

Enterre meu coração na curva do rio;

Os Imperdoáveis – temos pena de quem ainda não assistiu a esse filme;

Silverado, um dos primeiros filmes de Kevin Costner.

Músicas:
New Year´s Day Charlie Robison
Hey Good Lookin´ Jimmy Buffett

Bloco 4.

Wyatt Earp e Tombstone;

Sete Homens e um Destino e a relação entre filmes de samurais e faroestes;

• Comédias:

O Ultimo Samurai do Oeste;

Maverick;

Trilhas da Aventura;

Banzé no Oeste.

Músicas:
Forgive Me D.C. Cooper
John The Revelator Gov´t Mule

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Gostaram?

Então comentem, twittem, facebookem ou chame a mamãe e os amiginhos para ouvir também! Aguardem só mais um pouquinho para a versão sem blocos musicais.

Adios!

Tempo de duração: 62 min.

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