Dylan Dog e as Criaturas da Noite – Crítica

Um aviso. Se você for fã de Dylan Dog, irá ODIAR este filme. Sem brincadeira, a película descaracteriza sobremaneira as inteligentes HQs do Detetive do Impossível num nível tal que irá irritar até mesmo o fã de mais boa vontade. Portanto, se você espera fidelidade, dê preferência para assistir o desconhecido Dellamorte Dellamore, que apesar de não ser uma adaptação oficial dos gibis, é mil vezes melhor que esta produção. Na verdade, a única maneira de curtir este filme no qual o magrinho Dylan se transforma no bombado Brandon Routh e um personagem chave como Groucho simplesmente desaparece, é imaginando que o roteiro apresenta um personagem completamente inédito, jamais publicado antes.

É sério, esqueça que se trata de uma adaptação e encare a película como uma boa sessão da tarde. Uma aventura descompromissada, que serve para diverti-lo por duas horas e depois ser esquecida. Se fizer assim, você poderá se surpreender e até gostar. Tendo isso em mente, vamos ao filme em si.

A história começa com Dylan Dog aposentado por um motivo obscuro (logo fica claro que foi um trauma ocorrido em um passado recente). Ele abandonou suas atividades sobrenaturais, renegou seu passado e vive hoje de investigar casos “comuns”, como relações extraconjugais e outras coisas que os detetives habitualmente fazem. Até que uma trama de assassinato o arrasta de volta para o mundo sobrenatural que ele tanto tentava esquecer.

A verdade é que o conflito não deixa a trama mais interessante; apesar de resistir por uns bons 15 minutos (o que deixa o personagem meio chato), Dylan logo se sente responsável por eventos que ocorrem no filme e volta a ativa, vestindo a tradicional roupa preta e vermelha e logo se vendo às voltas com zumbis, vampiros, lobisomens e outros monstros.

A trama tenta esconder alguns pontos cruciais, porém ela é rasa e desinteressante, e qualquer espectador com um mínimo de vivência saca o mistério logo de cara. O que resta são as cenas de ação (que não são poucas, ao contrário do que ocorre nas HQs, nas quais o herói é muito menos físico e muito mais inteligência e perspicácia).

Anita Briem, que faz o papel de Elizabeth, é uma gracinha, porém sua atuação é tosca (o que até contribuiu para um clima meio trash) e a postura da atriz entrega qual é a dela desde o começo. Peter Stormare (um bom ator ainda pouco reconhecido) até tenta, mas não convence no papel de Gabriel, porém, de longe o mais irritante é Sam Huntington como Marcus, o ajudante de Dylan que logo no começo morre e vira zumbi. A ideia na verdade é uma repaginada de uma trama paralela do bom filme Anjos Rebeldes, com o personagem deteriorando gradativamente.

Resta falar sobre Routh, um ator que é um caso raro em Hollywood: ele teve a chance de ver sua carreira explodir quando foi escolhido para ser o novo Superman no longa de 2006, porém deu com os burros na água e de lá para cá, viveu muito mais de participações em séries de TV do que de filmes para cinema efetivamente falando. Bem, ele está ok no papel. Não compromete, mas também não salva.

No final das contas, temos um filme divertido, que não bebe na fonte no qual foi baseado, com um bom ator sem carisma, uma atriz bonita mas desinteressante, um roteiro pífio e boas cenas de ação.

Videocast 61 – Zumbis (parte 2)

Olá a todos, sejam bem vindos a mais um videocast do Pipoca & Nanquim, com seus distintos apresentadores ainda sofrendo pelos efeitos do abuso da “marvada” pós-carnaval.

O tema hoje quem escolheu foi você, que votou em nossa enquete: “Qual programa merecia uma parte 2?”. O campeão foi Zumbis – o que veio bem a calhar já que estamos nos aproximando do mês de abril, que trará consigo o lançamento de Apocalipse Zumbi, o primeiro livro sobre o tema produzido no Brasil e escrito pelo seu pipoqueiro de plantão, Alexandre Callari.

Aproveitamos para falar um pouquinho sobre o livro – e se você quiser colaborar com o projeto antes mesmo dele ser lançado, basta clicar aqui – mas abordamos também outros livros que não foram falados no primeiro programa, como O Guia de Sobrevivência a Zumbis e Orgulho e Preconceito e Zumbis.

Nos quadrinhos lembramos com prazer de um dos melhores quadrinhos italianos da atualidade, Dylan Dog, e seu spin-off que já foi filmado em 1994, Dellamorte Dellamore.

Nós do Pipoca não escondemos nossa admiração pelo tema, então toca um monte de dicas legais como Doghouse, Legião do Mal, A Hora Negra e diversos outros. De quebra, o Bruno ensinará com sua classe de sempre como se deve dar uma cabeçada em um zumbi (imperdível). Um abraço a todos e até a próxima semana.