Scott Pilgrim Contra o Mundo – O Filme mais divertido do ano

Em praticamente todos os sites/blogs de entretenimento que se preze estão surgindo críticas (sempre positivas!) a respeito desse filme, por isso o que vou falar aqui não é nenhuma novidade, mas não podia deixar passar o momento e quem sabe lhes instigar ainda mais a assistir o filme MAIS divertido do ano!

Antes de o filme em si começar já temos uma referencia ao mundo dos videogames, quando o símbolo da Universal surge em gráficos e música remetendo aos clássicos videogames 8 bits (Nintendinho e MasterSystem lembram?).

A história é a mesma que vemos nos quadrinhos de Bryan Lee O´Malley, Scott Pilgrim (Michael Cera) é um adolescente que gosta de quadrinhos e jogar videogame, é baixista de uma banda de indie-rock, ainda pensa no último namoro fracassado e mora em Toronto, Canadá. No começo da história ele se envolve com Knives Chau, uma garota colegial mais nova que ele e ainda muito inexperiente, mas esse namorico só dura até Scott encontrar a garota dos seus sonhos, literalmente, Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead), mas para poder namorar a garota de cabelos coloridos, Scott Pilgrim terá que derrotar os sete super ex-namorados, em batalhas que lembram aqueles deliciosos jogos de luta, Street Fighter, Mortal Kombat e tal, e cada um desses “chefões” enfrentados representa uma fase vencida no console da vida do protagonista, que assim como o Mario, recebe moedas como bônus por superá-las e continuar na luta por sua Peach.

O filme dirigido por Edgar Wright (é meus amigos, o mesmo diretor de Todo Mundo Quase Morto – o melhor filme de comédia sobre zumbis – e Chumbo Grosso – Excelente!) é muito fiel aos quadrinhos, a escolha dos atores foi extremamente acertada, eles são muito parecidos e interpretam com o mesmo temperamento de seus respectivos desenhados a nanquim, Wright utiliza uma edição extremamente ágil, cortes temporais drásticos, onomatopéias pra tudo quanto é lado, a fotografia é excepcional e contribui para o climão de uma história em quadrinhos, quando as cenas externas remetem ao preto e branco nas ruas nevadas e extremamente coloridas nos ambientes internos e roupa dos personagens. Além de todos esses aspectos técnicos primorosos é muito bacana conferir a trilha sonora da película, onde as letras das músicas da HQ foram executadas pela banda Metric e transformadas em canções empolgantes e tomam vida ao vermos os acordes literalmente reverberando dos altos falantes e a notas pulandos dos instrumentos. (Ah ainda rola T. Rex e Rolling Stones!)

Assim como um dos maiores prazeres na leitura dessa HQ são as referencias à cultura pop em geral, o filme também não deixa isso para trás e explora muitas delas de maneira fabulosa, desde camisetas usadas pelo protagonista e diálogos sobre videogame até homenagens ao cinema Bollywood, o contra-baixo extremamente característico de Seinfeld e sua seqüência ao melhor estilo sitcom, sem contar as participações de alguns atores já conhecidos por filmes de super-heróis, Chris Evans (Tocha Humana e Capitão América) e Brandon Routh (Superman), esse faz o papel de um ex-namorado que possui superpoderes devido sua dieta vegan – engraçadíssima essa batalha.

Enfim, Scott Pilgrim (quadrinho e filme) é uma baita homenagem e fruto da cultura pop, que mostra conflitos adolescentes de uma maneira extremamente original e contagiante, que agrada quem gosta de quadrinhos, games, cinema e música, e é com um imenso prazer que escrevo esse meu primeiro post aqui no site do Pipoca e Nanquim, pois Scott Pilgrim celebra tudo o que abordaremos por aqui.

Em tempo: Infelizmente o filme foi lançado somente nos cinemas de São Paulo e em poucas salas, a decisão foi da Paramount Pictures devido ao fraco desempenho do filme nas bilheterias americanas, uma pena.

Em tempo (2): A Cia das Letras, editora que está publicando os quadrinhos aqui no Brasil, podia ter terminado a saga antes do filme estrear, ainda falta mais um número da série, que englobará as partes 5 e 6 da história original. Mas só dela estar trazendo a obra para nossas terras já merece uma salva de palmas, pois as edições estão bacanas e com ótima tradução de Érico Assis.