Minha Estante #55 – Pedro Oliveira

Senhoras e senhores, está na hora de conhecer mais uma belíssima coleção de quadrinhos!

Pedro Oliveira abriu as portas de seus armários e lá de dentro tirou as mais inacreditáveis raridades, basta uma rápida olhada nas fotos para comprovar que não estamos mentindo. Mas, não fique só vendo as fotos, leia também a entrevista, pois tenho certeza de que aprenderá muito sobre esse hobby que tanto apreciamos.

E não se esqueça, se você também tem uma baita coleção de HQs, escreva pra gente e vamos combinar de mostrar ela neste espaço.

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Olá, Pedro! Muito obrigado por topar participar desta entrevista.
Para começar nos conte um pouco sobre você, onde nasceu, mora, o que faz na vida profissional?

Olá, Daniel e leitores do Pipoca e Nanquim! Muito obrigado pela oportunidade de poder participar desta coluna que é um sucesso. Meu nome é Pedro José Rosa de Oliveira. Nasci em Anápolis, moro em Belo Horizonte e trabalho atualmente no Rio de Janeiro. Sou engenheiro de telecomunicações e consultor de sistemas celulares. Sou casado e pai de um casal de filhos.

Quando você começou a se interessar por quadrinhos?

Tive dois momentos. A primeira fase foi quando criança, antes mesmo de começar a ler, por volta dos cinco anos, vendo um primo ler quadrinhos. Lembro de folhear os gibis repetidas vezes, fascinado pelos desenhos. Depois que comecei a ler, aumentou ainda mais interesse pelos quadrinhos. Na infância não acumulei grandes quantidades de gibis, mas tive duas coleções que eram minhas favoritas: Heróis de TV (Marvel) e Disney Especial. Esta paixão foi até a adolescência, onde por volta dos 15 anos perdi o interesse nos quadrinhos (pode?). Em 1997 veio minha segunda fase quando li uma reportagem no jornal Estado de Minas sobre o lançamento da minissérie DC x Marvel. Isto me despertou uma curiosidade, pois, quando criança lia os gibis da Marvel e DC e queria que os heróis destas duas editoras se encontrassem. O único crossover que já tinha visto era o encontro do Homem Aranha e Superman, publicado pela editora Abril. Comprei e li esta minissérie, daí o gigante adormecido se despertou. Então saí à procura das coleções preferidas de minha infância, em especial a da Marvel. Fui comprando e completando coleções como Grandes Heróis Marvel, Heróis da TV, Capitão América, Homem Aranha, etc.

Você se lembra da primeira vez que se viu fascinado por uma HQ? Qual foi a história ou revista?

Sim, lembro bem. Tinha uns cinco anos e o que vi pela primeira vez foi Thor 16, da Bloch. Fiquei muito admirado e fascinado com a grandeza de Asgard e com aquelas vestimentas diferentes e marcantes desenhadas pelo grande Jack Kirby. Lembro também de ficar impressionado de ver o Adam Warlock dentro de um casulo nas histórias “Ele” e “Um deus em fúria” desta revista. Já se passaram 36 anos e ainda me lembro dos detalhes dos desenhos.

Quando aconteceu a mudança de leitor ocasional para colecionador inveterado?

Quando criança não era tão apegado e aficionado por quadrinhos. Lembro que lia duas ou três vezes um mesmo gibi e depois trocava por outro com colegas, e assim por diante. Quando voltei a ler quadrinhos em 1997, fui adquirindo aos poucos, mas tornei-me um colecionador inveterado há uns 13 anos.

Quantas HQs você têm?

Tenho aproximadamente 8200 HQs.

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Já se desfez de algum exemplar e hoje se arrepende muito?

Sim, já me desfiz dos Tio Patinhas #1 e #2 e me arrependo muito. Os exemplares estavam em ótimo estado de conservação e vejo que, a cada dia, estes gibis se valorizam mais e mais, ficando difícil de adquiri-los novamente.

Quais são os principais itens de sua coleção, séries e minisséries completas, encadernados de luxo, edições raras e tal?

Como disse, voltei a colecionar quadrinhos com a intenção de ter o que li quando criança, em especial Heróis da TV e Capitão América. Com isso acabei completando tudo da Marvel editado pela Abril. Em seguida, consegui obter gibis da Marvel publicados por outras editoras. Hoje tenho todos os quadrinhos de super-heróis da Marvel produzidos no Brasil, iniciando pelos números zeros da Ebal, em 1967, passando por raridades de editoras menores como GEP, Roval, Gorrion, Paladino, M&C, GEA e Trieste. Além destes, tenho todos os gibis Marvel da Bloch, RGE, Abril, Globo e Panini. A exceção é a partir de 2007, quando parei de comprar quadrinhos da Panini, devido à falta de espaço e queda de qualidade das histórias. Hoje compro edições especiais e alguns números avulsos que julgo interessantes.

Coleciono também revistas com material da Marvel que não são super-heróis como terror, histórias de amor e humor, infantis (Star Comics) e outras que foram publicadas por diversas editoras como Roval, Gorrion, Trieste, Abril, RGE, Bloch, Globo, entre outras.

Da DC tenho várias minisséries e números 1 da Abril e Ebal, incluindo muitos almanaques.

Minha coleção da Disney é composta por Disney Especial (1 a 100 e depois números salteados), números baixos de Tio Patinhas e de alguns Mickey, Almanaque Disney, a coleção de Edições Extra e edições especiais. De mais recente tenho a excelente coleção de Carl Barks, Mestres Disney e outros.

Também tenho todos os títulos e quase todos os números editados pela Bloch, GEP e M&C.

Da linha infantil, possuo material da Hanna Barbera (como a coleção Heróis da TV e Almanaques Heróis da TV, da Cruzeiro), Diversões Juvenis completa (incluindo todas as edições especiais), primeiros números de Mônica e Cebolinha, e personagens infantis publicados pela Vecchi.

Coleciono material nacional publicado pelas editoras La Selva, Taika, Continental, Outubro, Edrel, GEP e Livreiro.

Entre as raridades, possuo vários números de Gibi tri-semanal, Gibi Mensal, Gibi especiais de Natal, Guri, O Globo Juvenil, Álbuns do Globo Juvenil, Shazam!, Biriba, Correio Universal, Álbuns da Gazetinha, Lobinho, Suplementos Juvenis da década de 30,  Júnior (com as primeiras histórias de Tex), Bidu e Capitão 7, da Continental.

De mais atual e que considero raridade, destaco a coleção completa do Ken Parker da Tapejara.

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Qual o item mais raro de todos?

É difícil escolher o mais raro de todos. Foi citar alguns que considero grandes raridades: Os dois álbuns do Fantasma Voador, do Correio Universal, Almanaque do Lobinho de 1942, Gibi Mensal #168 de 1940 (com primeira aparição do Tocha Humana no Brasil), Guri #63 (com primeira aparição do Capitão América no Brasil), Álbum da Gazetinha #1 (com primeira história completa do Superman), Suplemento Juvenil de 1938 com Aventuras do Elefante Bolinha e Proezas do Pato Donald, dois álbuns do Globo Juvenil com Superman, Flash Gordon, de 1936, Gibi tri-semanal #4 de 1939, seis números de Detective com histórias do Capitão América de 1944, Batman #1 de 1953, Festival Disney de 1954, Almanaque dos Heróis de 1948, Coleção Pernalonga #1, da Ebal, de 1951 com a capa em formato de envelope (onde nunca o vi catalogado em nenhum lugar). Para finalizar as raridades, tenho uma edição interessante que, segundo alguns colecionadores e o próprio editor, existem menos que 10 exemplares no mundo. Trata-se de Histórias do Faroeste #22 (com 1ª aventura de Tex), editada em setembro de 1981 pela Vecchi. Esta edição não foi à bancas devido receio da Vecchi em ter problemas com Sérgio Bonelli em publicar histórias de Tex que não fossem em revista própria.

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E qual foi a maior raridade que já comprou pelo menor preço?

Em 2000, comprei um grande lote de edições da Ebal com super-heróis da Marvel (Super-X, Capitão Z, Homem Aranha, Álbum Gigante, Demolidor, Quarteto Fantástico, A Maior) e da Bloch (todos Marvel), aproximadamente uns 500 gibis, por R$ 0,25 cada. Era de um colecionador que estava se desfazendo de sua coleção.

Você compra HQ importadas?

Hoje não, mas já comprei alguns da Marvel, principalmente daqueles que não saíram no Brasil. Sou fã do Capitão Marvel (Marvell) e saíram poucas histórias dele aqui no Brasil (primeiros números de Heróis da TV). Então consegui comprar, aos poucos, toda a publicação deste herói lançada nos USA. Tenho também alguns Essentials de terror. Outros quadrinhos importados que tenho são de países que já visitei, com destaque para os quadrinhos indianos com histórias de alguns deuses hindus.  Tenho umas 300 HQs importadas.

Onde costuma comprá-las?

Comprei todas as americanas pelo eBay.

Como você guarda sua coleção de HQs? E qual técnica usa para conservá-los?

Guardo todas em um grande armário que foi feito especialmente para armazená-las, como podem ver pelas fotos. Todos meus gibis ficam em sacos plásticos, sem exceção. Costumo agrupar os formatinhos em 10 edições para cada saco plástico. Já as mais valiosas, além de ficar uma só em um saco plástico, ficam com papelão para proteção. Infelizmente por falta de espaço, coloco uma sobre as outras. De tempo em tempo mexo nas pilhas de gibis para verificar como estão e evitar surpresas desagradáveis.

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Todo colecionador tem manias, seja na um ritual para leitura, uma bela cheirada na revista nova ou nunca se desfazer de nada, qual é a sua?

O cheiro do papel e tinta é marcante para qualquer apreciador de quadrinhos. Ainda gosto de sentir o cheiro de um quadrinho quando compro, mas lembro-me que o cheiro das revistas da editora Abril do início da década de 80 eram os melhores, principalmente dos quadrinhos Disney Especial, que tinham muitas páginas.

Hoje me desfaço somente do que tenho repetido, aliás, devo ter uns 300 quadrinhos repetidos. Isto devido ao que acho ser uma mania: sempre querer substituir os exemplares que tenho em médio ou mal estado de conservação por exemplares em excelente estado.

Além de quadrinhos você também coleciona outros itens?

Sim, coleciono outros itens, mas todos relacionados a quadrinhos. Coleciono brindes que vinham nos quadrinhos como pôsteres, moedas, adesivos, etc.

Tenho todas as moedas da Disney que foram lançadas pela editora Abril. Tenho também duas moedas dos Trapalhões e a do Fantasma. Falta-me conseguir o medalhão do Tor que veio em Heróis da TV 17 (HB).

Já os pôsteres que eram brindes de certos gibis, tenho quase todos. Tenho todos que vieram nos Almanaques da Ebal de 1969, todos dos super-heróis da Bloch, todos que vieram em Kripta, os dois pôsteres do Tex e alguns dos primeiros números de personagens infantis da Vecchi. Dos pôsteres mais procurados e difíceis, lançados pela editora Abril na década de 70, faltam-me um de Diversões Juvenis, um da Turma da Mônica e dois de Edições Extra da Disney.

Tenho também quase completa a coleção de miniaturas da Disney da promoção da Coca-cola do início da década de 80.

Outra pequena coleção que tenho é de álbum de figurinhas. Tenho os álbuns completos de personagens da Marvel lançados no Brasil (falta-me somente o do Hulk de 1980). Entre estes, se destacam o primeiro álbum de heróis da Marvel, que foi lançado pela editora Dimensão em 1978, o álbum de figurinhas de heróis da Marvel e DC de Ping Pong de 1979, os 3 álbuns de figurinhas da Marvel que saíram nas revistas da editora Abril na década de 80, que além de tê-los completos, tenho também os gibis com as figurinhas encartadas.

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Tem algum item que quer muito ter, mas está praticamente impossível de encontrar?

Um grande defeito dos colecionadores é sempre querer mais. Como tenho tudo da Marvel que foi editado no Brasil, passei a procurar por raridades. Entre estas, o que procuro e considero difícil de encontrar (e também muito caro) são: Almanaque do Lobinho 1949, Gibi Mensal 1, Gibi Mensal de 1940 número 142 (com primeira aparição de Namor), Lobinho 7, os números de Bidu que me faltam e os primeiros números de Mickey e Pato Donald.

Com relação a minhas coleções que não são quadrinhos, o que penso que seja difícil de conseguir são todas as tampas Delícia (com heróis da DC) e Doriana (com heróis da Marvel). Outra coleção que não tenho e procuro é a de chaveiros que foram brindes de revistas da editora Abril em 1985.

Qual foi sua última leitura e qual está sendo a atual?

Infelizmente o que me falta  é tempo para ler meus gibis. Minha última leitura foi a coleção Star Wars, da editora On Line. O que estou lendo atualmente não é HQ, mas um livro sobre quadrinhos: Shazam!, do Álvaro de Moya. Minha próxima leitura será Stan Lee: O Reinventor dos Super-Heróis, do amigo Roberto Guedes.

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Se tivesse que escolher 10 itens de qualquer uma das suas coleções para levar para a Fortaleza da Solidão, quais seriam?

Que pergunta difícil! Vou tentar responder:

1) Heróis da TV 1 a 16 (não dá para escolher somente uma);
2) Coleção Heróis da TV (Hanna Barbera) (também não da para escolher somente uma);
3) Coleção Edições GEP (todos os 23 números);
4) Gibi Mensal 168, de 1940;
5) Guri 63;
6) O Fantasma Voador, do Correio Universal;
7) Almanaque do Lobinho, de 1942;
8) Batman 1, de 1953;
9) Suplemento Juvenil com: Aventuras do Elefante Bolinha e Proezas do Pato Donald;
10) Álbum da Gazetinha 1;

Ufa!!!

Obrigado pelo papo, Pedro! Para finalizar, deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

A leitura, de qualquer forma que seja, é muito importante a qualquer pessoa, principalmente para crianças em fase de alfabetização. Minha filha tem sete anos e desde os cinco (quando começou a ler) já devora os quadrinhos, principalmente da Turma da Mônica.

E por fim, caros colecionadores, não é fácil ser um colecionador, pois como diz um amigo meu: “para ser um grande colecionador você precisa de 3 coisas: tempo (para procurar o que lhe falta), dinheiro e espaço físico”. Mas com paciência e perseverança, vocês encontrarão o que procura na hora certa.

Pipoca e Nanquim, mais uma vez obrigado pelo bate-papo e o espaço cedido para expor um pouco de minha coleção.

Um abraço a todos.

flash_gordon naciona_parte3 nacional_parte1 nacional_parte2 IFpernalonga_ebal raridades_conan raridades_parte15 IF

martha-holmes-actress-buff-cobb-reading-comic-books-at-homeMinha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros fãs e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

Videocast 150 – Se não leu, leia! #05

Olá a todos,

Sejam bem-vindos a mais um videocast do Pipoca e Nanquim. Este é um programa de grandes celebrações por diversos motivos. É o último programa do ano. Estamos atingindo o marco de 150 edições!! Bruno Zago vendeu toda a sua coleção de calcinhas para a Elke Maravilha. E o PN fechou contrato exclusivo com a Globo… Quer dizer, estes últimos são mentiras, a Globo não quer saber de nós e o Bruno prefere vender seus quadrinhos a se desfazer das calcinhas; mas todo o resto é verdade. E devemos nosso sucesso e longevidade a vocês, amigos e companheiros desta jornada incrível que tem sido ajudar a reavivar a chama das HQs no Brasil.

Curta então mais um episódio da nossa série Se não leu, leia!, em que indicamos e comentamos os lançamentos mais legais!

Um grande abraço a todos e até o ano que vem, voltamos dia 11/01 (afinal, merecemos uma folga de uma semana). Feliz Ano Novo!!!

COMENTADO NESSE VIDEOCAST

– Perdeu nosso episódio extra nessa última segunda-feira? Assista agora: Videocast 149 – Especial de Natal na Comix
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QUADRINHOS E LIVROS COMENTADOS

Rurouni Kenshin #01 (JBC)
Sweet Tooth: Depois do Apocalipse – Saindo da Mata – Volume 1 (Panini)
O Inescrito – Volume 1 (Panini)
Escola de Animais (Balão Editorial)
Como na Quinta Série (Balão Editorial)
Graficômetro Ilustrado (Independente)
Face Oculta #01 (Panini)
Barba Ensopada de Sangue (Cia. das Letras)
Dong Xoai – Vietnã 1965 (New Pop)
Savage Dragon – Unidos (Mythos)
Conan – A Filha do Gigante de Gelo / À Merce dos Hiperboreos (Mythos)
Vertigo Crime – A Rica Indecente (New Pop)
Vertigo Crime – Calafrio (New Pop)
Vertigo Crime – O Executor (New Pop)
Ultimate Marvel #29 em diante (Panini)
Grandes Heróis Marvel #15-17 (Panini)
Marvel + Aventura #04 e 06 (Panini)
Tartarugas Ninja #01-04 (Panini)
A Arte Cartum de Mike Deodato Jr. (Kalaco)

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The Adventures of Conan: A Sword and Sorcery Spectacular

O sucesso do primeiro filme com Arnold Schwarzenegger alavancou na década de 1980 o que ficou conhecido posteriormente como ConanMania. A febre em torno do cimério se espalhou por países da Europa, América do Sul, Ásia (principalmente Japão, e claro, Estados Unidos.

Foram milhares de produtos relacionados ao bárbaro e a Universal Studios achou que poderia fazer um bom dinheiro com um show temático em seu parque. Assim, com o orçamento portentoso de cinco milhões de dólares, muito efeitos especiais e um alarde enorme, eles lançaram The Adventures of Conan, com o subtítulo A Sword and Sorcery Spectacular. A peça foi uma das iniciativas para celebrar os 20 anos de Tour nos Estúdios da Universal.

A peça tinha vinte minutos de duração e foi livremente baseada na história do filme. O palco foi preparado para se parecer com a Montanha da Perdição de Thulsa Doom. O par romântico de Conan foi substituído e Valéria cedeu lugar a Red Sonja, que na época estava fazendo relativo sucesso com suas HQs.

A história é simplesmente medonha, e envolve um mago e a tentativa de roubar seus tesouros. Uma confusão libera na terra um antigo demônio que parece invencível e só poderá ser detido por um homem: Conan, o Bárbaro. Incrivelmente, Conan não está presente na história desde o começo. O templo é invadido por Red Sonja e um jovem magrelo e só no meio da peça, após a libertação do demônio, é que esse jovem apanha uma espada mágica e ela o transforma no maior guerreiro de todos os tempos! O defeito especial é particularmente tosco, quando o rapaz é envolto por uma nuvem de gelo seco e desaparece, dando lugar a um ator forte e musculoso.

A peça estreou no Castle Theatre (local que já apresentou diversas montagens, incluindo Castle Dracula e Spiderman Rocks) em junho de 1983 e foi um grande sucesso, sendo encenada por mais de dez anos, até maio de 1994, quando foi substituída por Cinemystique: Illusions of the Night (que não durou muito) e depois por Beetlejuice Graveyard Revue.

A peça foi produzida pela empresa Landmark Entertainment, que preparou um espetáculo com lasers e personagens animatrônicos gigantescos, controlados por computador. Apesar do esmero visual, é uma pena que a história não ajudasse. O elenco era composto por oito pessoas. Como o cast era rotativo, não há nomes divulgados sobre quem foram os atores que interpretaram os personagens. O ponto mais sensacional de tudo é que o músico Basil Poledouris, responsável pela trilha sonora dos dois longas-metragens originais do cimério, também criou a trilha para esta peça – que é sensacional. O raríssimo CD com a trilha está disponível hoje somente através do selo Super Tracks e contém duas músicas:

  1. The Adventure Of Conan (8:03)
  2. Sword And Sorcery Spectacular (16:32)

Videocast 124 – Grandes Sagas e Reboots

Olá a todos,

Sejam bem-vindos a mais uma sensacionalíssima edição do videocast mais legal da internet sobre Cinema e HQs. E já que estamos celebrando o sucesso que vem sendo Os Novos 52 (que recentemente estrearam no Brasil), decidimos falar sobre grandes sagas e reformulações. Para os leitores recentes, saibam que a iniciativa da DC não é novidade – e atualizações são feitas de tempos em tempos, para manter os personagens antenados ao momento que o mundo vive. E para os leitores antigos, sim, alguém está MACULANDO seus personagens. Pô, mas isso não é ruim, certo? Pelo menos não 100% ruim. Então, nós do PN resolvemos lembrar grandes sagas do passado, discutir a necessidade delas e o que pode resultar de bom (e de ruim) das iniciativas e, é claro, esperamos os sempre geniais comentários de nossos leitores. A discussão está aberta!!!

Até a semana que vem.

COMENTADO NESSE VIDEOCAST

– Site da revista Graffiti 76% Quadrinhos.
– Compre quadrinhos na Comix.
– Livro Os Deuses de Marte, da Editora Aleph.
Podcast do Pipoca e Nanquim. Sério que você ainda não conhece? 

QUADRINHOS E LIVROS COMENTADOS 

Guerras Secretas (Panini)
Marvel DeLuxe – Guerra Civil (Panini)
Os Novos 52 (Panini)
Jonah Hex #01-06 (Panini)
Ponto de Ignição #01-05 (Panini)
Invasão Secreta #01-08 (Panini)
Marvel Apresenta – Nova (Panini)
Hellboy (Mythos)
Graffiti 76% Quadrinhos (Graffiti)
A Rua de Lá (Graffiti)
Os Deuses de Marte (Aleph) 

124 – Grandes Sagas e Reboots (Pipoca e Nanquim) por pipocaenanquim no Videolog.tv.


Contos de Conan – Khorusun

ATENÇÃO – Esta história se passa cronologicamente antes de A Terra das Caveiras.

Khorusun

(por Fernando Neeser de Aragão)

Uivos de lobos e um grito de mulher chamam a atenção de um cimério de cabeleira negra e olhos azuis, fazendo-o acelerar o ritmo de seu cavalo e avistar uma espadachim morena, meio agachada em posição defensiva, com três lobos vivos e furiosos diante dela, e um caído ao chão, com a garganta cortada – indubitavelmente pelo ensangüentado sabre daquela bela mulher, de roupas sumárias e porte guerreiro.

O barulho dos cascos do cavalo de Conan, aliado a seu grito-de-guerra cimério, assusta um dos lobos – o qual foge – e faz o segundo investir contra aquele cavaleiro barulhento, apenas para ter o crânio partido em dois pela enorme espada cherkess, habilmente manejada pelo bárbaro.

O terceiro lobo investe contra a ágil espadachim, mas seu uivo morre quando o sabre da morena atravessa-lhe a boca, até projetar-se pela parte posterior do pescoço peludo. Enquanto isso, o cimério cavalga até ela e desce do cavalo. A bela garota de olhos amendoados, em sumários trajes de seda, agradece a Conan, e este lhe pergunta o nome.

– Isuke, filha de…

No momento seguinte, o cimério é cercado por guerreiros a cavalo, os quais lhe apontam flechas. Conan segura firmemente a espada, sem temer os arqueiros e pronto para lutar até a morte, mas antes que aqueles estranhos homens façam algo, a jovem se põe à frente do cimério.

– Não façam mal a ele! – ela diz, embainhando a própria espada – Ele me salvou a vida. Deixem que ele nos siga se quiser.

Curioso com relação àquela gente, Conan resolve segui-los.

****

São os primeiros hirkanianos que Conan encontra. Descendentes dos lemurianos – como mencionado ao cimério, dois anos antes por Yag-Kosha –, o povo da Hirkânia é, em geral, alto e esguio, todos de pele morena e cabelos e olhos negros. Aqueles hirkanianos em particular são miscigenados com uma raça aborígine, de baixa estatura e olhos puxados, que vive nas montanhas a leste do Vilayet. Tal miscigenação dá àqueles arqueiros olhos amendoados e estatura mediana. Eles vivem em tendas ou cabanas circulares, e bebem aguardente de leite de égua.

Apenas os hirkanianos de Khorusun e do litoral oeste do Mar de Vilayet – no qual se ergue o poderoso reino de Turan – vivem em cidades. Os distantes turanianos, a oeste, são quase todos altos e de olhos grandes (e Conan até já vira uma ou duas mulheres daquele povo, acorrentadas nas masmorras da Hiperbórea), enquanto em Khorusun, o povo é tão miscigenado quanto o das tendas. Todos vestem seda colorida, ou lã ou pele de arminho – embora predomine a seda –; os soldados usam armaduras e lâminas de aço, com elmos de ouro; e o mesmo é dito dos hirkanianos de Khorusun, a cidade à qual o povo das tendas pretende tomar.

Todas as tendas possuem estrutura de madeira, e tetos ligeiramente abobados. Cobertas por feltro ou lã, geralmente brancos, todas as estruturas são de fácil montagem, fornecendo boa proteção contra o calor e o frio.

A principal diversão das crianças daqueles hirkanianos é acompanhar os pais nas caçadas e, principalmente, o treino de esgrima – como entre as crianças cimérias – e o tiro ao alvo, com seus arcos de madeira.

Diversas famílias nômades a cavalo, com todos os seus pertences – inclusive as tendas – carregados em camelos, conduzem rebanhos de carneiros e cabras. Além da pecuária, a caça e a coleta também lhes servem como fonte de alimentação.

 – Muito bem, o que um homem de aparência ocidental faz nestas terras? – pergunta subitamente um homem forte, cerca de uma cabeça mais alto que os demais membros daquela tribo, e usando um khalat de franjas de arminho a lhe cobrir a cota-de-malha no tronco musculoso; um chapéu hirkaniano de pele, com copa alta, sobre a cabeça; botas com solas de prata; uma cimitarra, numa bainha de couro trabalhada a ouro, lhe pendendo do quadril esquerdo, e facas embainhadas em seu cinto. Trata-se do líder que, apesar de grato por Conan lhe ter salvado a vida da filha, é um homem desconfiado com estranhos.

– Sou um mercenário, e estou disposto a ajudá-los com uma espada aliada.

– E… qual o seu interesse nisto, estrangeiro? – retruca o chefe daquela confederação.

– Dinheiro… ou então, uma parte do espólio do inimigo ao qual atacarem.

O chefe o encara, pensativo, por alguns momentos, e então fala:

– Uma lâmina a mais é sempre bem-vinda… desde que você nos prove o seu valor. Se o forasteiro passar em dois testes, será aceito como um de nós. Se não… isto pouco lhe importará, pois estará morto.

 

No minuto seguinte, o cimério é levado a um cercado, para enfrentar “um dos maiores guerreiros locais” – na verdade, um espião khorusuniano capturado por aqueles hirkanianos das estepes. O prisioneiro investe contra Conan, tentando decepá-lo com a cimitarra, mas o bárbaro ocidental se esquiva e o derruba ao solo empoeirado, cravando-lhe o sabre no ventre no segundo seguinte. A lâmina penetra na altura do umbigo, rasgando a couraça do inimigo para expor seus intestinos, tão violento tinha sido o golpe.  O khorusuniano rola para trás, ainda vivo e urrando de raiva enquanto Conan salta para a frente; tirando a espada de sua barriga, ele a brande e decepa sua cabeça.

O teste seguinte é o de cavalgar num caminho ladeado por vários arqueiros e se esquivar das flechas atiradas pelos mesmos. Para quem se esquivou de flechas incendiárias a pé nos muros de Venarium e a cavalo nas cidades coríntias, aquilo não passa de uma brincadeira de criança. Curvando-se para a frente e para trás, sobre a sela do cavalo, o jovem cimério passa no teste, e é finalmente aceito por aqueles hirkanianos mestiços.

Todos os presentes o aclamam, juntamente com Bleda – o líder daqueles nômades. Entretanto, há uma jovem que observa aquele cimério alto, de pele morena e olhos azuis, com um olhar e um sorriso que indicam muito mais do que admiração pela habilidade guerreira do forasteiro: é a bela Isuke, filha de Bleda, e cuja vida fora salva por Conan há poucas horas.

 ****

 Acolhido na enorme tenda de Bleda – o qual agora confia no cimério –, Conan é aquecido do frio da noite das estepes – não muito diferente do de sua Ciméria natal – numa lareira, e apresentado à esposa do líder da coalizão. Diferente da mãe – a qual usa um longo vestido de fina lã azul, com beiradas vermelho-claras –, a arqueira Isuke veste uma camisa de lã branca sem mangas, e um par de calças de seda cor de rosa.

Logo, o cimério, o líder e a filha deste são servidos com chá e pão. Enquanto o bárbaro come e conversa com Bleda, a esposa deste apanha um enorme pedaço de carne de carneiro crua, que está pendurada na parede. Logo, vem o aroma de carneiro cozido. Após o jantar, uma tigela de aguardente de leite de égua é bebida por todos, e uma hora depois, todos adormecem nos três aposentos daquela tenda: o de Bleda e sua esposa Shria; o da filha Isuke, e o dos hóspedes, para o qual o recém-chegado Conan fora conduzido. Durante a conversa, o cimério havia sido informado por Bleda que este pretende unir o máximo possível de hirkanianos para atacar e destruir Khorusun, onde ondula a bandeira do Lobo Branco, da imperialista Turan, para depois poderem criar seu próprio império, nas estepes a leste do Mar de Vilayet.

Sob o governo do rei Yildiz, a expansão imperial de Turan – com quem os hirkanianos mantinham um próspero comércio – para leste destruiu tribos amigas e aliadas da de Bleda. Por vingança e autopreservação, o líder teve a idéia de criar uma coalizão tribal, a fim de conquistar Khorusun e desarticular o poder turaniano.

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 É um ruído suave que desperta Conan de madrugada. Totalmente desperto e alerta, o cimério vê, na penumbra, uma silhueta feminina, esguia e morena se aproximar dele. Então, o jovem ocidental relaxa e sorri, ao perceber que se trata da bela Isuke, a qual tira o vestido de dormir e beija Conan. Este percebe que o busto da garota, apesar de não ser grande, é flácido.

Mas aquilo não o incomoda, vez que a garota tem o corpo firme, esguio e curvilíneo de uma guerreira. Contudo, à medida que Isuke se debruça sobre o bárbaro que se despe, este percebe que o balanço daquelas grandes auréolas escuras lhe é tão excitante quanto os da yezudita Jaelle, a quem conhecera na agora distante cidade zamoriana dos ladrões.

Após ambos se despirem completamente, a princesa hirkaniana monta sobre o cimério, esfregando e espetando-lhe o membro com o uso da própria negra mata pubiana, arrancando-lhe suspiros. Enquanto ofega, o bárbaro vê Isuke aproximar o busto – cujos seios médios balançam alternadamente, um para frente e outro para trás – de seu rosto moreno e cicatrizado.

Aquele balanço faz o cimério sugar as mamas da jovem filha de Bleda, enquanto esta, completamente excitada, se deixa adentrar por Conan e crispa, minutos depois, as unhas sobre as coxas do cimério, sentindo o êxtase do prazer e do desejo, enquanto o bárbaro do Norte adentra-a fortemente, sem parar, um minuto sequer, de sugar os seios trêmulos da morena. Quando esta sente que o bárbaro vai ter um orgasmo, ela põe imediatamente o falo do cimério na boca, onde Conan ejacula em grande quantidade. Sorrindo para o bárbaro ocidental, Isuke engole todo o sêmen do mesmo.

Notando certa perplexidade no olhar do cimério, ela responde ter feito aquilo para que os pais dela não vissem qualquer “mancha suspeita” na cama de lã e seda, onde Conan se deita. Este, por sua vez, nunca tinha visto – nem mesmo na sua breve estadia em Zamora – mulher alguma lhe fazer isso e, extasiado de desejo com o fato de uma mulher lhe ter engolido o esperma, puxa Isuke para o leito, onde lhe suga novamente os seios, até ambos explodirem num novo orgasmo, motivado desta vez por uma felação recíproca, após a qual Isuke engole novamente o sêmen do cimério.

– Amanhã, falarei com meu pai para que você seja treinado no manejo do arco, estrangeiro. – sussurra Isuke, pouco antes de voltar silenciosamente ao quarto.

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Assim é feito. No dia seguinte, o cimério recebe, daqueles hirkanianos, o treinamento que não pôde ter com os aesires devido àquele inesperado ataque de hiperbóreos, há três anos. Ele nota que, embora tão velozes quanto as setas dos arqueiros bossonianos de Venarium, as flechas hirkanianas são lentas em comparação às daqueles guerreiros bárbaros de cabelos dourados, os quais haviam sido seus primeiros aliados não-cimérios. Após aprender a atirar a pé e parado, Conan começa a aprender a atirar a cavalo.

Os jovens se exercitam nos campos em grandes grupos. A cada galope, puxa-se a corda do arco, não até o queixo, mas diretamente ao longo da linha do braço estendido, trazendo a flecha ao peito, sede das emoções, e deixando que o instinto escolha o momento de soltá-la. Nas trombetas são tocados sinais. Um toque longo e grave significa a retirada. Dois toques longos e agudos significam dar meia-volta a pleno galope e atirar. Após longo treino, Conan já está quase dominado esta última manobra. Os hirkanianos praticavam-na desde a infância: quando os cavalos estão galopando tão depressa a ponto de parecerem flutuar no ar, os cavaleiros giram o tórax para trás e, inclinados para a frente, disparam a flecha para trás e para longe. Pouco depois, o cimério já consegue atirar flechas a pleno galope, mas apenas para frente.

Há, também, treinos para luta corpo-a-corpo, e exercícios como carregar pesos declives acima, bem como a prática de flexões, deitados de bruços no chão, a fim de fortalecerem os tríceps – músculos cuja força é importante para o manuseio das cimitarras. O cimério participa de todos os exercícios dos treinos, e pouco tempo depois, já consegue dominar a técnica de atirar para trás durante as cavalgadas.

A cada dia, novas tribos hirkanianas, vindas do leste, se unem àquela admirável coalizão das estepes: os Megujins, os Mungliks, os Lobos das Estepes e muitas outras. Nisso, o líder da coalizão chama Conan para realizar uma missão para eles.

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 O dia já havia amanhecido há algum tempo quando Conan da Ciméria chega ao topo da estrada que leva a Khorusun. As nuvens pesadas dissipam-se em fiapos escuros, dando lugar a um sol tímido que aos poucos desperta e lança seus poderosos raios sobre a planície e a cidade hirkaniana.

Khorusun, vista do alto, é um intrincado labirinto, um indecifrável emaranhado de antigas e tortuosas ruas que serpenteiam em volta de prédios, fontes e pequenos templos. Conan, do alto da estrada que desce para a cidade, vê os transeuntes apressados espalhando-se por todas as direções, no início de suas atividades citadinas que o cimério tanto despreza.

Os olhos azuis de Conan são estreitados pelas pálpebras, e as grossas e negras sobrancelhas arqueiam-se quando o cimério fixa o olhar no ponto mais distante e encontra o colossal templo de Tarim, o deus dos hirkanianos.

Olhando para o oeste, Conan avista o palácio de Khorusun, o coração da cidade, com o sol da manhã agora resplandecendo nas abóbadas douradas e de onde o rei – cujo nome, segundo Bleda, é Altan, o qual, como todos os reis das cidades turanianas, só obedece ao rei Yildiz, governante da capital Aghrapur – governa aquela cidade. As enormes colunas, que são as torres a flanquearem a edificação, parecem punhos cerrados que desafiam os céus num gesto de imponência e força. Nas laterais do palácio, há algumas esculturas de leões com cabeças humanas, semelhantes às das cidades do Iranistão, das quais o cimério ouvia falar desde quando chegou a Zamora.

No lado norte da cidade, um sinuoso rio desenha caminhos caudalosos através da cidade. Pode-se perceber as furiosas e espumantes torrentes daquele fundo e cheio rio, alimentadas pelas recentes chuvas, carregando sedimentos e entulhos numa velocidade alucinante até desembocarem na ampla bacia ao sul. O rio, Conan sabe, ainda percorreria alguns quilômetros até virar a oeste e desaguar no Vilayet, o grande mar interior dominado por Turan.

Com aparente desânimo, Conan desce a estrada enlameada e puxa o capuz de sua capa para ocultar suas feições estrangeiras e, quando chega diante dos portões de Khorusun, sente um leve arrepio ao avistar as duas enormes estátuas de lobos, em granito branco, que simbolizam o poderio turaniano.

Ele adentra a cidade sobre seu cansado cavalo, enquanto os atentos olhos azuis volteam sob o capuz, observando todos os detalhes possíveis e os pontos de fuga caso necessário.

Como espião dos arqueiros hirkanianos em Khorusun, Conan fica perambulando pelas ruas por algum tempo, até que em um dos mercados apinhados de gente, ele vê um orangotango de olhos tristes aprisionado numa jaula, e sente a mesma revolta que lhe tomara conta na Torre do Elefante, na qual um mago zamoriano usava um ser de outro planeta como escravo. Ao mesmo tempo, o cimério acha idiota e detestável o costume das mulheres daquela cidade esconder a beleza sob véus.

Mais detestável ainda para Conan é ver, nos fartos mercados de escravos da cidade, mulheres de vários países sendo vendidas por apenas três pequenas moedas de prata cada uma – loiras britunianas, morenas stígias, zamorianas de cabelos escuros, kushitas cor de ébano e shemitas cor de oliva. Os hirkanianos não são menos escravistas que os hiborianos que Conan conheceu, da Hiperbórea a Koth, e da Britúnia à Aquilônia. O cimério também se surpreende ao perceber que, apesar da desigualdade social local – inexistente entre os hirkanianos das tendas, e entre quaisquer povos bárbaros –, todos naquela cidade vestem seda – desde os membros das classes superiores até os mais pobres.

Em Khorusun, apenas a elite se constitui de hirkanianos não-miscigenados, com olhos grandes, pele morena, corpo esguio e estatura elevada, tendo a população daquela cidade o mesmo aspecto físico dos hirkanianos que vivem a leste e aos quais o cimério se aliou. Somente nas cidades turanianas a oeste do Mar de Vilayet, os hirkanianos – ou turanianos – são todos altos, morenos, magros e de olhos grandes.

Súbito, gritos arrogantes chamam a atenção das mulheres veladas e homens esfarrapados que caminham por um dos mercados.

– Abram caminho, porcos! – brada um altivo cavaleiro, com elmo de ouro e armadura de aço, a vestir calças, manto e turbante de seda – Deixem os superiores passarem!

“Superiores?”, pensa o disfarçado cimério, “Ah, esses malditos cães turanianos merecem uma boa lição, antes da invasão que virá”. Puxando discretamente sua faca, Conan corta de um só golpe as rédeas do cavalo, deixando-o desgovernado. Ciente de que, em poucos minutos, a população vai se revoltar contra o cavalo sem freio e seu arrogante montador, o cimério segue em sentido oposto, até sair da cidade.

 

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O sol acaba de nascer sobre os baixos morros a leste do rio que passa pelo acampamento, quando Conan e Bleda cavalgam juntos, conversando sobre a possibilidade do cimério se tornar vizir de Khorusun. As preciosas informações sobre a cidade, dadas pelo bárbaro de olhos azuis ao líder hirkaniano o empolgaram a ponto deste chegar a pensar em fazer de Conan seu genro!

– Lorde Bleda – diz Conan ao chefe da coalizão tribal hirkaniana –, o que pensa da idéia de expormos Khurusun a um cerco, vencendo-os primeiramente pela fome, ao invés de partirmos para um ataque frontal? – O cimério diz isso, baseado nas táticas de assédio a cidades hiborianas, criadas após o fracasso em se tomar Yaralet de forma tão direta, um ano antes – Assim, será mais fácil tomarmos a cidade e construirmos um império paralelo ao turaniano.

– Escute aqui, fedelho do norte! – explode o chefe Bleda – Eu te nomeei capitão e espião para seguir as minhas ordens, não para dar palpite sobre…

– Escute aqui, você!… – Conan começa a dizer, mas é interrompido quando uma figura esguia e ágil cavalga sorridente entre ele e Bleda. É a bela Isuke, tão encouraçada quanto todos ali, embora use uma armadura um pouco menor, por não ser corpulenta como a maioria dos hirkanianos mestiços daquela região.

– Tenham calma, por favor… Estamos aliados contra um inimigo comum, um inimigo imperial. Não conseguiremos nada, brigando uns contra os outros.

Ambos param a recém-iniciada discussão; Bleda, por causa do amor paterno a Isuke, e Conan, devido à atração que sente pela filha do chefe – além, é claro, das noites já passadas com ela. Enquanto isso, tanto Bleda quanto os líderes Ogolai, da tribo dos Megujins, e Khuchar, da tribo dos Mungliks – assim como Jakha, líder dos Lobos das Estepes –, se encarregam, juntamente com outros, de eliminar quaisquer mensageiros e pombos-correios que saiam da cidade ou circulem por aquela região, a fim de evitar possíveis contatos, avisos e alianças entre Khorusun e outras cidades e tribos.

Por um momento, Bleda chega até a cogitar a possibilidade de uma aliança com o mestiço povo cherkess, mas logo a descarta, pois tais tribos – embora fortes o bastante para resistirem a turanianos, iranistanis e afghulis – não se aliam a outros povos que não sejam eles mesmos, e são desunidas demais para forjarem um reino para si mesmas.

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 Estão sendo feitos os preparativos para a guerra. Todos os guerreiros campônios das estepes da Hirkânia já comeram sua ração de guerra – um pedaço de carne de carneiro cozida e 200 gramas de coalhada seca para cada guerreiro e guerreira. O ruído constante de centenas de cascos de cavalos é quebrado apenas pelos gritos dos líderes, dos guerreiros e do principal líder, o guerreiro Bleda. Xamãs hirkanianos das estepes dançam com os rostos voltados para o céu azul, invocando Tarim e Erlik – deuses de todos os hirkanianos, desde o Vilayet até as longínquas costas do Oceano Oriental.

De longe, o cimério, com seus olhos capazes de rastrearem pegadas de lobos nas pedras nuas, em sua terra natal, avista melhor do que qualquer um ali, os desenhos de cabeças de lobos brancos, nos casacos de seda que recobrem as malhas dos khorusunianos. Tanto os hirkanianos das estepes quanto os da cidade usam calças e mantos de seda, e algum tipo de armadura – tanto de aço quanto de ouro –, e seus cavalos estão igualmente protegidos. Como em Venarium, a superioridade numérica garantiria a vitória da facção camponesa à qual Conan se aliou.

As duas cornetas soam quase ao mesmo tempo – a dos campônios e a dos citadinos (cujo exército saiu da cidade, em um grupo de 2 mil homens – mil em cada regimento). Os dois regimentos de Khorusun estão a quilômetros do exército camponês.

Logo, soa o toque da corneta da coalizão tribal, a qual cavalga para o ataque. Conan, com sua experiência como mercenário na Coríntia, estranha o fato de os hirkanianos da cidade estarem parados, com as fileiras imóveis, enquanto observam o avanço cada vez mais rápido dos soldados das estepes.

Os defensores continuam parados, enquanto os hirkanianos dos campos começam a armar seus arcos, ao mesmo tempo em que cavalgam em alta velocidade.

Ao alcançarem a distância de apenas setecentos metros, os hirkanianos da coalizão tribal disparam a todo galope, mas o líder dos campônios calculou mal a distância, de modo que quase todas as flechas se perdem, atingindo poucos do exército de Khorusun. Conan não está gostando disso, apesar de ter dado um disparo certeiro a cavalo.

Quinhentos metros.

Dez por cento dos khorusunianos disparam suas flechas para o alto. Em apenas cinco segundos, duzentos guerreiros das estepes são atingidos mortalmente e derrubados de suas selas, com a rapidez do avanço a cavalo dando maior velocidade e penetração às setas dos hirkanianos da cidade.

Agora, a 400 metros de distância, os hirkanianos das estepes disparam outra vez contra os da cidade, mas o número de baixas que os camponeses sofrem é cada vez maior, superando de longe a quantidade de mortos de Khorusun e invertendo a vantagem numérica dos guerreiros das estepes a favor dos da cidade. Desta vez, todos os arqueiros khorusunianos disparam, aumentando mais ainda o estrago feito, por suas afiadas flechas com pontas de aço, contra os arqueiros nascidos na estepe. Na fileira posterior destes, outros avançam em grandes números, mas também acabam tombando.

Embora os hirkanianos das tendas sejam excelentes arqueiros montados, os das muralhas de Khorusun têm uma vantagem em relação a seus parentes menos “civilizados”: seus arcos possuem aletas de osso, com 3 cm de comprimento cada uma, nas extremidades. Isto faz com que as flechas dos citadinos possuam um alcance maior que as dos camponeses.

Os exércitos de Khorusun já imaginavam uma invasão daquelas e confeccionaram secretamente aqueles arcos, de modo que nem mesmo o cimério, enquanto trabalhava como espião na cidade, os viu ou ouviu falar neles.

Enquanto isso, com toda a sua leveza e graciosidade feminina, Shria se esquiva de diversas flechadas turanianas e acerta, um a um, os pretensos assassinos. Contudo, um khorusuniano, mais ágil no corpo e reflexos, consegue se esquivar de uma das setas da esposa de Bleda e lhe acerta uma flecha certeira na garganta. Furioso, Bleda vinga a morte de sua esposa com uma flechada nas costas do citadino; mas, no instante seguinte, o líder da coalizão cai de sua sela com uma seta turaniana cravada na testa. Ao seu lado, a bela Isuke – disposta a tentar vingar os pais recém-assassinados por setas khorusunianas – continua disparando, uma após outra, flechas contra o exército de Khorusun. Conan está prestes a convencer aquela bela morena, de negros olhos amendoados, a fugir com ele, quando uma das flechas citadinas atinge o peito encouraçado da bela jovem, atravessando-lhe o coração.

Furioso, o bárbaro das colinas do norte, embora incapaz de vingar a morte da jovem, descarrega seu ódio e frustração lançando flechas certeiras no máximo possível de hirkanianos da cidade, até sua aljava ficar vazia. Outros homens e mulheres na vanguarda vão sendo flechados, e o exército de hirkanianos dos campos vai sendo paulatinamente dizimado, enquanto o cimério bate em retirada, com o cadáver de sua linda aliada e amada sobre a sela do cavalo. Contudo, três guerreiros turanianos, os quais conseguiram abrir caminho através do exército de rebeldes derrotados, conseguem alcançar Conan. Este desembainha sua espada cherkess na mão direita, e o sabre hirkaniano que Bleda lhe dera, na esquerda. Esquivando-se dos golpes das cimitarras dos dois primeiros, o cimério decepa a cabeça de um com a lâmina direita e crava a lâmina esquerda nos olhos do segundo atacante. Contudo, sua espada hirkaniana havia ficado presa no crânio do segundo, enquanto o terceiro resolveu tentar atingir Conan pelas costas. Mas, num extremamente ágil giro mortal do seu cavalo e espada remanescente, o cimério abre, num só golpe, elmo, crânio e rosto do último turaniano próximo a ele, numa explosão de faíscas, sangue e miolos, reduzindo a face do khorusuniano a uma rubra massa amorfa.

Retirando o sabre hirkaniano do turaniano ao qual estraçalhara os olhos, Conan da Ciméria se dá conta de que a batalha está definitivamente perdida, e que não há outra alternativa, exceto ir embora dali. Os campônios mal tiveram tempo para utilizarem suas habilidades de virarem o corpo sobre a montaria e dispararem, e pouquíssimos puderam utilizar outra coisa: o laço, uma arma típica daqueles pastores dos campos – mas que só tem eficácia a curta distância. Sem contar que a aglomeração, durante a batalha, incapacitou os rebeldes de se curvarem para trás e para diante sobre a sela – como Conan havia feito dias atrás –, para evitarem as flechas inimigas.

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 Após o fracasso em tomarem Khorusun (onde os hirkanianos pretendiam criar uma base para fazerem oposição a Turan), Conan é o único sobrevivente daquele sonho imperial e foge para o leste, onde, após cremar o corpo de Isuke, encontra, em montanhas inabitadas, uma caverna de um milhão de anos, na qual vê, pela primeira vez, um estranho símbolo entalhado na parede de uma delas. Retornando para oeste, Conan se depara com gorilas gigantescos numa selva próxima às praias do Mar de Vilayet. Fugindo deles, o cimério atravessa Shem e o leste de Koth, até alcançar Zamora.

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Fernando Nesser de Aragão é editor do blog Crônicas da Ciméria, onde você encontra tudo sobre Conan e outros personagens de Howard!