Minha Estante #61 – Marcos Massolini

Olá, amigos do Pipoca e Nanquim.

A coluna Minha Estante está de volta com mais uma grande coleção.

A entrevista de hoje é com o amigo de São Paulo Marcos Massolini.

Marcos que é formado em jornalismo e colecionador de longa data nos mostra um pouco do seu acervo, com títulos bem diversificados. E conta também sobre o dia em que conheceu o mestre Will Eisner!

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Marcos, obrigado por participar desta entrevista.

Eu que agradeço. Obrigado pelo convite! Estou num momento de transição, com minhas revistas e itens em local improvisado, pois a intenção é mudar em breve toda a coleção para um lugar mais apropriado. Mas eu não podia deixar passar essa oportunidade e espero não decepcioná-los.

Para começar, nos conte um pouco sobre você. Onde nasceu, mora e o que faz profissionalmente?

Eu nasci em 1967, em Santo André, mas morei toda vida em São Caetano do Sul, cidade vizinha. Me formei em Comunicação pela Universidade Metodista em 1990 e sigo como jornalista desde então.

02Conte como foi que você começou a gostar de quadrinhos?

Eu gosto dos quadrinhos desde que me conheço por gente. Inclusive me alfabetizei antes de ir para a escola, aos cinco anos, e as HQs foram fundamentais para esse processo. A primeira lembrança que tenho é a da minha mãe comprando gibi comigo na banca – Cebolinha, Mickey e Almanaque Disney são os que me lembro. Mas na minha memória afetiva, os quadrinhos sempre estiveram presentes, pois meu pai, além de guardar revistas em quadrinhos desde a sua mocidade – O Pato Donald, Fantasma, Mandrake, Edição Maravilhosa, entre outros – comprava jornal diariamente e dezenas de fascículos que saíam principalmente pela Abril Cultural, e nessas de passar na banca, ele sempre trazia pra mim alguma novidade em quadrinhos. Lembro nitidamente que ele trazia junto do jornal dobrado, maravilhas como o número 1 do Gibi Semanal (de setembro de 1974, data em que eu fiz sete anos) e os lançamentos da Ideia Editorial, com acabamento e papel de primeira: Mister Magoo, Tico e Teca, Capitão Big Bom. Nesse período eu posso citar de cabeça dois momentos de pura fascinação: a leitura da história “Os Abobrinhas”, publicada em Cebolinha nº 22, de outubro de 1974, com Cascão e o personagem título formando uma dupla maquiada no estilo dos Secos & Molhados, uma febre na época (e que depois eu soube ser um roteiro de Márcio de Sousa); e quando eu bati o olho pela primeira vez numa página cinematográfica de The Spirit no Gibi Semanal (em sua estreia, no nº4). Aquilo mexeu com minha cabeça!

Quantas HQs você tem?

Bem menos que você, Alexandre Morgado, com certeza… (risos).  As edições nacionais estão bem catalogadas, mas as estrangeiras não. Somando as duas partes, eu acredito que a coleção está entre 4500 e 5000 exemplares. Na verdade, por ser um contumaz frequentador de bancas, nunca fiz assinatura de nenhum título, e ultimamente estou escolhendo as edições de banca a dedo: J.Kendall, temáticos da Disney, Clássicos do Cinema da MSP e as Graphics Marvel da Salvat. Fico de olho também nas edições históricas da Panini , nas Graphics MSP e nas especiais da Pixel e da Marvel/Disney. Mesmo somando essas edições pontuais com os lançamentos em livrarias e os achados em sebo, a minha coleção vem crescendo a passos de tartaruga.

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 A sua coleção é bem eclética, tem de tudo um pouco não?

Sim. Primeiro porque gosto de quase todos os gêneros de HQs. E segundo, porque o colecionismo tem um lado de preservação histórica que me fascina. Eu trabalhei vários anos no setor de arquivo e documentação da Editora Abril e essa atividade acabou aflorando o meu lado de “arqueólogo”… (risos). Vou te dar um exemplo recente: fuçando algumas prateleiras bem altas em um sebo da minha cidade, encontrei duas revistas tamanho pocket, escondidas entre os livros, com novelas em quadrinhos editadas pela Editora Vecchi no final dos anos 50. Um colecionador “normal” passaria batido, mas eu comprei-as imediatamente, por três motivos: por ser um item histórico de uma editora que deixou sua marca nos quadrinhos; por ser uma ótima fonte para uma eventual matéria, já que essas edições voltadas para as moças da época – e foram muitas – quase não são mencionadas nos estudos sobre HQs; e porque, deixando de lado qualquer preconceito e o excesso de açúcar dos enredos, os desenhos italianos publicados são bem apresentáveis. É por essas e outras que minha coleção tem clássicos indiscutíveis, mas também tem itens bem estranhos e fora do esquadro.

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Quais são os principais itens de sua coleção? O que você tem de raridade?

Eu tenho um grande apreço pela minha coleção de Homem-Aranha, meu super-herói predileto, da EBAL até a Abril, praticamente completa. Também adoro meus itens de terror dos anos 50, principalmente pelas capas maravilhosas de Miguel Penteado e Jayme Cortez, obras de arte que deveriam ficar expostas em galerias. Outro xodó meu é a coleção de Ferdinando, em suas duas fases: formato americano nos anos 60 e formatinho na metade dos anos 70.

Não tenho tantas coleções completas, mas alguns itens se destacam pela raridade: números baixos de Mickey, entre 1952 e 1955; as edições de O Pato Donald herdados do meu pai, a partir de 1952; Mônica nº1 da Abril, em estado de banca; Misterix nº 1 da Abril, de 1953, com capa de Jayme Cortez; revistas raras da La Selva e da Novo Mundo – Coelho Valente, Oscarito & Grande Otelo, Terror Negro, Noites de Terror –; alguns almanaques de O Globo Juvenil, Vida Juvenil, Vida Infantil e O Tico-Tico; Popeye nº 1 da EBAL; as primeiras edições da linha de produção do Marcatti; Chico de Ogum e Modesty Blaise da M&C; números avulsos de Gazeta Juvenil,  Suplemento Juvenil , Mirim e Globo Juvenil; números baixos de O Anjo, da Rio Gráfica, com desenhos de Flavio Colin; as oito edições de Dick Tracy que saíram pela Rio Gráfica nos anos 60; e por aí vai…

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 Sei que você é “rato de sebo”. Você ainda costuma frequentar alguns sebos por ai?

Sim, sou um ser em extinção… (risos). Tenho plena consciência que as coleções e os itens raros estão cada vez mais nas mãos de colecionadores e vendedores em sites como o Mercado Livre, e sei também que os sebos não disponibilizam todo o seu acervo nas lojas físicas, mas não tem jeito: eu não posso ver um sebo que corro pra fuçar. Ainda frequento sebos no centro de São Paulo e na região do ABC e se vou a uma cidade que não conheço, a primeira coisa que eu quero saber é o endereço do sebo mais próximo. Essa minha insistência, apesar da maré contrária, ainda me rende muitas surpresas.

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 A sua coleção tem bastantes itens raros e antigos. Qual a sua opinião em relação aos quadrinhos de hoje em dia que possuem um acabamento mais luxuoso?   

Acho que essa tendência mais luxuosa veio pra ficar e é um nicho importante dentro do mercado. Pra mim, pessoalmente, é uma tortura, pois algumas dessas caprichadas edições, principalmente as antologias, são grandes tentações que geralmente acabam ficando fora de alcance por conta do dinheiro contado. Mas ao mesmo tempo em que entendo essa vertente luxuosa, sinto muita falta daquelas revistas underground e alternativas que pipocavam nas bancas dos anos 80/90: Porrada, Abutre, Monga (que saiu em edição única e virou lenda), Bundha, Nocaute, entre outras.

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 Tem uma história em que você conheceu o Will Eisner. Pode contar pra gente como foi?  

Foi em 1999. Eu prestava serviços para a assessoria do Jô Soares no SBT, e quando soube que o mestre Will Eisner seria entrevistado pelo programa, liguei imediatamente para o assessor e reservei dois lugares na fileira do gargarejo. No dia, fiquei em êxtase durante toda a entrevista ao vivo e quando ia saindo pelos bastidores com minha esposa, eis que o criador de Spirit surgiu de repente em nossa direção! Foi o tempo de esticar o álbum No Coração da Tempestade e a caneta que eu tinha em mãos e balbuciar alguma bobagem em inglês do tipo “I love Spirit!”, enquanto via a mão do mestre finalizar a rápida dedicatória, antes de acenar e sair das dependências da emissora.  Um momento-relâmpago que pra mim ficará na eternidade.

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 Sensacional. Você possui mais alguns outros itens autografados na sua coleção?

Tenho poucos, mas prezo cada um que tenho. Além da já citada dedicatória de Will Eisner, consegui reunir em um álbum dos Los Tres Amigos, autógrafos e desenhos hilários e exclusivos de Laerte, Angeli, Glauco e Adão Iturrusgarai, todos de uma vez só, em uma noite de lançamento memorável. Possuo um pôster de numeração limitada com a assinatura original do Fabio Civitelli. Tenho também autógrafos de grandes mestres e personalidades dos quadrinhos nacionais como Rodolfo Zalla, Carlos Edgard Herrero, Marcatti, Laudo, Toninho Mendes, Primaggio, Guazelli, Rod Reis, Gilmar, Bira, Fernandes, Mastrotti, Gonçalo Jr., Roberto Elísio, Spacca, entre outros. E graças ao onipresente Marcelo Alencar, consegui por esses dias a minha mais recente assinatura: a do grande Miguelanxo Prado!

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Você é o tipo de colecionador “PRECISO TER” ou é mais tranquilo em relação a isso?

Sempre fui tranquilo quanto a isso. A procura por itens faltantes ou sonhos de consumo nunca foi uma sangria desatada pra mim. A demora às vezes é até emocionante… (risos).

O que você tem lido atualmente que você mais gostou?

Como muita gente nessa correria diária, tenho uma pilha de edições para ler ao lado da cama, e aos poucos vou tentando diminuí-la. Reli a pouco o Monstro do Pântano, desde o seu início… realmente uma saga e tanto! Gostei muito também de ler As Diabruras de Quick e Flupke, do Hergé, em dois álbuns que saíram pela Globo Livros Graphics. Eu não conhecia esses personagens, que foram criados um ano depois do Tintim, e sua leitura me remeteu aos bons e movimentados momentos do clássico Sobrinhos do Capitão. Acabei de ler também A Arte de Quadrinizar, de Ivan Brunetti, que foca a importância de colocar a narrativa antes dos detalhes, em lições bem minuciosas e espirituosas. Neste mês, li e adorei o segundo volume de Bear da Bianca Pinheiro – sutil e emocionante na dose certa! E pra fechar, comecei a ler por esses dias, Tungstênio, do Marcello Quintanilha. Ele, pra mim, é um dos melhores autores de HQs do mercado atual, com suas crônicas sociais cheias de lirismo e movimento.

Quais são seus 10 quadrinhos preferidos de todos os tempos?

The Spirit – Will Eisner
Homem-Aranha – Stan Lee e John Romita
Li’l Abner – Al Capp
Dick Tracy – Chester Gould
Asterix – Uderzo e Goscinny
Tintim – Hergé
Pato Donald – Carl Barks
Pererê – Ziraldo
Freak Brothers – Gilbert Shelton
Spirou – André Franquin

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 E os artistas? Quais são os seus preferidos?

Winsor McCay, Frank King, Hal Foster, Milton Caniff,  Alex Raymond, Carl Barks,  Will Eisner, Jack Kirby, John Romita, John Buscema, Nico Rosso, Jayme Cortez, Flavio Colin,  Moebius.

Sobre quadrinhos nacionais. Quais são os que você mais gosta?

Nossa… muita coisa! Raffles, do Carlos Thiré; Pituca, do Joselito; Anjo, adaptado por Flavio Colin; Pererê, do Ziraldo; Nico Demo, Turma da Mata e Os Sousa, do Maurício de Sousa; O Gaúcho, de Julio Shimamoto ; Vizunga, de Flavio Colin; Sacarrolha, do Primaggio; Graúna, do Henfil; Chopnics, do Jaguar; Chico de Ogum, de Carlos Cunha e Nico Rosso; Zé Carioca, de Ivan Saidenberg e Renato Canini;  Mirza, de Eugênio Colonnese; Capitão Bandeira, de Paulo Caruso e Rafic Jorge Farah; Wood & Stock, de Angeli; Geraldão, do Glauco; Ed Mort, de L.F. Veríssimo e Miguel Paiva; Diomedes, de Lourenço Mutarelli; e entre os mais recentes, Valente, do Vitor Cafaggi; Aú, o Capoeirista, do Flavio Luiz; Os Passarinhos, de Estevão Ribeiro; Edibar, do Lucio Oliveira.

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Obrigado por participar, Marcão. Para finalizar, deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Agradeço muito a oportunidade! O Pipoca & Nanquim é uma fonte de referência para os amantes das HQs e me sinto muito lisonjeado em participar dessa seção em que já apareceram grandes colecionadores do Brasil todo. Para os leitores, o que eu posso acrescentar é: por mais que intempéries e pragas apareçam – enchentes, cupins, umidade, traças, etc – ou uma crise econômica venha com tudo, não abandonem ou vendam de impulso suas coleções ou seus itens valiosos. Depois da tormenta com certeza virá o arrependimento… (risos).

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Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros fãs e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

 

Minha Estante #44 – Ludy Pereira

Fala galera, bem-vindos a mais uma belíssima coleção da sessão Minha Estante! Sabia que sempre publicamos coleções por aqui, e que essa é a de número 44? Sim, para ver todas as outras basta ir ali no menu, em COLUNAS, e aproveite para ver nossas outras sessões também.

Hoje batemos um papo com o Sr. Luiz Pereira, mais conhecido como Ludy, lá do Rio Grande do Sul. Ele é um grande colecionador de quadrinhos e estatuetas Disney, e mantém uma coleção belíssima de se ver! Pra nós que estamos mais acostumados a ler e colecionar super-heróis e outros quadrinhos adultos, ao terminar de ver toda a entrevista e todas as fotos do Ludy, dá até vontade de voltar a comprar quadrinhos do Pat Donald, Tio Patinhas e cia. Taí, por que não?

Acompanhem nosso excelente papo com esse simpático gaúcho!

Olá, Ludy! Muito obrigado por topar participar dessa entrevista. 

Para começar, nos conte um pouco sobre você, onde nasceu, onde mora, o que faz na vida profissional? 

Olá galera do Pipoca & Nanquim, show esse site!!! Uma bela diversificação de assuntos!

Bom, eu sou conhecido apena por Ludy ou Ludy Pereira, sou do Rio Grande do Sul. Gaúcho, nascido bem na fronteira com o Uruguai, num lugar chamado Bagé. Baseado nessa cidade, foi que surgiu o famoso “Analista de Bagé” do escritor gaúcho Luis Fernando Veríssimo. No ano de 1993 fui morar numa cidade chamada Santa Cruz do Sul, também aqui no Rio Grande do Sul, uma cidade conhecida no Brasil pela Oktoberfest e também por ser a terra natal da escritora Lya Luft, cronista da revista Veja, e também o berço da linda Ana Hickmann, modelo e apresentadora de TV. Santa Cruz fica distante uns 170 quilômetros da capital gaúcha Porto Alegre.

Uma curiosidade sobre o meu apelido Ludy. Meu nome é Luiz Nei Pereira, meus colegas de rádio, quando comecei em 1987, começaram a italianizar o meu nome e passaram a chamar o Luiz de Luigi e para Ludy foi um passinho ou umas letrinhas hehehehehehe.

Comecei a trabalhar em FM em 1987 e estou até hoje nessa área, sou comunicador e tenho um programa de rádio numa emissora da minha cidade que pertence a um grupo local chamado Gazeta Grupo de Comunicações. Se desejarem, podem acessar o blog do meu programa chamado Expresso 101 na Gazeta FM 101.7: http://www.gaz.com.br/blogs/expresso101.html 

 

Você se lembra de quando foi que nasceu seu interesse por quadrinhos? 

Meu interesse por quadrinhos surgiu ainda bem pequeno, mas como provinha de uma família sem grana, meus pais eram separados e minha falecida mãe (morreu em fevereiro deste ano) passava muitas dificuldades para nos criar (eu e minha irmã) e sustentar, então não havia grana pra gibis, aliás não havia dinheiro pra nada, só pro básico mesmo. Eu fugia dessa realidade triste lendo quadrinhos emprestados pelos coleguinhas do colégio e quando eu conseguia adquirir algum também passava para eles lerem. Naquela época, lá pelo começo dos anos 1970, eu tinha  uns 7 anos (hoje estou com 48 anos), eu não colecionava revistas, só lia e trocava por outras edições ainda não lidas, então as revistas não paravam na minha mão.

Os personagens Disney enchiam a minha vida de alegria e talvez seja por isso que eles me acompanham até hoje, eles fazem parte da minha vida e acho que irão comigo até o crepúsculo (não o filme de vampiros), mas você entendeu, rs rs rs rs!!!

Em que época de sua vida aconteceu a mudança de leitor ocasional para colecionador inveterado? 

A mudança ocorreu quando finalmente eu me formei no colegial e consegui um emprego, onde podia ajudar a minha mãe em casa e guardava uma graninha para os meus gibis.

O detalhe é que eu colecionava, aí parava, me desfazia de tudo, e partia pra outras coleções tipo super-heróis – mas continuava lendo quadrinhos Disney – aí desistia de heróis e ia atrás de Will Eisner, Moebius e outros nomes, e colecionava tudo deles, depois me desfazia e começava os Disney outra vez. Era uma procura meio maluca “por não sei o quê”.

Quando cheguei aos 30, parei com tudo e comecei a colecionar livros de literatura, mitologia, filosofia e outros gêneros, aí comprei muitos livros e deixei os quadrinhos de lado por um bom tempo. Há alguns anos eu retornei com os quadrinhos Disney e não parei mais. Também nos anos 1990 eu descobri Bill Watterson e sua maravilhosa criação Calvin & Hobbies (Calvin & Haroldo no Brasil), tenho todo o material que esse senhor desenhou até hoje, o cara depois parou por completo e nunca mais desenhou nada e também nunca transformou a sua criação em mercadoria. Tudo o que se vê de Calvin e Haroldo em termos de memorabília é pirata, inclusive minhas estatuetas de chumbo do personagem rs rs rs. Do Calvin e Haroldo tenho vários edições importadas, coisa boa mesmo.

A maioria dos colecionadores mostrados nessa coluna começar a curtir quadrinhos com Turma da Mônica e Disney, passando depois para super-heróis, mangás, europeus, etc. Você é um colecionador diferente dos demais, pois até hoje, mesmo depois de adulto, se concentra nas HQs Disney, o que é muito bacana! De onde vem tamanha paixão por esses quadrinhos? 

Como eu escrevi antes, os quadrinhos Disney fazem parte da minha infância e me conduziam para um lugar sem dor, coisas que eu vivia na infância que não eram legais, privações de muitas coisas por ser pobre e estudar num colégio com poucos recursos. Os quadrinhos Disney e seus personagens me levavam para um mundo mágico que me encantava e me mostrava o mundo das palavras. Acho que minha paixão pelos quadrinhos Disney nunca acabou, só ficou adormecida por um tempo.

Eu muitas vezes lia revistas de super-heróis, pra não pensarem que eu era um crianção ou algo assim, pois minha turma só lia essas revistas. Depois dos 30 eu percebi que eu deveria fazer o que gostava e ler o que realmente me dava prazer, aí voltei com tudo para os quadrinhos Disney e para os seus grandes desenhistas e roteiristas. Sim, os quadrinhos Disney tem gente de muito talento pelo mundo a fora!!! 

 

Quantas HQs você tem no total? Costuma catalogar tudo? 

Eu sou meio relapso pra isso. Gosto de cuidar das minhas revistas ma tenho uma preguiça crônica de catalogar ou contar esse material. Acredito que deva ter uma 3000 mil revistas, mas na verdade o número não me importa muito. O que me deixa feliz, é que todas às que possuo eu gosto muito e se tivesse que parar por aqui eu não seria menos feliz. Tenho muito material do Carl Barks e praticamente tudo do Don Rosa, dois magistrais desenhistas e roteiristas. Ainda pretendo catalogar esse material, mas só de pensar nisso eu fico cansado hahahahahahahaha!!!

Quais são os principais itens da sua coleção, séries e minisséries completas, encadernados de luxo, edições raras, os seus preferidos, etc?

Eu adoro a minha coleção completa de O Melhor da Disney – As Obras Completas de Carl Barks, (por falar nisso, uma boa notícia: a Editora Abril andou anunciando em uma de suas revistas mensais que essa super-coleção especial do Carl Barks vai voltar às bancas em 2014, que maravilha pra quem perdeu essas edições hein???). Eu mesmo tive que comprar muitas dessas revistas a peso de ouro e tem sebos que estão cobrando 150 reais pela edição número #01, com a caixa colecionadora – aliás, eu procuro muito essa caixa que vinha com a primeira edição número, se alguém tiver para troca ou venda me avise. Também gosto muito das minhas edições capa dura do Tio Patinhas Especial, Mickey Especial, Pato Donald Especial, Cinquentenário Disney. Sou apaixonado pelas minhas edições americanas da Saga do Tio Patinhas pelo Don Rosa, meus exemplares de Uncle Scrooge (o nome do Tio Patinhas em inglês) Walt Disney Comics, minhas poucas edições do Topolino italianas, enfim eu gosto muito de todo o material que tenho.

Qual o item mais raro de todos?

Eu não tenho material raro, eu me considero um micro colecionador, realmente pequeno, acho que sou um “juntador de revistas Disney”. Existem os verdadeiros colecionadores que tem tudo o que saiu no Brasil e isso dá umas nove mil revistas de tudo o que saiu na Editora Abril desde o primeiro Pato Donad, em 1950, até hoje. Mas, eu poderia colocar como itens raros minhas estatuetas Disney que são todas numeradas com o máximo de 950 peças para o mundo todo. A primeira coleção, por exemplo, já está bem complicada de ser encontrada, a Dark Horse lançou três coleções de personagens Disney baseados na obra de Carl Barks.

Você mantém dois blogs sobre quadrinhos Disney, fale um pouco sobre eles!  

Sim eu tenho dois blogs, o Universo Disney e o Universo Disney 2. Um pelo sistema Blogspot e outro pelo WordPress, até para abranger um maior número de leitores. O Universo Disney foi criado com a intenção de divulgar a minha paixão pelos quadrinhos Disney, seus personagens, desenhistas, roteiristas, lançamentos e também para comentar sobre as histórias que leio e gosto. Também divulgo o material que é lançado, mas muito sutilmente, porque não vou usar os meus blogs como divulgador da Editora Abril, eles que se virem com os inúmeros blogs que fazem esse trabalho. Quero ter liberdade de expressão, e se eu fico vinculado eu só posso elogiar, e na verdade tem muitos defeitos que devem ser ditos e revelados pra galera. Por exemplo, a famigerada setorização da editora. Eu acho aquilo uma grande sacanagem com os leitores Disney de alguns estados do Brasil.

Bom se desejarem visitar os meus blogs eu ficarei muito feliz com isso. É só clicar nos links deixados acima.

Tenho também um vídeo gravado ainda no meu antigo apartamento, numa salinha minúscula onde eu deixava os meus gibis. Se você tiver saco de ver ele está abaixo.

E já que estou falando de vídeos, aproveita aí e curte uma das minhas músicas. Além de comunicador de FM e colecionador de HQs Disney, eu também sou músico! Confira aqui a minha música chamada “Só Pra Ela!”

Minha pequena coleção de HQs Disney: 

 

Dá pra ver pelas fotos que você tem um zelo incrível com sua coleção, guardando tudo de forma muito organizada. Conte para o pessoal qual técnica você usa pra conservar suas revistas e como define a organização de tudo (por datas, ordem alfabética, editoras, essas coisas). 

Bom, eu não faço muita coisa pra conservar as revistas, uso esses plásticos vistos nas fotos, plásticos no tamanho 15×29 para os famigerados formatinhos e alguns maiores, próprios para o padrão das revistas norte-americanas. Em revistas como Pateta Faz História e Essencial Disney, eu uso plásticos para DVD que já vem com o lacre, material muito bom e comprado em lojas de embalagens.

Aqui vão umas dicas de como conservar suas revistas, esse link mostra um pouco sobre o assunto.

Sabemos que esse é um hobby que suga muito de nossos bolsos (fazer o que né…), e nós do PN gastamos bastante todos os meses. Pode nos dizer em média quanto você investe em quadrinhos por mês? 

Teve épocas que cheguei a gastar até mil reais num mês, isso foi loucura, aí caí na minha realidade, e agora compro as edições mensais, fiz a assinatura da Abril, paguei um ano e agora ganho dois anos de graça, 2013 e 2014. Um negócio muito bom. Mas estamos vivendo um boom nos quadrinhos Disney, então são muitos lançamentos todos os meses. Tem Disney Mega, Disney Jumbo, Disney Big, mais os lançamentos especiais e, logicamente, as revistas de linha. Enfim, não gasto menos de 150 reais por mês em quadrinhos. E ainda compro minhas estatuetas da loja americana Tfaw, aí vai mais uma grana.

Quando se fala em Disney, a primeira coisa que todos pensam é que são histórias infantis, mas isso não é bem verdade, essas HQs são muito capazes de agradar adultos também, sendo que alguns títulos são pensados primeiramente para velhos colecionadores. Indique algumas coleções lançadas no Brasil cuja qualidade artística é indispensável para qualquer leitor de quadrinhos que se preze. 

Bom se você quiser entrar no mundo Disney pela porta de ouro, procure ler o material de Carl Barks, que pra mim é o mais genial dos mestres Disney de todos os tempos. Barks foi o responsável pela criação de quase tudo que existe hoje no Universo Disney. O Homem dos Patos, como é conhecido, criou uma gama enorme de personagens. É dele a criação do Tio Patinhas, Metralhas, Gastão, Maga Patalógika e muitos outros, além de ter criado a própria cidade de Patópolis.

Logicamente, temos outros grandes mestres Disney incríveis, que eu gosto muito, como o Don Rosa, que pegou a obra do Barks e criou a maravilhosa Saga do Tio Patinhas baseado em tudo o que o Barks deixou em suas centenas de histórias, uma pesquisa monstruosa para dar uma origem ao velho muquirana e, consequentemente, a toda a Família Pato. Barks criou a famosa árvore patológica e o Rosa aprimorou e ficou show conhecermos os antepassados da família patopolense.

Outros grandes autores pra mim são: Floyd Gottfredson, Paul Murry, Tony Strobl, Vicar, Giorgio Cavazzano, Arild Midthum, Marco Rota, Renato Canini e muitos outros nomes. Estou gostando muito do trabalho dos italianos e atualmente são os que mais produzem quadrinhos Disney.  Até onde eu sei, a produção americana Disney “morreu”, nem lançamentos estão acontecendo por lá, a última editora, a Boom!, e posteriormente Kboom, fechou suas portas e com ela foram embora as revistas de linha norte-americana tipo, Uncle Scrooge, Donald Duck, Walt Disney Comics, Mickey Mouse e outras. Agora que a Marvel se uniu a Disney, o que se vê é muito super-herói na área, muito bom pra galera que coleciona quadrinhos de heróis. 

Você também possui na coleção livros teóricos sobre Walt Disney e suas criações, quais são os principais dentre eles? 

Eu na verdade tenho três livros teóricos, dois americanos e um nacional. Um deles é sobre o Floyd Gottfredson volumes #01 e #02, com todas as tiras do Mickey que saíram nos Estados Unidos lá nos anos 1930, época da depressão americana. E agora, em outubro ou novembro, eu recebo os volumes #03 e #04. Esse material é luxuoso, com uma caixa muito legal e sai pela editora Fantagraphics.

Outra edição que eu tenho e gosto muito é The Mickey and The Gang Classics Stories in Verse, um almanaque maravilhoso com muitas, muitas informações sobre as criações das Silly Simphonies, aqueles curtas de animação da Disney que até hoje fazem sucesso entre a galera disneyana e podem ser encontrados no YouTube aos montes. Ali tem centenas de esboços de histórias, raros desenhos animados por Carl Barks e outros coisinhas geniais.

Outro livro que eu gosto muito é a biografia de Walt Disney pelo jornalista Neal Gabler, Walt Disney – O Triunfo da Imaginação Americana. Após sete anos de elaboração e pesquisa meticulosa, eis aqui a história completa de um homem que deixou uma marca indelével em nossa cultura, cuja vida foi grandemente envolvida pelo mito: Walt Disney. Nesse livro, Neal Gabler nos revela as dificuldades que Walt Disney vivenciou em sua infância, como a rígida disciplina e a pobreza, o fizeram buscar uma nova vida em Hollywood.

Walt Disney – O triunfo da imaginação americana é uma biografia que revela um homem de notáveis realizações, árduo trabalho e vida secreta. Eu gosto de ler sobre o velho Walter, de onde ele veio e o império de entretenimento que ele criou. 

 

Qual seria seu Top 5 de quadrinhos da Disney? Valendo indicar coleções fechadas publicadas aqui no Brasil ou lá fora. 

Em primeiro lugar: a coleção O Melhor da Disney – As Obras Completas de Carl Barks, os 41 volumes mais manuseados por mim em todos os tempos, sempre estou relendo a obra do Barks, e são às únicas edições que não estão em plásticos, pois estou sempre manuseando as revistas, mas, claro, elas tem cada uma a sua caixa colecionadora, pois a coleção inteira vinha com dez caixas colecionadoras, sendo que só me falta a caixa que vinha com os primeiros quatro volumes.

Em segundo lugar: a Saga do Tio Patinhas, que foi a responsável por me fazer voltar aos quadrinhos Disney. Quem não leu, leia, e depois conversamos a respeito.

Em terceiro lugar: Pateta Faz História, aqueles vinte volumes são sensacionais e eu me divirto muito com as loucuras do Pateta.

Na quarta posição, mas não menos importante, vem os 40 Volumes de Clássicos da Literatura Disney.

Tenho duas edições de Disney Treasures que acredito já serem raros até lá nos Estados Unidos, que eu coloco na minha quinta posição. Saíram pela editora Gemstone Publishing. Um dos volumes com historias que vão de 1930 a 2004 chama-se Treasures – Disney Comics 75 Years Of Innovation (The Official Anniversary Book), incluindo Floyd Gottfredson, Carl Barks, Don Rosa, Romano Scarpa, Daan Jippes e outras feras. O segundo volume: Treasures – Uncle Scrooge – A Little Something Special (Sixty Years of  Comics Riches), traz os mesmos desenhistas do outro volume e mais Marco Rota e William Van Horn.

A coleção de 20 volumes Essencial Disney também foi muito bacana e foi publicada recentemente.

Eu teria muitas outras edições pra citar, mas vou parar por aqui!

E qual seu personagem Disney mais querido de todos? 

Para mim o Pato Donald é o mais completo personagem Disney, ele tem todos os defeitos e virtudes que nós seres humanos normais carregamos em nossas vidas. Ele é legal e pode ser chato, egoísta e de uma bondade extrema, boa praça, ciumento, honrado, raivoso, enfim tem tudo que alguém normal leva dentro de si. Em segundo lugar vem o Tio Patinhas, o velhote é uma fortaleza hehehehehe!!!

Você empresta seus quadrinhos numa boa, ou prefere mantê-los sempre próximos? 

A palavra emprestar foi rasgada do meu dicionário há muito tempo. O empréstimo é um tabu entre os colecionadores, eu até hoje não vi nenhum colecionador que empresta as suas revistas, salvo, se ele (colecionador) estiver junto e acompanhar cada movimento do corajoso leitor pedinte hahahahaha. Mas eu acho que tem gente que nem assim empresta. O colecionador é o ser mais egoísta que existe (falo em relação às suas revistas, logicamente).

 

Todo colecionador tem manias, seja um ritual para leitura, uma bela cheirada na revista nova, um dia específico para comprar ou mesmo nunca se desfazer de nada, qual é a sua (ou quais são as suas)? 

Minha maior mania é ler deitado, se eu não estiver deitado, a leitura não rende e eu canso logo. Por outro lado, se a história não flui em pouco tempo estou dormindo e roncando que nem uma britadeira rsrsrsrsrs!!!

 

Além de quadrinhos, o que mais de legal você coleciona? 

Eu tenho a coleção da revista Billboard, revista das paradas musicais do mundo inteiro, também tenho muitos exemplares da revista Rolling Stone sobre música mais voltada pro Rock, muitos livros sobre música, filosofia, mitologia, literatura. Também coleciono a revista Mundo Estranho e tenho minha pequena coleção de estatuetas Disney, estou pra receber mais algumas do Mickey muito legais. Além de tudo isso, coleciono todo o material do Calvin e Haroldo.

Você curte ler e colecionar outros tipos de quadrinhos? Se sim, quais? (pode mostrar fotos também, caso houver) 

Coleciono os quadrinhos do Calvin e Haroldo pelo Bill Watterson, adoro essas tiras inteligentes e filosóficas envolvendo esse menino hiperativo de seis anos e seu tigre de pelúcia. Muito bom, acredito que todo mundo ligado a quadrinhos em algum momento de suas vidas já leu alguma coisa de Calvin e Haroldo.

 

Obrigado pelo papo, Ludy! Para finalizar, deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil. 

Eu que agradeço a galera do Pipoca e Nanquim, esse site já faz parte dos meus dias, todos os dias ao percorrer meus blogs favoritos, visito esse espaço e aprendo muito com vocês!!! Parabéns pelo ótimo site. Show mesmo!!!

Meu recado é: cuidem bem de suas revistas e não se desfaçam delas no primeiro ímpeto, porque certamente em algum momento de suas vidas o arrependimento vai pintar, isso é liquido e certo. Colecionar quadrinhos é algo maravilhoso, você tem a História nas mãos, porque quer queira quer não, os quadrinhos são o retrato fiel da época em que eles são feitos, basta ler nas entrelinhas – às vezes nem precisa, pois muitas vezes o óbvio é ululante. Fui!!!

Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros aficcionados e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

Minha Estante #43 – Matheus HQ Man

E a coluna Minha Estante não para de receber colecionadores bacanas! Hoje temos o prazer de apresentar a vocês a coleção de quadrinhos de um cara que também contribui para o meio com videocasts: Matheus “HQ Man” Vale!

Pra quem ainda não ouviu falar, ele é autor e editor do blog, e também canal do YouTube, Quadrinhossauro, que publica reviews de HQs em vídeos e alguns posts sobre o assunto. Nós gostamos muito do trabalho do Matheus, que tem um excelente gosto pra leitura e faz resenhas e comentários excelentes em seus vídeos. Está esperando o que pra ir lá assistir?

Fiquem com a entrevista e as fotos da bela coleção do cara!

Olá, Matheus! Muito obrigado por topar participar dessa entrevista. 

Para começar, nos conte um pouco sobre você, onde nasceu, onde mora, o que faz na vida profissional?

Obrigado vocês pela consideração. Bem, meu nome é Matheus Gil Alves Vale, eu tenho 33 anos de idade e sou natural de Belém do Pará, mas moro em São Paulo há 10 anos. Sou amante de Rock ‘n Roll e minha banda favorita para todo o sempre é Pink Floyd.

Sou formado em Educação Artística – Artes Plásticas pela UFPa, o que oficialmente me torna um professor de artes, mas exerci muito pouco essa função, pois logo depois de me formar, em 2001, vim para Sampa estudar desenho na Quanta Academia de Artes, onde fiquei por 3 anos. Além de gostar do caos da cidade, também conheci aqui minha Outra Metade, minha namorada há nove anos (não estou enrolando para casar, é sério). Profissionalmente, já trabalhei como Assistente de Restauração do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em Belém, já estagiei em agência de comunicação, já trabalhei em balcão de comic shop, fiquei quatro anos numa empresa que testava protótipos de celulares para uma multinacional. Atualmente, sou Procurador (estou desesperadamente procurando emprego….). Uha-hahaha. 

           

Você se lembra de quando foi que nasceu seu interesse por quadrinhos?

Meu interesse por quadrinhos começou cedo, quando eu tinha seis anos de idade e estava no primeiro semestre da alfabetização no colégio. Um belo dia, enquanto brincava no recreio com os coleguinhas, um garoto de outra série, bem mais velho e muito maior, passou correndo e me deu uma trombada superviolenta a qual me quebrou a perna direita. Precisava ficar no gesso, imóvel em casa por umas semanas. Minha mãe, ela própria uma amante da leitura com uma coleção de livros invejável em casa, decidiu não deixar o cérebro do seu filhinho à mercê da máquina de emburrecer chamada televisão e comprou todo tipo de material de leitura possível para instigar meu interesse e garantir minha prática com o alfabeto em casa. Entre esse material, muitos quadrinhos: Disney, Turma da Mônica, Marvel e DC.

 

Em que época de sua vida aconteceu a mudança de leitor ocasional para colecionador inveterado?

Dos seis aos nove anos de idade eu já lia muitas HQs com maior frequência que a maioria dos meus amigos, possivelmente porque eu sempre tive uma natureza quieta e gostar mais de ficar em casa, desenhando, lendo e criando meu próprio mundo com action figures. Também não tinha muito interesse por futebol (e não tenho até hoje). Mas, eu não era um maluco total que guardava todos os volumes até o dia no qual eu comprei minha primeira revista do Batman, aos 10 anos de idade (número #00 da 3ª série, Ed. Abril, dezembro de 1989). Depois daí, meu interesse voltou-se quase exclusivamente para revistas de super-heróis, principalmente para o Homem-Morcego, até hoje meu personagem favorito, e passei a guardar todas as revistas que comprava. Desde aquela edição até hoje, não se passou um único mês no qual eu não tenha comprado pelo menos uma edição de algum quadrinho.

Quantas HQs você tem no total? Costuma catalogar tudo?

Minha coleção está dividida. Uma boa parte dela ficou na casa da minha mãe, em Belém do Pará, e eu dei muita sorte de ser o filho dela, pois já ouvi muitas histórias de horror de amigos cujas mães resolveram, do nada e sem consultá-los, jogar tudo fora ou doar para caridade no momento no qual eles botam o pé fora de casa. Mas ela é uma grande guardiã da minha “coleção de lá” e sabe o quanto são importantes para mim.

Não comecei a catalogar formalmente minha coleção até criar outra aqui em Sampa. Faço contagens anuais e da última vez que fiz isso, uns seis meses atrás, eu tinha 3.047 unidades. Em Belém eu devo ter metade disso, então tenho cerca de 4.500 unidades.

 

Quais são os principais itens da sua coleção, séries e minisséries completas, encadernados de luxo, edições raras, etc?

Como eu disse, minha coleção mais antiga, onde ficam as verdadeiras raridades, está longe e, embora eu tenha pedido para minha mãe mandar algumas fotos, pedir para ela “caçar” edições individuais seria abusar do favor. Raridade também é uma coisa relativa. Edições facilmente encontradas em São Paulo são muito mais complicadas (e caras) de se conseguir em Belém. Mas eu tenho orgulho de algumas que são raras tanto aqui quanto lá na minha cidade-natal, como Belém Imaginária e Encantarias – A Lenda da Noite, duas excelentes HQs nacionais feitas no Pará e quase impossíveis de se achar. Também me orgulho muito das séries Sandman da Conrad e Lobo Solitário da Panini, e de ter comprado tudo que saiu do Universo Ultimate no Brasil. Também tenho em Belém todas as Heavy Metal brasileiras e mais algumas importadas.

Qual o item mais raro de sua coleção?

Deve ser uma edição de Tarzan da Ebal, que ganhei de um amigo. Mas, pode ser que não. Tem a Parábola, história do Moebius para o Surfista Prateado também.

Você mantém um site e um canal no YouTube, o Quadrinhossauro, em que publica vídeos de resenhas de HQs que leu (aliás, muito legal o programa, assistimos todos, sério). Como foi que surgiu a ideia de gravar e postar esses vídeos?

Eu gosto de falar sobre quadrinhos. Poderia ficar horas batendo papo sobre isso. E hoje em dia, pelo bem ou pelo mal, as pessoas conversam mais por redes sociais e chats do que ao vivo. Basicamente o que faço, principalmente nos vídeos do “HQ Sem Roteiro” é dizer para todo mundo interessado em assistir: “Ei, você lê quadrinhos? Veja só o que eu li, você já leu? Se não leu ainda, leia também, vamos trocar uma ideias!”.

Eu também gostaria de contribuir para o mercado fazendo as pessoas lerem mais, numa linguagem simplificada, principalmente para o pessoal novato, os quais ainda não se meteram com as complicadíssimas cronologias das duas maiores editoras de HQs. São universos muito grandes e complexos, assustadores para quem quer começar a ler sobre seu herói favorito, mas intimidados por décadas de retcons, flashbacks e reboots. Por outro lado, também quero fazer as pessoas conhecerem títulos totalmente além do gênero super-herói e mostrar como tem uma produção rica e variada fora do mainstream.

 

Você faz tudo no canal ou tem uma equipe que te ajuda? Conta para o pessoal como funciona os bastidores do programa, como faz para filmar e editar tudo.

Eu faço tudo 100% sozinho, e confesso: na maior parte do tempo, acho que estou fazendo tudo errado. Não sou webdesigner, nem editor de vídeos e também não sei programar. Levei meses para aprender a mexer no WordPress, e meses para editar o primeiro “Review Raivoso”. Além de tudo isso, sou tímido e tenho medo da câmera. Graças ao milagre da edição, ninguém vê o quanto eu sofro para acertar o texto. E eu não quero lançar para as pessoas um conteúdo que eu próprio não gostaria de ver, por isso só publico quando acho que está ótimo.

Voltando para a coleção de quadrinhos, todos aqui sabemos que esse é um hobby que suga muito de nossos bolsos (fazer o que né…), e nós do PN gastamos bastante todos os meses. Pode nos dizer em média quanto você investe em quadrinhos por mês?

Não direi valores exatos, mas posso dizer para vocês que provavelmente eu poderia pagar uma televisão de LED de 50 polegadas ultramoderna com o que eu gasto anualmente com HQs. Vai ver, é por isso que ainda possuo uma TV de tubo 14 polegadas e empaquei no Playstation 2.

 

Haha, sabemos muito bem como é isso, com a gente cada visita a uma comic shop como a Comix é uma dor no bolso… Mas gastando com o que se gosta, está valendo!

E o que você mais gosta de comprar para ler? Qual seu gênero favorito? Dentro desse gênero, qual seu personagem favorito?

Eu ainda leio muito super-herói e às vezes nem sei por que. É puro vicio. Mas acho que me tornei eclético ao longo dos anos, então eu leio praticamente tudo: Terror, Eróticos, Autobiográficos, Biográficos, Mangá Seinen, Shonen, Shoujo, Fantasia… Meu personagem favorito é o Batman, mas também sou fã do Itto Ogami, da Barbara Thorson (personagem de I Kill Giants) e de Calvin & Hobbes. Na adolescência, eu adorava os X-Men porque eu me sentia um mutante deslocado, hoje em dia nem tanto.

Eis uma questão importante: como você guarda sua coleção de HQs? Utiliza-se de alguma técnica para conservá-los, como colocar tudo em saquinhos, ou não se importa muito com isso?

Edições mensais eu sempre guardo em caixa de papelão, organizados por editora e título. Encadernados vão para as estantes ou vão para caixas, depende de quanto espaço consigo nas estantes. Eu uso saquinhos plásticos para separar minisséries, sem me importar muito em usá-los para ensacar individualmente cada edição, pois isso custa muito dinheiro e francamente, acho um saco. (uha-haha)

Eu fiz um post detalhado sobre isso no Quadrinhossauro, logo quando criei o site, que vocês podem ler clicando aqui (jabá-á-á-á-á)

Você empresta seus quadrinhos numa boa, ou prefere mantê-los sempre próximos para ninguém dar regaço? 

Nunca! É que nem namorada: Emprestou, ou não volta ou volta estragado. Já cheguei a comprar uma segunda cópia de determinada HQ para dar de presente a um amigo que vivia me pedindo emprestado.

 

Todo colecionador tem manias, seja um ritual para leitura, uma bela cheirada na revista nova, um dia específico para comprar ou mesmo nunca se desfazer de nada, qual é a sua (ou quais são as suas)? 

Eu sempre compro minhas HQs nas sextas ou sábados, e prefiro ir comprar ao vivo sempre que possível. Comprar pela internet, só em último caso. E eu sempre levo comigo duas listas de compras, a “Lista Longa”, de HQs para comprar quando tiver oportunidade (feiras, promoções, etc…) e a “Lista Curta” de HQs Buy On Sight, ou seja, comprar na semana de lançamento. A Lista Curta está quase sempre vazia, mas a Lista Longa não para de crescer. Puro desespero.

Ah, e seu sempre lavo as mãos antes de ler minhas HQs.

Imagine que o Superman em pessoa veio até você e disse: “Matheus, meu caro Matheus, eu e a Liga da Justiça precisamos confiscar todos os seus quadrinhos, exceto dez deles! Escolha dez para ficar com você e diga adeus aos demais!”. Se isso acontecesse, quais seriam os seus dez quadrinhos?

Você tá brincando? Se isso acontecesse, o mundo ganharia outro Lex Luthor. E eu não descansaria até recuperar minhas HQs, esmagar a Liga da Justiça e provar para todos que eles são uma força do mal!

Mas eu escolheria

  • Watchmen
  • I Kill Giants
  • Piada Mortal
  • The Filth
  • Incal
  • Asteryos Polip
  • Maus
  • Cavaleiro das Trevas
  • Retalhos
  • Qualquer volume de Calvin & Hobbes

Isto é, até matar a Liga e recuperar as outras.

 

Vimos no seu canal do YouTube um vídeo chamado “Review Raivoso”, em que você faz a resenha de uma HQ extremamente detestável! Conte para o pessoal como surgiu a ideia de manter a caixa dos quadrinhos tranqueiras e, caso puder, diga alguns dos títulos que já estão lá dentro.

A ideia de manter uma caixa só de quadrinhos tranqueiras não surgiu, ela simplesmente aconteceu de forma natural. Quando se compra muitas HQs, combinado com a vontade de conhecer coisas novas, acho isso inevitável. Todo colecionador deve ter sua cota de quadrinhos hediondos.

Mas a minha maior inspiração para os vídeos foi o canal do Angry Videogame Nerd. Eu sempre assisto e pensei que poderia transpor esse tipo de crítica com humor nervoso para falar de HQs. Mal sabia eu o trabalhão que dá fazer esses vídeos.

Eu até poderia dizer quais outras HQs, além de Homem-Aranha – Potestade, tem dentro de minha caixa exclusiva de tranqueiras, mas isso seria queimar pauta, já que pretendo fazer mais vídeos da série. Mas garanto que não são poucas.

Você mantém mais alguma coleção, como livros ou DVDs? Se sim, descreva brevemente essa(s) outra(s) coleção(ões), os principais itens, quantidade, etc.

Compro Action Figures quando posso, uma coleção com relação bem próxima à coleção de quadrinhos. Ultimamente, tenho adquirido bem menos, pois o valor do Dólar só faz subir. A minha favorita aqui em casa é o Superman Comunista da minissérie Entre a Foice e o Martelo.

Obrigado pelo papo, Matheus! Para finalizar, deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil e use o espaço como um jabá do seu site e canal do YouTube.

Leitores e colecionadores, cuidem bem das suas HQs, pois nunca se sabe quando elas se tornarão raras. Nunca as subvalorize, HQs tem tanto valor literário quanto livros comuns e são, cada uma delas, pequenas obras de arte ao alcance de todos. Passem para seus filhos e netos. Valorizem os autores e artistas adquirindo as edições que vocês gostarem.

E venham conhecer o http://quadrinhossauro.com e o canal http://www.youtube.com/user/Quadrinhossauro, deixem seus comentários e sugestões e vamos falar mais sobre HQs!

Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros aficcionados e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

Minha Estante #42 – Marcio Martins

E o Pipoca e Nanquim tem o orgulho de trazer mais uma entrevista com um colecionador de quadrinhos, pra esta que já é a coluna mais legal sobre HQs de toda a internet (estamos errados?).

Dessa vez vocês vão conhecer Marcio Marcio, um paranaense que tem uma coleção repleta de HQs, livros e DVDs! Veja porque ele não curte guardar suas edições em plásticos, quais os 10 melhores títulos que ele já leu, como costuma comprar e muito mais!

Em breve voltamos com mais coleções!

Olá, Marcio! Valeu por aceitar participar dessa entrevista e mostrar sua coleção. 

Para começar nos conte um pouco sobre você, onde nasceu, mora, o que faz na vida profissional?

Olá, eu sou Marcio Miguel Martins, mais conhecido na internet como Sasquash Cavalera. Nasci e moro em Curitiba e sou pedagogo.

 

Quando você começou a se interessar por quadrinhos?

Ainda muito guri minha mãe me incentivava a ler, e meu pai sempre me trazia quadrinhos usados de um sebo que ele frequentava perto do trabalho. Todo sábado era agraciado com um fardo de quadrinhos.

 

Você se lembra da primeira vez que se viu fascinado por uma HQ? Qual foi a história ou revista? 

Quando eu tinha por volta de 4 anos, o personagem Fantasma era um dos mais famosos nas bancas e ele me fascinou com aquelas historias na selva. Ainda nesse mesmo período comecei a gostar de Homem-Aranha, que se tornou meu personagem favorito.

 

Quando aconteceu a mudança de leitor ocasional para colecionador inveterado? Conte-nos sobre como começou a sua coleção.

Ainda na infância, com a coleção aumentando, eu me peguei fisgado pelo hábito de acompanhar as aventuras nos quadrinhos. Os desenhos animados também auxiliaram a divulgar os heróis e a turma toda comprava gibis, e trocando acabei começando a colecionar de verdade.

 

Quantas HQs você tem? 

Por volta de 2.000. Já cheguei a ter quase 5.000, mas comecei a ser mais seletivo. Por mais que eu goste de Homem-Aranha, Demolidor, etc, tem quadrinhos que não merecem figurar na coleção. Desfiz-me de muita coisa nas mudanças da vida e mantenho em meu apartamento somente o essencial. Cerca de 80% da minha coleção esta guardada na casa de meu pai, grande parte se dividindo entre formatinhos e edições dos anos 1970 a 1990.

Quais são os principais itens de sua coleção, séries e minisséries completas, encadernados de luxo, edições raras, etc. 

Meus itens favoritos na verdade são muito recentes, gosto muito do tratamento que a Panini vem mostrando ultimamente. Encadernados de Watchmen, Cavaleiro das Trevas, Supremos, V de Vingança… Recentemente estou caçando formatinhos em sebos e tenho encontrado coisas bacanas.

 

Qual o item mais raro de sua coleção? Ele é também o mais querido?

O mais raro é uma edição de Homem-Aranha #31 da Bloch, que tem na capa uma pintura emulando o Aranha da série de TV dos anos 1970. Como da pra ver na foto, encontrei ela no sebo por apenas R$ 1,00.

O mais querido é o Homem-Aranha #37 da Abril. Foi o primeiro gibi que eu comprei com meu dinheiro, ainda guri. Um primo meu foi na ComiCon anos atrás e conseguiu que Stan Lee autografasse. Segundo ele, Stan pegou o exemplar na mão e ficou folheando estranhando o formato e o papel…

Edição mais rara da minha coleção, paguei apenas um real!

Edição Homem-Aranha #37 autografada por Stan Lee!

Que tipo de quadrinho você mais gosta de comprar e ler? Seu gosto permanece o mesmo desde o início ou passou por mudanças ao longo do tempo?

Eu tenho ainda minha preferência pelo gênero super-heróis, principalmente da Marvel, mas a qualidade das histórias atuais anda bem capenga… Compro mais coisas antigas em sebos do que novas.

Eu sou de fases de heróis, pego pra ler Hulk e fico dias só lendo coisas dele, depois passo pra Capitão América, Super Homem…. Mas, basicamente, heróis.

 

Onde você costuma comprar seus quadrinhos? Livrarias, bancas, assinaturas, internet…?    

Com o advento dos encadernados tenho comprado muito online e em livrarias. Raramente compro algo em banca, prefiro sebos.

Onde e como você guarda sua coleção de HQs? Utiliza-se de alguma técnica para conservá-los ou não leva isso muito a sério?

Talvez isso possa soar meio polemico, mas eu não tenho essas manias de colecionador, porque antes de tudo sou leitor. Eu não vou me dar o trabalho de ensacar tudo para ter de desembalar quando tiver que ler… Mantenho longe da umidade, da luz direta e tiro o pó periodicamente. Acho que é o limite plausível.

 

Todo colecionador tem manias: cheirar os quadrinhos novos, catalogar os itens novos bem na hora que se compra, nunca se desfazer de edições repetidas, etc. Você também tem alguma mania? Qual?

Números repetidos é uma mania que eu não consigo parar. Tenho 4 versões diferentes de A Ultima Caçada de Kraven, e se lançarem um encadernado de luxo eu compro. Já tentei catalogar, mas não consigo… O máximo é ter uma lista da numeração de itens que eu ainda não tenho para poder caçar nos sebos.

 

Você considera esse nosso hábito de colecionar quadrinhos como um vício prejudicial? 

De maneira alguma, eu creio que ler quadrinhos é uma boa alternativa. As crianças de hoje tem lido menos por causa de internet e jogos, tem outras maneiras de se entreterem. O público de quadrinhos está diminuindo e envelhecendo, talvez por isso os encadernados de luxo têm feito tanto sucesso. Eu incentivo a leitura de quadrinhos sempre.

No momento, qual seu maior sonho de consumo, título(s) que você deseja muito adquirir e que está demorando a conseguir?

Eu estou na caça de números do Homem-Aranha de 1985 para baixo. Quero números da Bloch, Ebal e RGE. Estou comprando muito Fantasma dos anos 1970 por pura nostalgia.

 

Quais são seus roteiristas e desenhistas favoritos?

Gosto muito de Frank Miller, Alan Moore, Chris Claremont, Mark Gruenwald, Stan Lee, David Mazzucchelli, Mark Millar;

Desenhistas: John Byrne, John Romita Sr., Arthur Adams, Steve McNiven, Steve Rude, J. Scott Campbell, Ron Garney, Rodney Buchemi, Paul Smith, Terry Dodson, Todd McFarlane, Greg Capullo, Mike Wieringo;

 

Se tivesse que levar 10 HQs para uma ilha deserta, os únicos quadrinhos que poderia continuar lendo pelo resto da vida, quais seriam?

  1. Marvels
  2. Watchmen
  3. Cavaleiro das Trevas
  4. Reino do Amanhã
  5. League of Extraordinary Gentleman
  6. A queda de Murdock
  7. A Última caçada de Kraven
  8. Os Supremos
  9. Guerra Civil
  10. V de Vingança

Além de quadrinhos, gosta de manter mais alguma coleção? Se sim, qual seria?

Tenho coleção de DVDs, desde clássicos até meus queridos filmes adaptados de quadrinhos. Estou começando de verdade agora com os action figures, a coleção tende a crescer mais. Além dos meus livros, romances, biografias e livros sobre quadrinhos e música.

Muito obrigado pelo papo! Para finalizar mande uma mensagem para os colecionadores do Pipoca e Nanquim.

Obrigado a vocês do Pipoca e Nanquim pela entrevista. Mandar um abraço para os colecionadores de HQ do Brasil e para minha esposa Maria Clara, que aguenta todas essas minhas nerdices. Valeu!

Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros aficcionados e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

Minha Estante #41 – Tobias Orlandini

Mais uma belíssima coleção de quadrinhos aqui no Pipoca e Nanquim, provando que a coluna Minha Estante realmente voltou com tudo (veja a coleção da semana passada).

Dessa vez fomos prestigiados com um papo super legal com o gaúcho Tobias Orlandini, dono de uma linda estante com todo tipo de quadrinhos, inclusive um monte de importados que nos deixou (e também vai deixar você) morrendo de inveja (aquela inveja boa, sabe?).

Uma coleção desse nível merece seu comentário, merece a twittada, vale o like no Facebook, enfim, vamos incentivar a continuidade dessa coluna que permite que a nossa grande paixão pela nona-arte seja compartilhada da maneira mais legal de todas: mostrando para todos o orgulho de nossas coleções! Pois, se tem uma coisa que todo colecionador e leitor de HQs gosta, é conhecer as estantes de quadrinhos de outros com o mesmo hobby.

E fiquem com mais uma excelente entrevista! Leiam para fazer parte da conversa e apreciem as fotos.

Olá, Tobias! Muito obrigado por topar participar dessa entrevista.

Para começar, nos conte um pouco sobre você, onde nasceu, onde mora, o que faz na vida profissional?

Meu nome é Tobias Orlandini, nasci e moro na cidade de Encantado, no Rio Grande do Sul, e sou médico dermatologista.

 

Lembra-se de quando você começou a se interessar por quadrinhos?

Sim, aconteceu aos seis anos de idade, quando estava de cama com febre e minha mãe me deu uma revista da Ebal, um álbum colorido do Homem-Aranha. Depois disso eu sempre dava um jeito de ir com a mãe ou o pai na banca da cidade e voltar com uma revista em quadrinhos, normalmente os formatinhos da Abril, em especial O Incrível Hulk ou Superaventuras Marvel (com os X-men).

Quando aconteceu a mudança de leitor ocasional para colecionador inveterado?

Foi na época da faculdade, em Porto Alegre, conheci vários colecionadores e lojas especializadas em quadrinhos e admirei o trabalho deles. Em Encantado, eu tinha um armário cheio de revistas espalhadas de qualquer maneira, algumas até danificadas, e quando voltei de férias eu coloquei tudo em ordem, nesse momento virou uma coleção. O tempo que moreiem Porto Alegreme possibilitou adquirir muitas revistas raras e frequentar espaços para colecionadores, foi ótimo.

 

Quantas HQs você tem? 

Não conto mais faz tempo, mas calculo entre 3000 e 3500 revistas.

 

Descreva um pouco a sua coleção: os principais itens, séries e minisséries completas, encadernados de luxo, edições raras, conteúdo em geral, etc.

Minha coleção tem uma quantidade igual de material nacional e importado. Desde que as compras pela internet ficaram acessíveis passei a importar muitas obras, pois muita coisa que me interessava só tinha lá fora, e em edições luxuosas que só nos últimos anos foram lançadas no Brasil. Gosto muito dos Hardcovers americanos, dos Essential em preto e branco, dos álbuns europeus em capa dura e das minisséries de luxo encadernadas. Títulos europeus eu tenho Manara, Moebius, Bourgeon e Enki Bilal, pra mim são os gênios que admiro. No geral tenho mais quadrinhos Marvel, depois DC, mas tenho uma prateleira de Disney, uma de Mangás, Ken Parker, Martin Mystere e até Smurfs! Tenho excelentes edições nacionais do Conan (Espada Selvagem da Abril, Conan, o Bárbaro da Mythos, especiais da Abril), coleções completas de super-heróis e de terror da RGE e da Bloch. Como curiosidade, só tenho os Almanaques Gigantes e Edições Extras da Ebal e nada mais antigo que isso, provavelmente porque comecei a ler quadrinhos após o auge desta editora, e sempre gostei mais das edições especiais que eram lançadas.

Como edições raras posso citar O Túmulo do Conde Drácula da Editora Saber, os Almanaques Gigantes da Ebal (todos), os Archives da Legião dos Super-Heróis, dois volumes Limited do Batman em capa de couro (um do Frank Miller e outro sobre o Coringa), as três edições Marvel Limited em capa e sobrecapa de couro dos X-men, a coleção completa Marvel Illustrated de fantasia, a coleção completa de Miracleman e os quatro encadernados Miracleman da nacional Eclipse. Também tenho a coleção completa de Kripta e os especiais, a coleção completa e as minisséries do Ken Parker da editora Tendência/Tapejara. Além disso, coleciono livros do Tolkien, e a maior raridade é a coleção completa The History of Middle Earth em 12 volumes belíssimos, e livros do Stephen King, sendo o mais raro a edição nacional de Os Livros de Bachman.

Qual o item mais raro de todos?

Acho que é a coleção completa do Miracleman, englobando todas as edições lançadas no Brasil e nos EUA e os quatro encadernados, que são muito difíceis de encontrar. Os Marvel Limited dos X-men também são dificílimos.

 

Quais são seus personagens e séries preferidas, os que você sempre que possível compra e mais gosta de ler?

Meus personagens preferidos são os X-men, e pra mim os melhores quadrinhos já produzidos foram os X-men na fase Claremont/Byrne. Também gosto muito do Conan clássico de John Buscema, e dos Vingadores e Novos Titãs do George Perez, Quarteto Fantástico do Byrne e Legião dos Super-Heróis. Tenho até coisas repetidas em formatos diferentes destes materiais, porque são os que mais gosto.

Como você costuma comprar suas HQs? Pela internet, em bancas e livrarias, em sebos? 

Agora 90% das coisas eu compro pela internet, nos grupos de colecionadores, no Mercado Livre, no Ebay, Mycomicshop e Amazon. O resto eventualmente em bancas e livrarias.

 

E qual foi a maior raridade que já comprou pelo menor preço?

Puxa, raridades por preço baixo em bom estado nunca encontrei, mas já me surpreendi com preços justos, uma vez que a regra é sempre um pouco acima do preço justo nos sites. Lembro-me de uma coleção de Conan, o Bárbaro da Mythos por preço justo, a coleção da Kripta mais seus especiais por um preço também muito justo, uma edição de A Espada Selvagem de Conan – As Melhores Histórias (que é rara pois só venderam por encomenda) por um valor legal também.

Como você guarda sua coleção de HQs? E qual técnica usa para conservá-los?

Guardo na minha estante, quase todas as coleções dentro de plásticos, as portas são abertas todo o dia para evitar umidade, e deixo as velhas bolinhas de naftalina, uma em cada prateleira, para as traças, embora minha esposa deteste o cheiro quando passa por lá!

Você empresta seus quadrinhos numa boa, ou prefere mantê-los sempre próximos para ninguém dar regaço?

Só empresto edições repetidas ou aquelas que já pretendo vender. Outras, só lendo lá em casa sob supervisão!

 

Todo colecionador tem manias, seja um ritual para leitura, uma bela cheirada na revista nova ou nunca se desfazer de nada, qual é a sua?

Acho que a minha mania é mexer na coleção todo o tempo que estou em casa sem fazer nada. Troco os títulos de prateleiras, passo do fundo pra frente alguma coleção, junto tudo o que eu tenho de um personagem em uma prateleira só… Fuço bastante.

Tem algum item que você quer muito ter, mas que está praticamente impossível de encontrar? 

Os itens que eu mais desejava na época da universidade eu consegui depois de muita procura, mas uma coleção que eu ainda adicionaria sem pensar duas vezes seria a coleção completa de Spektro, da editora Vecchi, mas essa é praticamente impossível encontrar mesmo!

 

Qual foi sua última leitura e qual está sendo a atual?

Atualmente estou lendo muito Conan, repassando a coleção da Mythos em ordem cronológica, a Espada Selvagem de Conan e os livros Conan – The Ultimate Guide e os contos originais escritos pelo criador Robert E Howard.

Você lê quadrinhos mensais ou atualmente fica apenas nos encadernados? 

Praticamente só encadernados no momento, prefiro as coletâneas americanas de um personagem do que os mixes nacionais. Mas estou colecionando os encadernados da Panini lançados aqui também, são muito caprichados.

 

Você mencionou que tem alguns títulos europeus. Quais são as obras européias mais sensacionais que já leu e acha um tremendo vacilo das editoras brasileiras não publicarem por aqui?

Olha, eu li sobre a coleção de outra pessoa publicada aqui mesmo na coluna Minha Estante, não me lembro exatamente quem, que elogiou muito as obras de Bourgeon, e foi o primeiro contato que eu tive com esse escritor e desenhista. Eu me empolguei e decidi procurar as edições da editora portuguesa Meribérica, e hoje tenho todas. Posso afirmar que se trata do melhor desenhista de HQs que eu já vi, o mais realista e detalhista, recomendo a todos. Além disso, a pesquisa histórica dele para as séries Companheiros do Crepúsculo e Passageiros do Vento é impecável! É um pecado ninguém publicar essas edições aqui no Brasil.

Sempre gostei de Moebius e de Milo Manara, são mestres também, e estes já tem uma produção representativa por aqui. Também Enki Bilal é ótimo, especialmente com a Trilogia Nikopol e a tetralogia O Sono do Monstro, e a trilogia saiu completa por aqui recentemente, fiquei muito feliz. Destes quatro autores europeus eu tento comprar tudo o que encontro que ainda não tenha na minha coleção.

Além de HQs, você mantém mais alguma coleção? Se sim, descreva brevemente sua segunda coleção, os principais itens, quantidade, etc.

As coleções de livros – principalmente do Stephen King (todos os livros dele, parte nacional e parte importada) e do J.R.R. Tolkien (tudo sobre a Terra Média que ele publicou, porque sempre fui fã). Também tenho os livros do Conan que eu já citei, e que recomendo a todos os fãs do cimério.

Obrigado pelo papo, Tobias! Para finalizar, deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Obrigado pela oportunidade de mostrar um pouco da minha coleção, já que toda a coleção é um trabalho árduo e custoso, e todos nós sentimos orgulho de mostrar os frutos deste trabalho. Meu recado é para que os amigos colecionadores sigam com suas coleções, não desistam de encontrar aquelas edições que sonham em adicionar, e não desanimem com as críticas de quem não coleciona, porque só quem faz a sua coleção sabe como é prazeroso. Claro que é uma atividade que muitas vezes a gente não divide com família ou amigos diretamente (quando eles não curtem quadrinhos, é claro; quando curtem é perfeito), mas que nos deixa felizes para curtir mais todos os outros momentos com as pessoas de quem gostamos. Abraço a todos!