Minha Estante #60 – Luiz Gonçalves

Olá, amigos do PN!
Depois de um longo hiato, voltamos com nossa coluna favorita, a Minha Estante.
E, claro, retomamos mantendo o nível das outras coleções mostradas aqui. Cabe dizer que quem cuidará dessa coluna a partir de agora será o Alexandre Morgado, grande colecionador e conhecedor de quadrinhos.

Hoje o papo é com o grande colecionador Luiz Gonçalves, que mora em Minas Gerais.
Luiz que é formado em Desing, mestre em comunicação, professor universitário e empresário. Fundador e diretor há 25 anos da agência de propaganda e marketing Aliás Comunicação e Branding.
Nessa entrevista, ele vai nos mostrar a sua grande coleção, com foco em seu belíssimo acervo europeu, além do seu “kit de sobrevivência” que serve para reparar, higienizar e restaurar suas HQs.

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Olá, Luiz! Muito obrigado por participar desta entrevista.

Eu é que agradeço. É muito bom poder compartilhar com apreciadores e amantes de bons quadrinhos esta coleção, motivo de muita alegria e bons momentos na minha vida.

Como começou a sua fascinação por quadrinhos?

Cedo, cedíssimo, aliás, fui alfabetizado com quadrinhos, aos cinco anos estava soletrando Pato Donald… Bem, a coisa evoluiu para uma primeira estante lotada de tudo da Disney e olha só, já contava com os meus queridos europeus: Asterix, do Uderzo e Goscinny, Smurfs, do Peyo e Mortadelo e Salaminho, do Francisco Ibañez. Infelizmente a coleção (salvo alguns itens) não resistiu ao tempo. Após a adolescência e quando saí da casa dos meus pais no interior para estudar em Belo Horizonte, foi tudo doado. Mas é bacana saber que deve ter sido muito bom para a criançada que dividiu o bolo!

Na universidade, recuperei a coisa com outro olhar. Em uma época meio mágica dos anos 80, levei a porrada da Revista Animal, que realmente me aplicou na temática que gosto até hoje, esta coisa meio transgressora e irreverente, com este filtro bacana de quadrinho de autor.

Após me formar, em uma viagem a Espanha, que na época estava bombando na cena de HQ underground, comecei a pesar a barra, aí voltei de lá com mala cheia de Tebeos (como os comics são chamados na Espanha) e um gosto legal de ler em outras línguas e ir apurando nas temáticas e nos grandes artistas das BDs (Banda Desenhada), no estilo franco-belga e linha clara, capitaneado por Hergé, criador do Tintim, que caracteriza grande parte dos autores que gosto.

A fascinação continua até hoje! Ganho a vida com imagem (Design) e narrativa (Marketing e Propaganda). De certa forma, as HQs me retribuem muito, pois ampliam minha visão e sensibilidade.

Quantos quadrinhos você tem?

Minha biblioteca tem cerca de 4.500 volumes, dos quais uns 3.000 são álbuns e revistas em quadrinhos e no iPad deve ter mais uns 1.000 digitalizados…

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Qual é o foco da sua coleção?

Meu recorte é Quadrinho Europeu, principalmente das décadas de 80 e 90. Também tenho uns americanos que considero fora da curva, como Will Eisner, Richard Corben, Charles Burns… e alguns brasileiros bacanas e com temática mais adulta e/ou de humor. Mas o foco é BD Europeia, continental, já que tirando Watchmen, do Alan Moore, não tenho praticamente nada da Inglaterra.

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A sua coleção é bem organizada. Qual é a sua técnica de organização?

Olha só, classifico principalmente por autor, pois geralmente eles têm um estilo e temática que favorece este tipo de ordem. Como a maioria dos meus quadrinhos não são seriados e sim álbuns com histórias fechadas, a melhor forma é agrupar desta forma.

Você tem muitas HQs, que nunca foram publicados no Brasil. Em sua opinião, por que alguns desses materiais nunca foram lançador por aqui?

Acho que é uma questão de viabilidade econômica mesmo, tem que ter público! Afinal, editar quadrinhos, pagar royalties, imprimir e distribuir, é um processo que fica caro, não tem jeito. Se não tiver uma fatia disposta a comprar, a conta não fecha.
Tem também a questão da concorrência de gêneros, principalmente nas novas gerações. Franquias Marvel, DC Comics, Mangás… Páreo duro para os Europeus, que na década de 80 e 90, tiveram muita coisa sensacional publicada
aqui por editoras como L&PM, Martins Fontes e VHD Diffusion. Aí em 2000 teve um hiato muito grande, mas esse nicho começou a ser recuperado recentemente pela Editora Nemo, que vem fazendo um trabalho fantástico.

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Qual HQ você gostaria que fosse publicada por aqui?

Pois é… tem tanta coisa, né? Mas seria muito bom ter sagas completas como as do Ken Parker, do Milazzo, Jeremiah, do Hermann e XIII, do Vance…

Onde você costuma comprar esses materiais europeus?

Garimpar em sebos é muito bom e faço isso há muitos anos. Aqui em BH temos uns bem legais no centro da cidade, mas o meu grande canal mesmo é uma rede de amigos e vendedores de confiança em Portugal, Espanha, França e Argentina.
Faço minhas compras com calma e com boas negociações no Ebay da França e da Itália e em sites tipo leilão na Espanha e Portugal, pago por meio do Paypal. O custo de frete para enviar um livro para o Brasil facilmente chega ao dobro do valor da edição, assim, diluo a despesa concentrando as encomendas em um único endereço, casa de algum destes amigos que mora do país de origem da compra. Quando, literalmente, o saco enche (saco multi-postal com 5 quilos e frete econômico em modalidade aérea ou marítima) eles enviam para mim e eu reembolso.
(Esta é a melhor forma, pois o serviço postal é muito caro para o Brasil. Assim consigo viabilizar e tenho regular e literalmente a visita de um Papai Noel carregando o saco de quadrinhos na figura do carteiro)

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Quais são os quadrinhos e os artistas que você mais gosta?

Bem, por gênero: Adulto/Erótico, Fantástico, Sci-fi, Underground, Noir/Policial, Bélico e Histórico.

Por Autores: Hugo Pratt, Tanino Liberatore, Bourgeon, Milo Manara, Crepax, Enki Bilal, Moebius, Max Cabannes, Yves Chaland, Floch, Alain Grand, Giraud, Boucq, Vuillemin, Edgard P. Jacobs, Jacques Martin, Seravis, Hermann, Segrelles, Gibtrat, Vance, Schuiten e Peeters, Serpieri, Magnus, Schultheiss, Hergé, Miguelanxo Prado, Daniel Torres, Cañalez e Garrido, Will Eisner, Richard Corben, Dino Bataglia, Sergio Toppi, Guido Crepax e Jordi Bernet.

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Percebi que você não tem quadrinhos de super-heróis. Você não gosta desse tipo de histórias?

Na minha opinião, o problema do superpoder é que ele mascara ou anula a fraqueza humana que é fonte de todo drama… Viajo na leitura de HQ como fosse um filme, a imagem mental com as cores mais reais, admitindo a fragilidade, mesmo quando é sci-fi ou fantástico, me agrada muito mais. Nada contra os homens de capa e as mulheres de chicote, mas prefiro mesmo carne crua.

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Você acha que o estilo de quadrinhos publicados no Brasil é parecido com os publicados na Europa?

A produção de quadrinhos no Brasil conta com autores bacanas. Obviamente, seguir um determinado estilo é escolha do autor. Pela fase em que se encontra ou por sua formação e repertório, diria que atualmente tem gente produzindo muita coisa boa em um caminho mais genuíno e com DNA próprio do Brasil, sem necessariamente seguir escola europeia, americana ou japonesa, o que é muito bom!

Falando sobre quadrinhos nacionais, tem algum que você goste?

Sim! Vários, para citar alguns: Flávio Colin, Eugênio Colonesse, André Toral, Marcatti, Lourenço Mutarelli, Eduardo Schloesser, Cynthia e Ofeliano, Danilo Beyruth, Marcelo Quintanilha, André Toral, Fábio Moon, Gabriel Bá, entre outros!

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Qual o item mais raro da sua coleção?

Minha coleção é de um período relativamente recente, coisa de 35 anos, sendo assim, antiguidade não vale, o que conta são edições com tiragem mais limitadas ou esgotadas. Tenho muita coisa com cotação acima de 100 Euros por edição, como volumes das Obras Completas do Corben e várias edições do Tanino Liberatore.
Do Brasil, tem um Manara, a Arte da Palmada, que é “inconseguível” assim como a antiga edição de Olhos do Gato, de Moebius, publicada pela Martins Fontes nos anos 80, única em português até surgir o lançamento este ano pela Editora Nemo. Essa Olhos de Gato cheguei a vender lá fora por 200 Euros, pois tinha duas!

Tem algum item que ainda lhe falta, que você quer muito ter, mas está praticamente impossível de encontrar?

Então, é inesgotável a vontade de ter tudo, né? Mas não dá. Até que meu ciclo de europeus está bem completo. Dos nacionais, gostaria de duas obras antigas do Lourenço Mutarelli: A Confluência da Forquilha e Eu te amo Lucimar. Fica o aviso aos navegantes!

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O que tem lido ultimamente que mais gostou?

Achei muito bom os dois últimos livros do Marcelo Quintanilha: Talco de Vidro e Tungstênio. Também li recentemente um álbum muito esclarecedor abordando o problema de depressão e bipolaridade: Parafusos, de Ellen Forney.

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Você possui um “kit de sobrevivência” para HQs. Nos conte mais detalhes sobre ele?

Possuo muitas HQs de segunda mão, compradas em sebos ou web, assim, na hora de colocar um álbum na estante junto com seus irmãozinhos, é muito importante fazer um trabalho de verificação, eventuais reparos e higienização, afinal é com mãos e olhos que a gente absorve a leitura, né? Então, o primeiro passo após desembalar a obra é abrir a caixa do kit abaixo e por mãos à obra.

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Geralmente faço assim:

1) Limpeza: pano seco (flanela limpa) e borracha branca para remover poeira e sujidade.

2) Banho solar: Duas horas. Coloco com a contracapa para cima em luz direta, na varanda. Isto ajuda a matar eventuais bactérias e fungos, além de eliminar umidade que dá aquele cheiro de papel velho. A propósito, se realmente estiver cheirando mal, deve-se colocar em uma caixa bem fechada (tipo caixa de camisa) com umas duas colheres de Bicarbonato de Sódio (aquele saquinho branco) por dois dias, isto sequestra a umidade e elimina qualquer cheiro.

3) Recuperação: limpeza das laterais (áreas de corte das folhas) para eliminar sujidade, poeira ou ferrugem. Dobro uma lixa d’água fina (tá lá na caixa, encontrada em lojas de materiais de construção) e, pacientemente, com movimentos suaves vou lixando as laterais sujas, segurando o corpo da folhas sem a capa e contracapa. Para isto aconselho a colocar uma máscara tipo cirúrgica baratinha para não aspirar partículas nocivas, ok?

4) Verificação: Checar rasgos e folhas soltas no caso de encadernados, para isso lá na caixa: Fita Mágica 3M (reforço ou remendo), cola Pritt (cantos), cola branca (Lombada interna), tesoura e estilete (eliminação de rebarbas).

5) Higienização: Pasta Branca Pérola, que contém citronela (Antiácaro e traças). Esta pasta é utilizada para conservação de couro natural e sintético, não mancha, tem cheiro agradável e consistência muito firme. Passo pouquinho e espalhando com espuma macia na capa, lombada e contracapa.

6) Odorização: nada melhor que uma HQ com cheiro bom! Borrifo nas laterais (geralmente faço uma pilha com os álbuns) uma mistura aromatizadora que eu mesmo faço. Para 100 ml do produto uso: 90% de álcool de cereais ou álcool absoluto 99% (Veículo), 10% de Propilenoglicol (produto estabilizante que preserva a essência por meses) e 15 gotas de Óleo Essencial de Cedro, misturo tudo em um vidro com borrifador, agito por 5 minutos para ter o melhor perfume que o dinheiro não pode comprar. O Cedro é um antibactericida natural, mata traça e cupim, afasta inseto e tem um cheiro amadeirado que impregna no papel. Show de bola. Os itens você compra nesses links: Império das Essências e Natue. 

7) Acondicionamento: se for uma edição cartonada ou grampeada em papel poroso, coloca em sacos de Polipropileno Cristal já adesivados do tipo abre e fecha, superprático e dá um ótimo acabamento. Os meus compro na web, tem diversos tamanhos: 20×30, 23×35, 35×50… Vai um link para comprar baratinho: Rapidão Embalagens.

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Além de quadrinhos você coleciona outras coisas?

Sim, reitero a linha de colecionadores de HQs que curtem miniaturas, mas no meu caso, como não sou chegado a super-heróis, não tenho Action e Toys Figures. Tenho uma coleção muito abrangente (100 miniaturas) de cadeiras clássicas do Design.

Além disto, coleciono outras coisas, como miniaturas de instrumentos musicais, selos, cactus e suculentas, DVDs, CDs e outras tralhas legais… Não vou mostrar aqui por que não tem a ver com quadrinhos, desvirtua. Mas quem quiser pode conferir no meu Pinterest. 

O que vale mais: Uma HQ bonita de capa dura ou uma boa história?

Óbvio que é a boa história! Este é o benefício do produto, o papel é apenas um dos veículos, assim como um e-reader ou tela de computador.

Mas tem o seguinte: na minha opinião, ler uma boa HQ, com uma história envolvente que geralmente levou meses de dedicação de um artista, deve contemplar uma experiência mais ampla, de preferência de natureza estética. Assim, o acabamento de um livro, o bom cheiro, a textura do papel e a capa valorizam as horas envolvidas com aquele mundo em suas mãos.

No meu caso, o paraíso na terra é estar à tarde na varanda, luz do dia, jazz baixinho (de preferência um instrumental do Chet Baker) abafando o burburinho da família presente na casa (mulher, filho, sogra, papagaio e cachorro), tomando um soberbo Gin Tônica e lendo uma boa e bem cuidada HQ!

É isso aí! Muito obrigado por participar, Luiz!

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Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros fãs e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

Minha Estante #59 – Nuno Amado

Salve, salve, amigos dos Pipoca e Nanquim!

É com muita honra que apresentamos a vocês mais uma edição da coluna Minha Estante.
Essa é uma entrevista muito especial, pois marca um passo além na nossa iniciativa… atravessar o oceano! Isso mesmo, depois de mostrar as estantes de colecionadores de todo o Brasil, chegou a hora de conhecer o acervo de Nuno Amado, que mora em Portugal.

Espero que curtam muito e deixem seus comentários.

Nuno Amado Leituras de BD

Olá, Nuno! Muito obrigado por topar participar dessa entrevista. Para começar nos conte um pouco sobre você, onde nasceu, mora, o que faz na vida profissional?

Olá, Daniel.
Nasci no Ribatejo, província central de Portugal, e acabei vindo morar em Oeiras (perto de Lisboa) aos oito anos. Foi aqui que passei toda a minha juventude, só saindo quando me alistei na Força Aérea Portuguesa. Neste momento a minha profissão é Técnico de Manutenção Aeronáutica – Motores de Avião na TAP Portugal.
(E continuo a morar em Oeiras…)

Quando você começou a se interessar por quadrinhos?

Foi aos oito anos. O meu pai ofereceu-me a revista Tintim nº 12 do 4º ano, nunca mais me esqueci, embora já não tenha essa revista há décadas…
Naquele mesmo ano, descobri no sótão da minha avó duas revistas Marvel (penso que da Ebal), uma com o Quarteto Fantástico e outra com Namor e Hulk. A partir daí nunca mais parei até ter entrado na Força Aérea…

Você se lembra da primeira vez que se viu fascinado por uma HQ? Qual foi a história ou revista?

Num curto período de tempo, que aconteceu na passagem à adolescência, tive na minha mão os três títulos que mais me marcaram nas HQ:
Incal;
– Passageiros do Vento;
– Bela mas Perigosa.

Quando aconteceu a mudança de leitor ocasional para colecionador inveterado?

Nunca fui um leitor ocasional. Depois da minha primeira revista Tintim colecionei todos os números que o meu pai comprou pra mim. Entretanto a revista Tintim ficou cara e comecei a colecionar os formatinhos da editora Abril, a Mundo de Aventuras, Asterix em álbuns, entre outras séries que saiam nos anos 1980.
Infelizmente quando casei e mudei de casa, durante essa mesma mudança desapareceu metade da minha colecção. Quando mudei de casa novamente, passados cinco anos, desapareceu o resto. Cheguei à conclusão de que os trabalhadores de mudanças gostam muito de HQs… a partir daí não comprei mais quadrinhos até por volta dos anos 2000. Aí comecei novamente a comprar, visto que a Devir estava em força e com alguns bons títulos. Em 2004 aconteceu a desgraça… o vício bateu forte depois de tantos anos adormecido e decidi que queria recuperar todos os livros desaparecidos da minha juventude, e até hoje não parei!

Quantas HQs você tem?

No formato livros tenho cerca de 2500, em revistas e formatinhos serão mais 500/600.

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Quais são os principais itens de sua coleção, séries e minisséries completas, encadernados de luxo, edições raras, etc?

Tenho alguns livros de valor. Mas as minhas pérolas são mesmo os 26 livros em formato Absolute (capa dura e com caixa) e o John Romita’s Spider-Man – Artist Edition, da IDW (formato extra gigante – A3 com scans de alta qualidade feitas a partir das páginas originais).

Qual o item mais raro de todos?

Bom, eles estão sempre a variar de preço no mercado paralelo. Mas posso destacar os dois Absolute Authority, o Absolute Planetary vol.1 (1ª edição), Umbrella Academy Deluxe Edition Vol.1, John Romita’s Spider-Man – Artist Edition, enfim, todos os encadernados de luxo atingem bom valor…

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E qual foi a maior raridade que já comprou pelo menor preço?

Em relação a preço versus raridade vem-me logo à cabeça o Clic 3 em capa dura da editora Meribérica, que me custou 5€ novo há uns meses… andei anos à procura desta edição que nem tem preço porque simplesmente não aparece à venda em lado nenhum. A única vez que vi um à venda foi num alfarrabista (sebo) muito maltratado e tinha um preço de 100€.

Você compra HQs importadas?

Sim, grande parte da minha coleção é em inglês, aliás, já é a maior parte da minha coleção. As publicações portuguesas são poucas e curtas, por isso me virei para livros em inglês.

Onde costuma comprá-las?

Amazon e Book Depository essencialmente.

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Possui algum item autografado?

Tenho muitos livros autografados em festivais de HQ. Podia ter mais, mas não tenho “pachorra” para estar de pé durante horas à espera de um autógrafo. Prefiro estar com amigos, a visitar o festival, ir às zonas comerciais procurar algum livro que me interesse. Se de repente houver uma abertura numa fila, aí eu avanço!

Como você guarda sua coleção de HQs? E qual técnica usa para conservá-las?

Guardo em móveis com os livros, todos na vertical. Não ponho os livros uns por cima dos outros… (só alguns formatinhos). Tenho um desumificador por causa da umidade no inverno, e tenho uma cortina para entrar o menos Sol possível na sala onde estão os livros: a minha Bedeteca!

Todo colecionador tem manias, seja um ritual para leitura, uma bela cheirada na revista nova ou nunca se desfazer de nada, qual é a sua?

Eu lavo as mãos, retiro a dust cover (se o livro tiver), acendo a luz de leitura por cima do sofá e sento-me confortavelmente…

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Tem algum item que quer muito ter, mas está praticamente impossível de encontrar?

Tenho muitos!!! Ahahahhaha
Neste momento ando à procura de um Hawkman Vol.1 DC Archive por preços decentes, e de um Mouse Guard que também está esgotado e com preços muito “salgados”. Esses são os dois livros de que eu ando mesmo à procura neste momento.

Qual foi sua última leitura e qual está sendo a atual?

A minha última leitura foi o Óh, Miúdas do autor Lepage, e neste momento estou a ler o Omnibus Hack/Slash Vol.4 do Tim Seeley.

Quais são seus 10 quadrinhos brasileiros favoritos?

Bem, o meu conhecimento dos quadrinhos brasileiros não é muito grande, mas adorei o Daytripper, Piratas do Tietê, 10 pãezinhos, Encantarias – A Lenda da Noite, Astronauta – Magnetar, enfim… deve haver outros tantos na minha coleção de que eu não me estou a lembrar neste momento!

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Além de quadrinhos, você também possui outras coleções?

Claro… todo o bom colecionador de Banda Desenhada TEM de colecionar figurinhas!
Possuo 100 figuras de chumbo DC e 50 da Marvel, tudo em chumbo da marca Eaglemoss; possuo muitos Smurfs, vários Dragões McFarlane em PVC e tenho muitos Elfos e Guerreiros a cavalo também em PVC.

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Obrigado pelo papo, Nuno! Para finalizar, deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Leiam, leiam muito!
Não sejam preconceituosos em relação aos vários tipos de quadrinhos. Sei que no Brasil a maioria dos leitores ou são “Marvettes” ou “DCnautas”… isso é muito curto!
Leiam HQ Europeia, e leiam HQ Japonesa! Não se prendam com preconceito, quem gosta MESMO de HQ tanto lhe faz de onde vem, se é a cores ou a preto e branco, capa dura ou mole, se se lê da direita para a esquerda ou ao contrário! Desde que tenha qualidade e prazer na leitura todos os gêneros são válidos. Eu sempre evitei Mangá. Até que li o primeiro. A partir daí acabaram os preconceitos! Existem muitos Mangás de alta qualidade!

E tentem a BD Europeia… é de grande qualidade! Não se fiquem por super-heróis… aliás, nos EUA tem muita HQ sem ser de super-heróis e de grande qualidade!

Alarguem as vossas prateleiras a coisas novas!
E claro… apoiem a HQ brasileira de qualidade, porque ela existe e precisa de ser acarinhada.

Um abraço a todos!

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Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros fãs e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

 

Minha Estante #58 – Leonardo Dantas

Olá, colecionadores do Brasil!

Depois de um grande hiato, é com muita honra que apresentamos mais uma entrevista da coluna favorita de todos vocês! Dessa vez batemos um papo muito legal com Leonardo Dantas, um grande fã da nona arte, com uma predileção por quadrinhos do selo Vertigo. Provavelmente uma das maiores coleções desse tipo que já mostramos por aqui.

Quer ver mais edições de Minha Estante? Então no ajude a espalhar a notícia sobre esse espaço. Quem tiver uma coleção de gibis bem bacanuda pode nos mandar um e-mail ([email protected]) para combinarmos a participação. É isso!

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Olá, Leonardo! Muito obrigado por topar participar dessa entrevista.
Para começar nos conte um pouco sobre você, onde nasceu, mora, o que faz na vida profissional?

Nasci em Salvador, vim para São Paulo com quatro anos e fiquei por aqui mesmo, moro num bairro chamado Vila Diva na Zona Leste (Lost), entre o Anália Franco e Tatuapé. Trabalho na Oi Wifi como analista de sistemas.

Quando você começou a se interessar por quadrinhos? 

Comecei a ler mesmo com 13 anos, há 16 anos atrás, e o meu começo nos quadrinhos foi inverso de qualquer pessoa normal, aos 13 anos tudo que eu conhecia e lia um pouco era Turma da Mônica em geral, não me interessava por HQs de heróis, achava que tudo era muito americanizado e clichê, estava entrando na era punk e como toda criança juvenil me achava muito adulto para esse tipo de coisa.
Quando, um dia andando pela rua, vi na banca a revista Almanaque Vertigo, com a capa do Preacher, aquele que só saiu a primeira edição, dei uma folheada e vi uma violência maravilhosa e como qualquer criança, li e adorei! Então você imagina ler Preacher, Homem-Animal e Shade na época de ouro da Vertigo, com 13 anos de idade.
Realmente foi um marco, e comecei minha carreira lendo apenas revistas supostamente para leitores maduros e depois fui abrindo a mente para comics e mangás, acho que 90% do que a DC e a Marvel lançam, são lixos comerciais mas dentro desses 10% temos muitas revistas e sagas excelentes, é só saber procurar e não ficar com preconceito sem antes conhecer.

Você se lembra da primeira vez que se viu fascinado por uma HQ? Qual foi a história ou revista?

A primeira revista que eu tive contato foi Preacher, depois, outro grande clássico: Sandman. 

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Quando aconteceu a mudança de leitor ocasional para colecionador inveterado?

Bom, com 13 anos já era um colecionador inveterado, pois comprava tudo que o dinheiro que uma pessoa dessa idade consegue ganhar. Como gostava de ler e tinha poucas revistas, vendia muita coisa para conseguir outras e ter sempre revistas novas para ler e tive um ótimo mentor nessa área: o Ricardo da LucaHq; ele me mostrava tudo que saiu ou já tinha saído, e sempre me incentivava a ler qualquer tipo de HQs indiscriminadamente.

Quantas HQs você tem? 

Algo entre 2000 há 2500, nunca cheguei a contar.
A maioria Vertigo e séries fora do eixo da DC e da Marvel.

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Quais são os principais itens de sua coleção, séries e minisséries completas, encadernados de luxo, edições raras, etc?

Tenho alguns encadernados de luxo como, Watchmen, Preacher, Transmetropolitan, Os Supremos, X-men: Messiah Complex, Eu sou Legião, Tom Strong, Promethea…
Tenho coleção importada completa do Invisibles, Chosen (do Mark Millar), umas 200 HQs em grampo do Hellblazer e, infelizmente, vendi há algum tempo a coleção completa do The Books of Magic, a série mensal.

De raridade pode-se dizer que tenha a edição 10 do Spawn original americano e o primeiro TP de Doom Patrol. E Hérois em Ação 4 e 5 com a origem do Homem-Animal.

Qual o item mais raro de todos?

Não saberia dizer qual é o item mais raro entre todos, como não coleciono Ebal ou Abril, não tenho nada muito raro.

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E qual foi a maior raridade que já comprou pelo menor preço?

Akira 31 por 1 real, Sandman: Préludios e Noturnos (editora Globo) do 1 ao 9 por 20 reais.

Você compra HQs importadas?        

Antigamente pegava bastante, pois a situação aqui era caótica, principalmente para quem gosta de quadrinhos subversivos e, consequentemente, tem bem menos leitores.
Hoje em dia, a Panini e a Mythos estão fazendo um ótimo trabalho com encadernados e muitos lançamentos bons.

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Onde costuma comprá-las?

Encomendava com o Celso, da Comic Hunter, e alguns na Super. Às vezes encontro algo no Mercado Livre, mas faz uns bons anos que não pego nada importado.    

Possui algum item autografado? 

Tenho alguns do Nanquim Descartável, com dedicatória do Daniel Esteves, que sempre que pode, pede para eu parar de ler Vertigo e ler coisa boa nacional. (risos)       

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Como você guarda sua coleção de HQs? E qual técnica usa para conservá-las?

Todas ficam dentro do armário, em pé, para fácil retirada (quem guarda em pilha sabe o trabalho que dá buscar algo em especial), lacradas com plástico normal para conservar de qualquer tipo de problemas como, mofo, traça e pó. Tem quem diga que isso causa amarelamento, mas depende muito do papel, e ele ficará assim com ou sem plástico. Tira um pouco da vivacidade e nas fotos não ficam tão legal, mas prefiro não arriscar possíveis acidentes.

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Todo colecionador tem manias, seja um ritual para leitura, uma bela cheirada na revista nova ou nunca se desfazer de nada… qual é a sua?

Minha mania deve ser emprestar revistas, ao contrario da maioria dos colecionadores que não gostam de emprestar nada, eu gosto de emprestar para pessoas de confiança conhecerem e não precisarem gastar para apreciar uma boa leitura, claro que isso já me causou bastante aborrecimentos, porque só um colecionador sabe como é importante cada revista e sabe cuidar.
Também gosto de ler e guardar na hora, sou bastante organizado nos títulos, dividindo eles em categoria e nada de deixar jogado pela casa.
Como gosto de tatuagem, fiz uma em homenagem ao Spider Jerusalém (protagonista de Transmetropolitan), cheguei a mandar para o Ellis e o Robertson e recebi uma resposta do desenhista agradecendo o apoio ao trabalho dele, já o bastardo do Ellis nunca me respondeu, também não esperava menos dele. (risos)

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Tem algum item que quer muito ter, mas está praticamente impossível de encontrar?

O Fábulas 4 da Panini tá quase impossível, eu tenho o importado, mas agora vou completar a nacional mesmo. The Filfh do 5 ao 13. E também o Doom Patrol: The Painting That Ate Paris.

Qual foi sua última leitura e qual está sendo a atual?

Juiz Dredd – Origens e estou lendo Fábulas. 

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Quais são seus 10 quadrinhos Vertigo favoritos?

Os Invísiveis;
Sandman;
Preacher;
Transmetropolitan;
Monstro do Pântano;
Homem-Animal;
Hellblazer;
100 Balas;
Os Livros da Magia;
V de Vingança.

Hey!!! Mas quem disse que eu só gosto de Vertigo?

Da DC:

Grandes Astros: Superman;
O Cavaleiro das Trevas.

Da Marvel:

Os Supremos;
Os Novos X-men, por Grant Morrison;
Poder Supremo.

Nacional:

Todos do Mutarelli;
Material do pessoal do Petisco.

Mangá:

Vagabond;
Blade – A Lâmina do Imortal;
Homunculus.

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Além de quadrinhos, você também possui outras coleções? 

Coleciono livros e tenho alguns bonecos como mostrado nas fotos.

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Obrigado pelo papo, Leonardo! Para finalizar, deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Primeiramente, espero que para quem tem a mente fechada para a leitura, como eu quando comecei a ler,  veja por meio dessa história, que temos uma gama mas diversificada e consiga sair um pouco do eixo Marvel, DC ou mangá.
Temos muitas histórias boas para ficarmos limitado, e não ligue para críticas que outras pessoas fazem para certas histórias ou editoras e selos, leia e faça sua própria crítica.
E que sempre continuemos com essa que é e sempre será o melhor tipo de coleção.
Um ótimo natal e ano-novo!!! Abraços para os amigos da Bacia!

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read-comicsMinha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros fãs e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

 

Minha Estante #53 – Toni e Laíse Rodrigues

Olá, colecionadores!

Bem-vindo a mais uma edição da sua coluna favorita!

Hoje apresentaremos mais uma coleção espetacular (óbvio!) com um diferencial muito bacana, ela pertence a um casal simpaticíssimo, verdadeiros apaixonados pela nona arte e colecionismo em geral.

Toda a entrevista foi respondida pelo Toni e Laíse Rodrigues, resultando num ótimo bate-papo, que você confere agora…

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Para começar nos conte um pouco sobre vocês, onde nasceram, moram, o que fazem na vida profissional?

Laíse: Nasci em São Paulo, no bairro da Bela Vista, em um apartamento perto da praça 14 Bis. Sempre gostei de desenhar e contava com o incentivo dos meus pais. Meu pai já havia ilustrado e feito quadrinhos para a revista Sesinho antes de eu nascer. Me formei em artes plásticas na USP onde nos conhecei Toni, que fazia o mesmo curso. Meu sonho era fazer animação, mas acabei, com incentivo e orientação do Toni, fazendo a carreira como ilustradora.* 

Toni: Eu nasci em São Paulo também, não sei o bairro. Sou publicitário, Diretor de Arte por formação, mas sempre gostei de quadrinhos e comecei minha carreira escrevendo terror e ilustrando layouts em propaganda.

*(Conheça o estúdio de ilustração da Laíse  aqui – N. do E.)

Quando vocês começaram a se interessar por quadrinhos?

L: Com pais leitores e sendo a terceira de quatro irmãos, os quadrinhos caiam em minhas mãos mesmo antes de eu aprender a andar. Como minha mãe sempre teve o habito de não jogar nada fora, as pilhas de quadrinhos cresciam naturalmente. Lia-se de tudo indiscriminadamente: Disney, Mônica, Ebal, Globo… Parte era comprada por meus irmãos mais velhos, parte por uma tia, o que ocasionava às vezes tanto a compra de edições duplicadas quando a perda de alguns números.

T: Comecei a me interessar na barbearia em que meu pai me levava para cortar o cabelo, antes mesmo de aprender a ler. O barbeiro, o “Zé Barbeiro” como era conhecido, era um grande leitor de quadrinhos, não de colecionar propriamente, mas ele tinha um armário na barbearia com uma bela pilha que vivia sendo renovada e eu adorava aquilo. Depois que aprendi a ler comecei a frequentar a barbearia mesmo quando não ia cortar o cabelo, só pra ler. Ele deixava. Era um cara muito bacana e apesar de magrão, tinha sido lutador de luta livre profissional, conhecia o Tigre Paraguaio, o Aquiles e outros lutadores da época.

Ambos: Também gostamos de artes marciais. Principalmente o Aikido, que praticamos há mais de vinte anos.

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Vocês se lembram da primeira vez que se viram fascinados por uma HQ? Qual foi a história ou revista?

L: A fascinação maior começou com a revista Gibi Semanal, com a qual conheci os grandes “monstros” dos quadrinhos como: Hal Foster, Alex Raymond, Will Eisner, etc…

T: Tarzan 49, 3ª série (Coleção Lança de Prata – Volume 20), da Ebal. A segunda parte de uma adaptação de Tarzan no Centro da Terra, com capa de Moe Gollub e desenhos de Doug Wildey. Foi meu primeiro gibi favorito. Só fui ler a primeira parte muito tempo depois, pois a revista chegou às minhas mãos bem depois de ter sido editada.

Quando aconteceu a mudança de leitores ocasionais para colecionadores inveterados?

L: Quando começamos a namorar. O Toni me apresentou a outros mestres dos quadrinhos que eu não conhecia e passamos a frequentar juntos sebos, bancas e livrarias.

T: Quando meu pai passou por acaso num sebo na Praça do Correio e querendo me agradar comprou de uma vez só umas 20 revistas e me trouxe de presente. Coitado, mal sabia o que tinha acabado de fazer…

Quantas HQs vocês possuem?

Ambos: Cerca de 15.000.

Como vocês guardam sua coleção de HQs? E quais técnicas usam para conservá-las?

Ambos: Nossa coleção hoje é guardada numa grande sala, em estantes de madeira, que é também nossa biblioteca e estúdio, onde trabalhamos e passamos a maior parte do tempo. Foi construída para esse fim. Os quadrinhos são acondicionados em sacos plásticos com a abertura para cima, dobrados e fechados com um pequeno pedaço de fita mágica. O local é bem ventilado, mas o lado onde ficam as estantes com os quadrinhos não tem janelas, portanto não recebem luz do sol diretamente.

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Quais são os principais itens de sua coleção, séries e minisséries completas, encadernados de luxo, edições raras, etc.?

Ambos: Bom, temos uma coleção de coleções. Uma coleção grande de quadrinhos; uma pequena, mas bem formada de originais de quadrinhos e ilustração, da qual nos orgulhamos muito; uma coleção de bonecos de borracha que apitam (que é mais da Laíse); uma de action figures; uma de brinquedos diversos; uma de arminhas de espoleta antigas; uma de pinguins (também da Laíse, e esta inclui todo tipo de pinguins, desde os de geladeira a brinquedos de corda); uma de máscaras orientais (balinesas, japonesas, chinesas); e uma bela biblioteca também. De quadrinhos, temos praticamente tudo o que foi publicado pela Ebal, todos os quadrinhos de super-heróis da Bloch, Abril e Globo e muita coisa avulsa também de editoras como Outubro, GEP, Taika, LaSelva.

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Alberto Breccia

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Bob Lubbers

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Don Sherwood / Ruben Van Buren

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Elísio de Albuquerque

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Lee Falk & Fred Frederiks

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Ramon Lampayas

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George Wunder / George McManus  / John Cullen Murphy

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Qual o item mais raro de todos?

Ambos: Difícil dizer isso. Nos gibis, exemplares do Suplemento Juvenil e primeiros números de várias revistas. Nos originais, temos dois J. Carlos. A Laíse tem pinguins bem raros e bonecos de borracha que estão em livros americanos catalogados como “raros”.

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E qual foi a maior raridade que já compraram pelo menor preço?

Ambos: Compramos com bom senso, raramente pagamos muito por qualquer coisa. Mas uma vez a Laíse comprou um pinguim de prata do século 19 por um dólar. E compramos um original de Terry e os Piratas por 60 dólares também.

Vocês compram HQs importadas?

Ambos: Sim, principalmente Showcases, Essentials e Archives, material mais antigo que nunca foi bem publicado ou que simplesmente nunca foi publicado por aqui. E também quadrinhos europeus e mangas.

Onde costumam comprá-las?

Ambos: Amazon e Ebay. De vez em quando na Comix e na Livraria Cultura.

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Todo colecionador tem manias, seja um ritual para leitura, uma bela cheirada na revista nova ou nunca se desfazer de nada, qual é a sua?

Ambos: A cheirada na revista nova é indispensável. Desfazer de alguma coisa só no caso da troca da mesma edição em melhor estado.

Tem algum item que quer muito ter, mas está praticamente impossível de encontrar?

Ambos: Cerca de 10 revistas da Ebal, que são muito, muito raras, mesmo não tendo nenhuma explicação do por que. Um Superman dos anos 50 e um Zorro dos anos 70 estão entre elas.

Qual foi sua última leitura e qual está sendo a atual?

Ambos: O que compramos em banca atualmente se resume a Mágico Vento e Julia, mais um ou outro especial. Mas estamos lendo muitos encadernados. No momento nossos favoritos são: a série Fábulas e os encadernados de Lost in Space, da Dark Horse. A última história que lemos e gostamos muito foi Astronauta: Magnetar, do Danilo Beyruth.

Quais são seus 10 quadrinhos favoritos de todos os tempos e por quê?

Ambos: Ken Parker, Príncipe Valente, Tarzan (de várias fases diferentes), Watchmen, Homem-Aranha (até os anos 70), Batman (entre o final dos anos 60 até os anos 2000), Mágico Vento, Lobo Solitário, Samurai Executor e Calvin e Haroldo. Não sabemos justificar isso, caramba, e tinha mais coisas para entrar nesta lista…

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Quais são seus personagens favoritos, aqueles que vocês procuram adquirir tudo que é lançado?

Ambos: Tarzan, Batman, bons europeus de diversas origens, tanto espanhóis quanto franco-belgas e italianos. Osamu Tezuka e outros mangás mais antigos (quanto mais para trás de Akira, melhor).

Para finalizar, deixem um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Colecionar é bacana, mas não pode virar loucura. Não se pode pagar o que certos vendedores acham (sem a menor base) que valem seus itens, sejam lá o que for. Um gibi do Pato Donald não pode custar 10 mil dólares nem que tenha o autógrafo do Disney.

Use o bom senso na hora de comprar e compre com critério o que quer que você resolva colecionar. Temos quantidade, mas qualidade importa bem mais.

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Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

 

Minha Estante #52 – João Marcos

Olá, amigos do PN e colecionadores do Brasil!

Preparados para mais uma edição da sua coluna favorita do seu site predileto?
Então conheça agora a coleção do João Marcos.

Estamos esperando os comentários.

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Olá, João! Muito obrigado por topar participar dessa entrevista.
Para começar nos conte um pouco sobre você, onde nasceu, mora, o que faz na vida profissional?

Um salve a todos que acessam o Pipoca e Nanquim!
Me chamo João Marcos, tenho 25 anos e primeiramente gostaria de agradecer pela oportunidade de poder participar e compartilhar com todos o que eu tenho até o momento.
Atualmente divido meu hobby de colecionador entre HQs, vídeo games e jogos antigos, que é uma paixão sem fronteiras! Tem gente que me chama de “guarda tralhas”, devido as coleções que tenho.
Atualmente, moro em Bragança Paulista, minha terra natal, a capital da linguiça (fama estranha, até certo ponto, enfim…).
Sou formado como tecnólogo em gastronomia, porém, atualmente estudo Relações Internacionais e, estou começando uma pós em Direito Internacional e faço alguns trabalhos como fotógrafo. Fotografia é mais hobby do que trabalho, é uma tremenda bagunça. (risos).

Quando você começou a se interessar por quadrinhos? 

Acho que foi quando eu tinha uns 5 anos de idade, na época, meus pais assinavam os gibis da Turma da Mônica. Passava horas lendo as historinhas, e também fui influenciado pela Disney, que tinha seus desenhos na tevê.  Levando em consideração a influência do meu pai e meu avô que colecionavam filmes na época.

Você se lembra da primeira vez que se viu fascinado por uma HQ? Qual foi a história ou revista? 

Teve duas coisas que marcaram, que até hoje não esqueço, uma delas foi uma edição do Manual do Escoteiro Mirim, não me recordo o nome correto, mas foi uma que continha várias informações que não eram do meu conhecimento.

A segunda foram os gibis do Mortal Kombat e Street Fighter, que vieram para o Brasil seguindo a fama dos jogos. Até me lembro do Capitão Ninja, nosso “Deadpool”, que vinha em histórias curtas na revista Gamers.

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Quando aconteceu a mudança de leitor ocasional para colecionador inveterado? 

Foi devido ao canal de tevê Locomotion, e da saudosa revista Herói, que marcou tanto a minha infância como a de muitos brasileiros, era o ápice dos animes na época, ao lado da Rede Manchete e Cavaleiros Do Zodíaco. Mais ou menos no final da década de 90, a Editora Conrad resolveu publicar os mangás de CdZ e do Dragon Ball, algo até então inédito em nosso idioma. Ali foi o início de tudo… Mesmo morando a apenas 80km de São Paulo capital, aqui não chegava nas bancas tudo o que era lançado.

Quantas HQs você tem? 

2760, todas catalogadas e divididas da seguinte maneira:

DC =  1109 , sendo 434 sódo Batman;
Marvel = 658 , sendo 186 dos X-Men;
Outras HQs = 286;
Mangás = 707;

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Quais são os principais itens da sua coleção. Séries e minisséries completas, encadernados de luxo, edições raras, etc… 

É algo tão complicado de se escolher… encadernados de luxo tenho poucos, não sou muito fã, prefiro ir atrás das edições antigas, a não ser que venha ser uma novidade, algo inédito, enfim… Tem o Batman Dia das Bruxas, Batman Preto e Branco e tal…

Falando no geral, todas intituladas “Um Conto De Batman”, que são várias histórias, Pokémon em HQ , Street Fighter, Tomb Raider, Darkness e Wichtblade (só os da Globo), Asterix, Cavaleiros do Zodíaco, Dark Angel, Ronin, Reino do Amanhã, W.i.l.d.Cats e X-Men, Morte do Superman e muitas outras…

Qual o item mais raro de todos

Hoje, as edições que eu tenho de Mega Man, algo impossível de se encontrar!

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E qual foi a maior raridade que já comprou pelo menor preço?

Não sei, creio que foi quando comprei uns 10 ou 15 números, não me recordo ao certo, de Um Conto De Batman, em uma feira. Cada uma custava, em média, 60 a 80 reais, paguei em todos, 200 reais.

Você compra HQs importadas?     

Sim, não são muitas, procuro mais por Gen 13, Grifter (Bandoleiro) e as da DC que acho perdidas por aí…

Onde costuma comprá-las?

No Ebay e, principalmente, no Bazar do Salomão, aqui em Bragança, onde sempre encontro as da DC em inglês.

Como você guarda sua coleção de HQs? E qual técnica usa para conservá-las?

Separo por coleções, cada uma tem seu lugar, fica mais fácil de localizar e guardo-as embaladas, cada HQ em um saco individual, depois  junto entre 4 e 5 e embalo juntas, para facilitar o manuseio, afinal, sofro de falta de espaço como todos colecionadores.

Normalmente, limpo os locais onde as guardo, 1 vez por mês ou quando me sobra tempo, quinzenalmente.

Tentei abri o máximo possível para as fotos aqui, mas … é tão bem embalado que até complica …

Todo colecionador tem manias, seja um ritual para leitura, uma bela cheirada na revista nova ou nunca se desfazer de nada, qual é a sua? 

As antigas, normalmente eu dou uma bela cheirada, e quase morro, as vezes vem com um cheiro infernal de mofo , já que nem todos tem os cuidados necessários com elas.
Outra mania, é de as vezes ler novamente a mesma página de 2 as 3 vezes para pegar cada detalhe do quadro, do desenho, colocar embaixo do abajur e ficar revirando até sugar o máximo da HQ.

Tem algum item que quer muito ter, mas está praticamente impossível de encontrar?

Gibis do Mega Man , que saíram na década de 90! Tinha a coleção completa, porem em uma das inúmeras mudanças de casa, minha mãe vendeu elas entre outras sem me avisar. Atualmente tenho umas 3, que achei depois de garimpar muito. Se alguém tiver, quiser negociar, me mande um email [email protected] , faça esse mero colecionador feliz!

Qual foi sua última leitura e qual está sendo a atual?

Sem levar em consideração as do Batman, que se possível, leio uma por dia, não tenho algo certo para ler, já que são tantas, então faço uma mescla para conseguir ler todas, porque no meio tem meus mangás , mas normalmente, HQs do Lanterna Verde, que é meu preferido depois do Batman , e mangás que estão a anos no mercado !

Já que é um fã inveterado do Batman, quais são as 10 melhores HQs do personagem?

Algumas são minisséries e, com muita dificuldade, levando em consideração não só a história, mas o desenho , enredo, etc, vou escolher 10:

1 – Um Conto De Batman:  De Volta A Sanidade;
2 – Um Conto De Batman: Gothic;
3 – Um Conto De Batman: Shaman;
4 – Vitória Sombria;
5 – Túnel do Tempo;
6 – Terminus Hotel;
7 – Filho Do Demônio;
8 – Messias;
9 – Noites De Gotham;
10 – Colheita Maldita

PS: Cavaleiro Das Trevas não conta ! Haha

PS 2 : Noite Das Corujas no Os Novos 52 , está bem interessante! Nas bancas!

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Além de quadrinhos, você também possui outras coleções? 

 Fora as HQs , coleciono mangás, LP’s , CD’s , Dvd’s , álbuns de figurinha, videogames e seus respectivos jogos, que é uma paixão sem limites…

Obrigado pelo papo, João! Para finalizar, deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Gostaria de agradecer a oportunidade novamente, e aos amigos colecionadores e futuros colecionadores, procure bem antes de comprar o primeiro que encontrar, a não ser que seja algo raro, use muito o Guia dos Quadrinhos, afinal, sem ele, a coleção seria uma grande balburdia. E mais, aceito doações, com o maior prazer do mundo. (risos)

E colecione o que tu tens vontade, indiferente da opinião alheia!!

Lembrando que, não é porque 90% das pessoas acham uma HQ, uma minissérie excelente, que ela é rara. As mais raras são as que você mais gosta! E nunca julgue uma HQ pela capa!

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Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!