Bastion e Limbo – Os melhores jogos minimalistas da atualidade

Ultimamente jogos “minimalistas” estão aparecendo por todos os cantos pelo mundo dos games. Jogos como Minecraft e Angry Birds estão em alta. De qualquer forma, Bastion e Limbo foram os que mais me agradaram e com certeza conquistaram seu lugar na minha lista de favoritos. Segue aí uma resenha rápida dos dois!

A SuperGiants Games resume bem Bastion: “O protagonista Kid é arremessado em um universo que literalmente desmoronou ao seu redor. Agora, ele deve construir um refúgio e um novo mundo com os resquícios do passado.

Logo de cara, o visual desse jogo conquista sua atenção. Seus olhos se perdem fácil na beleza exuberante das cores. Dos cenários até os mínimos detalhes de Kid, Bastion é algo que vale a pena simplesmente sentar e apreciar sua natureza aquarelada. A paisagem, desenhada a mão, é simplesmente linda para ser ignorada. Esta arte sensacional vai de contra a narrativa do jogo, um mundo que foi despedaçado pela Calamity. De qualquer forma, o mundo parece estar se reconstruindo a cada passo seu.  Tão impressionante quanto à arte é a trilha sonora que acompanha sua jornada.  Perfeitamente sincronizada com a narrativa e o timing da ação.  Poucas trilhas sonoras em games conseguem realçar tanto a experiência do jogador.

Bastion é uma história contada pelo narrador Rucks (excelente atuação de voz). Ele é seu confidente, aparentemente um conhecedor do presente universo que irá lhe ajudar durante a jornada para reconstruir este mundo. Apesar de não viajar junto ao seu lado fisicamente, Rucks estará constantemente narrando a história de acordo com suas ações na tela. Esse mecanismo garante uma sensação de interatividade com o jogo extremamente cativante. Raramente você vai ouvir uma repetição nos diálogos de Rucks. Da mesma maneira que cada passo de Kid reconstrói um pedaço do mundo, Rucks constrói sua história, como em um livro, a cada ação na tela. Se você domina a língua inglesa, é o jogo ideal.

Nenhuma dessas qualidades funcionaria sem uma jogabilidade perfeita. Em sua essência, Bastion é um RPG de ação, e um dos bons. Matar tudo que aparece na sua frente e catar o que os inimigos deixam para você é uma estratégia bem familiar, mas este jogo consegue agrupar todas essas características com perfeição. Como em todo bom RPG, você coleciona diferentes armas com diversas utilidades, itens mágicos, enfrenta inimigos com poderes variados e pro ai vai, ou seja, todos os ingredientes necessários para um ótimo role -playing.

Bastion é amor nerd à primeira vista. Enlouquece sua mente com seu visual arrebatador, conquista seus ouvidos com sua excelente trilha sonora e faz uso de uma narrativa inovadora que realmente prende sua atenção. Misturados, todos esses elementos fazem de Bastion um território familiar e único ao mesmo tempo.

*Por enquanto Bastion está disponível apenas na XBOXLIVE. A versão para PC estará disponível dia 16 de Agosto pela Stea.


Já com Limbo a Playdead anuncia de forma mais minimalista ainda: “Duvidoso quanto ao destino de sua irmã, um garoto entra no Limbo.”

Essa é a história inteira do jogo. Um game brilhante no estilo plataforma/quebra-cabeça que é tão misterioso quanto cativante. Simples, quieto e elegante.

Não há prólogo, tutorial e nem cenas de apresentação. Limbo não precisa de nada disso, é um jogo que preenche suas sinapses com inúmeras possibilidades de histórias para o passado do protagonista. Trata-se de um mundo criado entre sombras e silhuetas que fazem justiça ao seu nome. As únicas teclas necessárias são as setas para movimentação e o CTRL para interagir com objetos.

O jogo se desenvolve na base da experimentação e descobertas, que são apresentadas a você vagarosamente na crescente dificuldade de cada enigma. Alguns quebra-cabeças são tão complicados que você perde compromissos na vida real (vai por mim) tentando resolvê-los. Não que isso seja uma chatice, pelo contrário: a dificuldade de solucionar um dos enigmas e a satisfação de concluí-los são balanceadas com perfeição. Tudo em meio “personagens” esquisitos e criaturas bizarras.

A morte é algo que você vai encarar freqüentemente no jogo até porque nada lhe é explicado. Apesar de ser um pouco frustrante e graficamente mórbido, é exatamente essa a proposta do jogo: passar uma sensação de um ambiente tenso, perigoso, triste e por mais esquisito que soe, sonolento.

Você começa em um lugar que parece uma floresta destruída por um incêndio. Na medida em que você avança no jogo, cenários como vilas tribais e complexos industriais começam a freqüentar a tela. Tudo isso sob muita sombra, corpos, esqueletos dentro de jaulas, enforcados em árvores, etc. Mesmo que você não seja um fã de jogos de plataforma, facilmente ficará surpreso com a facilidade que o jogo tem para prender sua atenção.  Ainda mais quando você, assim como eu, ficar se perguntando a cada segundo: O que é que está acontecendo? Para aonde levaram minha irmã? Por que estão tentando me matar?

Viciante, divertido e cativante Limbo é um jogo que se sustenta em uma história que é contada simplesmente através da jogabilidade e nenhum outro recurso. É garantido que você jogue até o final. E que final.

*Limbo está disponível para PC. Na Steam ele custa $9,99.


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Leonardo Chacel é formado em Publicidade. Depois de cinco anos como livreiro, chutou o pau da barraca e virou tatuador e gamer porque jogar e desenhar é o que faz de melhor. Além de escrever sobre games para o PN escreve sobre música (só as boas) em seu blog Overdose Contínua.