Criação do SHAZAM e a maior disputa judicial dos quadrinhos | Papel Jornal #07

Quando Superman foi criado em 1938, a revolução que ele causou foi inegável. Seu surgimento está entre os mais importantes acontecimentos da história das HQs – se não for “o” mais importante. Como todos estão carecas de saber, os mais diversos super-heróis vieram na rasteira do homem de aço, alguns tão diversos quanto o próprio Batman, mas indubitavelmente, todos valendo-se do caminho que ele pavimentou. Até ai tudo bem, os demais heróis que surgiram eram criativos à sua própria maneira, como o Tocha Humana da Timely, porém, em fevereiro de 1940, quando a editora Fawcett publicou a revista Whiz Comics #2, a National (antiga DC) sentiu pisarem em seu calo.

ENCADERNADOS SHAZAM NA AMAZON:

O super-herói apresentado naquela edição tinha super-força e voava, os dois poderes mais emblemáticos do homem de aço. Os leitores (como eu) que têm aversão a essas babaquices de litígios irão imediatamente espernear: Mas Superman tem sua origem na ficção científica e o Capitão Marvel na magia; na identidade secreta um é Clark Kent e o outro um menino; os uniformes são completamente diferentes; o tom das aventuras do Super é sério, enquanto do Capitão Marvel é humorístico…

Sim, todos argumentos válidos que atestam que as diferenças superam as semelhanças, principalmente com o passar do tempo, em que as aventuras dos dois heróis começaram a ir em direções diametralmente opostas. Porém, a coisa começou a esquentar ainda mais quando na década de 40, a popularidade de Superman começou a decair, enquanto Capitão Marvel iniciava uma subida meteórica. Sua revista era dita a mais vendida de todos os tempos, e publicada quinzenalmente!!! A National não engoliu.

Derrotada nas bancas, a empresa entrou com um processo de plágio contra a Fawcett. Entre seus argumentos, estavam os dois já citados acima (poderes semelhantes), além de outros como “Clark Kent é um repórter de jornal e Billy Batson trabalhava na televisão; os dois têm cabelos curtos e escuros; os dois têm supervilões que são cientistas loucos e carecas – Lex Luthor e o Dr. Silvana; etc.”.

À exemplo do processo que envolveu os direitos do Homem-Aranha nos cinemas e que a maioria deve estar mais familiarizada por ter ocorrido recentemente, este também foi bastante complicado. As brechas nas leis eram acionadas e, de repente, todo mundo queria uma fatia do bolo. Por exemplo, o ator Fred MacMurray entrou com uma ação reivindicado direitos de imagem, pois dizia que o Capitão Marvel havia sido baseado em si – o que não era verdade. O sucesso da revista do herói chamou a atenção de muita gente, porém ainda assim, a Fawcett ganhou a primeira instância, que durou de 1941 a 1948. Seu argumento era forte: os poderes de ambos os heróis já datavam de antigas lendas, vindas desde os primórdios da civilização, afinal o Capitão Marvel se baseava em Hércules, Aquiles, Salomão, etc. Fato interessante, é que a Fawcett também usou como argumento que Superman não era o primeiro super-herói a deter aqueles poderes, já que invulnerabilidade e super-força eram atributos usados por Popeye antes do homem de aço.

O segundo round veio quando a DC apelou, descontente com a decisão – e parecia disposta até mesmo a levar o assunto à suprema corte norte-americana. Entretanto, os tempos haviam mudado – entrava a década de 50 e com ela, o declínio dos super-heróis, que não conseguiam competir com as novas tendências. Assim, em 1953, a Fawcett fechava as portas, mas não antes que as duas editoras decidissem por um fim ao processo. A Fawcett pagou, portanto, a quantia de US$ 400.000,00 à National referente aos custos do processo e tirou seu herói das bancas.

Vinte anos depois, em 1972, o mundo dava mais uma volta e a DC comprou os direitos sobre os personagens que pertenciam à Fawcett e passou a publicar as histórias do Capitão Marvel. Um ponto interessante, é que para sobreviver ao declínio que os heróis sofreram na década de 50, a National teve uma estratégia de gênio ao antecipar a crise que viria. Em 1944, a editora criou o Superboy – e o fez de tal forma que sua conectividade com o público jovem fosse fortíssima. Resultado, quando todos os heróis declinavam na década de 50, por causa de sua contraparte jovem, Superman retornou ao topo, voltando a ser a revista de heróis mais vendida da época.

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Miracleman: Livro 1 – Se Não Leu, Leia!

Em 1953, o escritor Mick Anglo, contratado pela editora inglesa Len Miller & Son, criou aquele que seria o substituto do Capitão Marvel (Shazam) em publicações no território da rainha, já que o personagem havia sido descontinuado pela detentora de seus direitos na época, a Fawcett Comics.

Assim nascia Marvelman.

A criação, porém, era praticamente uma cópia da personagem em que fora baseado, já que a editora não queria uma simples troca, e sim, continuar com as publicações do selo Fawcett como se nada tivesse se alterado – republicando inclusive histórias antigas com outros logos e chamadas.

Na versão inglesa, ao invés de receber seus poderes de um mago, o repórter Mick Moran (alter-ego de Marvelman), ganha suas habilidades especiais de uma entidade astrofísica e usa a palavra “kimota” (atomic) no lugar de “shazam” para se transformar. Até seus sidekicks (parceiros) foram substituídos: saem Capitão Marvel Jr. e Mary Marvel e entram Young Marvelman e Kid Marvelman, ambos fazendo uso da palavra “marvelman” para ativarem seus poderes. Para completar o quadro, faltava a presença de um vilão, e foi assim que surgiu o maquiavélico Dr. Gargunza – equivalente ao Dr. Silvana, principal algoz do Capitão Marvel em suas histórias.

Este universo recheado de aventuras simples e inocentes perdurou por vários títulos publicados e republicados pela Len Miller & Son, até que no ano de 19631 tudo chegou ao fim.

Mas para nossa sorte, não era o final derradeiro desta familia Marvel.

A década de 80 chegou, e com ela, uma grande reformulação no universo dos quadrinhos, principalmente com a nova leva de escritores ingleses que surgia, posteriormente  chamada de Invasão Britânica.

O editor britânico Dez Skinn tencionava publicar uma nova revista de quadrinhos chamada Warrior e como carro chefe, queria reviver um personagem até então esquecido e deixado de lado por editores da época – nada mais, nada menos do que Marvelman. Para o feito, entrou em contato, em 1981, com um escritor até então desconhecido, que por coincidência havia declarado anteriormente em uma entrevista o desejo de criar material exclusivo para este héroi.

Seu nome? Alan Moore!

O escritor, como de costume, não se conteve em apenas dar continuidade à história do ponto onde ela parou:
reestruturou totalmente o contexto da personagem, desvinculando-a de vez, daquilo que fora concebido para ser apenas uma cópia do Capitão Marvel e originando assim a primeira “desconstrução” de um herói nos quadrinhos.

Pulverizando clichês e utilizando-se dos escombros para erguer a nova mitologia Marvelman, Moore aplica seu “toque de Midas”, sem receio de empregar mudanças radicais e relevantes, iniciando assim, uma transição no universo dos super-heróis.

“Liz, por favor! Isso, droga… isso pode parecer ridículo em 1982,
mas na década de 50 fazia sentido. É como eu me lembro. É como aconteceu!
– Marvelman

Não havia lugar para temáticas carregadas de simplicidade e ingenuidade: as décadas de 50 e 60 haviam ficado para trás, junto com os conturbados anos 70. Então, levando em consideração todo o contexto de uma nova época que surgia, o escritor injetou doses de dramaticidade e um clima sombrio para a HQ.

Somos (re) apresentados à Michael Moran, agora um repórter freelancer, adulto e casado, que anda sofrendo com terríveis dores de cabeça e é freqüentemente assombrado por pesadelos. Nestes sonhos perturbadores, ele não está sozinho – porém, nunca consegue identificar seus companheiros. Moran tem a sensação de voar e possui um enorme poder; tudo, invariavelmente, acaba em fogo, dor e morte, com uma palavra ecoando em sua mente, da qual ele não consegue se lembrar ao despertar. Ao cobrir uma ação terrorista em uma usina nuclear, a visão da palavra ‘Atomic’ refletida em uma das portas lhe remete a aquela que tanto o inquieta nos sonhos: ‘Kimota’. Com a revelação, surgem novamente os poderes de Marvelman, suas recordações…e muitos problemas.

No processo de recordar seu passado – as histórias do original Marvelman – e descobrir seus reais poderes, o autor utiliza-se de uma interessante metalinguagem. Vale citar a passagem que, ao ouvir as histórias de seu marido, Liz acha tudo ridículo e eles só encontram sombras de suas aventuras e poderes nas páginas de velhos gibis – referência à transição das Eras nos quadrinhos e que até certo ponto, quase “ridiculariza” características de épocas passadas.

E as maluquices do mago inglês não param por aí! Alan Moore vira tudo de pernas pro ar ao transformar todo o passado de Marvelman em fantasias induzidas por um projeto secreto do governo, chamado Zaratustra e revelar que não é só o “herói” que está vivo, mas também seu parceiro Johnny Bates (Kid Marvelman), reaparecendo agora na figura de um super-psicótico corrompido pelo poder.

E muito mais veio: bebê Miracleman, raças alienígenas, Miraclewoman, outros super-humanos, violência sexual, holocausto londrino, controle totalitário do planeta exercido pelos Miracles originando “A Era dos Milagres” e etc.

Pode-se dizer que o autor, em Marvelman, faz um ensaio sobre temas e questõesseres realmente poderosos entre nós e suas implicações “reais” na sociedade, a figura do anti-herói e do proprio herói como fonte de terror, o “poder absoluto corrompendo absolutamente”, projetos governamentais secretos, ficção cientifica, niilismo, sexualidade e muita violência que seriam aprofundados em uma de suas obras posteriores: Watchmen.

Todo o início da série foi publicado no Brasil em 1989 pela extinta editora Tannos, nas três edições inicias da revista Miracleman, com o título de Livro 1. Com um acabamento questionável, a publicação durou, infelizmente, apenas quatro edições.

A fase “Alan Moore” na série ficou incompleta, – os direitos da personagem estavam sendo disputados no tribunal – mas todo o material que ele criou e recriou nas páginas desta HQ já mostram a genialidade latente do escritor. As idéias e o contexto provocador não serviriam apenas para remodelar personagens individuais (assim como ele fez posteriormente com o Monstro do Pântano), foi muito mais que isso, foi o estopim que mudaria todo o teor das HQs, originando o selo Vertigo e títulos mais atuais como Authority – em sua fase inicial, antes do selo Wildstorm ser integrado à linha normal da DC entre outros.

Anos mais tarde, outro escritor inglês chamado Neil Gaiman, trabalharia com a série… mas isto é ouuutra história.

“Aliás, por que raios Miracleman, se até agora era Marvelman?”

Simples! Enquanto a personagem fazia parte da revista Warrior, a editora Marvel não se importou com a ambivalência do nome. Mas, a partir de 1985, quando a estadunidense Eclipse começou a publicar as aventuras da revista inglesa na terra do Tio Sam, a Marvel exigiu que o nome fosse trocado. Então surgiu Miracleman

Vale ressaltar também que em Julho de 2009, depois de uma extensa briga judicial envolvendo vários “criadores”, a própria Marvel adquiriu todos os direitos referentes a publicação da personagem, prometendo assim, relança-lo com seu título original.

Agora, só esperar por um milagre.

1No Brasil, Marvelman teve essa fase publicada nos anos 50 pela RGE, exatamente nas páginas da revista Capitão Marvel e era conhecido como Jack Marvel.

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Willian Blackwell é leitor/colecionador de HQs e livros, apreciador de cinema e boa música. Autodidata, um espirito livre, adepto de um perspectivismo experimentalista com tendência a gostos bizarros e atividades grosseiras. Boa gente!

Superman X Shazam – A Batalha Nos Tribunais Revisitada

Há alguns meses, eu escrevi um texto sobre este assunto para nosso blog parceiro Soc!TumPow! – onde mantenho uma coluna semanal – que mencionava uma batalha judicial envolvendo Superman e o Capitão Marvel. O texto você pode ler aqui. A questão é que alguns comentários e e-mails que recebi perguntavam como é que personagens tão distintos poderiam ter rendido um processo tão complicado, afinal os dois heróis, apesar da semelhança de alguns poderes, não tinham nada a ver um com o outro. Como aquele meu texto original não contextualiza parte das informações, resolve revisitá-lo aqui de uma forma mais densa e completa.

Quando Superman foi criado em 1938, a revolução que ele causou foi inegável. Seu surgimento está entre os mais importantes acontecimentos da história das HQs – se não for “o” mais importante. Como todos estão carecas de saber, os mais diversos super-heróis vieram na rasteira do homem de aço, alguns tão diversos quanto o próprio Batman, mas indubitavelmente, todos valendo-se do caminho que ele pavimentou. Até ai tudo bem, os demais heróis que surgiram eram criativos à sua própria maneira, como o Tocha Humana da Timely, porém, em fevereiro de 1940, quando a editora Fawcett publicou a revista Whiz Comics #2, a National (antiga DC) sentiu pisarem em seu calo.

O super-herói apresentado naquela edição tinha super-força e voava, os dois poderes mais emblemáticos do homem de aço. Os leitores (como eu) que têm aversão a essas babaquices de litígios irão imediatamente espernear: Mas Superman tem sua origem na ficção científica e o Capitão Marvel na magia; na identidade secreta um é Clark Kent e o outro um menino; os uniformes são completamente diferentes; o tom das aventuras do Super é sério, enquanto do Capitão Marvel é humorístico…

Sim, todos argumentos válidos que atestam que as diferenças superam as semelhanças, principalmente com o passar do tempo, em que as aventuras dos dois heróis começaram a ir em direções diametralmente opostas. Porém, a coisa começou a esquentar ainda mais quando na década de 40, a popularidade de Superman começou a decair, enquanto Capitão Marvel iniciava uma subida meteórica. Sua revista era dita a mais vendida de todos os tempos, e publicada quinzenalmente!!! A National não engoliu.

Derrotada nas bancas, a empresa entrou com um processo de plágio contra a Fawcett. Entre seus argumentos, estavam os dois já citados acima (poderes semelhantes), além de outros como “Clark Kent é um repórter de jornal e Billy Batson trabalhava na televisão; os dois têm cabelos curtos e escuros; os dois têm supervilões que são cientistas loucos e carecas – Lex Luthor e o Dr. Silvana; etc.”.

À exemplo do processo que envolveu os direitos do Homem-Aranha nos cinemas e que a maioria deve estar mais familiarizada por ter ocorrido recentemente, este também foi bastante complicado. As brechas nas leis eram acionadas e, de repente, todo mundo queria uma fatia do bolo. Por exemplo, o ator Fred MacMurray entrou com uma ação reivindicado direitos de imagem, pois dizia que o Capitão Marvel havia sido baseado em si – o que não era verdade. O sucesso da revista do herói chamou a atenção de muita gente, porém ainda assim, a Fawcett ganhou a primeira instância, que durou de 1941 a 1948. Seu argumento era forte: os poderes de ambos os heróis já datavam de antigas lendas, vindas desde os primórdios da civilização, afinal o Capitão Marvel se baseava em Hércules, Aquiles, Salomão, etc. Fato interessante, é que a Fawcett também usou como argumento que Superman não era o primeiro super-herói a deter aqueles poderes, já que invulnerabilidade e super-força eram atributos usados por Popeye antes do homem de aço.

O segundo round veio quando a DC apelou, descontente com a decisão – e parecia disposta até mesmo a levar o assunto à suprema corte norte-americana. Entretanto, os tempos haviam mudado – entrava a década de 50 e com ela, o declínio dos super-heróis, que não conseguiam competir com as novas tendências. Assim, em 1953, a Fawcett fechava as portas, mas não antes que as duas editoras decidissem por um fim ao processo. A Fawcett pagou, portanto, a quantia de US$ 400.000,00 à National referente aos custos do processo e tirou seu herói das bancas.

Vinte anos depois, em 1972, o mundo dava mais uma volta e a DC comprou os direitos sobre os personagens que pertenciam à Fawcett e passou a publicar as histórias do Capitão Marvel. Um ponto interessante, é que para sobreviver ao declínio que os heróis sofreram na década de 50, a National teve uma estratégia de gênio ao antecipar a crise que viria. Em 1944, a editora criou o Superboy – e o fez de tal forma que sua conectividade com o público jovem fosse fortíssima. Resultado, quando todos os heróis declinavam na década de 50, por causa de sua contraparte jovem, Superman retornou ao topo, voltando a ser a revista de heróis mais vendida da época.

Podcast 17 – A Morte nos Quadrinhos

Olá a todos, sejam bem vindos a mais um podcast dos seus Pipoqueiros favoritos (desta vez sem atraso). Espero que tenham tido uma boa segunda-feira e os convido a ficarem a semana inteira, pois teremos muitas novidades.

O assunto de hoje é polêmico: A Morte de Heróis nas HQs.

Dentro do possível (e com muito bom humor), procuramos discutir esse assunto que enerva 100 a cada 100 fãs, buscando suas origens e demonstrando quando trata-se de um recurso válido e quando é puramente algo feito para vender mais gibis.

Warlock, Elektra, Capitão Marvel e Fênix são alguns dos lembrados entre os antigos, mas não deixamos de citar as (execráveis) “mortes” recentes e os mega-eventos, como Robin, Superman e Capitão América. Tudo isso regado ao bom e velho rock ‘n roll!!!

Veja só o que tem de bom no programa de hoje:

Bloco 01
• Quadrinhos no Cinema, livro do Pipoca e Nanquim sobre os heróis que vão virar filme em 2011. Colabore com o lançamento no Catarse, nem que for com um real!
• A primeira morte importante dos quadrinhos: Gwen Stacy, namorada do Homem-Aranha;
• A diferença da morte nos anos 70 e 80 com relação aos dias de hoje;
• A Morte de Adam Warlock, da Marvel, evento pensado desde o início;
• Frank Miller matando e ressuscitando Elektra, excelente história;
• O conceito de renovação do herói: morre a identidade secreta e permanece o mito.

Músicas
Walk OnNeil Young
Cinnamon GirlNeil Young

Bloco 02
• O sacrifício do Flash Barry Allen na Crise nas Infinitas Terras;
Kyle Rayner, Lanterna Verde que substituiu o falecido Hal Jordan;
• A comovente morte do Capitão Marvel, vitima do câncer, um dos raros personagens que permanece morto até hoje (Graphic Marvel #3, ed. Abril);
• A inusitada ação da DC Comics para promover a morte do Robin (Morte em Família, Ed. Panini).

Músicas
Berlin –
Joe Cocker
The Devil Went Down to GeorgiaCharlie Daniel’s Band

Bloco 03
A trajetória de Jean Grey como Fenix, até sua derrota final que a manteve morta por vários anos;
• A morte mais emblemática de todas: DC Comics acaba com Superman como estratégia de marketing para recuperar as vendas do personagem;
A Morte do Superman Vol. 1 (Ed. Panini), uma história boa ou ruim?
• O fenômeno midiático em torno da morte do primeiro super-herói do mundo;
• O conceito por traz da história O Retorno do Superman (A Morte do Superman Vol. 2, Ed. Panini).

Músicas
Nothing But A Woman Robert Cray
That Kind Of WomanGary Moore

Bloco 04
• Matar os heróis é uma excelente estratégia de venda em qualquer lugar do mundo, até no Japão, vide Dragon Ball e Cavaleiros do Zodiaco;
• Vamos matar a cronologia nas HQs;
• O assassinato do Capitão América, um fenômeno na mídia semelhante ao do Superman;
A Morte do Capitão América, exemplo de como matar e ressuscitar um personagem;
• Hoje em dia as editoras matam tanto seus personagens que o recurso ficou irritante;
• A morte do momento: Tocha Humana.

Músicas
Heart of goldNeil Young
When I Write The BookRockpile

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Top 10 Quadrinhos da Década por Shazam!

Aproveitando o fim dessa década o Pipoca e Nanquim se uniu a empreitada de nosso amigo Doctor Doctor do SOC! TUM! POW! e montamos listas com as 10 melhores HQs da década (só entrou na lista obras que foram lançadas também aqui no Brasil). Você irá acompanhar durante todos os dias dessa semana as listas de cada um dos apresentadores do Pipoca (Alexandre, Daniel e Bruno) e dos redatores do SOC! (Doctor Doctor e Shazam), bem como textos explicando o por que destas obras figurarem entre as top 10.

O critério básico para esta seleção é que, obviamente, a HQ represente essa década (ou seja, que tenha sido lançada majoritariamente nos anos OO) e tenha sido lançada no Brasil entre 2001 e 2010. Não entraram nesta lista relançamentos de outras décadas como Preacher, WatchmenCavaleiro das Trevas e outros.

Vale lembrar também que nenhum dos autores do SOC! ou do Pipoca leram tudo  o que saiu nesta década (tá pensando o que somos milinários a toa na vida?), de modo que nas respectivas listas aparecerão somente histórias lidas.

Dito isso, confira abaixo a lista de Shazam!, redator do SOC:

  • Y – O Último Homem – A premissa é simples e poderia fazer um escritor novato facilmente cair em toneladas de clichês. Mas não Brian K. Vaughan. A trajetória de Yorrick Brown e Ampersand revela tudo que o ser humano pode ser em momentos de desespero, onde nossas convicções são testadas e muitas vezes vão por água abaixo. Ler Y: O Último Homem é fazer perguntas a si mesmo de modo que às vezes podemos não gostar das respostas. E mesmo assim, não dá pra parar de ler. (Panini, 2010).
  • Grandes Astros – Superman – Quando li a primeira vez, não achei grande coisa. Aliás, achei que a obra ia contra muita coisa da visão que tenho do azulão e seu universo. Talvez seja pelo fato de que odeio diversos elementos da Era de Ouro e da Era de Prata no herói. Pra mim, ele começou a ser coerente da origem criada por John Byrne em diante. Mas depois que li inteira, numa tacada só, sem a espera de um mês para o outro, fiquei estupefato. Mesmo com a arte enfadonha de Frank Quitely (eu não gosto dele, ok; pode tacar as pedras), essa história de Superman me conquistou não pela abordagem feita com o herói (coisa que realmente não gostei muito), mas pelas camadas ocultas habilmente construídas por Grant Morrison de como trabalhar certas características do Superman para que ele continue atual. É a prova de que sim como fazer boas histórias com ele. (Panini, 2007-08).

  • Justiça – Aqui minha criança interna começa a falar. Essa maxisérie da DC é uma elegia a uma época mais inocente e infantil das HQs, que não volta mais. É onde vi de novo os personagens como os conheci, sem alterações bizarras de visual, sem elementos de sagas que os descaracterizaram e outros erros editoriais/roteirísticos. São os super-heróis da DC em sua mais pura essência. E a história por si só é angustiante e uma das poucas vezes em que parece que os vilões estão realmente conseguindo o que querem, tornando-se muito mais ameaçadores do que são. Destaque para o Capitão Marvel, que tem seu melhor momento desde O Reino do Amanhã. Belíssimo trabalho do co-roteirista Jim Krueger e o desenhista Doug Braithwaite com pinturas de Alex Ross, também co-roteirista. (Panini, 2007-08).
  • Liga da Justiça vs. Vingadores – Olha a criança aí de novo. Qual leitor de quadrinhos que se preze não desejou ver esse encontro e ainda que acontecesse de forma magistral? E se você fosse um nerd como eu, que viu nos anos 80 a possibilidade se tornando real e depois evaporando com o cancelamento do projeto? E se anos depois, acontecesse o primeiro encontro maciço da Marvel com a DC e fosse uma porcaria? Você ficaria frustradíssimo, certo? E eis que tudo foi consertado de forma brilhante por Kurt Busiek e George Perez. História épica ao melhor estilo anos 70/80, com um clima que só as duas maiores equipes dos quadrinhos poderia proporcionar. Sem enrolação e direto ao ponto, é uma verdadeira aula de como fazer HQs de super-heróis. Há polêmicas também? Com certeza, mas ver Superman empunhando Mjolnir e o escudo do Capitão América e de forma nem um pouco gratuita (odeio quando rola assim) é o ponto alto da série para qualquer leitor que vive e respira quadrinhos. (Panini, 2004).

  • A Liga Extraordinária – Há personagens, não importa de que mídia, que são literalmente imortais de tão bem escritos e tão bem construídos. Pegue um punhado deles e deixe com um escritor do naipe de Alan Moore e pronto: clássico instantâneo. Ver personagens como o Homem-Invisível, Dr. Jekyl e Capitão Nemo juntos e ainda de forma respeitosa e ao mesmo tempo diferente é quase um novo levante da literatura clássica, mas com desenhos. É o velho barbudo fazendo o que sabe melhor e ainda se divertindo com isso. (Devir, 2003-04 e 2010; Pandora Books, 2001 e 2003; Panini, 2010).
  • Samurai X*– Esqueça a animação, caso a sua lembrança mais forte de Kenshin e companhia seja sua versão em movimento, que foi mal adaptada e ainda sofreu com cortes da censura. Estamos falando de quadrinhos, então o mangá é o que importa. Pop e ao mesmo tempo profundo, a saga criada por Nobuhiro Watsuki é toneladas de pura emoção e nós na garganta. É uma das obras mais contundentes que se fala de redenção, segundas chances e esperança. Há um clima forte de dúvida no ar e cheguei mesmo a pensar dubiamente sobre o destino final do personagem. E quando você acha que está perdido, pensando que errou o final, para o bem ou para o mal, Watsuki te surpreende e no final, não resta mais nada além de lágrimas. Vale atentar que esta obra foi lançada no Japão do meio pro final da década de 90, porém começou a ser publicada por aqui somente em maio de 2001. Ou seja, a não ser que você saiba japonês e tivesse oportunidade e condições de importar ou pagar o olho da cara na Liberdade em São Paulo, a obra só chegou ao leitor brasileiro a partir de 2001. Portanto, considerando o ISBN da versão nacional de Samurai X, ela é sim desta década para nós leitores tupiniquins. (JBC, 2001-03).

  • Vagabond – A história de Miyamoto Musashi não é novidade. Há diversas versões em quase todas as mídias. É de aceitação quase geral que a adaptação literária de Eiji Yoshikawa é a melhor já feita. Já a li e discordo. Seria, se não fosse por este mangá de Takehiko Inoue. Ok, ok, Inoue usa como principal fonte justamente o livro de Yoshikawa, mas convenhamos: o derivado superou a fonte. Se fosse qualquer outro desenhista no mundo, jamais teria feito um trabalho tão perfeito, onde dá pra sentir o cheiro da disciplina e dedicação nipônicas a tudo que esse povo faz. E Inoue é um verdadeiro deus dos quadrinhos, demonstrando uma avalanche de sensibilidade a cada pincelada e parece que a história do maior samurai de todos os tempos estava esperando por ele para ser posta em imagens. E sim, chega a ser melhor do que algumas versões clássicas no cinema, o que não é pouca coisa. Ao ler, você se sente no Japão feudal, como se fosse um nativo e não tivesse outra vida. Você sente a essência do Bushido e do significado de uma coisa singela e magnífica chamada vida. (Conrad, 2001-06).
  • Os Supremos – Reconheço, foi Authority que inaugurou essa maneira de fazer quadrinhos de heróis, mas essa equipe da Image tem uma desvantagem perante os personagens da Marvel: não são icônicos. Ver esse tipo de abordagem com personagens que fizeram a felicidade (e ainda fazem) de diversas gerações de leitores é algo sem descrição. Mark Millar captou perfeitamente o que era cada um e deu um banho de realidade neles de forma que parece que eles vivem no mesmo mundo que nós. É o Watchmen da atual década, mas com uma veia mais pop do que filosófica. É um dos raros casos em que é impossível ter acertado mais visualmente do que aquilo que foi criado, cortesia do único artista que poderia ter participado de um trabalho assim: Bryan Hitch. E o trabalho da dupla fica ainda mais evidente depois do crime cometido pela Marvel do terceiro volume em diante, coisa que estão tentando consertar agora. (Panini, 2002-07)

  • Homem-Aranha Ultimate – Marvel, vamos bater um papo sério? O que diabos é a “Saga do Clone”? O que foi aquela atrocidade de “gêmeos da Gwen”? Que diabos (opa!) é aquela pataquada com o Mefisto? Como é que podem destruir de forma tão bombástica seu maior patrimônio? E sabe o que é pior? Depois de tudo que foi feito com a versão século XXI do personagem, eles continuam a cometer falhas graves com a versão clássica. Homem-Aranha Ultimate é tudo o que o Aranha tradicional deveria ser, calcado na versão de Stan Lee e Steve Ditko. Brian Michael Bendis é o herdeiro legítimo do legado do Sr. Excelsior no personagem, tratando ele como sempre deveria ter sido tratado. É quadrinhos de heróis como quadrinhos de heróis deveriam ser feitos. Sem megasagas, sem spin-offs, sem exageros. Arroz com feijão muito do bem cozinhado. É difícil fazer assim, Marvel? (Panini, 2002-atual).
  • Death Note – Leia a primeira edição e você não largará mais essa história. Leia a primeira edição e você ir reler até conseguir colocar as mãos na segunda. Na terceira. E assim por diante. É porrada psicológica pra perder o fôlego e todas as estribeiras. Tudo bem que o final ficou um tiquinho aquém – final esse imposto pela editora a contragosto do roteirista Tsugumi Ohba – mas é muito melhor do que praticamente quase tudo que apareceu em tudo quanto é lugar. O traço magistral de Takeshi Obata é algo além de qualquer descrição. O conteúdo corre por diversos temas com diversas camadas que pode virar uma discussão filosófica eterna sobre o que é certo e errado, sobre os fins justificarem os meios, sobre a Lei de Talião e sobre qualquer outra coisa que você possa – e provavelmente vai – encontrar nas páginas desse tesouro da nona arte. Se quer saber, caso ainda não tenha lido, pare de acessar a internet e vá buscar Death Note. Você irá me agradecer pro resto da vida. (JBC, 2007-08).