Bloodline Champions – Sangrento e Viciante

Apesar das aparências, principalmente pela visão panorâmica, Bloodline Champions é bem diferente de DOTA. É um jogo que não utiliza as características comuns de avanço de nível, mas tem um núcleo forte que sabe recompensar jogadores organizados e habilidosos. Com a roupagem de Defence of the Ancients, trata-se de um action-game de batalhas rápidas entre times de três a cinco jogadores cada, divididos entre Cold e Warm. Você controla um dos 20 bloodlines disponíveis e tenta destruir seus inimigos em rounds rápidos e sangrentos. O jogo exige que você tenha comando completo dos seus reflexos e saiba trabalhar em grupo.

Cada bloodline tem sete habilidades fixas. Não existe um loadout e nada de pontos para aprimorar essas habilidades, mas os personagens e seus poderes são extremamente variados. Existe certa semelhança entre alguns golpes como o “pulo” (um boost para facilitar seu alcance do inimigo) que fica na barra de espaço e quase todos o possuem, mas em certos bloodlines serve também para acionar um lança-foguetes imenso. Dependendo do personagem que você escolher, você pode paralisar inimigos, sugar sua energia ou também lançar feitiços para matar ou curar.

Uma rodada dura menos que 2 minutos. São tão dinâmicos que às vezes você fica sem entender como você ganhou ou perdeu. Como a mira fica por conta do mouse e as spells estão nas teclas Q, E, F, etc., cada ataque deve ser meticulosamente calculado. Um período de cooldown substitui a barra de mana tradicional em jogos baseados em spells. Às vezes, o fato de uma habilidade ou outra levar 2 segundos para ser usada atrapalha um pouco a fluência das batalhas.  É praticamente impossível ficar de olho nos poderes para ver se já estão disponíveis para uso. Instinto, habilidade e um pouco de sorte são indispensáveis. Pode se preparar para morrer muito antes de dominar a jogabilidade desse game.

Cada personagem é bem diferente um do outro. Leva tempo até aprender a jogar com cada um. Na verdade, essa é a característica mais importante do jogo: escolher seu bloodline preferido. É preferível lutar online, apanhar bastante, decorar o tempo de cooldown dos poderes e se decidir em um personagem do que passar o seu aprendizado enfrentando os bots (nem um pouco perigosos).

No modo online, apenas cinco dos bloodlines estão disponíveis, que alteram de acordo com os desejos da produtora Funcom. Isso atrapalha? Sim. Por isso é importante treinar e se familiarizar com o modo de batalha de pelo menos uns três personagens. Bloodline Champions conta com sua própria moeda (pontos) que, na medida das batalhas ganhas, você pode comprar novos lutadores. Não é um jogo fácil de acostumar. Seu grau de dificuldade é fruto de uma verdadeira comunidade online competitiva que sabe o quão recompensador este game é.

Quanto aos gráficos o jogo é primoroso, colorido, iluminado e com muito sangue sem atrapalhar a visão panorâmica no meio da carnificina.  Tudo é muito bem elaborado: seja uma bola de fogo na sua direção, raízes e espinhos gigantes que surgem do chão ou zilhões de balas de metralhadora, tudo é facilmente identificado. O áudio também se destaca com interpretação perfeita de tiros, explosões e gelo se estilhaçando. Poderiam ter incluído mais temas para as batalhas, mas as composições presentes são muito boas. Quando rola um killing blow, todos os personagens na tela dão gargalhadas.

Controlar de longe um personagem minúsculo de uma das 16 bloodlines com cenários muito bem elaborados junto com opções de batalhas deathmatch e team vs. team no multiplayer, fazem de Bloodline Champions um novo vício. Socar os curandeiros no rosto é divertido, esfaquear um assassino pelas costas é muito bom e explodir o astrônomo por todos os campos do mapa não tem preço. Mais um detalhe, eu já disse que o jogo é gratuito? Basta acessar www.bloodlinechampions.com, fazer o cadastro e começar a apanhar muito.

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Leonardo Chacel é formado em Publicidade. Depois de cinco anos como livreiro, chutou o pau da barraca e virou tatuador e gamer porque jogar e desenhar é o que faz de melhor. Além de escrever sobre games para o PN escreve sobre música (só as boas) em seu blog Overdose Contínua.