Bernie Wrightson, um Grande Ilustrador

Bernie Wrightson nasceu em 27 de outubro de 1948, nos EUA. Começou a estudar desenho a partir de um curso de correspondência na Famous Artists School, uma entidade fundada em 1948 e que existe até os dias de hoje. Contudo, apesar de ter compreendido o grosso da técnica por meio de esses seus estudos, Wrightson afirma que foram as HQs da EC Comics seus verdadeiros professores.

Ele começou a trabalhar como ilustrador para o jornal The Baltimore Sun, mas no ano seguinte, após ter a oportunidade de conhecer pessoalmente Frank Frazetta, sentiu-se inclinado a trocar de área. Em 1968, levou seus trabalhos para a DC Comics e impressionou bastante o editor Dick Giordano, que lhe deu uma chance com a edição House of Mystery #179. Seu trabalho foi muito bem aceito e a partir de então, começou a produzir esporadicamente edições tanto para a DC, quanto para a Marvel.

Em 1971, veio o primeiro grande momento de sua carreira, quando criou ao lado do escritor Len Wein, o Monstro do Pântano (trabalho que lhe valeu diversos prêmios). Ao longo dos anos seguintes, trabalhou para diversas editoras diferentes, mas sempre manteve o pé na DC Comics, onde ilustrou dezenas de capas e a emblemática série O Culto, com argumentos de Jim Starlin.

Na Marvel, o destaque vai para as Graphic Novels Marandi, estrelada pelo Homem-Aranha e Hulk & Coisa, novamente com Starlin, além de séries com Justiceiro, edições do Rei Kull e muitas outras capas (sua especialidade).

Outros trabalhos seus de destaque incluem a revista Creepy e história de Vampirella para a Warren, Masters of the Macabre para a Pacific e Tarzan Le Monstre para a Dark Horse. A maior parte de seu material permanece inédito no Brasil, inclusive aquela que é considerada a sua obra prima, a Graphic Novel Frankenstein, que adapta o texto original de Mary Shelley.

Com vocês, uma galeria que homenageia um dos maiores desenhistas de horror de todos os tempos!

A Saga do Monstro do Pântano – Publicação que precisa continuar

Meu primeiro contato com A Saga do Monstro do Pântano na fase de Alan Moore ocorreu no luxuoso encadernado da Pixel Media: capa dura, papel couché, colorido, com introdução do próprio autor, notas explicativas, além  de uma história inédita no Brasil. A editora tinha planos de lançar nesse formato todas as 45 edições de Moore, mas fecharam as portas sem sequer lançar o segundo. A única forma de continuar a leitura é com os antigos encadernados da Brainstore, que vão até o volume 3. Mas havemos de convir que, pra quem começou a ler com a Pixel, ter que prosseguir nas edições preto e branco da Brainstore é deveras brochante (nem vou citar a Abril). A salvação depende apenas da Panini. Oras, se a editora adotou alguns dos títulos abandonados pela Pixel para dar continuidade, como Preacher e Hellblazer, porque não fazer o mesmo com Monstro do Pântano? Seria excelente! Mais do que isso, é uma obrigação!

É imensa a importância da série nessa fase. Foi o primeiro título de horror, desde os anos 50, a ser voltado para um público maior de idade, o que mais tarde culminou na inauguração do selo Vertigo de quadrinhos adultos. Graças a Monstro do Pântano, Alan Moore ganhou fama nos EUA, reconhecido como um grande autor, o passo inicial para todos os seus trabalhos posteriores, que lhe concederam a alcunha de gênio dos quadrinhos. O potencial demonstrado pelo britânico nesse trabalho fez com que as principais editoras norte-americanas voltassem os olhos para a Europa, em busca de outros nomes para seus quadrinhos. Neil Gaiman, David Lloyd, Grant Morrison, Warren Ellis e muitos outros surgiram daí pra frente. Séries consagradas como Sandman, Os Invisíveis, Homem-Animal e Starman devem sua existência a Monstro do Pântano. Além disso, um importante personagem das HQs adultas nasceu nessas páginas, o mago John Constantine.

O Monstro do Pântano foi criado por  Len Wein e Berni Wrightson em 1972. É a história de um jovem cientista chamado Alec Holland, que estava trabalhando junto com sua esposa em uma fórmula “bio-restauradora” para acelerar o crescimento das plantas. Entretanto, alguém sabotou sua experiência e todo o laboratório explodiu com os dois dentro. A mulher morreu na hora, mas Alec saiu correndo em chamas e se jogou em um pântano, com suas roupas encharcadas pela fórmula. O pântano reagiu à química e o homem se transformou no Monstro do Pântano. Típico assim.

Em 1976, após 24 números, a série foi interrompida, voltando apenas em 1982, com roteiros de Martin Pasko. Na vigésima edição dessa fase, em 1984, Alan Moore entrou no lugar de Pasko, que deixou o título à beira do cancelamento. Aliás, foi justamente por isso que Moore foi chamado. O barbudo era relativamente desconhecido nessa época, com histórias publicadas apenas na Inglaterra, para os editores a maneira ideal de conhecer seu trabalho era em uma série já condenada, onde não havia nada a perder.

O que o escritor fez com o título surpreendeu a todos, é realmente brilhante! Na vigésima edição ele precisava encerrar o arco de histórias iniciado por Pasko, o que fez “matando” o Monstro do Pântano, somente para no número seguinte dar início a sua reformulação. De cientista em corpo de monstro, o personagem passou a ser um monstro que pensava ter sido um cientista. Alec Holland deixou de existir no dia da sabotagem de seu experimento, o composto químico apenas afetou a vegetação do pântano, que se moldou em uma forma humanóide e se apoderou da essência de Holland, originando uma criatura confusa com convicção de que antes era uma pessoa comum. Ao voltar de sua “morte”, consciente de que jamais foi humano, ele passa a atuar como o Elemental que sempre deveria ter sido, um ser conectado com toda a natureza, conceito muito mais amplo que o anterior.

Não havia precedentes para a narrativa que Moore empregou na época, é fascinante! E até hoje continua assim, se você ler agora ficará tão impressionado quanto quem leu no auge da publicação. A genialidade de Moore sempre esteve no fato de empregar em suas histórias recursos somente permitidos pela arte sequencial, impossíveis de serem reproduzidos em qualquer outro meio. Só lendo para descobrir o quanto é bom! Tão bom, que de série prestes a ser cancelada subiu para a mais vendida da DC – cerca de 100 mil exemplares por mês!

A arte de Steve Bissette e John Totleben também contribui muito para a grandeza da obra. A diagramação dos dois é ousada, os textos do título se mesclam ao cenário (como em Spirit), os quadros têm transição natural, seja por seu formato e posição ou por meio de elementos vazados, e os desenhos passam o clima ideal, dá pra sentir o cheiro de lodo do pântano. Pode até parecer feio a princípio, mas quando você ler verá como a sincronia entre texto e arte é perfeita.

Está certo que Monstro do Pântano já teve seu final publicado no Brasil pela Abril, mas assim como as edições da Brainstore, essas não contam pois não tiveram o devido tratamento. Quem sabe um dia poderemos ter a coleção completa no formato luxuoso iniciado pela Pixel, eu e milhares de leitores brasileiros seriamos eternamente gratos a Panini.

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