CINEMA NACIONAL | PEQUENAS DOSES DE BOM CINEMA

O atual cenário audiovisual Brasileiro, felizmente vem trilhando vários caminhos alternativos, e produzindo cada vez menos do mesmo.

Na busca pela renovação da linguagem e na esteira das novas tecnologias, o cinema brasileiro felizmente vem trilhando vários caminhos alternativos, ampliando o leque de gêneros e tentando trazer outros tipos de público aos cinemas, de gosto mais apurado e ansioso por novas experiências.

Com filmes de diretores autorais, que buscam novos discursos e narrativas dentro da linguagem cinematográfica, as obras refletem a perplexidade, o desconforto, o estranhamento e a insegurança que permeiam o Brasil contemporâneo e algumas tocam fundo nas nossas feridas sociais; mas não apenas isso. 

Acostumado a revolver temas recorrentes, o nosso cinema dispôs recentemente de obras versáteis e competentes que, se não é exatamente original ou muito surpreendente, ao menos não desaponta.

Entre eles, está o agora representante brasileiro na disputa por uma indicação na categoria de melhor filme estrangeiro do Oscar 2018: ‘Bingo: O Rei das Manhãs’.

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Engraçado e atrativo, o longa que retrata a vida de Arlindo Barreto, o ator que encarnou o palhaço Bozo (ou Bingo, no caso) no Brasil e o transformou num sucesso absoluto é um filme honrado. À parte alguns diálogos fúteis mais ou menos no início, é muito bem escrito, tem boa direção de atores e, para resumir, é de uma grande eficácia.

Outra grande produção brasileira no ano é ‘Lino – Uma Aventura de Sete Vidas’, animação de Rafael Ribas, que afirmou o orgulho de realizar, com orçamento limitado, uma produção técnica comparável aos filmes americanos do gênero, algo confirmado por Dira Paes e Selton Mello, dubladores do projeto.

Aliás, Selton Mello é também responsável por mais uma grata surpresa do cinema nacional no ano, ao dirigir e coestrelar ‘O Filme da Minha Vida’, que com uma identidade cinematográfica única, tem como principal característica uma sensibilidade ímpar. Tudo muito diferente do que estamos acostumados a ver no cinema do Brasil.

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Vale destacar também, outros bons títulos que de uma forma ou de outra, contribuíram para que o cinema nacional brasileiro viesse nestes últimos tempos se reinventar. Dentre os quais estão os últimos dois trabalhos da diretora Anna Muylaert, a saber, o incrível ‘Que Horas Ela Volta’ e o espirituoso ‘Mãe só há Uma’; o simples e eficaz ‘Como nossos Pais’, conduzido de forma única e especial pela diretora Laís Bodanzky; o maneiríssimo ‘Dois Coelhos’ do diretor Afonso Poyart, e claro, o premiado ‘Aquarius’ estrelado por Sônia Braga e dirigido por Kleber Mendonça Filho, que honestamente tinha tudo para ser mais um “filme-denúncia” brasileiro, gênero recorrente no cinema nacional, mas que surpreendentemente se torna uma ótima obra experimental, cercada de elementos idealistas e culturais tratados sutilmente pelo roteirista e diretor.

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No mais, é muito bom enxergar esta renovação no cinema brasileiro, principalmente em um momento em que há uma crise de confiança dos brasileiros no próprio país. Devido às reviravoltas políticas, às denúncias de corrupção e à desigualdade social, nós estaríamos rejeitando os produtos locais. Agora, mais do que nunca, o escapismo do filme estrangeiro seria irresistível para os brasileiros, que estariam escolhendo cenários e temas diferentes dos nossos.

Entretanto, este sopro de modernidade e, sobre tudo, qualidade no cinema nacional contemporâneo resultam em transformações notáveis que, seja pela brasilidade ou pela exuberância visual (vista por exemplo em filmes como ‘Malasartes e o duelo com a Morte’vem conquistando cada vez mais público.

Em termos gerais, é o cinema brasileiro se reinventando e produzindo cada vez menos do mesmo.