A fantástica arte de Moebius

Colaborador: Pedro Ribeiro Nogueira (@Pedro_RNogueira)

Pegando o vácuo do último Videocast do Pipoca e Nanquim, sobre Mangás, me endireitei na cadeira, estalei os dedos e pus as idéias no lugar para falar sobre um artista fantástico e que deveria ser conhecido por TODOS fãs de quadrinho, o francês Jean Giraud, ou Moebius.

Antes de falarmos do cara, minhas singelas explicações: Moebius e os quadrinhos orientais não têm relação nenhuma não! Mas para apreciar Moebius (bem como os Mangás) o fã de comics e histórias de super-heróis comuns necessitam abrir com um pé-de-cabra a cabeça e aceitar os outros estilos. Eu sou um destes. Demorei muito para sair do meu estilo preferido (Vertigo) e começar a ler coisas diferentes. É como o Bruno falou no programa, existe esse preconceito bobo dentre os leitores de arte seqüencial. E se o Pipoca e Nanquim já fez uma viagem à terra do sol nascente, vamos até a cidade das luzes e conhecer um pouco desse francês!

Moebius é o pseudônimo de Jean Giraud. Em alguns trabalhos também aparece com a assinatura Gir. A fama de Moebius não se limitou à Europa, mas se espalhou por todo o mundo. Essa fama, entretanto, não é a mesma fama que outros artistas da arte seqüencial puderam ter. Talvez pelo preconceito dos fãs. Mas o mais provável é que o próprio estilo do cara o tenha limitado.

O traço limpo, detalhado e arredondado de Moebius não se encaixou bem com os quadrinhos de super-heróis, que é o carro chefe da indústria. Tampouco é suficientemente simples para influenciar desenhos animados e outras mídias.

O traço dele é único. Digno de galerias de arte.

De alguma forma misteriosa ele passa despercebido por muitos leitores. Mas basta bater o olho em algumas das obras do francês pra sentir o queixo atingir no chão. Dono de uma imaginação (auxiliada por viagens de LSD?? Creio que sim!) incrível, o artista domina os cenários com diversas imagens arrepiantes.

Psicodelia e futurismo são elementos óbvios, e Moebius lança mão de invenções e apresenta criaturas de outros mundos e idéias pra lá de malucas. Não é incomum passar horas observando apenas uma página dele.

Ao olhar para os cenários desérticos ou repletos de pessoas e ver criaturas que ele cria, eu começo a pensar que só podem ter influenciado George Lucas no design de Star Wars.

Bem, talvez eu esteja sendo irresponsável com esta última afirmação, mas certamente não peco ao dizer que a estética européia de desenho de Moebius, embora ele próprio muito pouco tenha passado pelos quadrinhos dos super-heróis, com certeza influenciou um dos artistas que mais aparece hoje em dia, Frank Quitely.

Olhe para o Allstar Superman, por exemplo, e me diga se você não percebe uma influência clara do Moebius ali. E se isso é pouco pra você, me diga: Já ouviu falar de Alien: O oitavo Passageiro? E quanto a Quinto Elemento (que conta com a presença do MELHOR ATOR de todos os tempos)? Segredos do Abismo, Tron e até Death Note, todos estes tiveram participação direta do design do francês.

Não bastasse isso, as histórias que já li do cara são todas muito boas. Minha sugestão: Incal e Little Nemo in Slumberland.

Tudo isso dito, pode ter alguém que não goste muito do estilo psicodélico do Moebius (embora eu ache isso impossível). Não tem problema, pois polivalente como ele é, já trabalhou em quadrinhos como Blueberry, um faroeste que prima pelo realismo. Os personagens, as feições, os cenários, tudo muito digno e bonito.

Vocês podem perceber que este post não é um tratado sobre a teórica artística do Moebius, onde se elaboram criticas e elogios ao estilo único dele. Na verdade, queria simplesmente apresentar pra vocês uma breve reflexão sobre essa arte impressionante. Eu não preciso dizer muito – a arte dele já trata de nos levar a outros mundos!

Se Moebius não manda bem pra caramba meu nome é Jamal e eu sou um dançarino de Lambada!

Deixo vocês com algumas páginas para serem contempladas. Boa viagem!

Agora me explica: como tem gente que gosta do Rob Liefeld?

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Pedro Ribeiro Nogueira é estudante de Filosofia e Direito. Aprecia e escreve HQs, ouve muito Rock’n’roll, pratica a desobediência civil e recusa-se terminantemente a dançar.