Minha Estante #39 – Nikki Nixon

Olá, amigos dos quadrinhos!

É com muita satisfação que apresentamos mais uma grande entrevista na sessão mais aclamada do nosso site.

Hoje vocês irão conhecer o acervo de Nikki Nixon, um intrépido colecionador que mesmo atravessando períodos pra lá de difíceis, continua acalentando esse saudável hábito.

Esperamos que curtam e comentem.

Vamos lá.

Olá, Nikki Nixon! Obrigado por topar essa entrevista! Para começar gostaria que você se apresentasse aos nossos leitores.

Opas!

FICHA CRIMINAL:

– Fui DJ do extinto bar “Comando Rock”, antro que reunia tribos de Headbangers, Skinheads e Punks, em 1989.
– Organizei: A “I Convenção Independente de Ficção Científica, RPG e Animação Japonesa” no dia 07/09/1994 no Centro Cultural da UFMG e a “I Mostra de Quadrinhos Autografados” em 18/06/1996 no Sesi Nansen Araújo.
– Fiz parte do Instituto Humberto Mauro,onde programei as sessões de vídeo do Vídeo Centro no Centro Cultural da UFMG de 1994 a 1996.
– Dentro do Centro Cultural da UFMG, criei o “Projeto Vídeo-Espaço Fase I”, onde semanalmente exibi tanto seriados e desenhos clássicos, quanto os novos ainda inéditos na TV brasileira, durante os meses de março a junho de 1995.
– Roteirizei e dirigi os curtas: “Viagem de Ida” e “Pátria Amarga”.
– Trabalhei com: construção de cenários para teatro, pirataria de fitas VHS, pintura de miniaturas de RPG.
– Colaborei com o blog http://rapaduradoeudes.blogspot.com/ scaneando revistas antigas de minha coleção.
– Atualmente escrevo para a revista “Mundo dos Super-Heróis” falando de edições antigas além de pesquisar e escrever os textos para o site http://hqmemoria.com que nasceu como blog em 2006.
– Tive o hqmemoria citado no livro “Biblioteca dos Quadrinhos – Gonçalo Jr.” (Ópera Graphica – novembro de 2006) como uma das referências indicadas para pesquisa sobre HQs.

Nas horas vagas trabalho como projetista de tubulações industriais.

Quando foi que se transformou de leitor ocasional de quadrinhos para um colecionador inveterado?

Em minha casa coisas que nunca faltaram foram livros e revistas em quadrinhos, eu, filho mineiro de uma família pernambucana adepta da leitura, cresci em meio a revistas de Luluzinha, Bolinha, Batman, Super-Homem, Super-Boy, X-9, Homem-Aranha, Quarteto Fantástico, Fix & Fox, Pinduca, Ferdinando, Príncipe Valente, Flash Gordon, Kripta, entre outras trocentas mais.

Minhas tias trabalhavam em um escritório cujo prédio abrigava alguns sebos, e todos os dias elas chegavam em casa com pacotes de revistas, era a festa.

Aprendi a ler rápido para poder apreciar melhor as revistas que tanto me encantavam e para poder desvendar os livros, cujas páginas cheias de letras eram portais para outros mundos.

Minhas primeiras incursões sozinho a uma banca de revistas foram para comprar figurinhas do saudoso “Álbum Ciências”, o qual com muito esforço consegui completar.

Mas a primeira “revistinha” (nada de gibi ou hq, na época todo quadrinho era “revistinha”) que eu comprei, e que escolhi a dedo na prateleira da banca foi o exemplar de nº 7 de Lobisomem (Bloch Editores), o fascínio pelo terror estava instalado, pois em casa já haviam alguns exemplares de Kripta (RGE), daí passei a comprar todos os títulos de terror da Bloch até eles sumirem das bancas.

Na 5ª série minha professora de geografia flagrou um exemplar do Fradim em minha mochila, tadinha, lembro que ela ficou ruborizada ao folhear a revista. Isso era um hábito que eu tinha: levar revistas para a escola e ler escondido durante alguma aula aborrecida.

Em algumas horas de uma tarde eu devorava uma edição de Disney Especial enquanto um colega meu chegou contando prosa que havia demorado “apenas três dias para ler a mesma revista”.

Não tomei conhecimento dos quadrinhos da Marvel editados pela RGE e Abril, salvo os nºs 01 e 08 de Heróis da TV, esse último eu comprara por causa do bonequinho do Pantera Negra que veio de brinde.

Neste período eu lia O Bicho, O Grilo, Spirit, Flash Gordon, Príncipe Valente e tentava entender Valentina e Anita (ambas de Crepax), e numa edição da Rolling Stone (versão nacional e pirata), saiu uma matéria de três páginas tablóides sobre a Marvel Comics, descrevendo como era a redação, como os artistas trabalhavam, etc… Hoje eu pago ouro por pelo menos uma cópia desta matéria.

Por falar em Flash Gordon, no início dos anos 80 estreou nos cinemas a versão dirigida por Dino de Laurentis, minha mãe me levou para assistir no saudoso cine Metrópole (o único cinema de BH com três andares, era um potento!), luzes se apagam, começa a vibrante música de abertura cantada pelo Queen, acompanhada de diversas ilustrações tiradas das revistas de Alex Raymond, o pequeno nerd babava, mas como tudo que é bom dura pouco: o filme era uma lástima, cores berrantes, ausência dos monstros, um príncipe Vultan que parecia mais uma alegoria de carnaval, resumindo: eu odiei o filme, mas colecionei o álbum juntando palitos de picolé Kibon (eu era um verme!).

No ano de 1982 o assunto em minha casa era o filme Conan – O Bárbaro, e eu como não tinha a idade mínima exigida para poder assisti-lo no cinema, ficava na vontade, até que num domingo voltando da feira com minha tia, paramos na banca e eu vi o nº01 de Super Aventuras Marvel, que trazia o Conan na capa, folheei a revista e gostei dos desenhos de Barry Smith, pedi e levei a revista. Em casa, o que me encantou de verdade foram as histórias do Demolidor, e então todo o santo mês comprava SAM, só vim a me interessar pela Heróis da Tv quando esta estava no nº 48 com uma capa chamativa com vários heróis juntos contendo a mutilada história dos vingadores participando da guerra Kree-Skrull. Essa foi a gota d´água, a partir daí passei a revirar bancas de revistas usadas, sebos, casas de colegas, etc.. tudo para completar a coleção das revistas da Abril, Bloch, RGE, Ebal, GEP, GEA e Paladino. E como se não bastasse, comprava também as edições importadas, cheguei a fazer assinatura dos títulos: Fantastic Four (fase Byrne), Incredible Hulk (fase McFarlene), X-Men (Fase Romita/Paul Smith) e Comics Scene, além de importar através da Mile High Comics as edições de Avengers e Fantastic Four que haviam sido “saltadas” ou mutiladas aqui no Brasil.

Recebia muitos fanzines, inclusive Welta, Barata, Killers, Trópico, etc.. mas nunca editei nenhum, apenas colaborava com o Killers.

Isso fora as HQs alternativas e européias que fui conhecendo com o tempo, o que menos comprei foi material da DC, o qual não tenho grandes amores.

Hoje minha coleção é a versão 4.0 após ela ter sido interrompida três vezes.

Qual o motivo para essas interrupções no hábito de colecionar?

Em 1994 separei 3430 revistas da minha coleção (lembro do número até hoje) e as vendi para uma feira da Livraria Leitura, com o objetivo de investir o valor na compra de equipamentos para montar uma produtora de vídeo, e logo recomprar as revistas vendidas, mas a escolha do sócio foi equivocada e fiquei no prejuízo, com uma produtora pela metade e sem gibis.

Voltei a comprar em 1998, mas nos primeiros meses do ano 2000 eu estava desempregado e minha mãe teve de se submeter a uma cirurgia de emergência, então vendi todos os gibis que tinha, eram 2000 exemplares, mas deu para pagar tudo: cirurgia e medicamentos, valeu a pena.

Com isso só voltei a colecionar em 2003, bem aos poucos. Em 2010 já estava com cerca de 5500 edições cadastradas quando tive um problema: havia acabado de comprar meu apartamento e ele estava em reforma, ainda tinha uns cinco meses de obra pela frente, aos poucos conforme podia ir pagando a mão-de-obra, um desacordo entre eu e a proprietária do apartamento onde morava gerou uma briga jurídica e de repente fui surpreendido por uma ordem de despejo, daí tinha trinta dias para acelerar toda a obra do novo apartamento e me mudar, quando então optei (sob protestos da minha esposa) em vender a minha coleção, separando o material raro, autografado e algumas edições de valor sentimental, 5200 revistas foram para venda, com o valor arrecadado consegui concluir a obra e me mudar em tempo. Mas coloquei uma observação, de que o valor arrecadado + 20% é o que eu tenho para gastar em quadrinhos de consciência limpa para repor a coleção.

Então, sua esposa apóia seu hobby?

Com certeza! Ela respeita e admira o meu gosto pelos quadrinhos, e sente orgulho disso. Quando eu a conheci e a levei ao meu apartamento, mostrei uma tímida pilha de quadrinhos e disse:

– Seguinte, eu coleciono revistas em quadrinhos, se algum dia tu fizer a besteira de dizer “ou eu, ou elas” você roda.

Mas felizmente ela é uma mulher inteligente e esperta e sabe que os gibis não são concorrentes e sim aliados.

Quantas HQs você tem nessa nova fase?

Ainda estou catalogando tudo, mas por baixo estimo que esteja na casa de 3500 edições. O sistema de catalogação é lento e bem minucioso para que fique bem feito e atenda conforme preciso.

Quais são os principais itens da sua coleção, aquelas séries ou volumes que são as meninas dos olhos de sua estante?

Catecismos do Carlos Zéfiro, Saga de Xam, minha coleção de pockets do Charlie Brown da editora Artenova, o Almanaque do Mr Natural editado nos anos 70, a Biografia não autorizada do ROM, minha coleção completa do Fradim, Cinco por Infinitus, Gibi semanal da RGE, e dois especiais do Mickey e Donald, editados pela EBAL nos anos 40.

Qual o item mais raro da sua coleção?

Saga de Xam, por ser o mais caro e difícil de ser encontrado, tê-lo comprado por um valor quase simbólico em um sebo do RJ foi talvez a melhor compra que já fiz até hoje.

Catecismos do Carlos Zéfiro

Você coleciona obras sketches e páginas originais?

Isso é recente, sou novato nesse segmento, por enquanto tenho apenas alguns sketches de artistas que gosto, coletados em alguns eventos nos últimos anos.

Você possui muitas HQs autografadas?

Antes eu ia a palestras e eventos e ficava sem jeito de chegar perto do artista e tirar uma foto, pedir um autógrafo ou um desenho, mas essa inibição já foi pro limbo, em um evento como o FIQ, por exemplo, vejo na programação quem vai estar presente no dia e separo alguma HQ mais significativa para ser autografada, se não tenho nenhuma, vai só um sketch.

Autógrafo do Ziraldo

Autógrafo do Will Eisner

Como você guarda suas revistas e quais técnicas usa para conservá-las?

Faço exatamente aquilo que prego, conforme descrito no link  todas armazenadas em pé e sem plásticos. Semanalmente a diarista faz a faxina em todas as prateleiras conforme minha orientação, já a prateleira de action figures, essa sou eu que limpa.

Você também coleciona action figures? Quais são os itens mais legais?

Um set francês da Valentina com quatro peças e outro do Umbrella Academy, compro apenas de personagens que gosto, sem preocupações de montar coleções completas de cada fabricante.

Além disso tudo tem a coleção de obras teóricas sobre quadrinhos, quais são os destaques dessa coleção?

Não chega a ser coleção, é material de estudo e de pesquisa, deles eu destaco The Man Who Drew Tomorrow sobre a obra de Frank Hampson, criador de Dan Dare, 100 Years of Science Fiction Illustration, The Full Color Guide to Marvel Silver Age Collectibles” e O Quadrinho Erótico de Carlos Zéfiro. Os livros do Gonçalo Jr. não são destaque, eles são essenciais.

Quais são seus 10 quadrinhos favoritos de todos os tempos?

Ah! A velha pergunta que assola toda mesa de boteco com mais de dois fãs de quadrinhos presentes, vamulá:

1 – V de Vingança

2 – Moonshadow

3 – Fradim do Henfil

4 – Spirit (by Eisner)

5 – O Xerife do Vale Balaço – Carl Barks

7 – Kripta

8 – A Turma do Charlie Brown

9 – A Garra Cinzenta

10 – Ken Parker

Você tem alguma “mania de colecionador”, seja para guardar, emprestar ou mesmo na hora de comprar?

Novo ou usado, quando pego o gibi pela primeira vez, dou uma folheada sentindo o cheiro dele. Só acomodo na estante um gibi recém adquirido após catalogá-lo, enquanto isso ele fica em uma pilha ao lado do meu PC. E uma mania bizarra herdada da infância, não leio HQs de terror enquanto como.

Quais foram os últimos quadrinhos que comprou? E qual o último que leu?

Dos lançamentos o último que comprei e li, foi A Rua de Lá do Evandro Alves, por sinal um puta gibi, recomendo!

Fora isso minhas aquisições se concentram mais nos sebos onde a compra é mais sortida, na última vieram Luluzinha e Bolinha da editora O Cruzeiro, S.O.S. – Capitão Cometa da editora Órbis e Histórias do Além e Pesadelo da Vecchi.

Você costuma comprar HQ importadas?

Sim, mas pouco, somente um ou outro álbum inédito no Brasil ou algum volume da coleção Essential, da Marvel Comics.

Comprar quadrinhos hoje em dia é um prazer relativamente caro, sei que você era colaborador assíduo grupos de scans como o Rapadura Açucarada, então queria te perguntar, qual o papel do scan para o mercado de quadrinhos atuais?

Vitrine. Sempre defendi em vários debates pela net, de que os scans podem ser utilizados pelas editoras como instrumento de avaliação. Eu baixo um scan, se gosto, eu compro, caso contrário passo batido por ele na banca. Quanto mais a informação circular, mais pessoas serão atingidas, e a tendência de se aumentar o número de leitores é real, além de testar novos títulos para ver a recepção dos leitores, os scans servem como um museu virtual de edições antigas, seria interessante que isso fosse mais fomentado e incentivado, de se ter um site em parceria com editoras e colecionadores onde seriam disponibilizados scans de revistas fora de catálogo. É preciso ver o mercado fora da esfera e não dentro dela.

Tem algum item que quer muito ter, mas está impossível de encontrar?

Olha, uma coisa que aprendi nesses anos de colecionismo: nada é impossível de se adquirir, desde que você tenha paciência, simples assim. Algumas revistas que ainda não encontrei: Vampirella da editora Kultus, Dr. Mistério da Miname & Cunha, Balão, O Bicho #0 e Spirit #0 da Acme/Devir.

Na antiga revista Animal havia um colunista chamado Niki Nixon, era você?

Não.

Quadrinhos independentes e a polêmica Dum-Dum.

Nikki, muito obrigado pela entrevista! Foi um prazer conversar com você.
Deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Há aqueles que perguntam “o que está acontecendo?”. Para aqueles que precisam perguntar, para aqueles que precisam de muita explicação, para aqueles que precisam que se lhes indique o caminho aqui vai:” -Roy Thomas – Roteirista de Quadrinhos.

Especial do Tico-Tico, álbuns disney dos anos 40 da EBAL e xerox da tiras do Henfil publicadas nos EUA.

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Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros aficcionados e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

Minha Estante #38 – Wellington “Macgaren”

Olá, internautas!

Preparados para a nova Minha Estante?!

Então parem de ler isso aqui (se bem que eu acredito que ninguém lê essas introduções, tenho tanta certeza disso que vou colocar um trecho de uma música aqui e aposto que nenhuma alma viva vai notar, pois a ansiedade em ver a coleção é enorme!)

And be a simple kind of man. 
Be something you love and understand. 
Baby, be a simple kind of man. 
Won’t you do this for me son, 
If you can?

Enfim, vamos conhecer agora a coleção de Wellington,  também conhecido como “Macgaren”.

Olá, Wellington! É um prazer tê-lo participando dessa coluna. Por favor, se apresente ao aos nossos leitores.

Bom, Meu nome é Wellington, mas sou mais conhecido pelo nick de Macgaren. Tenho 32 anos , solteiro e moro em São Paulo capital. Trabalho como inspetor de qualidade na área de metalurgia mas o que gosto mesmo é de escrever e no tempo livre(que está virando uma raridade, diga-se de passagem) mantenho um blog, o Clarim e participo do podcast do Blog Clímax. Ah, e como vão perceber, sou Marvete convicto!

Quando você começou a se interessar por quadrinhos?

Minha mãe costuma dizer que eu nasci com uma revista na mão já que desde mesmo antes de saber ler andava com quadrinhos pra cima e pra baixo. Comecei com Turma da Mônica e depois Disney e finalmente heróis (Já mencionei que sou Marvete? (risos)) aí não teve mais volta.

Você se lembra da primeira vez que se viu fascinado por uma HQ? Qual foi a história ou revista?

Não tenho muita certeza mas muito provavelmente foi alguma dos Patos Disney do Grande Carl Barks. Na época em que as histórias ainda não eram creditadas, as deles se destacavam na edição e mesmo crianças sabíamos que eram especiais. Uma que me marcou foi “O Paraíso Perdido” na qual o Tio Patinhas e sobrinhos vão à vila de Tra-lala. Essa história foi inclusive depois adaptada para um episódio de Ducktales.

Se lembra quando passou de apreciador ocasional de HQ para um colecionador viciado?

Ah! Isso eu lembro, sempre gostei de coleções. Colecionei de tudo, de embalagens de cigarros, passando por figurinhas a cartão telefônico. A primeira revista que colecionei (ou tentei) foi a do Cascão da época da Globo. Mas até ali como a grana era pouca eu acabava trocando revistas com um senhor que tinha uma banca perto de onde morava, era no esquema “duas por uma” e acabei ficando sem revistas rapidamente. Foi então que um tio me deu algumas revistas antigas e entre elas tinha uma do Homem-Aranha (sem capa e tal). Na época não gostava então deixei de lado mas um dia quando não tinha nada pra ler resolvi dar uma chance e pronto! Havia encontrado meu objetivo de vida: colecionar tudo sobre o personagem. Hoje já consegui comprar essa edição com capa, mas mantenho a minha primeira revistinha mesmo sem capa por nostalgia.

Hoje além de quadrinhos coleciono bonequinhos (não consigo chamá-los de “actions figure”) e DVDs.

Saga do Clone!

Qual seu personagem favorito? Aquele que mesmo nas mãos nos piores roteiristas você dá uma conferida.

Meio que já respondi essa na pergunta anterior, claro que é o Aracnídeo. Ele foi minha porta de entrada no Universo Marvel e lhe sou grato por isso, mesmo que ele já não tenha uma fase que preste a muuuuuuuuuuuuuuito tempo.

A tal da revista sem capa que adquiri e passei a adorar o Homem-Aranha.

Quantas HQs você tem?

Entre nacionais e estrangeiras devo ter por volta dos 4000. Era pra ter mais caso não tivesse me desfeito de parte dela na fase “Duas por uma”

Qual o item mais raro da sua coleção?

Não sei se pode ser considerado “raro” mas o meu xodó da coleção é a coleção completa dos 42 mangás de Dragon Ball em japonês. Tenho outras edições de que me orgulho, mas o modo como comprei esses mangás, na época pré-internet garimpando as lojas na Liberdade por quase um ano, os colocam em um lugarzinho especial.

Mangás Dragon Ball em japonês.

Legal a diversidade de títulos da sua estante.

Obrigado! Como falei as revistas Marvel ocupam a maioria da coleção mas também tem os quadrinhos Disney e os mangás de que eu gosto muito.

E qual foi a maior raridade que já comprou pelo menor preço?

Antigamente era mais fácil encontrar edições raras por pechinchas nos sebos, mas agora parece que todo mundo sabe que uma edição antiga pode ser desejada e “metem a faca”. O melhor negócio que fiz foi comprar a Teia do Aranha #1 da Abril por 1 real. Estava passando por uma rua isolada no centro de São Paulo quando a vi numa barraquinha e não pensei duas vezes.

Como você as guarda? E quais técnicas usa para conservá-las?

As formatinhos e edições especiais deixo em prateleiras, outras, como revistas mensais em formato americano deixo em caixas por pura falta de espaço. Já pra conservá-las não uso nada muito especial, apenas as deixo em plásticos individualmente. Ah, e é importante, ao menos uma vez por mês, dar uma mexida nas revistas, tirar o pó só pra garantir que estão todas ok.

Já fez alguma loucura para conseguir algum exemplar? Qual foi sua maior compra de uma vez?

Loucura não. Acho que compra a que deu mais “trabalho” foi a já citada coleção dos mangás de Dragon Ball. Já cheguei a gastar 200 reais em uma única compra, mas tinham várias edições no pacote. Não sou daqueles que pagam fortunas por uma edição.

Tem alguma HQ autografada?

Só uma: a edição de Mestres Disney do Canini, autografada por ele.

Se você já tem a história que adora publicada em formatinho e ela é lançada em álbum de luxo, você a compra novamente? Depois vende a primeira ou fica com as duas?

Se for uma história que eu gosto muito eu compro de novo sim. Aliás tenho feito muito disso ultimamente. Mas não consigo me desfazer dos formatinhos. Acho que cada uma delas tem seu valor pra mim e não é porque consegui a história em um formato melhor que vou desdenhar daquela que me divertiu tanto.

Todo colecionador tem manias, seja para guardar, emprestar ou mesmo na hora de comprar, quais são as suas?

Não tenho muitas manias. Apenas gosto de saber onde está cada revista minha e as guardo de um modo que mesmo em caso de falta de luz e escuridão completa consigo encontrá-la. Assim como consigo “sentir” quando alguma revista não está no lugar que deveria estar e enquanto não a encontro não sossego. “Emprestar”? O que é isso? É de comer?

Você também compra HQ importada?

Compro sim. Já tem uns quatros anos que compro o mangá japonês de One Piece sempre que sai. Agora a Panini voltou a publicar a série, mas quando a Conrad interrompeu a publicação os mangás originais foram minha única maneira de continuar lendo a série. E comics compro histórias mais antigas que gosto e que saíram em encadernados lá fora. Pode parecer estranho mas eu não gosto de ler scans e se não tiver a revista em mãos eu não leio.

A Abril pulou bastante coisa que permanece inédita por aqui. Dou preferência para esses importados.

Tem alguma história triste envolvendo esse hobby?

Triste não. Mas hoje me arrependo de ter me desfeito de muita coisa na já cansativamente citada fase ”Duas por uma”. Hoje em dia tento correr atrás delas.

Que são suas as dez HQs favoritas de todos os tempos?

Difícil organizá-las em ordem.

Do Aranha minhas preferidas são:

A Morte de Jean DeWolfe, A Última Caçada de Kraven , A Morte de Gwen Stacy e O Garoto que Colecionava Homem-Aranha, a história que considero mais emblemática para mostrar que o Aracnídeo é o personagem mais “humano” da Marvel.

Do universo Marvel:

Guerras Secretas e a saga da invasão da Mansão dos Vingadores pelos Mestres do Terror e claro, Marvels.

Da Disney:

Com certeza as do Carl Barks, sinônimo de qualidade. Indico a já citada “Paraíso Perdido”, “O pato mais rico do Mundo” e preciso citar a saga do Tio Patinhas, que considero uma obra-prima que não deixa a desejar em nada para as grandes obras dos quadrinhos.

Qual item é seu objeto de desejo, aquele que você sempre quis ter e ainda não conseguiu?

É o Álbum Gigante #11 com a primeira aparição do Homem-Aranha aqui no Brasil. Mas como disse, não pago fortunas por edições e mais cedo ou mais tarde consigo comprá-la.

Qual foi a última HQ que comprou? Gostou?

Foi a Deadpoll #6 da Panini. A única revista mensal que continuo comprando. A história é divertida, mas não dá pra exigir muito dos roteiristas atualmente.

Wellington, muito obrigado pela entrevista! Deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim.

Opa! Eu que agradeço. Adoro ver coleções dos outros e já venho “namorando” uma participação a algum tempo. Fiquei feliz quando pintou a oportunidade via Twitter.

O único recado que posso deixar é que não se desfaçam de suas revistas. Lembre-se do que sentiu no momento que a comprou. Caso precise mesmo se livrar, não venda, doe para algum garoto, biblioteca ou alguém que você sabe que irá aproveitá-la tanto quanto você. Lembre-se que assim como aconteceu comigo, aquela sua revista que você não faz questão pode ser o gatilho para alguém também entrar nesse mundo dos quadrinhos. E não esqueça: Colecionar é um hobby, não deixe que se torne um vício!

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Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros aficcionados e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

Minha Estante #36 – Rogerio Ferreira

Olá, leitores!

Sejam bem-vindos a coluna mais invejável da internet brasileira!

Quem mostra seu belíssimo acervo de quadrinhos hoje é Rogerio Ferreira, sua estante guarda obra preciosas dos mais diversos estilos e formatos, e certamente agradará a todos vocês.

Olá, Rogerio! Muito obrigado por topar participar dessa entrevista.
Para começar nos conte um pouco sobre você, onde nasceu, mora, o que faz na vida profissional?

Olá, pessoal! Me chamo Rogerio Ferreira, sou mineiro de nascimento mas moro em Goiânia já faz uns 30 anos. Sou dentista e exerço a profissão com mais dois colegas aqui mesmo na capital em clínica própria.

Quando você começou a se interessar por quadrinhos?

Comecei a me interessar aos 6 anos quando meu pai me deu a Mônica nº2 a partir daí viciei, meu pai tinha o hábito de me levar todos os sábados a banca de revistas e me deixava escolher um exemplar, além disso o cara da banca me dava um numero de graça, que ele ia devolver pra editora do encalhe das que não tinham vendido.

Você se lembra da primeira vez que se viu fascinado por uma HQ? Qual foi a história ou revista?

Foi mesmo com a Mônica e depois com as histórias da família pato feitas pelo Carl Barks, lembro-me de várias histórias dele que li uma só vez quando criança e continuam na memória até hoje. Quando adolescente fiquei maravilhado pela Kripta e depois de adulto por Watchmen e Cavaleiro das Trevas.

Quando aconteceu a mudança de leitor ocasional para colecionador inveterado?

Comecei a colecionar a sério mesmo com a Kripta da década de 70, tive um momento de calmaria que só renasceu quando saiu Watchmen e os outros títulos do boom da década de 80, quando vi o Demolidor do Bill  Sienkiewicz, olhei praquilo e pensei, isso é arte pura, tenho que voltar a colecionar sério de novo, daí não parei mais.

Quantas HQs você tem?

Nunca contei, ela não é gigantesca mas é muito selecionada, super heróis não me interessam muito, apesar de ter os títulos básicos do gênero e por isso não fazem muito volume como em outras coleções.

Quais são os principais itens de sua coleção, séries e minisséries completas, encadernados de luxo, edições raras, etc…?

Coleções completas tenho as da Kripta, Sandman, Preacher, Akira, Carl Barks Library, Lobo Solitário, Flash Gordon do Raymond, Animal, Circo, Asterix, Calvin and Hobbes, Little Nemo, entre outras.

Qual o item mais raro de todos?

Não sei se são muito raras mas considero a Mônica nº 1da Abril, os álbuns gigantes do Flash Gordon , o Tarzan do Burne Hogarth em capa dura e um álbum com o Lone Sloane completo do Phillipe Druillet.

E qual foi a maior raridade que já comprou pelo menor preço?

O Tarzan do Hogarth, paguei uma merreca, mas não me lembro mais quanto.

Você compra bastante HQ importadas?

Sim, atualmente estou comprando as edições em capa dura da Dark Horse da Creepy e Eerie que contém o material que saiu na Kripta brasileira, esses álbuns estão saindo aqui pela Mythos mas não agüento esperar pela demora sem contar que as edições americanas são bem mais caprichadas.

Onde costuma comprá-las?

Basicamente em sites internacionais, aqui no Brasil compro pela Comix.

Como você guarda sua coleção de HQs? E qual técnica usa para conservá-las?

Muita coisa guardo em caixas de papelão por falta de espaço, mas os encadernados ficam em estante de madeira mesmo sem plástico nem nada de especial, graças a Deus nunca tive problemas com cupins ou mofo.

Todo colecionador tem manias, seja um ritual para leitura, uma bela cheirada na revista nova ou nunca se desfazer de nada, qual é a sua?

Não tenho manias desse tipo só tomo cuidado pra ler com cuidado visando a preservação, com relação a desfazer de algumas coisas até que gostaria especialmente títulos repetidos que tenho em mais de uma versão mas só não me desfaço por falta de uma oportunidade vantajosa, dia desses me desfiz de várias Kriptas repetidas e peguei em troca alguns títulos da Vertigo num sebo, foi quase uma troca por quilo.

Tem algum item que quer muito ter, mas está praticamente impossível de encontrar?

Fradim nº 5, 6 e 7 pra fechar minha coleção, os álbuns do Mortadelo e Salaminho e todos os álbuns de Os passageiros do Vento“ e Companheiros do Crepúsculo do Bourgeon.

Qual foi sua última leitura e qual está sendo a atual?

Minha última foi Daytripper que achei genial e agora estou lendo Stray Toasters do Bill Sienkiewicz.

Qual são as obras européias mais sensacionais que já leu e acha um tremendo vacilo das editoras brasileiras não publicarem por aqui?

Tenho predileção pela HQ europeia especialmente a franco belga, eles tem tantos títulos geniais que praticamente falta publicar tudo por aqui, mas esses álbuns do Bourgeon que citei seria um bom começo, eles só saíram aqui pela editora portuguesa Meribérica, falta sair ainda todos os álbuns do Blueberry e do mercado americano ainda não terminou de sair Estranhos no Paraíso por aqui que está sendo publicado de uma maneira muito porca.

Obrigado pelo papo, Rogerio! Para finalizar, deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Eu que agradeço a oportunidade, os quadrinhos me estimularam a ler e hoje sou viciado em leitura, adoro livros. Quem diz que quadrinhos desvirtua o hábito da leitura está totalmente errado.

Aos fãs de quadrinhos digo que não se fixem num só tipo de histórias mas procurem explorar todos os gêneros mesmo que não sejam fáceis de encontrar, existem coisas incríveis para serem descobertas fora dos gêneros e títulos mais comuns.

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Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros aficcionados e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!


Minha Estante #34 – Fabiano Barroso

Olá, colecionadores!

Hoje a coluna favorita de todos vocês conta com a ilustre presença de Fabiano Barroso, um mineiro gente finíssima (pleonasmo?!) tão apaixonado por HQs que além de ser um grande colecionador, é quadrinista e editor da Graffiti 76% , um dos projetos mais sensacionais de quadrinhos brasileiros!

Eu e o original do Bill Sienkwicks que estampou a capa da Graffiti 22.

Eu e o original do Bill Sienkwicks que estampou a capa da Graffiti 22.

Olá, Fabiano! É uma honra contar com sua presença nessa coluna. Obrigado por topar essa entrevista!
Para começar gostaria que você se apresentasse aos nossos leitores.

Sou Fabiano Barroso, tenho 34 anos. Faço quadrinhos há 20 anos, sou, desde 1996, um dos editores da revista Graffiti 76% Quadrinhos, aonde publico minhas histórias. Nos anos 90, quando eu ainda era jovem e tinha energia e paciência, fundei com alguns colegas o Estúdio HQ, um coletivo de quadrinistas que, por algum tempo, movimentou a cidade de BH. Dentre outras coisas, fizemos, em98, a terceira edição do evento BHQ, que trouxe à cidade o Fernando Gonsales, Ota e o Marv Wolfman. Eu tinha 21 anos e não sei como consegui isso! Pelo Estúdio HQ, passaram os mais diversos quadrinistas e autores, como o Cristiano Seixas, que depois criaria a Casa dos Quadrinhos, maior escola de HQ de BH, o Will Conrad e Eddy Barrows, que foram desenhar super-heróis para o mercado norte-americano, o Evandro Alves, que desenha na Folha e no Le Monde, e que colabora na Graffiti, o Fernando Rabelo, que partiu para as artes plásticas… Rapaz, foi bem bacana esta experiência.

Além disso, escrevi Um Dia Uma Morte, álbum desenhado pelo parceiro profissional Piero Bagnariol. Com ele, escrevi o livro Guia Ilustrado de Graffiti e Quadrinhos. A parte sobre história dos quadrinhos é de minha autoria.

Dou aulas e cursos de quadrinhos para crianças e jovens.

Sou um apaixonado pela história em quadrinhos e suas possibilidades narrativas e gráficas. Me emociono com uma boa HQ.

Além disso, não vivo sem filmes, músicas, desenhos animados, livros, boa comida e cerveja aos litros.

Tenho esposa e dois filhos: Pedro, de 7 anos, e Ana Luisa, de 12.

Torço pro Atlético-MG.

A coleção 76% Quadrinhos é sensacional! Vocês revelaram grandes nomes dos quadrinhos brasileiros e até estrangeiros, não é?

Sim, já publicamos cerca de 80 autores diferentes, que vão do cartunista mineiro Nilson aos argentinos Lucas Nine e Liniers. Orgulhamo-nos de ter revelado muitos artistas, como Marcelo Lelis, Luciano Irrthum, Guga Schultze, Daniel Caballero, Bruno Azevêdo, Odyr… Redescobrimos outros, que estavam um pouco esquecidos ou fora da mídia, como os mineiros Gilberto Abreu e Mozart Couto. Além de brasileiros, já publicaram também artistas da Argentina, Cuba, Bolívia, Inglaterra, Sérbia, Itália… Para o próximo número, estamos costurando parcerias com quadrinistas de Portugal… Será uma nova incursão!

Acho que iniciamos num momento bastante peculiar, quando havia poucas opções de quadrinhos nacionais saindo nas bancas e livrarias. Havia várias tentativas, similares e contemporâneas a nós, mas a Graffiti enveredou por um determinado nicho, acabou dando certo assim, e, permita-me, fez com que muita gente vislumbrasse um formato viável dentro do incerto mercado de quadrinhos brasileiro. Em 1995, não havia facebook ou twitter, nem nada parecido, e a própria internet era bastante incipiente, se for comparada com hoje… Lembro-me que usávamos bastante o correio, tínhamos caixa-postal até o início dos anos 2000, e era assim que nos comunicávamos com gente do mundo inteiro… Recebíamos dezenas de cartas todo mês, pois havia uma rede nacional, muito eficiente, de fanzines e fanzineiros, que trocavam seus trabalhos em um peculiar regime de colaboração, bastante diferente de como as coisas funcionam hoje.  A formação conceitual da Graffiti foi praticamente dentro deste contexto.

Hoje em dia, já ouvi por aí que este formato – duas edições por ano, histórias curtas de diversos autores – está um pouco ultrapassado, e que não há muito espaço para ele e nem para a Graffiti dentro do ressurreto mercado de quadrinhos nacional. Ora, publicamos um monte de gente, e sempre com uma proposta editorial própria. Não fomos nós que a inventamos, mas nós a escolhemos porque gostamos dela, sempre desejamos que fosse assim. Claro, ao longo deste tempo rediscutimos o conceito da revista, na verdade fazemos isso constantemente, mas no dia que decidirmos que a Graffiti deva ser uma revista vendável, ou adaptada aos novos tempos, ou ao mercado, bem, nesse dia vamos ter que fazer uma nova revista.

Bem, a esta altura do campeonato, a Graffiti deve ter uma certa importância nos quadrinhos brasileiros, dada a sua longevidade (não conheço outra revista mix que tenha durado tanto), a quantidade de revistas que saíram, o número de autores que participaram, a influência do estilo e do formato da revista, declarada por outros editores, além de alguns prêmios… Só HQ Mix, foram sete! Isso tudo me orgulha bastante, espero ter deixado algo de bom para o andamento dos quadrinhos no Brasil.

Definitivamente a Graffiti é um marco.

Como foi conseguir o apoio da prefeitura de Belo Horizonte para projeto Graffiti?

A primeira vez que obtivemos este tipo de apoio foi em 1998, se não me engano. Na época a lei de incentivo ainda era uma novidade. Fomos aprovados, acho, por dois bons motivos: primeiro, tínhamos, de fato, um projeto interessante. E segundo, porque sabemos escrever com clareza e objetividade. Pode parecer presunção, mas isso é importantíssimo e crucial para a aprovação de projetos de lei de incentivo.

Desde então, temos escrito regularmente novos projetos e inscrevendo-os nas leis de incentivo. A Graffiti se destaca por ser uma revista que forma autores, permite a experimentação e o trânsito livre por linguagens limítrofes aos quadrinhos. Convenhamos que, apesar de termos muitos admiradores, estas importantes características não são lá muito vendáveis. Quer dizer, dificilmente seriam aceitas por uma editora convencional, daí a necessidade – e a principal justificativa – para que recorramos a este tipo de subvenção.

E quando você se transformou de leitor ocasional de quadrinhos para um colecionador inveterado?

Ih, eis aí uma história longa. Tenho um tio cartunista, o já citado Nilson, que, além de desenhar, é também um colecionador e pesquisador. Ele influenciou bastante a mim e a vários primos, tanto com a sua vasta coleção – que hoje ocupa um apartamento inteiro – quanto com os seus conhecimentos. Eu aprendi a ler um pouco cedo (aos 5 anos), de forma natural. Ler se tornou, então, uma compulsão: eu lia até bula de remédio, mesmo sem entender nada. Meus pais tinham alguns quadrinhos em casa, guardados dentro de um armário. Algumas revistas da EBAL, bem velhas e rasgadas, além de várias revistas do Fradim do Henfil. Imagina: eu, aos 5, 6 anos, lendo Fradim! Então, vasculhando este armário em busca de qualquer coisa para ler, eu comecei a me interessar por quadrinhos. Nos encontros da minha família, Nilson e meus primos mais velhos conversavam bastante sobre quadrinhos, Nilson mostrava as novidades, e eu embarquei nessa. A coleção dele, putz, era a maior maravilha da minha infância.

Depois, quando eu tinha cerca de oito anos, o Nilson passou a me levar para encontros semanais com os outros cartunistas mineiros. A intenção do grupo era criar um suplemento de quadrinhos e variedades para crianças e vendê-lo aos jornais. Destes encontros, participavam o Aroeira, o Nani, o João Melado, acho que o Lor, a Tânia Anaya, que hoje trabalha com animação… Ou seja, eram alguns dos principais nomes do cartum em Minas na época.

Tudo isso, misturado, contribuiu para minha formação como leitor de quadrinhos, colecionador e autor.

Qual foi seu primeiro personagem favorito? Ele ainda ocupa esse posto ou alguns detratores conseguiram, depois de escreverem tantas histórias ruins, rebaixá-lo?

O primeiro personagem favorito foi o Super-Homem. Naquela época já haviam escrito muitas histórias ruins com ele, bem antes da Morte do Super-Homem e bombas similares! Bem, eu me tornei rapidamente um leitor mais criterioso, justamente por causa das influências familiares, conheci bem cedo o Moebius, o Carl Barks, revistas como a Heavy Metal, Linus, e abandonei prematuramente essa paixão pelo homem de aço. Claro, continuei a ler suas revistas, mas sem aquela mítica ingênua que se tem quando criança.

Mais do que primeiro personagem, meu primeiro “ídolo” foi o Carl Barks. Foi-me apresentado pelo meu tio quando eu tinha uns oito anos, e eu rapidamente passei a reconhecer suas histórias nas revistas Disney. Passei a ter uma espécie de “coleção paralela” só com as revistas com HQs dele, que eu anotava religiosamente em um caderno: nome da história, onde fora publicada e observações do tipo: “primeira história da Maga Patalógika” etc. No início dos anos 90, aAbril começou a reconhecer o trabalho do Carl Barks, citando-o em algumas publicações, contando sua história, mas antes disso não havia nada, suas histórias saíam no meio das outras sem nenhuma indicação. Eu ia à banca, folheava, por exemplo, uma nova edição de Disney Especial, e, se reconhecia uma HQ dele, comprava.

Hoje gosto de muitos personagens. Certamente estão entre eles o Corto Maltese, o Sandman e a Maggie do Love & Rockets.

Quantas HQs você tem?

Sei lá, talvez umas mil. Depois do casamento e de muitas mudanças de casa (inclusive fui morar fora do país, e deixei minha coleção à revelia), perdi ou me desfiz de uma imensidão de coisas. Em certo momento, doei praticamente todos os formatinhos para uma escola do Morro do Papagaio. Embora tenha sido uma boa causa, me arrependo um pouco. Entre os anos de 1986 e 1990, mais ou menos, eu comprava basicamente tudo o que saía nas bancas.

Hoje não tenho tantos quadrinhos, já vi aqui nesta sessão coleções imensas. Mas praticamente tudo o que tenho me é importante, leio e consulto frequentemente quase tudo, por uma razão ou por outra. E costumo apresentar meus quadrinhos aos meus alunos quando dou aulas, o que é sempre fundamental para conquistá-los.

Eu me considero, antes de um colecionador, um leitor de quadrinhos. Então, até por questões de espaço, precisei avaliar criticamente a minha coleção, afim de manter apenas aquilo que julgava  indispensável. Exemplo: gosto muito do John Buscema, mas considero, a esta altura do campeonato, totalmente supérfluo ter nas estantes toda a coleção de A Espada Selvagem de Conan. Me bastam duas ou três edições, o suficiente para ter uma boa amostra do trabalho do Buscema com este personagem.

Velharias da Ebal

Velharias ebal e da RGE.

Clássicos.

Gibis e suplementos de jornal.

Quais são os principais itens da sua coleção, aquelas séries ou volumes que são as meninas dos olhos de sua estante?

Pelo lado nostálgico, acho que gosto muito de uma série de cinco volumes do Tarzan, desenhada pelo Russ Manning, pois foi comprada na primeira vez que fui a um sebo (o Shazam, do José Ronaldo, no edifício Maletta), em 1985. E também boa parte das revistas que eu lia quando criança e que ainda conservo: as edições de Luluzinha da Abril, as Mad da Record, Chiclete com Banana e Piratas do Tietê… Pelo lado das preferências, considero como principais itens, hoje, os álbuns do Joe Sacco, o Persépolis da Satrapi e a coleção de Love & Rockets. Mas gosto de muitas outras coisas, como os álbuns do Asterix, as séries do Alan Moore (Watchmen, V de Vingança, Do Inferno), os Snoopy em formato pocket da Editora Vecchi…

Acho legal também ter uma boa coleção de revistas publicadas aqui em Minas: algumas Era Uma Vez, Oi Turma, Humordaz, Uai, Meia Sola, Legenda… E, claro, a Graffiti, né?!

Quadrinhos mineiros de ontem e hoje.

Qual o item mais raro da sua coleção?

Mais uma vez não sei. Talvez possa ter mais valor o Quarteto Fantástico #1 da Ebal, a primeira revista destes personagens a sair no Brasil. É de 1966. Ou a coleção do Fradim, que tenho completa. Tenho revistas bem mais antigas, mas não sei se valem mais. Não me ligo nestas coisas.

Você também coleciona obras teóricas sobre quadrinhos, quais são os destaques dessa coleção?

Sim. As bíblias continuam sendo Quadrinhos e Arte Seqüencial do Will Eisner e Desvendando os Quadrinhos do Scott McCloud, recomendo a todos os estudantes de artes gráficas e narrativas! Mas tenho também alguma coisa do pesquisador Moacy Cirne, o Mangá – O Poder dos Quadrinhos Japoneses, da Sônia Bibe Luyten (que é excelente também), dentre outros.

Como você guarda suas revistas e quais técnicas usa para conservá-las?

Eu as plastifico, embora saiba que a longo prazo isso não seja saudável para o papel. Não tenho técnicas específicas para conservá-las, o maior problema é a umidade, especialmente nas épocas pós-chuva, como agora. O mofo é fatal. Já perdi muita revista por causa disso. Mas de um modo geral minhas revistas são bem “lenhadas”. Eu as utilizo bastante, e, agora que meu filho passou a se interessar pela coleção, estão se desgastando mais ainda!

Você possui muitas HQs autografadas?

Sim, mas não me importo muito com isso. A maior parte dos autógrafos são dedicatórias de autores amigos.

Quais são seus 10 quadrinhos favoritos de todos os tempos?

Spirit do Will Eisner, especialmente da última fase (entre 1950 e 1952, quando ele tinha uma equipe redondinha e as histórias beiravam a poesia), Locas do Jaime Hernandez, Fradim do Henfil, Watchmen, Gorazde do Joe Sacco, Corto Maltese do Hugo Pratt, Snoopy, Ken Parker, Don Martin, e… sei não, sempre é difícil escolher o décimo, pois parece que vai faltar muita coisa. Piratas do Tietê? AsterixPato Donald do Carl Barks? Homem Aranha do Steve Ditko? Demolidor do Frank Miller? Lobo Solitário? Calvin? Sei lá!

A este respeito, compreendo perfeitamente a importância daqueles quadrinhos considerados “cânones”, como Little Nemo ou Krazy Kat. Não os incluo na minha lista, pois os que eu citei fizeram e fazem parte da minha formação literária, o que é diferente dos “clássicos”.

Você tem alguma “mania de colecionador”, seja para guardar, emprestar ou mesmo na hora de comprar?

Sinceramente, acho que não. Não tenho pudores para emprestar meus quadrinhos, e, por isso mesmo, já perdi algumas revistas assim. Quer dizer, acho que tenho uma mania sim: na hora de comprar, dou uma “cheirada” na revista – seja ela nova ou usada.

Quais foram os últimos quadrinhos que comprou? E qual o último que leu?

Quadrinhos novos, os últimos que comprei foram Asterios Polyp e os que peguei no FIQ: as duas revistas do Pedro Franz, os do Vitor Caffagi (Duo.Tone e Valente), O Beijo Adolescente do Rafael Coutinho e as revistinhas do Odyr Bernardi. Gostei bastante de tudo. Asterios Polyp é um marco dos quadrinhos, o Mazzuchelli é sensacional desde o Demolidor, passando pelo Batman Ano Um e pelo Cidade de Vidro, que é outra obra-prima. O legal é que, desta vez, trata-se de uma história escrita e desenhada por ele.

Em sebo, acabei de comprar uma coleçãozinha linda, americana, de cartuns da Penguin Books. Comprei na Baratos da Ribeiro, no Rio de Janeiro. O último quadrinho que comprei mesmo foi uma revista da série “graphic novel”, da Abril: Frank Capra, do Manfred Sommer, no sebo do Ânderson, na rua da Bahia (centro de BH). O engraçado é que comprei achando que não tinha, mas já tenho! (risos).

As últimas coisas que li: Asterios Polyp (maravilhoso!), O Pequeno Pirata, do David B. (legal, mas com um quê do Pequeno Vampiro, do Joan Sfar, que me incomodou um pouco), e A Rua de Lá, do Alves, editado por mim! Agora estou relendo pela 1.000.000ª vez Watchmen.

Ah, se quiser me dar de presente a Frank Capra repetida, eu aceito! (risos)

Você costuma comprar HQ importadas?

Já comprei bastante, tenho um bom volume de obras importadas. Gosto muito das revistas mix européias das décadas de 1970 a1990: Totem, Metal Hurlant, El Víbora, Eternauta, Fierro, que é argentina, mas segue o mesmo estilo. O jornalista Paulo Ramos sempre diz que a Graffiti guarda semelhanças com a Fierro e com este gênero de revistas. Não sei se procede, mas gosto da comparação!

Tenho também uma prateleira só com edições italianas da Bonelli, especialmente Dylan Dog. Durante o período que morei na Itália, comprava regularmente Dylan Dog. Saíam três edições por mês (a inédita, a reedição e a segunda reedição), e eu comprava as três!

Atualmente só compro HQ importada eventualmente,em sebo. Atéporque tem saído muitos bons quadrinhos estrangeiros por aqui, compilações e tal.

Bonelli e outro fumettis.

Pilote, revista francesa dos anos 50.

Tem algum item que quer muito ter, mas está impossível de encontrar?

Hoje em dia, com a internet e sites como o Estante Virtual, é difícil dizer que tem algo “impossível” de encontrar. Mais fácil dizer que algo tá impossível de comprar, por causa do preço. Por exemplo, estou namorando há algum tempo aquela série Sandman Definitivo, mas ainda não deu ($) pra comprar…

Antes de acabar nos conte quais são as próximas novidades no seu trabalho com quadrinhos e da Graffiti.

É segredo! (risos)… Estamos preparando a nova edição da Graffiti, a de número 23. Deve sairem maio. Vai ter uma novidade, acho, bastante interessante. Trata-se de uma parceria, algo diferente de tudo o que já fizemos, relativo ao conteúdo e às novas possibilidades narrativas.

Estou reescrevendo a parte de quadrinhos do Guia Ilustrado de Graffiti e Quadrinhos. Recebi um convite de uma editora para republicá-la, o que me deixou bem satisfeito, apesar de eu considerar que há muito a ser revisto e atualizado…

Além disso, estamos com um novo projeto, intitulado: História, Sociedade e Cultura em Minas. Trata-se de uma série de livros em quadrinhos sobre aspectos da cultura mineira, com foco principalmente na educação. Estamos na fase de captação de patrocínio e, se tudo der certo, será um projeto que nos tomará basicamente todo o ano.

Fabiano, muito obrigado pela entrevista! Foi um prazer conversar com você.
Deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Eu é que agradeço a oportunidade. Gosto bastante desta sessão!

Aos colecionadores, especialmente aos jovens, se me permitem, um conselho: ampliem sempre os seus horizontes! O mercado de quadrinhos, para nosso deleite, cresceu muito, e hoje existe à nossa disposição uma imensidão de ótimos trabalhos, de todos os gêneros e estilos possíveis. Não fiquem presos e bitolados em um tipo de quadrinhos – mangá, super-herói, ou qualquer outro – e nem tampouco em um ou em alguns títulos. A melhor coisa que tem para a nossa inteligência é a gente se deparar com o novo, o inédito, o diferente. Por isso, nada mais gratificante do que buscar sempre novos autores, novos títulos, novos trabalhos para conhecer.

Grande abraço a todos!

Independentes ontem e hoje.

Undergrounds

Europeus e eróticos.

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Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros aficcionados e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

Minha Estante #32 – Arthur Nogueira

Olá, pessoal!

A semana é de folga para muita gente, mas aqui no PN a máquina não para, os casts e posts supimpas diários continuam.

Dando sequência a nossa aclamada e querida coluna, hoje iremos conhecer um pouco mais da bela coleção de Arthur Nogueira Lazaro, que rumo aos 5 mil exemplares tem muito o que mostrar.

Essa é especial para todos aqueles que passaram o feriadão lendo bons quadrinhos e se incomodou com o ziriguidum dos sambas enredos insuportáveis vindo dos altos-falantes do vizinho mala.

 

Olá, Arthur! É um prazer tê-lo participando dessa coluna! Por favor, se apresente ao aos nossos leitores?

Olá. Meu nome é Arthur Nogueira Lazaro, tenho 30 anos. Sou casado e moro em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Sou Coordenador de um time de Telecom e trabalho com telecomunicações há mais de 10 anos.

Comecei minha coleção de quadrinhos em 1993 e não parei até hoje. Gosto muito de leitura e música, e tento manter um blog falando um pouco das revistas e histórias que passam pelo meu tempo de leitura  e contribuo com informações, capas, entre outras coisas, no site Guia de Quadrinhos.

Quando você começou a se interessar por quadrinhos?

Comecei minha coleção em 1993 quando passei por uma banco de usados e comprei meu primeiro exemplar, X-Men #26 (formatinho da Abril). Tinha um amigo na escola que já possuía uma pequena coleção e fui no embalo.

Você se lembra da primeira vez que se viu fascinado por uma HQ? Qual foi a história ou revista?

No bairro onde morava em Guarulhos haviam muitas bancas de usados e, passando por uma delas, me deparei com uma edição de Grandes Heróis Marvel #19. De ver aquela capa com o Quarteto Fantástico sendo atacado por outros heróis foi o estopim para juntar as moedinhas suficientes para comprar aquela revista.

Mesmo com pouca idade, eu me maravilhei quando consegui comprar e ler aquela revista.

Se lembra quando passou de apreciador ocasional de HQ para um colecionador viciado?

Acho que quando passei das 200 revistas e me coloquei uma meta de chegar a mil e parar a coleção. Mas hoje tenho mais de 4.200 e ainda não parei (risos). Essa mania se estendeu para os livros e também filmes relacionados.

Qual seu personagem favorito, aquele que mesmo nas mãos nos piores roteiristas você dá uma conferida?

Sempre gostei do Wolverine em especial. Mas com o passar do tempo e lendo novos materiais, hoje eu vejo o Tex como meu personagem preferido.

Quantas HQs você tem?

Atualmente tenho exatos 4219.

Como você as guarda? E quais técnicas usa para conservá-las?

Eu tenho dois armários e, assim que termino de lê-las, plastifico. Coloco-as deitada, alternando a posição para mantê-las reta. Abro algumas de tempo em tempo para dar uma folheada. Além disso, mantenho os armários com constante anti-mofo e limpos.

Qual o item mais raro da sua coleção?

Eu tenho várias edições de Superman, Superboy e Supermoça da Ebal da década de 60. Essas são minhas jóias.  Além disso tenho umas edições de Snoopy da década de 70, sensacionais.

E qual foi a maior raridade que já comprou pelo menor preço?

Essas edições da Ebal eu paguei R$ 8,00 em cada. Revistas com mais de 40 anos de existência.

Já fez alguma loucura para conseguir algum exemplar? Qual foi sua maior compra de uma vez?

Loucura ainda não, até por que, nessas horas, colecionador acaba gastando o que não tem (risos). Eu comprei 26 revistas de uma vez quando parti para completar minha coleção de X-Men, X-Men Extra da Panini e as formatinho de X-Men da Abril.

Tem alguma HQ autografada?

Infelizmente ainda não. Sou uma pessoa muito caseira e devido a isso, não consigo participar de eventos que acontecem. Mas esse ano eu tomo vergonha na cara.

Se você já tem a história que adora publicada em formatinho e ela é lançada em álbum de luxo, você a compra novamente? Depois vende a primeira ou fica com as duas?

Eu não vendo minhas revistas ou troco. É uma regra que tenho. Dependendo do encadernado eu até compro novamente. Isso aconteceu com minha coleção de Reino do Amanhã e Marvels, pois foram edições de aniversário e não tem como não ler várias vezes essas revistas.

Tive a oportunidade, em 2005, de comprar alguns álbuns de luxo em uma loja de comics em Londres. Ler 1602 original e encadernada também foi muito bom.

Todo colecionador tem manias, seja para guardar, emprestar ou mesmo na hora de comprar, quais são as suas?

Acho que minha mania é não emprestar e até certo momento da coleção, eu fazia contagens de tempos em tempos. Uma loucura sem fim. Hoje foco em manter algumas coleções, completar outras e caçar raridades. Estou com esse foco sadio de encontrar peças raras.

Você também compra HQ importada?

Compro. Até por que muita coisa que sai legal, principalmente nos Estados Unidos, demoram muito ou não chegam ao Brasil.

Tem alguma história triste envolvendo esse hobby?

Graças a Deus não.

Que são suas as dez HQs favoritas de todos os tempos?

1 – Meu encadernado de 1602 americano;

2 – Minha edição encadernada de Batman Cavaleiros das Trevas. Edição comemorativa de 50 anos de Batman no Brasil;

3 – X-Men  #1 da Abril;

4 – Wolverine #1 da Abril;

5 – A Morte do Superman;

6 – A Morte de Robin;

7 – A Piada Mortal;

8 – Graphic Novel #3: Morte do Capitão Marvel;

9 – Reino do Amanhã;

10 – Marvels.

Qual item é seu objeto de desejo, aquele que você sempre quis ter e ainda não conseguiu?

Ai complica, pois tenho vários. Eu tenho vontade e espero conseguir completar as edições de Homem-Aranha, Capitão América e Superaventuras Marvel.

Mas esse ano quero comprar as MSP 50.

Além disso, gostaria muito de ter alguns materiais nacionais bons na minha coleção. Depois de muito tempo seguindo a linha de super-heróis, acho que preciso respirar novos ares também.

Qual foi a última HQ que comprou? Gostou?

Comprei no dia 06 de fevereiro, Homem-Aranha Noir #2. Ainda não li mas, se for no mesmo estilo da primeira edição, será muito legal de ler.

Arthur, muito obrigado pela entrevista! Deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim.

Sempre é e será sadio termos uma coleção, divertimento e etc. Mas faça deste hobby seu passa tempo, seu refúgio, sua alegria. Nunca compre uma revista, livro ou filme pela obrigação e sim pela satisfação de ter momentos de descontração.

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Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros aficcionados e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

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