Minha Estante 62 – Sandro Santos

Para você que estava com saudade da coluna Minha Estante, pronto, não precisa mais ficar triste.

Ela está de volta, e dessa vez com o nosso amigo e colecionador Sandro Santos.

Sandro, que assim como a maiorias de nós, é apaixonado por quadrinhos e conta pra gente um pouco dessa sua vida de colecionador.

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Sandro, muito obrigado por participar desta entrevista.

Eu que agradeço, Alexandre! Acompanho a coluna desde o início e sempre tive vontade de participar. Agora, apareceu a chance.

Onde você mora e o que faz da vida?

Moro em Avaré, interior de SP. Sou administrador de empresas com ênfase em Sistemas de Informação. Atualmente, trabalho na área fiscal no ramo sucroenergético.

Como que os quadrinhos entraram na sua vida?

Essa é fácil. Quando eu tinha uns 4 ou 5 anos, iniciei minhas “leituras” de imagens com os gibis da Turma da Mônica, como a maioria de nós. A leitura, propriamente dita, começou com Bloquinho 2. Tinha histórias de personagens italianos (Tarzaneto, o Coelho Porfírio etc). A edição perdeu-se nos caminhos da vida, mas, graças ao colecionador e vendedor André Luiz Garcia Aurnheimer, consegui reaver essa edição. Nem preciso dizer que ela está em destaque na estante.

Quantas HQs você tem?

Perto de 6.000. Mas ainda tem coisa para catalogar. As mensais que compro, cadastro aos poucos. Encadernados e edições antigas ou especiais, cadastro na hora. Tenho esse hábito.

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Quais são os principais itens de sua coleção?

Embora eu tenha muitas edições luxuosas, capas duras e raridades da Ebal, Bloch e outras, as que eu guardo com todo carinho são os formatinhos da Abril. Comecei a ler pra valer quando a Abril passou a publicar a Marvel. A primeira revista de heróis que li foi o Heróis da TV 11, com a história em que o Capitão Marvel adquire a consciência cósmica. Havia também as histórias do Shang Shi, Punho de Ferro. Vi aquilo e disse: Cacete (não exatamente com essa palavra, claro). A partir dali, mudei o foco para heróis e não parei mais. Aí veio: Capitão América, SAM, Conan… Bons tempos.

Qual o item mais raro que você tem?

Creio que, em termos de dificuldade de se conseguir, seja a edição Almanaquinho de Invictus – 1968, da Ebal. Paguei R$ 10,00 por ela. Por esse preço, praticamente impossível de encontrar… (risos). Foi um achado.

Outras que merecem destaque são: a coleção Edição Maravilhosa primeira edição, até o número 100; Brucutu, da RGE; Betty Boop, da GEA e outras.

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Você mora em Avaré (cerca de 270 km de SP capital). Gostaria de saber como é a distribuição aí na sua cidade. As revistas tendem a chegar no mesmo mês de seus lançamentos?

Rapaz, eu tenho alguma dificuldade, sim. Acompanho algumas mensais e elas costumam atrasar. Mas chegam. Já encadernados como Hellblazer, Monstro do Pântano, Inescrito, Fábulas e outros especiais, chegam com muitos meses de atraso. Às vezes, pula edição e aí tenho de recorrer à internet para encontrar os números faltantes. Mas isso é problema da distribuidora local, segundo o funcionário da banca onde compro. Essa distribuidora fica em Bauru, cidade a 140 km de Avaré e o problema de logística é grande. Aqui vale uma observação: compro nessa banca há quase trinta anos, com o mesmo funcionário. Faço duas visitas semanais e os papos sobre quadrinhos foram, ainda são, muitos. Um verdadeiro ponto de encontro entre leitores. Hoje em dia, isso está cada vez mais difícil de ocorrer. Mantenho esse hábito.

Uma curiosidade sobre minha cidade: Aqui foram realizados alguns Congressos Internacionais de Histórias em Quadrinhos, na década de 70, com a presença de diversos quadrinistas, inclusive o Mauricio de Sousa. Uma pesquisa rápida na internet pode fornecer maiores informações sobre esses eventos. Um amigo meu tem um cartaz dessa época que estou doido para comprar, mas ele não vende. Deixa emoldurado na casa dele só para fazer inveja. Quem sabe um dia?

Além da banca, tem mais algum lugar que você costuma comprar?

Além da banca citada, compro muito na Amazon, Fnac, Saraiva, sebos virtuais e no Mercado Livre. Nesse último, sabendo procurar, dá para achar muita coisa com preço legal. O pessoal mete o pau, mas nem tudo é tão caro assim. O segredo é focar nos leilões a partir de R$ 1,00 que finalizam no meio da semana. Já comprei edições bacanas, como o WE3 capa dura, da Panini, por R$ 7,00. Acredita?

Também visito muitos sebos das cidades vizinhas. Gosto de me enfiar entre as estantes e fico lá até a esposa terminar as compras nas lojas e me chamar.

(Dica: levem as namoradas/esposas e as deixem nas lojas próximas, enquanto você se suja nos sebos. Todo mundo fica feliz.)

Viajo no tempo quando estou caçando gibis antigos. Não à toa, meu programa favorito é o Caçadores de Relíquias, do History Channel.

E, nessas visitas, aproveito para pegar gibis que repasso aos amigos colecionadores. Você, inclusive, já pegou algumas comigo.

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A sua coleção tem de tudo. Mas qual é o estilo de HQ que você mais gosta?

Embora a maioria de minha coleção seja composta do gênero super-heróis, é difícil definir um estilo.

Já tive fases em que preferia espada e fantasia (Conan), Humor (Groo), Terror (Kripta), erótico (Druuna, Valentina). Mas, com o tempo, percebi que prefiro mesmo todos.

Como você guarda seus quadrinhos? Você tem alguma técnica para conservar as suas revistas?

Tenho um quarto exclusivo para as HQs. E, como a maioria dos colecionadores tem algumas regrinhas básicas quanto à conservação.

Primeiro aquela cheirada básica. Seja novo ou antigo, é de lei. Comigo, formato digital não funciona. Tenho de pegar o papel nas mãos, sentir a textura das folhas. Mas em se tratando de papel, tem de ter alguns cuidados. Papel amarela, resseca, não tem jeito. Mas dá para retardar esse processo natural.

Formatinhos, mensais e encadernados brochura, coloco em sacos plásticos. Compro em lojas de embalagens mesmo.

Capas duras, deixo sem. Salvo algumas exceções, guardo todos em pé. Tenho algumas edições da editora Nemo que, devido ao tamanho, tenho de deixá-las deitadas.

Uma observação: Capa dura, NUNCA, NUNCA deixe empilhada uma em cima da outra. As páginas vão colar. Falo com propriedade, pois já passei por isso com algumas edições de Sandman, da Conrad. Quando a tinha é nova, não seca direito, aí já viu. Mas notei que esse problema costuma ocorrer com maior freqüência em edições da Conrad e Pixel. Nas da Panini, não notei isso. Mas não dou sopa para o azar. Ficam em pé, sem deixar muito apertadas umas às outras.

Para evitar insetos, coloco grãos de pimenta do reino e cravo nos nichos da estante. Afasta qualquer traça que você possa imaginar. Se observar bem, os pontos pretos que aparecem em algumas fotos são esses pequenos truques.

Além disso, montei a estante longe de paredes externas e janelas. Com esses cuidados e uma limpeza de vez em quando, os tesouros estão preservados.

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Talvez o maior problema para nós, colecionadores, seja o espaço. Lembro de quando você comprou a sua estante para guardar a sua coleção. Pelo jeito você vai ter que comprar outra não é mesmo?

Na verdade, comprei o material e eu mesmo a montei. Desenhei como queria e pedi para a loja de materiais já cortar nas medidas definidas. Aí, foi só usar a parafusadeira, parafusos, pregos e pronto. Em um final de semana, estava montada a estante. Nas mesmas medidas, a marcenaria queria me cobrar R$ 3.000,00. Meu custo ficou em menos de R$ 600,00. Sobrou grana para os gibis.

Mas, sim. Já estou pensando em montar outra, porque essa vai encher logo.

Sei que você estava atrás da Heróis da TV 1. Você já conseguiu essa edição?

Ainda não consegui. Até apareceram algumas, mas estavam pedindo de R$ 300,00 para cima. Aí não dá. Tenho paciência. Um dia aparece uma com valor mais baixo. Eu até poderia pegar um fac-símile para tapar buraco, mas não seria a mesma coisa. Gosto mesmo é de original, com toda a história que carrega de seus antigos colecionadores. Às vezes, achamos coisas dentro dessas edições antigas. Eu mesmo já encontrei cartões postais, cartas, figurinhas antigas. É sempre uma surpresa.

Qual foi sua última leitura e qual está sendo a atual?

Toda noite, tem leitura. A última que li (ou reli), foi justamente a do Bloquinho, que mencionei acima. Passei bons momentos relembrando a infância. A atual está sendo Maus, que comprei há pouco tempo. Fazia tempo que estava atrás e, finalmente, apareceu a um bom preço na Amazon. Espetacular!

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Se tivesse que escolher um gibi pra eternidade, qual seria?

Fácil. Heróis da TV 11. Foi esse que me fisgou para o mundo da Marvel e dos heróis.

Obrigado pela entrevista, Sandro. Para finalizar, deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Agradeço a oportunidade, Alexandre! O recado que deixo é que não desistam de suas coleções, apesar das traças, poeira e preços exorbitantes.

Cultura é essencial e preservar a memória das histórias em quadrinhos faz parte de nossa missão.

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Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros fãs e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

Videocast 175 – Quadrinhos do Wolverine

Olá a todos,

Cá estamos nós para mais um videocast do Pipoca e Nanquim. Esta semana decidimos comentar um pouco sobre a vida nos quadrinhos do mutante mais conhecido da Marvel, WOLVERINE. Em geral fazemos isso quando um filme é lançado, contudo desta vez, meio que perdemos o timing. Apesar disso, achamos que o Velho Logan é sempre um assunto bom e atual, então mandamos o timing pras favas e gravamos um especial só sobre a Arma X mais adorado das HQs. É isso aí galera, até a semana que vem!

COMENTADO NESSE VIDEOCAST

– Sites parceiros: Super Novo, Mob Ground, Contraversão, Iradex.
Podcast #05 – Wolverine
Videocast #163 – Monstro do Pântano
– Na Comix, títulos em pré-venda são mais baratos! 

QUADRINHOS COMENTADOS

Arma X (Panini)
Eu, Wolverine (Panini)
Wolverine e Destrutor – Fusão (Abril)
Origem (Panini)
Wolverine: Inimigo do Estado (Panini)
Wolverine – mensal (Panini)
Wolverine – mensal (Abril)


Minha Estante #55 – Pedro Oliveira

Senhoras e senhores, está na hora de conhecer mais uma belíssima coleção de quadrinhos!

Pedro Oliveira abriu as portas de seus armários e lá de dentro tirou as mais inacreditáveis raridades, basta uma rápida olhada nas fotos para comprovar que não estamos mentindo. Mas, não fique só vendo as fotos, leia também a entrevista, pois tenho certeza de que aprenderá muito sobre esse hobby que tanto apreciamos.

E não se esqueça, se você também tem uma baita coleção de HQs, escreva pra gente e vamos combinar de mostrar ela neste espaço.

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Olá, Pedro! Muito obrigado por topar participar desta entrevista.
Para começar nos conte um pouco sobre você, onde nasceu, mora, o que faz na vida profissional?

Olá, Daniel e leitores do Pipoca e Nanquim! Muito obrigado pela oportunidade de poder participar desta coluna que é um sucesso. Meu nome é Pedro José Rosa de Oliveira. Nasci em Anápolis, moro em Belo Horizonte e trabalho atualmente no Rio de Janeiro. Sou engenheiro de telecomunicações e consultor de sistemas celulares. Sou casado e pai de um casal de filhos.

Quando você começou a se interessar por quadrinhos?

Tive dois momentos. A primeira fase foi quando criança, antes mesmo de começar a ler, por volta dos cinco anos, vendo um primo ler quadrinhos. Lembro de folhear os gibis repetidas vezes, fascinado pelos desenhos. Depois que comecei a ler, aumentou ainda mais interesse pelos quadrinhos. Na infância não acumulei grandes quantidades de gibis, mas tive duas coleções que eram minhas favoritas: Heróis de TV (Marvel) e Disney Especial. Esta paixão foi até a adolescência, onde por volta dos 15 anos perdi o interesse nos quadrinhos (pode?). Em 1997 veio minha segunda fase quando li uma reportagem no jornal Estado de Minas sobre o lançamento da minissérie DC x Marvel. Isto me despertou uma curiosidade, pois, quando criança lia os gibis da Marvel e DC e queria que os heróis destas duas editoras se encontrassem. O único crossover que já tinha visto era o encontro do Homem Aranha e Superman, publicado pela editora Abril. Comprei e li esta minissérie, daí o gigante adormecido se despertou. Então saí à procura das coleções preferidas de minha infância, em especial a da Marvel. Fui comprando e completando coleções como Grandes Heróis Marvel, Heróis da TV, Capitão América, Homem Aranha, etc.

Você se lembra da primeira vez que se viu fascinado por uma HQ? Qual foi a história ou revista?

Sim, lembro bem. Tinha uns cinco anos e o que vi pela primeira vez foi Thor 16, da Bloch. Fiquei muito admirado e fascinado com a grandeza de Asgard e com aquelas vestimentas diferentes e marcantes desenhadas pelo grande Jack Kirby. Lembro também de ficar impressionado de ver o Adam Warlock dentro de um casulo nas histórias “Ele” e “Um deus em fúria” desta revista. Já se passaram 36 anos e ainda me lembro dos detalhes dos desenhos.

Quando aconteceu a mudança de leitor ocasional para colecionador inveterado?

Quando criança não era tão apegado e aficionado por quadrinhos. Lembro que lia duas ou três vezes um mesmo gibi e depois trocava por outro com colegas, e assim por diante. Quando voltei a ler quadrinhos em 1997, fui adquirindo aos poucos, mas tornei-me um colecionador inveterado há uns 13 anos.

Quantas HQs você têm?

Tenho aproximadamente 8200 HQs.

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Já se desfez de algum exemplar e hoje se arrepende muito?

Sim, já me desfiz dos Tio Patinhas #1 e #2 e me arrependo muito. Os exemplares estavam em ótimo estado de conservação e vejo que, a cada dia, estes gibis se valorizam mais e mais, ficando difícil de adquiri-los novamente.

Quais são os principais itens de sua coleção, séries e minisséries completas, encadernados de luxo, edições raras e tal?

Como disse, voltei a colecionar quadrinhos com a intenção de ter o que li quando criança, em especial Heróis da TV e Capitão América. Com isso acabei completando tudo da Marvel editado pela Abril. Em seguida, consegui obter gibis da Marvel publicados por outras editoras. Hoje tenho todos os quadrinhos de super-heróis da Marvel produzidos no Brasil, iniciando pelos números zeros da Ebal, em 1967, passando por raridades de editoras menores como GEP, Roval, Gorrion, Paladino, M&C, GEA e Trieste. Além destes, tenho todos os gibis Marvel da Bloch, RGE, Abril, Globo e Panini. A exceção é a partir de 2007, quando parei de comprar quadrinhos da Panini, devido à falta de espaço e queda de qualidade das histórias. Hoje compro edições especiais e alguns números avulsos que julgo interessantes.

Coleciono também revistas com material da Marvel que não são super-heróis como terror, histórias de amor e humor, infantis (Star Comics) e outras que foram publicadas por diversas editoras como Roval, Gorrion, Trieste, Abril, RGE, Bloch, Globo, entre outras.

Da DC tenho várias minisséries e números 1 da Abril e Ebal, incluindo muitos almanaques.

Minha coleção da Disney é composta por Disney Especial (1 a 100 e depois números salteados), números baixos de Tio Patinhas e de alguns Mickey, Almanaque Disney, a coleção de Edições Extra e edições especiais. De mais recente tenho a excelente coleção de Carl Barks, Mestres Disney e outros.

Também tenho todos os títulos e quase todos os números editados pela Bloch, GEP e M&C.

Da linha infantil, possuo material da Hanna Barbera (como a coleção Heróis da TV e Almanaques Heróis da TV, da Cruzeiro), Diversões Juvenis completa (incluindo todas as edições especiais), primeiros números de Mônica e Cebolinha, e personagens infantis publicados pela Vecchi.

Coleciono material nacional publicado pelas editoras La Selva, Taika, Continental, Outubro, Edrel, GEP e Livreiro.

Entre as raridades, possuo vários números de Gibi tri-semanal, Gibi Mensal, Gibi especiais de Natal, Guri, O Globo Juvenil, Álbuns do Globo Juvenil, Shazam!, Biriba, Correio Universal, Álbuns da Gazetinha, Lobinho, Suplementos Juvenis da década de 30,  Júnior (com as primeiras histórias de Tex), Bidu e Capitão 7, da Continental.

De mais atual e que considero raridade, destaco a coleção completa do Ken Parker da Tapejara.

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Qual o item mais raro de todos?

É difícil escolher o mais raro de todos. Foi citar alguns que considero grandes raridades: Os dois álbuns do Fantasma Voador, do Correio Universal, Almanaque do Lobinho de 1942, Gibi Mensal #168 de 1940 (com primeira aparição do Tocha Humana no Brasil), Guri #63 (com primeira aparição do Capitão América no Brasil), Álbum da Gazetinha #1 (com primeira história completa do Superman), Suplemento Juvenil de 1938 com Aventuras do Elefante Bolinha e Proezas do Pato Donald, dois álbuns do Globo Juvenil com Superman, Flash Gordon, de 1936, Gibi tri-semanal #4 de 1939, seis números de Detective com histórias do Capitão América de 1944, Batman #1 de 1953, Festival Disney de 1954, Almanaque dos Heróis de 1948, Coleção Pernalonga #1, da Ebal, de 1951 com a capa em formato de envelope (onde nunca o vi catalogado em nenhum lugar). Para finalizar as raridades, tenho uma edição interessante que, segundo alguns colecionadores e o próprio editor, existem menos que 10 exemplares no mundo. Trata-se de Histórias do Faroeste #22 (com 1ª aventura de Tex), editada em setembro de 1981 pela Vecchi. Esta edição não foi à bancas devido receio da Vecchi em ter problemas com Sérgio Bonelli em publicar histórias de Tex que não fossem em revista própria.

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E qual foi a maior raridade que já comprou pelo menor preço?

Em 2000, comprei um grande lote de edições da Ebal com super-heróis da Marvel (Super-X, Capitão Z, Homem Aranha, Álbum Gigante, Demolidor, Quarteto Fantástico, A Maior) e da Bloch (todos Marvel), aproximadamente uns 500 gibis, por R$ 0,25 cada. Era de um colecionador que estava se desfazendo de sua coleção.

Você compra HQ importadas?

Hoje não, mas já comprei alguns da Marvel, principalmente daqueles que não saíram no Brasil. Sou fã do Capitão Marvel (Marvell) e saíram poucas histórias dele aqui no Brasil (primeiros números de Heróis da TV). Então consegui comprar, aos poucos, toda a publicação deste herói lançada nos USA. Tenho também alguns Essentials de terror. Outros quadrinhos importados que tenho são de países que já visitei, com destaque para os quadrinhos indianos com histórias de alguns deuses hindus.  Tenho umas 300 HQs importadas.

Onde costuma comprá-las?

Comprei todas as americanas pelo eBay.

Como você guarda sua coleção de HQs? E qual técnica usa para conservá-los?

Guardo todas em um grande armário que foi feito especialmente para armazená-las, como podem ver pelas fotos. Todos meus gibis ficam em sacos plásticos, sem exceção. Costumo agrupar os formatinhos em 10 edições para cada saco plástico. Já as mais valiosas, além de ficar uma só em um saco plástico, ficam com papelão para proteção. Infelizmente por falta de espaço, coloco uma sobre as outras. De tempo em tempo mexo nas pilhas de gibis para verificar como estão e evitar surpresas desagradáveis.

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Todo colecionador tem manias, seja na um ritual para leitura, uma bela cheirada na revista nova ou nunca se desfazer de nada, qual é a sua?

O cheiro do papel e tinta é marcante para qualquer apreciador de quadrinhos. Ainda gosto de sentir o cheiro de um quadrinho quando compro, mas lembro-me que o cheiro das revistas da editora Abril do início da década de 80 eram os melhores, principalmente dos quadrinhos Disney Especial, que tinham muitas páginas.

Hoje me desfaço somente do que tenho repetido, aliás, devo ter uns 300 quadrinhos repetidos. Isto devido ao que acho ser uma mania: sempre querer substituir os exemplares que tenho em médio ou mal estado de conservação por exemplares em excelente estado.

Além de quadrinhos você também coleciona outros itens?

Sim, coleciono outros itens, mas todos relacionados a quadrinhos. Coleciono brindes que vinham nos quadrinhos como pôsteres, moedas, adesivos, etc.

Tenho todas as moedas da Disney que foram lançadas pela editora Abril. Tenho também duas moedas dos Trapalhões e a do Fantasma. Falta-me conseguir o medalhão do Tor que veio em Heróis da TV 17 (HB).

Já os pôsteres que eram brindes de certos gibis, tenho quase todos. Tenho todos que vieram nos Almanaques da Ebal de 1969, todos dos super-heróis da Bloch, todos que vieram em Kripta, os dois pôsteres do Tex e alguns dos primeiros números de personagens infantis da Vecchi. Dos pôsteres mais procurados e difíceis, lançados pela editora Abril na década de 70, faltam-me um de Diversões Juvenis, um da Turma da Mônica e dois de Edições Extra da Disney.

Tenho também quase completa a coleção de miniaturas da Disney da promoção da Coca-cola do início da década de 80.

Outra pequena coleção que tenho é de álbum de figurinhas. Tenho os álbuns completos de personagens da Marvel lançados no Brasil (falta-me somente o do Hulk de 1980). Entre estes, se destacam o primeiro álbum de heróis da Marvel, que foi lançado pela editora Dimensão em 1978, o álbum de figurinhas de heróis da Marvel e DC de Ping Pong de 1979, os 3 álbuns de figurinhas da Marvel que saíram nas revistas da editora Abril na década de 80, que além de tê-los completos, tenho também os gibis com as figurinhas encartadas.

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Tem algum item que quer muito ter, mas está praticamente impossível de encontrar?

Um grande defeito dos colecionadores é sempre querer mais. Como tenho tudo da Marvel que foi editado no Brasil, passei a procurar por raridades. Entre estas, o que procuro e considero difícil de encontrar (e também muito caro) são: Almanaque do Lobinho 1949, Gibi Mensal 1, Gibi Mensal de 1940 número 142 (com primeira aparição de Namor), Lobinho 7, os números de Bidu que me faltam e os primeiros números de Mickey e Pato Donald.

Com relação a minhas coleções que não são quadrinhos, o que penso que seja difícil de conseguir são todas as tampas Delícia (com heróis da DC) e Doriana (com heróis da Marvel). Outra coleção que não tenho e procuro é a de chaveiros que foram brindes de revistas da editora Abril em 1985.

Qual foi sua última leitura e qual está sendo a atual?

Infelizmente o que me falta  é tempo para ler meus gibis. Minha última leitura foi a coleção Star Wars, da editora On Line. O que estou lendo atualmente não é HQ, mas um livro sobre quadrinhos: Shazam!, do Álvaro de Moya. Minha próxima leitura será Stan Lee: O Reinventor dos Super-Heróis, do amigo Roberto Guedes.

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Se tivesse que escolher 10 itens de qualquer uma das suas coleções para levar para a Fortaleza da Solidão, quais seriam?

Que pergunta difícil! Vou tentar responder:

1) Heróis da TV 1 a 16 (não dá para escolher somente uma);
2) Coleção Heróis da TV (Hanna Barbera) (também não da para escolher somente uma);
3) Coleção Edições GEP (todos os 23 números);
4) Gibi Mensal 168, de 1940;
5) Guri 63;
6) O Fantasma Voador, do Correio Universal;
7) Almanaque do Lobinho, de 1942;
8) Batman 1, de 1953;
9) Suplemento Juvenil com: Aventuras do Elefante Bolinha e Proezas do Pato Donald;
10) Álbum da Gazetinha 1;

Ufa!!!

Obrigado pelo papo, Pedro! Para finalizar, deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

A leitura, de qualquer forma que seja, é muito importante a qualquer pessoa, principalmente para crianças em fase de alfabetização. Minha filha tem sete anos e desde os cinco (quando começou a ler) já devora os quadrinhos, principalmente da Turma da Mônica.

E por fim, caros colecionadores, não é fácil ser um colecionador, pois como diz um amigo meu: “para ser um grande colecionador você precisa de 3 coisas: tempo (para procurar o que lhe falta), dinheiro e espaço físico”. Mas com paciência e perseverança, vocês encontrarão o que procura na hora certa.

Pipoca e Nanquim, mais uma vez obrigado pelo bate-papo e o espaço cedido para expor um pouco de minha coleção.

Um abraço a todos.

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martha-holmes-actress-buff-cobb-reading-comic-books-at-homeMinha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros fãs e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

Minha Estante #50 – Heitor Pitombo

Olá, amigos do PN!

É com muita alegria que publicamos essa Minha Estante. Após dois anos de trabalho, chegamos ao número 50! Isso mesmo, são 50 belíssimas coleções de quadrinhos apresentadas com detalhes fotográficos e relatos de seus proprietários, que toparam abrir suas casas, tirar o pó da estante e mostrar os itens mais legais que possuem no acervo.

Em dois anos, esse espaço se tornou um dos poucos do Brasil, quiça do mundo, de troca de informações e debate sobre as variadas facetas do ato de colecionar gibis.

E para coroar esse período com chave de ouro, fizemos uma entrevista com um dos maiores especialistas da área, Heitor Pitombo. Colecionador inveterado desde a infância, tornou a paixão seu trabalho e tem seu nome definitivamente talhado no mundo dos quadrinhos.

Esperamos que curtam muito o papo, comentem e divulguem por aí, pois quanto mais gente souber deste espaço, mais chance de conhecermos outros colecionadores.

Yeah!

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Olá, Heitor! Obrigado por topar essa entrevista! É uma honra contar com sua presença nessa coluna.

O prazer é todo meu de fazer parte dessa seleta lista de colecionadores!

Para começar gostaria que você se apresentasse aos nossos leitores e nos contasse como passou a trabalhar com quadrinhos. 

1991 - 022 - catalogo Bienal 1Oi, gente, meu nome é Heitor Pitombo, vivo no Rio de Janeiro e leio gibis desde que me entendo por gente. A primeira vez na vida em que escrevi sobre quadrinhos profissionalmente foi há exatos 25 anos. Era o meu primeiro emprego para valer. Eu labutava na revista carioca Roll que, na época, concorria nas bancas com a Bizz. No meio daquele monte de matérias sobre rock’n’roll que eu tinha a obrigação de escrever quase que diariamente, rolou a oportunidade de encaixar umas notinhas numa seção de variedades que havia na revista. Na época eu escrevi alguma coisa sobre aquela graphic novel do Demolidor, criada pela dupla Frank Miller e Bill Sienkiewicz, que estava saindo pela Abril.

Mas eu considero que o meu primeiro trabalho mais constante e consistente com quadrinhos rolou em 1990, quando eu passei a escrever para o Tribuna Bis, caderno de cultura do jornal diário Tribuna da Imprensa. Quem escrevia para lá tinha espaço e era muito incentivado a escrever sobre o que bem entendesse. Por conta dessa liberdade, eu me danava a escrever sobre quadrinhos toda semana. Tanto que a editora do caderno, ao ver o meu entusiasmo e do amigo Zé José com o tema, resolveu nos dar uma página fixa semanal no periódico pra falarmos só de HQs.

Depois disso, eu conheci o pessoal que estava organizando a primeira Bienal Internacional de Quadrinhos e o resto é história… (risos). 

Você também atua como tradutor, não é?

Comecei a atuar como tradutor depois de trabalhar na produção de uma penca de eventos de quadrinhos (como a citada Bienal, o Comic Mania e o FIQ de BH), de escrever para diversas revistas especializadas e de, efetivamente, trabalhar na produção de HQs. Durante um bom tempo, ralei na redação de quadrinhos da Record, comandada pelo Otacílio D’Assunção (Ota), e meu trabalho de editor de texto apareceu com mais frequência nas páginas da Mad e de alguns títulos do Bonelli como A História do Oeste e Zagor. Um dos meus trampos favoritos desse período foi justamente o primeiro: editar um álbum para colorir dos X-Men, com 100 páginas. Escudado pelo desenhista Arnaldo Amaral, que trabalhou anos na Ebal, e pelo arte-finalista Jair de Souza, eu resolvi compilar imagens dos mutantes e as dispus em ordem cronológica, de modo que o moleque pudesse ter, naquela única revista, uma ideia de tudo o que se passou com o supergrupo, desde a sua origem até a saga Inferno, que a Abril publicava na época

Mas minha carreira de tradutor começou efetivamente em 1996, quando peguei uma biografia dos Beatles (Dito e Não Dito) para verter pro português, trabalho encomendado pela Melhoramentos. De lá para cá, acho que já traduzi por volta de uns 50 livros, mais ou menos, para mais de 10 editoras. Em 2001, traduzi minha primeira HQ para a Opera Graphica, a minissérie Gerações, do John Byrne. Como tradutor de gibis, também trampei pra Panini, pra Pixel e, mais recentemente, para a Kalaco. Continuo colaborando para a Panini nos dias de hoje, pois frequentemente traduzo a Mad.

Uma curiosidade, em 1997 a editora Sampa lançou uma revista chamada HQ CD (edição única), na qual veio encartado o CD-ROM O Universo dos Super-Heróis, que foi o primeiro CD-ROM de quadrinhos lançado no Brasil. Um dicionário com mais de 600 verbetes de heróis, supergrupos, revistas, autores e etc. Escrevi tudo e coordenei uma equipe técnica que se encarregou da programação do projeto. Ganhei um HQ Mix por isso.

Atualmente sou um dos colaboradores da revista Mundo dos Super-heróis.

1992 - 031 - X-Men para colorir1997 - 09 - HQ CD

Quando foi que se transformou de leitor ocasional de quadrinhos em um colecionador inveterado?

Tenho fotos para provar que sou leitor de gibis desde a mais tenra infância. A Ebal fez a minha cabeça, com seus super-heróis Marvel e DC, ainda nos anos 60. Mas me julgava apenas um mero apreciador do gênero. Fui virar colecionador mesmo com uns 10 anos, mais ou menos na época em que a revista do Homem-Aranha da Ebal estava com seus dias contados – cheguei a comprar o nº 70 nas bancas. Nessa mesma época, um primo mais velho resolveu se desfazer de todas as suas coleções completas de Capitão Z, Super X, Álbum Gigante, Estreia, Demolidor e Homem-Aranha e acabou deixando essas preciosidades da Marvel aqui em casa. Tenho uma leve lembrança de que ele também colecionava as revistas da GEP que saíam na mesma época, como X-Men, Capitão Marvel e Surfista Prateado, mas na época não me interessei pelas revistas desses personagens que eu não conhecia da TV…

Esse foi o marco zero da minha coleção de HQs. Ajudou muito o fato da minha mãe se encantar com a minha inclinação para a leitura e, por isso, resolver me levar para conhecer a Ebal e fazer compras naquela seção de vendas do prédio histórico da rua General Almério de Moura, aqui no Rio, no bairro que hoje se chama Vasco da Gama. De tanto ir lá, acabei sendo apresentado ao próprio Adolfo Aizen, que falou bastante sobre a função educacional dos quadrinhos e me deu a coleção inteira da Bíblia em Quadrinhos, cinco volumes da série Grandes Personagens da Nossa História (ele, na verdade, deu esses para o meu irmão, mas eu não tardei a confiscá-los para o meu acervo) e me perguntou qual a coleção completa que eu queria de presente. Não fui modesto: pedi logo a série completa do Superman em cores e acabei voltando para casa com as 62 edições a tiracolo…

Heitor 1967Heitor e a colecaoHeitor e Avengers

Uau! Que baita história legal.

Bom, qual foi seu primeiro personagem favorito? Ele ainda ocupa esse posto ou alguns detratores conseguiram, depois de escreverem tantas histórias ruins, rebaixá-lo?

Depois que virei colecionador, o primeiro personagem favorito foi, sem dúvida, o Homem-Aranha. Era muito fácil, aos 10, 12 anos de idade, se identificar com aquele loser do Peter Parker, que acabou faturando a gata mais bonita do pedaço, que era a Gwen Stacy. Mas até realizar essa façanha, ele deu muito mole com a mulherada. Quando eu tinha essa idade, minha atitude para com as moças era basicamente a mesma. Só comecei a namorar de verdade quando parei de ler quadrinhos de vez, dos 13 para os 14 anos, e comecei a tocar violão.

Retornei aos gibis no começo dos anos 1980, mais ou menos quando a Abril estava lançando as revistas do Homem-Aranha e do Hulk, e começava a estabelecer a sua própria cronologia Marvel. Perceber o quanto os quadrinhos haviam se modernizado foi um choque total para mim, que começava a minha vida universitária na ocasião, curiosamente ao mesmo tempo em que o Peter dava início à dele.

Nunca parei de acompanhar o Homem-Aranha, mesmo ele tendo passado por péssimas fases ao longo desse período, mas hoje já não o reverencio como um personagem predileto porque esse culto perdeu um pouco o sentido com o passar do tempo. Hoje, meus heróis dos quadrinhos não são mais os personagens e sim os autores das histórias.

Quantas HQs você tem?

Essa é uma pergunta muito difícil de ser respondida. A última vez que contei meus gibis, por volta dos anos 1990, eu tinha algo entre oito e nove mil exemplares. Mas pela disposição do meu acervo, que ocupa armários em todos os cômodos do meu apartamento, eu já devo ter passado da casa dos 20 mil há bastante tempo.

Também fica difícil precisar quantas HQs eu tenho porque, vez por outra, vendo alguns itens da minha coleção. As minhas coleções da Ebal, da Bloch e da RGE da Marvel, por exemplo, viraram scans baixados na internet. Mas mesmo com esse entra e sai de revistas daqui de casa, tenho a mais absoluta certeza que o volume de coisas adquiridas é infinitamente maior do que o de revistas dispensadas.

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Quais são os principais itens da sua coleção, aquelas séries ou volumes que são as meninas dos olhos de sua estante?

Outra pergunta difícil. Eu penso que o item mais importante da minha coleção é aquele que eu consegui resgatar do fundo da estante e que vai me ajudar em uma pesquisa que estou fazendo ou que vai trazer um dado extremamente curioso e implausível em uma matéria que estou escrevendo. Mas, para ser mais objetivo nessa resposta, posso dizer que os objetos de maior destaque do meu acervo são justamente os livros e gibis autografados por muita gente que não vai estar mais aqui para repetir o gesto.

Você possui muitas HQs autografadas?

Um monte delas. Vendi em 1978 uma das que hoje estaria entre as mais preciosas: um Viva Mad autografado pelo Sergio Aragonés, que foi o primeiro astro internacional dos quadrinhos que eu vi de perto. Com o intenso contato que passei a travar com artistas nacionais e estrangeiros a partir de 1991, quando rolou a primeira Bienal de Quadrinhos carioca na qual trabalhei, a minha coleção de obras autografadas não demorou a se tornar bem respeitável. Dos estrangeiros, me orgulho dos gibis que tenho autografados por astros como Moebius, Will Eisner, Joe Kubert, Neil Gaiman (que chegou a fazer um desenho no meu Mr. Punch), David Mazzucchelli, Greg Capullo, Adam Hughes, Jim Lee… É muita gente…

Moebius autografo

Moebius

Walmir Amaral

Walmir Amaral

Adam Hughes

Adam Hughes

Adao

Adão Iturrusgarai

Batman por Eduardo Barreto 1997

Eduardo Barreto (1997)

Bill Sienkiewicz 1993

Bill Sienkiewicz (1993)

Bryan Talbot

Bryan Talbot

David Mazzucchelli

David Mazzucchelli

David Silverman - Simpsons producer

David Silverman – Produtor e diretor de Os Simpsons.

Eisner

Will Eisner

Francois Schuitten

François Schuitten

Jano

Jano

Jerry Robinson

Jerry Robinson

Jim Lee

Jim Lee

Joe Sacco

Joe Sacco

Lito Fernandez

Lito Fernandez

Mark Badger

Mark Badger

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Neil Gaiman

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Paolo Eleuteri Serpieri

Sergio Toppi

Sérgio Toppi

Sienkiewicz 2011

Bill Sienkiewicz (2011)

Vuillemin

Vuillemin

Legal saber que nesses anos como fã de quadrinhos e jornalista especializado você conheceu muitos ídolos…

Mais do que conhecer os ídolos que citei, o grande barato nesses tantos anos de carreira foi ter conhecido alguns grandes nomes cujo legado é cada vez mais reconhecido com o passar do tempo. Gente como o mestre argentino Alberto Breccia, que esteve na Bienal de 1991, e grandes figuras brasileiras como Flávio Colin, Júlio Shimamoto, Gutemberg Monteiro, Edmundo Rodrigues, os Aizen (Adolfo, Naumim, Paulo Adolfo) etc. Se eu for relacionar todo mundo a gente não acaba mais a entrevista.

Por conta da minha atividade profissional, vivi situações bem bacanas com caras que tenho como ídolos. Por exemplo, já enchi a cara junto com sujeitos como o Joe Sacco e toquei uma canção romântica ao piano para o Serpieri cantar. David Mazzucchelli, uma vez, foi em uma festinha lá em casa e a gente ficou tocando Beatles no violão até amanhecer.

José Mojica Marins

José Mojica Marins

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Will Eisner (1997)

Heitor e Serpieri

Fazendo música com Serpieri

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Turma da Mosh, ganhadora do HQ Mix em 2005. Da esquerda pra direita: Sandro Lobo, Fábio Lyra, Renato Lima, Vinicius Mitchell

Gonçalo Junior, eu, Franco de Rosa.

Gonçalo Junior, eu, Franco de Rosa e Walmir Amaral

Fotografando a palestra de Greg Capullo na Comic Mania (1999).

Fotografando a palestra de Greg Capullo na Comic Mania (1999)

Qual o item mais raro da sua coleção?

Ah, não tem um item mais raro… A minha tendência é acumular mais conteúdo do que papel velho, portanto itens raros geralmente acabam se tornando grandes candidatos a revistas que poderão (ou não) ser vendidas para quem saiba valorizá-las. Mas vamos lá, vou citar uma edição que eu tenho e que acho rara: o Oscarito e Grande Otelo nº 1, da La Selva (1957), que me foi dada de presente pelo meu grande amigo Paulo Loffler, neto do próprio Oscarito, o que me dá a certeza de que este exemplar que eu guardo aqui fez parte do acervo pessoal do humorista.

Você também coleciona obras teóricas sobre quadrinhos, quais são os destaques dessa coleção?

Sem dúvida, tenho duas prateleiras na minha estante de quadrinhos só com livros teóricos, além de um setor em um dos meus armários só com revistas especializadas. Tenho algum orgulho da minha coleção (quase?) completa da Comics Scene, que era uma das mais completas publicações do gênero no período que antecedeu ao lançamento da Wizard nos EUA. Mas entre os livros, tenho especial apreço pelas obras escritas pelo meu amigo Gonçalo Jr. e pelo livro comemorativo sobre os 100 anos do Tico-Tico, lançado pela Opera Graphica, e para o qual tive o prazer de colaborar. Acho que chama a atenção na minha estante um dos Manuais de Desenho do Jayme Cortez que eu ganhei do Franco de Rosa há umas décadas atrás.

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Como você guarda suas revistas e quais técnicas usa para conservá-las?

Procuro mantê-las em armários fechados, onde a temperatura seja amena e haja pouca ventilação. As revistas que ficam mais expostas acabam indo parar dentro de sacos plásticos. Houve duas infestações de cupim aqui em casa que chegaram a destruir uns 20 a 30 exemplares da coleção, mas esse problema foi resolvido da maneira mais simples: fazendo uma obra no apê.

É simples: os cupins precisam da madeira para que possam circular pela casa e havia um foco grande de umidade na parede que ficava atrás do banheiro, que era onde eles se reuniam para planejar seus ataques (risos). Quando fiz obras aqui no apartamento e troquei todos os tacos do piso e os rodapés de madeira por porcelanato, acabou a vida desses insetos miseráveis no meu pedaço. Desde então, nunca mais tive esse tipo de problema. Mesmo assim, eu jogo, de vez em quando, umas pedras de naftalina dentro dos armários mais antigos e que eu menos acesso, pra dar uma garantida.

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Quais são seus 10 quadrinhos favoritos de todos os tempos?

Nunca entro numas de fazer listas como essa porque sempre me estrepo e esqueço alguma coisa. Mais vamos listar os dez que me vêm à cabeça no momento. Certamente quando esta conversa for publicada eu vou lamentar a ausência de algo…

1) Como marco inicial da minha paixão pelos quadrinhos, eu colocaria toda a fase de Stan Lee, Steve Ditko, John Romita e tantos outros artistas com o Homem-Aranha, estendendo-se mais ou menos até o momento em que morre a Gwen Stacy, quando pela primeira vez, vários leitores em todo o mundo tiveram que se confrontar com o desencanto nas HQs. Nossa, isso foi um baque nos anos 1970 para mim. Li essa sequência pela primeira vez em preto-e-branco, nas revistas da Ebal.

2) Representando os super-heróis dos anos 1980 para cá, eu colocaria Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons, pela capacidade que essa história tem de ganhar novos contornos com o passar do tempo.

3) Buda, do Osamu Tezuka

4) Hate, do Peter Bagge

5) Lobo Solitário, de Kazuo Koike e Goseki Kojima

6) Não dá para não citar El Eternauta, de Hector Oesterheld e Solano Lopez, uma das maiores sagas de ficção científica da história dos quadrinhos.

7) Também não tenho como não colocar um Will Eisner na lista… Portanto, hoje, eu incluiria Do Coração da Tempestade, muito por conta da densidade da trama e da qualidade da arte, que resumem bem toda a obra do mestre.

8) Maus, do Art Spiegelman, por toda a sua importância, não pode ficar de fora.

9) Calvin & Hobbes, de Bill Watterson

10) E, representando os quadrinhos atuais, vamos tacar um Walking Dead na lista. Robert Kirkman, Charlie Adlard e Tony Moore, incontestavelmente, mudaram a história dos quadrinhos contemporâneos e imagino que a importância do trabalho desses três vai ser muito reconhecida no futuro.

Você tem alguma “mania de colecionador”, seja para guardar, emprestar ou mesmo na hora de comprar?

Já emprestei, mas hoje não empresto mais gibis. Com CDs e DVDs ficou mais fácil negar empréstimos, pois sempre solto a máxima: “Depois eu gravo uma cópia pra você” (risos)…

Quanto a manias, digamos que eu tenho algumas. Os meus gibis que ficam em áreas expostas só vão para o saco plástico depois que os leio. Também gosto de manter uma lista de gibis desejados que sempre levo para todos os eventos que visito. Hoje ela tem umas doze páginas, e está impressa na fonte Arial Narrow, corpo 12.

Quais foram os últimos quadrinhos que comprou? E qual o último que leu?

O último quadrinho que eu comprei foi Popeye nº 4, da Pixel. Já o último que li foi a excelente coletânea Zumbis e Outras Criaturas das Trevas, da Kalaco, que tem um time de colaboradores de respeito. Gente como Mozart Couto, Deodato, Daniel Esteves, Jayme Cortez, Rodolfo Zalla, Shimamoto, Seabra, Toni Rodrigues, Walmir Amaral, Gian Danton… só fera. Sem contar que a edição traz uma poesia ilustrada do Lucchetti, além de textos do Fernando Moretti, do Franco, do Antero Leivas, do Julio Schneider e até deste que vos fala…

Você costuma comprar HQ importadas?

Nos anos 1990 eu comprava HQs importadas semanalmente, quase que com a mesma frequência que comprava gibis nacionais. Hoje, principalmente por conta da evolução gráfica e da variedade e disponibilidade cada vez maior da produção nacional, é cada vez mais raro eu comprar publicações estrangeiras. Mas tenho adquirido uma coisa ou outra de vez em quando. Geralmente encadernados de sagas que não saem no Brasil e títulos de editoras menores que geralmente vejo à venda em eventos.

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Tem algum item que quer muito ter, mas está impossível de encontrar?

Não é nenhuma grande fissura que me tire o sono, mas gostaria de completar a minha coleção do Fradim do Henfil e a do Ken Parker da Tapejara.

Além de um belíssimo acervo de quadrinhos você coleciona discos. Quantos vinis você possui?

Já tive muito mais vinis, mas hoje devo ter, no máximo, uns 500. Mas acho que são uns 350, sei lá… Vendi muita coisa. Os CDs são, efetivamente mais práticos, né? Vinil é um fetiche lindo, mas eles possuem dois inconvenientes: chiam com o tempo e acabam arranhando, mesmo que você seja um daqueles colecionadores extremamente cuidadosos.

Quais são os mais raros e sensacionais?

Vendi muita coisa rara, mas guardo algumas pérolas das quais dificilmente irei me desfazer. Os álbuns duplos vermelho e azul dos Beatles (1962-1966 e 1967-1970) são marcos na minha vida desde que os ganhei de presente em 1976. Desse momento em diante, minha atitude em relação à música mudou. A mesma coisa se deu quando ouvi pela primeira vez, ainda bem jovem (devia ter uns 15 para 16 anos), o Academia de Danças, do Egberto Gismonti, que descortinou meu ouvido musical para a existência de outras concepções artísticas que eu nem sequer sonhava que pudessem existir. Um dos meus discos que considero mais raros é justamente o Sonhos de Castro Alves, um LP do Egberto que nunca foi lançado oficialmente e que traz a trilha sonora do musical homônimo. Também tenho como raridades discos autografados por sujeitos como Eric Clapton, Tim Maia, Gonzaguinha e muitos outros…

Além disso, possuo uma boa coleção de compactos, coisa que muita gente que navega por este site não deve nem saber o que é. Um dos que mais prezo é o single de “Ando Meio Desligado”, dos Mutantes, que traz uma versão da música diferente da que está no LP.

Antes de acabar nos conte um pouco sobre sua carreira como músico.

A música é a área da minha vida onde mais quis fazer sucesso e não fiz, (risos)… Mas venho dedicando a ela algum espaço desde que fiz o meu primeiro show com uma banda, em 1978. Cheguei a participar de alguns discos de amigos, toquei em peças de teatro, montei um grupo de relativo sucesso local nos anos 1980 (O Nome do Grupo) e, há mais de 10 anos, mantenho o Bulldog, uma banda cover que toca clássicos sessentistas e setentistas do rock.

A diferença do meu trabalho na música e nos quadrinhos é bem simples de explicar. Se jamais escrevi ou desenhei uma única HQ, posso dizer que já compus mais de 300 canções. Uma hora, quando menos se esperar, esse material vira à tona. Tenho dito!

Heitor, muito obrigado pela entrevista! Foi um prazer conversar com você.
Deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

O mercado de quadrinhos está em franca expansão nos últimos dez anos, muito mais à nível artístico do que à nível comercial (com generosas exceções à regra). Se viver exclusivamente de quadrinhos ainda é uma coisa fora do alcance para mais de 95% dos bons artistas que temos no Brasil, faça a sua parte. Incentive pelo menos um dos seus amigos a apreciar a nossa nobre nona arte. Ele não irá se arrepender de adentrar um mundo novo e cheio de possibilidades, e o mercado vai agradecer, com certeza!

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jimmy-hendrix-reading-mad-and-getting-his-hair-done-1311062404-9088Minha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros fãs e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected]m dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!

Minha Estante #49 – Fabio Parmezzano

Olá, pessoal!

Na edição passada da coluna Minha Estante, apresentamos um belíssima coleção majoritariamente composta por quadrinhos italianos, desta vez vamos apresentar uma repleta de exemplares da Disney e Mauricio de Sousa. Mostrando as diferentes facetas e infinitas possibilidades desse maravilhoso hobby.

Conheça a gigantesca estante de Fabio Parmezzano.

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Olá, Fabio! Para começar gostaria que você se apresentasse aos nossos leitores.

Olá a todos os amigos e leitores do Pipoca e Nanquim! Antes de mais nada, quero agradecer a vocês pela oportunidade de mostrar a minha coleção de revistas em quadrinhos que se difere um pouco da maioria das coleções dessa seção, pois ela esta focada na linha Disney e Mauricio de Souza.

Meu nome é Fabio Parmezzano, estou com 35 anos de idade, sou jornalista de formação e atualmente trabalho como consultor comercial na Seven Idiomas escola de inglês e espanhol. (Se alguém precisar de um curso de idiomas não hesite em me procurar) (risos).

Tenho como principal hobby a leitura e coleção de quadrinhos… e também games antigos (minha segunda paixão).

Vamos direto para a pergunta que todos querem fazer, quantas HQs você tem?

Atualmente eu tenho mais de 15 mil edições, porém, a minha coleção entre Disney e Mauricio de Sousa conta com 4749 revistas, todas devidamente catalogadas e com suas capas escaneadas.

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Lembra-se qual foi a primeira HQ que leu na vida, aquela que você leu e percebeu que não tinha mais volta, havia se tornado um fã de quadrinhos.

Eu aprendi a ler muito cedo, com seis anos de idade já gostava de ler e juntar as revistas em quadrinhos. Agora com relação à primeira HQ, acredito que tenha sido uma revistinha da Luluzinha, na qual ela e o Bolinha aprontavam das boas.

E qual foi a primeira que leu e pensou “essa aqui eu vou guardar pra ler de novo, é muito boa!”?

Dessa eu lembro muito bem, foi um Disney EspecialOs Ricaços, repleta de histórias fantásticas, mas uma delas, em especial, eu leio e releio até hoje, é a  “A Competição dos Cem Dias”.

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Quais são os principais itens da sua coleção, aquelas séries ou volumes que você bate no peito e fala “Essa eu tenho completa!”?

Bem, são muitas as revistas que eu considero importantes na minha estante. Tenho a coleção completa do Tio Patinhas brasileira, desde a edição número 1 de dezembro de 1963 até a edição atual, a número 571.

Tenho a minissérie O Mistério dos Signos, que para quem gosta da Disney é uma coleção fantástica; a Biblioteca do Escoteiro Mirim completa, em 20 edições; História e Glória da Dinastia Pato; todos os 41 volumes da Obra Completa de Carl Barks; a Saga do Tio Patinhas em três edições; os seis volumes dos Mestres Disney; Mauricio de Sousa Especial 30 anosPato Donald Especial 50 anos e 70 anos; Manual do Tio Patinhas; Monica #1, da Editora Globo; os três volumes de Mickey 60 anos; Turma da Monica: Coleção Coca-Cola…São muitas edições das quais me orgulho, muitas mesmo.

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Como você guarda suas revistas e quais técnicas usavam para conservá-las?

Guardo todas as minhas revistinhas em saquinhos plásticos apropriados, e mantenho o local com sachês de giz para afastar a umidade, e faço dedetização do local de tempos em tempos para acabar com as pragas.

Já fez alguma loucura para conseguir algum exemplar?

Sim, já fiz certas loucuras para se conseguir edições que eu acho importante para a minha coleção. Já atrasei prestações,  já pedi dinheiro emprestado e outras pequenas coisas.

Qual foi sua maior compra de uma só vez?

Se for a termos de quantidade, já comprei de um antigo colecionador que estava casando (e por conta disso, prá lá de apertado com grana) quase 6 mil revistas.

Em termos de valor, já paguei R$ 3000,00, isso mesmo (três mil reais!) em apenas duas edições. São elas: Tio Patinhas #1 e o Almanaque Disney #1. De longe, as mais importantes da minha coleção.

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Quanto reserva do orçamento mensal pra gastar em quadrinhos?

Hoje em dia eu compro somente a Tio Patinhas mensal nas bancas e as edições especiais. Não reservo uma quantia, até mesmo porque na atual situação em que nos encontramos é muito difícil gastar ou investir dinheiro em seu hobby.

Não tenho como comprar tudo o que eu realmente gostaria, então vivo garimpando sebos, sites, locais especializados em compra e venda de quadrinhos, e também gosto de comprar, vender e trocar as revistas. Atualmente tenho mais de 15 mil exemplares, mas a minha coleção mesma esta com pouco menos de 5 mil revistas, as demais são para venda e troca.

Mesmo porque, eu parei de colecionar Marvel, DC… super-heróis. Fiquei apenas com Disney e Mauricio de Souza.

Então, tenho aproximadamente 10 mil revistas para troca, venda e negociação.

Se algum dos amigos leitores quiser fazer algum tipo de negócio é só entrar em contato. (aceito doações).

Tem alguma “mania de colecionador”, seja para guardar, emprestar ou mesmo na hora de comprar?

Não empresto as minhas revistas de forma alguma, mas acredito que  tenha mais manias. Gosto de minhas revistas e as mantenho muito bem conservadas, armazenadas e limpas.

Em sua opinião, quais são os roteiristas mais importantes de todos os tempos? Aqueles que realmente foram geniais e revolucionaram os quadrinhos?

Floyd Gottfredson e Al Taliaferro.

Quais são seus desenhistas favoritos?

Carl Barks, Paul Murry, Tony Strobl, Jack Bradbury,  Al Hubbard, Keno Don Rosa, Becattini,  Gori, Stajano, Romano Scarpa e Giovan Battista.

Quais foram os últimos quadrinhos que comprou? E qual o último que leu? Gostou?

Ultimamente tenho comprado os quadrinhos especiais da Disney, e sim, gosto muito deles. É sempre uma leitura agradável, descontraída, longe de preocupações. Leitura que acabam te transportando para outro mundo, onde, por questão de algumas horas, você consegue se desligar dos problemas.

Conta ai pra gente quais suas 10 HQs favoritas de todos os tempos.

Essa é uma pergunta muito difícil de ser respondida, pois tem centenas delas que são inesquecíveis. Mas vamos tentar listá-las:

1-      A Saga do Tio Patinhas;

2-      O Mistério dos Signos;

3-      Historia e Glória da Dinastia Pato;

4-      Disney Especial: Os Ricaços;

5-      A obra completa de Carl Barks;

6-      Pato Donald 50 anos;

7-      Especial Mauricio 30 anos;

8-      Mickey especial 60 anos;

9-      No Coração da Tempestade, de Will Eisner;

10-   Batman o Cavaleiro das Trevas.

Acho que são essas, embora, como disse anteriormente, tem centenas de revistas das quais gosto e sou apaixonado.

Qual o item mais raro da sua coleção?

Essa é outra pergunta muito difícil de responder.

Mas acredito que o Tio Patinhas #1 seja o item mais raro, seguido da Mônica #1, da editora Globo, depois Mauricio 30 Anos,  e, por fim, o Manual do Tio Patinhas.

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E qual foi a maior raridade que já comprou pelo menor preço? Aquela ocasião em que sai da loja e pensa “Puta M$#**@!! Não acredito que paguei 2 reais nisso!! Sou o cara mais sortudo do mundo!”?

Então, já comprei revistas com mais de 30 anos por R$ 1,00 ou R$ 1,50 em sebos por ai, mas a melhor compra que já fiz, e já até ganhei muito dinheiro com ela, foi daquele colecionador que eu citei acima, o que estava casando, foram quase 6 mil exemplares por apenas… Pasmem, meus amigos e leitores, eu paguei por quase 6 mil exemplares… só R$ 850,00. Isso mesmo, só oitocentos e cinqüenta reais. O que dá apenas R$ 0,14 por edição! Dou pulos de alegria até hoje. (risos)

Com certeza eu sou o cara mais sortudo do mundo.

Você guarda muita “porcaria” ou se desfaz imediatamente do que acha ruim?

Então, como todo bom colecionador (sem dinheiro, diga-se de passagem) eu guardo tudo o que adquiro, pois quero, um dia, ver as minhas coleções completas. Eu costumo me desfazer de edições repetidas, pois quando vou a um sebo, se o preço é bom e o produto esta em excelente estado de conservação eu compro para poder negociar posteriormente.

Minha meta até 2020 é ter 15 mil edições diferentes entre Disney e Turma da Monica, por isso guardo tudo o que eu não tenho.

Repito, como essa seção é voltada na maior parte para os colecionadores de heróis, Marvel e Dc, se tiverem as famosas “revistinhas infantis” e queiram fazer uma doação, entrem em contato comigo pelo telefone 11- 98391-6422 (TIM), ou atravéz do e-mail [email protected], terei imenso prazer em livrar vocês dessas revistinhas que não condizem com as suas coleções.

Tem algum item que quer muito ter, mas está impossível de encontrar?

Tem sim, tem um item que eu corro atrás já tem um tempo, e quando aparece é com preços absurdos para a minha realidade de hoje.

É a famosa revista do Tio Patinhas #9, aquela que saiu com uma capa com filhos de funcionários e foi recolhida no dia seguinte, sendo lançada novamente com uma capa diferente.

É a única que me falta para ter completinha a coleção do Tio Patinhas, tenho a de capa normal, mas essa… ahhhhhhhhhhhhhhhhh!

Fabio, muito obrigado pela entrevista! Deixe um recado para os leitores do Pipoca e Nanquim e colecionadores do Brasil.

Eu que agradeço a oportunidade de mostrar um pouquinho do que eu tenho para todos os amigos leitores.

Para todos os colecionadores, que tratem as suas revistas com carinho, cuidado, zelo, pois elas são as coisas que tornam as nossas vidas um pouquinho mais feliz.

E para todos aqueles que queiram se desfazer de suas coleções, ou parte delas, e queiram passar para alguém que realmente irá apreciá-las, vamos fazer algum tipo de negócio… troca, venda ou qualquer outra coisa.

Também sou aficionado por games antigos, se você tiver um ai guardado no fundo de seu armário e queira vendê-lo, não deixe de me comunicar.

Se você quer comprar algum game dos anos 80 ou 90 também não deixe de fazer um contato comigo.

Um forte abraço a todos.

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Sid-Vicious-reading-MADMinha Estante é um espaço pra você, colecionador de HQs, mostrar sua coleção, falar sobre prazeres e vicissitudes desse hobby, conhecer outros fãs e proporcionar aquela inveja boa.

Convidamos a todos que possuem belas coleções de quadrinhos a mostrarem elas aqui!

É só mandar um e-mail para [email protected] dizendo alguns detalhes (números de revistas, itens raros e particularidades) que em seguida combinamos a entrevista.

Até a próxima!