Videocast 137 – Juiz Dredd

Olá a todos,

Sejam bem-vindos a mais um programa Pipoca e Nanquim. O tema de hoje, como não podia deixar de ser, é o maior super-herói da Inglaterra: o imbatível Juiz Dredd.

Embora pouco conhecido no Brasil, Dredd é um dos personagens mais divertidos de que se tem notícia, mais mal-humorado que o Batman, mais radical que o Justiceiro e tão casca-grossa quanto Clint Eastwood. O filme é sensacional, então lá vai o nosso especial sobre o personagem, sempre lembrando que ele é um dos que integram o livro Quadrinhos no Cinema – Vol. 2 (reserve já o seu). Um abraço a todos e até a semana que vem!!!

 

COMENTADO NESSE VIDEOCAST

Dredd – Crítica
Dredd – Críticas dos leitores do Super Novo
Dredd – Crítica na revista digital gratuita Super Mag
Programação da Fest Comix 2012 – com sessão de autógrafos do Pipoca e Nanquim ao mesmo tempo de Jamie Delano, imperdível!!!
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RESULTADO PROMOÇÃO O INVERNO DAS FADAS

O @PIPOCAENANQUIM e @FantasyCDP sortearam entre seus seguidores no Twitter, que retwittaram a mensagem da promoção, um exemplar do sensacional livro O Inverno das Fadas, de Carolina Munhóz. E a felizarda ganhadora foi @_biatoledo_ , nossos parabéns! Obrigado a todos que participaram, a vencedora entre em contato pelo e-mail [email protected].

FILMES COMENTADOS 

Dredd (Dredd 3D, 2012)
O Juíz (Judge Dredd, 1995)

QUADRINHOS COMENTADOS 

Capitão Z: Ano 2000 – 10 Volumes (Ebal)
Juiz Dredd – Os Juízes do Apocalipse (Pandora)
Juiz Dredd – Os Punhos de Stan Lee (Pandora)
Juiz Dredd Especial – 2 Volumes (Pandora)
Batman e Juiz Dredd – A Charada Definitiva (Abril)
Batman e Juiz Dredd – Julgamento em Gotham (Abril)
Batman e Juiz Dredd – Vingança em Gotham (Abril)
Lobo/Juiz Dredd – Motoqueiros Doidos Vs. Mutantes do Inferno (Abril)
Batman e Juiz Dredd – Morra Sorrindo (Mythos)


Resident Evil 4: Recomeço – Crítica

O primeiro filme ruim em IMAX 3D a gente nunca esquece. Quando todos pensavam que com Resident Evil: A Extinção a franquia teria um fim, eis que surgiu o “Recomeço” (e já tem mais um vindo por aí, o “Retribuição”).

Paul WS. Anderson é o cara do “quase lá”. Tirando a ofensa que é Alien vs. Predador, seus outros filmes “quase” foram aceitáveis, como o recente Corrida Mortal, O Soldado do Futuro, o campeão da sessão da tarde Mortal Kombat, ou mesmo o seu “quase” maior êxito, Resident Evil: O Hóspede Maldito.

Tendo escrito e produzido os três primeiros filmes da franquia Resident Evil, e dirigido apenas o primeiro, ele voltou para a cadeira de diretor neste “Recomeço”, mas novamente falhou na sua intenção de rodar um bom longa-metragem de ação.

A história até começa com estilo, créditos maneiros, atenção na produção e edição. Vem então uma bonita cena em slow motion (afinal, o que fica ruim em slow motion?) com um take plongée onde podemos avistar diversos guarda-chuvas transitando ao redor de uma menina que chora imóvel sob milhões de gotas d’água… Tudo muito poético (alerta de sarcasmo). Bem, depois de quase vomitar na cabeça do colega crítico da frente devido a uma infinidade de zoom in e zoom out rodopiantes em torno do globo, se iniciou um tiroteio tão insano, mas tão insano, que confesso ter ficado feliz de sair vivo dele.

Anderson confirma então sua mediocridade como roteirista, apresentando um fiapo de história lamentável. Tudo gira em torno da vontade de Alice encontrar sobreviventes e fugir da Corporação Umbrella, que a persegue devido seu valioso DNA. Seguindo os fatos já citados no filme anterior, ela parte atrás de um local chamado Arcadia (boa escolha de nome pelo menos, hein?), que manda sinais por rádio oferecendo abrigo e ajuda. Após voar para o Alasca, não achar nada e dar com os burros na água fria, ela descobre que o “lugar” na verdade é um navio. Por fim, ela sai voando pelo mundo e acaba aterrissando seu teco-teco no teto de um presídio onde existem sobreviventes, e de lá avista o Arcadia ancorado próximo à orla. Eles precisam então descobrir um jeito de chegar até seu estimado destino, e para isso terão de matar milhões de zumbis. Mas adivinhem, nem tudo que reluz é ouro (trilha para esta última frase: Dramatic Chipmunk).

Com uma direção supostamente arrojada, com seu IMAX 3D imponente, o filme até traz algumas sequências interessantes de se ver, com muitos efeitos especiais e “elementos Matrix” para deixar tudo “cool”. Mas com um andamento tão precário, um texto simplesmente péssimo e interpretações no piloto automático, tudo se perde e acaba parecendo um vídeo clipe gigante. Outra falha gritante é a limpeza e beleza dos personagens. Em meio ao fim do mundo, mulheres estão sempre lindas e produzidas com cortes de cabelo de Hollywood?! E os homens com suas barbas estilizadas, perfeitamente alinhadas?! Uma falta de noção que beira o egocentrismo, puro e simples.

Milla Jovovich, que não emplaca um bom filme desde O Quinto Elemento, está apática e sonolenta como a heroína da fita. Sua função básica é, primeiramente contar tudo que está acontecendo por meio de voice-over, e depois matar hordas de zumbis fazendo cara de capa de revista. O elenco de apoio também aparece perdido, sem saber da onde veio e para onde vai. Wentworth Miller, do seriado Prison Break, até que tenta dar uma amenizada no clima com seu Chris Redfield, mas não há talento que salve a falta de atenção com que os personagens foram construídos, meros estereótipos prontos para serem mastigados por efeitos especiais.

O fator “game” ainda amenizou levemente a tolerância final deste filme. Apesar de reinventar praticamente toda a história, o diretor Anderson teve pelo menos a atenção de colocar referências do jogo. Temos o carrasco enorme e seu machado descomunal (Executer), zumbis com bocas deformadas que mais parecem plantas carnívoras, cachorros do inferno que se abrem ao meio se transformando em uma boca só, e o vilão Wesker, que está realmente muito parecido com o original (mas talvez não exista alguém mais canastrão que o tal de Shawn Roberts). Chris e Jill também não foram esquecidos, apesar de suas participações serem decepcionantes.

Só que mesmo inserindo estes elementos, no final, Resident Evil 4 – Recomeço não honra a tradição do game que um dia teve a pretensão de adaptar. O clima de desespero e nervosismo simplesmente não existe. Parece que apenas as cenas de ação receberam algum tipo de atenção dos produtores, que esqueceram o primordial para tudo funcionar bem: uma trama bem talhada, assim como a do jogo. Resumindo, a obra é um espetáculo de baboseiras com um roteiro pífio e apenas uma ideia na cabeça: levantar mais grana. Com a bilheteria que fez, o próximo pôde ser confirmado.

Mais críticas como essa você encontra em Crítica Daquele Filme.

Podcast 75 – Joe Kubert

Olá a todos,

Que bela segunda-feira ensolarada (pelo menos onde estamos) para curtir mais um podcast do Pipoca e Nanquim, seja no trabalho, no carro, na bicicleta ou onde quer que você esteja.

Hoje, decidimos celebrar o trabalho de um criador de HQs, recentemente falecido que, na nossa opinião, foi um dos maiores de todos os tempos: Joe Kubert. O legado do grande Kubert fala por si só, mas nos sentimos na obrigação de fazer um registro de sua vida e obra. Então, sem mais delongas, com vocês o grande Kubert.

Adeus, Joe, e boa sorte, onde quer que você esteja!

 

COMENTADO NESSE PODCAST

– Saiba mais sobre o personagem Tor no Videocast 60 – Pré-História
Podcast 64 – Moebius, Giraud e Gir
– Saiba mais sobre Sargento Rock no Videocast 35 – Guerras: Parte 2
– Saiba mais sobre Tarzan no Podcast 25 – A Era dos Heróis de Aventura
Entrevista de Joe Kubert no Universo HQ.

QUADRINHOS DE JOE KUBERT COMENTADOS

Sargento Rock – Primeiros Combates (Opera Graphica)
Sargento Rock – A Profecia (Panini)
Sargento Rock – Entre a Morte e o Inferno (Opera Graphica)
Tarzan – A Origem do Homem-Macaco e Outras Histórias (Devir)
Tarzan – A Volta do Rei das Selvas e Outras Histórias (Devir)
Ás Inimigo (Opera Graphica)
Tex Gigante #09 (Mythos)
Príncipe Viking – Edição Especial de Invictus (Ebal)
O Retalho – Edição Extra de Invictus (2 edições, Ebal)
O Herói em Formatinho – Tor (5 edições, Ebal)
Sargento Rock Epopéia (12 edições, Ebal)
O Heróis em Formatinho – Sarg. Rock (41 edições, Ebal)

Músicas

Bloco 01
Cracked ActorDavid Bowie
Through My EyesThe Creation

Bloco 02
Amor PorteñoGotan Project
Over the Hills and Far AwayNightwish

Bloco 03
Pumpkin and Honey Bunny MisirlouDick Dale & His Del-Tones
I’m Shipping Up To BostonDropkick Murphys

Bloco 04
Signed, Sealed, DeliveredPeter Frampton
Calling CardRory Gallagher

 

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Hitchcock e os primórdios do 3D – Disque M Para Matar

Quando se fala de Alfred Hitchcock, sempre se prossegue as palavras: Mestre do Suspense, Psicose e Pássaros. Claro que não sou negligente o suficiente para falar que apenas EU tenho clareza sobre a dimensão das obras desse diretor e de sua relevância para a arte de se fazer cinema. De fato, penso que Hitchcock, está muito bem imortalizado, e se tenho que por algum motivo uma crítica é em relação à supervalorização de uns, em contrataste ao enclausuramento de outros em curtas palavras, que tentam minimamente – e ai está o problema – significar alguém.

Seria impossível descrever aqui, toda a dimensão deste diretor e sua reverberação na história do cinema, porém, já aviso a vocês – caros leitores. Assim começo minha empreitada de enaltecer a figura de Alfred Hitchcock pela lente que um diretor sempre deve ser observado – a saber, a lente de sua câmera. De início basta que se comece com o dado de que este diretor realizou 58 filmes (longas e curtas) em sua filmografia, contingentes em 50 anos de carreira, o que dá uma média de 1,16 filmes por ano de 1926 a 1976.

Focando o filme, em 1954 o diretor já havia realizado alguns de seus maiores sucessos de público – índice sempre relevante para ele, pois estava sempre atento às reverberações de suas produções no público -, a saber, O Inquilino (1927), Chantagem e Confissão, (1929), Os 39 Degraus (1935), A Dama Oculta (1938), Rebecca, a Mulher Inesquecível (1940) e Festim Diabólico (1948). Disque M para Matar foi 39º filme do diretor e a solução do sufoco provocado pelo mal compreendido A Tortura do Silêncio (1953).

Enquanto preparava outro roteiro, que não o agradava, Hitchcock soube que a Warner Bros. havia comprado os direitos da bem-sucedida peça homônima ao filme. O diretor completou as filmagens em 36 dias, com uma nova tecnologia que estava fazendo muito sucesso naquela época – o assim chamado, 3D. Pois é, caros pipoqueiros, em 1954 já existia a tecnologia 3D – inclusive da mesma maneira como é feita hoje, com duas câmeras acopladas em profundidades diferente para trazer a ilusão de profundidade – mas, diferente do que entendemos hoje em dia como 3D, a tecnologia passava apenas de um recurso muito bem utilizado pelo diretor. Para bem utilizar as câmeras com profundidade, Hitchcock mandou instalar um fosso no estúdio para que as câmeras ficassem o mais perto o possível do chão, maximizando a ilusão.

O filme em si é bastante fiel à estrutura teatral proposta pelo enredo, de maneira que 98% do filme se ambienta em um mesmo cenário – salvo duas exceções de curta duração. Hitchcock afirmara durante as gravações que o sucesso da peça devia-se exatamente no quesito de se localizar em toda sua duração em um mesmo cômodo, além de afirmar que o próprio sentir-se-ia confortavelmente bem em gravar um filme inteiro rodado em uma cabine telefônica.

O enredo trata de um casal, que não está em seus melhores dias, já que Margot está a se relacionar com outro homem, Mark. Tony o marido de Margot, já sabe do adultério de sua esposa e decide por contratar um ex-colega de colégio para assassiná-la no que seria o plano perfeito. Trata-se de um enredo muito simples e bastante óbvio se não fosse pela genial direção, o que reafirma a atitude ativa dos cineastas frente à sua produção – tenham certeza, caros amigos, um bom cineasta não tem limites, consegue transformar qualquer ideia bizarra inter-espacial em um clássico.

A abertura do filme é genial. Acontece em menos de um minuto, sem utilizar-se de nenhum dialogo se quer, e consegue ao mesmo tempo nos situar precisamente na história – o que está por trás dela – e nos semear a posição de cúmplices extremamente necessária para a captura do espectador no enredo. Em menos de um minuto, vemos Tony e Margot, vemos a notícia de que Mark está em Londres no jornal, vemos Mark desembarcar e por fim vemos Margot e Mark beijando-se. Pronto, estamos à par de tudo o que é necessário para acompanhar a trama, e ainda sabemos do adultério e não sabemos o quanto Tony sabe – ficamos na perfeita posição de culpados. Sem desferir nenhuma palavra, Hitchcock expressa um discurso que atinge o espectador em seu âmago humano sofrível – a saber, o sentimento de culpa.

Em seguida o diretor nos “torce” e posiciona Tony como herói. Saímos da cumplicidade com o casal adultério para a cumplicidade e compaixão ao personagem traído, que é extremamente bem construído em sua simpatia e encanto em contra posição à Mark que é “convencido” demais. Margot no início é estonteante, e assim como todos na trama, sabemos que seriamos capazes de qualquer loucura por esta mulher incrível.

A estonteante habilidade de subverter o enredo de Hitchcock tem neste filme sua maestria. Lógico o enredo tem suas reviravoltas, mas todo o impacto produzido no espectador é provocado pela habilidade do diretor. A transformação do figurino de Margot acompanha a espécie de sentimento invocado por suas ações. Primeiro, vestida de branco é inocente, quando está a se relacionar com Mark é vermelho apaixonado e sedutor. Margot vai perdendo sua cor, chegando ao final do filme com alguns farrapos cinza. Tony é incrivelmente inteligente, e nos faz ficarmos frustrados quando o plano não dá certo, assim, a cada vez que a “bola de neve” cresce nos afastamos cada vez do personagem. O que nos leva a nos aproximarmos de Mark e sua incrível habilidade roteirística e do prestativo inspetor de polícia.

Hitchcock também tem seu mérito na abordagem que ofereceu à tecnologia 3D. O tipo de filmagem ressalta a ilusão – o que poderia ser um erro quando o filme que está a rodar baseia-se no critério realidade para se sustentar. Assim o diretor utiliza a profundidade para carimbar a naturalidade do cenário. Parece que estamos a espiar os atores quando um vaso se prostra em nossa visão. Não enxergamos no escuro e sempre há obstáculos há nossa visão – o que salienta a decisão do diretor de sempre reservar algo “por de trás” das projeções. Até o fim do filme não podemos “enxergar” exatamente o que aconteceu.

O inovador diretor fora quem trouxe o termo suspense para o cinema, além disso, foi quem adicionou as questões familiares aos enredos de terror. Também sempre soube trabalhar o humor, o que faz de Disque M para Matar, um filme leve e até divertido em alguns momentos. Instiga-nos, em nossa capacidade de tentar se livrar da culpa – o que de tão angustiante torna-se cômico na nossa natureza defensiva. Ainda nos frustra na nossa incapacidade racional, pois a obsessão por se safar de nossa culpa acaba por nos incriminar – Tony está tão obsecado por seu plano que dá cordas demais no relógio, fazendo-o parar, levando o plano a dar errado. Também é Tony que por mais duas vezes tenta limpar sua “ficha” levando a se entregar – oferecendo a “chave” para a resposta da trama.

É um ótimo filme e recomendo para qualquer pessoa, inclusive para compra, pois vale a penar ver e rever. Digno de nota a famosa aparição do diretor em seus filmes, desta vez acontece na fotografia de Tony no colégio.