Justiça Jovem: série reproduz a qualidade Bruce Timm para uma nova geração

Colaborador: Lucas Sampaio Maia

Na década de 90, a indústria de desenhos animados foi atingida por uma bomba chamada Batman: a Série Animada. Produzida por Bruce Timm, essa versão das aventuras do cavaleiro das trevas inovou por sua coragem de trazer histórias sérias e adultas no formato cartoon. Seu sucesso terminou por elevar Bruce Timm à categoria de gênio da animação, possibilitando sua participação na criação das séries Superman: a série animada, na criação dos personagens Super Choque e Batman do Futuro, até o surgimento das séries Liga da Justiça e Liga da Justiça: Sem Limites. Depois de duas décadas que poderiam até ser chamadas de “Era Timm”, o departamento de animação da DC/Warner pode estar vivendo uma nova reviravolta com Justiça Jovem.

Criada pelos produtores Greg Weisman (de Gárgulas e Espetacular Homem-Aranha) e Brandon Vietti (de O Batman e Batman: os Bravos e Destemidos), Justiça Jovem se passa em um universo diferente dos desenhos da DC anteriores (o “Timmverso”), em uma nova continuidade. No episódio piloto, Robin (Dick Grayson), Kid Flash, Aqualad e Ricardito estão felizes por finalmente serem admitidos como membros da Liga da Justiça, mas se decepcionam ao ver que seus mentores ainda não estão dispostos a dar aos seus parceiros acesso total aos equipamentos da equipe. Irado, Ricardito decide não trabalhar mais ao lado de Arqueiro Verde, enquanto Robin, Kid Flash e Aqualad decidem impressionar a Liga investigando, sozinhos, um incêndio nos Laboratórios Cadmus. A ideia leva os jovens heróis a descobrir Superboy, um clone de Superman, e seu potencial como uma equipe paralela à Liga da Justiça.

Após o piloto, a nova equipe, que, felizmente, nunca é chamado de Justiça Jovem dentro dos episódios, se estabelece como uma “arma secreta” da Liga da Justiça. Enquanto os heróis mais famosos combatem monstros gigantes, seus ex-parceiros mirins embarcam em missões secretas de investigação, usando até mesmo versões stealth de seus uniformes. Em episódios subsequentes, mais personagens vão entrando integrando a formação.

O que impressiona no seriado é a qualidade de seus roteiros. A saudosa série do Batman dos anos 90 pautava-se em episódios isolados, como contos literários, mas Justiça Jovem tem uma mega-trama que abarca suas duas temporadas em uma rede crescente de mistérios. As primeiras missões do grupo parecem apenas pano de fundo para episódios introdutórios, mas todos os esquemas dos vilões contribuem para um diagrama maior.

Outra grande qualidade da série é a caracterização dos personagens. Nos primeiros episódios, os heróis simplesmente não sabem agir em equipe e cometem vários erros que dificultam suas missões, até tornarem-se uma força de combate efetiva no final da primeira temporada. O cenário emocional dos heróis também é bem desenvolvido, com mudanças de atitude efetivas que ajudam o público a torcer pelo grupo, já que temos a oportunidade de realmente assisti-los lutando para serem pessoas melhores.

Aí vai a formação da Equipe durante a primeira temporada:

Robin: Dick Grayson sabe que deveria ser o líder da equipe, mas ainda é muito jovem e inexperiente, por isso abdica a liderança para Aqualad. É um personagem brincalhão e extremamente inteligente, servindo como o hacker do time.

Kid Flash: Wally West proporciona o alívio cômico da série. Sua inexperiência com a super-velocidade é visível devido seus constantes tropeços e escorregões, além da incapacidade de “vibrar suas moléculas” através de paredes, como o Flash faz.

Aqualad: O atlante Kaldur’ahm usa seu treinamento e experiência como líder da equipe, enquanto aguarda a maturidade de Robin. Calmo e analítico, Kaldur usa magia atlante para manipular água, geralmente, dando-lhe formato de armas.

Miss Marte: A marciana M’gann M’orzz, sobrinha do Caçador de Marte, começa a série com capacidades limitadas de transformação, pode ficar invisível, mas não consegue mudar a densidade de seu corpo, como seu tio. Tem grande potencial telepático e costuma manter ligação mental entre os membros do grupo durante missões. Tem sérios problemas de autoestima, sempre procurando agradar todos.

Superboy: Clone de Superman, mas sem acesso a todos os poderes kriptonianos devido à dificuldade de clonar essa raça. Superboy procura descobrir quem é, vivendo sob a sombra de Superman e rejeitando o fato de ter sido criado como uma arma do Projeto Cadmus, esse personagem guarda muita raiva dentro de si. Durante missões, acaba agindo como o Hulk da equipe.

Artemis: Treinada pelo Arqueiro Verde, Artemis procura provar-se à altura da vaga de Ricardito na equipe. Discreta, essa personagem esconde um grande segredo, que se torna um fardo ainda maior devido à sua afeição pelo grupo e seus integrantes.

Ricardito: Roy Harper reinventa-se como Arqueiro Vermelho e se recusa a participar da equipe, mas é um personagem recorrente da série.

Na segunda temporada, a série é renomeada como Justiça Jovem: Invasão, já que trata principalmente de uma ameaça extraterrestre ao planeta Terra. Cinco anos separam Invasão da primeira temporada, vemos Dick Grayson assumindo a identidade de Asa Noturna e, mesmo adulto, agindo como líder da formação, ao invés de assumir um lugar na Liga da Justiça. A composição da equipe é bastante diferente nessa temporada, com mudanças bruscas na vida dos membros originais. Mas, como essa temporada ainda está sendo transmitida, não pretendo discutir mais detalhes sobre ela.

Justiça Jovem é uma mudança de ritmo bem vinda para os desenhos de super-heróis da DC, depois de tantos anos sob a liderança de Bruce Timm. É uma série que deve ser assistida desde o primeiro episódio, devido ao acúmulo de mistérios na trama e consequências do desenvolvimento dos personagens. Um desenho que agradará crianças, por não subestimar sua inteligência, mas que adultos também poderão assistir sem vergonha nenhuma.

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    • Olá, Diego.

      Não há cenas violentas nessa série, mas a trama confia na inteligência da platéia. Acho que isso é o suficiente pra agradar o público mais velho.

  1. Young Jusitce é uma série que nos DCnautas mereciamos, ela trata com muito respeito o background da maioria dos personagens, oq faz com que a história mesmo passando-se num novo universo, e essa é o principal mérito
    Não lembro de grandes furos de roteiro durante as temporadas, ou melhor lembro de um, mas é coisa de fã chato. Outra coisa interessante é essa renovada que a série deu para o universo Dc, trazendo todos os grandes icones para a his’toria, embora sabemos que o foco é no grupo dos jovens heróis.
    Recomendo a todo curioso e amante de bons quadrinhos, é uma boa his’toria de super heróis misturando tudo oq as histórias da Dc podem oferecer.
    Meu ultimo lamenteo e talvez maior reclamação com a série é o destrato que o Cartoon/Warner tem com os seus fãs, diversos hiatos e principalmente esse ultimo sem explicação me deixou bastante triste.

  2. Confesso que até fiquei com vontade de assistir, e olha que nem sou muito fã de desenhos americanos, ainda prefiro os animes japoneses. Resenha muito boa, Lucas! Parabéns!!

  3. Lucas, sou um dos adultos que viu toda a primeira temporada sem vergonha nenhuma rsrsr.. Me diga uma coisa amigo sabe me dizer que começa a 2º temporada aqui no Brasil?