Tucker e Dale Contra o Mal – Crítica

Antes que você leia minhas impressões sobre essa deliciosa comédia, saiba de uma coisa. Eu detesto o humor descartável que tomou conta do cinema norte americano nos últimos anos, oriundo principalmente da série Todo Mundo em Pânico e seus clones. Apesar de aprovar um humor besteirol bem feito (no estilo Corra Que a Polícia Vem Aí), eu cresci com o humor de gigantes da televisão brasileira como Jô Soares e Chico Anísio, e também vendo filmes de Jerry Lewis e Charles Chaplin nas reprises que passavam a noite em diversos canais. Então, se você é uma pessoa que só se entusiasma com as piadas mais grossas e chulas no estilo Pânico, é possível que este filme não lhe agrade.

Dito isso, vamos às tais impressões.

Não pude deixar de esboçar um sorriso de satisfação logo no começo de Tucker e Dale Contra o Mal, filme de baixo orçamento dirigido por Eli Craig (e também seu primeiro longa metragem) que acabou passando despercebido pela maior parte das pessoas, incluindo a comunidade virtual fanática por downloads.

Vou te contar uma coisa, desde Todo Mundo Quase Morto eu não me divertia tanto assistindo uma paródia de filmes de terror. Tucker e Dale tem cenas engraçadíssimas, mas apesar das meninas bonitas de biquíni (que incrivelmente contribuem para a história), ele não é apelativo. As sacadas são inteligentes, os personagens bem desenvolvidos e o roteiro construtivo, que inclusive traz uma mensagem bonita sobre aceitação (em voga por causa do bulling) e enxergar além dos estereótipos.

Mas claro que ninguém assisti a uma comédia como essas por causa da mensagem que ela pode passar, e sim para dar umas boas risadas e em diversos momentos o filme cumpre com essa promessa. Basicamente, temos um grupo de universitários que vão acampar em uma área florestal – o mote básico de 100 a cada 100 slashers. Seguindo a linha dos clichês, eles param para abastecer em um posto caindo aos pedaços, cheio de caipiras sujos e mal encarados. É quando somos apresentados aos protagonistas Tucker e Dale, respectivamente interpretados por Alan Tudyk e Tyler Labine – os dois sensacionais nos papéis.

Dale é um gorducho sujo e esquisito que se apaixona pela linda Allison (Katrina Bowden) que, ao vê-lo pela primeira vez, se assusta com sua aparência. Ressentido, o gorducho de bom coração vai se lamentar com o amigo que o consola e diz: “Dale, você é um bom homem com um coração enorme. Vá falar com ela. Não importa que ela seja uma universitária linda e você um caipirão. Ela vai enxergar quem você é por dentro. Vá até lá e sorria, pois você tem um belo sorriso”. Dale toma coragem e vai falar com a moça. Mas o cara é tão inocente que ela vai até ela com uma postura toda travada, tímido, e carregando nas mãos uma foice que estava segurando (pois eles estavam colcoando equipamentos na traseira de uma caminhonete). Ele para na frente do grupo de universitários e diz para a loirinha gatíssima: “Então vocês estão indo acampar, molecada?” – e dá uma risada grotesca.

Sem brincadeira, provavelmente lendo o texto você achou a cena imbecil, mas não dá para parar de rir – você sabe que ele é um desengonçado, a galera o toma por um baita maluco. Lógico que a molecada fica apavorada com o caipira sujo, e daí para frente (estamos ainda nos 5 min. de filme), todo o roteiro gira em torno da confusão de identidades, os jovens achando que eles são assassinos e eles achando que os jovens… Putz, não posso contar, senão estraga.

O filme, na verdade, é canadense (talvez isso explique sua criatividade), mas os atores já trabalham nos EUA há bastante tempo. Labyne foi visto em várias séries de televisão conhecidas, como Reaper – Um Trabalho Infernal e Mad Love, e Tudyk teve seu rosto bastante marcado pelo papel que desempenhou em Os Indomáveis, porém já a uma década ele vem fazendo papéis pequenos em filmes e séries.

A química entre todos os membros do elenco é inegável e a forma com que o diretor conduz as cenas de humor (sem medo de enfiar um gore quando necessário) arranca risadas não só pela bizarrice de alguns elementos (como o cachorro caolho e bonachão e o esquisito policial que toma as posturas mais inacreditáveis e improváveis), mas também pela riqueza do roteiro e entrega total dos atores. Altamente recomendado.

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  1. Caracas, Alexandre! Acreditei na sua recomendação e….achei o filme sensacional! hauhauhuauhuahaua

    Um dos melhores filmes de comédia que eu já vi, sem brincadeira!

    A cena em que o Tucker corre das abelhas com uma moto-serra na mão e o menino sai gritando "Corram, corram por suas vidas!" é a melhor! kkkkkkkk…

    Vou recomendar esse filme pra todos, também!

  2. sinceramente esse foi o melhor filme de comedia que eu vi esse ano!!! e olha que vi muitoss…. achei a ideia genial…. muitas gargalhasssss

    • Joao , deixa de ser recalcado, o filme é otimo, , babaca é voce que gasta energia para criticar de forma a denegrir a imagem de um diretor que com um orçamento tao baixo , produziu um ótimo filme, e antes de mais nada, passar bem :traduzindo: vai te foder!!!!

    • Caramba esse filme foi uma grande surpresa porque no comeco eu nao tinha entendido a proposta do filme e achei q fosse mais uma daqueles filmes idiotas americanos mas com o desenrolar da historia fica impossivel para de assistir,e parar de rir tambem. Por isso e por muitos outros motivos eu recomendo esse filme….

  3. Vi um pequeno trecho na Van, indo pra faculdade, quase morri de rir….
    não sabia o nome e resolvi pesquisar , e encontrei aqui…

    Já reservei na minha locadora e vou terminar de assistir!
    Mas em apenas 15 minutos, adorei o filme…rsrs
    🙂