Top 10 Quadrinhos da Década por Doctor Doctor

A última lista do nosso especial Melhores da Década!

Aproveitando o fim dessa década o Pipoca e Nanquim se uniu a empreitada de nosso amigo Doctor Doctor do SOC! TUM! POW! e montamos listas com as 10 melhores HQs da década (só entrou na lista obras que foram lançadas também aqui no Brasil). Você irá acompanhar durante todos os dias dessa semana as listas de cada um dos apresentadores do Pipoca (Alexandre, Daniel e Bruno) e dos redatores do SOC! (Doctor Doctor e Shazam), bem como textos explicando o por que destas obras figurarem entre as top 10.

O critério básico para esta seleção é que, obviamente, a HQ represente essa década (ou seja, que tenha sido lançada majoritariamente nos anos OO) e tenha sido lançada no Brasil entre 2001 e 2010. Não entraram nesta lista relançamentos de outras décadas como Preacher, WatchmenCavaleiro das Trevas e outros.

Vale lembrar também que nenhum dos autores do SOC! ou do Pipoca leram tudo  o que saiu nesta década (tá pensando o que somos milinários a toa na vida?), de modo que nas respectivas listas aparecerão somente histórias lidas.

Dito isso, confira abaixo a lista de Doctor Doctor, editor do SOC:

  • Fábulas – Em algum prefácio de alguma das edições publicada por alguma das editoras que tentou – e ainda tenta – lançar Fábulas no Brasil foi dito que a série é a sucessora de Sandman. Ao ler o 1º volume – Fábulas – Lendas no Exílio – concordei de imediato. Que ideia fantástica! Que leitura leve! Ao conceber uma terra mágica na qual vivem todos os personagens das antigas fábulas e contos de fadas que ouvíamos quando criança e ambientá-las no mundo real, mais precisamente em New York, Bill Willingham presenteou os leitores com uma das HQs mais geniais, mágicas e deliciosas desta década. Pinóquio, Lobo Mau, Branca de Neve, os 3 Porquinhos, Cinderella, Bela, Fera, Chapeuzinho Vermelho e várias outras fábulas estão presentes nesta que é, na minha opinião, não só uma das melhores HQs da década como também de todos os tempos. (Devir, 2004-06; Pixel Media, 2007-08; Panini, 2009-atual).
  • Aldebaran – Esta série em 5 edições é na verdade a reunião de duas: AldebaranBetelgeuse. Tendo sido a primeira lançada originalmente entre 1994 e 1998 e a segunda entre 2000 e 2005 esta obra desponta em nossa lista por ter grande parte de sua produção realizada ainda nesta década e seu lançamento no Brasil ter ocorrido entre 2006 e 2007.  Apesar de ser um quadrinho francês o mundo de Aldebaran e de Betelgeuse, assim como do ainda inédito por aqui Antares, foi concebido, escrito e desenhado pelo brasileiro Luiz Eduardo de Oliveira, ou simplesmente LEO. Com uma história muito bem elaborada ele conduz o leitor a um mundo criado de maneira tão crível que mesmo os mais estranhos fatos passam a ser naturais, como se fossemos habitantes daquele cenário. Ao desfiar sua criação LEO nos revela como é a fauna, flora, geografia, história e várias outras características dos planetas nos quais se desenvolve a trama. Mas, não é somente os planetas que receberam atenção do escritor, pois cada um dos personagens apresentados nesta série são de riqueza tão grande quanto os planetas que habitam. (Panini, 2006-07).

  • Homem-Aranha Ultimate – Após uma década de péssimas histórias nos anos 90 e uma fracassada tentativa de John Byrne em reformular a origem do herói em “Homem-Aranha – Capítulo Um” é possível compreender porque os leitores do aracnídeo estavam mais do que reticentes quando a Marvel anunciou uma nova reformulação para seu principal herói em 2000. Porém, desta vez, quando a Casa das Ideias apresentou ao público um Homem-Aranha adequado ao século 21 e com uma origem mais verossímil o sucesso foi imediato. Mas, não foi só a ambientação o motivo de tanta receptividade. As histórias eram curtas e aquele novo cenário estava no começo, o que permitiu aos leitores presenciarem o nascimento de um novo Universo Marvel com a reformulação de vilões que já conheciam do universo tradicional e sem a sensação de terem perdido décadas de acontecimentos. Além disso as histórias do novo Homem-Aranha contam com o roteiro e ótimos argumento e diálogos de Brian Michael Bendis. Se Supremos é hoje um sucesso devemos lembrar que tudo começou com este novo Homem-Aranha. Sem dúvida é a série mensal que melhor representa esta década. (Panini, 2002-atual).
  • Crise de IdentidadeUm dos momentos altos da DC nos últimos 10 anos. Com o assassinato de uma personagem periférica da Liga da Justiça, Sue Dibny, a esposa do Homem-Elástico, o escritor Brad Meltzer golpeia de maneira quase letal os principais heróis da editora e lança a integridade deles na lama ao revelar que nem só os vilões são capazes de atos hediondos. Despontando como uma das melhores histórias de super-heróis desta década esta minissérie em 7 partes teve o mérito de, no melhor estilo de um romance policial, deixar os leitores sedentos pela edição do mês que vem na esperança de mais pistas sobre a identidade do assassino. A série conta ainda com a ótima arte de Rags Morales e momentos memoráveis como o confronto entre o Exterminador e a LJA e o desespero de Batman quando a vida do pai de Tim Drake está sendo ameaçada. (Panini, 2005-06).

  • Retalhos – Nesta obra autobiográfica conhecemos Craig, um jovem do meio-oeste estadunidense que assim como seus pais e a maioria de seus colegas é cristão e temente a Deus. Porém, quando dúvidas sobre sua família e sobre si mesmo vem à tona suas crenças começam a ser a fonte de grande conflito interno, o qual só faz aumentar quando ele se apaixona por Raina, uma garota que conheceu em um dos acampamentos da igreja. Narrarando a paixão de Craig e Raina Retalhos é uma graphic novel que fala principalmente sobre o amor, mas sem perder de vista a essência da obra: a passagem da infância para a vida adulta. Esta é uma história para quem já se apaixonou por alguém e pela vida. Se você está apaixonado, melhor ainda. Corra para ler Retalhos. (Cia. das Letras, 2009).
  • MSP 50 e MSP + 50 – Por anos, décadas na verdade, os leitores cresceram aprendendo e se divertindo com a Turma da Mônica; as histórias eram tão divertidas e agradáveis que poucos pensaram em uma mudança. Porém, a ideia do editor Sidney Gusman em retratar a turminha no traço e na concepção de diversos artistas brasileiros foi de uma simplicidade tamanha que chegamos a nos perguntar porque que é que isso não foi feito antes. Estes 2 álbuns reúnem mais de 100 artistas retratando os principais personagens do Maurício de Sousa. Uma série que se tornou uma obra-prima dos quadrinhos nacionais organizada por um dos melhores editores da atualidade e realizada por artistas expoentes no cenário da HQ contemporânea e, melhor ainda, que cresceram lendo a Turma da Mônica. Ouso dizer que é quase uma versão de Maurício de Sousa para adultos. (Panini, 2009 e 2010).

  • Novos X-Men (fase Grant Morrison) – Quando a Marvel deu carta branca a Grant Morrison para que fizesse o que achasse melhor para revigorar a franquia X o grupo de mutantes vivenciou uma guinada tão radical em sua formação e seu comportamento que nunca mais voltou a ser a mesma equipe ingênua que sempre fora desde sua criação. Quer dizer, quem um dia pensou que Ciclope iria cometer adultério e trair Jean Grey, e mais, com Emma Frost? E que a própria Emma Frost faria parte da equipe? Ou que Jean se entregaria de fato a Logan? Ou mesmo que o inimigo final de toda a trama – que não revelo aqui – teria o destino que teve? Ou que Charles Xavier teria escravizado um ser consciente somente para seu próprio benefício? E pior, quem imaginou que ele teria tentado matar sua irmã? Como eu disse, Morrison revolucionou os X-Men da mesma forma que Claremont e Byrne o fizeram nos anos 70. A passagem do escocês pelo título trouxe à equipe mutante benefícios dos quais os escritores valem-se até hoje, além de, ao lado do desenhista Frank Quietly ter dado uma aula de como é possível reformular personagens e conceitos sem ter que recorrer a soluções esdrúxulas como pactos com o demônio ou reinício da cronologia. Os X-Men de Morrison são os X-Men para os novos tempos. Fase imperdível para os fãs dos mutantes. (Panini, 2002-05).
  • WE3 – Instinto de Sobrevivência – Novamente mais um trabalho feito em parceria entre Grant Morrison e Frank Quietly surge como uma das melhores HQs da década. Eleita como melhor minissérie de 2005 pela revista Wizard a história nos apresenta um gato, um coelho e um cachorro que são capturados e usados pela Força Aérea dos EUA como cobaias em um projeto que visa transformar animais em máquinas de guerra; sua fuga é inevitável e ao longo da história os vemos tentando encontrar um caminho para casa. Aliás, o subtítulo “instinto de sobrevivência” não foi usado à toa, pois durante toda a aventura os leitores acompanham o sofrimento e esforço destes seres em manterem-se vivos enquanto os militares enviam contra eles dezenas de soldados com armamento pesado e até mesmo um animal alterado muito mais poderoso do que os fugitivos. WE3 é uma leitura fácil e rápida que se torna demorada quando paramos para apreciar cada detalhe da inigualável arte de Quietly e mais demorada ainda quando entre um quadrinho e outro o leitor se vê perdido em pensamentos acerca da arrogância do ser humano e o desrespeito que temos por outras espécies de vida. Como disse Bruno Zago em sua lista, a HQ é de “uma sensibilidade ímpar que até os mais durões terão vontade de chorar”. Imperdível! (Panini, 2005).

  • Leões de Bagdá – Em abril de 2003 quatro leões escaparam de sua jaula destruída quando o Zoológico de Bagdá foi bombardeado pelos EUA durante a Guerra do Iraque; famintos os animais perambularam pelas ruas da cidade e acabaram sendo mortos por soldados estadunidenses. Esta é uma história real que o escritor Brian K. Vaughan em parceria com o desenhista Niko Henrichon transpôs para os quadrinhos em uma tentativa de refletir sobre questões básicas como o conceito de liberdade e sobre como as condições em que vivemos são capazes de provocar mudanças profundas em nossas naturezas. Com o resignado leão Zill, a amargurada leoa Safa, a inconformada Noor e seu filhote Ali somos levados à confusa condição de uma vida em cativeiro e ao difícil cotidiano de uma terra devastada pela guerra. (Panini, 2008).
  • Os Pequenos Guardiões – O mérito deste quadrinho está tanto em sua genialidade quanto na simplicidade. Genial devido ao criador David Petersen ter imaginado um cenário no qual nossos heróis são ratos que vivem em um ambiente medieval e que lutam para proteger a comunidade erguida por seus antecessores. Simples por contar através de uma narrativa linear e de desenhos limpos, porém extremamente realistas uma história capaz de agradar tanto adultos quanto crianças. Na história 3 membros da Guarda dos Ratos, Kenzie, Lieam e Saxon, são enviados para investigar o desaparecimento de um mercador de grãos que se deslocava de uma cidade para outra. Em sua busca deparam-se com algo muito maior do que um simples caso de sumiço. Uma leitura indispensável e que deveria estar nas bibliotecas de todas as escolas. (Conrad, 2008).

E ai meus amigos, gostaram das listas? E para vocês quais sãos as Melhores HQs da Década??

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