The Frankenstein Experiment – Crítica

Um grupo de pesquisadores é contratado por um milionário que sofre de uma doença terminal para conduzir uma série de pesquisas ilegais com células tronco. Os médicos, todos brilhantes em suas respectivas áreas, têm motivos pessoais para tomarem parte na empreitada, arriscando suas carreiras e reputações, e não hesitam em abandonar seus juramentos para buscarem o que todos encaram como sendo o “bem maior”.

Mas desde o início, algo parece deslocado. As pesquisas ocorrem em instalações subterrâneas, num regime de internato total. Há leões de chácara por todos os lados e há partes da instalação cujo acesso é proibido. Sim, de fato há algo mais acontecendo e sabemos disso desde o início, por que o filme começa com Elizabeth Barnes (Tiffany Shepis), uma das principais médicas da equipe, sendo perseguida por alguém… E mutilada.

Dois anos depois, o FBI está investigando o milionário que financiou o projeto que acabou em um banho de sangue, o Dr. Walton (Ed Lauter, em uma ponta de luxo), e vai colher os depoimentos de Barnes. Encontramos a doutora usando uma máscara e em uma cadeira de rodas. É por meio do relato dela que pouco a pouco vamos construindo o horrível quebra-cabeças que se desenrolou nas instalações.

Devo dizer que há muito não me empolgava com um filme da forma como o fiz com esse. Ora, por quê, se não há nada de brilhante nele? Bem, ele pode não ser inovador, nem irá detonar uma nova tendência no horror, mas em tempos de Jogos Mortais e Premonições, um filme como este é uma lufada de ar fresco em uma sala mofada. Tudo funciona, da edição perfeita, que jamais revela um frame a mais do que você precisa saber, às atuações, com destaque para David, o guarda-costas que se torna Frankenstein e depois se torna… Bem, é uma grande surpresa, não posso dizer.

A direção de Sean Tretta é competente. É apenas seu quinto filme, sendo que três dos anteriores foram direto para DVD, mas mesmo assim ele faz um belo trabalho. Não cai na tentação de criar sustos fáceis, apoiados somente em efeitos sonoros altos; ao invés prefere conceber uma atmosfera tensa e claustrofóbica, na medida para vestir o roteiro inteligente que é de sua própria autoria. O filme também credita Mary Shelley como fonte de inspiração – e é justo. Frankenstein não é uma proposta que se limite ao título do filme ou à figura de David, mas acima de tudo, à crítica que a autora faz em seu romance original, e que Sean repete aqui: limites! Onde estão os limites da ciência? Até onde o ser humano pode ir ou tem o direito de ir? Frankenstein é uma história sobre a obsessão do homem e seus riscos.

O bom uso da trilha sonora e dos filtros trabalhando flashbacks intensifica a experiência. E quando a violência explode, nada de CGI. Entra em ação a boa e velha maquiagem, que no meu entendimento, é insubstituível. Os personagens que parecem maniqueístas no começo, logo mostram profundidade e realismo; corrompidos aos poucos pelos louros que a glória lhes trará, mas assombrados pelos espectros de suas motivações pessoais, nem todas claras, não obstante presentes, eles são a cola que mantém tudo unido e torna crível a proposta, mesmo sendo ela tão fantasiosa. Destaque para a Dr. Vicotira Travelle (Patti Tindall), que a princípio parece a típica antagonista com características planas, qu voc~e torce para ser a primeira a morrer, mas logo cresce na película e na trama, se torna algo mais.

Não há acuração científica, que isso fique claro. Mas isso é algo um tanto quanto óbvio, já que se trata de um roteiro que reanima os mortos por meio de um soro miraculoso – mas isso não compromete o resultado final. Altamente recomendado, com doses moderadas de gore e um ou outro momento tenso, como a leitura do Juramento de Hipócrates, o filme foi lançado nos EUA com o nome The Frankenstein Syndrome, porém internacionalmente saiu como The Frankenstein Experiment (2010).

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    • These mice are amazing as is the exncteise of a ninja laboratory. Lucky you ran out of wool it seems to me that ninja mice are much more mischievous than ninja bears.

  1. Pelo poster seria mais um filme que eu não daria nada por ele, com certeza acharia se tratar de mais um “torture porn” com algum gore e nenhum roteiro. Mas sabendo ser algo com conteúdo, coisa que infelizmente tem se tornado raro no gênero, vou ficar bem atento e quando chegar na locadora aqui perto, pois sem a mínima duvida este filme não vai estreiar em grande circuito, vou assistir com certeza.

  2. “Frankenstein é uma história sobre a obsessão do homem e seus riscos.”

    É um dos meus livros favoritos!!!